Evaldo Augusto Torres Alves /editor
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Política

Rapidinhas


Tucano diz que denúncias são eleitoreiras

Marconi Perillo, candidato em Goiás, é investigado por suspeita de receber propina

da FSP

O senador Marconi Perillo (PSDB-GO), investigado pela suspeita de ter recebido propina de R$ 2 milhões, chamou de "eleitoreira" e "café requentado" as denúncias que constam em inquérito no Supremo Tribunal Federal.
Ao se defender no Twitter, Perillo deu duas versões para as medidas adotadas pelo governo do Estado para beneficiar frigoríficos.
Reportagem da Folha revelou que Perillo é investigado pelo STF pela suspeita de ter recebido propina de frigoríficos, quando governou o Estado, para modificar leis que favorecessem o setor.
Vice-presidente do Senado, Perillo é favorito às eleições para o governo de Goiás. Empresários foram flagrados em grampos telefônicos discutindo "ajudar" Perillo com R$ 2 milhões para conseguir benefícios fiscais -que de fato foram concedidos três meses após as conversas.
Nos diálogos, eles dizem que seria feito um decreto para regulamentar os benefícios. Ontem, no Twitter, Perillo disse primeiro que não assinou o decreto. "Foi assinado pelo governador em exercício na época."
O decreto, contudo, data de 23 de junho de 2005 e leva o nome Marconi Perillo e do ex-secretário de Fazenda José Paulo Loureiro.
Após ser questionado, Perillo admitiu no Twitter que assinou os documentos. "Por motivo de viagem, não assinei a lei que concedeu os benefícios. E assinei os decretos que regulamentaram a lei, que era obrigação legal." Ele disse ainda que não houve irregularidade.
(FILIPE COUTINHO)




"Se recebi Fidel, por que não o PT?", indaga Lily sobre Dilma
Marlene Bergamo/Folhapress

Lily e Dilma observadas por Jandira Feghali, na casa da viúva de Roberto Marinho

MÔNICA BERGAMO
COLUNISTA DA FOLHA

Dilma Rousseff (PT) chegou antes de boa parte das convidadas ao almoço oferecido para ela ontem, no Rio, por Lily Marinho, viúva de Roberto Marinho, das Organizações Globo. Eram 13h quando a petista foi recebida pela anfitriã na porta da célebre mansão cor-de-rosa do Cosme Velho, aos pés do Cristo Redentor, onde o casal recebeu por décadas governantes do mundo todo para jantares memoráveis.
"Se o Roberto recebeu Fidel Castro aqui, por que eu não posso receber o PT?", disse Lily à Folha, num cenário emoldurado por flamingos rosas que nadam nos lagos da mansão -as aves foram presente do cubano, que esteve no Rio em 1992.
Um músico dedilhava ao piano e garçons de luvas brancas serviam champanhe Dom Perignon. "Ô, Jandira, toma um golinho pra mim porque senão vou ficar gorda igual a um boi", disse Dilma à ex-deputada Jandira Feghali (PC do B), passando discretamente a ela a "flûte".
Dilma se sentou perto de Lily, em cadeira de rodas por causa de uma queda. "Que tipo de música você gosta?", perguntou a anfitriã. "Clássica. Gosto de Bach", respondeu a candidata. "Ela toca piano e fala francês", revelou uma amiga de ambas a Lily. "Eu tinha curiosidade de conhecê-la", explicava Lily.
Não, repetia, ela não vai oferecer almoço a José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV), adversários de Dilma na campanha presidencial. "Eu não sou política. Se ficarem com ciúmes, o que posso fazer? Nada."
Aos poucos, o quorum aumentou. "A Lily estava um pouco ansiosa porque muitas têm até medo de chegar perto do PT e da Dilma. Mas todo mundo está chegando, graças a Deus", dizia uma amiga da anfitriã.
Na hora do almoço, Dilma e Lily dividiram a mesa com a economista Maria da Conceição Tavares, a escritora Nélida Piñon, a produtora Lucy Barreto e a colunista Hildegard Angel, entre outras.
A conversa girou em torno de amenidades. "Todos os candidatos homens já fizeram plástica. To-dos", dizia Dilma. E as pesquisas eleitorais? "Deixa eu ficar no empate [com Serra] que tá bom", respondeu a petista. No cardápio, tartare de salmão com maçã e funcho e filé de cherne com banana caramelada, passas e urucum do chef Claude Troisgros.
Antes da sobremesa, Lily leu um rápido discurso. Disse que ofereceu o almoço para homenagear "a senhora D, a senhora democracia".
E que seria um privilégio ouvir "a outra senhora D, Dilma Rousseff, que se propõe a ser a primeira mulher presidente do Brasil".
Dilma fez um discurso sob medida. Falou de educação, família e cultura -e das "lutas de milhares de brasileiras anônimas". "Eu acho que chegou a nossa hora!" Cantarolou com Alcione ao microfone -e se despediu de Lily: "Te espero na minha posse".
A candidata se foi e as amigas formaram roda para comentar. "Ela está segura, senhora de si", dizia Andrea Agnelli, mulher do presidente da Vale, Roger Agnelli. "Achei importante ela falar de educação", disse Beth Floris, dona da editora Ediouro. Dona Lily gostou. "Vou fazer 90 anos. Sou velha para votar. Mas acho que, se votasse, seria na Dilma."

*Colaborou MARLENE BERGAMO, enviada especial ao Rio



"O candidato sou eu", afirma Anastasia
Candidato à reeleição ao governo de MG admite que desafio será se tornar conhecido

ANDREA MURTA
DE WASHINGTON

O governador de Minas, Antonio Anastasia (PSDB), 49, candidato à reeleição, diz que, apesar de ver com naturalidade a defesa da dobradinha "Dilmasia", "provará" nos palanques que seu candidato é o tucano José Serra. Ele esteve nesta semana nos EUA para assinar contratos de empréstimos de quase US$ 600 milhões com Banco Mundial e Banco Interamericano de Desenvolvimento.
Cerca de 20 pontos atrás do senador Hélio Costa (PMDB) nas pesquisas, ele afirmou que seu maior desafio é se tornar conhecido.

Folha - Como o sr. vê a chamada chapa "Dilmasia"?
Antonio Anastasia - Em Minas temos bases políticas dos governos federal e estadual que se interligam. Esse nome [Dilmasia] surgiu, mas tenho deixado claro que nosso candidato é o Serra. Temos que nos preocupar em organizar o nosso lado. Na urna, a decisão será do eleitor.

O sr. e Aécio se engajarão na campanha de Serra?
Claro, eu e o governador Aécio o apoiaremos. Vamos aparecer os três nos palanques tanto quanto possível. É natural que num primeiro momento tenha havido frustração. Todos nós manifestamos o desejo de ter Aécio [candidato a presidente]. Mas ele próprio achou melhor não ser candidato agora. Então o que temos de fazer é fortalecer o partido.

Uma chapa puro-sangue do PSDB não teria sido melhor?
Uma eleição presidencial passa necessariamente por uma composição partidária. Tinha que haver uma composição com o DEM, e o nome do deputado Indio da Costa é bom. Ele é jovem, animado. Sou a favor da renovação.

Será a primeira vez em que o sr. encabeça a chapa. Como lida com a inexperiência?
Não me espanta. A questão mais importante não é experiência eleitoral, e sim capacidade de trabalho, de convencimento.

Como enfrentar o desconhecimento de seu nome?
Esse é um grande desafio. O desconhecimento em algumas regiões chega a 40%. Por um lado isso é bom, porque não há rejeição. Mas temos que trabalhar muito. Temos 60% do horário eleitoral e uma estrutura política muito boa, com 12 partidos [na coligação], três quartos da Assembleia, mais de 600 prefeitos. E pode ser até bom, pois ao enfim me identificar com o Aécio, o eleitor vai saber que a continuidade não é por pessoa, mas por projeto.

O sr. teme um repeteco do prefeito de BH, Márcio Lacerda (PSB), que quase perdeu por ser visto como um desconhecido apoiado na popularidade do ex-prefeito Fernando Pimentel (PT-MG) e de Aécio?
Nós vamos tomar todas as cautelas. Mas é diferente, pois eu já sou governador. O ex-governador é o fiador dessa continuidade. É evidente que as pessoas têm que confiar no candidato (...), e o candidato sou eu.

Teto não é piso

Teto não é piso

NOTAS & INFORMAÇÕES
do Estadão

Não deveria haver nenhuma dúvida com relação aos dispositivos da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) ? em vigor há pouco mais de dez anos, com resultados muito positivos para a gestão do dinheiro público ? que fixam um limite para as despesas com pessoal nos três níveis de governo e determinam como esses gastos serão repartidos pelos Três Poderes e pelo Ministério Público. Mas muitos administradores públicos estão transformando o limite máximo numa espécie de autorização prévia para gastar mais. E essa forma peculiar de interpretação dos limites impostos pela LRF é utilizada até pelas principais autoridades do Poder Judiciário.

O texto da lei é muito claro. A despesa total com pessoal "não poderá exceder" determinado porcentual da receita corrente líquida nos três níveis de governo. O limite foi fixado em 50% para a União; e para os Estados e municípios, em 60%. Quanto à repartição desses gastos, há limites específicos para as esferas federal, estadual e municipal. No caso da União, a lei especifica que, do limite de 50% que pode ser gasto com o funcionalismo, a parte que cabe ao Legislativo (incluindo o Tribunal de Contas da União) é de 2,5%; a do Judiciário é de 6%; a do Executivo, de 40,9%; e a do Ministério Público da União, de 0,6%.

A lei também é clara ao estabelecer que, se a despesa com pessoal exceder 95% do limite, medidas preventivas de contenção terão de ser adotadas, tais como o impedimento da concessão de vantagens, aumentos, reajustes ou acerto de vencimentos, a criação de cargos, mudanças em estrutura de carreira que impliquem despesas adicionais, a contratação de pessoal ou o pagamento de hora extra. Esses 95% do limite ficaram conhecidos como "limite prudencial", a partir do qual são necessárias providências destinadas a conter as despesas com o funcionalismo.

Na justificação do projeto de lei que enviou ao Congresso em dezembro para alterar a política de remuneração dos integrantes da carreira judiciária ? e que aumenta em 41% os gastos totais do Judiciário com pessoal ?, os presidentes dos tribunais superiores que a assinam argumentam que, pela LRF, há uma "margem de crescimento" para se gastar mais com pessoal.

A tabela que acompanha a justificação deixa claro o raciocínio dos magistrados. Como a previsão da receita corrente líquida da União para 2011 é de R$ 532,62 bilhões, o limite legal para os gastos do Poder Judiciário com pessoal (6% do total) é de R$ 31,96 bilhões e o prudencial, de R$ 30,36 bilhões. Ora, prossegue o raciocínio, se o orçamento de pessoal do Poder Judiciário federal para 2010 é de R$ 15,53 bilhões, há uma "margem de crescimento legal" de R$ 16,43 bilhões e uma "margem de crescimento prudencial" de R$ 14,83 bilhões. Tudo, portanto, fica dentro dos limites da LRF e muito mais ainda poderia ser gasto sem feri-los.

Ora, limite é limite. O fato de ele não ter sido atingido não significa que gastos adicionais estão previamente autorizados ou que esse fato cria uma "margem de crescimento" das despesas. Trata-se de um teto, não de um piso para os gastos, como muitos administradores públicos enviesadamente interpretam a restrição, utilizando-a como justificativa para ampliar os gastos.

Os limites para despesas com pessoal inscritos na LRF resultaram de uma média dos gastos realizados pelos três níveis de governos em 1995, 1996 e 1997. Na época da discussão e votação do projeto da LRF, muitos gestores criticaram esses limites, que consideravam muito rigorosos.

O crescimento da economia propiciada pela estabilidade decorrente do Plano Real, colocado em prática em 1994, combinado com a estrutura tributária brasileira ? que assegura ao governo receitas proporcionalmente maiores do que a taxa de crescimento da economia ?, resultou em aumento constante da carga tributária. Entre 2002, pouco depois da entrada em vigor da LRF, e 2009, a receita corrente líquida da União teve aumento nominal de 195%, bem maior do que a inflação do período, de 79,3%.

Com o grande crescimento da receita, os limites que antes eram criticados por serem muito rigorosos, hoje são frouxos, o que abre espaço para que prosperem argumentos como os utilizados pelo Poder Judiciário.

É preciso reduzir os limites.

Marina pede punição por vazamento de dados ...

Marina pede punição por vazamento de dados da Receita

MARCELO AULER
do Estadão

A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, defendeu hoje que os responsáveis pelo vazamento de informações da Receita Federal sejam punidos, depois de a responsabilidade deles ficar comprovada em uma investigação que, embora rigorosa, garanta o amplo direito à defesa, "pois não estamos em uma sociedade de justiçamento", segundo disse. Para Marina, também devem ser punidos "aqueles que lançam mão de informações adquiridas de forma ilegal e fraudulenta para prejudicar quem quer que seja. Esta punição, é claro, é dada pela sociedade, pelo cidadão", explicou.

Marina insistiu no discurso de que processo eleitoral não pode ser um vale tudo. "Toda e qualquer informação que extrapole o Estado Democrático de Direito não deve ser tolerada, nem pelas instituições, nem pelos candidatos e, principalmente, pela sociedade. Em uma eleição, se tem que provar que se é capaz de respeitar as instituições públicas. Se, para ganhar, não se respeitam as instituições e o jogo democrático, é um sinal de que quando estiver com o poder na mão, fará pior", argumentou.

Diretor monta ato pró-Dilma no comando de órgão

Diretor monta ato pró-Dilma no comando de órgão federal
Em horário de trabalho, chefe do Serpro convoca servidores para carreata

Ponto de encontro é no próprio órgão; "Avisa a "companheirada", diz Marcos Mazoni no Twitter a colega petista

SILVIO NAVARRO
da FSP

Instalado no comando de um órgão estratégico da máquina pública, o diretor-presidente do Serpro (serviço de processamento de dados do governo federal), Marcos Mazoni, desempenha simultaneamente a função de arregimentar servidores na Esplanada e organizar carreatas em Brasília para a campanha de Dilma Rousseff (PT).
O ponto de encontro, segundo o próprio Mazoni, é o estacionamento do Serpro. A convocatória dos funcionários é feita pela internet, em horário de expediente.
A maioria da comitiva petista é composta de servidores do Serpro, do Ministério da Educação e da Casa Brasil, órgão do Ministério de Ciência e Tecnologia para acesso gratuito à internet.
Segundo a legislação eleitoral, funcionários públicos não podem participar de campanha em horário de trabalho. As recomendações constam da cartilha da AGU (Advocacia-Geral da União), avalizada pela Comissão de Ética Pública da Presidência.
O dirigente atua em parceria com Marcelo Branco, coordenador de Dilma na internet, de quem é amigo. Gaúchos, trabalharam juntos no órgão de processamento de dados do RS.
Um dos eventos ocorreu anteontem. O número um do Serpro fez o chamado pelo seu Twitter, às 11h34: "Hoje vamos fazer uma carreata pró-Dilma ao meio dia aqui em Brasília". Ontem, ele mandou o seguinte recado, às 11h43, para Branco: "Avisa a "companheirada" de Brasília que estamos fazendo carreatas todas as quintas ao meio dia saindo da frente da sede Serpro".
A partir da semana que vem, os atos pró-Dilma conduzidos por ele serão semanais. "Para não precisar toda hora dizer, vai ter uma programação permanente, toda quinta-feira", disse à Folha.
Mazoni e Marcelo Branco também trocam mensagens sobre acordos políticos no Rio Grande do Sul. Na terça-feira passada, Branco escreveu no Twitter, às 13h16: "Exclusivo: ex-governador Collares do PDT apoia Tarso para governador e Dilma para presidente". Mazoni respondeu quatro minutos depois: "Como é bom ser conselheiro de Itaipu hahaha". Collares é conselheiro da empresa binacional e, para apoiar Tarso, rompeu com seu partido, que indicou o vice de José Fogaça (PMDB) ao governo.
Quadro da corrente DS (Democracia Socialista) do PT, Mazoni é ligado ao ex-ministro da Justiça Tarso Genro. Foi sindicalista da área de telefonia e assessor de Olívio Dutra (PT) na Prefeitura de Porto Alegre. Assumiu o Serpro após a queda do grupo do ex-ministro Antonio Palocci, que controlava o órgão.

José Serra



Serra promete não mexer na regra de royalty do petróleo

DO ENVIADO A VITÓRIA - Ontem, no Espírito Santo, o candidato do PSDB, José Serra, prometeu que não haverá alteração na distribuição dos royalties do petróleo, caso seja eleito. O Estado foi um dos mais prejudicados pela proposta em discussão no Congresso.
"Comigo na Presidência, acabar com a participação especial, não vai acontecer", disse ele, repetindo crítica ao modelo defendido pelo governo.
O candidato rebateu críticas da rival Dilma Rousseff (PT) ao programa adotado pelo tucano no governo de SP, em que as turmas do primeiro ano do ensino fundamental têm dois professores em sala, um deles assistente. "Primeiro precisa explicar para ela o que é [o programa]. O PT, pelo menos em São Paulo, não tem a mais remota preocupação com a educação", disse o tucano.




Serra rebate Dilma e defende dois professores por sala

ALFREDO JUNQUEIRA
do Estadão

Em campanha no Espírito Santo, o candidato à Presidência da República pelo PSDB, José Serra, rebateu as críticas da candidata do PT, Dilma Rousseff, na área da educação. Dilma criticou ontem, durante campanha em Jundiaí (SP), o fato de as escolas de São Paulo terem duas professoras no 1º ano do ensino fundamental.

Segundo o tucano, a petista "ouviu o galo cantar e não sabe onde". "O PT, ao menos no Estado de São Paulo, não tem a mais remota preocupação com educação. Eles têm preocupação política e eleitoral. Acabar com dois professores em sala de aula significa desempregar muita gente, tirar bolsas e prejudicar as crianças. Espero que ela entenda do que se trata, antes de falar de novo a esse respeito", afirmou.

No fim de sua visita ao Espírito Santo, Serra participou de uma entrevista numa emissora de televisão local. Ele disse que é obrigação do governo federal construir presídios para ajudar na administração penitenciária do País. Recentemente, o Espírito Santo foi citado em relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) por abusos aos direitos humanos devido às condições precárias de sua população carcerária.

Polícia prende mais 3 e goleiro se nega a fazer DN

Primo diz que perguntou a Bruno se não teria sido melhor
resolver problemas com Eliza na Justiça; após chorar, se disse arrependido

Eduardo Kattah e Tiago Dantas
do Estadão

Os últimos três suspeitos de envolvimento no desaparecimento de Eliza Samudio, ex-amante do goleiro do Flamengo, Bruno Fernandes, foram presos ontem. Elenilson Vitor da Silva, administrador do sítio do atleta, Flávio Caetano de Araújo, o Flavinho, e Wemerson Marques de Souza, o Coxinha, foram detidos juntos em Igarapé, região metropolitana de Belo Horizonte.

Nove pessoas, incluindo um adolescente de 17 anos, foram presas por homicídio, sequestro/cárcere privado e lesão corporal. A polícia trabalha com a hipótese de que a morte de Eliza tenha sido premeditada. Ontem, no Departamento de Investigação, em Belo Horizonte, Bruno, seu braço direito, Luiz Henrique Romão, o Macarrão, e Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, suspeito de estrangular Eliza, recusaram-se a ceder material genético para as investigações, seguindo orientação de seus advogados. Sob gritos de "assassinos", eles chegaram à delegacia algemados e com uniformes de preso.

Na noite anterior, durante a viagem a Minas, Bruno foi questionado por uma policial sobre sua religião. "Sou evangélico", respondeu. "Você é um evangélico desviado", disse a policial, depois que Bruno não soube citar o Salmo 18 e um cântico de louvor.

Arrependido. No depoimento que prestou aos delegados Wagner Pinto e Edson Moreira, o primo do jogador, Sérgio Salles, de 22 anos, disse que Bruno teria se arrependido. Ele questionou o goleiro sobre a necessidade do crime. "Cara, não era melhor você ter resolvido isso na Justiça?", perguntou. "Já tá feito", teria respondido o goleiro. Já de volta ao sítio em Esmeraldas, depois da suposta execução, Bruno, segundo ele, "pareceu ter ficado comovido", chorou e disse: "Eu tô arrependido".

Os três advogados de defesa envolvidos no caso se queixam da demora da polícia mineira em permitir acesso ao inquérito. O delegado Edson Moreira prometeu que eles poderão pegar uma cópia do trabalho policial hoje.

Moreira afirmou ainda que espera que Bruno coopere com a investigação, mas sugeriu que a polícia já tem provas suficientes para indiciá-lo. Para ele, há duas motivações para o crime: a busca de Eliza pelo reconhecimento da paternidade do filho e a vingança pelo fato de ela ter denunciado Bruno e Macarrão pela agressão e por uma ameaça no Rio.

Petrobras provoca desconfiança externa


Em meio a dúvidas sobre capacidade financeira, sobe procura por proteção contra eventual calote via derivativos

Demora em oferta de ações para capitalização traz preocupações; procurada, estatal não se pronuncia


SAMANTHA LIMA
DO RIO /FSP

Crescem no mercado financeiro internacional as dúvidas sobre a capacidade financeira da Petrobras. Como sintoma aparentemente extremado, mas corriqueiro, entre investidores agressivos, a procura por proteção contra eventual calote, via derivativos, vem subindo.
Para os investidores, ampliaram essa percepção de maior risco o acidente da BP e a demora da petroleira brasileira em fazer sua oferta de ações para levantar dinheiro para investimentos.
O caso BP ressaltou os riscos de explorar petróleo em águas profundas. A Petrobras é líder mundial no segmento e, com o pré-sal, sairá de perfurações de até 2.000 metros, na bacia de Campos, para 7.000 na de Santos.
Por fim, a Petrobras depende de uma emissão de ações para complementar o programa de investimentos de US$ 224 bilhões até 2014 -o maior do mundo no setor. A emissão era prevista para o fim do mês, mas o processo foi adiado para setembro.
Assim, os preços que investidores estrangeiros pagam para obter instrumentos que compensem eventuais calotes nos títulos emitidos pela Petrobras, negociados nos mercados futuros (derivativos) internacionais, subiram 52% no ano, segundo a consultoria CMA.
Esses instrumentos são chamados contratos CDS ("Credit Default Swaps"). Quem compra um CDS quer se proteger do risco de outro título que detém, emitido por uma empresa ou governo -nesse caso, os da Petrobras. É como um seguro. O investidor que vende o contrato recebe o pagamento do comprador e assume o compromisso de honrar o pagamento do título se o governo ou a empresa não o fizer.

ESPECULAÇÃO
"O aumento dos juros nos CDS reflete diretamente a percepção de risco da perfuração, mas há componente especulativo na variação. Isso também ocorre nas ações da empresa, que têm caído", diz o professor de finanças Paulo Di Blasi, do Ibmec.
Depois do acidente da BP, a distância de preço entre os CDS para títulos da Petrobras e da Pemex, embora ainda favorável aos investidores da brasileira, caiu 95%.
A Petrobras espera, até setembro, fazer sua oferta de ações para levantar os recursos necessários a seus investimentos e ao pagamento de 5 bilhões de barris em reservas que receberá da União.
Sem o dinheiro novo, a Petrobras deve ultrapassar o limite de endividamento exigido pelas agências de risco (de 35% do patrimônio) para manter a classificação de "investment grade". Perderia, assim, a chancela de "bom pagador" e teria que pagar mais juro nas captações.
Em março, o nível de endividamento era de 32%. Hoje, especialistas calculam em 35% e, se a capitalização não for feita, será superado em setembro.
Procurada, a Petrobras não se pronunciou.

Presos políticos cubanos e familiares seguem

Presos políticos cubanos e familiares seguem sem notícias sobre libertação
Depois da confirmação da libertação de 52 presos, familiares não receberam mais informações

do Estadão

HAVANA- Os cinco presos políticos cubanos que serão libertados em breve e suas famílias seguem à espera de notícias sobre como e quando irão acontecer as libertações. Consultados pela Agência Efe, os familiares dos presos afirmaram que depois da confirmação da libertação não receberam mais informações.

A alegria com o anúncio deu lugar à angústia da espera. É o caso da família de Lester González Pentón, que se reuniu em sua casa na cidade de Santa Clara, 270 quilômetros ao leste de Havana, para aguardar novas informações.

"Estamos desesperados. Esta situação é insuportável", disse à Efe Mireya Pentón, mãe de González Pentón, que com 33 anos é o preso mais jovem do chamado "Grupo dos 75", os opositores que foram condenados a penas de até 28 anos na onda repressiva de 2003 conhecida como a "Primavera Negra".

O governo de Raúl Castro se comprometeu a libertar os presos deste grupo que ainda estão na prisão, um total de 52, de forma gradual e em um prazo máximo de quatro meses.

A decisão faz parte do diálogo aberto com a Igreja Católica da ilha e é apoiada pelo governo da Espanha, um processo que o ministro de Exteriores, Miguel Ángel Moratinos, acompanhou na visita que fez esta semana a Cuba.

Lester González Pentón, Antonio Villarreal, José Luis García Paneque, Luis Milán Fernández e Pablo Pacheco serão os primeiros presos a sair da prisão após terem aceitado deixar a ilha e viajar para a Espanha, consultados por telefone pelo cardeal Jaime Ortega, o principal interlocutor da Igreja com o regime cubano neste

processo.

A Espanha aceitou a "proposta" do governo de Raúl Castro de receber os 52 opositores e a suas famílias, segundo informou Moratinos na quinta-feira em Havana horas antes de finalizar sua viagem a Cuba.

Fontes do governo espanhol disseram que os cinco primeiros presos poderiam chegar ao país no começo da próxima semana, e ressaltaram que eles não devem viajar como asilados políticos, mas sim com o estatuto de imigrantes, por isso poderão retornar, embora precisem de autorização.

Seus familiares também poderão deixar Cuba e manterão suas propriedades, ou seja, não haverá expropriações.

No caso de Lester González, toda sua família irá para Espanha: sua esposa, sua mãe, seu padrasto e suas duas irmãs com seus respectivos maridos e filhos.

Enquanto os presos e seus familiares esperam notícias, o dissidente Guillermo Farinãs começou nesta sexta-feira a ingerir sucos, sopas e gelatina, um dia depois de anunciar sua decisão de abandonar a greve de fome que manteve durante mais de quatro meses para pedir a liberdade de presos políticos doentes.

Alicia Hernández, mãe de Farinãs, explicou à Efe que a equipe médica que atende seu filho no hospital de Santa Clara, onde ele está internado desde o dia 11 de março, decidiu incorporar estes alimentos à dieta nesta sexta depois que o jornalista voltou ontem a beber água.

Os especialistas devem acompanhar como Farinãs tolera esta dieta antes de passar à alimentação sólida. O dissidente permanecerá hospitalizado até que seu estado de saúde, que continua crítico, se normalize.

Hernández comentou que seu filho passou uma noite ruim devido as dores de um hematoma que apresenta na coxa, apesar do especialista que o examinou esta manhã não ter visto nada de grave na área.

Farinãs anunciou na quinta-feira a suspensão de seu protesto perante as libertações anunciadas pelo regime cubano.

EUA e Rússia fazem troca de espiões

EUA e Rússia fazem troca de espiões no aeroporto de Viena
Americanos entregaram dez agentes secretos russos; Moscou libertou quatro espiões


VIENA - Os EUA e a Rússia realizaram nesta sexta-feira, 9, a maior troca de espiões desde a Guerra Fria, trocando dez agentes secretos presos em território americano por quatro agentes condenados em Moscou. O procedimento ocorreu no aeroporto de Viena, na Áustria.

Dois aviões - um vindo de Nova York e o outro de Moscou - chegaram a Viena em um intervalo de poucos minutos, manobraram até ficar próximos e ficaram parados por cerca de uma hora e meia. Durante esse período, um ônibus viajou de uma aeronave à outra.

Concluída a troca, os aviões partiram do aeroporto de Viena - o russo com os dez detidos no fim de junho por viverem nos EUA com identidades falsas e o americano com quatro agentes que haviam sido condenados por espionar para o Ocidente. Não havia informações sobre o destino de casa aeronave, mas o primeiro deve ir para Moscou, e o segundo para Londres.

O ministério do Exterior russo confirmou a troca, dizendo que ela representava "o retorno à Rússia de 10 cidadãos russos acusados nos Estados Unidos, juntamente com a transferência simultânea para os EUA de quatro indivíduos previamente condenados na Rússia".

Identidades

Os dez agentes russos acusados nos Estados Unidos confessaram ter agido como "agentes ilegais de um governo estrangeiro dentro dos Estados Unidos" em uma corte de Nova York. O Kremlin informou as identidades dos quatro agentes condenados na Rússia.

Eles são Igor Sutyagin, cientista nuclear preso em 2004 por espionar para a CIA; Sergei Skripal, um oficial da Inteligência militar russa condenado em 2006 por espionar para o Reino Unido; Alexander Zaporozhsky, ex-empregado dos serviços de Inteligência no exterior preso por espionagem em 2003; e Gennadiy Vasilenko, ex-agente da KGB.

EUA

Após as confissões no tribunal em Nova York, o juiz responsável pelo caso descartou as outras acusações que pesavam contra os dez suspeitos - entre elas a de lavagem de dinheiro - e ordenou a sua deportação imediata do país, o que seria fruto de um acordo em troca das confissões. Durante a audiência, na quinta-feira, sete dos suspeitos revelaram seus verdadeiros nomes e admitiram serem agentes da Rússia.

Richard Murphy" e "Cynthia Murphy" admitiram que eram cidadãos russos chamados Vladimir Guryev e Lydia Guryev "Donald Howard Heathfield" e "Tracey Lee Ann Foley" eram cidadãos russos chamados Andrey Bezrukov e Elena Vavilova "Juan Lazaro" admitiu ser o cidadão russo Mikhail Vasenkov "Michael Zottoli" e "Patricia Mills" admitiram ser os cidadãos russos Mikhail Kutsik e Natalia Pereverzeva.

Outros três, que também confessaram serem agentes, operavam nos Estados Unidos com seus nomes verdadeiros: Anna Chapman, Mikhail Semenko e Vicky Pelaez. Pelaez, nascida no Peru, era a única dos dez acusados que não tinha nacionalidade russa. Um 11º suspeito está foragido, após ter sido liberado sob fiança no Chipre, onde havia sido preso.

Espiões

Presos em uma grande operação do FBI e outros órgãos de inteligência americanos em 27 de junho, os dez suspeitos foram acusados pela Promotoria de se passarem por cidadãos comuns para, sob as ordens dos serviços de inteligência russos, se infiltrarem em círculos políticos influentes dos EUA e coletar informações.

O Departamento de Estado americano afirmou que "a rede de agentes ilegais" foi desmantelada após "anos de investigação", mas que "nenhum benefício significativo para a segurança nacional" dos EUA "seria trazido pelo encarceramento prolongado destes dez agentes".

De acordo com o governo americano, a decisão de trocar os suspeitos pelos prisioneiros que estão na Rússia foi tomada com base em razões "humanitárias e de segurança nacional". "Os EUA tomaram vantagem da oportunidade apresentada para assegurar a libertação de quatro indivíduos que estão servindo em longas penas de prisão na Rússia, muitos dos quais estão em condições da saúde ruins", diz um comunicado divulgado pelo Departamento de Estado.

*Com informações da agência BBC

O Brasil investe no exterior

O Brasil investe no exterior

do Estadão

Entre janeiro e maio, as multinacionais brasileiras fizeram mais investimentos diretos no exterior do que as empresas estrangeiras no Brasil: esses valores foram, respectivamente, de US$ 11,16 bilhões e de US$ 10,68 bilhões. Além das oportunidades surgidas em decorrência da crise nos países desenvolvidos, as políticas cambial, financeira e tributária do governo brasileiro são um incentivo para as múltis locais interessadas em ampliar suas bases globais.

Apenas neste ano, grupos empresariais como Gerdau, Marfrig e Braskem já investiram mais de US$ 3 bilhões na compra de empresas ou na consolidação de sua posição em companhias de que já participavam, e a Votorantim adquiriu parte do grupo português Cimpor. A Romi, fabricante de máquinas, fez há pouco uma oferta hostil pela norte-americana Hardinger, que, se aceita, levará o grupo a faturar mais no exterior do que no Brasil. São exemplos da crescente atuação de um conjunto de empresas multinacionais brasileiras, do qual também fazem parte Vale, Embraco, Embraer, Natura, Perdigão, Sadia, Marcopolo, Weg e Petrobrás. A Gerdau já obtém no exterior cerca da metade do seu faturamento.

Em todo o mundo, desde meados do século passado, cresceram muito os investimentos externos, o que permitiu às multinacionais reduzir os riscos de concentração de recursos nos mercados locais. Nos Estados Unidos, por exemplo, parcela cada vez maior dos lucros passou a vir das subsidiárias no exterior.

Com reservas cambiais de US$ 253 bilhões, economia em crescimento e empresas não apenas lucrativas, mas capazes de liderar mercados globais (em celulose, minério de ferro, carnes, açúcar, soja, etc.), o Brasil aderiu com atraso à tendência de aumento dos investimentos externos diretos, cujo montante passou de US$ 6,4 bilhões, em 2004, para o recorde de US$ 18 bilhões, em 2006 (no qual teve grande peso a compra da mineradora Inco, do Canadá, pela Vale), atingindo US$ 13,9 bilhões, em 2008. O valor caiu para US$ 4,5 bilhões em 2009, mas voltou a subir.

São muitos os fatores de estímulo aos investimentos no exterior, segundo o gerente do projeto de internacionalização da Fundação Dom Cabral, Sherban Leonardo Cretoiu, citado em reportagem de Raquel Landim, no Estado (4/7): as companhias estrangeiras perderam valor de mercado; a valorização do real aumentou o poder de compra dos brasileiros; e algumas companhias brasileiras se tornaram ainda mais fortes em processos de consolidação de mercados, casos do Itaú-Unibanco e da Brasil Foods.

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica, Luis Afonso Lima, as aquisições no exterior são fruto de decisões estratégicas. A internacionalização permite ganhar escala e ter maior acesso à matéria-prima, segundo um vice-presidente da Braskem, Marcelo Lira. Até 2015, a Braskem pretende investir US$ 2,5 bilhões num polo petroquímico no México e já tem garantia de fornecimento da matéria-prima (nafta) pela estatal mexicana do petróleo (Pemex).

Com a crise global de 2008/2009, as empresas brasileiras alteraram suas políticas de investimento externo, atribuindo menor peso à América Latina e maior aos Estados Unidos, onde está o mais importante mercado interno do mundo. Entre 2001 e 2008, a participação dos investimentos na Argentina em relação ao total de investimentos diretos caiu de 15,24% para 9,67% e, no Uruguai, de 30,69% para 6,92%, enquanto nos EUA passou de 13,08% para 28,99%, já tendo chegado, em 2010, a 37,4%. Seguem-se a França, com participação de 18,9%, e a Holanda, com 16,6%.

Com uma política monetária mais branda e o real menos apreciado - e, sobretudo, quando a economia global se recuperar -, as multinacionais brasileiras poderão colher os frutos dos investimentos atuais. E o Brasil, os dos rendimentos desses investimentos. Mas, no curto prazo, o mais provável é que haja um impacto desfavorável sobre o balanço de pagamentos, e isso num momento em que cresce o déficit em contas correntes

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