Evaldo Augusto Torres Alves /editor
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Política

Aécio cobra mais "ousadia" de Serra...
Aécio cobra mais "ousadia" de Serra, que prega "virada"

Presidenciável tucano usa crescimento de Anastasia para falar em reação

Principal cabo eleitoral em MG, ex-governador diz que comunicação do partido precisa ser clara ao se contrapor a Dilma

BRENO COSTA/PAULO PEIXOTO
da FSP

No dia em que José Serra (PSDB) passou a discursar pela possibilidade de "virada" na sucessão presidencial, o principal cabo eleitoral do tucano em Minas, Aécio Neves, cobrou mais "ousadia" e "clareza" na comunicação da campanha.
Até então, Serra se recusava a comentar a dianteira de Dilma Rousseff (PT) nas pesquisas. Mas ontem, em dois eventos em cidades mineiras, passou a usar o crescimento de Antonio Anastasia no Estado como exemplo para a própria campanha.
"Já viramos em Minas, vamos virar juntos no Brasil", disse. Em pesquisa Ibope na semana passada, Anastasia apareceu pela primeira vez à frente de Hélio Costa (PMDB), com 35% a 33%.
O site oficial da campanha lançou o slogan "É a hora da virada". A Folha apurou, no entanto, que a nova estratégia não foi decidida pela equipe do marqueteiro Luiz Gonzalez e, ao menos por enquanto, não deve ser usada na propaganda de TV.
O discurso pela "virada" foi feito do alto de um carro de som no centro de Itajubá, cidade no sul de Minas, e encampado por Aécio.
"Em Minas, o Anastasia já virou, já estamos na frente e vamos ganhar a eleição. E a segunda, é que no Brasil nós vamos virar também, fazendo Serra presidente", discursou Aécio, que foi mais aplaudido do que Serra.

CRÍTICAS
Apesar do discurso de apoio, no primeiro evento do dia, em Varginha, Aécio fez críticas à comunicação da campanha. Ele cobrou mais "ousadia" e "clareza" para se contrapor a Dilma.
"O mais importante é que a sua comunicação para o país inteiro, talvez, seja um pouco mais ousada, apontando diferenças mais claras em relação às propostas do atual governo", disse Aécio, ao falar sobre estratégias para levar ao segundo turno.
A declaração foi dada pouco antes da chegada de Serra.
Aécio atribui a uma "conjunção de fatores" a queda das intenções de voto em Serra, entre eles a capacidade de transferência de votos de Lula, mas disse que não é o momento para fazer críticas porque isso "não contribui".
"Essa nunca foi uma eleição fácil para nós, mas está longe de ser uma eleição perdida", disse Aécio, que defende que Serra se concentre em São Paulo, Minas e Paraná para ir ao segundo turno.
Foi o que Serra começou a fazer ontem, após 23 dias ausente do segundo colégio eleitoral do país (14,5 milhões de votos). "É um crescimento [de Anastasia] muito bom para Minas, para o Brasil, para o nosso partido e para mim, porque para onde forem o Anastasia e o Aécio, eu irei também aqui em Minas".
Após carreata e caminhada pelo centro de Varginha, Serra, durante comício relâmpago, disse que, indo bem em Minas, terá bom resultado também no país.


A missão de Serra


JANIO DE FREITAS
da FSP

O problema imediato do tucano deixou de ter alvo federal e âmbito nacional para restringir-se a SP

JOSÉ SERRA tem razão ao dizer, como fez a empresários (ou doadores), que a disputa eleitoral não está encerrada, mas a recomendação que recebe das pesquisas, como político, não tem a ver com campanha pela Presidência.
O problema imediato de Serra deixou de ter alvo federal e âmbito nacional para restringir-se aos limites estaduais de São Paulo. Onde não estão localizadas as pretensões de sua vida pública e nem sequer o candidato do PSDB precisa do seu apoio para liderar, até agora, a corrida ao governo paulista.
A arena para uma batalha primordial de Serra está em São Paulo, se considerada a hipótese mais plausível de que a derrota para a Presidência, caso ocorra, não anule suas já longas ambições na vida pública.
Recente ex-governador do Estado e ex-prefeito da capital, Serra deixa seu futuro político sob riscos extremos se perder em casa para Dilma Rousseff, que já o ultrapassou, contra todas as previsões, em cinco pontos apurados pelo Datafolha da semana passada.
Serra correu grande risco, e superou-o com muita sorte, ao precipitar a saída da prefeitura paulista e entregá-la à incógnita - incógnita na melhor hipótese- Gilberto Kassab.
A possibilidade de desastre era grande, mesmo estando o novo governador com os cordões de controle da prefeitura à distância, e o ônus seria devastador. Não só para o exercício do governo estadual, mas sobretudo para o verdadeiro projeto, a candidatura à Presidência. Foi tanta a sorte de Serra, que nem o PT lhe cobrou o compromisso formal de não abandonar a prefeitura, onde, afinal, ficou pouco mais de um ano.
Ainda que vencesse agora em outros Estados importantes, Serra estaria próximo de um abismo político em caso de derrota no seu próprio Estado. Tanto mais se o PSDB e Geraldo Alckmin confirmarem a conquista do governo paulista, indicando que a rejeição seria ao candidato à Presidência.
Recuperar-se em São Paulo parece vital para o político José Serra.

NO LUCRO
Entre os muitos efeitos da imprevista ultrapassagem de Dilma sobre Serra em São Paulo, está o ganho indireto que cai nas mãos de Aécio Neves. Até algumas semanas atrás, ouvia-se e lia-se que a dificuldade de Serra na campanha decorria, em grande parte, da insuficiência do seu desempeno em Minas. Quando ultrapassado também lá por Dilma, Aécio tornou-se culpado para uns, esperança de recuperação para outros serristas.
Ao primeiro "até em São Paulo ele está perdendo", e a justificativa não precisou ser de sua autoria, Aécio Neves recebeu um álibi que silenciou as cobranças acusatórias ou esperançosas.

SÓ ISSO
Mesmo dia, a última sexta. No Rio: dois capitães da PM, de apenas 33 anos, são presos em flagrante no roubo, com um grupo de marginais, de cabos telefônicos de cobre em Botafogo. Em São Paulo: uma delegada, uma perita, um investigador e um sargento da PM são presos sob acusação de explorar o jogo ilegal.
Há um motivo para esses fatos similares em São Paulo e Rio. É que os outros Estados estão fora do noticiário.

Inépcia ou dolo
Inépcia ou dolo

Dora Kramer
do Estadão

A Polícia Federal não divulga o nome e mantém sob sigilo a profissão, mas localizou em São Paulo um suspeito de comandar esquema que se utiliza de informações da Receita Federal obtidas a partir da delegacia de Mauá, para extorquir dinheiro de gente que tenha algum tipo de problema com o Imposto de Renda.
A pessoa em questão está sendo vigiada e, com autorização da Justiça, tem suas conversas telefônicas gravadas pela PF. De posse dos dados, o homem procuraria os contribuintes que tiveram sigilo violado identificando-se como funcionário da Receita e se ofereceria para "resolver o problema" mediante uma quantia a combinar.
Essa é uma das linhas de investigação do caso descoberto quando informações fiscais do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas, foram parar numa papelada que faria parte de um dossiê elaborado por petistas para tentar atingir a campanha presidencial dos tucanos.


O problema dessa versão - que em alguma medida até explicaria o silêncio das pessoas (não políticos) que tiveram seus sigilos violados na delegacia da Receita em Mauá - é que acaba parecendo conveniente demais para o PT, pois tiraria conotação político-eleitoral do episódio e o colocaria exclusivamente no campo criminal.

Tudo certo, caso a Receita tivesse alguma vez nos últimos dois meses aludido à hipótese de as acusações que assombravam o comitê de campanha de Dilma Rousseff nada terem que ver com a disputa eleitoral, pois as investigações da PF apontavam para crime comum.

O PT e a candidata falaram primeiro em inexistência de quebra de sigilo e depois em "factoide" da oposição.

Mas nestes mais de 60 dias de inquérito aberto, só agora, depois de conhecida a violação de mais três pessoas ligadas a José Serra, aparecem versões sobre extorsão. Como quem tem uma boa ideia depois de ver reportagens sobre a venda de informações sigilosas em CDs no centro de São Paulo.

Não é impossível que a PF tenha realmente um suspeito em vista, mas está parecendo que foram misturados alhos com bugalhos por conveniência.

Com base no histórico de casos anteriores, se for isso mesmo logo aparecerá o nome de um culpado para ser punido e encerrado o assunto.

Mas desta vez é mais complicado, pois quando um santo é vestido, livrando a campanha da suspeita de espionagem, outro é posto nu ao deixar patente que o Estado ou é inepto ou criminoso: não assegura a privacidade do cidadão e ainda esconde da sociedade os fatos.

Olhar estrangeiro. Enquanto a academia brasileira de um modo geral se abstém de analisar o quadro, de fora de quando em vez aparecem diagnósticos proveitosos.

Em entrevista ao jornal Folha S. Paulo, o diretor do Centro para o Desenvolvimento Internacional da Universidade de Harvard, Ricardo Hausmann, diz que o Brasil tem ótimo potencial de crescimento, um setor privado muito forte, mas que o governo, apesar de ter administrado bem a crise econômica mundial de 2008, comete equívocos fatais com base em sucessos pontuais interpretados como sinal de êxito total.

Segundo ele, o Brasil é dos países que ficam arrogantes quando as coisas começam a parecer bem encaminhadas. "Parecem acreditar num mundo de fantasia."

Por exemplo: "Só porque o País teve por um trimestre uma taxa de crescimento de 7%, o Brasil é agora a nova China, Lula é o gênio das finanças e nenhum dos problemas anteriores existe mais."

O economista elogia o cuidado de Lula em 2002 de ter transmitido confiança ao setor privado, mas critica a atitude atual, menos cuidadosa e "mais ideológica". Para ele, a administração "macro" é insustentável por um defeito comum ao que conduz também a linha da política externa.

"Agora que o País é grande pode ir para a cama com Ahmadinejad ou hospedar Manuel Zelaya na embaixada em Honduras. É uma atitude de que o Brasil agora é diferente e, portanto, pode confrontar o senso comum. Esse tipo de arrogância tem sido desastrosa na política externa e pode ser desastrosa para a administração macroeconômica."

'Cheguei a estar morto, mas ressuscitei'
Fidel fala sobre a doença: 'Cheguei a estar morto, mas ressuscitei'

Ex-presidente cubano ficou entubado e sofreu com perdas de peso e memória

do Estadão

HAVANA - O ex-presidente cubano Fidel Castro disse em uma entrevista republicada pela imprensa do país que chegou perto da morte por causa da doença intestinal que o afastou do poder, em 2006. "Cheguei a estar morto, mas ressuscitei", disse ao jornal mexicano La Jornada. A entrevista também foi publicada no side Cubadebate.


Cubadebate/AP. 26/07/2010

Fidelvoltou a aparecer em público"Já não esperava viver. Me perguntei várias vezes se os médicos me deixariam viver naquelas condições ou me permitiriam morrer. Sobrevivi, mas em condições muito ruins", disse.

De acordo com Fidel, no começo de sua crise de saúde, ficou entubado, recebendo alimentos por sonda e com perdas de memória. "Estendido na cama, apenas olhava ao meu redor, ignorante de tudo. Não sabia quanto duraria aquilo", afirmou.

Fidel disse ainda ter perdido muito peso com a doença. "Cheguei a pesar 66 kg. Imagine. Um cara do meu tamanho pesando 66 kg. Hoje estou entre 85 kg e 86kg. Já caminho um pouco sem ajuda e sem bengala", acrescentou o líder, de 84 anos e com mais de 1,90 m.

Desde que voltou a aparecer em público, em julho, Fidel já contabiliza 30 aparições. Em seus artigos na imprensa cubana, tem se dedicado a abordar o risco de uma guerra nuclear entre os EUA, o Irã e Israel.

O ex-presidente mantém o cargo de primeiro secretário do Partido Comunista cubano e o de comandante em chefe, mas continua afastado das decisões sobre a política interna do país.

Opositor a Chávez morre após oito greves de fome
Opositor a Chávez morre após oito greves de fome

Franklin Brito protestava contra suposta desapropriação de suas terras no estado de Bolívar, sudeste da Venezuela

do Estadão

Reuters/Stringer

Brito protestava contra suposta desapropriação de suas terras, no Estado de BolivarCARACAS - Franklin Brito, um produtor agrícola de 49 anos que manteve sucessivas greves de fome em protesto contra o governo venezuelano faleceu na noite desta segunda-feira, segundo a imprensa local, que cita familiares.

O jornal El Universal informou em sua edição digital que a esposa de Franklin Brito, Elena, declarou que seu marido morreu por volta das 21h locais na segunda-feira (22h30 de Brasília).

De acordo com o jornal, Elena explicou que "os médicos avisaram da morte, mas não deram detalhes". Aparentemente, de acordo com o diário, o produtor teve um enfarte e os médicos não conseguiram reanimá-lo.

Por sua vez, o canal Globovisión publicou um comunicado da família, que assinala que "após uma luta de mais de seis anos, oito greves de fome, a mutilação de um dedo e de ter sido vítima de uma privação de liberdade irregular, o corpo de Franklin Brito deixou hoje (segunda) de realizar funções vitais".

"Tudo isto não significa, no entanto, que Franklin Brito morreu. Franklin vive na luta do povo venezuelano pelo direito à propriedade, o acesso à justiça, pela vida em liberdade e o respeito dos governos aos direitos humanos, coletivos e individuais", ressalta o comunicado.

Desde julho de 2009, Franklin Brito tinha realizado sucessivas greves de fome para protestar pela suposta desapropriação de suas terras no Estado de Bolívar, sudeste da Venezuela.

Em junho, Brito, em greve de fome e sede, começou a receber tratamento de hidratação por parte de médicos da Cruz Vermelha Venezuelana, segundo a imprensa do país.

Na ocasião, o produtor pesava 43 quilos, e os médicos da Cruz Vermelha não puderam fornecer soro via intravenosa por conta de sua extrema magreza, segundo sua filha, Ángela Brito.

Brito tinha iniciado uma greve de sede para exigir que a Cruz Vermelha Venezuelana pudesse atendê-lo, já que não confiava nos médicos do Hospital Militar, onde permanecia desde dezembro contra sua vontade, segundo ele mesmo explicou.

Um tribunal de Caracas autorizou em junho a Cruz Vermelha a atender o produtor, horas depois que o vice-presidente venezuelano, Elías Jaua, disse que havia sido criada uma campanha sobre o caso do produtor agropecuário.

A campanha, segundo Jaua, buscaria "desvirtuar a verdade", e induzir o grevista à morte para que isso fosse entendido como um fato de violação dos direitos humanos por parte do Estado venezuelano.

Brito completou seu primeiro protesto em 10 de maio de 2005, quando, frente a repórteres que convocou em uma praça de Caracas, cortou o dedo mínimo de uma das mãos e ameaçou cortar um dedo a cada semana em protesto contra o governo Chávez.

Brito começou sua greve de fome em meados do ano passado, perante o escritório em Caracas da OEA e suspendeu o jejum em 4 de dezembro, apresentando exigências sobre suas propriedades. Como elas não foram aceitas, reiniciou greves de fome intermitentes.


10% do efetivo da Polícia Federal mexicana é

10% do efetivo da Polícia Federal mexicana é exonerado por corrupção

Governo Calderón ordena processo de revisão e depuração da instituição e demite 3,2 mil

do Estadão

A Polícia Federal mexicana anunciou nesta segunda-feira a expulsão de 3,2 mil agentes suspeitos de corrupção como parte de um processo de "revisão e depuração" de suas estruturas, o que representa quase 10% do efetivo total de policiais. A medida está inserida no contexto da luta contra o narcotráfico no país.

Em entrevista coletiva o comissário geral da Polícia Federal mexicana, Facundo Rosas, informou a abertura de expedientes disciplinares para outros 1.020 agentes da mesma corporação, que são ligados a Secretaria de Segurança Pública (SSP), "especificamente por não terem cumprido os exames de controle de confiança".

Conforme Rosas, em uma primeira fase o conselho federal de desenvolvimento policial decidiu cortar 3,2 mil agentes "com base na lei do Sistema Nacional de Segurança Pública e a partir da publicação da Lei da Polícia Federal", que inclui novas medidas anticorrupção.

Entre os expulsos estão comandantes acusados em 7 de agosto por seus subordinados de ligação com o crime organizado em Ciudad Juárez, a mais violenta do México.

"A segunda etapa inclui o início do procedimento disciplinar para outros 1.020 elementos pelo descumprimento dos requisitos de permanência, especificamente por não terem cumprido os exames de controle de confiança", acrescentou Rosas.

Além disso, 465 policiais têm processos abertos "no conselho federal de desenvolvimento policial de desligamento", o que poderia elevar o número de expulsões.

A medida vem acompanhada "da proibição do reingresso" dos agentes expulsos "a qualquer instituição da policial federal, estatal ou municipal", acrescentou o comissário policial.

"O anterior faz parte do compromisso permanente de consolidar Polícia Federal que torne realidade os princípios constitucionais de legalidade, honradez, eficiência, profissionalismo e respeito aos direitos humanos", disse Rosas.

A decisão faz parte da estratégia de revisão e depuração de uma corporação formada por 34,5 mil agentes na qual o governo de Felipe Calderón depositou parte da responsabilidade da luta contra o crime organizado.

A SSP leva anos tratando de erradicar a corrupção da Polícia Federal buscando contar com um elenco de agentes federais mais confiáveis.

Desde 2006, a violência relacionada ao tráfico de drogas no México deixou mais de 28 mil mortos, a maioria na área fronteiriça com os EUA. O governo destacou 50 mil militares para combater os traficantes.

Império do tráfico
Editorial da Folha de São Paulo

A chacina que vitimou no México 72 imigrantes, na semana passada, entre eles um número ainda incerto de brasileiros, pôs sob holofotes o império da violência associada ao narcotráfico que, em algumas áreas, parece ter escapado por completo ao controle do poder público daquele país.
Quando chegou à Presidência, em 2006, Felipe Calderón decretou guerra aos cartéis da droga, mas até agora ele e o Estado mexicano vêm encontrando sérias dificuldades para vencer.
Ameaçados, os traficantes são cada vez mais audaciosos na defesa de seu território: impõem censura a meios de comunicação, chacinam imigrantes que se negam a cooperar e sequestram e matam políticos e jornalistas.
Com um saldo de mortos que se aproxima dos 30 mil, Calderón já admite publicamente uma discussão sobre a legalização das drogas, anátema para o presidente mexicano até há pouco. É natural que esse tipo de discussão ganhe adeptos no país, mas é inescapável que, antes de tudo, o combate militar ao tráfico se fortaleça.
A missão está longe de ser simples. Nas últimas décadas, com alguma conivência do poder público, o narcotráfico vem se enraizando no país e infiltrando-se nas instâncias que deveriam combatê-lo - do que é prova, aliás, a dispensa de 3.200 agentes suspeitos da Polícia Federal.
Além de medidas para restaurar a credibilidade e a saúde do poder público, o problema pede um envolvimento maior dos Estados Unidos, destino prioritário das drogas que movem o tráfico.
Os EUA são o grande mercado consumidor e proporcionam aos cartéis mexicanos fácil acesso a armas, adquiridas legalmente em seu território. É também no vizinho rico que o narcotráfico lava dinheiro para dar fachada legal a suas operações.
Para impedir que o México continue em seu perigoso avanço rumo a um "narcoestado", o enfrentamento dessas situações deve ser tão prioritário quanto o combate militar aos cartéis.


Rapidinhas


PT deve a gráficas da campanha de Dilma

Partido mandou produzir material impresso da candidata em empresas com as quais ainda tem dívidas de 2006

Total da dívida relativa à reeleição de Lula é de R$ 4,4 milhões; tesoureiro diz que partido negocia valores

SILVIO NAVARRO
da FSP

A campanha de Dilma Rousseff (PT) à Presidência da República mandou produzir seu material impresso nas gráficas que até hoje o PT não pagou pelas dívidas deixadas na reeleição do presidente Lula em 2006.
Juntas, Braspor e Mack Color, ambas de São Paulo, são credoras de R$ 4,4 milhões dos R$ 6,2 milhões que o PT ainda deve na praça, quatro anos depois da campanha de reeleição de Lula.
Os valores constam do último balancete do partido entregue ao Tribunal Superior Eleitoral.
Em Osasco, sede da Braspor, a campanha de Dilma imprimiu pelo menos 7,5 milhões de panfletos intitulados "13 razões para votar em Dilma" e 50 mil cartazes.
O material abastece os principais comitês do país no Sul, Sudeste e em Brasília. O nome da empresa não aparece nos panfletos, que trazem apenas seu CNPJ sombreado na borda.
O mesmo ocorre com a Mack Color, que confeccionou 9,5 milhões de adesivos. O PT deve R$ 1,1 milhão para a empresa desde 2006.
Questionadas sobre o conflito entre os novos contratos de fornecimento e as dívidas do PT, as gráficas não se manifestaram.

NEGOCIAÇÃO
Tesoureiro do PT, João Vaccari Neto limitou-se a dizer que o partido "tem negociado com credores os pagamentos de saldos conforme seu orçamento".
Essa dívida foi assumida pelo partido após a eleição de 2006. Como as contas de Lula fecharam no vermelho, o PT herdou o prejuízo usando um mecanismo chamado "novação" (extinção de uma dívida anterior em troca de uma nova dívida).
Esse tipo de recurso é utilizado porque, após a eleição, o CNPJ usado para captar recursos de campanha é obrigatoriamente cancelado.
Além de Dilma, outros candidatos do PT usaram a gráfica para produzir material, entre eles os ex-presidentes da sigla, Ricardo Berzoini (SP) e José Genoino (SP) e o candidato do PT ao governo paulista, Aloizio Mercadante (PT).




Dilma diz que discussão sobre equipe é "factóide"

da FSP

Em meio à pressão de partidos aliados pela divisão de cargos num eventual governo de Dilma Rousseff (PT), ela negou ontem ter dado início às discussões sobre sua futura equipe, caso eleita.
Dilma classificou de "factóides" especulações sobre nomes para um eventual governo petista.
"Qualquer discussão de nome da minha parte, da minha campanha, é factóide. Desautorizo todas as especulações sobre qualquer cargo, porque não achamos isso politicamente correto. É colocar o carro na frente dos bois."
Dilma negou que tenha sido procurada por aliados já dispostos a discutir a "partilha" de cargos. "Não chegou nenhum partido da minha base para colocar uma questão dessas. Até agora, para mim, essa questão só chegou por meio da imprensa."
A candidata também negou haver disputa dentro de sua coordenação de campanha por espaço num eventual governo, especialmente entre Palocci e José Dirceu.
Dilma acusou José Serra (PSDB) de não honrar sua biografia ao tentar vincular o PT a movimentos radicais.
Ela passou o domingo em Brasília, e gravou programas para o horário eleitoral.
Dilma convocou entrevista para falar de banda larga e prometeu ampliar de 12,2 milhões para 40 milhões os brasileiros com acesso à internet rápida, com preços de R$ 15 a R$ 35 para a baixa renda.
*(GABRIELA GUERREIRO)





Suplentes podem ser um terço do Senado

Hipótese leva em conta candidatos a senador que, após eleitos, devem deixar o cargo no próximo mandato

Além deles, são sete os atuais senadores que concorrem a governador e aparecem em primeiro nas pesquisas eleitorais

ANDREZA MATAIS/GABRIELA GUERREIRO
da FSP

Símbolo da falta de prestígio e força do Congresso no governo Lula, a bancada de suplentes deverá crescer no Senado -justamente a Casa que é considerada prioritária por governistas e oposicionistas nestas eleições.
Sete senadores no meio do mandato que concorrem a governador aparecem à frente nas pesquisas. Se somados aos nomes que são cotados para assumir cargos no Executivo a partir de 2011 e àqueles que já anunciaram interesse de disputar as eleições 2012 e 2014, os "sem-voto" poderão chegar a 25 (quase um terço dos 81 senadores).
A atual legislatura foi marcada pelo número recorde de suplentes -20, maior que a bancada do PMDB. Hoje, são 16 -todos encerram seus mandatos neste ano.
Esses "reservas" foram colocados em cargos estratégicos em CPIs e comissões, como as de Agricultura e de Ciência e Tecnologia, e protagonizaram cenas que ajudaram o Senado a mergulhar numa crise em 2009.
Foi um suplente que o PMDB indicou para comandar o Conselho de Ética quando o presidente da Casa, José Sarney (PMDB), enfrentava sete denúncias por quebra do decoro. Paulo Duque defendeu o colega: "Eu mesmo empreguei mais de 5.000 pessoas nesses anos de vida pública. O empreguismo tem de ser elevado".
Segundo suplente, Duque ganhou quase quatro anos de mandato graças à renúncia de Sérgio Cabral (PMDB), que trocou o Senado pelo governo do Rio de Janeiro.
Outro suplente, João Pedro (PT), foi escolhido para presidir a CPI da Petrobras, fonte potencial de incômodos ao Planalto. Ele não se importou em concluir os trabalhos sem investigar nada.
"A melhor coisa do mundo é ser suplente, é como estar no paraíso", disse Wellington Salgado (PMDB-MG), da tropa de choque governista.
Nestas eleições, tornou-se obrigatório que o titular divulgue no material de campanha os suplentes, que também aparecerão na urna. A novidade fez com que muitos sem-voto saíssem da sombra.
O PT chegou a fazer eleição interna para definir quem ocuparia essas vagas, tradicionalmente destinadas a parentes e financiadores de campanha. Em Pernambuco, Humberto Costa (PT) teve de aceitar como suplente o adversário Joaquim Francisco (PSB), ex-PFL.
O primeiro suplente de Aécio Neves (PSDB-MG), Elmiro Nascimento (DEM) espera assumir o mandato mais adiante. "Daqui a quatro anos, Aécio pode disputar o governo de Minas ou a Presidência." Mas a cadeira pode sobrar para o segundo suplente, Tilden Santiago (PSB), pois Nascimento tende a disputar a Prefeitura de Patos em 2012.





FERNANDO RODRIGUES da FSP

Oposição em 2011
BRASÍLIA - Enquanto as pesquisas mostram o favoritismo de Dilma Rousseff (PT) na eleição presidencial, há dúvidas sobre como será a configuração da oposição a partir de 2011. Não está ainda claro o tamanho da derrota de José Serra (PSDB), se vier mesmo a ser confirmada nas urnas.
Uma coisa é perder no segundo turno, dando trabalho ao concorrente direto. Outra, bem diferente, é levar uma sova acachapante e humilhante já no primeiro turno.
Se Serra de fato perder no primeiro turno, terá dificuldades para continuar a comandar o PSDB. Nessa configuração, o partido tem opções incertas sobre quem será seu líder nacional -e comandante da oposição. A rigor, os tucanos parecem cada vez mais confinados apenas a uma parte do Sul, do Sudeste e ao Estado de Goiás.
Por ora, há mais certeza de vitória do PSDB nas eleições estaduais em São Paulo (com Geraldo Alckmin) e Paraná (com Beto Richa). Em Minas Gerais e em Goiás, a disputa continua intensa e incerta.
Do ponto de vista do peso político nacional, São Paulo e Minas Gerais -os dois maiores eleitorados do país- são preponderantes. Assim, a liderança do PSDB estará entre o paulista Geraldo Alckmin e o mineiro Aécio Neves. É difícil imaginar as seções tucanas do Paraná ou de Goiás influindo de maneira decisiva nos rumos da oposição ao eventual futuro governo Dilma.
Nas últimas semanas, o candidato do PSDB ao governo de Minas Gerais, Antonio Anastasia, reagiu. Está virando uma "Dilma do Aécio" entre os mineiros. Já Aécio está prestes a se eleger como um campeão de votos para o Senado.
Com essas tendências se materializando em 3 de outubro, Dilma terá o melhor dos mundos. Uma oposição debilitada e fracionada por dois estilos de comando. Não há nada tão diferente no PSDB como as formas de atuar de Aécio e Alckmin. O PT e Lula nunca sonharam com cenário tão edulcorado.





Vice do Serra






LULA POR CARLOS VEREZA




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