Evaldo Augusto Torres Alves /editor
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Política

Rapidinhas



''Lula quer Dilma no poder para seguir mandando'', diz fundador do PT

Hélio Bicudo Ex-deputado federal e vice-prefeito de SP na gestão petista
Adriana Carranca
do Estadão

Fundador do PT, deputado federal pelo partido, vice-prefeito de São Paulo na gestão Marta Suplicy, candidato ao Senado e a vice de Luiz Inácio Lula da Silva na disputa ao governo paulista, o advogado Helio Bicudo apoia publicamente a candidata do PV à Presidência, Marina da Silva, nas eleições desse ano. "Lula quer Dilma Rousseff no poder para continuar mandando no País", dispara, sobre a candidata petista.

Afastado do PT desde o escândalo do mensalão, em 2005, o jurista classifica o governo de "autoritário", acusa o presidente Lula de "mirar mais no poder pessoal do que nos objetivos do partido", diz que o Congresso e o Judiciário estão desmoralizados e defende a alternância de poder como indispensável ao estado democrático. "José Serra (PSDB) é um homem competente, mas Marina Silva expressa de forma melhor o ideário de um Brasil igual para todos."

Aos 88 anos, à frente da Fundação Interamericana de Direitos Humanos, Bicudo tem página no Facebook e escreve de próprio punho as notas que publica no Twitter, onde tem 618 seguidores. Nesta entrevista, o jurista fala da mágoa com o partido que ajudou a criar e onde militou por 25 anos. E diz por que, embora ligado aos movimentos sociais da Igreja Católica, seu voto irá para a candidata evangélica.

Marina Silva. "Conheci a Marina como senadora, quando nós organizamos um tribunal para julgar o massacre em Eldorado dos Carajás, no Pará. Ela deu um voto que realmente me emocionou. Mais tarde, num segundo tribunal da terra, em Curitiba, mais uma vez mostrou seu compromisso com os mais pobres. O fato de ser evangélica não muda em nada o meu apoio. Ter uma religião é um caminho importante no traçado da nossa vida. Sou católico praticante e tenho colhido bons frutos dessa fé. Mas, cada um deve encontrar seu credo.

Acho José Serra um homem competente. Plínio (Arruda Sampaio, candidato pelo Psol) é meu amigo e um homem de grande valor, que deixa tudo de lado para atender ao interesse público. Mas, Marina Silva expressa o ideário de um país onde todos são iguais, comprometido com os direitos humanos, não só relacionados à pessoa, mas ao meio ambiente."

Reforma Agrária. "Sou contra a criminalização dos movimentos sociais. Posso estar enganado, mas para mim o MST é o único movimento de massas ainda válido. A gente não sabe até que ponto eles estão envolvidos com o governo federal, mas criminalizar um movimento popular é ir na contramão dos direitos humanos. E acho que Marina não faria isso. Hoje, o MST sabe que não é com a invasão de terras que vão conseguir a reforma agrária, mas com a industrialização do que eles produzem nos assentamentos. E Marina é a pessoa certa para uma política agrária eficiente."

Partido dos Trabalhadores. "Não estou no PT desde 2005. Retirei a filiação porque entendi que o PT não cumpria mais o seu ideário. O que primeiro me advertiu sobre a mudança do partido foi a carta aos brasileiros (documento assinado durante a campanha presidencial de 2002) em que o Lula entregava-se ao neoliberalismo. Veio o mensalão, amoral e antiético. É um equívoco achar que não se pode governar com a minoria, porque Lula podia pressionar o Congresso com o povo. Como diz que não sabia? Lula manda no PT. Esse é um problema. Numa democracia, ninguém pode mandar num partido, se não a sua base. Mas, no Brasil, os partidos têm direção e não base. Ao pedir desligamento do PT, sequer recebi resposta. Ajudei o partido até o fim! Não conta?"

Lula. "É autoritário. Mira mais o poder pessoal do que os objetivos do PT. Me afastei dele. O eixo desse afastamento foi a sindicância interna feita por mim no PT, que enquadrava Roberto Teixeira, compadre de Lula e ele não perdoa ninguém."

Ficha Limpa. "É uma vergonha. A Constituição diz que se deve olhar a vida pregressa do candidato. Mas, a lei resumiu isso a um processo criminal. Vamos continuar tendo bandidos na política. Veja os envolvidos no mensalão. Foram denunciados pelo Procurador-Geral da República. Mas, pela lei, poderiam candidatar-se. E duas decisões dos Ministros do Supremo Tribunal Eleitoral já como a lei será interpretada. Ou seja, não será aplicada. Quando um Presidente da República nomeia 9 Ministros do STF, não há como garantir independência. Nenhum dos planos de governo, aliás, contempla o acesso à Justiça."






Parabéns meus queridos Edmar e Míriam pelas bodas de Rubi, comemorada ontem, entre nossos queridos familiares.





Espanha conquista o mundo pela primeira vez

Seleção espanhola sofre para superar violência holandesa e conquista o título da Copa do Mundo da África do Sul apenas no segundo tempo da prorrogação, com gol de Iniesta

ANDRÉ RIGUE
do Estadão

Iniesta chuta com força para marcar o gol que deu à Espanha o primeiro título de sua história na Copa



O mundo se rendeu aos pés da Fúria. Em jogo dramático, violento e decidido apenas na prorrogação, os espanhóis passaram pela Holanda por 1 a 0 (gol de Iniesta), no Soccer City, em Johannesburgo, e faturaram o título da Copa do Mundo da África do Sul - o primeiro na história da Espanha, que tinha até então como melhor resultado um quarto lugar na Copa do Brasil, em 1950.




''Tenho experiência maior que a da Dilma''




''Tenho experiência maior que a da Dilma''

Christiane Samarco
do Estadão

Escolhido para compor a chapa presidencial com o tucano José Serra, o deputado Antonio Pedro de Siqueira Índio da Costa (DEM-RJ), 39 anos, quer se apresentar ao eleitor do Rio como fiador de uma promessa do candidato: com Serra na Presidência, não haverá "nenhum tipo de risco de arrebentar as finanças" dos Estados e municípios que dependem dos royalties do petróleo.


"O Serra é a garantia de manutenção dos royalties do Rio de Janeiro", afirma em entrevista ao Estado. "A única, porque só ele pode derrotar a Dilma Rousseff", completa, para provocar em seguida: "Para ela tanto faz. A Dilma não tem muita ideia; é um boneco. Está lá só para referendar os interesses do PT e não tem coragem de debater com Serra porque não tem consistência." Apesar da pouca idade - apenas quatro anos mais do que o mínimo exigido por lei para ocupar a Vice-Presidência -, Índio afirma que está maduro para assumir o posto. "Envelheci uns 30 anos depois que passei 10 horas no centro cirúrgico operando um aneurisma cerebral, em 2003. Não perdi minha alegria, mas a sensibilidade aumenta muito e isso faz muita diferença, porque governar é cuidar das pessoas."

Diante das resistências à hegemonia de São Paulo, vai ser difícil pedir voto para um paulista no Rio de Janeiro?

O eleitor é racional. Teremos, pela primeira vez, um vice do Rio. Na hora em que o eleitor vir um vice que tem paixão pelo Rio na chapa, sem dúvida rompe isso. Quando fez o convite, o Serra me disse: "Índio, você na vice será a presença do Rio no meu governo o tempo todo. Terei propostas concretas para o Estado". E, não fossem todas as outras razões, a garantia de que, com Serra, o Rio não perde a receita dos royalties do petróleo já seria suficiente para votar nele.

Mas isto não pode gerar problema com outros Estados?

Não é impossível prestigiar o Brasil como um todo sem sacrificar os Estados produtores de petróleo. O Serra tem competência para encontrar essa fórmula. Os royalties existem para prevenir e compensar os impactos urbanos, sociais e ambientais que a exploração do petróleo acarreta.

O eventual governo Dilma representa risco para o Rio nessa questão?

Não tenha dúvida nenhuma. Basta ver que, quando eu sugeri ao governador Sérgio Cabral que pedisse ao presidente Lula para retirar o projeto de lei do pré-sal, ele discordou dizendo que não teria como fazer isso. Na verdade, era um compromisso do governador com o presidente, que acabou dando no que deu. Tiraram os royalties do Rio e distribuíram para o Brasil inteiro em um gesto demagógico.

O projeto da Lei da Ficha Limpa que o senhor relatou será bandeira de campanha?

É cartão de visitas. Ele diz mais ou menos assim: "Esse cara é sério e, como a gente, não aguenta mais tanta impunidade."

Sua experiência o credencia para ser vice de Serra?

Estou no meu quarto mandato parlamentar, fui secretário de Administração e presidente do Fórum Nacional dos secretários. Quando adotei os sistemas gerenciais na Prefeitura do Rio, as prefeituras do PT copiaram pelo Brasil. Tenho experiência administrativa, política e eleitoral muito maior que a da Dilma.

O sr. não está subestimando a experiência dela no ministério, à frente da Casa Civil?

Se é experiente, porque ela não abre a boca, então? Porque não debate, não participa? A Dilma é um boneco. É uma candidata que vai ficar calada até o final. Ela não está com coragem de participar de nenhum debate porque não tem consistência. Até hoje ela não apareceu em nenhum debate com Serra e, pelo que estão dizendo na campanha do PT, não aparecerá.

Mas o presidente Lula tem 80% de popularidade e diz que a preparou para lhe suceder.

O Lula não preparou a Dilma para nada. Ele está usando a Dilma para continuar no poder com o PT. O povo precisa saber que, nesse cenário, o Lula volta para casa e os mensaleiros do PT permanecem todos no governo, do lado da Dilma e mandando nela. Lula tem ascendência sobre o PT, mas é o PT que tem ascendência sobre ela. O Lula enfrentou quatro eleições até vencer e amadureceu muito. A Dilma, se é que foi síndica, nunca foi vereadora nem foi deputada. Quem não tem vivência política não tem experiência com o contraditório.

Mas ela é apresentada como a coordenadora de um governo aprovado pela opinião pública.

O Lula é muito preparado politicamente e o povo aprova o Lula, mas o governo coordenado pela Dilma é muito ruim. Basta ver a dificuldade que se tem para acessar os serviços públicos, as filas nos hospitais, a má qualidade da educação. Além disso, a máquina inchou e o custo dela é muito mais alto do que deveria ser.

Mas o povo gosta. Para mais de 70% o governo é bom e ótimo.

Na hora que você pergunta ao povo como funcionam a saúde, a educação, o resultado é diferente. E é aí que está a chave para a gente ganhar a eleição. Mostrar que o Lula está bem avaliado e o governo tem a força do nome dele, mas não oferece bons serviços quando se fala em hospital, nas escolas, no transporte. As bolsas são muito boas, mas é preciso oferecer oportunidade para que o beneficiário do Bolsa-Família possa se qualificar, ganhar dinheiro e sair para uma vida melhor, em vez de ficar dependendo do Estado. Isso é necessário até para que o Estado possa ajudar outras pessoas que também estão precisando.

O sr. se sente preparado para eventualmente substituir Serra, que a todo instante exalta seu perfil de administrador experiente?

Além de ser um excelente professor, o Serra tem uma tremenda estrutura. Há quase 50 anos ele monta equipes, e boas equipes. Se o Serra for ficar um mês na China, continuará como se estivesse sentado na cadeira de presidente, igualzinho. Vai despachar por telefone, por e-mail e não vai ter nem problema de fuso horário.

Quais são as semelhanças entre o sr. e Serra?

Em algumas coisas - como na disposição para o trabalho - eu sou muito parecido com o Serra. Só que ele é um intelectual genial, um estudioso, e eu adoro campanha de rua. Entrei em licença na Câmara para me dedicar 100% à campanha e será uma bela parceria. Vamos aliar a fome à vontade de comer.

Qual será o grande trunfo de Serra e do vice nesta campanha?

O grande trunfo do Serra - e modéstia à parte meu também - é saber lidar com a máquina pública para oferecer mais por menos. Em 2003 eu descobri que tinha um aneurisma e operei minha cabeça. Ainda no hospital, resolvi desenvolver um instituto que pudesse pensar maneiras novas de desenvolver políticas públicas. Eu geoprocessei a cidade do Rio inteira. Sei quantas matrículas foram realizadas por escola, qual foi a demanda não atendida, o porcentual de repetência. Ali, pude aproveitar a oportunidade de estar secretário de Administração e testar modelos gerenciais que, não tenho dúvida, ajudarão demais no governo federal.

Serra abre campanha no NE em base do PT


Serra abre campanha no NE em base do PT

Tucano ataca Dilma ao dizer que não faz "jogo sujo" nem "espionagem" e reafirma que dobrará Bolsa Família

Cidades administradas pelo PT estão no roteiro do candidato; Nordeste é a região onde Serra tem o pior desempenho

FÁBIO GUIBU/PAOLA VASCONCELOS
da FSP

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, abriu ontem sua campanha no Nordeste com visitas a quatro municípios cearenses ligados à base de apoio da sua principal adversária, Dilma Rousseff (PT), no Estado.
Na região de pior desempenho eleitoral dos tucanos, Serra fez caminhadas, corpo a corpo e, à noite, participaria de festas populares tradicionais no interior do Ceará.
Em Cascavel (região metropolitana de Fortaleza), cidade administrada pelo PT, o ex-governador de São Paulo reafirmou que vai "dobrar" o Bolsa Família e disse que o programa "não é caro".
O candidato afirmou que a escolha dessas cidades partiu do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). "Não tem área predominante de ninguém. Isso é área do povo."
Escoltado por cabos eleitorais, Serra andou cerca de dois quilômetros por ruas e no meio de uma feira.
Acompanhado por Tasso e pelo candidato ao governo tucano ao Estado, Marcos Cals, ele entrou em lojas, beijou mulheres e crianças e cumprimentou eleitores.
Bem humorado, Serra atacou a campanha do PT, sem citar nomes. "Todo o meu jogo eleitoral é limpo, sem clandestinidade, sem jogo sujo, sem espionagem."
Ele visitaria ainda os municípios de Uruoca, Massapê e Marco, na região norte do Ceará, reduto da família Ferreira Gomes, do governador Cid Gomes (PSB) e seu irmão, o deputado federal Ciro Gomes (PSB), aliados de Dilma.
Cid concorre à reeleição, sem o apoio de Tasso, seu aliado político até o mês passado. O líder tucano rompeu com o governador, após frustradas tentativas de acordo para uma aliança este ano.

O programa de governo de Dilma

O programa de governo de Dilma

SUELY CALDAS
do Estadão

O improvisado programa de governo da candidata Dilma Rousseff é mais criticável pelo que não contém do que pelo seu conteúdo arrependido, que levou à apressada retirada de pontos polêmicos. As 22 páginas do documento repetem o estilo presente nos programas do PT de 2002 e 2006: está mais para uma coleção de desejos e promessas - a maioria reprisada das duas últimas campanhas eleitorais - do que para um texto inovador, capaz de avançar em acertos, corrigir erros e criar novas ações, refletindo o aprendizado e a experiência adquiridos em oito anos de governo. Os principais entraves ao progresso e ao desenvolvimento econômico e social não estão ali. Ou melhor, alguns estão, sim, mas burocraticamente listados ou copiados do passado, sem aprofundar suas causas nem indicar caminhos para superá-los.


Alguns itens omitidos no documento e que são fundamentais para equilibrar as finanças do Estado e garantir o crescimento econômico e o progresso social sem riscos de retrocessos:

Reformas - Foram praticamente ignoradas no texto. A única mencionada - a tributária - recebeu tom mais apropriado a discurso de palanque do que a um programa de governo: "Simplificar os tributos, desonerar a folha de salários, garantir devolução automática de todos os créditos a que as empresas têm direito e acabar com qualquer tributação sobre o investimento." Se o ideário tributário do PT é somente renúncia fiscal, como sustentar um Estado caro e gigante, que o partido defende? Se fosse fácil assim Lula não teria ficado oito anos tentando realizar sua reforma, que terminou raquítica e, assim mesmo, um completo fiasco. As reformas política, previdenciária, trabalhista e sindical nem sequer são citadas no texto. Até as microrreformas concebidas pela equipe do ex-ministro Antônio Palocci, que nada têm de ideológicas, também foram desprezadas. Seu foco era dar eficácia, racionalidade e rapidez à burocracia e às ações de governo, além de propor uma fórmula criativa para desonerar a folha de salários de empresas que usam mão de obra intensiva e para empregados que ganham até três salários mínimos. Dilma Rousseff vive falando em desoneração trabalhista, mas não resgatou essa proposta nem diz como vai fazer.

Investimento - O documento trata do tema de forma superficial e, mais uma vez, usa o estilo desejos e promessas. Diferentemente do investimento produtivo, impulsionado pelo crescimento econômico, projetos de infraestrutura e logística dependem de regras estáveis e eficientes marcos regulatórios. Mas o PT não vai fundo em analisar os entraves que Lula encontrou e outros que criou, como enfraquecer o poder das agências reguladoras e politizá-las com dirigentes não capacitados e indicados por partidos políticos. Os compromissos com a não-interferência política do governo em grandes projetos e com a estabilidade de regras também não figuram no documento. E esses, segundo as empresas, têm sido os principais obstáculos que travam o investimento privado em logística e infraestrutura.

Energia - Genérico, o programa do PT limita-se a prometer a construção de mais hidrelétricas, desenvolver energias alternativas e explorar o pré-sal. Nenhuma palavra sobre um problema que angustia o setor elétrico, inclusive o estatal, porque os investimentos foram completamente paralisados, à espera de uma definição do governo: trata-se das concessões de usinas hidrelétricas que representam 30% da energia do País e serão definitivamente canceladas em 2015. A Constituição de 1988 determina que os novos concessionários serão escolhidos unicamente em licitações. Seria uma chance para implementar um novo modelo para o setor elétrico, integrado com o uso da água, como propôs o ex-presidente da Eletrobrás José Luiz Alquéres. Mas o PT parece não ter proposta alguma.

Dívida - O governo Lula fez crescer tanto a dívida pública que o Brasil passou a ocupar o terceiro lugar entre os países emergentes com maior endividamento, ultrapassado só pela Índia e pela Hungria, segundo pesquisa do Fundo Monetário Internacional (FMI). Enquanto o Brasil tem uma dívida bruta equivalente a 60,1% do Produto Interno Bruto (PIB), a da China é de 20% e a do Chile, de 4,4% do PIB. Se o novo governo não definir um plano de redução gradativa da dívida, a receita tributária continuará a escorrer pelos ralos do pagamento de juros, em vez de suprir as deficiências da saúde, da educação, do saneamento, de investimentos. Apesar da gravidade, o tema é solenemente ignorado no documento do PT.

Corrupção - Oito anos de mensalão, aloprados, dólares na cueca, vampiros e sanguessugas desmoralizaram o discurso anticorrupção do passado e levaram o PT a se retrair e não assumir nenhum compromisso com o combate à corrupção. No programa não há uma só linha mencionando desvios de dinheiro público e outras práticas condenáveis que costumam espalhar-se livremente no serviço público quando não combatidas. Em seu governo, ao contrário, Lula tratou-as com tolerância e perdão.

Educação e saúde - O texto trata de forma genérica, listando ações que são comuns a todos os partidos políticos. Qual candidato é contra "erradicar o analfabetismo"? Nenhum. A diferença estaria em definir metas e prazos para isso ocorrer. Mas o PT não assume nenhum compromisso nessa direção. Menciona vagamente a "melhoria das condições de saúde do povo brasileiro nos últimos anos". Melhoria não percebida por quem enfrenta hospitais públicos e filas de meses, às vezes anos, para consulta e cirurgia. E nada há no texto que garanta maior eficiência no funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS).

Dilma Rousseff disse ter rubricado todas as páginas do programa sem ler. Deveria tê-lo feito. Se o fizesse, constataria, por exemplo, que taxar grandes fortunas não tem nenhum efeito benéfico, está implícito no que Lenin chamou de "esquerdismo, doença infantil do comunismo": não aumenta a receita tributária, atrai a oposição de quem possui bens e só serve para vingança dos radicais contra os ricos. Mas constataria também que ali está o viés estatizante de uma proposta de governo que tem pouca importância para seu guru político, mas tem tudo para selar a aliança da candidata com a esquerda do PT.

Esse é o ponto que pode complicar - e muito - a relação de Dilma Rousseff com seus aliados, caso se torne presidente. Diferentemente de Lula, ela não tem história no PT, muito menos domínio das conflitantes tendências políticas que ali convivem. Lula fez o que quis sem consultar o PT e nas divergências enquadrava a militância. Não será assim com Dilma. Pior ainda quando for ela a enfrentar o fisiologismo do PMDB. Falta-lhe traquejo político para lidar com as demandas por cargos, verbas e favores vindos de Michel Temer, José Sarney, Renan Calheiros, Jader Barbalho, etc.

*JORNALISTA E PROFESSORA DA PUC-RJ


A bolsa dos votos
A bolsa dos votos

Gaudêncio Torquato
do Estadão

Nem bem a campanha eleitoral ganha as ruas, petistas e tucanos afinam as trombetas para anunciar: "A bolsa é nossa." Ambos disputam a paternidade do Bolsa-Família, gigantesco ímã capaz de atrair votos para seus candidatos à Presidência da República. Não seria mais útil se cada partido apresentasse modos de aperfeiçoar esse programa de distribuição de renda, de forma a torná-lo meio, e não um fim em si mesmo? Mas se brigam pela paternidade, qual deve ser apontado como pai do programa-símbolo da era Lula? Sob o amparo bíblico do rei Salomão, vale anotar que ambas as siglas estão por trás da ideia original, eis que exemplos pioneiros e simultâneos de políticas de combate à pobreza foram o Programa de Garantia de Renda Mínima (PGRM) e o Bolsa-Escola, implantados em 1995 e patrocinados, respectivamente, por um tucano, o prefeito Magalhães Teixeira, de Campinas, e pelo então petista Cristovam Buarque, no governo do Distrito Federal. Pouco antes, em 1993, o sociólogo Betinho levantava a bandeira da Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida.


Vieram, depois, os desdobramentos. No ciclo FHC, José Serra criou o Bolsa-Alimentação e o ministro da Educação na época, Paulo Renato Souza, sob a supervisão da antropóloga Ruth Cardoso, instalava o Bolsa-Escola e o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil. A era Lula abriu o malsucedido Fome Zero, que deu lugar à unificação dos programas de distribuição de renda, surgindo assim o Bolsa-Família, hoje poderoso canal que despeja nos lares de 12,4 milhões de famílias (totalizando 49,2 milhões de beneficiários) cerca de R$ 13 bilhões. Feitos os devidos créditos, aos candidatos sobra o desafio de dizer o que e como farão para melhorar a eficácia daquela ação, cujo caráter paternalista é duramente criticado por não apresentar portas de saída do ciclo da pobreza. Os candidatos começam a campanha dizendo que a questão social está no cerne de suas preocupações. A ex-ministra Dilma Rousseff argumenta que a condição para o Brasil galgar o patamar das nações desenvolvidas está na erradicação da miséria. Serra, por sua vez, recebeu de seu partido a proposta de elevar o valor do Bolsa-Família ao teto de R$ 255. Hoje esse valor vai de R$ 22 a R$ 200.

Ora, prometer continuar com o programa ou elevar simplesmente a quantia recebida pelas famílias parecem medidas eleitoreiras. Importa, sobretudo, saber que alternativas os presidenciáveis vislumbram para evitar que o Bolsa-Família se perpetue como moeda de troca nos instantes eleitorais e possa transformar-se em ferramenta de desconstrução do círculo vicioso da exclusão social. É um erro tratar do Bolsa-Família sem considerar outras frentes voltadas para as metas de inclusão e desenvolvimento autossustentável das populações. Deveriam complementar o programa de segurança alimentar ações nas áreas de saúde e educação e políticas de articulação e integração dos setores produtivos das regiões. No tocante à educação, a radiografia da qualidade do ensino no País, exposta com a divulgação do Índice de Desenvolvimento da Educação (Ideb), pode ser o ponto de partida para a construção da ponte que liga a base assistencialista a outros vetores mais centrais da cidadania. O aluno de uma escola pública, como se viu, está três anos atrás do aluno de uma escola particular, mesmo com tempo maior de estudo. Já a qualidade do ensino brasileiro caiu em mais de mil municípios no ano passado, apesar de as médias nacionais terem subido entre 2007 e 2009.

Sem educação de qualidade será mantido o status quo do assistencialismo. Essa é a indicação que passa pela unanimidade dos especialistas. Como disse Mandela, "a educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo". Revolução educacional não é uma utopia. Bom exemplo é Cajuru, cidade de 22 mil habitantes na região de Ribeirão Preto, com orçamento de R$ 33 milhões, dos quais R$ 12 milhões vão para a educação. Cajuru conseguiu a média mais alta do Ideb - 8,6 -, numa escala de 0 a 10, contando com um corpo de 200 professores, 136 dos quais fizeram curso de Pedagogia, e com escolas modernas e bem aparelhadas. Ali não há evasão escolar. O Brasil arcaico, como se pode aduzir, está preso à carcomida estrutura educacional. Neste ponto, cabe arrematar: o desenvolvimento autossustentado do País só ocorrerá quando a população tiver, a partir da educação, acesso ao pleno emprego, à renda e ao consumo.

A iniciativa privada, por sua vez, há de ser convocada para a tarefa de colaborar com os programas de elevação social, principalmente os que buscam inserir as pessoas no mercado de trabalho. Em alguns Estados nascem experiências interessantes. Grupos privados, abrindo uma portinha de saída para o Bolsa-Família, implantam sistemas de seleção de trabalhadores, com perfis predefinidos, dando preferência aos beneficiários do programa. Há casos de pessoas que ganhavam R$ 120 e passaram a ter um salário de R$ 1 mil. No interior de Minas Gerais, no Rio Grande do Sul e em Mato Grosso, essa alternativa passa a ser adotada. Trata-se de iniciativa pioneira que engaja nichos produtivos sediados nas regiões cobertas pelos programas assistenciais do governo. Outros exemplos dão conta da oferta de crédito e assistência técnica a grupos dispostos a iniciar um pequeno negócio. Com a prosperidade do empreendimento as pessoas podem dispensar o benefício. Vale lembrar que em muitos municípios se desenvolve muita resistência à inserção no mercado por causa da cultura de acomodação propiciada pela bolsa. Beneficiários declinam de ofertas de emprego nas municipalidades - serviços de limpeza de ruas, por exemplo - por não desejarem perder o auxílio do governo. Essa é uma faceta dos danos gerados pelo programa. E que, infelizmente, dá vazão ao lamuriento canto de Gonzagão: "Mas, doutô, uma esmola a um homem qui é são ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão." Hoje, mais vicia do que mata de vergonha.


*JORNALISTA, É PROFESSOR TITULAR DA USP E CONSULTOR POLÍTICO E DE COMUNICAÇÃO

Palavras, palavras

LUIZ FERNANDO VIANNA
da FSP


RIO DE JANEIRO - Bárbaro, chocante, terrível. Alguns adjetivos fartamente usados pela imprensa na cobertura do caso Bruno são ambivalentes. Ao menos como gírias, essas palavras também podem ter acepções positivas.
Sabemos que o grotesco é ingrediente que não falta nas receitas da comunicação de massa. O tom frenético (outro adjetivo ambivalente) que marcou nos últimos dias o acompanhamento jornalístico do caso indica como é estreita a separação entre o ímpeto necessário e a compulsão alucinada.
A menção aqui não é ao sensacionalismo de certos programas e jornais, pois ele é figura antiga e, diga-se, já até produziu grandes textos e imagens.
Mas por que uma boa repórter de um canal de TV paga interrompe uma delegada na operação de embarque de Bruno para Minas e faz perguntas sem nexo?
Por que tantas coletivas e exclusivas -sem nenhum contraponto crítico- de um delegado mineiro nitidamente destrambelhado, fascinado por estar gastando sua prosódia constrangedora diante de Ana Maria Braga, Datena e outras potências, e que pôs querosene na alucinação coletiva ao chamar seu principal investigado de "monstro" (mais um ambivalente)?
Por que tanto destaque para gritos de "assassino", se está claro que são dados por gente que só vai às portas de delegacias por estar magnetizada pelos amontoados cada vez maiores de câmeras, e assim realiza a Inquisição da era digital?
A ampliação de modelos de comunicação e a necessidade de tudo se dar agora, ao vivo, com urgência, faz com que já achemos normais esses helicópteros acompanhando comboios de carros de polícia e nós, jornalistas, falando, falando, falando... Ainda há algum controle ou ele está para lá de remoto?
As coberturas são intensas, maciças, arrasadoras. Somos bárbaros, chocantes, terríveis.

Rio, campo minado


FERREIRA GULLAR
da FSP

Rio, campo minado

Qualquer um de nós poderá amanhã voar pelos ares ao passar sobre um bueiro da Light


UM BUEIRO explodiu em plena avenida Nossa Senhora de Copacabana, a umas poucas esquinas de minha casa, e lançou pelos ares um casal de norte-americanos que tinha vindo à cidade maravilhosa a serviço. Estão os dois num hospital, ela com 85% do corpo queimado.
O bueiro que explodiu é da Light, a empresa que fornece energia elétrica à cidade. Sei, por uma conhecida que é médica e atende em hospital público, que esse não foi o primeiro bueiro a explodir, outras pessoas morreram em suas mãos, queimadas por explosões semelhantes, ocorridas na zona norte do Rio.
Só que, como foi na zona norte e as vítimas eram gente humilde, nada se soube. Parece que este é o sétimo bueiro que explode.
A verdade é que nós, moradores do Rio, vivemos em cima de um campo minado. Você, eu, seu filho, qualquer um de nós poderá amanhã voar pelos ares ao passar sobre um bueiro da Light. Como sair desta? Se cabe ao governo fiscalizar o desempenho das empresas para impedir que ocorram coisas assim, por que ocorrem? As empresas subornam os responsáveis pela fiscalização?
A impressão é de que quem deveria defender nossos direitos passou para o lado dos que os solapam. Se empresas e Estado estão unidos contra nós, talvez a saída seja tomarmos as rédeas e fazermos como no caso do Ficha Limpa. Se os que estão politicamente organizados passaram para o outro lado, cabe ao povo desorganizado tomar de volta a autoridade delegada a eles.
Ao prefeito do Rio:
Excelentíssimo prefeito Eduardo Paes, desculpe-me se me dirijo publicamente ao senhor para tratar de assunto tão miúdo. É que lhe escrevi uma carta a respeito e não obtive resposta, mas agora que decidiu agir contra os buracos de rua, meu assunto se torna oportuno, pois, muito embora miúdo, tem enorme importância para as pessoas que residem à rua Sebastião Drumond, no bairro de Anchieta.
Lá mora Maria das Dores da Costa, que trabalha em minha casa e tem um filho inválido, de dez anos, que não fala nem fica em pé. Para levá-lo ao terapeuta, vale-se de uma cadeira de rodas, em que o conduz até a esquina onde passam ônibus e táxis. Na rua dela, não passa nada disso, sabe por quê? Porque a rua é uma vala só, de uma esquina a outra. A bem dizer, não é rua, é um buraco de muitos metros de comprimento. Esse buraco, senhor prefeito, foi se aprofundando e alargando, a cada ano, a tal ponto que já toma quase toda a largura da rua.
Significa que os moradores dispõem atualmente de apenas alguns palmos de chão, ao saírem de casa e irem ao trabalho ou às compras. E cada dia que passa, como o buraco aumenta, há menos chão para pisar, de modo que, em breve, não poderão mais sair de suas casas, porque o buraco terá tomado conta da rua toda. O buraco é grande, mas a rua é relativamente pequena, senhor prefeito. Será que o senhor poderia, num de seus poucos momentos disponíveis, socorrer os moradores da rua Sebastião Drumond, antes que o buraco engula também as próprias casas onde moram?
Peço que releve a ousadia, mas é que, por minha conta, sem ter sido eleito por ninguém, atribuí-me a obrigação de falar por essas pessoas cuja voz ninguém ouve. Espero que desta vez o senhor nos ouça.
* Esta Copa começou chata, mas depois se tornou instigante. No jogo Brasil versus Holanda, tivemos a performance de Felipe Melo, que sozinho fez tudo: deu o passe para o gol de Robinho, fez o gol da Holanda e ainda pisou num adversário para ser expulso e facilitar nossa derrota.
Mas inacreditável mesmo foi o jogo de Paraguai com Espanha, quando um jogador espanhol agarrou pelo braço um adversário até jogá-lo no chão e provocar um pênalti. Vibrei, mas o paraguaio chutou nas mãos do goleiro. E não é que, em seguida, o Paraguai cede também um pênalti ao adversário? Xabi Alonso bateu e fez, mas o árbitro anulou porque houve invasão da área.
Xabi bateu de novo, mas aí o goleiro Villar defendeu. Não dava para acreditar. Foi então que a Espanha invadiu a área paraguaia, Pedro chutou livre, mas, caprichosamente, a bola acertou a trave de novo; mas sobrou para Villa, que também chutou, e ela outra vez bateu numa das traves, depois na outra trave e finalmente entrou! Comecei a rir, parecia um filme dos Trapalhões.
** Lula aprovou a atuação de Dunga. Claro! Yabadabadoo!


Cuba sob pressão
Editorial da Folha de São Paulo

Pressionado em várias frentes, o governo cubano se viu obrigado, nesta semana, a fazer concessões. Promete libertar, até outubro, 52 presos políticos. Ainda assim, 115 pessoas continuarão detidas, por opiniões divergentes às de Fidel e Raúl Castro, nos porões de um regime cruel e anacrônico.
A crise econômica mundial minou as principais fontes de divisas de Cuba. A exploração de níquel e o turismo se viram afetados pela queda dos preços internacionais da commodity e por um fluxo menor de visitantes à "disneylândia da esquerda" e suas paradisíacas praias caribenhas.
Também a Venezuela, principal financiador externo do regime, se vê afetada por problemas econômicos -e reduz sua ajuda à ilha.
Impedida de comercializar com os EUA, Cuba acumula dívidas com a União Europeia, que condiciona apoio e aprofundamento de relações bilaterais a avanços em direitos humanos. Entrou em cena, por fim, o único ator político cubano capaz de impor negociações ao regime: a Igreja Católica.
A libertação dos presos, a pressão europeia e o fortalecimento de instâncias críticas no país são fatos a celebrar. Mas não bastam para precipitar o desenlace da longa crise da ditadura socialista e o advento da democracia.
Pouco mudará na ilha sem que os EUA imponham seu peso econômico ao país. Faz tempo que os entraves comerciais a Cuba, implementados durante a Guerra Fria, se tornaram um instrumento para congelar a história.
O embargo passou a interessar ao castrismo, que o usa como justificativa. Nesse sentido, liberar viagens de americanos à ilha, como prevê projeto em análise nos EUA, poderá representar um passo importante para a mudança.

...primeira aparição pública de Fidel Castro

Fotos mostram primeira aparição pública de Fidel Castro desde 2006


Nenhum meio oficial cubano informou até o momento dessa visita de Fidel Castro


Uma das novas imagens de Fidel Castro, divulgadas pela internet. Reuters





Pelo menos dois blogs de jornalistas cubanos divulgaram hoje na internet fotos do ex-presidente Fidel Castro, que se atribuem a uma recente visita ao Centro Nacional de Pesquisas Científicas de Havana, o que, se for confirmado, representa sua primeira aparição pública desde 2006.

Nenhum meio oficial cubano informou até o momento dessa visita de Fidel Castro, que teria acontecido na quarta-feira passada, segundo esses sites, que colocam várias fotos do ex-presidente tiradas com um telefone celular.

Nelas se vê Fidel Castro vestido com roupa esportiva branca e conversando com várias pessoas.

As imagens são as mesmas em ambos os blogs e em um deles é acompanhado de um texto de autor desconhecido que assinala que Fidel Castro "está magro, mas parece bem".

Cuba amplia lista de opositores que serão soltos
Cuba amplia lista de opositores que serão soltos

Ao todo, 17 de uma relação de 52 presos serão enviados 'em breve' à Espanha, diz Igreja Católica; 3 dissidentes já teriam sido levados ontem a Havana

do Estadão

Subiu para 17 o número de presos políticos cubanos que devem ser enviados, a qualquer momento, para o exílio na Espanha, anunciou ontem o arcebispado de Havana. A Igreja Católica havia anunciado na quarta-feira que apenas cinco opositores seriam liberados "proximamente". Segundo a agência France Presse, ontem à noite 3 dos 17 dissidentes já estavam a caminho de Havana para serem soltos.

A libertação desses opositores deve ser o primeiro passo de um amplo acordo que soltará, em até quatro meses, 52 presos de consciência do regime cubano. Todos os dissidentes beneficiados foram detidos em 2003, na onda de repressão que ficou conhecida como "Primavera Negra". Se lavada adiante, essa será a maior libertação de presos cubanos desde 1998, quando 299 foram soltos após a visita do papa João Paulo II a Havana.

O acordo da semana passada foi firmado sob mediação do chanceler espanhol, Miguel Ángel Moratinos, que viajou a Cuba, e do arcebispo de Havana, Jaime Ortega. Ontem Moratinos disse esperar que os 17 dissidentes cubanos desembarquem na Espanha "a partir de segunda-feira".

De acordo com a France Presse, o opositor José Luis Paneque telefonou ontem para sua família dizendo que estava sendo levado para Havana, de onde embarcaria rumo à Espanha. Um ônibus buscaria os parentes do dissidente que quisessem acompanhá-lo no exílio. Outros dois opositores também já teriam sido retirados de suas prisões.

A Igreja cubana anunciou ontem pela manhã que, além dos cinco dissidentes cuja libertação havia sido prometida na semana passada, outros cinco seriam soltos em breve. Horas depois, o arcebispado voltou a elevar a cifra, dizendo que, ao todo, 17 dissidentes seriam enviados ao exílio.

Em resposta ao acordo anunciado na quarta-feira, o opositor Guillermo Fariñas encerrou a greve de fome que mantinha havia 135 dias. Segundo seus médicos, porém, Fariñas ainda encontra-se em estado grave e corre risco de morte.

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