Evaldo Augusto Torres Alves /editor
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Política

Rapidinhas


STF abriu brecha para políticos burlarem Lei Ficha Limpa, diz diretor da Transparência Brasil por Rodrigo Alvares

Fausto Macedo
do Estadão

As primeiras decisões – votos divergentes de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em âmbito liminar sobre o Ficha Limpa ­– indicam que a lei que veta candidaturas de políticos com folha corrida não vai pegar.
Na avaliação de Claudio Abramo, diretor executivo de Transparência Brasil, ONG que fiscaliza a conduta de parlamentares e também a eficiência e tendências da mais alta instância judicial do País, “muitos candidatos vão escapar da lei pela firula juridicante, pelas peculiaridades processuais”.
Em agosto, o Pleno do STF vai decidir o alcance da Ficha Limpa. Nos últimos dias, ministros examinaram questões processuais, provocados que foram por políticos que têm condenações impostas por colegiados e que querem driblar o rigor da Lei 135/2010.
Alguns ministros acolheram provisoriamente os argumentos apresentados e abriram caminho para condenados, outros rejeitaram. A divergência é notória na corte.
“A gente tem que esperar o que vai acontecer no STF”, disse o diretor de Transparência, pouco antes de participar da mesa “Órgãos de controle e o desenvolvimento”, painel de debates promovido pelo II Congresso Brasileiro das Carreiras Jurídicas de Estado, em Brasília, evento que reúne 2.500 juízes, procuradores, defensores públicos e delegados de polícia.
Para Abramo, Ficha Limpa vai sofrer um duro revés. “A formulação da legislação é estranha e além do mais é imensa a possibilidade que se tem no Brasil de inventarem firulas em torno dos dispositivos legais e suas interpretações diversas. Então, tem que ver o que ocorre enquanto tendência do STF. Mas já ficou claro que possivelmente não vai haver uma tendência, mas sim um exame de caso a caso, detalhes recônditos das circunstâncias em que foram proferidas sentenças judiciais.”
Ele teme que “esse assunto não vai se tornar muito claro para o cidadão”. “Alguns políticos vão escapar, outros não”, acredita. “Não é chocante quando você se dá conta do caos que é a legislação, de como funciona a mente jurídica nesse País, um negócio de louco, um labirinto ininteligível.”
Abramo anota que o Congresso “jogou a bronca” no colo do Supremo. “Eles (políticos) conhecem isso. Era de se esperar uma coisa dessas, que a coisa não seria assim pão pão, queijo queijo, está claro, é assim taxativamente.”
Para o executivo de Transparência, o Pleno do STF vai examinar caso a caso. “Isso é ruim. Não vai ter um caso parâmetro, cada processo vai ter sua peculiaridade em termos de condenações, disso e daquilo. Ficha Limpa vai ficar amarrada, o espírito da lei não será aplicado a vários candidatos por causa de firulas legais. Alguns talvez serão impedidos de se candidatar, mas muitos vão escapar pela firula juridicante, aquela idiotice.”



IR de tucano foi acessado, admite Receita

Segundo o fisco, investiga-se agora se consultas a declarações de Eduardo Jorge têm ou não motivação ilegal

Informações fiscais de dirigente do PSDB, que diz ter sigilo violado, estavam em dossiê feito por campanha de Dilma

LEONARDO SOUZA
da FSP

A Receita Federal reconheceu ontem que servidores do órgão consultaram as declarações de Imposto de Renda do vice-presidente-executivo do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira.
Por meio de nota, o fisco ressaltou que as investigações continuam, para apurar agora se os acessos se deram "por razão de serviço" ou por motivação ilegal.
No mês passado, a Folha revelou que dados fiscais sigilosos de Eduardo Jorge foram incluídos em dossiê feito pelo "grupo de inteligência" da pré-campanha da candidata Dilma Rousseff (PT) e que os documentos saíram dos sistemas da Receita.
A reportagem obteve cópias de cinco declarações completas do Imposto de Renda (entregues entre 2005 e 2009) de EJ, como o dirigente tucano é conhecido.
Em todas as páginas do material consta a seguinte frase: "Estes dados são cópia fiel dos constantes em nossos arquivos. Informações protegidas por sigilo fiscal".
Na nota, a Receita destaca que seus sistemas não foram violados nem invadidos. Segundo o órgão, os acessos foram feitos por servidores autorizados, por uso de senha pessoal e certificação digital.
Os fiscais só podem consultar dados dos programas da Receita se tiverem determinação superior. Por exemplo, se o contribuinte estiver sob fiscalização e o auditor for escalado para a tarefa.
Procurado ontem pela Folha, Eduardo Jorge disse que recebeu normalmente no ano passado sua restituição do IR, o que indica que ele não caiu na malha fina nem esteve sob fiscalização.
O tucano voltou a afirmar que seu sigilo fiscal foi violado e disse que seus advogados vão pedir à Receita para acompanhar a sindicância interna aberta pelo órgão.
"Caso a investigação indique vazamento de informações sigilosas e conclua pela quebra de sigilo funcional, o autor estará sujeito à pena de demissão e o inquérito será encaminhado ao Ministério Público Federal para adoção das medidas necessárias na esfera criminal", diz a nota.
Apesar de a Folha ter informado que obteve dados de EJ de 2005 a 2009, o fisco só identificou os acessos às declarações de 2008 e 2009.
A Receita também não informou prazo para concluir suas investigações.



Falar em reajuste de mínimo é eleitoreiro, afirma Dilma
Petista diz ser contra descumprir acordo firmado com centrais sindicais

Marina elogia política de aumento adotada pelo governo federal; Serra não comentou ontem sobre o assunto

LUIZA BANDEIRA/PAULO PEIXOTO
da FSP

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, disse ontem, em Bauru (SP), que a oposição faz "política eleitoral" ao defender um reajuste maior para o salário mínimo que o sugerido pelo governo.
"A oposição sempre foi contra aumentar o salário mínimo. Fazer política eleitoral para cima da gente é complicado", disse a petista.
Dilma afirmou ser contra descumprir o acordo firmado com as centrais sindicais, em que o mínimo é reajustado de acordo com a variação do PIB (Produto Interno Bruto) anterior. Como em 2009 o PIB caiu 0,19%, o mínimo não terá aumento real em 2011.
"Não vemos por que mudar a regra no meio do jogo."
Já a candidata do PV, Marina Silva, sem entrar no mérito se o governo deve dar aumento acima da inflação, disse que as decisões sobre o tema devem seguir curso normal, independentemente da campanha deste ano.
Ela disse que não quer "condicionar o debate" eleitoral ao que o governo faz ou deixa de fazer, embora tenha elogiado a política do salário mínimo nos últimos anos.
O candidato tucano à Presidência, José Serra, não deu opinião sobre o aumento.
Em Bauru, Dilma frustrou simpatizantes ao não discursar. A caminhada na cidade durou cerca de dez minutos.
Cerca de 2.500 pessoas, segundo os organizadores, acompanhavam a comitiva e houve empura-empura.
As pessoas gritavam mais o nome do cantor Netinho de Paula (PC do B), candidato ao Senado, que o de Dilma.
Também participaram do ato Marta Suplicy (PT), que concorre ao Senado, e o candidato ao governo do Estado, Aloizio Mercadante (PT).
Ainda em Bauru, Dilma disse que é "inteiramente comprometida com a liberdade de expressão e de opinião". Seu programa de governo traz referências à necessidade de compensar o "monopólio e concentração dos meios de comunicação".

MULTA
O TSE multou Dilma em R$ 5.000 por propaganda eleitoral antecipada na inauguração de um hospital em São João de Meriti (RJ), em 7 de março. É a terceira multa da petista, todas nesse valor.



MELCHIADES FILHO
da FSP

Teste de resistência

BRASÍLIA - O país que celebra a aprovação da Lei da Ficha Limpa é o mesmo que poderá redimir pelo voto os protagonistas de todos os grandes escândalos da era Lula.
O núcleo petista que ainda responde na Justiça pelo mensalão ratificou o poder dentro do partido e tem hoje a reeleição bem encaminhada, de José Genoino a João Paulo Cunha (SP). Paulo Rocha (PA) arriscará o Senado. Único mensaleiro vetado pela lei, José Dirceu provavelmente emplacará na Câmara o filho Zeca, pelo Paraná.
O PT facultou a Antonio Palocci escolher entre tentar a Câmara ou o Senado. O ministro da quebra do sigilo do caseiro optou pelo comando da campanha presidencial e a certeza de assento no eventual governo Dilma Rousseff -ela própria envolvida nos episódios do dossiê FHC, Anac/Varig e Receita/Lina.
O senador Renan Calheiros (PMDB), depois de escapar de uma série de processos de cassação, praticamente assegurou outro mandato -com a ajuda do Planalto, desidratou a concorrência em Alagoas.
O colega dele de Casa, de partido e de noticiário negativo, José "Atos Secretos" Sarney, não enfrentará as urnas. Mas jogou pesado para de novo fazer a filha Roseana governadora do Maranhão -conseguiu arrastar do PT ao DEM para a coligação dela, líder nas pesquisas.
A primeira edição dos "aloprados" não evitou que Aloizio Mercadante fosse premiado com outra candidatura ao governo paulista.
Demitida no caso dos cartões corporativos, a ex-ministra Matilde Ribeiro é suplente de Marta Suplicy na chapa favorita ao Senado.
O "deputado do castelo", Edmar Moreira (PR), confia na reeleição em Minas. E, no DF, o servidor Agaciel Maia (PTC), cuja mansão serviu de estopim para a crise no Senado, decidiu estrear atrás de uma vaga de deputado distrital -terá a concorrência de sete citados no inquérito do mensalão candango.
Será que o eleitor, afinal, não acha nada disso escandaloso?





Bugres e caciques


FERNANDO DE BARROS E SILVA
da FSP


SÃO PAULO - José Serra está empenhado em catequizar o índio que capturou para vice na bacia das almas. No primeiro contato que travou com o deputado Antonio Pedro de Siqueira Indio da Costa, do DEM fluminense, o tucano lhe receitou, com ênfase, uma série de leituras.
Todas obras dele próprio, José Serra -da "Reforma Política no Brasil", dos anos 90, em que faz a defesa do regime parlamentarista, a "O Sonhador Que Faz", longa entrevista lançada na campanha de 2002, em que discorre sobre sua vida, suas ideias, seus feitos.
A não ser pelo bronzeado, que tende a ficar no prejuízo, Indio da Costa não tem nada a perder com as leituras. Menos provável, porém, é que Serra tenha algo a ganhar, em termos eleitorais, impondo a seu vice uma espécie de curso intensivo sobre o seu pensamento vivo. Talvez seja mais útil um bugre sorridente e moreno do que um cristão-novo do serrismo cheio de olheiras.
Há, na atitude professoral de Serra, um componente controlador e autoritário, não há dúvida. Mas há, também, uma intenção pedagógica, ou de convencimento pela razão, que não deixa de ser louvável neste político. Ou talvez nem tanto.
O racionalismo ultraobsessivo de Serra é, ele mesmo, bem pouco racional. Está certo Fernando Henrique quando diz, brasileiramente, que o amigo precisaria entender um pouco mais de candomblé.
Mas Indio é um bugre e precisa de catecismo. Quando era vereador, nos anos 90, o jovem quis proibir a esmola no Rio de Janeiro: "Fica proibido esmolar no município, para qualquer fim ou objeto", dizia em seu projeto. "Quem doar esmola pagará multa a ser definida". Estaria assim resolvido, ao menos no Rio, pelo método novo-PFL de combate à miséria, o problema da mendicância, este flagelo nacional.
Indio, se vê, terá de sofrer para ir ao paraíso. Mais sorte têm os caciques do PMDB. Temer e outros pajés da fisiologia não precisam ler nada, não precisam aprender nada. Está certo: eles já sabem de tudo.



da FSP

No Rio, Serra faz promessas para saúde, educação e transportes

DO RIO - Em sua primeira visita ao Rio em campanha oficial, o candidato tucano à Presidência, José Serra, prometeu criar 1 milhão de vagas para o ensino técnico e instituir uma bolsa, semelhante ao ProUni, para o setor.
"Vamos fazer o ProUni do ensino técnico. Ou seja, criar o ProTec, para dar bolsa para aquele que só tem como escolha uma escola privada e não tem como pagar", disse Serra, em caminhada no calçadão de Bangu (zona oeste) com o seu vice, Indio da Costa.
Ele fez críticas à atuação do governo federal na educação, ao ser questionado sobre o resultado do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), mas afirmou que é "uma tarefa muito difícil" melhorar no setor.
"O governo federal tem que mergulhar nisso, não ficar só no tró-ló-ló. Temos que valorizar os professores e dar treinamento", afirmou.
Durante a caminhada, Serra teve o apoio de ao menos oito pastores evangélicos, que levaram alguns fiéis de suas igrejas para o ato.
O tucano chegou ao local de trem e caminhou por cerca de uma hora.
Na área da saúde, o candidato propôs criar o programa "Mãe brasileira", para que toda gestante tenha acompanhamento médico até o parto, e prometeu construir 150 AMEs (Ambulatório Médico de Especialidades).
Serra defendeu também que o governo federal atue na transformação dos trens urbanos em metrô de superfície -aumentando a qualidade e a pontualidade do serviço.

Serra evita criticar Dilma


Serra evita criticar Dilma e privilegia promessas no Rio

BRUNO BOGHOSSIAN
do Estadão

Depois de um início de campanha com trocas de farpas entre os dois principais adversários na corrida presidencial, o candidato do PSDB, José Serra, evitou criticar Dilma Rousseff (PT) e privilegiou as promessas de ações nas áreas de segurança, educação e saúde, passando pelos mutirões de prevenção à hipertensão ao combate ao crime organizado. Durante uma caminhada em Bangu, na zona oeste do Rio de Janeiro, Serra citou iniciativas tomadas por ele no governo de São Paulo e na prefeitura da capital paulista.

Entre as oito promessas feitas por Serra, em menos de dez minutos, está a criação de um milhão de vagas em um novo programa de bolsa de estudos para o ensino técnico, o ProTec, nos moldes do Programa Universidade Para Todos (ProUni). "Conversei com um jovem hoje e ele me disse que é importante o treinamento profissional para a juventude. Temos que ter ensino técnico em grande quantidade e, por isso, vamos manter o ProUni e criar o ProUni do ensino técnico", afirmou o candidato.

Serra viajou de trem da Central do Brasil (centro) até Bangu, acompanhado pela primeira vez do seu candidato a vice, deputado federal Indio da Costa (DEM-RJ). No trajeto de 55 minutos, o tucano cumprimentou passageiros e ouviu reivindicações, enquanto o deputado fluminense aproveitou para se apresentar aos eleitores, apesar de estar em sua base eleitoral.

Evitando criticar diretamente o governo Lula e opositores políticos, José Serra adotou um discurso de ampliação da atuação do governo federal e de conciliação de partidos adversários. "No governo, eu trabalho com todo mundo, independentemente da carteirinha partidária. A gente tem que trabalhar para as pessoas, para as famílias", disse.

O candidato do PSDB voltou a afirmar que o Brasil precisa de policlínicas para reduzir as filas nos hospitais públicos, de um Ministério da Segurança e de mais investimentos em educação. "Não adianta só o trololó, ficar dizendo isso e aquilo. Temos que valorizar o professor e seu treinamento.

Serra defendeu também o adiamento das discussões sobre as mudanças do Código Florestal, cujo debate, para ele, "não tem cabimento no calor de uma campanha eleitoral". "Acho que temos que esperar o próximo governo para fazer um projeto duradouro e responsável, que permita compatibilizar o meio ambiente com o desenvolvimento", afirmou o candidato.

Fundadores do PT rejeitam Dilma
Ex-vice de Marta Suplicy anuncia apoio a Marina Silva
André Mascarenhas
do Estadão

Ex-prefeito de São Paulo na gestão Marta Suplicy, o jurista Hélio Bicudo irá apoiar a candidatura de Marina Silva, do Partido Verde, à Presidência da República. Em vídeo de cerca de um minuto publicado no site da candidata verde, Bicudo diz que “a candidatura da Marina é a candidatura com que nós todos brasileiros sonhamos”.
Militante histórico da luta pelos direitos humanos, o ex-prefeito afirma que sua escolha deve-se à dedicação de Marina à questão. Segundo ele, Marina é “uma mulher de luta, que dedicou a sua vida, tem dedicado e vai continuar dedicando aos direitos de terceiros, quer dizer, aos direitos humanos”.



Bicudo foi um dos fundadores do PT, mas deixou a legenda em setembro de 2005, alegando descontentamento com as políticas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além de ex-vice-prefeito de São Paulo, Bicudo foi deputado federal e secretário municipal de Negócios Jurídicos na gestão de Luiza Erundina.
Na declaração de apoio à candidata verde, o ex-procurador de Justiça diz ter conhecido Marina quando a convidou para participar, como jurada, do julgamento do massacre de Eldorado de Carajás. “A Marina deu um voto magnífico. Eu recomendaria que as pessoas lesem esse voto, porque lá está a alma e o coração de Marina, que é a alma e o coração de uma brasileira que bate por nós todos”, diz.
Marina não é a única candidata à Presidência a despertar a simpatia do ex-vice-prefeito de São Paulo. Embora diga claramente no vídeo ser “mais um pela Marina Silva”, Bicudo declarou em abril ter recebido com “alegria” a candidatura de Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL, à sucessão de Lula. A afirmação, feita numa conversa entre os dois ex-petistas, também foi registrada em vídeo. Assista aqui.
“Recebi a noticia de que você é candidato a presidente da República com muita alegria. Eu acho que você é uma pessoa que representa realmente o cidadão brasileiro perante os outros cidadãos que vivem nesse país. Acho que você está numa empreitada difícil, mas tem muita coisa a dizer. E nós, como eleitores, temos muita coisa a pensar daquilo que você nos disser”, diz Bicudo na gravação.

O caso Bruno


Suspeito de matar Eliza Samudio é preso em Belo Horizonte
Segundo polícia mineira, estrangulamento ocorreu na casa do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos

Priscila Trindade, Julia Baptista e Pedro Dantas
do Estadão


SÃO PAULO - O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, apontado como o autor do homicídio de Eliza Samudio, de 25 anos, foi preso na noite desta quinta-feira, 8, no bairro Barreiro, em Belo Horizonte. Conhecido como Bola, Paulista ou Neném, o acusado tem uma casa no município de Vespasiano, na região metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais, onde, segundo a polícia mineira, ocorreu o crime.

De acordo com o delegado Edson Moreira, o goleiro do Flamengo Bruno Fernandes presenciou o sequestro e o assassinato da jovem. Ontem, ele e seu amigo Luiz Henrique Ferreira Romão, conhecido como Macarrão, se entregaram.

Hoje, eles foram transferidos ara o presídio Bangu 2, no Complexo Penitenciário de Gericinó, zona oeste da capital fluminense. À noite, a Justiça autorizou a transferência para Minas Gerais.

A polícia chegou até o ex-policial após receber informações de um jovem de 17 anos, primo do goleiro Bruno. O adolescente foi detido na terça-feira, na casa do atleta no Recreio dos Bandeirantes, no Rio. O garoto confessou ter participado do sequestro de Eliza na noite do dia 4 de junho, na saída de um hotel na Barra da Tijuca, e afirmou que a jovem foi morta por estrangulamento.

A estudante e Bruno mantiveram um relacionamento extraconjugal. Ela tentava provar na Justiça que Bruno é pai de seu filho de quatro meses. Ainda nesta sexta-feira, a Justiça concedeu a guarda provisória do filho de Eliza, que estava com Luiz Carlos Samudio, para a mãe da estudante, Sônia Moura.



Plano era matar também o filho de Eliza Samudio, afirma delegado

Motivo pelo qual bebê teria sido poupado não foi revelado; para polícia, Bruno presenciou crime

do Estadão

SÃO PAULO - O delegado-geral do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) de Minas Gerais, Edson Moreira, afirmou nesta quinta-feira, 8, durante entrevista coletiva que os envolvidos no desaparecimento de Eliza Samudio, ex-amante do goleiro do Flamengo Bruno de Sousa, pretendiam matar também o filho dela, um bebê de quatro meses.

A criança também teria sido levada para uma casa na cidade de Vespasiano, na região Metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais, onde a polícia acredita que Eliza tenha sido assassinada. O motivo pelo qual a criança teria sido poupada não foi informado.

Eliza está desaparecida desde o início de junho. Ela e Bruno mantiveram um relacionamento extraconjugal. Ela tentava provar na Justiça que Bruno é pai de seu filho de quatro meses.

Um adolescente de 17 anos, primo do Bruno, foi detido na terça-feira, 6, na casa do atleta no Recreio dos Bandeirantes, no Rio. O garoto confessou ter participado do sequestro de Eliza na noite do dia 4 de junho, na saída de um hotel na Barra da Tijuca, e afirmou que Eliza foi morta por estrangulamento.

Bruno e o amigo dele Luiz Henrique Ferreira Romão, conhecido como Macarrão, se entregaram no fim da noite de quarta-feira, 7, no Rio. Hoje, eles foram transferidos ara o presídio Bangu 2, no Complexo Penitenciário de Gericinó, zona oeste da capital fluminense.



Bruno presenciou sequestro e assassinato, diz polícia mineira
Autor do homicídio de Eliza foi identificado como um ex-policial de BH, que já teve prisão pedida

Tiago Dantas, do Jornal da Tarde

Segundo delegado, este é o retrato do ex-policial acusado. Foto: José Patrício/AE

BELO HORIZONTE - O goleiro do Flamengo Bruno Fernandes presenciou o sequestro e o assassinato da sua ex-amante Eliza Samudio, de 25 anos, segundo a polícia mineira. O autor do homicídio foi identificado como Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola, Paulista ou Neném, um ex-policial civil que vive em Vespasiano, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG), onde o crime ocorreu.

A polícia já pediu a prisão preventiva de Santos, mas a Justiça ainda não decidiu a ação. As conclusões da polícia foram tiradas a partir dos depoimentos de duas testemunhas: o adolescente J., de 17 anos, primo do goleiro, e Sérgio Rosa Sales, conhecido como Camelo, também primo do atleta.

"Bruno é um ídolo como goleiro do Flamengo, mas se mostrou um monstro pelo que fez com essa moça", afirmou o delegado Edson Moreira. "Foi um crime premeditado, planejado e friamente executado." Ainda segundo o delegado, após queimar a mala de Eliza, o goleiro foi tomar cerveja.

Os investigadores cruzaram também informações de outras testemunhas e do registro de entrada e saída de carros do sítio de Bruno. Eliza foi morta por estrangulamento, com as mãos e os pés amarrados, de acordo com a polícia.

A Justiça concedeu a guarda provisória do filho de Eliza, que estava com Luiz Carlos Samudio, para a mãe da estudante, Sônia Moura.

Nova defesa. O advogado Michel Assef Filho abandonou a defesa do goleiro após a suspensão do contrato do atleta com o Flamengo. "Eu o representava porque ele era jogador do clube. Após a suspensão do contrato, surgiu o conflito de interesse", disse.

De acordo com ele, Bruno reagiu bem e entendeu a desistência do caso por parte de um dos maiores escritórios de advocacia do Rio de Janeiro. "Bruno está sendo bem tratado e está bem", limitou-se a dizer o advogado sobre o estado do jogador.

Assef Filho anunciou ainda que o novo advogado de Bruno é Ércio Quaresma, que já defende a mulher de Bruno, Dayanne Rodrigues, e o amigo dele Luiz Henrique Ferreira Romão, conhecido como Macarrão, que foi preso junto com o jogador no fim da noite de ontem.

Apesar de a polícia ter informado que Bruno e Macarrão se negaram a dar declarações, Assef Filho reafirmou que o jogador prestou depoimento e disse desconhecer o sequestro da ex-amante.

*(Com Pedro Dantas, de O Estado de S. Paulo)




O bebê


CRISTINA GRILLO
da FSP

RIO DE JANEIRO - Um personagem não me sai da cabeça a cada momento que recebo informações sobre o caso Bruno, suspeito de envolvimento no sequestro e morte de sua ex-amante Eliza Samudio: o bebê, filho de Eliza e, quem sabe, do goleiro do Flamengo.
A se crer na veracidade dos depoimentos já prestados, o bebê de cinco meses (que recebeu da mãe o nome daquele que ela garantia ser o pai) esteve ao lado dela durante todo seu calvário. Desde o início.
Ele ainda não havia nascido quando Eliza, grávida, procurou uma delegacia para registrar, em outubro do ano passado, queixa de agressão e tentativa de aborto contra Bruno e seu amigo Macarrão.
Estava em seu ventre quando sua mãe dirigiu-se ao IML para fazer exames que, mais tarde, comprovaram que ela tinha sofrido agressões leves e que existiam substâncias abortivas em seu organismo.
Tinha quatro meses quando Eliza decidiu vir com ele ao Rio para, como contou a amigas, chegar a um acordo com o goleiro sobre a paternidade da criança. Ganharia apartamento mobiliado em Belo Horizonte, para criar o filho, disse às amigas.
A partir daqui, as cenas que presenciou nos fazem fechar os olhos em pânico, de tanta perversidade.
Estava em uma cadeirinha ao lado da mãe quando ela foi agredida a coronhadas no caminho do Rio a Belo Horizonte. Viajou, solidário e inocente, enquanto ela era guardada sob a mira de armas.
Foi prisioneiro de um quarto em um sítio ao qual Eliza, ferida, não podia deixar. Saiu dali nos braços da mãe para que ela fosse levada para um fim terrível, inimaginável.
No colo de um dos algozes, viu a morte de sua mãe por estrangulamento e, em seguida, seu corpo ser jogado a cães ferozes. O horror, o horror, diria Joseph Conrad.
Queria muito não acreditar no que as páginas dos inquéritos policiais registram sobre o caso.



Justiça dá guarda de bebê à mãe de Eliza

DIMITRI DO VALLE
DE CURITIBA /FSP

Sônia Fátima Moura, 44, mãe de Eliza Samudio, conseguiu a guarda provisória do neto, que completa amanhã cinco meses.
A informação foi confirmada tanto pela advogada de Sônia e quanto pela defesa de Luiz Carlos Samudio, 43, avô materno do bebê e que também tenta na Justiça ficar com ele.
A Justiça não deu informações sobre o caso porque o trâmite está sob sigilo.
Há duas semanas, Luiz Carlos Samudio havia obtido uma autorização provisória para ficar com o bebê, que foi achado em uma favela na região metropolitana de Belo Horizonte, após o desaparecimento de Eliza -ela afirmava que a criança era filho do goleiro Bruno Fernandes.
Luiz Carlos mora em Foz do Iguaçu, no Paraná.
A criança poderia ser entregue para a avó ainda na noite de ontem. Sônia mora em Mato Grosso do Sul.
A defesa do avô disse ontem, em Belo Horizonte, considerar que Sônia não tem condições de criar o neto.
Anteontem, eles estiveram na cidade e trocaram acusações. Sônia afirmou ter deixado a filha quando ela tinha três anos porque sofria ameaças e agressões do marido. Luiz Carlos negou as acusações, e seu advogado pediu que ela apresentasse provas.

Cresce temor de uma nova recessão no ...
Cresce temor de uma nova recessão no próximo ano

Indicadores recentes reforçam risco de "duplo mergulho" na economia

Países desenvolvidos e mesmo a China emitem sinais de que a reação no pós-crise é menos vigorosa que a esperada

ÉRICA FRAGA
da FSP

Recentes indicadores econômicos negativos de países desenvolvidos e até da China suscitaram um debate sobre uma possível nova recessão em 2011. Isso levaria ao chamado "mergulho duplo", ou seja, a economia global, que se contraiu em 2008, voltaria a se retrair no próximo ano.
"Os indicadores ainda são mistos, mas dados recentes do mercado de trabalho e do setor imobiliário foram negativos. O risco de um "mergulho duplo" é real, e eu o colocaria como sendo de 1 em 3", diz John Bowler, diretor de risco soberano da consultoria Economist Intelligence Unit (EIU).
Mesmo que a tese do risco crescente de um "mergulho duplo" -defendida, entre outros, pelo ganhador do Prêmio Nobel de Economia Paul Krugman- não se confirme, é consensual a percepção de que as ameaças ao desempenho global cresceram.
Essa visão foi referendada ontem pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) na sua atualização do Panorama Econômico Mundial.
Em alusão à sua projeção de crescimento para a economia global de 4,6% para 2010, que representa alta de 0,4 ponto percentual em relação ao número divulgado em abril passado, o Fundo alertou: "Riscos [à recuperação] aumentaram fortemente em meio à renovada turbulência financeira".
O Fundo ressaltou a recuperação mais forte do que o esperado nos EUA no primeiro semestre deste ano.
Mas dados recentes revelaram que as economias dos países desenvolvidos, ainda solapadas por dívidas gigantescas tanto do setor público como do privado, não adquiriram vigor suficiente para caminhar de forma mais acelerada sem a ajuda das muletas de políticas fiscais e monetárias expansionistas.
"À medida que os incentivos estão expirando, a atividade econômica voltou a patinar", diz Virgílio Castro Cunha, economista-chefe para o Brasil e estrategista de renda fixa do Bank of America Merrill Lynch (BAML).

PERSPECTIVAS RUINS
O número de contratos pendentes para compras de casas usadas nos EUA recuou 15,6% em maio em relação ao mesmo período do ano anterior. Isso indica perspectivas ruins tanto para novas vendas como para os preços de imóveis.
Dados recentes do mercado de trabalho norte-americano também têm preocupado. O saldo entre contratações e demissões (excluindo o setor agrícola) nos EUA em junho atingiu pela primeira vez em 2010 uma marca negativa de 125 mil postos de trabalhos eliminados.
Até na China, principal motor do crescimento global, dados que revelaram um ritmo menor de expansão da produção industrial nos últimos meses apontam para crescimento ainda forte, mas com uma clara tendência de desaceleração.

Israel está correto com ceticismo sobre paz ...
do Estadão

Israel está correto com ceticismo sobre paz no Oriente Médio, diz Obama

Presidente americano se diz esperançoso, mas não está 'cegamente otimista' com as negociações


Netanyahu e Obama na reunião de terça-feira na Casa Branca.

JERUSALÉM - O presidente dos EUA, Barack Obama, disse que há esperanças para a paz no Oriente Médio, embora não esteja "cegamente otimista" que isso vá acontecer, informa nesta quinta-feira, 8, a versão online do jornal israelense Ha'aretz.

Segundo o jornal, em uma entrevista dada à mídia israelense que ainda será transmitida, Obama disse que o governo de Israel está certo em manter o ceticismo a respeito do processo de paz com os palestinos. Durante a entrevista, ele disse que várias pessoas achavam que a fundação do Estado de Israel era impossível, e que só passou a existir graças a "uma grande fonte de esperança".

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, com quem Obama se encontrou na terça, prometeu a Obama que tomaria passos para estabelecer a confiança dos palestinos nas próximas semanas. Os dois líderes se encontraram por cerca de 90 minutos e discutiram principalmente a questão do processo de paz no Oriente Médio, além de assuntos do setor nuclear.

"Será necessária uma série de medidas em prol da confiança para que as pessoas tenham certeza de que esse não será mais um processo de conversas e sem ações", disse Obama na entrevista. "Acredito que o premiê Netanyahu queira a paz. Creio que ele assumirá riscos pela paz. Acreditamos que essas ações levem ao diálogo direto, e acredito que o governo de Israel esteja pronto para isso", disse o americano.

Na quarta-feira, Netanyahu disse às lideranças judias nos EUA que as conversas diretas com os palestinos começariam "em breve", mas avisou que elas seriam "muito, muito duras". Antes de viajar para Washington, o premiê havia dito que avisou o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, para se preparar para o diálogo direto, já que é a única forma de fazer avanços pela paz.

As negociações indiretas haviam sido paralisadas no início de 2009 e foram retomadas neste ano graças aos esforços de George Mitchell, enviado especial dos EUA para o Oriente Médio. A criação de um Estado palestino, a situação dos refugiados, a expansão dos assentamentos judaicos e o status de Jerusalém são alguns dos pontos-chave nas discussões de paz da região.

Fariñas encerra greve de fome



Dissidente cubano concorda em interromper jejum que fazia pela libertação de presos políticos

do Estadão

HAVANA - O dissidente político cubano Guillermo Fariñas decidiu encerrar a greve de fome que fazia há 135 dias em protesto para a libertação de presos políticos doentes por parte do governo, informaram nesta quinta-feira, 8, opositores.

A decisão de Fariñas ocorre um dia depois de a Igreja Católica de Cuba anunciar que entrou em acordo com Havana para que 52 presos políticos fossem libertados.

Momentos após o anúncio, a blogueira opositora Yoaní Sanchez postou em seu Twitter (@yoanisanchez) uma foto do "primeiro copo d'água" de Fariñas em mais de quatro meses.

Fariñas havia iniciado a greve em 24 de fevereiro, um dia depois de o preso opositor Orlando Zapata morrer após ficar 85 dias de jejum. Sem beber nem comer, em 11 de março Fariñas foi hospitalizado e passou a receber soro via intravenosa. Ele protestava pela libertação de 26 prisioneiros doentes.

Pouco tempo depois do anúncio dos opositores, Fariñas divulgou um comunicado afirmando que adia seu protesto durante o prazo dado pelo governo de Raúl Castro, de entre três e quatro meses, para libertar gradualmente 52 presos políticos do chamado "grupo dos 75", condenados na série de detenções de opositores ao regime em 2003, que ficou conhecida como Primavera Negra.

"Me comprometo a curar-me diante de meus irmãos", disse. No texto, Fariñas agradece a solidariedade "de todos os homens e mulheres de boa vontade no mundo que foram meu escudo protetor contra manobras repressivas", ressalta o trabalho "heróico e digno" das Damas de Branco e lembra "todos os cubanos solidários com a liberdade de Cuba e dos que estão nas prisões, no exílio ou nas ruas desta terra".

Libertação

Nesta quinta, opositores cubanos, liderados por familiares de presos políticos, viajaram à cidade de Santa Clara, no centro de Cuba, para pedir que o dissidente, um jornalista e psicólogo de 48 anos, interrompesse sua greve de fome, segundo informações da agência de notícias AFP. O pedido dos opositores foi feito enquanto aguardavam a libertação de cinco presos políticos cubanos.

De acordo com o Arcebispado de Havana, o governo cubano libertará 52 presos políticos. A medida, divulgada durante uma visita à ilha do chanceler espanhol, Miguel Ángel Moratinos, é resultado da pressão internacional sobre Cuba para que a situação dos direitos humanos no país fosse melhorada. Cinco presos serão libertados entre nesta quarta e os outros 47 em até quatro meses.

Fariñas, que esteve em greve de fome e sede há 135 dias para exigir a libertação dos presos com problemas de saúde, havia dito que estaria disposto a começar a beber água uma vez que sejam liberados os primeiros cinco, segundo o médio Ismely Iglesias, que acompanha o opositor.

Os 52 opositores são todos parte do grupo de 72 opositores presos em 2003, na onda repressiva conhecida como Primavera Negra, e são condenados a penas de seis a 28 anos de prisão. A libertação deles foi discutida pelo presidente Raúl Castro e pelo cardeal Jaime Ortega em 19 de maio.

As autoridades e a Igreja ainda não divulgaram os nomes dos cinco presos que serão libertados, nem o horário que ocorrerá a soltura.

Sem perspectiva
Editorial da Folha de São Paulo

Encontro entre Obama e Netanyahu não deve alterar estratégia de Israel, que não vê interlocutor confiável e prefere administrar a crise

A reunião de cúpula entre o presidente dos EUA, Barack Obama, e o premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, foi o que os norte-americanos chamam de "photo op" ("photo opportunity"), ou seja, uma ocasião para políticos aparecerem diante das câmeras sob luz favorável. Tanto os EUA como Israel têm interesse em apagar a imagem de fricção entre os dois Estados, que, apesar das crescentes diferenças, seguem parceiros numa aliança estratégica.
De mais a mais, o encontro também representa uma boa chance para Obama, que enfrenta delicadas eleições legislativas neste ano, faturar alguns pontos no influente eleitorado judeu.
Já para Netanyahu, que governa com um gabinete dividido, sempre à beira da cisão, é importante mostrar que continua a contar com o apoio de Washington.
O fato, contudo, é que a aliança EUA-Israel, apesar de ainda sólida, já deixou de ser inquestionável. Os americanos começam, ainda que timidamente, a se perguntar se vale a pena proteger o Estado judeu de forma quase incondicional. A proximidade tem um custo para Washington. Suas políticas para o Oriente Médio são recebidas com desconfiança pelos países islâmicos, tanto os aliados quanto os inimigos.
Desde 2000, com o colapso das conversações de paz em Camp David, a situação vem se deteriorando lenta, mas resolutamente. A sociedade israelense decidiu que não há, do lado palestino, interlocutores confiáveis e desistiu de engajar-se seriamente em esforços de entendimento.
Vez por outra, quando pressionado por Washington, o premiê de plantão fala, como agora, em retomar as negociações, mas apenas para voltar a congelá-las na primeira oportunidade.
Numa única ocasião, sob o governo de Ariel Sharon, a maioria dos israelenses acreditou que a retirada unilateral de Gaza poderia ser o começo de uma solução. Hoje, porém, a iniciativa é vista como um desastre. A saída dos soldados permitiu ao grupo extremista Hamas assumir o território, do qual lança saraivadas de foguetes contra cidades israelenses.
Israel hoje deixa o tempo passar. Administra a crise. Parece crer que, um dia, o inimigo irá cansar-se e negociar. Do lado palestino, as perspectivas são sombrias. O tão prometido Estado jamais chegou. O que veio foi uma espécie de guerra civil de baixa intensidade entre o Hamas e o Fatah (o partido laico fundado por Iasser Arafat), que acabou expulso de Gaza.
A estratégia do Hamas nesse meio tempo tem sido a de utilizar a mais efetiva das armas à sua disposição, a propaganda. Os mais de 40 anos de ocupação pesam contra Israel. Respondendo às provocações, tanto as reais como as imaginadas, os israelenses, de tempos em tempos, acabam cometendo um erro grave que resulta em muitas mortes de civis. O lamentável caso da flotilha turca foi o exemplo mais recente.
É difícil dizer quem perde mais com a situação. É fato que Israel está levando a pior na guerra da mídia. Mas, nesse meio tempo, os palestinos estão deixando de ter a oportunidade de converter-se num país de verdade, com direito a paz e desenvolvimento.

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