Evaldo Augusto Torres Alves /editor
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Política

Rapidinhas


Tucano usará temas polêmicos para confrontar Dilma
CATIA SEABRA
ENVIADA ESPECIAL A ITUIUTABA (MG)/FSP

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, definiu, em conversa com aliados, como estratégia de campanha a abordagem de temas desconfortáveis ao PT. A ideia é tocar em pontos polêmicos para chamar a adversária petista, Dilma Rousseff, para o confronto. O tucano elegerá quatro temas. Entre os cotados estão a relação do PT com o MST e movimentos sindicais, a necessidade de combate às drogas, e o que Serra chama de loteamento da máquina.
Além deles, a política externa -em aliança com líderes controversos- também deve ser explorada. Em conversa com Aécio Neves, candidato tucano ao Senado, Serra minimizou o impacto de recentes declarações em que disse que, com Dilma, haverá mais invasão no campo. Segundo Serra, essa seria uma maneira de desafiar Dilma para o debate.
Após a conversa, Aécio também endossou a estratégia tucana. Disse que há divergências profundas entre PSDB e governo, que, segundo ele, "estatiza movimentos" sociais e sindicais.

ATAQUES
Em viagem a Minas ao lado de Aécio, Serra evitou responder a declarações de Dilma de que estaria baixando o nível da eleição. Porém, em discurso, voltou a desafiá-la. "Estou fazendo um esforço nesta campanha para ter debate. Debate, em vez de ficar com aquele ti-ti-ti. Fulano falou, sicrano disse", afirmou.
Nos discursos, ele voltou a insistir na necessidade de "enfrentamento decidido" no combate às drogas. Segundo ele, o "o governo precisa se envolver mais". O tucano também criticou o loteamento político. "Está tudo loteado. Tudo loteado.
O DNIT é um caso típico. Em vez de atuar em função do interesse público, atua em função desse ou daquele partido, desse ou daquele setor."

MINAS
Serra esteve ontem em Patos de Minas (401 km de Belo Horizonte). Além de Aécio, o governador Antonio Anastasia (PSDB) o acompanhou. Serra fez elogios aos correligionários e ao ex-presidente Itamar Franco (PPS). "Apoio Itamar Franco para senador, o homem que honrou Minas na Presidência."
Ainda em Minas, o tucano disse ser contrário à legalização das drogas e defendeu a criação de uma polícia especial para as fronteiras.

*Colaboraram PAULO PEIXOTO, enviado especial a Patos de Minas e RODRIGO VIZEU, de Belo Horizonte





Comitê de Serra cria esquadrão antiboato

Partido tem 15 equipes de repórteres e cinegrafistas que viajam pelo país para produzir relatórios sobre acusações

Líder do governo diz que PT não precisa disso para vencer e ressalta que o tucano é quem utiliza o "jogo rasteiro"

JOSIAS DE SOUZA
da FSP

O comitê de campanha do presidenciável José Serra (PSDB) montou um "esquadrão antiboato". É composto por 15 equipes de repórteres e cinegrafistas. Percorrem o país à procura de "boatos".
Produzem relatórios para o núcleo de marketing da campanha, comandado pelo jornalista Luiz Gonzalez.
Em privado, Serra se diz convencido de que o PT, partido de Dilma Rousseff, espalha rumores com o intuito de prejudicar sua campanha.
A opinião é compartilhada pelos operadores do comitê tucano. Num cenário de disputa apertada, decidiu-se priorizar a desmontagem das supostas aleivosias.
Na madrugada de quarta, plugado à web, Serra rebateu, em resposta a um internauta, um dos "boatos" que considera mais frequentes: "É claro que não é verdade", anotou Serra no Twitter. "Privatização do Banco do Brasil é puro terrorismo eleitoral."
Antes, na terça-feira, num ato de campanha em Palmas (TO), Serra acusara "cabos eleitorais petistas" de promoverem "mentiras, insultos e truques". Como exemplo, citara o "boato" de que privatizaria a Ceagesp, vinculada ao Ministério da Agricultura.
"É tudo cabo eleitoral", rebatera Serra, "não é gente que entende de abastecimento. Quem vai perder o emprego é esse pessoal, que está lá por nomeação política e não entende nada do assunto".
Líder do governo na Câmara e integrante do comitê de Dilma, o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) reage com ironia: "Parece piada. Como falta discurso ao Serra, ele vem agora com essa história de boatos. Isso não existe nem é necessário", disse.
"O que inspira a desconfiança em Serra é o comportamento do candidato", diz: "Quando diz que vai dobrar os investimentos do Bolsa Família, ninguém acredita".
"Nas reuniões com empresários", acrescentou Vaccarezza, "aparece outra dúvida frequente. Eles não sabem o que o Serra faria com o Banco Central e o câmbio".
Alheio à negação, o comitê tucano age para desmontar "evidências" de boataria que diz ter detectado nos relatos das equipes de reportagem.
Mencionam-se dois exemplos. Um supostamente recolhido no Nordeste. Outro, na Amazônia. No primeiro, uma gerente de agência da CEF teria dito a uma beneficiária do Bolsa Família que, sob Serra, o programa seria extinto.
No segundo, um partidário de Dilma teria declarado que, se eleito, o tucano extinguiria concursos públicos e demitiria os servidores.
"Essa história de central de boatos não cola", Vaccarezza rebate: "Não precisamos disso". Para ele, quem recorre ao "jogo rasteiro" é Serra: "Nós não entraremos nesse jogo. Vamos manter a nossa linha, que é a de discutir os rumos do país".



Marina abandona ideias de campanhas anteriores do PV

Aborto, legalização da maconha e fim do serviço militar deixam programa

Documento de 2010 ignora bandeiras que marcaram candidaturas de Gabeira e Sirkis ao Palácio do Planalto

BERNARDO MELLO FRANCO
da FSP

Descriminalização da maconha e do aborto, fim do serviço militar obrigatório, criação de "ecotaxas" para coibir o consumo de gasolina e a produção de automóveis.
Estas são algumas bandeiras que marcaram as duas primeiras candidaturas do PV à Presidência, mas foram descartadas pela campanha de Marina Silva em 2010.
À exceção das causas ecológicas, as diretrizes do programa de governo da senadora pouco lembram as plataformas de Fernando Gabeira, em 1989, e Alfredo Sirkis, em 1998. Os dois receberam menos de 1% dos votos.
Apresentado por Marina anteontem, o documento "Juntos pelo Brasil que queremos" evita polêmicas que possam contrariar o eleitor conservador, os militares ou as convicções religiosas da candidata, que é evangélica.
Na área econômica, promete manter a política vigente e condena a criação de novos impostos, num aceno a empresários e doadores.

MACONHA
A liberação da maconha, defendida por Gabeira em 89 e prevista até hoje no programa do PV, foi um dos itens "esquecidos" por Marina.
Sua plataforma tem uma única frase sobre o tema, sem citar a droga ou emitir opinião: "Discutir com a sociedade a política de drogas e investir no esclarecimento, na prevenção e no tratamento dos dependentes".
A descriminalização do aborto, prevista na primeira campanha verde e no documento partidário, também sumiu da pauta. Em entrevistas, a candidata sugere um plebiscito sobre o assunto.
Na primeira eleição direta para o Planalto após a ditadura, Gabeira aparecia na TV entre tanques e canhões para defender o fim do serviço militar. O alistamento segue obrigatório, mas a causa nem sequer é mencionada na cartilha verde de 2010.
Ao justificar a mudança no discurso do PV, Sirkis sugeriu que as campanhas anteriores não foram para valer: "Minha candidatura foi para tornar o partido mais conhecido. Nem nos sonhos mais delirantes passou pela nossa cabeça a ideia de ganhar".
"As diretrizes de Marina têm componentes de sonho, mas é um sonho factível", acrescentou ele.
Candidato ao governo do Rio, Gabeira disse ter usado a disputa presidencial de 89 para divulgar teses "ligadas ao Parlamento". "Na verdade, nenhum partido resolve essas questões", reconheceu, 21 anos depois.
"O PV tinha pretensões minoritárias e agora está introduzindo questões que preocupam o cidadão comum. Mas não há uma distância tão abissal entre o presente e o passado", afirmou.
Na terça-feira, Marina não quis comentar a guinada na plataforma verde. Ontem, o coordenador da campanha de Marina, João Paulo Capobianco, disse à Folha que o partido só mudou em temas "não estruturais".
"São coisas diferentes. O programa do PV mantém várias dessas questões que se chamam de libertárias. Visões do partido que não são consideradas estratégicas não precisam estar na plataforma de governo", afirmou.
Ele também invocou a "cláusula de consciência" introduzida no programa do PV em agosto de 2009, quando a senadora se filiou ao partido. O objetivo da alteração foi permitir à futura candidata à Presidência divergir da sigla por razões religiosas.
Sobre o sumiço das "ecotaxas", previstas no programa de Sirkis e rejeitadas pelo empresariado, Capobianco disse: "Queremos induzir práticas sustentáveis, mas sem aumentar impostos".








Brasil está cheio de 'estradas da morte'



Em crítica à malha rodoviária, Serra diz que Brasil está cheio de 'estradas da morte'

O presidenciável tucano disse ser favorável a uma negociação para a estadualização de BR´s

Eduardo Kattah
do Estadão

BELO HORIZONTE - O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, criticou nesta quarta-feira, 28, a situação da malha rodoviária federal brasileira, afirmando que o País está cheio de "estradas da morte". Serra também atacou o que chamou de loteamento político no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e se disse favorável a uma negociação para a estadualização de BR´s, com o repasse integral para os Estados dos recursos arrecadados com a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) - cobrada sobre o consumo dos combustíveis.

Em visita a Belo Horizonte, onde participou do programa "Minas Urgente", da TV Bandeirantes, o candidato tucano afirmou que nos últimos oito anos o governo arrecadou por meio da Cide aproximadamente R$ 65 bilhões, mas apenas 1/3 deste montante teria sido gasto em investimentos nas BR´s. Segundo ele, de cada 10 rodovias federais, oito estão "esburacadas".

"Das estradas federais, de cada 10, oito não tem condições de operar. Está cheio de estrada da morte por todo lugar", afirmou Serra, para quem o atual "modelo federal não funcionou".

Conforme o candidato tucano, o Dnit é um órgão que atua sem planejamento e "por critérios puramente político-partidários". Segundo ele, "totalmente loteado entre políticos", o órgão "serve para atrapalhar". "Então, a prioridade deixa de ser o interesse nacional, público, etc e passa ser o interesse político daqui ou dali. Isso comigo vai acabar", prometeu.

No primeiro compromisso da visita a Minas, Serra elegeu o tema estradas como parte de sua estratégia de se comprometer com demandas históricas do Estado, o segundo maior colégio eleitoral do País. Com10 mil quilômetros de estradas federais, Minas possui a maior malha de BR´s do Brasil. Durante sua gestão, o ex-governador Aécio Neves (PSDB) chegou a propor à União a estadualização da malha federal no Estado, com o repasse integral dos recursos arrecadados com a Cide para a manutenção e outros investimentos. Os Estados recebem apenas uma parcela da arrecadação da contribuição.

"Sou a favor de uma negociação", disse Serra quando perguntado sobre a proposta.

Ele ressaltou que o Estado é a principal "vítima" da falta de investimentos nas rodovias federais. Também aproveitou para "anunciar", caso eleito, a duplicação da BR-381, entre Belo Horizonte e Governador Valadares. O trecho em pista simples registra elevados índices de acidentes e mortes. "É um escândalo. É uma coisa que tem de ser duplicada, estrada da morte. Isso nós vamos pegar logo de cara. Se for necessário, a gente monta modelos. Um deles depende do governo do Estado. É transferir para o Estado algumas estradas dando alguma contribuição para isso. Porque quando o Estado comanda, você tem mais flexibilidade para atuar."

O candidato do PSDB citou ainda como opção para a melhoria de algumas BR´s o modelo de concessões adotado em São Paulo. Mas negou, ao ser questionado, que tenha a intenção de privatizar as rodovias federais em Minas. "Uma coisa é fazer concessão, outra é privatizar. Eu acho que em alguns casos pode fazer concessão. No caso de São Paulo foi feita e 75% dos usuários consideram ótima ou boa (a malha rodoviária)."

Ideias

Na capital mineira, Serra evitou comentar o acirramento da disputa com a presidenciável petista, Dilma Rousseff, afirmando que seria "perda de tempo". Segundo ele, a campanha presidencial está dentro da expectativa. "É uma campanha difícil, uma campanha bem disputada e eu espero que ela possa se basear mais em ideias daqui para diante", disse, se isentando do clima quente da disputa.

"Tenho levantado ideias por todo o lado, inclusive a respeito de divergências. Por exemplo: outro dia eu disse que a carga tributária no Brasil é muito alta, ela é a mais alta de todos os países em desenvolvimento. A ex-ministra Dilma disse que a carga no Brasil é média e que está muito boa assim. Não era o ideal a gente discutir isso? Mas, de repente, uma discussão dessas é entendida como ofensa", reclamou.

Empenho

Serra desembarcou em Belo Horizonte na madrugada de quarta-feira, 28. Antes dos compromissos agendados, ele aproveitou para fazer gravações para o programa eleitoral, segundo informou Aécio. O ex-governador se irritou pela manhã, durante uma visita às obras do estádio Mineirão, ao ser questionado sobre eventuais dúvidas entre tucanos de seu empenho em favor de Serra.

"Isso é uma bobagem, uma coisa reticente que está beirando já o ridículo."

O presidenciável também reagiu com impaciência e saiu em defesa do correligionário. "É falta de assunto, é tititi. É claro que quando eu estou aqui o Aécio está mais ligado em mim do que quando eu não estou. Isso é normal", disse. "Está havendo pleno empenho, não vejo nenhum problema não. Estamos indo bem e vamos ganhar aqui."

Salário

Durante o programa televisivo, Serra afirmou que considera correto o estabelecimento em lei de um piso nacional dos salários dos policiais militares. Mas evitou se comprometer. "Isso vai depender se tem dinheiro."

Ele voltou a defender investimentos para o tratamento de dependentes químicos e a prevenção do uso de drogas. Reafirmou ser contra a descriminação da maconha e prometeu ampliar o alcance do ensino técnico no País.


Procuradoria impugna a candidatura de Maluf
Procuradoria impugna a candidatura de Maluf

Órgão diz que ele é "ficha-suja" e não informou que é réu em ação nos EUA

Deputado tem sete dias para contestar a ação; defesa diz que todas as certidões exigidas por lei foram apresentadas

FLÁVIO FERREIRA
da FSP

A Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo apresentou ontem ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral) paulista a impugnação do pedido de registro de candidatura do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP).
Além de alegar que Maluf deve ser considerado "ficha-suja", a Procuradoria afirma na impugnação que o deputado cometeu uma irregularidade eleitoral ao não informar ao TRE-SP a existência de uma ação criminal contra ele nos Estados Unidos.
A ação levou à inclusão dele na difusão vermelha, tipo de cadastro internacional de procurados pela Justiça.
O procurador Regional Eleitoral Pedro Barbosa ainda apontou que nos registros da Justiça Eleitoral consta uma multa eleitoral não paga por Maluf, apesar de o deputado ter protocolado no TRE-SP certidões que mostram que ele não possui débitos para com o tribunal.
Barbosa afirma que Maluf é "ficha-suja" porque o deputado foi condenado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo por suposta participação em uma compra de frangos superfaturada pela Prefeitura de São Paulo.
O procurador diz que a lei não exige expressamente dos candidatos a apresentação de certidões criminais de processos no exterior.
Porém, "não há razão alguma para distinguir entre um antecedente criminal de âmbito interno doutro de âmbito estrangeiro ou internacional, a menos que se conclua que ao sistema legal é indiferente a candidatura de alguém com carreira criminosa no exterior!", afirma.
Após ser intimado sobre a impugnação, Maluf terá o prazo de sete dias para contestar a ação.
O advogado do deputado, Eduardo Nobre, diz que Maluf não cometeu irregularidades no caso da compra dos frangos e tem direito a um recurso ao TJ-SP para cassar a condenação nesse processo.
Nobre também alega que Maluf não é "ficha-suja" pois nessa ação não está provado que houve dolo (intenção de cometer delito) e enriquecimento ilícito do congressista.
O defensor diz que o deputado apresentou à Justiça todas as certidões exigidas pela lei e que ele não está inadimplente em relação ao TRE.

Encontro pago por estatal pede votos para Dilma
Encontro pago por estatal pede votos para Dilma

Caixa, Petrobras e Banco do Nordeste bancam patrocínios de evento da Contag

MÁRCIO FALCÃO
da FSP

Um evento patrocinado por bancos públicos e por uma estatal virou palco para manifestações em defesa do voto na candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff.
O 2º Encontro Nacional da Juventude Rural reúne até amanhã, em Brasília, cerca de 5.000 jovens que tiveram transporte, alimentação e hospedagem custeadas pela Contag (entidade sindical de trabalhadores rurais), responsável pela organização.
O patrocínio (R$ 270 mil) foi dividido entre Caixa Econômica Federal (R$ 200 mil), Petrobras (R$ 50 mil) e o Banco do Nordeste (R$ 20 mil). O tom eleitoral marcou as atividades -houve até caminhada com jovens empunhando bandeiras da petista.
As empresas dizem que o evento está inserido em suas estratégias de divulgação




Dilma diz que será "mãe dos brasileiros"



NOTA DO EDITOR DO BLOG
Minha mãe nunca assaltou a carteira de meu pai e muito menos bancos.
Então eu não aceito e nego a maternidade.



Em discurso em Natal, candidata promete "honrar" o legado de Lula e que sua "missão" é cuidar dos brasileiros

Sem citar rivais, petista acusa a oposição de ressuscitar a "tática do medo" e também de fazer "política de ódio"

FÁBIO GUIBU
da FSP

Chamada pelo presidente Lula de a "mãe" do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e do programa Luz para Todos, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, disse ontem em Natal (RN) que, se eleita, será a mãe de todos os brasileiros.
"O presidente Lula me deu um legado, uma missão, que é cuidar do povo brasileiro", afirmou a ex-ministra da Casa Civil, em discurso após caminhada pelo centro da cidade. "Eu vou honrar esse legado, vou cuidar como uma mãe do povo brasileiro."
Dilma pediu ainda aos eleitores que não a deixem só, sem o apoio da maioria no Senado, o que ocorre hoje no governo Lula. "Não me deixem sozinha lá em Brasília", pediu, ao microfone. "Elejam senadores comprometidos com o Brasil", completou.
Na cidade, onde participou de um evento da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), a petista voltou a acusar a oposição de ressuscitar a "tática do medo", baseada, segundo ela, em "acusações irresponsáveis e infundadas".
Sem citar nomes, Dilma disse ainda que seu principal adversário, José Serra (PSDB), faz uma "política de ódio" ao atacar a política externa do governo Lula.
"Provamos que o Brasil tinha todas as condições de ser respeitado internacionalmente e de respeitar seus vizinhos, em vez de fazer uma política de ódio, que não cria o diálogo e a paz", afirmou.

"DILMAMÓVEL"
Em Natal, a presidenciável participou de uma caminhada na região central da cidade. O evento, entretanto, começou sem a presença da candidata, que só apareceu no meio do percurso, quando centenas de pessoas, animadas por carros de som, bandeiras e fogos de artifício, já andavam nas ruas.
A petista não caminhou com a militância. Fez o percurso a bordo de um carro aberto, chamado pelos presentes de "Dilmamóvel", ao lado de seu vice, o deputado Michel Temer (PMDB-SP).

De pai para filho
Dora Kramer
do Estadão

Obrigada a pedir demissão há dois anos da chefia da Secretaria da Igualdade Racial por causa dos gastos indevidos com o cartão corporativo a que tinha direito, Matilde Ribeiro muito provavelmente teria dificuldades para se eleger síndica de condomínio. Mas, como segunda su­­­plente do candidato a senador pelo PCdoB de São Paulo, Netinho de Paula, com alguma sorte poderá vir ser senadora da República.

A suplência ao Senado é hoje um dos melhores negócios no mercado da política: quem tem dinheiro (muito), bom parentesco ou é bem relacionado no meio não precisa de voto para chegar ao que outrora já foi tido como a representação do Paraíso na terra. Atualmente um tanto desmoralizado, mas ainda promete.

Afora o renome, espaço na tribuna, microfones da Voz do Brasil, o salário, a verba indenizatória, passagens aéreas, carro, casa, assessoria e estrutura à disposição, há toda uma gama de benefícios tais como plano de saúde para o resto da vida caso o suplente assuma por um período de seis meses. Em mandato de oito anos, convenhamos, não é difícil.

Na atual legislatura mais ou menos 20% do Senado é ocupado por substitutos. O suplente sempre foi, e continua sendo, um familiar, um financiador de campanha, um amigo, um funcionário, um correligionário ou um “sem tempo” como o presidente do PT, José Eduardo Dutra. Ele é suplente do senador candidato à reeleição Antonio Carlos Valadares, do PSB de Sergipe. Dutra tem votos – ou pelo menos teve quando foi senador em legislatura anterior –, mas está sem tempo de fazer campanha porque é um dos coordenadores da campanha de Dilma Rousseff.

Antonio Palocci também é. Como Dutra desistiu da candidatura parlamentar para cuidar da presidencial, como o colega também teve oferta de ser suplente de senador. Não aceitou ou o PT não achou conveniente. Mas, de todo modo, não trilhou esse atalho. José Eduardo Dutra encontrou uma maneira de conciliar mandato com ausência de delegação popular.

O único pré-requisito necessário é a unção do titular. Assim Edison Lobão repetirá a indicação do filho – “senador” enquanto o pai ocupou a pasta de Minas e Energia –, o ex-governador do Amazonas Eduardo Braga pôs na suplência a mulher, Sandra.

Mão Santa trocou a mulher Adalgisa pela filha Cassandra, o ex-governador da Paraíba Cássio Cunha Lima indicou o tio, o ex-governador do Tocan­­­tins Marcelo Miranda escolheu o pai e o ex-governador de Rondônia Ivo Cassol também nomeou o pai. Os dois primeiros foram cassados pela Justiça Eleitoral e o terceiro renunciou em via de.

Em abril de 2008 a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou emenda constitucional do senador Demós­­­tenes Torres proibindo a indicação de parentes para a suplência. A ideia inicial era acabar com os suplentes ou fazer com que tivessem a legitimidade do voto.

O colegiado da CCJ não aceitou, manteve a figura do suplente que, em caso de vacância, assume até a eleição de um novo titular na eleição mais próxima. Mesmo desfigurado o projeto está na Mesa sem chance de ser votado. Ao calejado leitor nem é preciso explicar a razão.

Prato típico

Até o fim da tarde de ontem eram oito os candidatos impedidos de concorrer às eleições pelos Tribunais Regionais Eleitorais de seus Estados, com base na Lei da Ficha Limpa.

Três são do Espírito Santo, três de Minas Gerais, um de Santa Catarina e um do Ceará. Con­­­trastando, o TRE do Ma­­­ranhão autorizou quatro candidatos – entre eles, José Sarney Filho – a concorrer, argumentando que a lei não vale para condenações anteriores à sua aprovação, exatamente o oposto do que decidiu o Tribunal Superior Eleitoral.

O Ministério Público vai recorrer e, mantida a posição anterior, o TSE deve derrubar. É de se perguntar: então para que o vexame, só para parecer que o Judiciário maranhense está submetido aos interesses do clã Sarney?

Linha justa

A política anda precisando de um Zico que chame o esquadrão aos costumes.


Lula demite presidente dos Correios

Decisão de despedir Carlos Henrique Custódio e seu diretor de Gestão de Pessoas visa estancar crise política

Ambos foram indicados por Hélio Costa, que tem apoio do PT em Minas e nega contágio; sucessor trabalhou com Roriz

LETÍCIA SANDER/ANDREZA MATAIS /LEILA COIMBRA/FILIPE COUTINHO
da FSP

Na tentativa de evitar a politização da crise dos Correios, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva demitiu o presidente da empresa, Carlos Henrique Custódio, e o diretor de Gestão de Pessoas, Pedro Magalhães Bifano.
O engenheiro David José de Matos, que trabalhou nos governos de Joaquim Roriz e José Roberto Arruda, no Distrito Federal, vai assumir a vaga de Custódio.
As demissões devem ser publicadas no "Diário Oficial da União" de hoje. Os dois foram indicados pelo ex-ministro das Comunicações Hélio Costa, candidato do PMDB ao governo de Minas Gerais.
Lula seguiu recomendação de Erenice Guerra (Casa Civil) e Paulo Bernardo (Planejamento), que foram escalados para fazer um raio-X da instituição em junho, após uma crise de gestão que culminou com o atraso na entrega de correspondências.
O ministro das Comunicações, José Artur Filardi, e a cúpula do PMDB não foram consultados. José Serra (PSDB) fez menções críticas, ao longo da campanha, à administração dos Correios.
O relatório dos ministros apontava três problemas: 1) atraso na licitação de 1.429 franquias cujos contratos vencem em novembro e que podem causar um "apagão postal"; 2) logística falha; 3) demora na realização do concurso público que atraiu mais de 1 milhão de inscritos.

SEM COMUNICAÇÃO
O raio-X apontou ainda que os diretores não se comunicavam e não funcionavam como um colegiado, emperrando todas decisões administrativas da estatal.
Na gestão de Custódio, no posto desde 2006, os Correios tiveram o menor lucro na era Lula (em 2009). O ganho foi impactado pelo rombo do fundo de pensão Postalis, como revelou a Folha.
Nesta semana, surgiu nova crise com a revelação de que o site dos Correios tinha um manual ensinando os candidatos a conquistar eleitores. Ele foi alterado após a Folha publicar a notícia.
Pedro Magalhães era o responsável pela realização do concurso. Será substituído por Nelson de Oliveira, uma indicação do PT.
O ex-ministro Hélio Costa minimizou as demissões. "Não vejo como nada de excepcional. Não tenho nada a dizer." O mesmo tom foi adotado pelo líder do PMDB, Henrique Alves (RN). ""Não vai ter nenhuma repercussão política. Foi uma avaliação técnica baseada em problemas administrativos internos." A Folha apurou que o PMDB decidiu não brigar por mais seis meses de cargo.

...acidente aéreo do Paquistão deixa 152 mortos
Maior acidente aéreo do Paquistão deixa 152 mortos

Airbus se preparava para pousar ao se chocar com morro; suspeita-se que mau tempo tenha sido a causa

da FSP

Um avião caiu nos arredores de Islamabad, capital do Paquistão, matando todas as 152 pessoas a bordo. Foi o pior acidente aéreo da história do país.
O Airbus 321 da companhia privada paquistanesa Airblue viajava de Karachi, sul do país, até Islamabad. Ao se aproximar da capital, chocou-se contra um morro encoberto por uma floresta. Havia neblina e chovia forte no momento do acidente.
Segundo o Ministério da Informação paquistanês, 115 corpos já foram resgatados. O mau tempo e o difícil acesso ao local dificultavam a busca dos restantes.
A maioria dos passageiros era paquistanesa, mas também havia dois americanos no voo, segundo a Embaixada dos EUA no Paquistão.
Embora o mau tempo seja a causa mais provável do desastre, o governo não descartou a hipótese de sabotagem e informou que investigaria todas as possibilidades.
Até o fechamento desta edição, a caixa preta ainda não havia sido achada.
O avião partiu de Karachi às 7h45 locais para um voo de duas horas até Islamabad. Ele se preparava para pousar quando perdeu o contato com a torre de comando.
A aeronave caiu a 15 quilômetros do aeroporto de Islamabad, espalhando pedaços da fuselagem por uma vasta área. Havia 146 passageiros e seis tripulantes a bordo.

'Tempo é de paz'
'Tempo é de paz', diz Lula sobre conflito entre Colômbia e Venezuela

Presidente pretende 'conversar muito' com Chávez e Santos para tentar resolver crise diplomática

Rafael Moraes Moura
do Estadão

Brasília, 28 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira, 28, que o tempo "é de paz, não de guerra", ao comentar as tensões na América do Sul entre Colômbia e Venezuela. "Pretendo conversar muito com o Chávez, muito com o Santos (Juan Manuel Santos, presidente eleito da Colômbia), porque eu acho que o tempo é de paz, e não de guerra", disse Lula, após receber o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, no Palácio do Itamaraty.

Wilson Pedrosa/AE

Lula recebe presidente da Nicarágua no Itamaraty

"Ainda não vi conflito. Eu vi conflito verbal, que é o que nós ouvimos mais aqui nessa América Latina", afirmou Lula.

Lula disse que no dia 6 de agosto participa de reunião bilateral com Hugo Chávez e que depois segue para a Colômbia, onde pretende acompanhar a posse de Santos e conversar tanto com ele quanto com o atual presidente colombiano, Álvaro Uribe.

"Temos de restabelecer a normalidade nas relações entre Venezuela e Colômbia, porque são dois países importantes para nós da América do Sul, são duas grandes economias, são dois países que têm grandes fronteiras".

Tensão

O chanceler venezuelano Nicolás Maduro discutiu na segunda com o Brasil um plano de paz para a resolução da crise instalada entre Venezuela e Colômbia. Maduro encontrou-se em Brasília com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o secretário-geral do Itamaraty, Antônio Patriota, dando início a um rápido giro pelos países vizinhos, com o intuito de discutir um plano de paz que deve ser apresentado nesta quinta-feira na reunião da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), em Quito.

"Como todos sabem, o nosso governo é de paz, com vocação sul-americanista, latino-americanista", disse Maduro, após sair da reunião no Centro Cultural Banco do Brasil, sede provisória do governo. "O presidente Chávez é um combatente pela união e integração (sul-americana)."

Chávez rompeu as relações diplomáticas da Venezuela com a Colômbia depois que o embaixador colombiano na Organização de Estados Americanos (OEA) apresentou denúncia sobre a presença de guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e do Exército de Libertação Nacional (ELN) em território venezuelano.

A tensão entre vizinhos aumenta às vésperas da posse de Juan Manuel Santos, que assumirá o governo da Colômbia no próximo dia 7, sucedendo ao atual presidente, Álvaro Uribe.

EUA aceitam retomar diálogo com Irã
EUA aceitam retomar diálogo com Irã sobre troca de combustível nuclear

Departamento de Estado espera nova reunião das potências nucleares sobre o impasse

Os Estados Unidos estão dispostos a discutir com o Irã um plano de fornecimento de combustível para um reator de pesquisas médicas em Teerã em troca de parte do urânio pouco enriquecido iraniano, informou o Departamento de Estado norte-americano nesta quarta-feira, 28.

"Nós, obviamente, estamos totalmente preparados para dar continuidade com o Irã nas discussões sobre os detalhes de nossa proposta inicial envolvendo o reator de pesquisas de Teerã... assim como, você sabe, os problemas mais amplos de tentar entender completamente a natureza do programa nuclear do Irã", disse a repórteres o porta-voz do departamento, P.J. Crowley.

"Esperamos ter o mesmo tipo de encontro nas próximas semanas como aquele que tivemos em outubro passado", acrescentou.

Diplomatas sêniores dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) -- Grã-Bretanha, China, França, Rússia e Estados Unidos -- e da Alemanha se encontraram com autoridades iranianas em Genebra, na Suíça, em outubro, para discutir a troca de combustível.

Segundo o acordo proposto, que até agora não deu resultados, o Irã enviaria parte de seu urânio baixamente enriquecido à Rússia e à França para purificá-lo em combustível para um reator que produz isótopos medicinais.

As seis principais potências temem que o Irã esteja usando seu programa de enriquecimento de urânio para desenvolver armas nucleares. Teerã nega e diz que seu objetivo é pacífico.


"Avacalhação"
ELIANE CANTANHÊDE
da FSP

BRASÍLIA - De Lula, sobre a iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, que já recebeu 99 chibatadas e foi condenada a ser apedrejada até a morte por adultério: "Eu, sinceramente, não acho que nenhuma mulher deveria ser apedrejada por conta de... ter, sabe, traição".
Só faltava achar que deveria...
E isso significa que ele vá atender à campanha na internet para interceder pela vida de Sakineh?
Resposta: "Um presidente da República não pode ficar na internet atendendo tudo que alguém pede de outro país. Veja, eu pedi pela francesa (...) e pelos americanos que estão lá, pedi para a Indonésia por um brasileiro, pedi para a Síria por quatro. Mas é preciso cuidado, porque as pessoas têm leis, as pessoas têm regras, as pessoas, sabe... Se começam a desobedecer as leis deles para atender o pedido de presidentes, vira uma avacalhação".
Então, entrar na contramão internacional e se meter com o regime Ahmadinejad num acordo que ninguém levou a sério, pode. Mas voltar para a mão certa e interceder a favor de uma pobre coitada ameaçada de uma morte medonha, "vira esculhambação"?
A declaração de Lula poderia ter sido só um escorregão, não fosse o precedente. Ele já desqualificou os manifestantes iranianos que denunciavam ao mundo fraudes na eleição de Ahmadinejad como "chororô de torcida de time perdedor", sem considerar que eles julgam sumariamente e matam os opositores sem dó nem piedade.
E no caso de Cuba? Não bastasse Lula às gargalhadas com os irmãos Castro no dia da morte do dissidente Orlando Zapata por greve de fome, depois ele comparou os que resistem à ditadura cubana a criminosos comuns no Brasil. Logo ele, que já foi perseguido por uma ditadura, teve amigos e companheiros presos, mortos e desaparecidos.
Nada disso combina com a emocionante biografia de Lula, muito menos com o Brasil que ele e todos nós queremos construir.




Lula alega "avacalhação" para não criticar condenação no Irã

da FSP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rejeitou ontem se envolver no caso da libertação da iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada à morte por apedrejamento por suposto adultério.
Questionado sobre a campanha mundial relacionada à iraniana e aos apelos na web pelo cancelamento da pena, Lula disse não poder passar o dia atendendo a pedidos e que as leis dos países devem ser respeitadas, para não virar "avacalhação".
"É preciso tomar muito cuidado porque as pessoas têm leis, as pessoas têm regras. Se começarem a desobedecer as leis deles para atender pedido de presidentes, daqui a pouco vira uma avacalhação", disse. Concluiu que "nenhuma mulher deveria ser apedrejada por conta de traição".
Não é a primeira vez que Lula se omite em casos de desrespeito aos direitos humanos. Em fevereiro, quando visitava o dirigente cubano, Raúl Castro, um preso político morreu após 85 dias em greve de fome. À época, Lula comparou presos políticos a presos comuns.
Quatro brasileiros que cumpriam longas penas de prisão na Síria por tráfico de drogas foram libertados recentemente por decisão do ditador Bashar Assad.
Segundo Brasília, o perdão foi concedido em atendimento a um pedido feito pelo presidente Lula quando Assad esteve em visita oficial a Brasília, no início do mês.

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