Evaldo Augusto Torres Alves /editor
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Política

Rapidinhas


Com doação tucana, campanha de Gabeira ultrapassa R$ 1 mi

Vice do PSDB doou R$ 500 mil ao verde; Cabral já recebeu R$ 4,6 mi

HUDSON CORRÊA
da FSP

Após quase dois meses em campanha, o candidato a governador do Rio pelo PV, Fernando Gabeira, conseguiu atingir a marca de R$ 1,2 milhão em doações.
Conforme dados postados ontem na página do verde na internet, o patamar só foi alcançado graças a uma doação de R$ 500 mil feita pelo campanha do candidato a vice, o tucano Márcio Fortes.
Coligado com o PSDB, DEM e PPS, Gabeira chegou a dizer que daria uma banana a aliados devido à suposta falta de apoio à sua candidatura no Rio.
Ele já havia recebido R$ 200 mil da campanha de Marina Silva (PV) à Presidência e mais R$ 100 mil de aliados. Fora do meio político, porém, o verde só arrecadou com R$ 50 mil da Arosuco Aromas e Suco (Ambev) e R$ 350 mil do Itaú Unibanco.
Segundo pesquisa Datafolha, Gabeira está em segundo lugar na corrida ao governo, com apenas 17% das intenções de voto. O governador Sérgio Cabral (PMDB) lidera com 56% e seria reeleito no primeiro turno.
Além da distância entre eles na pesquisa eleitoral, há também um abismo entre o valor que cada um arrecadou na campanha.
No início de agosto, Cabral já tinha recebido R$ 4,6 milhões em doações. Esse valor, que aumentou nas últimas semanas, deve ser atualizado para a Justiça Eleitoral no início de setembro.




Impostômetro emperra durante ato de campanha tucana, e Dilma ironiza

EVANDRO SPINELLI
da FSP

O cenário estava montado: candidatos postados sob o sol em frente ao Impostômetro, painel eletrônico montado em São Paulo que registra o total de impostos arrecadados pelo governo federal durante o ano. Minutos antes do meio-dia o Impostômetro registraria R$ 800 bilhões 34 dias mais cedo que no ano passado.
Lá estavam o presidenciável José Serra (PSDB), Geraldo Alckmin (PSDB), candidato a governador, e seu vice, Guilherme Afif Domingos (DEM), quando o Impostômetro apaga. Eles se entreolham, constrangidos. Assessores da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), onde o Impostômetro está instalado, correm para descobrir o que aconteceu.
Após dez minutos, Serra resolve fazer uma caminhada pelo centro, para voltar, minutos depois, quando é informado que o Impostômetro voltou a funcionar e já passou dos R$ 800 bilhões. "A moda no Brasil é quebrar sigilo. Neste caso devem ter colocado sigilo", brinca.
Afif, vice-presidente da ACSP, explicou a pane: hackers derrubaram o sistema do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário.

REAÇÃO
Dilma, por sua vez, ao ser questionada sobre carga tributária, ironizou na tarde de ontem o fato de o medidor ter emperrado. "Parece que ele quebrou. Sinais dos tempos", disse a candidata.
*Colaborou ANA FLOR, de São Paulo



Senha era socializada, diz servidora do fisco

Acusada pela violação de sigilo de tucanos, Adeildda Santos diz que colegas tinham acesso livre a seu terminal

Funcionária da Receita Federal diz que cometeu apenas um erro: "Como servidora, deveria ter sido mais cuidadosa"

ANDRÉA MICHAEL
da FSP

Responsável pelo computador no qual foram acessadas ilegalmente declarações de renda do dirigente tucano Eduardo Jorge e de outros integrantes do PSDB, Adeildda Ferreira dos Santos negou ontem em entrevista exclusiva à Folha responsabilidade na violação dos dados. Ela afirma que colegas da agência de Mauá (SP) da Receita usavam o seu computador e que a senha de acesso ao sistema era "socializada". E diz que cometeu um erro. "Como servidora, deveria ter sido mais cuidadosa". Adeildda afirmou que o terminal pode ter sido usado por alguém com má-fé.

Folha - Como é sua rotina de trabalho em Mauá?
Adeildda Ferreira dos Santos - Estou em Mauá desde 2007. Eu protocolava pedidos de retificação de declarações de renda, respondia memorandos e ofícios judiciais, e muitas vezes precisava da senha da Antonia Neves Silva para fazer isso.

Folha - Que serviço fazia a servidora Ana Maria Cano?
A mesma coisa que eu. Ela até pedia para usar a minha máquina. Dizia que estava com problemas e não conseguia entrar no sistema pela [máquina] dela.

Houve aumento de pedidos de acesso a dados sigilosos?
Houve. Outros funcionários, além da Antonia, também pediam: o Júlio [Bertoldo], a própria Ana Maria... O máximo que já fiz de uma vez, pelo me me lembro assim, foram uns 20. Mas eu nunca olhava nomes, porque era subordinada. Não conheço esse Eduardo Jorge.

A sra. sabe de alguma suposta venda de dados sigilosos?
Nunca ouvi nada.

A sra. acha que errou?
Não errei porque não acessei o sigilo de ninguém. Mas reconheço que, como servidora, deveria ter sido mais cuidadosa. Às vezes eu ia ao banco e deixava o meu terminal aberto. Outros dias eu chegava para trabalhar e a máquina já estava ligada.
Todo mundo sabia que eu deixava minha senha anotada numa caderneta sobre a minha mesa. A senha do meu terminal era socializada, na verdade, era usada por todo mundo que quisesse, mas eu nunca pensei que fossem usar com má-fé.




FERNANDO DE BARROS E SILVA/FSP

Lula em transe

SÃO PAULO - A um mês da eleição, o petismo está em festa, mas não há ninguém mais animado do que o próprio Lula. Ele não age como quem quer apenas derrotar José Serra. Age como quem quer massacrar a oposição. Massacrar politicamente, bem entendido, embora o que ele diga às vezes faça eco, com sinais invertidos, à fala truculenta de Jorge Bornhausen em 2005 -"vamos acabar com aquela raça".
É evidente, de maneira até muito mais acentuada do que ocorreu em 2006, o clima de desforra que o presidente imprime à campanha atual.
Lula transformou o processo eleitoral num "road show". Escreve o roteiro, dirige e protagoniza o espetáculo itinerante da sua aclamação. Vai pulando de cidade em cidade, empenhado em dizimar os remanescentes "do lado de lá".
E, como a disputa ficou fácil para a sua candidata, cada palco visitado pelo astro mambembe oferece uma nova ocasião para sua despedida interminável e novelesca do poder. Lula, mais do que a plateia, parece necessitar dessa catarse.
Não sendo candidato, em cima do palanque ele com frequência agride o código de conduta burguês. Sua performance fere suscetibilidades tucanas e não deixa de recordar, pelo que mobiliza, algo do teatro collorido no seu auge.
Pelos exemplos dos últimos comícios, no seu personagem parecem se misturar, quando caminha e esbraveja pelo palco, o líder sindical, o pai populista e o pregador religioso. Mas seu transe tem método.
A mensagem que o atravessa é invariavelmente a mesma: a luta política se trava entre "nós" (o povo, encarnado na sua figura) contra "eles" (a elite inimiga do povo).
Pouco importa que, na vida real, parte significativa das elites e das oligarquias esteja junto com Dilma. A equação eleitoral que Lula montou se mostrou, afinal, muito eficaz.
Não seria assim, obviamente, se o conto de fadas da ascensão social que o próprio Lula representa não tivesse de alguma maneira se traduzido em realidade para muitos.








...radiografia da mais estarrecedora entrevista de

Direto ao Ponto
AUGUSTO NUNES
VEJA

Celso Arnaldo completa a radiografia da mais estarrecedora entrevista de Dilma
A segunda parte do texto de Celso Arnaldo completa a radiografia da entrevista assustadora. Embarquem novamente no trem-bala do horror, amigos. Volto no fim:

Ok, a criança chegou a um hospital de alta complexidade criado por Dilma -– sim, porque ninguém tinha pensado antes num hospital para atender doenças mais graves. O InCor, por exemplo, é uma miragem. O que vai acontecer ali? Agora, sim, Dilma revela o que viu na Bahia que a impressionou tanto:

“Uma proposta que conjuga não só tecnologia de ponta, tecnologia sofisticada pro tratamento da criança, mas também um grande nível de humanização, porque eles usam todo aquela questão do envolvimento da criança, mostrano que a boneca vai, tamém, cuidá da cabeça ou quando a criança é submetida a algum nivel de tratamento mais estressante, tomá os cuidados para garanti que psicologicamente ela se…enfim, ela tenha uma chegada maior a um processo que inclusive é de dor”.

Nos hospitais de Dilma, os doutores serão de uma alegria só — até o dia da “chegada maior” de Dilma pra cuidá da cabeça com a boneca.

Nos longos minutos que se seguem, Dilma se dedica a tentar provar, de novo, que as creches são a diferença entre Bill Gates e Nem do tráfico. Ela repete, no mesmo palavreado vão e leviano, a promessa das 6 mil creches em quatro anos -– mas de novo não explica, nem lhe foi perguntado pela mídia adestrada, porque não convenceu Lula a fazer uma só como protótipo ao longo de oito anos.

Depois da creche, o processo de “atendimento integral” das crianças da presidente Dilma passa evidentemente pela escola. Está em marcha uma revolução que faria o companheiro Paulo Freire parecer uma professorinha de quermesse:

“Já existe 10 mil, em torno de 10 mil escolas no Brasil, é, de ensino, de ensino fundamental, de ensino mé…., de ensino fundamental e médio, de ensino básico, portanto…”

Interrompida pelo Controle Social da Mídia. Se a presidente Dilma passou com louvor na prova de saúde, nessa questão da escola ela precisa estudar um pouquinho mais. Vamos deixar para a próxima?

Uma jornalista então quer saber: por que esse interesse tão súbito da presidente pela “criança integral”?

Atenção para a resposta, professor Sirio Possenti:

– Eu vô sê vó!!

E isso desperta em vovó Dilma não só instintos avoengos como essa dedicação integral à criança, que ela justifica com uma máxima inédita:

– As crianças são o futuro deste país.

Até aqui, Dilma falara sem ser questionada. Timidamente, uma repórter parece perguntar se essa tal Rede Cegonha já não existe em algum lugar. A presidente se irrita, pela primeira vez:

“O Rede Cegonha é uma criação do Rio de Janeiro. Não é nossa. É uma parte também do Mãe Coruja, de Pernambuco. Essa mania das pessoas se adonarem de projetos que estão em curso no Brasil é errado.”

Taí: gostei do “se adonarem” -– em 11 meses de caçada, é a primeira expressão original, e correta, que ouço de Dilma. Mas quem está se adonando dos projetos alheios é a presidente Dilma, não é não?

O SAMU Cegonha, que “nós criamos”, também já não existe, presidente?

“O SAMU Cegonha inclusive ele existe, tem até uma cegonha pintada naquela parte branca da….do…..”

A presidente parece ter até desistido da conclusão do pensamento quando vem o sopro redentor:

– Da ambulância.

– Da ambulância, né?

Seria cômico, se não fosse trágico: nos próximos quatro anos, é isso aí.

Brilhante como sempre, o texto de Celso Arnaldo colide estrondosamente com a indigência mental da sucessora que Lula inventou. Também por isso, não dou por liquidada a disputa pela Presidência da República. Falta um mês para a votação. No calendário político isso é uma eternidade. É mais que suficiente para que a oposição mostre ao Brasil o que vem por aí com a mesma nitidez e objetividade que marcam todos os posts sobre a candidata aqui publicados. Tempo para desconstruir a farsa existe de sobra. O que tem faltado à campanha de José Serra é lucidez, coragem, valentia e, sobretudo, vontade de vencer.

Acompanho confrontos eleitorais desde que nasci. Dois anos depois de derrotado na estreia como candidato a prefeito, e dois anos antes de conquistar o cargo que exerceria quatro vezes, meu pai vivia como sempre viveu: em campanha. Primeiro em Taquaritinga, na região e no Estado de São Paulo, depois como jornalista, testemunhei incontáveis duelos do gênero em todos os níveis — sempre na fila do gargarejo. Sei o que estou dizendo ao afirmar que Dilma Rousseff é a adversária que todo candidato pede a Deus. O problema é que, até agora, José Serra também tem sido.

Dilma se nega a falar sobre ministério e acusa PSD
Dilma se nega a falar sobre ministério e acusa PSDB


Em entrevista ao Jornal da Globo, a petista disse que seria 'pretensão' falar em equipe antes da eleição

Cido Coelho,
do Estadão

Em entrevista ao Jornal da Globo, na sede da TV Globo, em São Paulo, que aconteceu na noite de segunda-feira, 30, a candidata à Presidência, Dilma Roussef (PT), defendeu o presidente Lula em relação aos presos políticos de Cuba, disse que não é o momento de definir os ministérios e acusou os adversários de estarem fazendo "uso eleitoral" da questão do vazamento do sigilo de dados de integrantes do PSDB.


Reprodução/TV GloboCandidata do PT foi a primeira candidata da série de entrevistas promovida pelo Jornal da GloboFuturo ministério

Em relação ao futuro ministério e petistas envolvidos em escândalos, como José Dirceu, que participa da campanha da petista, Dilma se esquivou e disse que por questão de respeito à população não tem discutido o futuro governo porque ainda não foi eleita.

"Para você começar a discutir um governo, eu teria de estar eleita. Se eu colocar a carroça na frente dos bois, em vez de eu discutir os programas do governo, em vez de eu dizer o que eu quero para as pessoas me escolherem como presidenta do Brasil, eu vou ficar discutindo uma coisa que não aconteceu. Por que, cá entre nós, pesquisa não ganha eleição. O que ganha eleição é voto na urna", explica a petista.

Sigilo fiscal

Sobre a quebra de sigilo e o vazamento de dados de tucanos na semana passada, na agência da Receita Federal, em Mauá, Dilma explicou que não compactua com isso. Ela negou qualquer envolvimento no vazamento de dados sobre integrantes do PSDB. "Eu tenho pedido sistematicamente que apresentem provas", devolveu a candidata. E contra-atacou afirmando que os adversários teriam um histórico de vazamentos e de grampos.

"Por exemplo, vazamento das dívidas dos deputados federais com o Banco do Brasil nas vésperas da votação da emenda da reeleição; os grampos que existiram no BNDES e também os grampos feitos juntos ao próprio gabinete, o secretário da Presidência da República", sustentou Dilma. "Eu jamais usei esses episódios pra tornar o meu adversário suspeito de qualquer coisa porque eu não acho correto. Agora, eu também não concordo e que sem provas me acusem ou acusem a minha campanha."

Cuba e os presos políticos

Perguntada sobre o que ela sentiu quando Lula disse que os presos políticos de Cuba era como bandidos em São Paulo, a petista fez uma defesa do presidente e disse que ele foi um dos responsáveis pela soltura dos cubanos.

"Eu acho que a trajetória política e de vida do presidente Lula não pode permitir que a gente acredite que o presidente Lula foi uma pessoa que não lutou a vida inteira pelos direitos humanos", ressalvou. Por fim, a candidata petista afirmou que ela é pessoalmente solidária aos presos políticos de Cuba. "Sou contra crimes de opinião, crimes políticos ou crimes por pensar, por querer ou por opor e vou defender isso a minha vida inteira", conta.

Na terça-feira, 31, o próximo candidato a ser entrevistado será José Serra (PSDB).




Criticada, Dilma acusa FHC de sentar antes na cadeira

do Estadão

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, disse hoje considerar "injusta" a acusação do adversário tucano, José Serra, de que ela está sentando na cadeira presidencial antes do resultado das urnas. A petista atribuiu a característica de contar com a vitória antes da hora ao PSDB.

Ela citou nominalmente o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que posou para fotos na cadeira de prefeito de São Paulo, na campanha de 1985, quando acabou perdendo para Jânio Quadros. "Não só acho injusta como acho que ele está passando, para mim, uma característica do PSDB", disse, em conversa com jornalistas, em São Paulo.

Dilma acusou Serra de "esconder sistematicamente" o ex-presidente FHC da sua campanha. "Acho de um azar absurdo sentar na cadeira", afirmou. "Não quero ser azarada igual a certos líderes políticos que governaram este País", provocou.

Aécio cobra mais "ousadia" de Serra...
Aécio cobra mais "ousadia" de Serra, que prega "virada"

Presidenciável tucano usa crescimento de Anastasia para falar em reação

Principal cabo eleitoral em MG, ex-governador diz que comunicação do partido precisa ser clara ao se contrapor a Dilma

BRENO COSTA/PAULO PEIXOTO
da FSP

No dia em que José Serra (PSDB) passou a discursar pela possibilidade de "virada" na sucessão presidencial, o principal cabo eleitoral do tucano em Minas, Aécio Neves, cobrou mais "ousadia" e "clareza" na comunicação da campanha.
Até então, Serra se recusava a comentar a dianteira de Dilma Rousseff (PT) nas pesquisas. Mas ontem, em dois eventos em cidades mineiras, passou a usar o crescimento de Antonio Anastasia no Estado como exemplo para a própria campanha.
"Já viramos em Minas, vamos virar juntos no Brasil", disse. Em pesquisa Ibope na semana passada, Anastasia apareceu pela primeira vez à frente de Hélio Costa (PMDB), com 35% a 33%.
O site oficial da campanha lançou o slogan "É a hora da virada". A Folha apurou, no entanto, que a nova estratégia não foi decidida pela equipe do marqueteiro Luiz Gonzalez e, ao menos por enquanto, não deve ser usada na propaganda de TV.
O discurso pela "virada" foi feito do alto de um carro de som no centro de Itajubá, cidade no sul de Minas, e encampado por Aécio.
"Em Minas, o Anastasia já virou, já estamos na frente e vamos ganhar a eleição. E a segunda, é que no Brasil nós vamos virar também, fazendo Serra presidente", discursou Aécio, que foi mais aplaudido do que Serra.

CRÍTICAS
Apesar do discurso de apoio, no primeiro evento do dia, em Varginha, Aécio fez críticas à comunicação da campanha. Ele cobrou mais "ousadia" e "clareza" para se contrapor a Dilma.
"O mais importante é que a sua comunicação para o país inteiro, talvez, seja um pouco mais ousada, apontando diferenças mais claras em relação às propostas do atual governo", disse Aécio, ao falar sobre estratégias para levar ao segundo turno.
A declaração foi dada pouco antes da chegada de Serra.
Aécio atribui a uma "conjunção de fatores" a queda das intenções de voto em Serra, entre eles a capacidade de transferência de votos de Lula, mas disse que não é o momento para fazer críticas porque isso "não contribui".
"Essa nunca foi uma eleição fácil para nós, mas está longe de ser uma eleição perdida", disse Aécio, que defende que Serra se concentre em São Paulo, Minas e Paraná para ir ao segundo turno.
Foi o que Serra começou a fazer ontem, após 23 dias ausente do segundo colégio eleitoral do país (14,5 milhões de votos). "É um crescimento [de Anastasia] muito bom para Minas, para o Brasil, para o nosso partido e para mim, porque para onde forem o Anastasia e o Aécio, eu irei também aqui em Minas".
Após carreata e caminhada pelo centro de Varginha, Serra, durante comício relâmpago, disse que, indo bem em Minas, terá bom resultado também no país.


A missão de Serra


JANIO DE FREITAS
da FSP

O problema imediato do tucano deixou de ter alvo federal e âmbito nacional para restringir-se a SP

JOSÉ SERRA tem razão ao dizer, como fez a empresários (ou doadores), que a disputa eleitoral não está encerrada, mas a recomendação que recebe das pesquisas, como político, não tem a ver com campanha pela Presidência.
O problema imediato de Serra deixou de ter alvo federal e âmbito nacional para restringir-se aos limites estaduais de São Paulo. Onde não estão localizadas as pretensões de sua vida pública e nem sequer o candidato do PSDB precisa do seu apoio para liderar, até agora, a corrida ao governo paulista.
A arena para uma batalha primordial de Serra está em São Paulo, se considerada a hipótese mais plausível de que a derrota para a Presidência, caso ocorra, não anule suas já longas ambições na vida pública.
Recente ex-governador do Estado e ex-prefeito da capital, Serra deixa seu futuro político sob riscos extremos se perder em casa para Dilma Rousseff, que já o ultrapassou, contra todas as previsões, em cinco pontos apurados pelo Datafolha da semana passada.
Serra correu grande risco, e superou-o com muita sorte, ao precipitar a saída da prefeitura paulista e entregá-la à incógnita - incógnita na melhor hipótese- Gilberto Kassab.
A possibilidade de desastre era grande, mesmo estando o novo governador com os cordões de controle da prefeitura à distância, e o ônus seria devastador. Não só para o exercício do governo estadual, mas sobretudo para o verdadeiro projeto, a candidatura à Presidência. Foi tanta a sorte de Serra, que nem o PT lhe cobrou o compromisso formal de não abandonar a prefeitura, onde, afinal, ficou pouco mais de um ano.
Ainda que vencesse agora em outros Estados importantes, Serra estaria próximo de um abismo político em caso de derrota no seu próprio Estado. Tanto mais se o PSDB e Geraldo Alckmin confirmarem a conquista do governo paulista, indicando que a rejeição seria ao candidato à Presidência.
Recuperar-se em São Paulo parece vital para o político José Serra.

NO LUCRO
Entre os muitos efeitos da imprevista ultrapassagem de Dilma sobre Serra em São Paulo, está o ganho indireto que cai nas mãos de Aécio Neves. Até algumas semanas atrás, ouvia-se e lia-se que a dificuldade de Serra na campanha decorria, em grande parte, da insuficiência do seu desempeno em Minas. Quando ultrapassado também lá por Dilma, Aécio tornou-se culpado para uns, esperança de recuperação para outros serristas.
Ao primeiro "até em São Paulo ele está perdendo", e a justificativa não precisou ser de sua autoria, Aécio Neves recebeu um álibi que silenciou as cobranças acusatórias ou esperançosas.

SÓ ISSO
Mesmo dia, a última sexta. No Rio: dois capitães da PM, de apenas 33 anos, são presos em flagrante no roubo, com um grupo de marginais, de cabos telefônicos de cobre em Botafogo. Em São Paulo: uma delegada, uma perita, um investigador e um sargento da PM são presos sob acusação de explorar o jogo ilegal.
Há um motivo para esses fatos similares em São Paulo e Rio. É que os outros Estados estão fora do noticiário.

Inépcia ou dolo
Inépcia ou dolo

Dora Kramer
do Estadão

A Polícia Federal não divulga o nome e mantém sob sigilo a profissão, mas localizou em São Paulo um suspeito de comandar esquema que se utiliza de informações da Receita Federal obtidas a partir da delegacia de Mauá, para extorquir dinheiro de gente que tenha algum tipo de problema com o Imposto de Renda.
A pessoa em questão está sendo vigiada e, com autorização da Justiça, tem suas conversas telefônicas gravadas pela PF. De posse dos dados, o homem procuraria os contribuintes que tiveram sigilo violado identificando-se como funcionário da Receita e se ofereceria para "resolver o problema" mediante uma quantia a combinar.
Essa é uma das linhas de investigação do caso descoberto quando informações fiscais do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas, foram parar numa papelada que faria parte de um dossiê elaborado por petistas para tentar atingir a campanha presidencial dos tucanos.


O problema dessa versão - que em alguma medida até explicaria o silêncio das pessoas (não políticos) que tiveram seus sigilos violados na delegacia da Receita em Mauá - é que acaba parecendo conveniente demais para o PT, pois tiraria conotação político-eleitoral do episódio e o colocaria exclusivamente no campo criminal.

Tudo certo, caso a Receita tivesse alguma vez nos últimos dois meses aludido à hipótese de as acusações que assombravam o comitê de campanha de Dilma Rousseff nada terem que ver com a disputa eleitoral, pois as investigações da PF apontavam para crime comum.

O PT e a candidata falaram primeiro em inexistência de quebra de sigilo e depois em "factoide" da oposição.

Mas nestes mais de 60 dias de inquérito aberto, só agora, depois de conhecida a violação de mais três pessoas ligadas a José Serra, aparecem versões sobre extorsão. Como quem tem uma boa ideia depois de ver reportagens sobre a venda de informações sigilosas em CDs no centro de São Paulo.

Não é impossível que a PF tenha realmente um suspeito em vista, mas está parecendo que foram misturados alhos com bugalhos por conveniência.

Com base no histórico de casos anteriores, se for isso mesmo logo aparecerá o nome de um culpado para ser punido e encerrado o assunto.

Mas desta vez é mais complicado, pois quando um santo é vestido, livrando a campanha da suspeita de espionagem, outro é posto nu ao deixar patente que o Estado ou é inepto ou criminoso: não assegura a privacidade do cidadão e ainda esconde da sociedade os fatos.

Olhar estrangeiro. Enquanto a academia brasileira de um modo geral se abstém de analisar o quadro, de fora de quando em vez aparecem diagnósticos proveitosos.

Em entrevista ao jornal Folha S. Paulo, o diretor do Centro para o Desenvolvimento Internacional da Universidade de Harvard, Ricardo Hausmann, diz que o Brasil tem ótimo potencial de crescimento, um setor privado muito forte, mas que o governo, apesar de ter administrado bem a crise econômica mundial de 2008, comete equívocos fatais com base em sucessos pontuais interpretados como sinal de êxito total.

Segundo ele, o Brasil é dos países que ficam arrogantes quando as coisas começam a parecer bem encaminhadas. "Parecem acreditar num mundo de fantasia."

Por exemplo: "Só porque o País teve por um trimestre uma taxa de crescimento de 7%, o Brasil é agora a nova China, Lula é o gênio das finanças e nenhum dos problemas anteriores existe mais."

O economista elogia o cuidado de Lula em 2002 de ter transmitido confiança ao setor privado, mas critica a atitude atual, menos cuidadosa e "mais ideológica". Para ele, a administração "macro" é insustentável por um defeito comum ao que conduz também a linha da política externa.

"Agora que o País é grande pode ir para a cama com Ahmadinejad ou hospedar Manuel Zelaya na embaixada em Honduras. É uma atitude de que o Brasil agora é diferente e, portanto, pode confrontar o senso comum. Esse tipo de arrogância tem sido desastrosa na política externa e pode ser desastrosa para a administração macroeconômica."

'Cheguei a estar morto, mas ressuscitei'
Fidel fala sobre a doença: 'Cheguei a estar morto, mas ressuscitei'

Ex-presidente cubano ficou entubado e sofreu com perdas de peso e memória

do Estadão

HAVANA - O ex-presidente cubano Fidel Castro disse em uma entrevista republicada pela imprensa do país que chegou perto da morte por causa da doença intestinal que o afastou do poder, em 2006. "Cheguei a estar morto, mas ressuscitei", disse ao jornal mexicano La Jornada. A entrevista também foi publicada no side Cubadebate.


Cubadebate/AP. 26/07/2010

Fidelvoltou a aparecer em público"Já não esperava viver. Me perguntei várias vezes se os médicos me deixariam viver naquelas condições ou me permitiriam morrer. Sobrevivi, mas em condições muito ruins", disse.

De acordo com Fidel, no começo de sua crise de saúde, ficou entubado, recebendo alimentos por sonda e com perdas de memória. "Estendido na cama, apenas olhava ao meu redor, ignorante de tudo. Não sabia quanto duraria aquilo", afirmou.

Fidel disse ainda ter perdido muito peso com a doença. "Cheguei a pesar 66 kg. Imagine. Um cara do meu tamanho pesando 66 kg. Hoje estou entre 85 kg e 86kg. Já caminho um pouco sem ajuda e sem bengala", acrescentou o líder, de 84 anos e com mais de 1,90 m.

Desde que voltou a aparecer em público, em julho, Fidel já contabiliza 30 aparições. Em seus artigos na imprensa cubana, tem se dedicado a abordar o risco de uma guerra nuclear entre os EUA, o Irã e Israel.

O ex-presidente mantém o cargo de primeiro secretário do Partido Comunista cubano e o de comandante em chefe, mas continua afastado das decisões sobre a política interna do país.

Opositor a Chávez morre após oito greves de fome
Opositor a Chávez morre após oito greves de fome

Franklin Brito protestava contra suposta desapropriação de suas terras no estado de Bolívar, sudeste da Venezuela

do Estadão

Reuters/Stringer

Brito protestava contra suposta desapropriação de suas terras, no Estado de BolivarCARACAS - Franklin Brito, um produtor agrícola de 49 anos que manteve sucessivas greves de fome em protesto contra o governo venezuelano faleceu na noite desta segunda-feira, segundo a imprensa local, que cita familiares.

O jornal El Universal informou em sua edição digital que a esposa de Franklin Brito, Elena, declarou que seu marido morreu por volta das 21h locais na segunda-feira (22h30 de Brasília).

De acordo com o jornal, Elena explicou que "os médicos avisaram da morte, mas não deram detalhes". Aparentemente, de acordo com o diário, o produtor teve um enfarte e os médicos não conseguiram reanimá-lo.

Por sua vez, o canal Globovisión publicou um comunicado da família, que assinala que "após uma luta de mais de seis anos, oito greves de fome, a mutilação de um dedo e de ter sido vítima de uma privação de liberdade irregular, o corpo de Franklin Brito deixou hoje (segunda) de realizar funções vitais".

"Tudo isto não significa, no entanto, que Franklin Brito morreu. Franklin vive na luta do povo venezuelano pelo direito à propriedade, o acesso à justiça, pela vida em liberdade e o respeito dos governos aos direitos humanos, coletivos e individuais", ressalta o comunicado.

Desde julho de 2009, Franklin Brito tinha realizado sucessivas greves de fome para protestar pela suposta desapropriação de suas terras no Estado de Bolívar, sudeste da Venezuela.

Em junho, Brito, em greve de fome e sede, começou a receber tratamento de hidratação por parte de médicos da Cruz Vermelha Venezuelana, segundo a imprensa do país.

Na ocasião, o produtor pesava 43 quilos, e os médicos da Cruz Vermelha não puderam fornecer soro via intravenosa por conta de sua extrema magreza, segundo sua filha, Ángela Brito.

Brito tinha iniciado uma greve de sede para exigir que a Cruz Vermelha Venezuelana pudesse atendê-lo, já que não confiava nos médicos do Hospital Militar, onde permanecia desde dezembro contra sua vontade, segundo ele mesmo explicou.

Um tribunal de Caracas autorizou em junho a Cruz Vermelha a atender o produtor, horas depois que o vice-presidente venezuelano, Elías Jaua, disse que havia sido criada uma campanha sobre o caso do produtor agropecuário.

A campanha, segundo Jaua, buscaria "desvirtuar a verdade", e induzir o grevista à morte para que isso fosse entendido como um fato de violação dos direitos humanos por parte do Estado venezuelano.

Brito completou seu primeiro protesto em 10 de maio de 2005, quando, frente a repórteres que convocou em uma praça de Caracas, cortou o dedo mínimo de uma das mãos e ameaçou cortar um dedo a cada semana em protesto contra o governo Chávez.

Brito começou sua greve de fome em meados do ano passado, perante o escritório em Caracas da OEA e suspendeu o jejum em 4 de dezembro, apresentando exigências sobre suas propriedades. Como elas não foram aceitas, reiniciou greves de fome intermitentes.


10% do efetivo da Polícia Federal mexicana é

10% do efetivo da Polícia Federal mexicana é exonerado por corrupção

Governo Calderón ordena processo de revisão e depuração da instituição e demite 3,2 mil

do Estadão

A Polícia Federal mexicana anunciou nesta segunda-feira a expulsão de 3,2 mil agentes suspeitos de corrupção como parte de um processo de "revisão e depuração" de suas estruturas, o que representa quase 10% do efetivo total de policiais. A medida está inserida no contexto da luta contra o narcotráfico no país.

Em entrevista coletiva o comissário geral da Polícia Federal mexicana, Facundo Rosas, informou a abertura de expedientes disciplinares para outros 1.020 agentes da mesma corporação, que são ligados a Secretaria de Segurança Pública (SSP), "especificamente por não terem cumprido os exames de controle de confiança".

Conforme Rosas, em uma primeira fase o conselho federal de desenvolvimento policial decidiu cortar 3,2 mil agentes "com base na lei do Sistema Nacional de Segurança Pública e a partir da publicação da Lei da Polícia Federal", que inclui novas medidas anticorrupção.

Entre os expulsos estão comandantes acusados em 7 de agosto por seus subordinados de ligação com o crime organizado em Ciudad Juárez, a mais violenta do México.

"A segunda etapa inclui o início do procedimento disciplinar para outros 1.020 elementos pelo descumprimento dos requisitos de permanência, especificamente por não terem cumprido os exames de controle de confiança", acrescentou Rosas.

Além disso, 465 policiais têm processos abertos "no conselho federal de desenvolvimento policial de desligamento", o que poderia elevar o número de expulsões.

A medida vem acompanhada "da proibição do reingresso" dos agentes expulsos "a qualquer instituição da policial federal, estatal ou municipal", acrescentou o comissário policial.

"O anterior faz parte do compromisso permanente de consolidar Polícia Federal que torne realidade os princípios constitucionais de legalidade, honradez, eficiência, profissionalismo e respeito aos direitos humanos", disse Rosas.

A decisão faz parte da estratégia de revisão e depuração de uma corporação formada por 34,5 mil agentes na qual o governo de Felipe Calderón depositou parte da responsabilidade da luta contra o crime organizado.

A SSP leva anos tratando de erradicar a corrupção da Polícia Federal buscando contar com um elenco de agentes federais mais confiáveis.

Desde 2006, a violência relacionada ao tráfico de drogas no México deixou mais de 28 mil mortos, a maioria na área fronteiriça com os EUA. O governo destacou 50 mil militares para combater os traficantes.

Império do tráfico
Editorial da Folha de São Paulo

A chacina que vitimou no México 72 imigrantes, na semana passada, entre eles um número ainda incerto de brasileiros, pôs sob holofotes o império da violência associada ao narcotráfico que, em algumas áreas, parece ter escapado por completo ao controle do poder público daquele país.
Quando chegou à Presidência, em 2006, Felipe Calderón decretou guerra aos cartéis da droga, mas até agora ele e o Estado mexicano vêm encontrando sérias dificuldades para vencer.
Ameaçados, os traficantes são cada vez mais audaciosos na defesa de seu território: impõem censura a meios de comunicação, chacinam imigrantes que se negam a cooperar e sequestram e matam políticos e jornalistas.
Com um saldo de mortos que se aproxima dos 30 mil, Calderón já admite publicamente uma discussão sobre a legalização das drogas, anátema para o presidente mexicano até há pouco. É natural que esse tipo de discussão ganhe adeptos no país, mas é inescapável que, antes de tudo, o combate militar ao tráfico se fortaleça.
A missão está longe de ser simples. Nas últimas décadas, com alguma conivência do poder público, o narcotráfico vem se enraizando no país e infiltrando-se nas instâncias que deveriam combatê-lo - do que é prova, aliás, a dispensa de 3.200 agentes suspeitos da Polícia Federal.
Além de medidas para restaurar a credibilidade e a saúde do poder público, o problema pede um envolvimento maior dos Estados Unidos, destino prioritário das drogas que movem o tráfico.
Os EUA são o grande mercado consumidor e proporcionam aos cartéis mexicanos fácil acesso a armas, adquiridas legalmente em seu território. É também no vizinho rico que o narcotráfico lava dinheiro para dar fachada legal a suas operações.
Para impedir que o México continue em seu perigoso avanço rumo a um "narcoestado", o enfrentamento dessas situações deve ser tão prioritário quanto o combate militar aos cartéis.


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