Evaldo Augusto Torres Alves /editor
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Política

Rapidinhas


Elite política tentou dar golpe no governo, diz Lula
No primeiro comício no Nordeste, presidente se compara a Jesus Cristo

Dilma afirma que desde 1989 os adversários usaram o discurso do "medo" para evitar que Lula fosse presidente

SIMONE IGLESIAS
da FSP

No primeiro ato de campanha oficial no Nordeste, em Garanhuns (PE) com a sua candidata Dilma Rousseff, o presidente Lula disse que a elite política tentou tirá-lo do poder depois do mensalão, em 2005.
Já a petista disse que, desde 1989, quando Lula disputou a primeira eleição, tentaram impedir que ele chegasse à Presidência usando o discurso do "medo".
"Nós somos aqueles que fazem, eles são os que podiam fazer mais e sempre fizeram menos (...) Desde 1989, nossos adversários sempre escolheram o medo. Disseram que tinham medo do Brasil que Lula queria construir", disse.
Dilma afirmou que tem orgulho de Lula ter lhe escolhido para ser sua sucessora.
Segundo o presidente, como a tentativa de golpe em 2005 foi frustrada, derrubaram Severino Cavalcanti da presidência da Câmara.
Severino chegou ao posto em 2005 ao derrotar o petista Luís Eduardo Greenhalgh. Renunciou após o surgimento de denúncias de ter recebido propina para manter aberto, irregularmente, um restaurante na Câmara.
"Nessa campanha a gente não quer só ganhar eleição, mas amadurecer politicamente", disse Lula, olhando para Severino na plateia. "Meu querido companheiro Severino, a elite da Câmara o elegeu presidente para você fazer o jogo sujo que ela queria, mas não tinha coragem de fazer, que era pedir meu impeachment em 2005."
"Meu corpo estaria mais arrebentado que o corpo de Jesus Cristo depois de tantas chibatadas", disse, se referindo a críticas que sofreu da oposição em seu governo.
Referindo-se a 2005, disse: "O que tentaram fazer comigo, fizeram com Getúlio [Vargas] e ele deu um tiro no peito. O que tentaram fazer comigo fizeram com Jango [João Goulart], que teve que sair do Brasil. O que não sabiam, é que Lula era milhões de Lulas espalhados pelo país", afirmou ele



Disputa no Paraná começa com empate entre Richa e Osmar Dias

da FSP

A disputa pelo governo do Paraná começa com empate técnico na liderança entre os candidatos Beto Richa (PSDB) e Osmar Dias (PDT). Segundo o Datafolha, o tucano tem 43% das intenções de voto, e o pedetista, 38%.
Como a margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais para mais ou para menos, não é possível afirmar que um dos concorrentes esteja isolado na frente.
O candidato do PV, Paulo Salamuni, aparece com 1%, e os demais não pontuaram. Não sabem quem escolher 14% dos eleitores, e outros 3% dizem que pretendem votar nulo ou em branco.
O levantamento mostra que o Paraná está dividido geograficamente entre os principais candidatos ao governo. Em Curitiba e na região metropolitana, Richa lidera a disputa por 65% a 22%. A situação se inverte no interior, onde Osmar venceria por 45% a 35%.

RENDA E ESCOLARIDADE
O tucano tem melhor desempenho entre os eleitores com maiores índices de renda e escolaridade. Nas famílias com rendimentos acima de dez salários mínimos, por exemplo, ele lidera por 61% a 32%. A disputa está equilibrada entre os mais pobres e os que estudaram menos.
Os dois principais concorrentes apresentam índices baixos de rejeição. Dos eleitores ouvidos pelo Datafolha, 15% dizem que não votariam de jeito nenhum em Osmar, e 12%, em Richa




Hélio Costa abre 26 pontos em Minas

Pesquisa mostra que indecisos são 23% do eleitorado; atual governador, Anastasia tem 18% das preferências

Com 44%, ex-ministro lidera exceto entre os de renda familiar acima de 10 mínimos; rejeição de tucano é 4 pontos maior

LUCIANA COELHO
da FSP
O ex-ministro Hélio Costa (PMDB) lidera a disputa pelo governo de Minas Gerais com 26 pontos de vantagem sobre o atual titular do cargo, Antonio Anastasia (PSDB), mostra a primeira pesquisa do Datafolha no Estado desde o lançamento das campanhas.
Segundo o instituto, mais eleitores em Minas se dizem indecisos -23%- do que optam pelo atual governador.
Ex-senador pelo Estado e ex-ministro das Comunicações, Costa tem 44%.
Anastasia, que assumiu o governo após a renúncia de Aécio Neves para disputar o Senado, em 31 de março, tem 18% das preferências.
Em um distante terceiro lugar, empatam com 2% os candidatos Professor Luis Carlos (PSOL) e Vanessa Portugal (PSTU), enquanto Edilson Nascimento (PTdoB), Fabinho (PCB), Pepê (PCO) e Zé Fernando Aparecido (PV) surgem com 1%.
Afirmam que anularão o voto 7% dos entrevistados.
Costa supera Anastasia em todos os segmentos da população examinados, exceto no dos eleitores de renda familiar acima de dez salários mínimos, quando o tucano tem 47% das preferências contra 31% do adversário.
A vantagem do peemedebista é menor entre aqueles com curso superior completo (38% contra 32% das preferências) e chega à sua maior amplitude entre os eleitores de 35 a 49 anos (49% a 14%).
Já a performance de Anastasia é ligeiramente melhor do que sua média entre quem tem até 34 anos.
Apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Hélio Costa se sai melhor entre o eleitorado do PMDB (63%) e do PT (54%). Anastasia tem o apoio de 43% dos simpatizantes do PSDB e de 22% dos que se dizem peemedebistas.
Todos esses dados se referem a respostas estimuladas. Quando levadas em conta apenas as respostas espontâneas, no entanto, Costa é preferido por 10% dos entrevistados, e Anastasia, por 7%.
Aécio, que concorre ao Senado, ainda é citado por 4% dos eleitores nesse cenário -eram 9% em pesquisa realizada em dezembro do ano passado.

REJEIÇÃO
Os índices de rejeição em Minas são relativamente uniformes, na margem de erro.
O atual governador tem rejeição maior do que a do ex-ministro -14% contra 10%. O maior índice é do candidato do PCO, Pepê, citado por 19% dos ouvidos. O menor é do candidato do PT do B, Edilson Nascimento, 8%.
A pesquisa ouviu 1.269 eleitores em 52 municípios entre a última terça e ontem. A margem de erro é de três pontos percentuais para cima ou para baixo.




Cabral aparece 35 pontos à frente de Gabeira no RJ

BERNARDO MELLO FRANCO
da FSP

Se a eleição fosse hoje, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), seria reeleito ainda no primeiro turno. Ele tem 53% das intenções de voto, contra 18% de Fernando Gabeira (PV), aponta o Datafolha.
A diferença de 35 pontos entre os principais candidatos ao Palácio Guanabara indica que a disputa no terceiro maior colégio eleitoral do país pode ser encerrada no dia 3 de outubro.
De acordo com o levantamento, os demais concorrentes somam apenas 8% das intenções de voto. Cyro Garcia (PSTU) e Eduardo Serra (PCB) têm 3% cada um. Mais atrás estão Fernando Peregrino (PR) e Jefferson Moura (PSOL), com 1% cada um.
Não sabem quem escolher 12%, e outros 9% pretendem votar nulo ou em branco.
Cabral lidera com mais folga no interior, onde bateria Gabeira por 56% a 14%. Na região metropolitana, eles aparecem com 52% e 20%, respectivamente.
O melhor desempenho do candidato do PV é na capital, onde ele chegou ao segundo turno da eleição para a prefeitura em 2008. Lá, Gabeira alcança 25%, e Cabral, 48%.
Os números mostram que o peemedebista foi beneficiado pela desistência do ex-governador Anthony Garotinho (PR), que concorrerá a deputado federal e ainda não conseguiu transferir suas intenções de voto para Peregrino.
A rejeição a Gabeira é o maior obstáculo à realização de segundo turno no Estado. Dos eleitores ouvidos, 31% disseram que não votam de forma alguma no verde. Cabral tem 18% de rejeição.
Além de contar com a máquina do Estado, o governador diz ter o apoio de 91 dos 92 prefeitos fluminenses -incluindo o da capital, Eduardo Paes (PMDB). Ele também está aliado ao presidente Lula e à presidenciável Dilma Rousseff (PT).




Alckmin venceria no 1º turno em SP

Tucano tem 49% das intenções de voto em pesquisa Datafolha; Mercadante está em segundo lugar, com 16%

Maior vantagem do ex-governador é entre os mais jovens; petista tem desempenho pior no eleitorado feminino

da FSP

Se as eleições para governador de São Paulo fossem hoje, Geraldo Alckmin (PSDB) venceria já no primeiro turno e seria reconduzido ao cargo que ocupou entre 2001 e 2006.
Segundo pesquisa Datafolha realizada entre os dias 20 e 23, o tucano tem 49% das intenções de voto. Seus adversários no Estado, somados, chegam a 33%.
Aloizio Mercadante (PT) aparece em segundo lugar na pesquisa, com 16% das intenções de voto.
Em terceiro está Celso Russomano (PP), com 11%, e em quarto aparece Paulo Skaf (PSB), com 2%. Depois vêm Fabio Feldmann (PV), Mancha (PSTU), Paulo Búfalo (PSOL) e Anaí Caproni (PCO), todos com 1% das intenções de voto. O candidato Igor Grabois (PCB) tem 0%.
Os que dizem querer votar em branco ou nulo somam 6%, e 13% afirmam ainda não saber em quem votar.
O Datafolha realizou 2.083 entrevistas em 58 municípios do Estado de São Paulo. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
De acordo com o levantamento, o candidato que tem a maior rejeição é Mancha: 21% dos eleitores dizem que "não votariam nele de jeito nenhum". Logo atrás aparece Mercadante, rejeitado por 20% do eleitorado paulista.
Líder na pesquisa, Alckmin aparece com rejeição de 14% dos eleitores do Estado.
Ex-governador de São Paulo, Alckmin leva maior vantagem no interior do Estado, onde tem 53% das intenções de voto, contra 14% de Mercadante. Na capital, o tucano aparece com 48%, e o petista, com 19%.
A maior vantagem de Alckmin é entre os mais jovens: 61% dos eleitores que têm entre 16 e 24 anos declaram intenção de votar no tucano, contra 8% que dizem querer votar em Mercadante.
Entre os que têm ensino superior, Alckmin tem 55% das intenções de voto, e Mercadante, 18%. O tucano também tem melhor desempenho entre os mais ricos (acima de dez salários mínimos): 58% contra 19% do petista.
Se Alckmin tem votação parecida entre homens e mulheres (50% e 49%, respectivamente), Mercadante vai melhor no eleitorado masculino (20%) do que no feminino (12%).
* (UIRÁ MACHADO)



As cigarras e as formigas


FERNANDA TORRES
da FSP

As cigarras e as formigas

Foi o tempo em que direita e esquerda se opunham de maneira definida

É COMUM O USO DE insetos para simular o comportamento de grandes massas populacionais. Em um curioso experimento, biólogos contabilizaram uma proporção de 50% de formigas trabalhadoras para outra metade de preguiçosas em um formigueiro. Pacientes, removeram uma a uma as que tinham alma de cigarra deixando apenas as meritórias operárias no terreiro.
Tempos depois, perceberam que algumas trabalhadoras diminuíram seu rendimento e, não durou muito, constataram surpresos que o formigueiro havia se dividido novamente, meio a meio, entre cigarras e formigas. Alguma regulação maior agiu sobre a personalidade dos indivíduos para que o equilíbrio do grupo voltasse a se estabelecer.
Já foi o tempo em que a direita e a esquerda, a situação e a oposição, as cigarras e as formigas se opunham de maneira definida. Fosse lá qual fosse sua crença, era fácil saber em quem votar e contra o que lutar.
Em outubro, com ou sem Marina, a corrida eleitoral será decidida entre dois candidatos de esquerda. A esquerda USP e a esquerda ABC.
Não existe nada parecido com a USP ou com o ABC por aqui onde eu moro para me explicar o porquê da síndrome de Caim e Abel que se abateu sobre esses dois partidos. Seria alguma forma de imposição biológica?
O PT é, hoje, o partido mais coeso do país. Para os seus, quem não é PT é cigarra e merece passar o resto dos dias no frio inverno da oposição. Às formigas, o formigueiro!
Se Dilma chegar na frente e Lula, irresistível do jeito que é, decidir se recandidatar junto com a Copa de 2014, o PT tem a chance de ocupar o Palácio da Alvorada por 20 anos consecutivos. Um detalhe que faz refletir. É salutar a alternância no poder, especialmente quando não há facínoras no páreo.
Durante a cerimônia de posse de Lula em 2003, tive a estranha impressão de que Fernando Henrique preferia passar a faixa para Luiz Inácio e não José Serra.
Talvez pela vontade de provar que, além da estabilidade econômica, havia feito o Brasil cumprir seu destino democrático. Apesar da rivalidade agravada, creio que Lula não se envergonharia de ceder seu lugar para um homem com o histórico político de Serra.
O PT não virou as costas para as conquistas do governo tucano e duvido que qualquer candidato eleito abandone as lições da passagem de Lula pelo Planalto. Um partido completa o outro e ambos enfrentaram incoerências imperdoáveis durante seu reinado.
Não acredito em tragédias anunciadas. Enquanto permanecermos laicos, democratas e longe da bancarrota será possível alimentar planos para o futuro. Nasci em 1965, um ano depois da ditadura, cresci durante a decapitação de zeros inflacionários e enfrentei oito anos de populismo messiânico no governo do Rio. Qualquer opção já me parece milagre.
O que o teste com formigas não acusou, foi a brilhante saída do DEM e do PMDB. Esses não conseguiram, ou acharam menos vantajoso, disputar a Presidência e se garantiram na posição de vice. Em apenas duas semanas, Indio da Costa se provou um falastrão perigoso e Temer merece o crédito da discrição.
Os dois partidos, que já lutaram furiosamente para estar à frente do poder, encontraram uma estupenda forma de ser cortejados por todo e qualquer governo, seja ele de esquerda ou de esquerda. As mariposas imperam e operam.

Serra e Dilma continuam empatados,


Serra e Dilma continuam empatados, diz Datafolha

Tucano tem 37%, e petista, 36%; candidatos oscilam na margem de erro

Marina Silva vai a 10%; na pesquisa espontânea Dilma lidera, com 21%, contra 16% de Serra; 2º turno tem estabilidade

FERNANDO RODRIGUES
da FSP

Na terceira semana oficial da campanha, José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) seguem empatados na corrida presidencial. O tucano está com 37% contra 36% de Dilma, mostra o Datafolha. A pesquisa foi realizada entre os dias 20 e 23, com 10.905 entrevistas em todo o país. A margem de erro é de dois pontos, para mais ou para menos.
Na última pesquisa, de 30 de junho e 1º de julho, Serra havia registrado 39%, contra 37% de Dilma. Ambos oscilaram negativamente, mas dentro da margem de erro. Marina Silva (PV) tinha 9% e agora foi a 10%.
Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) pontuou pela primeira vez nesta eleição, marcando 1%. Zé Maria (PSTU) também tem 1%. Outros quatro candidatos de partidos pequenos que concorrem a presidente foram incluídos na pesquisa, mas não atingiram 1%.
O Datafolha continua a captar uma estabilidade no número de eleitores indecisos ou que votam em branco ou nulo: 4%, o mesmo percentual do último levantamento. Os indecisos são 10%, contra 9% no levantamento anterior.
Numa simulação de segundo turno, o cenário repete o de maio, com Dilma numericamente à frente de Serra, mas dentro da margem de erro: a petista tem 46% contra 45% do tucano.

ESPONTÂNEA
Na pesquisa espontânea, quando o entrevistado responde em quem pretende votar sem ver a lista de candidatos, o resultado é favorável a Dilma Rousseff. Ela tem 21% e se manteve estável em relação aos 22% da outra pesquisa. Já Serra tinha 19% e recuou para 16%.
A petista também tem potencialmente a seu favor as respostas dos 4% que declaram querer votar no presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Outros 3% respondem ter intenção de escolher o "candidato do Lula" e 1% quer um "candidato do PT". Na sondagem sobre intenção de voto espontânea, os indecisos são 46%, contra 42% no início do mês. Marina Silva (PV) tem melhorado sua marca lentamente: 2% em abril, 3% em maio e junho, e, agora, foi a 4%.
Há também um quadro de poucas mudanças na rejeição dos candidatos. Os que não votariam no ex-governador "de jeito nenhum" são 26% (eram 24% da última pesquisa).
Dilma tem 19% (antes o percentual era 20%). Entre os candidatos mais competitivos, Marina é a menos rejeitada apenas 13%). Na divisão do voto por regiões do país, não houve também inversão de posições. O tucano lidera no Sul e no Sudeste. Dilma ganha no Nordeste e no Norte/Centro-Oeste.


O fator Lula


FERNANDO RODRIGUES
da FSP

O fator Lula

BRASÍLIA - A nova pesquisa Datafolha, finalizada ontem, indica novo empate técnico entre os dois principais concorrentes ao Palácio do Planalto. No final de junho, José Serra (PSDB) tinha 39% contra 37% de Dilma Rousseff (PT). Agora, o tucano aparece com 37% e a petista tem 36%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, os dois não saíram do lugar do ponto de vista estatístico.
O que aconteceu de relevante na política nacional desde o final de junho? Nada, exceto fatos com repercussão na micropolítica. Por exemplo, houve o caso do candidato a vice-presidente na chapa tucana, o deputado Indio da Costa, acusando o PT de ligações com o narcotráfico. Também ficou cada vez mais evidente a ocorrência de um crime na quebra do sigilo fiscal do dirigente do PSDB Eduardo Jorge. Ficou próxima de zero a influência desses episódios na massa de 135 milhões de eleitores.
O mais notável nos últimos cerca de 20 dias foi não ter havido propaganda de TV para nenhum candidato. Dilma e Serra passaram a seco. Nas últimas semanas, foram eles mesmos, órfãos das luzes e da assepsia dos comerciais.
A propaganda eleitoral em rádio e TV só começa na segunda quinzena de agosto. A lógica até agora foi simples: 1) Serra ficou, apesar de variações sazonais, com uma pontuação média próxima de 35%; 2) Dilma cresceu nas pesquisas todas as vezes em que apareceu de maneira intensa ao lado de Lula.
A pesquisa Datafolha de hoje reforça a lulo-dependência de Dilma e a incapacidade de Serra de ampliar seus percentuais -afinal, o tucano nunca caiu muito, mas jamais subiu de forma robusta depois de se expor na TV.
A disputa segue aberta. A ausência de Lula nas TVs ao lado de Dilma será suprida em agosto. No início de setembro, será possível saber se a petista mantém sua curva ascendente ou se a transferência lulista chegou perto do teto.


Mais uma crise


Editorial da Folha de São Paulo


Mais uma crise

Uribe faz último ataque, e Hugo Chávez, maior fator de instabilidade da região, encena risco de conflito para encobrir problemas internos

É do interesse do presidente Hugo Chávez -e, em grau menor, de seu colega Álvaro Uribe-o novo capítulo da crise política entre Venezuela e Colômbia.
Anteontem, em Washington, representantes de Bogotá apresentaram à Organização dos Estados Americanos o que alegam ser provas de que Caracas oferece abrigo a 1.500 guerrilheiros das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e do ELN (Exército de Libertação Nacional). Ato contínuo, Chávez anunciou o rompimento de relações diplomáticas com o país vizinho e determinou "alerta máximo" na fronteira.
Às vésperas de um decisivo pleito para renovar a composição da Assembleia Legislativa, a ser realizado em setembro, e distante dos tempos de auge de sua popularidade, o mandatário venezuelano tenta desviar os olhos do país ao encenar, com seu conhecido talento de bufão, a ameaça de um conflito militar com o vizinho.
Enquanto Chávez recusa-se a dar explicações e insiste em táticas diversionistas, a democracia venezuelana vai sendo dizimada e a população enfrenta os efeitos da incompetência do governante em matéria econômica: o PIB do país recuou quase 6% no primeiro trimestre e os preços, até maio, já acumulavam alta de 14%.
Álvaro Uribe fez do episódio o que deve ser seu último gesto público de ataque às Farc e a Chávez. O líder colombiano, após ver rechaçada pela Justiça sua tentativa de concorrer a um terceiro mandato, transferirá o cargo a seu ex-ministro Juan Manuel Santos daqui a duas semanas. Reforça, com as acusações, sua reputação de "linha-dura" com a narcoguerrilha.
Uribe deixará a Presidência com aprovação acima de 70% e resultados incontestáveis. Sua gestão foi um divisor de águas. Sob seu governo, cidadãos colombianos recuperaram direitos elementares, como o de se locomover pelo país, a segurança aumentou, a economia cresceu, o turismo floresceu e amplas parcelas do território foram retomadas das Farc.
O conflito com Hugo Chávez, que mantém relações no mínimo ambíguas com a guerrilha, trouxe um alto custo econômico. A Colômbia, tradicional exportadora de bens manufaturados para os venezuelanos, viu o comércio com aquele país cair pela metade.
Esse é um dos motivos apontados por analistas para que a crise seja solucionada com a posse de Santos. Interessa ao novo presidente reforçar laços diplomáticos e comerciais com os países da região -e ele já deu sinais de que pretende promover alguma distensão com o vizinho bolivariano.
São mais do que razoáveis as preocupações colombianas com a possibilidade de Chávez oferecer cobertura às Farc. A crítica fácil aos laços da Colômbia com os EUA ignora que, por décadas, governos latino-americanos assistiram, indiferentes, alguns até com simpatia, ao avanço da guerrilha. A quem os colombianos deveriam recorrer em busca de apoio?
É inevitável que o Brasil se apresente como candidato a mediar o conflito e contornar a crise. É o que precisa ser feito. Para obter sucesso, no entanto, a diplomacia brasileira precisa conquistar a confiança da Colômbia, abalada por demonstrações de apreço de representantes do governo Lula ao principal fator de instabilidade da região, que é Hugo Chávez.

...Hugo Chávez é o causador da instabilidade


Para Serra, Hugo Chávez é o causador da instabilidade

EVANDRO FADEL
do Estadão

O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, foi questionado por jornalistas hoje, em Blumenau (SC), sobre como agiria no caso da crise entre Venezuela e Colômbia, que romperam relações diplomáticas. Serra respondeu que o Brasil tem que desempenhar papel de intermediação na paz da América Latina e, especialmente, na América do Sul. O candidato afirmou também que a instabilidade é causada pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

"Diante de denúncias que para ele são difíceis de rebater, preferiu criar um factoide, que foi a questão da ruptura diplomática", disse, em referência às acusações do governo colombiano de que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) atuam na Venezuela. "Mas tem que se procurar uma solução pacífica que evite conflitos na América do Sul. Em princípio, vale trabalhar para evitar conflitos em todo mundo, mas muito especialmente nas nossas fronteiras. Convenhamos que isso está por ser mais prioritário ainda," acrescentou.

Serra também criticou a política internacional adotada pelo governo federal. "Gastou muito tempo numa ação que não deu em nada, só deu desgaste para o Brasil com relação ao Irã, que é muito distante daqui". Segundo ele, seria melhor que o governo tivesse empregado os esforços na pacificação dos países banhados pelo Oceano Pacífico na América do Sul. "Isso teria sido, a meu ver, a tarefa fundamental. E tem que fazê-lo agora."


Polêmicas e propostas

Retomando a discussão levantada recentemente pelo seu vice, deputado federal Indio da Costa (DEM-RJ), Serra voltou a se referir à guerrilha colombiana. "Há um elemento que atrapalha, que é a ligação do PT com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc)", afirmou. "É preciso deixar essa coisa de lado e ter um papel efetivo nessa pacificação."

Serra também disse que estava anunciando em Santa Catarina que as duplicações da BR-101 e da BR-470 serão prioridade, caso seja eleito. "Não estou fazendo uma promessa ou assumindo um compromisso, estou fazendo um anúncio", ressaltou. "Essa questão é fundamental, é prioritário fazê-lo não só para Santa Catarina, é para o Brasil porque aqui escoa boa parte da produção que é exportada." Segundo ele, a colocação de recursos não será problema. "Até o começo de junho, foram arrecadados R$ 500 bilhões", disse. "A arrecadação é coisa fantástica, trata-se de gastar bem o dinheiro, escolher bem as prioridades."

PT corta citação de Dilma e finaliza resposta ...
PT corta citação de Dilma e finaliza resposta ao PSDB

Texto deverá ser divulgado por dez dias em site tucano e responde às declarações de Índio da Costa (DEM), vice de Serra, vinculando o partido ao tráfico de drogas

DENISE MADUEÑO
do Estadão

O PT finalizou o texto a ser divulgado durante dez dias no site tucano "Mobiliza PSDB" em resposta às declarações do candidato a vice na chapa de José Serra, Indio da Costa (DEM-RJ), vinculando o partido ao tráfico de drogas. O PT tentará entregar amanhã, na sede do PSDB em Brasília, o direito de resposta obtido na Justiça Eleitoral. "O PT condena o terrorismo e rejeita a violência política contra qualquer cidadão, no Brasil ou fora do País. O PT, por meio de suas administrações municipais, governos estaduais e, especialmente, na Presidência da República, combate com firmeza a violência, o tráfico de drogas e o crime organizado, onde quer que ele se manifeste", diz o texto.

Ao contrário da primeira versão, o direito de resposta não cita o nome da candidata petista à Presidência da República, Dilma Rousseff. Inicialmente, o partido tinha encaminhado um texto à Justiça Eleitoral fazendo referências à campanha de Dilma, mas foi vetado pelo ministro Henrique Neves do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que concedeu o direito de resposta.

O advogado do PT, Márcio Silva, reconheceu que a referência à candidata Dilma estava sobrando no texto e o partido alterou a redação para que o direito de resposta não fosse desvirtuado. O texto aprovado nesta sexta-feira, 23, pela Justiça Eleitoral faz menção à criação do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) pelo governo federal e à vigilância nas fronteiras. "Em nenhum outro governo a Polícia Federal recebeu tanto apoio e atuou com tanta eficácia contra o crime organizado", diz.

A resposta do PT terá de ser exposta na página de abertura do site mantido pelo PSDB por dez dias ininterruptos. Para conceder o direito de resposta, o ministro considerou que as declarações de Indio da Costa tinham evidente tom ofensivo, as acusações foram graves e tiveram grande repercussão nos diversos meios de comunicação e, ainda, que na eleição de 2002 o TSE já havia considerado ofensivo um comportamento semelhante do partido.

O candidato a vice na chapa do tucano José Serra disse, em entrevista na sexta-feira da semana passada no site, que "todo mundo sabe que o PT é ligado às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), ligado ao narcotráfico, ligado ao que há de pior. Não tenho dúvida nenhuma disso".

No texto, o PT diz ainda que a legenda "se relaciona com partidos políticos progressistas, socialistas e democráticos de todo o mundo, num diálogo pela cooperação entre os povos e pela paz mundial. Não pede nem aceita nada que possa ferir nossa soberania". O partido afirma também que é "sustentado exclusivamente pela contribuição de centenas de milhares de filiados e pelos fundos públicos constituídos em lei".

Acusações da Colômbia sobre Venezuela...
Acusações da Colômbia sobre Venezuela devem ser levadas a sério, dizem EUA

Departamento de Estado diz que Caracas deve honrar compromissos e rejeitar guerrilhas

do Estadão

WASHINGTON - As denúncias da Colômbia sobre a presença de chefes guerrilheiros na Venezuela devem ser "levadas muito a sério", comunicou nesta sexta-feira, 23, o Departamento de Estado dos EUA, segundo informações da agência de notícias AFP.


"As acusações da Colômbia devem se consideradas com seriedade. A Venezuela tem uma obrigação com a Colômbia e com a comunidade internacional para investigar completamente esta informação e atuar para prevenir o uso de seu território soberano por grupos terroristas", indicou o Departamento de Estado por meio de comunicado.

A Colômbia denunciou a presença de chefes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e do Exército da Libertação Nacional (ELN) na Venezuela. Na quinta, Bogotá apresentou imagens de 1,5 mil supostos guerrilheiros em território venezuelano.

As acusações levaram ao acirramento das tensões entre os vizinhos sul-americanos. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou o rompimento das relações com Bogotá Ele decretou ainda alerta máximo na fronteira e advertiu sobre o risco do presidente colombiano, Alvaro Uribe, optar por uma ação armada contra a Venezuela.

"Todos dos países do continente esperam que os países da comunidade interamericana cumpram seu compromisso" de rejeitar a presença desses grupos ilegais, continua a nota.

Na quinta-feira, os EUA já haviam criticado a decisão de Caracas de romper relações com a Colômbia. "Não creio que romper relações seja o modo adequado" para reduzir a suspeitas entre ambos países e cumprir os tratados antiterroristas, disse o porta-voz do Departamento de Estado americano, P.J. Crowley.

Vários funcionários do governo e militares de Washington manifestaram em várias ocasiões suas preocupações com os supostos elos do governo e Chávez com as guerrilhas colombianas, assim como a presença de líderes rebeldes na Venezuela.


Omitir-se perante as Farc é crime


CLÓVIS ROSSI
da FSP

Omitir-se perante as Farc é crime

O que é necessário é discutir a relação do grupo com o narcoterrorismo em escala mundial.

SE VERDADEIRA, é risível a intenção do governo brasileiro de deslocar da OEA (Organização dos Estados Americanos) para a Unasul (União Sul-Americana de Nações) o debate sobre o conflito entre a Colômbia e a Venezuela.
Risível porque a Unasul está até mais paralisada do que a OEA, justamente pela absoluta incapacidade de interferir no conflito, todas as vezes que alguma de suas facetas foi levada à instituição sul-americana.
A única coisa realmente séria a fazer nesse caso é exigir do presidente Hugo Chávez que se defina claramente a respeito de suas relações com as Farc (que involuiu de guerrilha de camponeses para o narcoterrorismo).
Comecemos por mostrar a relação Farc/drogas, conforme relatado no livro "As Farc - Uma Guerrilha sem Fins?", de Daniel Pécaut, diretor de estudos na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (Paris). Trata-se de uma obra tão objetiva quanto é possível ser ao lidar com assunto tão explosivo.
Escreve Pécaut que as Farc admitem apenas cobrar dos plantadores da folha de coca o "gramaje", pedágio em troca da proteção que lhes davam.

"ECONOMIA DA DROGA"
Mas na realidade vão além: fazem a intermediação entre os plantadores e os traficantes, claro que em troca de comissão; vigiam as pistas de pouso e os laboratórios clandestinos, com participação nos lucros, como é óbvio.
A partir dos anos 1990, a inserção do grupo "na economia da droga foi além em certas localidades". Em Guaviare, gerem diretamente a produção de grandes áreas de plantio, que podem chegar a quase cem hectares, bem como a venda aos traficantes.
Mais: entraram diretamente no coração do negócio, que é o processamento da folha para transformá-la em cocaína. "Desse modo, inserem-se plenamente no tráfico", conclui Pécaut.
Muito bem. Agora, vejamos o que diz Chávez desse grupo: em discurso na Assembleia Nacional de janeiro de 2008, o presidente venezuelano definiu as Farc como "forças insurgentes que têm um projeto político", às quais "é preciso dar reconhecimento".
Se merecem reconhecimento, nada mais natural que dar-lhes ajuda financeira e abrigo. É bom lembrar que a Interpol reconheceu a autenticidade de mensagens encontradas nos computadores de Raúl Reyes, líder das Farc morto em ataque colombiano a acampamento no Equador, junto à fronteira. Nelas, Reyes mencionava ajuda financeira da Venezuela, bem como sua intermediação para obtenção de armas.

O PROBLEMA É OUTRO
Tudo somado, fica claro que o problema não é a Colômbia, mas as Farc. Por extensão, é também o tratamento que os governos da região querem dar a elas. Como o narcotráfico é uma empresa global, combatê-lo exige respostas globais ou, ao menos, regionais.
É impossível dar uma resposta regional se um governo as trata como "forças insurgentes que têm um projeto político", quando, na realidade, se trata de narcoterroristas.
Não adianta o Brasil se esconder na omissão. Narcotráfico é um problema de segurança nacional. Omitir-se é ser cúmplice.

A nova bravata de Chávez


A nova bravata de Chávez

NOTAS & INFORMAÇÕES
do Estadão

Diante das evidências contundentes sobre a presença de 1.500 guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em território venezuelano, apresentadas à Organização dos Estados Americanos (OEA), o presidente Hugo Chávez reagiu na sua típica maneira destemperada: invocando a "dignidade" nacional, rompeu relações diplomáticas com o governo de Bogotá e ordenou às Forças Armadas que entrassem em "alerta máximo" na fronteira entre os dois países.

A dignidade da Venezuela estaria mais bem servida se, em primeiro lugar, tivesse um dirigente que não se comportasse como um histrião. Mas Chávez armou o cenário para o anúncio da ruptura com a participação, que acabou sendo ridícula, de seu "correligionário" argentino Diego Maradona, que com ar estuporado ouviu a catadupa de impropérios que dirigiu ao presidente colombiano Álvaro Uribe. Essa foi a resposta às provas exibidas na OEA de que continua dando guarida ao bando de narcotraficantes em que se transformaram as antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, que desgraçaram a nação vizinha antes de serem acuadas pela tenaz política de segurança adotada por Uribe.

"A Venezuela deveria romper relações com as gangues que sequestram, matam e traficam drogas, e não com um governo legalmente constituído", comentou o embaixador colombiano na OEA, Luis Alfonso Hoyos. Foi na sede da OEA, em Washington, que os representantes colombianos exibiram vídeos, mapas e fotos aéreas indicando a localização dos acampamentos das Farc e do Exército de Libertação Nacional (ELN).

"São ao menos 87 estruturas completamente armadas em território venezuelano", descreveu Hoyos. Os acampamentos "continuam se consolidando". Nas regiões do país onde se instalaram, geralmente em locais fronteiriços, os farquistas não se conduzem como se estivessem batendo em retirada ou apenas se reagrupando. Controlam com mão de ferro as desafortunadas populações, a ponto de lhes impor o toque de recolher a cada dia.

Foi essa realidade que a Colômbia buscou descortinar na reunião de emergência da OEA, convocada a seu pedido. Além disso, representantes de Bogotá exortaram Chávez a permitir que observadores estrangeiros visitassem as áreas onde se situam os santuários das Farc. Para surpresa de ninguém, a Venezuela se recusou a fazê-lo, o que dá a devida dimensão a suas tentativas de desmentir fatos que constituem uma clara violação das normas da Carta da OEA sobre a convivência pacífica dos países do Hemisfério.

A bravata do rompimento vem sendo, em geral, interpretada como a reencenação do velho truque da transmutação do agressor em vítima. A plateia a que o caudilho se dirige é a população venezuelana. Já se apontou neste espaço a urgência de Chávez em fabricar inimigos internos (a imprensa, a Igreja, o empresariado) e externos (o "Império" e a Colômbia) para mascarar o estado pré-falimentar a que as suas políticas "bolivarianas" reduziram a economia nacional, em recessão pelo segundo ano consecutivo. Ele teme o troco do povo nas eleições legislativas de setembro.

Se os motivos de Chávez são claros, os de Uribe suscitam controvérsias. Segundo uma versão, ele teria resolvido levar o venezuelano ao pelourinho a duas semanas da transmissão do poder ao sucessor Juan Manoel Santos, o ex-ministro a quem apoiou na campanha, para sabotar a sua anunciada política de distensão com a Venezuela. Mais convincente, talvez, parece ser a hipótese de que, tendo só agora reunido as condições para denunciar a proteção chavista às Farc, Uribe quis fechar um ciclo no contencioso bilateral e deixar o campo livre para Santos fazer nova política na matéria.

De seu lado, o governo brasileiro, que até há pouco preferia se envolver nos conflitos do Oriente Médio em vez de se voltar para tensões na vizinhança, mais do que depressa anunciou a intenção de agir como mediador entre Colômbia e Venezuela. Antes tarde do que nunca, seria o caso de dizer, se a oferta já não estivesse contaminada pelas manifestas simpatias do presidente Lula e do seu entorno pelo autocrata venezuelano.

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