Evaldo Augusto Torres Alves /editor
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Política

Gabeira evita comentar ataques de chapa tucana...



Gabeira evita comentar ataques de chapa tucana ao PT

CARLOS DE ASSIS
do Estadão

O candidato do PV a governador do Rio, Fernando Gabeira, evitou hoje comentar os ataques do candidato a vice-presidente da República na chapa tucana, Índio da Costa (DEM-RJ), ao PT. Em entrevista ao portal "Mobiliza PSDB", o democrata associou o PT ao narcotráfico e às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Gabeira, que participou hoje em São Paulo de encontro de candidatos do PV a governador com a candidata da sigla à Presidência, Marina Silva, disse preferir não entrar nesse embate entre PT e PSDB. Perguntado sobre que posição Marina deveria adotar nesse cenário de ataques entre as campanhas dos presidenciáveis José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), disse que a candidata do PV deveria se concentrar nos assuntos da sua campanha.

Sobre sua desvantagem nas pesquisas eleitorais no Rio de Janeiro, Gabeira disse estar tranquilo. Pesquisa Datafolha divulgada ontem mostra o candidato do PMDB, Sérgio Cabral, com uma vantagem de 35 pontos sobre Gabeira. Cabral tem 53% das intenções de voto e Gabeira, 18%. Com esse cenário, Cabral venceria a eleição já no primeiro turno.

Gabeira, no entanto, acredita que pode levar a disputa para o segundo turno, mesmo enfrentando um adversário que conta com o apoio de 91 dos 92 prefeitos fluminenses. "Todos os prefeitos em seus municípios têm um adversário", afirmou. "E nós vamos contatar todos esses adversários para apoiar nossa campanha."

O que houve de novo com o Brasil

O que houve de novo com o Brasil

Kátia Abreu
no Estadão

O Brasil orgulha-se hoje de ser uma economia estável e forte, que consegue crescer de modo sustentável a taxas elevadas e ao mesmo tempo distribuir renda, incorporando largos contingentes de população ao mercado de consumo e a padrões mais civilizados de bem-estar material. Olhando para trás, para tantas décadas de instabilidade, de surtos breves e logo frustrados de crescimento, temos de reconhecer que vivemos uma grande transformação.

O que tornou possível essa transformação? Tivemos vários momentos de crescimento, que não duravam muito. Após poucos anos, o crescimento provocava inflação, pois a oferta interna, especialmente de alimentos, não era capaz de acompanhar o aumento da demanda induzida pelo crescimento da renda. Mais grave era o outro problema, o cambial.

Diante da inflação sem controle e do desequilíbrio cambial, a única política possível era conter o processo de crescimento, para aliviar as pressões sobre os preços e sobre o déficit externo. Assim, voltávamos à estagnação econômica, embora a população continuasse crescendo e a imensa maioria vivesse na pobreza.

Para crescer sem interrupções seria necessário superar o limite de nossa capacidade para importar. Financiar indefinidamente o déficit cambial com financiamento externo não seria sustentável. Por termos tentado este caminho, incorremos em várias crises de endividamento e chegamos à moratória. Era preciso encontrar um meio realista de elevar a receita cambial.

Como sabemos hoje, no Brasil só a agricultura e a pecuária podiam realizar essa tarefa. Mas ninguém pensava nisso seriamente. Afinal, a produção rural brasileira crescia pouco e não éramos, de fato, até 1970, sequer capazes de atender ao abastecimento interno. Além do mais, a sabedoria convencional de então ditava que o desenvolvimento econômico significava o aumento da produção industrial e o encolhimento relativo da produção rural.

Apesar disso, a partir dos anos 70, teve início uma silenciosa revolução no campo brasileiro. Novas gerações de produtores rurais começaram a emergir, muitos deles abrindo novas fronteiras agrícolas ou transformando os modos de produzir nas fronteiras já estabelecidas. Esses novos agricultores romperam com as formas tradicionais de produção, apropriaram-se do conhecimento acumulado nas universidades rurais e na nova Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e trouxeram para a produção rural a disposição de assumir riscos e a compulsão do crescimento.

A ação destes novos empreendedores transformou em pouco tempo a produção rural brasileira, tornando-a em poucas décadas a segunda maior do mundo em escala e diversidade de produção e a primeira e única grande agricultura em área tropical.

Os números dessa revolução são impressionantes. Em 1965, antes do início desse processo, a produção brasileira de grãos era de 20 milhões de toneladas, para uma população de 80 milhões de habitantes, portanto, uma produção de 250 kg de grãos por habitante. Em 2008 a produção de grãos chegou a 144 milhões de toneladas, para uma população de 190 milhões de habitantes, o que representa uma produção per capita de 758 kg. A produção total cresceu 7 vezes, mas a área de plantio, que era de 21 milhões de hectares em 1965, passou para apenas 48 milhões de hectares em 2008, apenas 2,5 vezes mais. A produção de carnes, em 1965, era de 2,1 milhões de toneladas, o equivalente a 25 kg por habitante por ano. Em 2006 a produção alcançou 20 milhões de toneladas, o equivalente a algo como 100 kg por habitante/ano. A produção total aumentou dez vezes, mas as áreas de pastagens cresceram apenas 15%.

Esses gigantescos aumentos de produção e de produtividade mudaram a história da economia brasileira. Essa agricultura altamente produtiva e de grande escala conquistou os mercados externos e passou a gerar grandes superávits no balanço de pagamentos, dada a sua pequena dependência de importações. Entre 1994 e 2009, o agronegócio acumulou um saldo comercial com o exterior de US$ 453 bilhões. No mesmo período, o saldo comercial total do Brasil foi de US$ 255 bilhões. Significa que, sem a contribuição das exportações do agronegócio, o Brasil teria incorrido num déficit comercial de US$ 198 bilhões, praticamente o valor das reservas cambiais do País no final do ano passado. Não fora a contribuição do agronegócio, o País estaria vivendo gravíssima crise cambial e a história do nosso crescimento recente teria sido muito diferente.

Outro efeito dessa revolução no campo foi a persistente queda no custo da alimentação no mercado interno. Os professores José Roberto Mendonça de Barros e Juarez Rizzieri mostraram, em pesquisa, que o custo no varejo de uma ampla cesta de alimentos na cidade de São Paulo caiu pouco mais de 5% ao ano, em termos reais, entre 1975 e 2005. Uma queda dessa dimensão só foi possível pelos aumentos impressionantes da produção e da produtividade no campo. E, em decorrência, as classes de renda média e baixa não apenas puderam consumir mais e melhores alimentos, como elevaram seu poder de compra de produtos industriais. Assim, o efeito da queda dos preços agrícolas é mais importante que as transferências de renda para explicar a melhoria do padrão de vida das populações mais pobres.

O Brasil que se desenvolve hoje e se projeta no mundo como uma economia dinâmica e moderna é um País construído a partir da agricultura e da pecuária. E continuará sendo, no futuro, sem estar por isso condenado ao atraso e à pobreza, como vaticinavam no passado. Mas para isso é necessário que o Brasil valorize o agricultor e o pecuarista, que foram os agentes dessas transformações, dando-lhes o realce merecido e poupando-os dos preconceitos que sobrevivem às evidências da realidade.

*SENADORA DA REPÚBLICA (DEM-TO), É PRESIDENTE DA CONFEDERAÇÃO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA DO BRASIL (CNA)



Datafolha aponta perda de vagas da oposição no Sen
Datafolha aponta perda de vagas da oposição no Senado

Bancada de PSDB e DEM cairia de 6 para 3 senadores, segundo pesquisa

Feito em 7 Estados e no DF, levantamento indica que bancada governista subiria de 8 para 10; renovação seria de 62%

CATIA SEABRA
da FSP

A oposição corre risco de redução do número de senadores nos oito principais colégios eleitorais do país, revela o Datafolha. Segundo pesquisa realizada em sete Estados (SP, MG, RJ, PE, BA, RS e PR) e no Distrito Federal, a bancada de PSDB e DEM cairia à metade (de seis para três) se a eleição fosse hoje.
Integrante da oposição, o PPS elegeria um senador: Itamar Franco, em Minas.
Segundo a pesquisa, realizada em parceria com a TV Globo, de 20 a 23 deste mês, a bancada do PT dobraria, de dois para quatro senadores.
Excluído o PMDB, que perderá dois governistas e elegeria ao menos dois independentes, a base governista subiria de oito para dez nesses colégios eleitorais. A oposição cairia de seis para quatro.
Entre essas 16 vagas em disputa (duas para cada colégio), haverá renovação de, no mínimo, 62% e a eleição de ao menos nove novatos.
Realizada a 71 dias da eleição, a pesquisa ainda não registra o esforço dos principais cabos eleitorais em apoio a seus candidatos.
Aliado do presidenciável José Serra (PSDB) e potencial beneficiário da divulgação do 45 em São Paulo, Aloysio Nunes Ferreira aparece em sétimo lugar -com apenas 4%, e tecnicamente empatado com Ana Luiza, do PSTU.
Em Minas, o candidato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Pimentel (PT), tem 23% e está em terceiro lugar, atrás do ex-governador tucano Aécio Neves (62%) e de Itamar (41%).
Na Bahia, o petista Walter Pinheiro -candidato do governador Jaques Wagner (PT)- é o terceiro, com 20%.
Como a margem de erros é três pontos, para mais ou para menos, Pinheiro está encostado em Lídice da Mata (PSB), 26%. O senador Cesar Borges (PR) lidera, com 34%.
No Rio, Marcelo Crivella (PRB) tem 42%, e o ex-prefeito Cesar Maia (DEM), 31%.

Decifrar o enigma Dilma

Decifrar o enigma Dilma

Carlos Alberto Di Franco
do Estadão

As virtudes e as fraquezas dos jornais não são recatadas. Registram-nas fielmente os sensíveis radares dos leitores. Precisamos, por isso, derrubar inúmeros mitos que conspiram contra a credibilidade dos jornais. Um deles, talvez o mais resistente, é o dogma da imparcialidade absoluta. Transmite a falsa certeza da neutralidade jornalística. Só que essa separação radical entre fatos e interpretações simplesmente não existe. É um engano, um jogo de marketing. É necessário cobrir os fatos com uma perspectiva mais profunda. Convém fugir das armadilhas do politicamente correto, da desinformação dos estrategistas eleitorais e do contrabando opinativo semeado pelos arautos das ideologias.

Boa parte do noticiário de política, mesmo em ano eleitoral, não tem informação. Está dominado pelo declaratório e ofuscado pelos lances do marketing da campanha. Dilma Rousseff, por exemplo, continua sendo apenas uma embalagem, um enigma a ser decifrado. Maquiada, penteada e produzida pelo comando de sua campanha, ainda não mostrou a verdadeira face. Suas convicções, aparentemente, mudam como chuva de verão. Lança um programa de governo. Tem reação? "Não assinei, não li, só rubriquei." A leviandade constrange e desqualifica a candidata. Instaurou-se, sob a égide de certas esquerdas, a política do descompromisso radical com os fatos. A saída é sempre a mesma: ninguém sabe, ninguém viu.

No documento de 19 páginas protocolado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e depois estrategicamente escanteado pela tática do "não li, só rubriquei", a candidata ressuscitou as mesmas teses que apareceram marcadas com a força das suas impressões digitais na primeira edição do 3.º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3). Você lembrará, caro leitor, que o presidente Lula seguiu o mesmo roteiro da sua criatura. Pressionado pela reação da sociedade, disse que tinha assinado "sem ler" e mandou que o pacote fosse refeito. O procedimento é sempre o mesmo. E é essa reiteração da leviandade malandra que preocupa. Será que as teses do PNDH-3 conhecidas e já rechaçadas pela sociedade não são a verdadeira cara da candidata?

Quem é Dilma Rousseff? Qual é sua biografia real? O que a candidata oficial, sem blindagens e proteções, efetivamente pensa a respeito dos temas que dominam a agenda pública: liberdade de imprensa, controle da mídia eletrônica, aborto, propriedade privada, invasões de terras pelo MST?

Os defeitos, as virtudes e o pensamento de José Serra são patentes. O idealismo coerente de Marina Silva, embora sem a força de uma poderosa máquina eleitoral, também é bastante evidente.

Dilma Rousseff, no entanto, continua empacotada. Dilma não é Lula, um carismático de livro e mestre da conciliação. Conseguirá impedir que os radicais do PT imponham sua política do atraso? Recentemente, João Pedro Stédile, o mais influente dirigente do MST, previu que o Brasil viverá uma explosão de ocupações de terra se Dilma vencer as eleições. "Com Dilma, nossa base social perceberá que vale a pena se mobilizar", disse Stédile, armado de uma sinceridade cortante.

Na verdade, Dilma é o terceiro mandato de Lula. Mas sem o carisma, sem a habilidade, sem o domínio das bases e sem a ginga do criador. E isso precisa ser dito com todas as letras. Segundo Hélio Bicudo, fundador do PT, deputado federal pelo partido, vice-prefeito de São Paulo na gestão Marta Suplicy, "Lula quer Dilma Rousseff no poder para continuar mandando no País". Dilma não tem luz própria. É, apenas, um elo no projeto autoritário de poder do presidente da República.

"Não estou no PT desde 2005", diz Bicudo. "Retirei a filiação porque entendi que o PT não cumpria mais seus ideário." Referindo-se ao papel de Lula no mensalão, não tergiversa: como ele "diz que não sabia? Lula manda no PT". Com forte dose de ceticismo, vislumbra um horizonte sombrio para a democracia brasileira: "É uma vergonha. A Constituição diz que se deve olhar a vida pregressa do candidato. Mas a lei resumiu isso a um processo criminal. Vamos continuar tendo bandidos na política. Veja os envolvidos no mensalão. Foram denunciados pelo procurador-geral da República. Mas, pela lei, poderiam candidatar-se." E conclui: "Quando um presidente da República nomeia nove ministros do STF, não há como garantir independência."

Bicudo, com razão, manifesta crescente preocupação com o uso político das estruturas do Estado. O recente silêncio da Receita Federal sobre o vazamento do Imposto de Renda do tucano Eduardo Jorge Caldas Pereira é um exemplo preocupante. O secretário da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, revelou saber exatamente quem cometeu o crime. Mas disse precisar de mais 120 dias para concluir as investigações. Adia-se, aparentemente, a punição dos culpados para não prejudicar o desempenho da candidatura oficial.

Ao contrário de Hélio Bicudo, não sou tão pessimista, sobretudo quando penso no Supremo Tribunal Federal. Presumo, sinceramente, que o nomeado, ao sentir o peso e a dignidade da toga, é capaz de deixar de lado interesses menores e olhar para o bem do Brasil. A História registra um belo capítulo de independência. Thomas Becket, jurista, chanceler da Inglaterra e amigo do rei, disse ao seu protetor: "Se está pensando que terá um obediente pupilo, está enganado e seu amor se transformará em ódio." E assim foi. Henrique II tentou manipular o amigo, mas Becket foi fiel à sua consciência e ao seu cargo. Foi executado a mando do rei. O monarca perdeu um leal servidor, mas a Inglaterra ganhou um herói e a Igreja Católica proclamou um novo santo.

A programação eleitoral gratuita é, quando muito, uma aproximação da verdadeira face dos candidatos. Tem muito espetáculo e pouca informação. Só o jornalismo independente pode mostrar o verdadeiro rosto dos candidatos. Sem maquiagem e sem efeitos especiais. Temos o dever de fazê-lo.

*DOUTOR EM COMUNICAÇÃO, É PROFESSOR DE ÉTICA E DIRETOR DO MASTER EM JORNALISMO

Mais um remendo
Editorial da Folha de São Paulo

Mais um remendo

Medidas aventadas pelo governo para estimular investimentos não atacam as verdadeiras causas das altas taxas de juros no país

Na semana passada, o ministro da Fazenda revelou que o governo prepara mais medidas para estimular o financiamento de investimentos de longo prazo, com juros mais baixos que os atualmente vigentes no mercado de capitais.
A ideia é isentar de Imposto de Renda títulos de longo prazo que sejam direcionados para projetos de infraestrutura. Não há grande novidade nisso -a diferenciação de tributação por prazo já existe e até hoje não teve grande repercussão para o custo de capital das empresas brasileiras.
As aplicações financeiras de renda fixa -com exceção da poupança e de alguns títulos ligados ao financiamento habitacional- pagam impostos decrescentes sobre o rendimento, dependendo do prazo. A taxa varia de 22,5%, para aplicações com prazo inferior a seis meses, até um mínimo de 15%, se o investimento for superior a dois anos. Pode-se argumentar que o incentivo atual ao alongamento é insuficiente, o que em tese poderia justificar a ideia do governo de isenção total para prazos ainda mais longos, presumivelmente superiores a cinco anos.
Mas mesmo este argumento carece de sustentação. No setor imobiliário existem alternativas de captação sem impostos, tais como as Letras Hipotecárias e os Certificados de Crédito Imobiliário, que até hoje ocupam papel mínimo no financiamento do setor, ainda majoritariamente dependente de recursos direcionados da poupança. A isenção fiscal pode até ser positiva em casos pontuais, mas está longe de ser uma panaceia.
Outra medida do governo seria o fomento ao mercado secundário de títulos privados, usando o BNDES -sempre ele- para dar liquidez aos papéis e atrair mais investidores. De fato, esta é uma restrição importante ao desenvolvimento do mercado que pode e deve ser melhorada, mas seria mais adequado trabalhar para que o setor privado atuasse como agente de liquidez.
De modo geral, são remendos que não atacam a causa maior das altas taxas de juros e da insuficiência de financiamento de longo prazo no país, que é a baixa poupança nacional, ainda inferior a 20% do PIB. E a baixa poupança, como se sabe, está intimamente ligada à política fiscal do governo.
Também é digno de nota que todas as iniciativas para incentivar a formação de capital passem, direta ou indiretamente, por subsídios ou renúncia tributária. De um lado, bilhões do BNDES a custo baixo para empresas com acesso privilegiado. De outro, isenções para captação de recursos (provavelmente das mesmas empresas) que atuarão em projetos favorecidos pelo governo.
Essa não parece ser uma receita vitoriosa para reduzir de forma importante o elevadíssimo custo de capital que aflige milhões de pequenos e médios empreendedores espalhados pelo país.

Brasil fracassa em aspiração de ser potência...
ENTREVISTA DA 2ª JORGE CASTAÑEDA

Brasil fracassa em aspiração de ser potência mundial

PARA HISTORIADOR MEXICANO, GOVERNO LULA PRIVILEGIOU QUESTÕES ERRADAS E SE ESQUECEU DE VIZINHOS EM CONFLITO

SYLVIA COLOMBO
EDITORA DA ILUSTRADA/FSP

A crise política na qual Colômbia e Venezuela estão mergulhadas deve ser o principal tema do debate sobre democracia na América Latina, hoje em São Paulo, do qual participará o historiador mexicano Jorge Castañeda.
Em entrevista concedida à Folha por telefone na semana passada, Castañeda criticou Luiz Inácio Lula da Silva. Para o intelectual, o presidente brasileiro coleciona fracassos em sua política externa e deveria preocupar-se mais com os conflitos regionais, e não em tornar-se protagonista em casos distantes e polêmicos.
Leia, abaixo, trechos da entrevista .

Folha - Como o sr. vê a política externa de Lula, em especial no que diz respeito à América Latina?
Jorge Castañeda - A inércia geográfica, econômica e demográfica da América do Sul levou o Brasil a ter um papel de maior liderança do que antes. Isso aconteceria com ou sem o governo Lula. O fato de Lula estar fazendo um governo bom internamente faz com que o peso natural do Brasil se exerça de maneira mais clara na região.
Porém, tudo o que Lula tentou fazer fora do âmbito interno só resultou em fracassos. Tratou de obter um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU, não o obteve. Tratou de priorizar a Rodada Doha e não conseguiu nada. Tratou de ser um ator central para que se lograsse um acordo em Copenhague e não só não o alcançou como o Brasil em parte foi responsável para que isso não acontecesse.
Tratou de se apresentar como protagonista num acordo nuclear com o Irã, mas sua mediação foi rechaçada pelo mundo inteiro, exceto pela Turquia e pelo próprio Irã.
Mas creio que mais importante é o fato de que Lula se absteve de mediar ou resolver conflitos que estão mais perto do Brasil. E há tantos. Os de Uruguai e Argentina, de Colômbia e Venezuela, de Peru e Chile, de Colômbia e Nicarágua, de Chile e Bolívia e o de Equador e Peru. Conflitos próximos abundam, e o Brasil não exerceu nenhuma liderança em nenhum desses casos.
Tampouco se apresentou para ajudar em problemas internos de outros países da América Latina. Salvo parcialmente no caso da Bolívia, e isso o fez para defender os interesses da Petrobras.
Suas aspirações de potência mundial fracassaram, e ele não mostrou interesse de atuar como legítima potência regional. Lula faz um governo muito bom internamente, mas coleciona fracassos e erros no âmbito externo.

Como o sr. viu a libertação dos presos cubanos e o papel da Espanha?
A libertação foi um triunfo de Guillermo Fariñas. E um triunfo póstumo de Orlando Zapata. [O chanceler espanhol Miguel Ángel] Moratinos apareceu sem ser convidado e tratou de obter benefícios políticos por algo que não fez.
O importante é que, pela primeira vez, a ditadura cubana enfrentou um cidadão cubano, em Cuba, e perdeu. Ganhou o cidadão. Isso é muito novo e muito significativo. O que não é novo é que Fidel e Raúl Castro usem presos políticos como fichas de negociação com outros países.
É lamentável que o governo socialista da Espanha tenha se prestado a essa manobra. Se Cuba quer deportar seus presos, que os deporte, haverá muitos países que os receberão de braços abertos, incluindo os que por lei estão obrigados a fazê-lo, como os EUA.

No México, depois de ter caído para terceira força política em 2006, o PRI (Partido da Revolução Institucional) vem se recuperando, apesar de ter sido contido nas últimas eleições pela aliança entre PRD (Partido da Revolução Democrática) e PAN (Partido da Ação Nacional). Qual é o panorama para as próximas eleições presidenciais, em 2012?
As coisas não serão fáceis para o PRI. Em primeiro lugar porque [Felipe] Calderón vai fazer tudo para eliminar o candidato líder do PRI, Enrique Peña Nieto. No México, como disse Fernando Henrique Cardoso sobre o Brasil, um presidente não pode colocar um presidente no poder, mas pode vetar um presidente. Creio que lutar contra Calderón vai ser muito difícil.
Em segundo, porque os rivais de Peña Nieto no próprio PRI também vão fazer o que podem para destruí-lo. E ele tem muitos flancos vulneráveis. E, em terceiro, o PRI não tem outro bom candidato. A eleição de 2012 vai ser muito competitiva.

Como o sr. vê a questão do crescimento do narcotráfico no México?
A violência está aumentando desde que Calderón começou essa guerra, em 2006. O número de execuções cresceu enormemente. A guerra trouxe mais violência. A violência no México estava diminuindo desde o começo dos anos 90 até que Calderón chegou. Sou contra a guerra contra o narcotráfico do modo como está sendo feita. Foi um erro, uma improvisação, algo decidido por motivos políticos, e que trouxe enorme perda ao país. Já temos 25 mil mortos, um desgaste internacional terrível, sem nenhum resultado.

Como o sr. vê a lei do Estado do Arizona que fecha o cerco aos imigrantes ilegais?
Provavelmente alguns outros Estados dos EUA farão leis semelhantes. Temos de esperar para ver o que dizem os tribunais americanos sobre a constitucionalidade dessa lei.
Muitos, como eu, já pensávamos, há dez anos, que se não houvesse acordo entre EUA e México sobre o tema da imigração, algum dia ia haver uma reação muito violenta nos EUA contra a imigração ilegal. Infelizmente, é o que está acontecendo.
É urgente que Calderón, os presidentes da América Central e do Caribe, de Equador, Peru e Colômbia pressionem Obama para que envie uma reforma imigratória geral ao Congresso.

O que o sr. achou de Hugo Chávez ter exumado os restos mortais de Simón Bolívar? Até que ponto é uma maneira de desviar a atenção pública dos problemas do país?
A questão política é só parte da explicação. Chávez crê muito em magia negra, bruxaria, candomblé etc. E a exumação de restos é uma típica prática dessas artes e crenças. Elas o levaram a exumar os restos do libertador para tomar energia. Creio que ele pensa de verdade que isso pode funcionar.

Mídia expõe segredos de guerra dos EUA
Mídia expõe segredos de guerra dos EUA

Vazamento de 91 mil documentos produzidos entre 2004 e 2009 é um dos maiores da história militar americana

Textos revelam maior nº maior de mortes de civis do que divulgado e grupo especial para "caçar" insurgentes

CRISTINA FIBE
DE NOVA YORK/FSP

Mais de 91 mil documentos secretos obtidos pelo site Wikileaks revelam detalhes de uma guerra do Afeganistão mais difícil e mais sanguinária do que os Estados Unidos querem fazer crer.
Entre as informações que vieram a público ontem está a existência de um destacamento militar especial para capturar ou matar insurgentes sem direito a julgamento.
Em um dos maiores vazamentos da história militar americana, os arquivos, que vão de janeiro 2004 a dezembro de 2009, mostram ainda que o Taleban está mais forte do que no início do conflito, em 2001, e que centenas de mortes de civis deixaram de ser relatadas oficialmente.
As informações provêm de relatórios de inteligência, registros internos de incidentes, descrições de ataques inimigos e de reuniões com políticos locais, entre outros.
Os documentos revelam planos secretos para eliminar líderes da Al Qaeda e do Taleban, a expansão das atividades de inteligência na região e dúvidas sobre o envolvimento do Irã e do Paquistão com os insurgentes.
Os arquivos mostram que há a suspeita de que o serviço secreto paquistanês tem servido de guia para insurgentes afegãos, apesar de o país receber mais de US$ 1 bilhão ao ano do governo americano para ajudar a combater grupos extremistas.
Aliado dos EUA, o Paquistão teria permitido que representantes de seu serviço de inteligência se encontrassem com o Taleban em sessões secretas para orquestrar grupos militantes que lutam contra soldados americanos.
Os documentos sugerem que os paquistaneses se envolveram também com a Al Qaeda e em planos para matar líderes afegãos.
O embaixador paquistanês nos EUA, Husain Haqqani, criticou as acusações e classificou o vazamento de "irresponsável". Segundo Haqqani, o Paquistão está plenamente comprometido com a luta aos insurgentes.
O conselheiro de Segurança Nacional, Jim Jones, também divulgou comunicado em que condena a divulgação dos documentos e ressalta que eles refletem o período de 2004 a 2009. O democrata Barack Obama substituiu o republicano George W. Bush em janeiro de 2009.
"Em dezembro de 2009, o presidente Obama anunciou uma nova estratégia, com aumento substancial de recursos para o Afeganistão e maior foco nos refúgios da Al Qaeda e do Taleban no Paquistão", diz o comunicado. Segundo Jones, "essa mudança de estratégia respondeu aos desafios" da guerra.
Para a Casa Branca, o vazamento "coloca em risco americanos e aliados e ameaça a segurança nacional".
O governo dos EUA, no entanto, não negou o conteúdo dos textos vazados.

Chávez ameaça suspender exportação de petróleo
Chávez ameaça suspender exportação de petróleo aos Estados Unidos

Fornecimento seria cancelado caso Colômbia entrasse em conflito armado com a Venezuela

do Estadão

CARACAS- O presidente Hugo Chávez ameaçou neste domingo, 25, suspender as exportações de petróleo aos Estados Unidos se a Colômbia chegar a atacar militarmente a Venezuela, em meio a mais recente crise vivida pelos dois países vizinhos.

"Se houver uma agressão armada contra a Venezuela (...) apoiada pelo império ianque, nós suspenderíamos o envio de petróleo aos Estados Unidos da América do Norte", afirmou Chávez em um discurso a milhares de simpatizantes. "Não enviaríamos nem mais uma gota". Os EUA, aliado de Bogotá, é o maior comprador do petróleo venezuelano.

Chávez rompeu relações com a Colômbia na semana passada, depois que o governo do presidente Álvaro Uribe apresentou fotos, vídeos e mapas à Organização dos Estados Americanos (OEA) do que seriam acampamentos de guerrilheiros colombianos em território venezuelano. Segundo o embaixador da Colômbia na OEA, Luis Hoyos, existem 87 acampamentos e 1.500 soldados das Farc na Venezuela.

Chávez afirmou que as denúncias são um espetáculo de mentiras orquestrado para derrubar seu governo, e também acusou Uribe de estar preparando o terreno para um conflito armado.

"Ante tantas provocações e tantas agressões por parte de quem é administrador dos interesses americanos na Colômbia, não nos restou outra alternativa, por dignidade, do que romper totalmente as relações diplomáticas com seu governo", disse o governante em sua coluna "As linhas de Chávez".

"Foi um anúncio que fiz com uma lágrima me cruzando o coração", acrescentou. "Confio que a Colômbia bolivariana, a Colômbia que pensa e ama, a Colômbia profunda que encarna seu povo fará sentir a força de sua voz contra os que querem convertê-la na plataforma de uma intervenção americana na Venezuela".

O governo colombiano nega estar buscando um confronto e afirma que divulgou as informações sobre os guerrilheiros colombianos porque a Venezuela não tomou medidas a respeito.

Chávez também anunciou que cancelará uma viagem a Cuba por causa da tensa situação vivida com a Colômbia. "A possibilidade de uma agressão armada contra território

venezuelano por parte da Colômbia no momento tem uma probabilidade como nunca em 100 anos", disse. Segundo Chávez, tudo indica que o governo dos Estados Unidos é o grande culpado, "o planejador, o instigador".

O presidente venezuelano tinha previsto viajar hoje a Cuba para participar, amanhã, no aniversário do ataque ao quartel Moncada e para assistir à assinatura de documentos de cooperação entre os dois países.

Chávez disse que tomou a decisão de suspender a viagem durante a madrugada, após avaliar "um conjunto de informações, de intenções recolhidas por distintas vias, abertas, encobertas, nacionais e internacionais".

O presidente acredita que o mais provável é que o ataque comece no estado Zulia, no extremo noroeste do país, onde há um governador de oposição que poderia dar apoio à Colômbia.

Chávez explicou que o ataque seria justificado com "desculpas" como as inventadas para invadir o Iraque, "a das armas de destruição em massa que nunca existiram".

"Os ianques são capazes de inventar qualquer coisa. Acabam de enviar uma frota à Costa Rica, que é uma ameaça e é parte do plano contra a Venezuela", afirmou Chávez.

O governante explicou que a missão dessa frota seria "conter" uma possível reação da Nicarágua e de Cuba caso houvesse um ataque à Venezuela.

Rapidinhas


Editorial da Folha de São Paulo

À espera da TV

Não surpreende que os dois principais candidatos à Presidência da República mantenham-se empatados na primeira pesquisa de intenção de voto do Datafolha após a oficialização das candidaturas. Nenhum fato significativo aconteceu para que se pudesse alterar o panorama da disputa.
Questões que ocuparam espaço na imprensa, como as insinuações do deputado Indio da Costa, vice da chapa de José Serra, sobre as relações do PT com as Farc e o narcotráfico estão longe de entusiasmar o eleitor.
Da mesma forma, por mais que possam ser graves, as revelações sobre vazamento de dados sigilosos do tucano Eduardo Jorge, com vistas à confecção de um dossiê por "aloprados" petistas, tampouco inscrevem-se no topo da lista de prioridades da população.
Andando para lá e para cá, distribuindo sorrisos e declarações insossas, Serra e Dilma trocaram, é verdade, algumas farpas, mas nada aconteceu que se assemelhasse a um debate, no qual pudessem expor suas virtudes e deixar transparecer seus defeitos.
Quando se observam os dados em mais detalhes, as vantagens e desvantagens de cada um parecem se anular mutuamente. Assim, Serra perde terreno entre as mulheres, enquanto Dilma Rousseff oscila negativamente no Nordeste; a petista vai bem na Bahia, Pernambuco e Distrito Federal, mas seu adversário mantém vantagem em São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.
Salvo algum acontecimento inesperado, tudo indica que os dois entrarão empatados na fase decisiva da campanha, a partir de 17 agosto, quando terá início o horário eleitoral na TV -que, como mostra a pesquisa, é o meio mais utilizado pelos eleitores para buscar informações.




Influência de Lula no voto para governador é relativa

Em SP, MG e RJ, apoio do presidente a um candidato local não é decisivo

39% dos paulistas não votariam em candidato ligado ao petista; em PE, ter a chancela de Lula é fundamental para 52%

FERNANDO RODRIGUES
da FSP

Presidente mais popular desde o retorno do país à democracia -com 77% de aprovação, segundo a última pesquisa Datafolha-, Luiz Inácio Lula da Silva tem influência limitada na eleição para governador nos três Estados com mais eleitores.
Segundo o levantamento, realizado pelo instituto do dia 20 ao dia 23 em parceria com a TV Globo, o petista influi decisivamente sobre apenas cerca de um terço do eleitorado na escolha dos governadores de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Pela primeira vez no atual processo eleitoral, o Datafolha perguntou aos eleitores de sete Estados e do Distrito Federal se o apoio de Lula os faria votar num candidato ou se os faria não votar.
Em São Paulo, só 24% responderam afirmativamente. Em Minas Gerais, o percentual é de 27%. No Rio, 31%. Esses três Estados juntos reúnem 56,4 milhões de eleitores (41,5% do país).
Em nenhuma eleição estadual nem na presidencial a influência de Lula sobre os eleitores chega perto da sua taxa de popularidade.
A pesquisa ouviu 10.905 eleitores em 379 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Quando se trata da disputa presidencial, 42% dizem que o apoio de Lula a alguém os levaria a "a escolher esse candidato com certeza".
Tem aumentado, entretanto, a taxa dos que não votariam no nome indicado por Lula para ser o próximo presidente: 21% em dezembro de 2009, 23% em março passado e 28% agora.
Em São Paulo, Estado nunca governado pelo PT, a influência de Lula não serviu até agora para alavancar o candidato do partido, Aloizio Mercadante, que tem 16%.
Enquanto só 24% dos paulistas votariam com certeza em um candidato suportado por Lula, 39% dizem que o apoio do presidente seria um fator impeditivo do voto.
Em Minas Gerais e no Rio, os candidatos apoiados por Lula têm um desempenho nas pesquisas superior à taxa dos que se dizem influenciados pelo presidente.
Hélio Costa (PMDB), tem 44% das intenções de voto. O percentual (27%) dos mineiros que apoiariam com certeza um candidato lulista é idêntico ao dos que não votariam em nenhuma hipótese.
No Rio, Sérgio Cabral (PMDB) está com 53% no Datafolha. Lá também o número dos que não votariam no candidato lulista iguala o dos que votariam com certeza.
Nos sete Estados analisados pelo Datafolha, a maior influência de Lula é em Pernambuco: 52% dizem que o apoio do presidente os levaria a votar no governador.
Ocorre que o candidato apoiado pelo petista é o atual governador, Eduardo Campos (PSB), cuja taxa de intenção de votos é de 59%.
Depois de Pernambuco, a Bahia é o Estado no qual Lula tem maior influência, de 46% -quase o mesmo percentual de intenção de voto do atual governador, o petista Jaques Wagner, com 44%.
Além de São Paulo, o número dos que não votariam de jeito nenhum num aliado de Lula supera o dos que votariam com certeza no Paraná e no Rio Grande do Sul.



Alckmin minimiza possível vitória em 1º turno

JOÃO CARLOS DE FARIA
do Estadão

O candidato do PSDB ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse que apesar da significativa vantagem sobre seus adversários apontada pela pesquisa Datafolha, divulgada hoje, não cogita a possibilidade de vencer ainda no primeiro turno. "Essa coisa de primeiro turno não existe e a eleição é em dois turnos", afirmou. "Recebo com alegria e humildade (o resultado). Mas não tem eleição ganha, o que vale é o dia 3 de outubro. Vamos continuar trabalhando de mangas arregaçadas", afirmou ele em São José dos Campos, a 120 quilômetros da capital paulista.

O candidato tucano aparece com 49% das intenções de voto, enquanto o petista Aloizio Mercadante ocupa o segundo lugar com 16%. A sondagem mostra que Alckmin venceria as eleições no primeiro turno, pois todos os seus adversários somam juntos 33% das intenções de voto. Acompanhado do deputado Aloísio Nunes Ferreira (PSDB-SP) e do ex-governador Orestes Quércia (PMDB), ambos candidatos ao Senado, Alckmin percorreu o calçadão no centro do município. Ao seu lado também estava a ex-primeira dama Maria Lúcia Alckmin.

O tucano disse que pretende construir, se eleito, um hospital regional do Estado em São José dos Campos. "As grandes cidades do interior de São Paulo tem seu hospital estadual e São José, sendo a capital da alta tecnologia, pode ter um hospital geral, mas também ter pesquisa, inovação, dando mais um salto na questão da ciência", destacou.

Emprego e Copa

Além disso, prometeu criar o que chamou de "via rápida para o emprego", com a criação de cursos profissionalizantes mais acelerado e afirmou que o setor de habitação terá mais recursos com a criação do "BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) da Habitação". Alckmin também participou do lançamento da candidatura à reeleição à Câmara Federal do ex-prefeito da cidade Emanuel Fernandes (PSDB).

Sobre o impasse criado pela FIFA em relação à Copa do Mundo em São Paulo, Alckmin se posicionou contra o emprego de dinheiro público para a obras de uma arena. "Eu sou contra usar dinheiro público para construir estádio. Isso deve ser feito pela iniciativa privada. O governo tem que se preocupar com o transporte, com a segurança, com a infraestrutura."




Direto ao Ponto
VEJA
AUGUSTO NUNES

O país quer saber os nomes dos mandantes

“Isso é a espetacularização do nada”, recitou Dilma Rousseff em sucessivas entrevistas depois de pilhada em flagrante fabricando, nas catacumbas da Casa Civil, um dossiê atulhado de calúnias envolvendo Fernando Henrique e Ruth Cardoso. Os jornalistas mal começavam a formular a pergunta e lá vinha a expressão indigente ─ que ainda não usou para livrar-se de ser julgada por reincidência. Talvez tenha entendido que é ínútil debitar na conta da espetacularização do nada a repercussão dos casos do dossiê contra José Serra e do estupro do sigilo fiscal de Eduardo Jorge Caldas Pereira, vice-presidente do PSDB. Desta vez, Dilma terá de arranjar algum álibi menos raquítico. O Brasil que presta quer saber quem reativou a usina de papelórios bandidos e exige a identificação dos autores das delinquências gravíssimas.

Não faz tanto tempo assim, os envolvidos em bandalheiras de grosso calibre saíam de circulação por algum tempo. Hoje o período de quarentena, quando há, restringe-se aos soldados rasos. Os superiores não só permanecem no local do crime como acusam as vítimas, debocham da plateia, provocam a polícia e desdenham da Justiça. O companheiro José Eduardo Dutra, por exemplo, resolveu processar José Serra pelo pecado de ter responsabilizado os responsáveis. Confrontado com a revelação da infâmia que atingiu Eduardo Jorge, avisou que o problema é da Receita Federal e dos agredidos.

O deputado Rui Falcão, um dos coordenadores da campanha de Dilma Rousseff, dedicou ao assunto seis palavras: “O fato não merece nossa preocupação”. Mas a turma por trás do fato merece cadeia, berraria em resposta o Brasil inteiro se não parecesse apalermado pela institucionalização da impunidade. Os culpados não se preocupam com o merecidíssimo castigo por confiarem na proteção do presidente, na indulgência do Judiciário e na abulia que paralisa milhões de brasileiros. Quem se considera intocável sempre engorda o prontuário. Assim, ao dossiê cafajeste e ao sigilo estuprado somou-se a acobertamento dos mandantes e executores da ação criminosa.

Em qualquer país sério, as investigações não iriam ãlém de algumas horas, consumidas na coleta das abundantes provas materiais e na tomada de meia dúzia de depoimentos prestados por figuras que entendem do assunto e sabem muito sobre as ocorrências recentes. Todos tem endereço certo e sabido. Na sede da campanha de Dilma Rousseff, por exemplo, estão Antonio Palocci, que encomendou o estupro da conta bancária do caseiro Francenildo Costa, e a própria candidata, que encomendou o dossiê contra Fernando Henrique e Ruth Cardoso, além dos companheiros que contrataram os encarregados do serviço sujo. Na sucursal paulista do PT pode ser encontrado Aloísio Mercadante, especialista em espionagens alopradas. Eles poderão dizer quem produziu e dirigiu esse filme policial classe C.

Para desvendar o caso da violação das declarações de imposto de renda, basta submeter a um interrogatório que mereça tal nome o superintendente da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, preveni-lo dos riscos do perjúrio e alertá-lo para as consequências da cumplicidade ativa. Cartaxo precisa interromper imediatamente o falatório diversionista e identificar os figurões que arquitetaram a operação. O dossiê contra FHC foi engavetado pela invenção de um “banco de dados” da Casa Civil e pelo afastamento de um assessor disposto a sobreviver em silêncio. Os reincidentes estão tentando reprisar a esperteza com uma analista do Fisco.

Cada vez mais atrevidos, começam a costurar a fantasia que apresenta como estupradora uma funcionária que nem é ligada a partidos. Deve ter agido por curiosidade, portanto. Os fora-da-lei querem convencer os homens honestos de que o Código Penal não vale para todos. Além do presidente Lula, o resto do governo e o comando do PT resolveram tratar como imbecis todos os eleitores. Eduardo Jorge já deixou claro que não é: continua lutando corajosamente pelo esclarecimento do crime. Todos os oposicionistas, e com mais agressividade os candidatos, precisam juntar-se ao combatente solitário.

Os brasileiros prontos para engajar-se na resistência são bem mais numerosos do que imagina o grande clube dos cafajestes. E exigem a pronta identicação dos mandantes.




Serra promete 1 milhão de vagas para ensino técnic


Serra promete 1 milhão de vagas para ensino técnico

JOSÉ ANTONIO PEDRIALI
do Estadão

O candidato à presidência José Serra (PSDB) afirmou hoje em Paranavaí, cidade localizada a 520 quilômetros de Curitiba, que se for eleito irá criar o Programa do Ensino Técnico (Protec), com 1 milhão de vagas em quatro anos. Segundo o tucano, o ensino técnico "é vital para o desenvolvimento do Brasil e para o aprimoramento profissional dos jovens". Serra disse que no Chile e na Alemanha "há, respectivamente, três e dez vezes mais ofertas de vagas do que aqui".

O Protec seguiria o modelo do Programa Universidade Para Todos (Prouni), em que as universidades particulares oferecem bolsas de estudos subsidiadas pelo governo federal para os estudantes sem recursos. "Investimos no ensino técnico em São Paulo, elevando o número de vagas de 70 mil para 170 mil", afirmou o ex-governador paulista.

Ele salientou que o ensino técnico além de preparar o jovem para o mercado de trabalho, lhe dá condições de escolher melhor a carreira a seguir. "Oitenta por cento dos bacharéis em direito formados em São Paulo são reprovados no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)", disse, situação, que segundo ele, reflete o despreparo e, muitas vezes, a falta de vocação para o Direito. "É melhor um curso técnico bem feito do que um superior mal feito."

O presidenciável do PSDB afirmou ainda que o seu eventual governo criará 154 Ambulatórios de Medicina Especializada (AME) que oferecerão pelo menos 25 especialidades médicas, incluindo a acupuntura. "Isso encurtará drasticamente o tempo de espera que hoje é de seis meses em média de uma consulta ou tratamento especializado", disse.

Serra iniciou com duas horas de atraso a visita ao noroeste do Paraná, a partir de Paranavaí, que previa carreatas em Nova Esperança e Alto Paraná e inauguração de comitê e visita a uma feira em Maringá. Esta é a terceira visita do tucano ao Estado este mes. O atraso, segundo sua assessoria, ocorreu porque ele viajou a Colombo, região metropolitana de Curitiba, para gravar cenas do programa eleitoral. A gravação foi feita em propriedades que exercem a agricultura familiar.

Datafolha

O tucano não quis comentar a mais recente pesquisa Datafolha, divulgada hoje, que o coloca pela segunda vez consecutiva em empate técnico com a candidata petista Dilma Rousseff. "Saem pesquisas quase que a dois dias, e se eu tiver que comentar a cada uma delas... ", afirmou.

Ele reagiu ao comentário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, feito ontem em Garanhuns (PE), durante comício em favor de Dilma. Lula disse que não via "sinceridade no olhar de Serra" quando o tucano afirmou existir vinculação entre o PT e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). "Eu não afirmei, apenas reproduzi o que a imprensa tem informado em profusão e até agora não foi desmentida", disse Serra.

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