Evaldo Augusto Torres Alves /editor
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Política

Rapidinhas


PT deve a gráficas da campanha de Dilma

Partido mandou produzir material impresso da candidata em empresas com as quais ainda tem dívidas de 2006

Total da dívida relativa à reeleição de Lula é de R$ 4,4 milhões; tesoureiro diz que partido negocia valores

SILVIO NAVARRO
da FSP

A campanha de Dilma Rousseff (PT) à Presidência da República mandou produzir seu material impresso nas gráficas que até hoje o PT não pagou pelas dívidas deixadas na reeleição do presidente Lula em 2006.
Juntas, Braspor e Mack Color, ambas de São Paulo, são credoras de R$ 4,4 milhões dos R$ 6,2 milhões que o PT ainda deve na praça, quatro anos depois da campanha de reeleição de Lula.
Os valores constam do último balancete do partido entregue ao Tribunal Superior Eleitoral.
Em Osasco, sede da Braspor, a campanha de Dilma imprimiu pelo menos 7,5 milhões de panfletos intitulados "13 razões para votar em Dilma" e 50 mil cartazes.
O material abastece os principais comitês do país no Sul, Sudeste e em Brasília. O nome da empresa não aparece nos panfletos, que trazem apenas seu CNPJ sombreado na borda.
O mesmo ocorre com a Mack Color, que confeccionou 9,5 milhões de adesivos. O PT deve R$ 1,1 milhão para a empresa desde 2006.
Questionadas sobre o conflito entre os novos contratos de fornecimento e as dívidas do PT, as gráficas não se manifestaram.

NEGOCIAÇÃO
Tesoureiro do PT, João Vaccari Neto limitou-se a dizer que o partido "tem negociado com credores os pagamentos de saldos conforme seu orçamento".
Essa dívida foi assumida pelo partido após a eleição de 2006. Como as contas de Lula fecharam no vermelho, o PT herdou o prejuízo usando um mecanismo chamado "novação" (extinção de uma dívida anterior em troca de uma nova dívida).
Esse tipo de recurso é utilizado porque, após a eleição, o CNPJ usado para captar recursos de campanha é obrigatoriamente cancelado.
Além de Dilma, outros candidatos do PT usaram a gráfica para produzir material, entre eles os ex-presidentes da sigla, Ricardo Berzoini (SP) e José Genoino (SP) e o candidato do PT ao governo paulista, Aloizio Mercadante (PT).




Dilma diz que discussão sobre equipe é "factóide"

da FSP

Em meio à pressão de partidos aliados pela divisão de cargos num eventual governo de Dilma Rousseff (PT), ela negou ontem ter dado início às discussões sobre sua futura equipe, caso eleita.
Dilma classificou de "factóides" especulações sobre nomes para um eventual governo petista.
"Qualquer discussão de nome da minha parte, da minha campanha, é factóide. Desautorizo todas as especulações sobre qualquer cargo, porque não achamos isso politicamente correto. É colocar o carro na frente dos bois."
Dilma negou que tenha sido procurada por aliados já dispostos a discutir a "partilha" de cargos. "Não chegou nenhum partido da minha base para colocar uma questão dessas. Até agora, para mim, essa questão só chegou por meio da imprensa."
A candidata também negou haver disputa dentro de sua coordenação de campanha por espaço num eventual governo, especialmente entre Palocci e José Dirceu.
Dilma acusou José Serra (PSDB) de não honrar sua biografia ao tentar vincular o PT a movimentos radicais.
Ela passou o domingo em Brasília, e gravou programas para o horário eleitoral.
Dilma convocou entrevista para falar de banda larga e prometeu ampliar de 12,2 milhões para 40 milhões os brasileiros com acesso à internet rápida, com preços de R$ 15 a R$ 35 para a baixa renda.
*(GABRIELA GUERREIRO)





Suplentes podem ser um terço do Senado

Hipótese leva em conta candidatos a senador que, após eleitos, devem deixar o cargo no próximo mandato

Além deles, são sete os atuais senadores que concorrem a governador e aparecem em primeiro nas pesquisas eleitorais

ANDREZA MATAIS/GABRIELA GUERREIRO
da FSP

Símbolo da falta de prestígio e força do Congresso no governo Lula, a bancada de suplentes deverá crescer no Senado -justamente a Casa que é considerada prioritária por governistas e oposicionistas nestas eleições.
Sete senadores no meio do mandato que concorrem a governador aparecem à frente nas pesquisas. Se somados aos nomes que são cotados para assumir cargos no Executivo a partir de 2011 e àqueles que já anunciaram interesse de disputar as eleições 2012 e 2014, os "sem-voto" poderão chegar a 25 (quase um terço dos 81 senadores).
A atual legislatura foi marcada pelo número recorde de suplentes -20, maior que a bancada do PMDB. Hoje, são 16 -todos encerram seus mandatos neste ano.
Esses "reservas" foram colocados em cargos estratégicos em CPIs e comissões, como as de Agricultura e de Ciência e Tecnologia, e protagonizaram cenas que ajudaram o Senado a mergulhar numa crise em 2009.
Foi um suplente que o PMDB indicou para comandar o Conselho de Ética quando o presidente da Casa, José Sarney (PMDB), enfrentava sete denúncias por quebra do decoro. Paulo Duque defendeu o colega: "Eu mesmo empreguei mais de 5.000 pessoas nesses anos de vida pública. O empreguismo tem de ser elevado".
Segundo suplente, Duque ganhou quase quatro anos de mandato graças à renúncia de Sérgio Cabral (PMDB), que trocou o Senado pelo governo do Rio de Janeiro.
Outro suplente, João Pedro (PT), foi escolhido para presidir a CPI da Petrobras, fonte potencial de incômodos ao Planalto. Ele não se importou em concluir os trabalhos sem investigar nada.
"A melhor coisa do mundo é ser suplente, é como estar no paraíso", disse Wellington Salgado (PMDB-MG), da tropa de choque governista.
Nestas eleições, tornou-se obrigatório que o titular divulgue no material de campanha os suplentes, que também aparecerão na urna. A novidade fez com que muitos sem-voto saíssem da sombra.
O PT chegou a fazer eleição interna para definir quem ocuparia essas vagas, tradicionalmente destinadas a parentes e financiadores de campanha. Em Pernambuco, Humberto Costa (PT) teve de aceitar como suplente o adversário Joaquim Francisco (PSB), ex-PFL.
O primeiro suplente de Aécio Neves (PSDB-MG), Elmiro Nascimento (DEM) espera assumir o mandato mais adiante. "Daqui a quatro anos, Aécio pode disputar o governo de Minas ou a Presidência." Mas a cadeira pode sobrar para o segundo suplente, Tilden Santiago (PSB), pois Nascimento tende a disputar a Prefeitura de Patos em 2012.





FERNANDO RODRIGUES da FSP

Oposição em 2011
BRASÍLIA - Enquanto as pesquisas mostram o favoritismo de Dilma Rousseff (PT) na eleição presidencial, há dúvidas sobre como será a configuração da oposição a partir de 2011. Não está ainda claro o tamanho da derrota de José Serra (PSDB), se vier mesmo a ser confirmada nas urnas.
Uma coisa é perder no segundo turno, dando trabalho ao concorrente direto. Outra, bem diferente, é levar uma sova acachapante e humilhante já no primeiro turno.
Se Serra de fato perder no primeiro turno, terá dificuldades para continuar a comandar o PSDB. Nessa configuração, o partido tem opções incertas sobre quem será seu líder nacional -e comandante da oposição. A rigor, os tucanos parecem cada vez mais confinados apenas a uma parte do Sul, do Sudeste e ao Estado de Goiás.
Por ora, há mais certeza de vitória do PSDB nas eleições estaduais em São Paulo (com Geraldo Alckmin) e Paraná (com Beto Richa). Em Minas Gerais e em Goiás, a disputa continua intensa e incerta.
Do ponto de vista do peso político nacional, São Paulo e Minas Gerais -os dois maiores eleitorados do país- são preponderantes. Assim, a liderança do PSDB estará entre o paulista Geraldo Alckmin e o mineiro Aécio Neves. É difícil imaginar as seções tucanas do Paraná ou de Goiás influindo de maneira decisiva nos rumos da oposição ao eventual futuro governo Dilma.
Nas últimas semanas, o candidato do PSDB ao governo de Minas Gerais, Antonio Anastasia, reagiu. Está virando uma "Dilma do Aécio" entre os mineiros. Já Aécio está prestes a se eleger como um campeão de votos para o Senado.
Com essas tendências se materializando em 3 de outubro, Dilma terá o melhor dos mundos. Uma oposição debilitada e fracionada por dois estilos de comando. Não há nada tão diferente no PSDB como as formas de atuar de Aécio e Alckmin. O PT e Lula nunca sonharam com cenário tão edulcorado.





Vice do Serra






LULA POR CARLOS VEREZA




Serra acusa Dilma de 'sentar na cadeira' presidenc


Serra acusa Dilma de 'sentar na cadeira' presidencial antes do pleito
Tucano disse que comportamento da petista 'pode demonstrar falta de respeito com eleitores'

Gustavo Uribe
do Estadão

SÃO PAULO - A uma plateia de cerca de 300 pessoas, na maioria formada por nordestinos, o candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, acusou a adversária do PT, Dilma Rousseff, de já ter sentado na cadeira presidencial um mês antes da eleição e advertiu que essa atitude pode demonstrar falta de respeito com os eleitores. "Sentar na cadeira um mês antes da eleição é uma atitude que talvez seja falta de respeito com os eleitores", alfinetou o tucano. "Quem decide quem vai sentar na cadeira é o povo e não o candidato."

Serra, que participou na tarde deste domingo de conversa com membros da Associação dos Nordestinos do Estado de São Paulo, na Capital paulista, ao lado da esposa Mônica, prometeu dar moradia às famílias que ganham até 3 salários mínimos, caso seja eleito. De acordo com o presidenciável, os programas do governo federal não funcionaram para essa faixa de renda. "Nós fizemos muita moradia, o programa federal que tem sido muito apresentado não está atendendo as famílias que ganham até 3 salários mínimos." E questionou a eficácia do programa Minha Casa, Minha Vida, do governo Lula: "Eles disseram que iam entregar 1 milhão de casas, não vão entregar mais do que 1/5 disso."

Ainda nas críticas, Serra apontou que o governo Lula não fez nada pela favela de Heliópolis, que aparece na propaganda do horário eleitoral gratuito de Dilma Rousseff. Segundo ele, os programas de moradia dessa favela foram implementados pelo governo estadual tucano de São Paulo. "Sabe quem está querendo faturar com isso? É a candidata federal, a Dilma", ironizou. "Eles não fizeram nada por lá (Heliópolis), anunciaram que o Lula irá visitar a comunidade para inaugurar um conjunto habitacional. Tem um dinheirinho federal lá que não deve passar de 20% a 30% (do montante total investido no projeto pela administração tucana)."




Em SP, Serra diz que Dilma desrespeita eleitores

GUSTAVO URIBE
do Estadão

A uma plateia de cerca de 300 pessoas, na maioria formada por nordestinos, o candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, acusou a adversária do PT, Dilma Rousseff, de já ter sentado na cadeira (de presidente) um mês antes da eleição e advertiu que essa atitude pode demonstrar falta de respeito com os eleitores.

Ontem, Dilma negou estar de ''salto alto'', mas disse que, se eleita, vai ''estender a mão'' para José Serra. "Sentar na cadeira um mês antes da eleição é uma atitude que talvez seja falta de respeito com os eleitores", alfinetou o tucano. E ponderou: "Quem decide quem vai sentar na cadeira (presidencial) é o povo e não o candidato".

Serra, que participou na tarde de hoje de conversa com membros da Associação dos Nordestinos do Estado de São Paulo, na capital paulista, ao lado da esposa Mônica, prometeu dar moradia às famílias que ganham até 3 salários mínimos, caso seja eleito. De acordo com o presidenciável, os programas do governo federal não funcionaram para essa faixa de renda.

E questionou a eficácia do programa Minha Casa, Minha Vida, do governo Lula: "Eles disseram que iam entregar 1 milhão de casas, não vão entregar mais do que 1/5 disso". Ainda nas críticas, Serra apontou que o governo Lula não fez nada pela favela de Heliópolis, na zona sul de São Paulo, que aparece na propaganda do horário eleitoral gratuito de Dilma.

Segundo ele, os programas de moradia dessa favela foram implementados pelo governo estadual tucano. "Sabe quem está querendo faturar com isso, é a candidata federal, a Dilma", ironizou. "Eles não fizeram nada por lá (Heliópolis), anunciaram que o Lula irá visitar a comunidade para inaugurar um conjunto habitacional". "Tem um dinheirinho federal lá que não deve passar de 20% a 30% (do montante total investido no projeto pela administração tucana)", acrescentou.

Kajuru detona Ibope,DataFolha, VoxPopuli, Lula e B







Enviado por : Mario Jorge Tenorio Fortes


Eles não são confiáveis


Por O EDITOR

Os donos do Ibope, da Vox Populi, da Sensus e do Datafolha estão, em artigos, entrevistas e palestras, dizendo que a eleição está decidida. O que era briga entre eles no início ficou pacificado pela farta distribuição de dinheiro promovida junto ao setor.

Todos estão de contrato novo, seja direta, seja indiretamente. Seja o Grupo Folha com o seu contrato de R$ 64 milhões para fazer as provas do Enem, seja a Vox com as pesquisas diárias de tracking para o próprio PT, seja o Ibope e contratos do filho do Montenegro com a Prefeitura do Rio e o Governo do Rio de Janeiro.

O TSE fez uma dura legislação para regular as pesquisas eleitorais. Uma legislação que, com a posse do Ricardo Levando Não Sei o Quê, está sendo totalmente descumprida.

Há quanto tempo este Blog denuncia que o Ibope não deposita as cidades pesquisadas no TSE?

E que a Sensus repete exatamente as mesmas cidades da pesquisa anterior, assim como a Vox Populi?

O TSE proibiu os humoristas de brincar com as eleições, mas permite que o dono do Ibope venha dar entrevistas para afirmar que o Brasil já tem presidente.

Quer lavar a sua biografia suja, apostando na égua que está na frente, já que declarou que Lula não elegeria um poste, há um ano atrás.

Que credibilidade pode ter o dono do Ibope, que está manipulando as suas pesquisas no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, para atender a RBS, repetidora da Globo, que está em campanha de apoio a Dilma na região?

E está errando por mais de 10 pontos!

Obviamente, no final, o Ibope vai ajustar a margem de erro que faz parte do seu "pacote" de vendas ao mercado.

Os donos de instituto de pesquisa viraram cabos eleitorais.

Deveriam ser proibidos de se manifestar além dos limites dos seus levantamentos, pois geram noticiário e prejudicam a democracia.

As pesquisas não estão tendo a transparência necessária, sob os olhos coniventes do TSE, que está burlando a lei não se sabe com que interesses ao não exigir que as suas próprias determinações sejam cumpridas.

Correios podem romper contrato suspeito
Ministro das Comunicações disse que analisará existência de vínculos entre o diretor da estatal e a MTA, que ganhou licitação de R$ 44,9 milhões


Karla Mendes, Leonencio Nossa
do Estadão


Lado a Lado. Coronel Artur (à esq.) com o presidente dos Correios, David de Matos, e Filardi

Se comprovado o vínculo do diretor de Operações da Empresa de Correios e Telégrafos, coronel Eduardo Artur Rodrigues Silva, com a Master Top Linhas Aéreas (MTA) - ou com consultorias que prestam serviços para companhias do setor aéreo - o ministro das Comunicações, José Artur Filardi, vai recomendar a extinção dos contratos.

"Se confirmar que existe (o vínculo), recomendo que esse contrato deva ser rompido", afirmou Filardi, em entrevista ao Estado. O ministro disse que fará a análise para ver "se existe conflito (de interesses)".

Reportagem publicada na edição de ontem mostrou que 20 dias antes de o coronel ser escolhido para a direção de Operações dos Correios, a Master Top Linhas Aéreas arrematou o contrato de uma das principais linhas da estatal, a Linha 12, que opera no trecho Manaus-Brasília-São Paulo (ida e volta).

A empresa, com sede em Campinas (SP), venceu o pregão eletrônico com lance de R$ 44,9 milhões - o equivalente a 13% do valor total da malha e 14% da capacidade de carga da estatal.

Ao assumir a diretoria nos Correios, em 2 de agosto, o coronel entregou o comando da MTA nas mãos da filha Tatiana Silva Blanco. O resultado dessa triangulação é que a empresa tem agora a família Rodrigues da Silva como contratada e contratante.

O ministro disse que não conhecia o coronel antes de ele ser empossado diretor dos Correios. Segundo Filardi, na reunião em que foi apresentada a lista dos nomes que assumiriam a presidência e as diretorias de operações e de gestão de pessoas da empresa - que incluía o nome do coronel - apenas foi perguntado aos presentes se havia alguma objeção aos indicados.

O Estado apurou que o nome do coronel foi uma indicação sustentada pela Casa Civil e teve o apoio do advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Como não houve manifestação contrária às indicações, disse o ministro, foi feita uma checagem para ver se havia algum impedimento legal ou fiscal. Nada foi constatado e os indicados foram empossados.

O ministro das Comunicações disse ao Estado que desconhecia ligações de coronel Artur, também conhecido como "coronel Quaquá", com o setor aéreo. "Se houver, parece incompatível (com o cargo)."

Nomeações. Dos três nomes indicados para assumir a direção dos Correios, nenhum partiu do Ministério das Comunicações. Uma fonte do governo disse ao Estado que o PMDB, partido que comanda a pasta, não indicou ninguém diante do caos que tomou conta da estatal e da iminência de um apagão postal na véspera das eleições porque "era melhor tirar o ministério do poder do que deixar acontecer o apagão postal".

Na gestão anterior, vários integrantes da direção da estatal, incluindo o ex-presidente Carlos Henrique Almeida Custódio, haviam sido indicados pelo PMDB.

Segundo outra fonte do governo, a indicação do coronel Artur para a Diretoria de Operações faz parte do lobby para tirar do papel a criação de uma empresa de logística, dotando os Correios de uma frota própria de aeronaves para fazer o transporte de cargas. Uma das propostas em discussão prevê que a estatal compre ou arrende aviões, em vez de ter participação em uma companhia aérea cargueira.

A entrada do coronel nos Correios teria como estratégia usar sua "expertise" do mercado para fazer aquisição de aviões usados, já que, com a crise, muitas empresas não estão dando conta de pagar os financiamentos dessas aeronaves.

A medida provisória que poderá dar aos Correios poderes para ter uma subsidiária de logística ficou para o próximo governo. O presidente Lula já sinalizou que a MP não será editada este ano. O ministro Filardi, então, retirou a proposta do Planalto.

PARA LEMBRAR

Troca de comando
No dia 28 de julho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva demitiu a cúpula dos Correios por temer que o fisiologismo partidário ampliasse a crise administrativa na estatal e respingasse na campanha da ex-ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência da República. A troca no comando da empresa ocorreu depois que o presidente Lula encarregou a Casa Civil e os ministérios das Comunicações e do Planejamento de fazer uma reestruturação da empresa.

Em retirada
Editorial da Folha de São Paulo

Em meio à inflamada polêmica sobre a construção de uma mesquita em Nova York, nas imediações do "ground zero" -local dos atentados do 11 de Setembro-, o presidente Barack Obama trata de cumprir, nesta quarta-feira, a promessa de iniciar a retirada das tropas norte-americanas do Iraque.
Dos 144 mil soldados que se encontravam naquele país quando o democrata assumiu a Presidência, restarão agora 50 mil, oficialmente denominados de "não-combatentes", até o final de 2011.
A batalha pela opinião pública em torno da questão iraquiana, e, de modo geral, do terrorismo islâmico, parece tão complexa quanto a realidade dos países em que este se manifesta cotidianamente.
Com efeito, muitos aspectos permanecem ambíguos na retirada que se anuncia.
Derrubou-se um ditador para iniciar uma guerra civil da qual resultaram mais de 100 mil mortos. Realizaram-se eleições democráticas, da qual resultou um Parlamento dividido, há meses incapaz de constituir um gabinete. Reduziram-se os atentados terroristas nos últimos anos, mas continuam duvidosas as chances de que, com suas próprias forças, o Estado iraquiano consiga debelar a ameaça.
Na última quarta-feira, como numa demonstração de força, 12 cidades iraquianas foram alvo de atos extremistas, dos quais resultaram mais de 50 mortos.
Apresentar de modo favorável ou negativo a retirada das tropas é assim tarefa entregue ao entrechoque das opiniões que ocupam, asperamente, o cenário ideológico dos Estados Unidos.
Uma conclusão, entretanto, sobrepõe-se a esse debate: a de que problemas dessa ordem fogem a uma solução militar.
A vitória contra o extremismo religioso depende de iniciativas de promoção econômica, social e política muito mais lentas, mas certamente menos custosas, em recursos financeiros e vidas humanas, do que as sangrentas aventuras intentadas na região.


"Ele queria melhorar de vida", ...


"Ele queria melhorar de vida", diz prima de morto no México

Brasileiros vítimas de chacina eram de cidadezinhas em MG

FILIPE MOTTA
da FSP

Os dois brasileiros identificados entre os mortos da chacina em Tamaulipas, no México, moravam em cidades vizinhas a Governador Valadares (MG), região no norte do Estado conhecida por ser uma das principais exportadoras de mão de obra brasileira para os Estados Unidos.
Juliard Aires Fernandes, 20, era de Santa Efigênia de Minas - com cerca de 4.500 moradores- e Hermínio Cardoso dos Santos, 24, de Sardoá -cerca de 5.500. As duas localidades ficam a 10 km de distância.
Tanto Juliard quanto Hermínio são de pequenas propriedades rurais distantes do centro dos municípios.
Amigos e parentes ouvidos pela Folha dizem que os dois deixaram o Brasil há cerca de um mês e, desde então, não haviam mais entrado em contato avisando onde estavam. A intenção dos dois, afirmam, era migrar para os Estados Unidos.
Juliard juntou dinheiro para a viagem trabalhando como auxiliar de obras no Rio de Janeiro, segundo a prima dele, Rosângela Fernandes. "Ele queria melhorar de vida", diz, sobre a viagem para fora do país.
Hermínio, segundo o funcionário público Anóbio Batista, que é amigo da família do jovem, era trabalhador rural e cuidava da propriedade da família com os pais e duas irmãs. Uma outra irmã dele migrou para a Itália, onde vive há quatro anos.
Segundo Batista, Hermínio era pouco visto na cidade porque permanecia mais tempo no campo.
A professora Rita Santos, 35, amiga da família de Hermínio, diz que os dois mineiros se conheciam e foram viajar juntos para o México.
Segundo ela, o rapaz tinha esse plano de viagem havia muitos anos. Ela diz que as mortes dos dois são o "único assunto" na localidade no momento.
Nenhum dos dois brasileiros mortos era casado nem tinha filhos. O Itamaraty avisou as famílias sobre o ocorrido na noite de sábado e está em contato direto com elas.

IMIGRAÇÃO
As duas cidades são vizinhas também de Gonzaga, terra do eletricista mineiro Jean Charles de Menezes, que acabou morto em 2005 no metrô de Londres pela polícia britânica ao ser confundido com um terrorista.
Os moradores de Sardoá e Santa Efigênia de Minas contam que como não há muitas alternativas de trabalho na região, o plano de migrar para os Estados Unidos acaba se tornando muito comum.
"As pessoas acabam seguindo o caminho dos parentes que já estão por lá", diz o desempregado Moacir Costa, 33, de Sardoá.
No entanto, com a crise econômica mundial de 2008, a quantidade de pessoas que tentam migrar diminuiu, contam os moradores.

Obama tenta capitalizar saída do Iraque

Depois de 12 meses no Iraque, soldados americanos desembarcam na base aérea de Andrews, no Estado de Maryland

Em baixa nas pesquisas, presidente terá dificuldade para tornar redução das tropas um tema de campanha

Para analistas, público americano tem "pressa" em esquecer da guerra; redução das tropas será oficializada amanhã

ANDREA MURTA
DE WASHINGTON/FSP

Sete anos após a invasão, os EUA estão prontos a esquecer a guerra do Iraque.
Amanhã, o presidente Barack Obama anunciará oficialmente, em discurso pela TV, o fim das operações de combate e a redução das tropas para 50 mil, dedicadas a apoiar o Exército local.
É tradicional nos EUA que a política externa importe menos na votação para o Congresso, como a de 2 de novembro, quando os temas centrais são domésticos e econômicos.
Mesmo na eleição presidencial, em 2012, há pouca chance de que a melhora da situação do Iraque influencie o eleitorado, apesar da expectativa democrata.
Primeiro, porque essa não é a guerra do presidente Barack Obama, que tentará a reeleição. O fardo da invasão ficou associado aos republicanos e ao ex-presidente George W. Bush (2001-2009).
Segundo, porque as atenções estarão voltadas para a situação no Afeganistão -essa sim a "guerra de Obama"-, que ainda contará com forte presença de tropas americanas em 2012.
Nem a retirada simbólica das tropas de combate do Iraque, que deixará a partir de setembro 50 mil soldados americanos para treinar e assistir os iraquianos, deverá ser usada politicamente.
"Obama pode até tentar levar os louros da diminuição das tropas", disse Andrew Bacevich, militar reformado do Exército e professor de relações internacionais da Universidade de Boston.
"Mas essa queda ocorreria se seu antigo rival à Presidência, o republicano John McCain, tivesse vencido."
Barry Posen, do MIT (Massachusetts Institute of Technology), concorda. "Obama não colherá muitos frutos. Não é uma vitória sua; estamos ainda no prazo programado pelo outro governo."
Além disso, não foi completamente comprado nem na imprensa nem entre a população o discurso de que a era dos combates acabou. E ninguém acha que deixar 50 mil soldados no Iraque configura uma "retirada".

PRESSA COLETIVA
Por outro lado, ainda que a situação piore, será difícil para a oposição criticar o governo por uma guerra iniciada sob gestão republicana.
Para Posen, o público está tão cansado do Iraque que só uma situação catastrófica tornaria minimamente aceitável falar em interromper a retirada ou de voltar ao país.
A pressa coletiva dos americanos em deixar para trás a operação que tanto custou em dinheiro -mais de US$ 740 bilhões para os EUA- e vidas -cerca de 4.400 americanos e ao menos 97 mil civis iraquianos- dificulta até mesmo a análise do legado da invasão de 2003.
Não foi sempre assim. Inicialmente, a guerra foi boa para Obama. Para Michael O'Hanlon, analista de segurança do Instituto Brookings, o Iraque ajudou inclusive a elegê-lo. Na campanha, ele pôde exercer toda sua oposição à guerra.
Para Bacevich, o impacto dos sete anos de guerra está nas Forças Armadas, que "se reconfiguraram de uma força especializada em batalhas convencionais para uma focada em contrainsurgência e contraterrorismo".
A principal lição da guerra, diz, é que "os EUA não têm a sabedoria e nem o dinheiro necessários para transformar outros países".

A nova cena venezuelana

NOTAS & INFORMAÇÕES
do Estadão

Uma combinação tóxica de retrocesso econômico, inflação acelerada e criminalidade incontida deverá subtrair do caudilho Hugo Chávez nas eleições legislativas de 26 de setembro próximo o controle absoluto que exerce desde 2005 sobre a Assembleia Nacional, o Parlamento venezuelano. Naquele ano, a oposição cometeu o erro monumental de boicotar a votação, para não conferir legitimidade à disputa nem ao colegiado que dela resultaria, com previsível maioria chavista.


Com isso, o autocrata pôde contar quantas vezes quis com o endosso parlamentar aos seus projetos de edificação do regime bolivariano sobre as ruínas do estado democrático, ou, como ele diria, o entulho das liberdades burguesas. Por exemplo, a Assembleia transformou em letra morta o resultado - adverso aos desejos de Chávez - do plebiscito de 2007 sobre a reforma constitucional que lhe daria a oportunidade de se tornar presidente vitalício, ao permitir que se recandidatasse indefinidas vezes.


Objetivamente, o lado bom disso - embora não para o aqui e agora dos venezuelanos - foi a comprovação de que, à vontade para mandar e desmandar, Chávez apenas conseguiu empilhar desastres nas mais diversas áreas de atuação do governo. De tal modo devastou as finanças públicas que foi obrigado até a cortar gastos com os programas sociais que seriam o porta-estandarte do seu pretenso socialismo do século 21.


A deterioração da economia e da infraestrutura venezuelanas, com a destruição da capacidade produtiva nacional, a falta de alimentos e o racionamento de energia - em um país que flutua sobre um mar de petróleo -, se exprime em números devastadores. As reservas internacionais venezuelanas, em queda acentuada, não passam hoje de US$ 13,1 bilhões. A Venezuela vive o segundo ano consecutivo de recessão, sem indícios de retomada à vista.


À queda de 3,28% do PIB em 2009 deverá se somar um novo naufrágio, estimado entre 3% e 6% negativos, na contramão da maioria das economias emergentes. O que aumenta na república chavista são a inflação e a violência. No ano passado, os preços subiram 25%. A previsão para 2010 é de 40%. A criminalidade - a maior preocupação dos venezuelanos - supera a de qualquer outro país da América do Sul. No decênio terminado em 2009, o número de assassínios por ano praticamente quintuplicou, chegando a 19 mil.


De janeiro a julho último, Caracas registrou a média de 140 homicídios por 100 mil habitantes. Em São Paulo, para se ter ideia, a proporção é da ordem de 11. Calcula-se que 1 em cada 5 policiais está mancomunado com o crime. Em meio a tantas desgraças, não admira que a lona do circo chavista esteja cedendo. A popularidade do caudilho caiu de 70% em 2008 para 36% essa semana. A sua aprovação é ainda majoritária apenas na classe E, no piso absoluto da pirâmide social. Quase 60% dos venezuelanos de todas as classes culpam Chávez pessoalmente por suas agruras.


Em tese, esse quadro deveria mudar acentuadamente a distribuição das 163 cadeiras da Assembleia Nacional. Nas pesquisas, entre os eleitores que já firmaram a sua intenção de voto nas eleições de 26 de setembro, a Unidade Democrática, uma coalizão de 16 partidos antichavistas, somada às legendas independentes, bate o Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV), do governo e seus aliados, por 14 pontos. Na realidade, essa vantagem pode não se traduzir na relação de forças das bancadas parlamentares.


Isso porque, além do sistema de voto distrital adotado no país, que tende a distorcer a relação entre sufrágios recebidos e cadeiras conquistadas, Chávez espertamente fez aprovar uma reforma eleitoral - na verdade, um casuísmo - que modificou a composição das circunscrições eleitorais e reduziu a representação parlamentar dos oito Estados mais populosos, governados pela oposição. Com isso, ainda que não recorra à fraude, o autocrata poderá ter no Congresso a maioria que lhe faltar nas urnas.


De todo modo, tudo indica que não reterá a maioria absoluta dos assentos com a qual tem podido aprovar as emendas constitucionais que dão um simulacro de legitimidade ao seu projeto totalitário. Um ano antes da próxima eleição presidencial, isso significa muito.


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