Evaldo Augusto Torres Alves /editor
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Política

Encontro pago por estatal pede votos para Dilma
Encontro pago por estatal pede votos para Dilma

Caixa, Petrobras e Banco do Nordeste bancam patrocínios de evento da Contag

MÁRCIO FALCÃO
da FSP

Um evento patrocinado por bancos públicos e por uma estatal virou palco para manifestações em defesa do voto na candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff.
O 2º Encontro Nacional da Juventude Rural reúne até amanhã, em Brasília, cerca de 5.000 jovens que tiveram transporte, alimentação e hospedagem custeadas pela Contag (entidade sindical de trabalhadores rurais), responsável pela organização.
O patrocínio (R$ 270 mil) foi dividido entre Caixa Econômica Federal (R$ 200 mil), Petrobras (R$ 50 mil) e o Banco do Nordeste (R$ 20 mil). O tom eleitoral marcou as atividades -houve até caminhada com jovens empunhando bandeiras da petista.
As empresas dizem que o evento está inserido em suas estratégias de divulgação




Dilma diz que será "mãe dos brasileiros"



NOTA DO EDITOR DO BLOG
Minha mãe nunca assaltou a carteira de meu pai e muito menos bancos.
Então eu não aceito e nego a maternidade.



Em discurso em Natal, candidata promete "honrar" o legado de Lula e que sua "missão" é cuidar dos brasileiros

Sem citar rivais, petista acusa a oposição de ressuscitar a "tática do medo" e também de fazer "política de ódio"

FÁBIO GUIBU
da FSP

Chamada pelo presidente Lula de a "mãe" do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e do programa Luz para Todos, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, disse ontem em Natal (RN) que, se eleita, será a mãe de todos os brasileiros.
"O presidente Lula me deu um legado, uma missão, que é cuidar do povo brasileiro", afirmou a ex-ministra da Casa Civil, em discurso após caminhada pelo centro da cidade. "Eu vou honrar esse legado, vou cuidar como uma mãe do povo brasileiro."
Dilma pediu ainda aos eleitores que não a deixem só, sem o apoio da maioria no Senado, o que ocorre hoje no governo Lula. "Não me deixem sozinha lá em Brasília", pediu, ao microfone. "Elejam senadores comprometidos com o Brasil", completou.
Na cidade, onde participou de um evento da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), a petista voltou a acusar a oposição de ressuscitar a "tática do medo", baseada, segundo ela, em "acusações irresponsáveis e infundadas".
Sem citar nomes, Dilma disse ainda que seu principal adversário, José Serra (PSDB), faz uma "política de ódio" ao atacar a política externa do governo Lula.
"Provamos que o Brasil tinha todas as condições de ser respeitado internacionalmente e de respeitar seus vizinhos, em vez de fazer uma política de ódio, que não cria o diálogo e a paz", afirmou.

"DILMAMÓVEL"
Em Natal, a presidenciável participou de uma caminhada na região central da cidade. O evento, entretanto, começou sem a presença da candidata, que só apareceu no meio do percurso, quando centenas de pessoas, animadas por carros de som, bandeiras e fogos de artifício, já andavam nas ruas.
A petista não caminhou com a militância. Fez o percurso a bordo de um carro aberto, chamado pelos presentes de "Dilmamóvel", ao lado de seu vice, o deputado Michel Temer (PMDB-SP).

De pai para filho
Dora Kramer
do Estadão

Obrigada a pedir demissão há dois anos da chefia da Secretaria da Igualdade Racial por causa dos gastos indevidos com o cartão corporativo a que tinha direito, Matilde Ribeiro muito provavelmente teria dificuldades para se eleger síndica de condomínio. Mas, como segunda su­­­plente do candidato a senador pelo PCdoB de São Paulo, Netinho de Paula, com alguma sorte poderá vir ser senadora da República.

A suplência ao Senado é hoje um dos melhores negócios no mercado da política: quem tem dinheiro (muito), bom parentesco ou é bem relacionado no meio não precisa de voto para chegar ao que outrora já foi tido como a representação do Paraíso na terra. Atualmente um tanto desmoralizado, mas ainda promete.

Afora o renome, espaço na tribuna, microfones da Voz do Brasil, o salário, a verba indenizatória, passagens aéreas, carro, casa, assessoria e estrutura à disposição, há toda uma gama de benefícios tais como plano de saúde para o resto da vida caso o suplente assuma por um período de seis meses. Em mandato de oito anos, convenhamos, não é difícil.

Na atual legislatura mais ou menos 20% do Senado é ocupado por substitutos. O suplente sempre foi, e continua sendo, um familiar, um financiador de campanha, um amigo, um funcionário, um correligionário ou um “sem tempo” como o presidente do PT, José Eduardo Dutra. Ele é suplente do senador candidato à reeleição Antonio Carlos Valadares, do PSB de Sergipe. Dutra tem votos – ou pelo menos teve quando foi senador em legislatura anterior –, mas está sem tempo de fazer campanha porque é um dos coordenadores da campanha de Dilma Rousseff.

Antonio Palocci também é. Como Dutra desistiu da candidatura parlamentar para cuidar da presidencial, como o colega também teve oferta de ser suplente de senador. Não aceitou ou o PT não achou conveniente. Mas, de todo modo, não trilhou esse atalho. José Eduardo Dutra encontrou uma maneira de conciliar mandato com ausência de delegação popular.

O único pré-requisito necessário é a unção do titular. Assim Edison Lobão repetirá a indicação do filho – “senador” enquanto o pai ocupou a pasta de Minas e Energia –, o ex-governador do Amazonas Eduardo Braga pôs na suplência a mulher, Sandra.

Mão Santa trocou a mulher Adalgisa pela filha Cassandra, o ex-governador da Paraíba Cássio Cunha Lima indicou o tio, o ex-governador do Tocan­­­tins Marcelo Miranda escolheu o pai e o ex-governador de Rondônia Ivo Cassol também nomeou o pai. Os dois primeiros foram cassados pela Justiça Eleitoral e o terceiro renunciou em via de.

Em abril de 2008 a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou emenda constitucional do senador Demós­­­tenes Torres proibindo a indicação de parentes para a suplência. A ideia inicial era acabar com os suplentes ou fazer com que tivessem a legitimidade do voto.

O colegiado da CCJ não aceitou, manteve a figura do suplente que, em caso de vacância, assume até a eleição de um novo titular na eleição mais próxima. Mesmo desfigurado o projeto está na Mesa sem chance de ser votado. Ao calejado leitor nem é preciso explicar a razão.

Prato típico

Até o fim da tarde de ontem eram oito os candidatos impedidos de concorrer às eleições pelos Tribunais Regionais Eleitorais de seus Estados, com base na Lei da Ficha Limpa.

Três são do Espírito Santo, três de Minas Gerais, um de Santa Catarina e um do Ceará. Con­­­trastando, o TRE do Ma­­­ranhão autorizou quatro candidatos – entre eles, José Sarney Filho – a concorrer, argumentando que a lei não vale para condenações anteriores à sua aprovação, exatamente o oposto do que decidiu o Tribunal Superior Eleitoral.

O Ministério Público vai recorrer e, mantida a posição anterior, o TSE deve derrubar. É de se perguntar: então para que o vexame, só para parecer que o Judiciário maranhense está submetido aos interesses do clã Sarney?

Linha justa

A política anda precisando de um Zico que chame o esquadrão aos costumes.


Lula demite presidente dos Correios

Decisão de despedir Carlos Henrique Custódio e seu diretor de Gestão de Pessoas visa estancar crise política

Ambos foram indicados por Hélio Costa, que tem apoio do PT em Minas e nega contágio; sucessor trabalhou com Roriz

LETÍCIA SANDER/ANDREZA MATAIS /LEILA COIMBRA/FILIPE COUTINHO
da FSP

Na tentativa de evitar a politização da crise dos Correios, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva demitiu o presidente da empresa, Carlos Henrique Custódio, e o diretor de Gestão de Pessoas, Pedro Magalhães Bifano.
O engenheiro David José de Matos, que trabalhou nos governos de Joaquim Roriz e José Roberto Arruda, no Distrito Federal, vai assumir a vaga de Custódio.
As demissões devem ser publicadas no "Diário Oficial da União" de hoje. Os dois foram indicados pelo ex-ministro das Comunicações Hélio Costa, candidato do PMDB ao governo de Minas Gerais.
Lula seguiu recomendação de Erenice Guerra (Casa Civil) e Paulo Bernardo (Planejamento), que foram escalados para fazer um raio-X da instituição em junho, após uma crise de gestão que culminou com o atraso na entrega de correspondências.
O ministro das Comunicações, José Artur Filardi, e a cúpula do PMDB não foram consultados. José Serra (PSDB) fez menções críticas, ao longo da campanha, à administração dos Correios.
O relatório dos ministros apontava três problemas: 1) atraso na licitação de 1.429 franquias cujos contratos vencem em novembro e que podem causar um "apagão postal"; 2) logística falha; 3) demora na realização do concurso público que atraiu mais de 1 milhão de inscritos.

SEM COMUNICAÇÃO
O raio-X apontou ainda que os diretores não se comunicavam e não funcionavam como um colegiado, emperrando todas decisões administrativas da estatal.
Na gestão de Custódio, no posto desde 2006, os Correios tiveram o menor lucro na era Lula (em 2009). O ganho foi impactado pelo rombo do fundo de pensão Postalis, como revelou a Folha.
Nesta semana, surgiu nova crise com a revelação de que o site dos Correios tinha um manual ensinando os candidatos a conquistar eleitores. Ele foi alterado após a Folha publicar a notícia.
Pedro Magalhães era o responsável pela realização do concurso. Será substituído por Nelson de Oliveira, uma indicação do PT.
O ex-ministro Hélio Costa minimizou as demissões. "Não vejo como nada de excepcional. Não tenho nada a dizer." O mesmo tom foi adotado pelo líder do PMDB, Henrique Alves (RN). ""Não vai ter nenhuma repercussão política. Foi uma avaliação técnica baseada em problemas administrativos internos." A Folha apurou que o PMDB decidiu não brigar por mais seis meses de cargo.

...acidente aéreo do Paquistão deixa 152 mortos
Maior acidente aéreo do Paquistão deixa 152 mortos

Airbus se preparava para pousar ao se chocar com morro; suspeita-se que mau tempo tenha sido a causa

da FSP

Um avião caiu nos arredores de Islamabad, capital do Paquistão, matando todas as 152 pessoas a bordo. Foi o pior acidente aéreo da história do país.
O Airbus 321 da companhia privada paquistanesa Airblue viajava de Karachi, sul do país, até Islamabad. Ao se aproximar da capital, chocou-se contra um morro encoberto por uma floresta. Havia neblina e chovia forte no momento do acidente.
Segundo o Ministério da Informação paquistanês, 115 corpos já foram resgatados. O mau tempo e o difícil acesso ao local dificultavam a busca dos restantes.
A maioria dos passageiros era paquistanesa, mas também havia dois americanos no voo, segundo a Embaixada dos EUA no Paquistão.
Embora o mau tempo seja a causa mais provável do desastre, o governo não descartou a hipótese de sabotagem e informou que investigaria todas as possibilidades.
Até o fechamento desta edição, a caixa preta ainda não havia sido achada.
O avião partiu de Karachi às 7h45 locais para um voo de duas horas até Islamabad. Ele se preparava para pousar quando perdeu o contato com a torre de comando.
A aeronave caiu a 15 quilômetros do aeroporto de Islamabad, espalhando pedaços da fuselagem por uma vasta área. Havia 146 passageiros e seis tripulantes a bordo.

'Tempo é de paz'
'Tempo é de paz', diz Lula sobre conflito entre Colômbia e Venezuela

Presidente pretende 'conversar muito' com Chávez e Santos para tentar resolver crise diplomática

Rafael Moraes Moura
do Estadão

Brasília, 28 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira, 28, que o tempo "é de paz, não de guerra", ao comentar as tensões na América do Sul entre Colômbia e Venezuela. "Pretendo conversar muito com o Chávez, muito com o Santos (Juan Manuel Santos, presidente eleito da Colômbia), porque eu acho que o tempo é de paz, e não de guerra", disse Lula, após receber o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, no Palácio do Itamaraty.

Wilson Pedrosa/AE

Lula recebe presidente da Nicarágua no Itamaraty

"Ainda não vi conflito. Eu vi conflito verbal, que é o que nós ouvimos mais aqui nessa América Latina", afirmou Lula.

Lula disse que no dia 6 de agosto participa de reunião bilateral com Hugo Chávez e que depois segue para a Colômbia, onde pretende acompanhar a posse de Santos e conversar tanto com ele quanto com o atual presidente colombiano, Álvaro Uribe.

"Temos de restabelecer a normalidade nas relações entre Venezuela e Colômbia, porque são dois países importantes para nós da América do Sul, são duas grandes economias, são dois países que têm grandes fronteiras".

Tensão

O chanceler venezuelano Nicolás Maduro discutiu na segunda com o Brasil um plano de paz para a resolução da crise instalada entre Venezuela e Colômbia. Maduro encontrou-se em Brasília com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o secretário-geral do Itamaraty, Antônio Patriota, dando início a um rápido giro pelos países vizinhos, com o intuito de discutir um plano de paz que deve ser apresentado nesta quinta-feira na reunião da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), em Quito.

"Como todos sabem, o nosso governo é de paz, com vocação sul-americanista, latino-americanista", disse Maduro, após sair da reunião no Centro Cultural Banco do Brasil, sede provisória do governo. "O presidente Chávez é um combatente pela união e integração (sul-americana)."

Chávez rompeu as relações diplomáticas da Venezuela com a Colômbia depois que o embaixador colombiano na Organização de Estados Americanos (OEA) apresentou denúncia sobre a presença de guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e do Exército de Libertação Nacional (ELN) em território venezuelano.

A tensão entre vizinhos aumenta às vésperas da posse de Juan Manuel Santos, que assumirá o governo da Colômbia no próximo dia 7, sucedendo ao atual presidente, Álvaro Uribe.

EUA aceitam retomar diálogo com Irã
EUA aceitam retomar diálogo com Irã sobre troca de combustível nuclear

Departamento de Estado espera nova reunião das potências nucleares sobre o impasse

Os Estados Unidos estão dispostos a discutir com o Irã um plano de fornecimento de combustível para um reator de pesquisas médicas em Teerã em troca de parte do urânio pouco enriquecido iraniano, informou o Departamento de Estado norte-americano nesta quarta-feira, 28.

"Nós, obviamente, estamos totalmente preparados para dar continuidade com o Irã nas discussões sobre os detalhes de nossa proposta inicial envolvendo o reator de pesquisas de Teerã... assim como, você sabe, os problemas mais amplos de tentar entender completamente a natureza do programa nuclear do Irã", disse a repórteres o porta-voz do departamento, P.J. Crowley.

"Esperamos ter o mesmo tipo de encontro nas próximas semanas como aquele que tivemos em outubro passado", acrescentou.

Diplomatas sêniores dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) -- Grã-Bretanha, China, França, Rússia e Estados Unidos -- e da Alemanha se encontraram com autoridades iranianas em Genebra, na Suíça, em outubro, para discutir a troca de combustível.

Segundo o acordo proposto, que até agora não deu resultados, o Irã enviaria parte de seu urânio baixamente enriquecido à Rússia e à França para purificá-lo em combustível para um reator que produz isótopos medicinais.

As seis principais potências temem que o Irã esteja usando seu programa de enriquecimento de urânio para desenvolver armas nucleares. Teerã nega e diz que seu objetivo é pacífico.


"Avacalhação"
ELIANE CANTANHÊDE
da FSP

BRASÍLIA - De Lula, sobre a iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, que já recebeu 99 chibatadas e foi condenada a ser apedrejada até a morte por adultério: "Eu, sinceramente, não acho que nenhuma mulher deveria ser apedrejada por conta de... ter, sabe, traição".
Só faltava achar que deveria...
E isso significa que ele vá atender à campanha na internet para interceder pela vida de Sakineh?
Resposta: "Um presidente da República não pode ficar na internet atendendo tudo que alguém pede de outro país. Veja, eu pedi pela francesa (...) e pelos americanos que estão lá, pedi para a Indonésia por um brasileiro, pedi para a Síria por quatro. Mas é preciso cuidado, porque as pessoas têm leis, as pessoas têm regras, as pessoas, sabe... Se começam a desobedecer as leis deles para atender o pedido de presidentes, vira uma avacalhação".
Então, entrar na contramão internacional e se meter com o regime Ahmadinejad num acordo que ninguém levou a sério, pode. Mas voltar para a mão certa e interceder a favor de uma pobre coitada ameaçada de uma morte medonha, "vira esculhambação"?
A declaração de Lula poderia ter sido só um escorregão, não fosse o precedente. Ele já desqualificou os manifestantes iranianos que denunciavam ao mundo fraudes na eleição de Ahmadinejad como "chororô de torcida de time perdedor", sem considerar que eles julgam sumariamente e matam os opositores sem dó nem piedade.
E no caso de Cuba? Não bastasse Lula às gargalhadas com os irmãos Castro no dia da morte do dissidente Orlando Zapata por greve de fome, depois ele comparou os que resistem à ditadura cubana a criminosos comuns no Brasil. Logo ele, que já foi perseguido por uma ditadura, teve amigos e companheiros presos, mortos e desaparecidos.
Nada disso combina com a emocionante biografia de Lula, muito menos com o Brasil que ele e todos nós queremos construir.




Lula alega "avacalhação" para não criticar condenação no Irã

da FSP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rejeitou ontem se envolver no caso da libertação da iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada à morte por apedrejamento por suposto adultério.
Questionado sobre a campanha mundial relacionada à iraniana e aos apelos na web pelo cancelamento da pena, Lula disse não poder passar o dia atendendo a pedidos e que as leis dos países devem ser respeitadas, para não virar "avacalhação".
"É preciso tomar muito cuidado porque as pessoas têm leis, as pessoas têm regras. Se começarem a desobedecer as leis deles para atender pedido de presidentes, daqui a pouco vira uma avacalhação", disse. Concluiu que "nenhuma mulher deveria ser apedrejada por conta de traição".
Não é a primeira vez que Lula se omite em casos de desrespeito aos direitos humanos. Em fevereiro, quando visitava o dirigente cubano, Raúl Castro, um preso político morreu após 85 dias em greve de fome. À época, Lula comparou presos políticos a presos comuns.
Quatro brasileiros que cumpriam longas penas de prisão na Síria por tráfico de drogas foram libertados recentemente por decisão do ditador Bashar Assad.
Segundo Brasília, o perdão foi concedido em atendimento a um pedido feito pelo presidente Lula quando Assad esteve em visita oficial a Brasília, no início do mês.

Rapidinhas


Serra defende conclusão de obras de infraestrutura no Tocantins

Tucano prometeu concluir obras de eclusas da hidrovia Tocantins-Araguaia e da Ferrovia norte-sul
Jocyelma Santana
do Estadão

O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra (PSDB), defendeu a conclusão de obras de infraestrutura para beneficiar o Tocantins, onde participou de eventos de campanha nesta terça-feira, 27.

TSE multa Serra pela 4ª vez por campanha antecipada

O presidenciável prometeu, caso seja eleito, concluir as obras das eclusas nas hidrelétricas que já estão em funcionamento e nas que permanecem em construção no Estado. O sistema garante a navegabilidade dos rios, em especial o Tocantins, com a efetivação da hidrovia Tocantins-Araguaia.

Entre outros projetos que Serra defendeu para o Estado estão a conclusão da Ferrovia Norte-Sul (atualmente em fase de construção do trecho entre Guaraí e Palmas) e investimentos em clínicas médicas de especialidades - com ênfase na mulher.

Durante coletiva, o candidato criticou o volume de recursos destinados pelo governo federal à construção do trem bala, que liga o Rio de Janeiro à Campinas (SP). Segundo ele, o montante poderia ser direcionado para melhoria do sistema metroviário urbano das cidades que sediarão jogos da Copa do Mundo de 2014.

Atraso

Com quase duas horas de atraso, o presidenciável chegou a Palmas (TO), onde fez caminhada pela Avenida JK, no centro da capital, acompanhado do candidato ao governo do Tocantins, Siqueira Campos (PSDB) e seu vice, João Oliveira (DEM). Serra entrou em lojas e cumprimentou eleitores. Alguns comerciantes instalados na avenida decidiram antecipar o fim do expediente temendo tumultos na passagem do candidato.

A caminhada, de um quilômetro, durou cerca de uma hora e meia. No escritório de uma farmácia, durante o percurso, Serra concedeu entrevista coletiva.





Livro de Marina ataca Dilma e elogia Serra

Biografia autorizada sugere que petista atropelava área ambiental e debocha do sotaque de Mangabeira Unger

Texto aprovado pela candidata do PV diz que ela tentava convencer Dilma a "levar a sério" o licenciamento do PAC

BERNARDO MELLO FRANCO
da FSP

A biografia oficial da candidata do PV ao Planalto, Marina Silva, sugere que Dilma Rousseff (PT) não "levava a sério" o licenciamento ambiental das obras do PAC e contribuiu para sua queda do governo Lula, em 2008.
O livro elogia José Serra (PSDB) e chama o ex-ministro de Assuntos Estratégicos Mangabeira Unger -outro desafeto de Marina na Esplanada- de "advogado carioca de sotaque esquisito".
Dilma é citada oito vezes, sendo três de forma neutra e cinco em tom negativo, no capítulo que trata do pedido de demissão da senadora.
"Marina travou disputas com Dilma Rousseff, defendendo que as licenças ambientais fossem levadas a sério. Dilma reclamava publicamente do atraso", diz o texto, acrescentando que Lula teria tomado partido da então chefe da Casa Civil.
O livro reproduz artigo do cientista político Sérgio Abranches com duras críticas à petista: "A Amazônia que aparece nas exposições da ministra Dilma é a de uma fronteira de expansão agrícola, recortada por rodovias e coalhada de hidrelétricas. Só falta tirar dos mapas do PAC o verde da floresta".
Ao explicar a queda de Marina, a obra volta a "terceirizar" os ataques à adversária: "O "El País", da Espanha, disse que Lula dava as costas à maior defensora da floresta amazônica em favor de sua ministra desenvolvimentista, Dilma Rousseff".
Serra é citado cinco vezes, nenhuma delas em tom negativo. Num trecho, o livro lhe dá crédito pela aprovação de subsídio para seringueiros do Acre, Estado da senadora, no governo FHC.
"Marina -A vida por uma causa" é assinado pela jornalista Marília de Camargo César e será lançado dia 9 pela editora evangélica Mundo Cristão. A candidata revisou a versão final do texto, que deve ser usado como peça auxiliar da campanha.



Onde está Geraldo?

Líder nas pesquisas, tucano troca contato com eleitores por eventos políticos fechados

DANIELA LIMA
da FSP

Com ampla vantagem nas pesquisas de intenção de votos, o candidato do PSDB ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, ainda não colocou a campanha nas ruas.
Desde o início oficial da corrida eleitoral, no último dia 6, Geraldo Alckmin tem priorizado eventos fechados e encontros políticos ao contato direto com os eleitores.
Levantamento feito pela Folha com base na agenda do candidato mostra que, desde o dia 6, Alckmin promoveu 17 eventos públicos.
O senador Aloizio Mercadante, candidato do PT ao cargo e segundo colocado nas pesquisas, promoveu, no mesmo intervalo, 31 eventos destinados ao contato com o eleitorado.
O recolhimento segue estratégia traçada pelo comando de marketing do tucano.
A avaliação é que, neste momento, quando lidera com folga as pesquisas -no último Datafolha ele aparece com 49% das intenções de voto, 33 pontos percentuais à frente de Mercadante-, Alckmin deve evitar o confronto de propostas.
O problema é que a estratégia do tucano começou a irritar aliados, que dependem a exposição dele para alavancar as candidaturas. "No momento certo, nós vamos intensificar essas ações [de contato com o eleitor]", afirmou José Aníbal (PSDB), coordenador do programa de governo do tucano.




'Só Deus vai me tirar da vida pública quando Ele desejar', diz Maluf

Deputado federal garantiu que não tem condenação definitiva e disse confiar no TRE paulista

Bruno Siffredi
do Estadão

SÃO PAULO - O deputado federal Paulo Maluf descartou nesta terça-feira, 27, a possibilidade de ter sua tentativa de reeleição barrada pela Lei da Ficha Limpa, apesar da iniciativa da Procuradoria Eleitoral de São Paulo, que deve pedir amanhã ao Trinbunal Regional Eleitoral (TRE) do Estado a impugnação da sua candidatura. "Só Deus vai me tirar da vida pública quando Ele desejar", afirmou.

RELEMBRE: Maluf é condenado por compra superfaturada de frangos

OUÇA: "Ninguém tem a ficha mais limpa que o Paulo Maluf", diz ele

Maluf lembrou que foi inocentado em primeira instância e disse que, no segundo julgamento, "houve uma divergência". "Nós ingressamos com um recurso e temos direito a outro recurso, que é o embargo infringente, portanto eu não tenho condenação, o caso não foi julgado", explicou.

"Ninguém fez mais do que eu e não tem nenhuma condenação penal, sou o único político deste País que entrou na vida pública há 43 anos e estou no mesmo partido. Sou o único político deste País que, com 43 anos de vida pública, mora na mesma casa em que entrou, e ainda estou casado com a mesma mulher há 55 anos", disse o deputado. "De maneira que ninguém tem a ficha mais limpa do que Paulo Maluf."

O deputado afirmou ter certeza de que o TRE paulista é composto por "desembargadores e juízes que conhecem a lei" e disse que pretende continuar a campanha normalmente. "Só Deus vai me tirar da vida pública quando Ele desejar", acrescentou.

Ele apoiou a proposta do candidato do PP ao governo de São Paulo, deputado federal Celso Russomanno, de aumentar a pena da Lei da Ficha Limpa. "Pra mim pode aumentar para 200 anos, porque eu não tenho nenhuma condenação", disse Maluf.

Transferência de votos. Deputado federal mais votado do País em 2006, Maluf disse que espera transferir votos do seu eleitorado cativo para Russomanno e previu que, com sua ajuda, o candidato pode chegar ao segundo turno da eleição estadual. "Eu tenho doze pontos. Se dos meus doze 60% for (transferido para Russomanno), ele vai para mais seis, sete, oito pontos para frente, passa o Mercadante e vai pro segundo turno", indicou.

Maluf descartou participar de um eventual governo do PP em São Paulo. "Se eu for eleito deputado federal, eu acho que eu devo excercer meu mandato", concluiu o deputado, que disse em seguida não considera a hipótese de não ser reeleito.




coluna do Ancelmo Gois-Globo

Dolce far niente

É dura a vida do consultor José Dirceu.
Ontem, de boné, bermuda e chinelo, o ex-ministro tomava uma bebidinha, na maior paz, num bar da Av. Baía dos Golfinhos, na Praia de Pipa, o balneário do Rio Grande do Norte.



..., é melhor trocar trem-bala por outras obras


Para Serra, é melhor trocar trem-bala por outras obras no país
Tucano diz que valor que será gasto em ligação SP-RJ daria para construir 300 km de metrô além de rodovias

Candidato, que recebeu sua 4ª multa do TSE por propaganda antecipada, admite não ser não o criador dos genéricos

GABRIELA GUERREIRO
ENVIADA ESPECIAL A PALMAS (TO) /FSP

O candidato à Presidência José Serra (PSDB) sinalizou ontem que, se for eleito, vai rever a criação do trem-bala ligando São Paulo ao Rio. O tucano disse que, com os gastos da construção do trem, o governo federal poderia finalizar outras obras pelo país.
"Quando eu vejo essa questão do trem-bala, que está estimado em R$ 35 bilhões [...], não era melhor pegar esse dinheiro e fazer 300 km de metrô no Brasil?", questionou, em Palmas (TO).
Segundo ele, "daria para fazer estrada Campinas-São Paulo. Haveria recursos para fazer a estrada, lá vai estar [o aeroporto de] Viracopos, e para fazer todas as obras ferroviárias ligadas à Copa".
O tucano afirmou que, apesar de estar estimado em R$ 35 bilhões, o trem-bala vai chegar ao custo de R$ 50 bilhões para o governo federal.

GENÉRICOS
Ontem, depois de ter questionada a paternidade dos medicamentos genéricos, Serra admitiu que não "inventou" esse tipo de remédio. O tucano disse que a ideia já existia e só trabalhou para colocá-la em prática.
"Eu nem sabia [dos genéricos] quando assumi o Ministério [da Saúde]", afirmou.
Serra disse que o ex-deputado Ronaldo Cezar Coelho (PSDB) lhe falou sobre os genéricos, por isso decidiu trabalhar pela implementação.
O tucano disse que, como o projeto em discussão tinha falhas, fez alterações para garantir o atual modelo de produção dos remédios.
O PSDB chegou a colocar em seu site texto no qual sustentou que o candidato apresentou a "Lei dos Genéricos".
A reação tucana veio após a candidata Dilma Rousseff (PT) reivindicar a paternidade dos genéricos para o ex-ministro do governo Itamar Franco, Jamil Haddad.
Ontem o Tribunal Superior Eleitoral multou Serra em R$ 10 mil por propaganda antecipada. Essa foi quarta punição dele, que deve à Justiça Eleitoral R$ 25 mil.
A penalidade se refere às inserções veiculadas em 16 e 21 de junho. A campanha tucana disse que recorrerá.


*Colaborou FELIPE SELIGMAN, de Brasília

'Não estou fugindo de nada'



'Não estou fugindo de nada', diz Dilma sobre debates

MONICA BERNARDES
do Estadão

Em campanha no Estado de Pernambuco, onde gravou cenas para o Guia Eleitoral, a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Roussef, rebateu as críticas de que estaria fugindo dos debates. "Não estou fugindo de nada. Tenho o que falar e o que mostrar. Quem faz este tipo de acusação é quem não tem o que falar. Eu tenho uma herança, tenho um trabalho positivo. Vou aos debates tradicionais. Não há nenhum debate marcado antes do início de outubro. O que há são alguns convites pontuais que, à medida do que for possível, vamos conciliando. Mas eu tenho que fazer campanha, tenho que viajar", afirmou ao enfatizar que não participou do debate promovido por um portal de comunicação porque eles não se entenderam sobre exclusividade na realização do evento.

Dilma ainda disparou pesado contra seu principal adversário, o candidato do PSDB, José Serra. Usando frases ácidas, a petista mandou um recado duro e direto ao partido em reposta ao que chamou de "tática do medo". "Vamos vencer o medo que eles tentam espalhar, com a competência, com o crescimento econômico, com o Bolsa Família. Vamos vencer as ameaças de terror porque temos hoje um patrimônio que é de toda a população brasileira, que é o governo Lula", afirmou em entrevista à imprensa esta noite, em Recife. De acordo com a petista, apesar dos "ataques pessoais", sua campanha manterá o nível.

Ainda tratando das polêmicas envolvendo as críticas da oposição, a candidata afirmou que a composição de um futuro ministério obedecerá a critérios técnicos e políticos. "Vocês deveriam dar uma olhada nas estatais de petróleo e gás para ver como é que era, quando a gente chegou. Não é possível pensar só em pessoas técnicas para os cargos. Agora, para os cargos políticos, é preciso ter critério. O principal é a ética e a ideologia política, que tem que estar do povo. O lado de Dilma é o lado dos 190 milhões de brasileiros, especialmente dos menos favorecidos", afirmou.

Ciro Gomes

Questionada sobre a relação com o ex-ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes (PSB-CE), e a expectativa de seu apoio na campanha presidencial, a petista foi evasiva. "Meu relacionamento com o Ciro vem de longe, dos tempos em que enfrentamos muitas dificuldades e ele estava ao lado do presidente Lula, com ética, responsabilidade e lealdade. Então, o que o Ciro achar que deve fazer na campanha, eu vou aceitar e entender", destacou ao minimizar o descontentamento público do socialista após ter sido preterido pela direção nacional do partido na disputa ao Planalto.

Banco Central

Dilma Rousseff afirmou que, diante de uma eventual vitória na disputa pela Presidência da República, não fará alterações no modelo adotado pelo governo Lula para a gestão do Banco Central, focado na autonomia da instituição. "Eu vou fazer como o nosso presidente, o Lula, e vou usar uma metáfora futebolística. Em time que está ganhando não se mexe. E é exatamente este meu pensamento em relação ao Banco Central. A autonomia será mantida", destacou a candidata.

A petista aproveitou para criticar o que chamou de "exemplo irresponsável", ao se referir à postura adotada em relação ao BC durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, aliado de Serra - que atuou diretamente na definição da política econômica, como Ministro do Planejamento e Orçamento, entre os anos de 1995 e 1996. "No passado, meus adversários deixaram a eleição passar para depois fazer o câmbio flutuar, provocando uma verdadeira pancada na economia nacional. Nós não fizemos e nem faremos nada do tipo. Temos uma posição clara, coerente", destacou.

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