Evaldo Augusto Torres Alves /editor
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Política

Palmeirense, Serra vai a jantar com Ronaldo



Palmeirense, Serra vai a jantar com Ronaldo

Convite partiu de jogador do Corinthians, que promete chamar outros candidatos

DE SÃO PAULO

Fanático palmeirense, José Serra se enfiou em roda de corintianos. Pelo Twitter, na madrugada de ontem, o presidenciável do PSDB avisou que tinha voltado de um "jantar agradável na casa do Ronaldo e da Bia", mulher do atacante do Corinthians.
Pela manhã, também pelo microblog, Ronaldo se antecipou a eventuais polêmicas. Disse que a recepção não significava "apoio político".
"Eu e meus companheiros no Corinthians só demos sugestões para políticas públicas de apoio ao esporte." Segundo Ronaldo, a dose será repetida "com outros candidatos também". O ex-presidente FHC e o lateral Roberto Carlos, entre outros jogadores, também compareceram.
Serra só lamentou o fato de, "entre umas 25 pessoas presentes", ser "o único palmeirense".

Sarney boicota investigação dos atos secretos

Sarney boicota investigação dos atos secretos, revelados pelo 'Estado', e emperra inquérito sobre o maior escândalo do Senado

Nos últimos 15 anos, foram escondidos mais de 500 atos administrativos

Leandro Colon
do Estadão

BRASÍLIA - O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), se nega a responder aos questionamentos da Procuradoria-Geral da República sobre os atos secretos e, com isso, paralisou as investigações abertas em 16 de junho de 2009, seis dias após o Estado revelar a existência dos boletins sigilosos.

Somente entre março e junho de 2010 dois ofícios de quatro páginas foram enviados pela Procuradoria - que representa o Ministério Público no diálogo com o Senado - diretamente ao próprio Sarney, mas nenhuma resposta foi dada pelo senador.

O primeiro, de número 169/2010, foi remetido ao presidente do Senado em 5 de março deste ano. Sem retorno, o Ministério Público insistiu no dia 8 de junho com o ofício 3286/2010, em que deu um prazo de 15 dias para Sarney.

Até ontem, não havia nos volumes do inquérito nenhuma resposta do parlamentar. Esses dois ofícios reúnem pedidos incluídos em outros três documentos endereçados em 2009, sem sucesso, à diretoria-geral.

O resultado dessa postura do Senado é a demora na conclusão do inquérito civil que apura as responsabilidades sobre as medidas ocultas que deram privilégios, gratificações, aumentaram salários e nomearam parentes e aliados de servidores e senadores, inclusive de José Sarney.

Com o prazo expirado em junho passado, o inquérito, que já passa de cinco volumes, teve de ser prorrogado por mais um ano. Nas quatro páginas do ofício enviado ao Senado está, por exemplo, uma pergunta sobre um neto de Sarney, João Fernando Michels Gonçalves Sarney.

O rapaz trabalhou por um ano e 9 meses no gabinete de Epitácio Cafeteira (PTB-MA) e foi demitido, por ato secreto, em outubro de 2008, em meio ao cumprimento à decisão judicial antinepotismo. Os procuradores querem saber quem substituiu João Fernando no Senado.

A Casa não deu essa explicação. Assim como se recusa a informar por que e quanto pagou por meio de atos secretos que autorizaram dar gratificações retroativas aos funcionários. Nesse caso, o objetivo do Ministério Público é tentar buscar uma forma de, se necessário, obrigar o Senado a devolver o dinheiro aos cofres públicos. Houve casos em que um ato produzido em agosto de um ano autorizou o pagamento de benefícios referentes aos seis meses anteriores.

Foi solicitada ao Senado, por exemplo, a cópia do arquivo digital com todos os boletins publicados até junho de 2009 e a Procuradoria recebeu cópia de uma folha de papel com a imagem de um CD. Outro questionamento que Sarney não responde ao Ministério Público é se havia permissão do setor técnico de Orçamento do Senado para produzir atos secretos que dividiram os cargos de servidores, permitindo a multiplicação de funcionários nos gabinetes.

Conforme o Estado revelou no ano passado, foram escondidos mais de 500 atos administrativos nos últimos 15 anos. Apontado como mentor do esquema por uma sindicância interna, o ex-diretor-geral Agaciel Maia, braço direito de Sarney no Senado, é considerado no inquérito um dos principais responsáveis por esses boletins. Por enquanto, a tendência é de que ele seja denunciado, no mínimo, por improbidade administrativa junto com outros ex-assessores.

Sem a colaboração do Senado, o Ministério Público já trabalha com a possibilidade de desmembrar o inquérito e, assim que possível, entrar com as primeiras ações na Justiça ainda em 2010 com base no material já colhido.

O Senado enviou os autos com o processo administrativo disciplinar que pediu a demissão de Agaciel e a suspensão de outros servidores. Na avaliação dos membros do Ministério Público, o material contribui para o inquérito, mas a investigação é feita pelo próprio Senado.

O Ministério Público quer esclarecer o envolvimento de mais servidores no episódio e se as resoluções aprovadas de uma só vez, que convalidavam centenas de atos administrativos, foram publicadas no Diário Oficial. Por enquanto, porém, o silêncio impera no Senado.


'Senado virou uma casa de amigos'
Entrevista com Pedro Simon - 'Senado virou uma casa de amigos'

Na batalha para mudar as coisas, senador gaúcho reúne suas propostas em novo livro

Leandro Colon
do Estadão


BRASÍLIA - O senador Pedro Simon (PMDB-RS) define numa frase o que pensa sobre a Casa que representa: "O Senado se transformou numa casa de amigos". Em entrevista ao Estado, por telefone, do Rio Grande do Sul, Simon não esconde a decepção com o fracasso nas tentativas de mudanças administrativas depois do ano de escândalos em 2009.

Em uma cruzada para tentar mudar as coisas, o senador lançou recentemente um livro, O Senado nos Trilhos da História - no qual apresenta, em 122 páginas, as falhas na inchada e suspeita estrutura que serve aos senadores. Entre outros documentos, o livro - do qual foram distribuídos mil exemplares - inclui o projeto de reforma administrativa do Senado e o estudo preparado sobre a reformulação da casa pela Fundação Getúlio Vargas. Uma tentativa, como resumiu Simon, de "tornar o Senado menos oneroso, mais transparente e mais ajustado às expectativas do Brasil".

Um ano depois dos escândalos administrativos, qual é o seu balanço sobre a situação do Senado?


Não vi nada de melhor. Até agora a comissão que se debruçou para analisar a reforma administrativa parou porque ficou um ano discutindo o plano de carreira dos funcionários, o aumento para os servidores.

Eles (funcionários) aumentaram os salários como bem entenderam, um projeto feito por eles próprios. Votei contra, mas na verdade foi aprovado um plano espetacular para os funcionários. Fora isso, não foi feito mais nada.

E a reforma administrativa?

A tal da reforma não foi feita. Eu publiquei o livro como desencargo de consciência, porque daqui a 30 anos alguém vai dizer "aconteceram essas coisas". Eu pelo menos poderei afirmar que quis apresentar emendas. Tentei e mostrei, mas não há interesse.

Não falta comprometimento por parte dos senadores?

Não tivemos sorte de encontrar um presidente ou um primeiro-secretário que dissesse "eu vou fazer, eu vou mudar". Eles entregam na mão do diretor-geral, que faz da forma como bem entende. Então, o primeiro-secretário fica na mão do diretor-geral, e o presidente não participa de nada. Um senador ganha R$ 16 mil, e está cheio de funcionários, na Casa, que ganham o dobro disso.

O Senado precisa de 10 mil funcionários?

É evidente que não.

O senhor vai sair da política?

Tenho mais quatro anos. Não tenho coragem de renunciar, seria uma covardia. O Estado revelou que senadores estão transferindo assessores para seus redutos eleitorais durante a corrida eleitoral...

O problema todo é que o Senado se transformou numa Casa de amigos. Então, tudo é permitido. Não há normas fixas, regras. Esse é um motivo da dificuldade em encontrar gente que queira disputar uma eleição para deputado porque dizem que a concorrência é desleal. Não existe verba pública de campanha, mas o parlamentar usa uma enormidade de coisas públicas. O que se percebe é que o parlamentar escolhe quem quiser e paga o que quiser.

Mal-estar com PDT faz Dilma cancelar agenda
Mal-estar com PDT faz Dilma cancelar agenda

DA ENVIADA A PORTO ALEGRE/FSP

O desconforto da disputa pelo PDT na corrida ao governo do Rio Grande do Sul levou ontem ao cancelamento de uma agenda de Dilma Rousseff (PT) com 500 prefeitos, vice-prefeitos e líderes de partidos da aliança nacional em torno de sua candidatura.
O PDT, coligado de José Fogaça (PMDB) ao governo -o vice é o pedetista Pompeo de Mattos-, fez chegar aos ouvidos de Dilma e Lula seu descontentamento pelo assédio que prefeitos da sigla vêm sofrendo do grupo que apoia Tarso Genro (PT).
No plano nacional, PT, PMDB e PDT integram a coligação de Dilma. No Rio Grande do Sul, vivem uma guerra. Tarso e Fogaça são os principais candidatos ao governo.
O presidente do PDT no Estado, Romildo Bolsan Jr., acusa o PT de ser "antiético e usar táticas de guerrilha" para cooptar pedetistas.
Na noite de quinta, antes do comício com Lula, Dilma pediu a Tarso que moderasse o assédio aos pedetistas. Entre os cooptados está o ex-governador Alceu Collares (PDT), que participou do comício, mas não falou.
Segundo o prefeito Ari Vanazzi (PT), que coordena a campanha de Dilma no RS, o encontro de ontem ficou para o dia 12, quando será inaugurado o comitê. (ANA FLOR)

Ele cuida só dos vizinhos



Lula defende ideia de financiar obra de US$ 400 mi

da FSP

DE ASSUNÇÃO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu ontem o financiamento pelo Brasil da construção de uma nova linha de transmissão ligando a hidrelétrica de Itaipu a Assunção, no Paraguai.
Lula argumentou que a obra vai permitir aos brasileiros viverem em paz com o país vizinho. A construção custará ao Brasil cerca de US$ 400 milhões e ficará pronta no final de 2012.
A obra é uma das concessões feitas pelo Brasil ao governo de Fernando Lugo para evitar a revisão do tratado de Itaipu. O Paraguai ameaçava pedir a revisão para pressionar pelo aumento do valor pago pelo excedente de sua cota de energia.

Fidel Castro diz que se 'recuperou totalmente'
Fidel Castro diz que se 'recuperou totalmente' de problemas de saúde

Ex-líder participa de eventos com jovens e pede que novas gerações cumpram 'dever sagrado' de promover valores revolucionários.

do Estadão

O ex-presidente de Cuba Fidel Castro afirmou que se recuperou "totalmente" dos problemas de saúde que o levaram a se licenciar do cargo e passar o bastão para o seu irmão, Raul Castro, em 2006.

Em um encontro com jovens cubanos, transmitido pela TV oficial e narrado na edição deste sábado do "Granma", o jornal oficial do Partido Comunista cubano, Fidel disse que "venceu as batalhas" contra a doença e pediu que a nova geração cumpra o "dever sagrado" de levar a mensagem da Revolução Cubana adiante.

De acordo com a imprensa oficial cubana, o encontro reuniu cerca de cem jovens, entre representantes de entidades comunistas, artistas, estudantes e intelectuais e, "em um lugar especial", o hoje adolescente Elián González, cuja custódia gerou uma batalha entre os familiares nos EUA e o governo cubano dez anos atrás, tornando-se um símbolo das tensões entre EUA-Cuba.

Fidel se referiu ao seu estado de saúde antes de ler uma mensagem para os jovens. Disse que "não faz muito tempo, realmente, venci as últimas batalhas para estar como estou hoje".

Em seguida, pediu que os jovens lutem contra "o mais poderoso império que a humanidade conheceu", os Estados Unidos e seu sistema econômico capitalista.

"O sistema econômico que prevaleceu é incompatível com os interesses da humanidade", disse. "As novas gerações de jovens cubanos devem fazer chegar sua mensagem, que nasceu da experiência vivida por sua pátria, cumprirão um dever sagrado imposto pela época que lhes coube viver."

Guerra na Coreia ou Irã

Durante o encontro, Fidel também alertou para um possível conflito nuclear envolvendo a Coreia do Norte ou o Irã - temas de que tem tratado em sua coluna "Reflexões do Companheiro Fidel", publicadas semanalmente no órgão de imprensa do PC cubano.

"Preferimos aferrar-nos à esperança de que as ponderações empregadas na Reflexão da próxima terça-feira, 3 de agosto, se ajustem à realidade", afirmou Fidel.

"Do contrário, o perigo de que se inicie uma nova guerra, que logo se tornaria nuclear, seria a única alternativa."

Fidel fará 84 anos no próximo dia 13 de agosto. A época coincidirá com o período quando ele pretende lançar a primeira parte de sua biografia. O livro se chamará "La victoria estratégica (A Vitória Estratégica)" e se concentrará nos eventos imediatamente anteriores à Revolução Cubana.

O líder afirmou que continuará trabalhando no segundo volume de suas memórias.

Em 2006, o então presidente de Cuba se retirou da vida pública para tratar de problemas de saúde, transferindo o poder para o irmão, Raul Castro. Ele demorou até aparecer novamente em público e, quando o fez, apareceu em vestimentas que davam a impressão de um paciente convalescente.

No ultimo dia 25 de julho, Fidel vestiu pela primeira vez desde então a camisa verde-musgo pela qual ficou conhecido. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.


Chávez mobiliza militares na fronteira


Chávez mobiliza militares na fronteira em meio a tensão com Colômbia

Presidente anunciou a revisão de planos de guerra para conter possível 'agressão militar' de Uribe

do Estadão

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse nesta sexta-feira, 30, que mobilizou unidades da infantaria e da força aérea em meio à tensão com a Colômbia, que denunciou nesta semana que Caracas abriga guerrilheiros de esquerda em seu território. O líder venezuelano não detalhou a região para onde enviou as forças, nem o número de unidades.

Chávez acrescentou, no entanto, que seu ministro de Relações Exteriores está pronto para se reunir com a chancelaria do presidente colombiano eleito, Juan Manuel Santos, após sua posse, em 7 de agosto, a fim de reparar as deterioradas relações bilaterais.

"Há três noites eu dizia ao vice-presidente (Elías Jaua): 'que tristeza me dá estar revisando planos de guerra!'", relatou Chávez em entrevista telefônica à emissora estatal "VTV", oito dias após ter decidido o rompimento formal das relações diplomáticas com a Colômbia.

O presidente destacou os planos do governo venezuelano para conter uma eventual "agressão" militar ordenada pelo presidente colombiano Álvaro Uribe, que, segundo Chávez, "é capaz de tudo".

"Mobilizamos unidades de defesa aérea, de infantaria, de operações especiais" em pontos específicos dos mais de 2,2 mil quilômetros da fronteira comum, mas não identificou quais eram esses locais. Tudo isso, ressaltou, "em silêncio, porque não queremos causar alarme".

Chávez manifestou que Uribe deveria consultar um psiquiatra "porque está descarado, doente de ódio". O líder venezuelano insistentemente repetiu que seu objetivo é que exista paz não só entre os dois países, mas também a paz interna na Colômbia.

O governo venezuelano rompeu as relações com Bogotá após o embaixador colombiano na OEA denunciar ao organismo a suposta presença de guerrilheiros em território venezuelano, com o consentimento de Chávez.

O preço da verborragia


O preço da verborragia

NOTAS & INFORMAÇÕES
do Estadão

Os iranianos que se manifestavam contra a fraude que permitiu a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, em junho do ano passado, nada podiam fazer quando o presidente Lula comparou os seus protestos ao "choro de perdedor" dos torcedores de um time de futebol e reduziu os choques de rua em Teerã entre os opositores e as forças de repressão do regime a "apenas uma coisa entre flamenguistas e vascaínos".

Também os presos políticos cubanos não tinham como responder ao dirigente brasileiro quando, em março último, ele condenou a greve de fome que levou à morte o dissidente Orlando Zapata Tamoyo, por sinal na véspera de uma visita de Lula a Havana, onde considerou o seu sacrifício "um pretexto para liberar as pessoas" - e foi além. "Imagine", comparou, "se todos os bandidos presos em São Paulo entrarem em greve de fome e pedirem liberdade."

Muito menos poderia retrucar ao presidente a iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada à morte por apedrejamento por alegado adultério. Perguntado dias atrás sobre a campanha "Liga Lula" para que interceda pela sentenciada junto ao seu bom amigo Ahmadinejad, ele reagiu: "As pessoas têm leis. Se começarem a desobedecer as leis deles para atender o pedido de presidentes, daqui a pouco vira uma avacalhação."

Mas há quem possa dar-lhe o troco. Foi o que fez o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, depois que um leviano e boquirroto Lula desdenhou do agravamento das tensões entre Bogotá e Caracas. O protoditador Hugo Chávez rompeu as relações da Venezuela com o país vizinho em represália à decisão colombiana de apresentar na OEA as provas da presença de 1.500 membros da organização narcoterrorista Farc em território venezuelano, obviamente sob a proteção do caudilho.

Lula, cuja primeira manifestação a respeito já tinha deixado claro o seu alinhamento automático com Chávez - "as Farc são um problema da Colômbia, e os problemas da Venezuela são da Venezuela", sofismou -, reincidiu na quarta-feira, véspera da reunião dos chanceleres da ineficaz União das Nações Sul-Americanas (Unasul), em Quito. O tema do encontro, que deu em nada, era o conflito político entre os dois países. "Falam em conflito, mas ainda não vi conflito", minimizou Lula. "Eu vi conflito verbal, que é o que mais ouvimos aqui nessa América Latina."

Equiparar a um bate-boca um problema dramático para a Colômbia, que passou 40 anos sob o terror das Farc antes de serem reduzidas à mínima expressão possível pela firmeza com que as enfrentou o presidente Uribe, foi nada menos do que um inconcebível insulto a uma nação e ao seu governante. Uribe, que difere de Lula por falar pouco e fazer muito, não poderia fingir que não ouviu a afronta.

Ele replicou com a mais dura mensagem já dirigida a um chefe de Estado brasileiro, até onde chega a memória. "O presidente da Colômbia", dispara a nota, "deplora que o presidente brasileiro, com quem temos cultivado as melhores relações, refira-se a nossa situação com a Venezuela como se fosse um caso pessoal." Uribe ainda o acusou de ignorar a ameaça que a presença das Farc na Venezuela representa "para a Colômbia e o continente".

Trata-se da primeira demonstração da perda de respeito por Lula no exterior - e ele só tem a culpar por isso a sua irreprimível logorreia. Não terminasse o seu mandato daqui a 5 meses, a erosão de sua imagem internacional só se intensificaria. Não seria de espantar se um dia alguém o admoestasse, como o rei da Espanha, Juan Carlos, fez com o bravateiro Chávez, perguntando-lhe: "Por qué no te callas?" Não bastasse a grosseria, Lula nada fez para assegurar aos colombianos de que poderia ser um intermediário isento entre Bogotá e Caracas.

Ele parece ecoar a batatada do chanceler venezuelano Nicolas Maduro, que falou de "um plano de paz sul-americano" para resolver "a questão de fundo" da Colômbia com as Farc. Ao que o seu colega colombiano Jaime Bermudez contrapôs ironicamente a ideia de um hipotético "plano de democracia para a Venezuela". Pensando bem, talvez fosse mesmo melhor Lula se ocupar do Irã em vez de fazer papelão perante os vizinhos do Brasil.


Rapidinhas


Serra diz que fuga de debates é 'física e de ideias'

CAROLINA FREITAS
do Estadão

O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, disse hoje ver uma "fuga do debate" na disputa eleitoral deste ano. Em uma referência indireta à sua adversária Dilma Rousseff, do PT, o tucano afirmou: "Há uma fuga do debate não apenas física, mas também de ideias." Dilma tem recusado convites para debates em veículos de comunicação.

Segundo Serra, está "difícil" debater temas de governo. "Não se debatem temas. Hoje tem um mecanismo que é uma central de boatos, que espalha coisas, e uma atitude de ofendido quando você diz alguma coisa que todo mundo sabe que é verdade", afirmou, após ser sabatinado na Rede Record, em São Paulo.

Serra voltou a classificar-se como um político de esquerda, em resposta a petistas que o chamaram de integrante da "direita troglodita". "Uma coisa é certa: quem se acha de esquerda tem de ser defensor irrestrito dos direitos humanos. Eu não teria confiado no Ahmadinejad", disse, em referência ao presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que recebeu apoio do governo brasileiro diante da comunidade internacional.

Apesar da polêmica em torno do rótulo de "direita", Serra disse não se incomodar com ele. "Não incomoda nem ''desincomoda''. É apenas gente que não tem o que dizer, é de direita e inventa factoides." O tucano lembrou ainda dos componentes do que tem chamado de "tripé maldito" da economia para distinguir a direita e a esquerda. "Defender o maior juro real do mundo não é ser de esquerda, defender a menor taxa de investimento governamental do mundo não é ser de esquerda, defender a maior carga tributária do mundo em desenvolvimento também não é ser de esquerda."


Sem-terra

Crítico do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Serra disse que em um eventual governo tucano faria novos assentamentos e atuaria para aumentar a produtividade dos que já existem. "Hoje você tem muitos assentamentos cujos proprietários vivem de cesta básica." Questionado sobre como trataria o MST caso se eleja presidente, o candidato respondeu: "Como um movimento político que tem toda a liberdade para expor suas ideias e para se organizar. Agora, eu não vou subsidiar com recurso dos contribuintes, como é feito hoje."



ELIANE CANTANHÊDE
da FSP

Força e desequilíbrio

BRASÍLIA - Álvaro Uribe passa o governo da Colômbia no próximo dia 7 para seu sucessor, Juan Manuel Santos, e esperou os últimos dias de mandato para dizer ao presidente Lula poucas e boas engasgadas na sua garganta contra a posição enviesada do Brasil no conflito entre Colômbia e Venezuela, entre Uribe e Hugo Chávez, entre direita e esquerda do continente.
Ao tentar minimizar a crise entre os dois países, Lula a reduziu a um "conflito verbal". Uribe reagiu "deplorando" essa posição, pois o que conta é "a ameaça que a presença de terroristas das Farc representa para a Colômbia e o continente".
Foi uma cacetada no Brasil, que toma partido no conflito, a ponto de Lula falar com Chávez e não com Uribe quando, de um lado, a Colômbia mostrou o que seriam provas documentais de que a Venezuela abriga narcoguerrilheiros colombianos e, de outro, a Venezuela rompeu relações com o vizinho.
Ok. A Colômbia é dependente dos EUA, botou tropas americanas dentro do continente e acobertou paramilitares criminosos. Mas a Venezuela não é uma maravilha nos quesitos democracia, economia e área social. O governo Lula deveria ter sido mais equilibrado e menos ideológico na relação com duas nações vizinhas e amigas do Brasil.
Venezuela e Colômbia têm uma fronteira de 2.200 quilômetros, e o comércio bilateral é decisivo para ambas. Exemplo: o segundo destino das exportações colombianas é a Venezuela, só atrás dos EUA. Com o bloqueio comercial, o total de vendas caiu de cerca de US$ 8 bilhões em 2008 para a expectativa de apenas US$ 2 bilhões no final deste ano. Assim, o desemprego na Colômbia bate em 14%.
Venezuela e Colômbia têm uma dependência mútua, como Santos, o presidente eleito, compreende bem. Basta empurrar um para o outro, o que o Brasil tem força de sobra para fazer. Ou teria, se não tivesse optado por um dos lados e desperdiçado toda essa força



FERNANDO DE BARROS E SILVA
da FSP

Educação e demagogia

SÃO PAULO - O candidato petista ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, precisa esclarecer melhor suas propostas para a educação: se eleito, pretende ou não acabar com o sistema de progressão continuada no ensino público?
Na sabatina realizada pela Folha, o senador foi enfático: "Vamos acabar imediatamente com a aprovação automática. Vai ter avaliação". Questionado se isso significava o fim da progressão continuada (que não reprova o aluno ano a ano, mas ao final de um ciclo), tergiversou: "Avaliar não é para reprovar. O que acontece na aprovação automática? Você finge que não reprovou, mas a vida vai reprovar". A frase de efeito é boa, mas a pergunta ficou sem resposta.
Quem implantou o sistema de progressão continuada em São Paulo foi o educador Paulo Freire, insuspeito de "tucanismo", quando secretário de Luiza Erundina. Mário Covas adotou o modelo no Estado em 1995. O desafio daquela época era, fundamentalmente, colocar (e manter) a criança na escola. As taxas de repetência e de evasão escolar eram alarmantes.
Hoje, ao menos no ensino fundamental, as crianças estão na escola. O que é um avanço. Mas a escola é ruim e as crianças aprendem pouco. O que é um problema sério. Os tucanos, há 16 anos no poder, têm óbvia responsabilidade sobre isso.
A "culpa", no entanto, não é da progressão continuada. Reprovar mais não é sinônimo de elevar o nível do ensino. Pode, dizem especialistas, significar o contrário. Estudos mostram que o aluno repetente aprende menos, e não mais que seus colegas; que a reprovação pode ser fator de "deseducação", além de estímulo à exclusão social.
Cerca de 85% dos alunos do ensino fundamental e médio do Estado (mais de 4 milhões de pessoas) estão na rede pública. A escola privada (o nosso mundinho de elite) forma 15% dos jovens. O desafio é imenso. Menos empáfia tucana e menos demagogia petista seriam um bom ponto de partida para SP.



Aécio e Anastasia escondem Serra em material de campanha

RODRIGO VIZEU
da FSP

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, tem aparecido de forma tímida no material de campanha do ex-governador Aécio Neves e do governador Antonio Anastasia, seus aliados tucanos em Minas Gerais.
A reportagem pediu cartazes, adesivos e santinhos em quatro comitês da campanha de Anastasia em Belo Horizonte. Em três deles, nada existia com a foto de Serra.
No último deles, só após pedido específico de algo com o candidato presidencial, foram entregues adesivos com o rosto de Serra -acompanhado apenas dos nomes dos tucanos mineiros.
Além do "Serra solitário", único material obtido com a imagem do candidato, foram pegos outros dez modelos diferentes da campanha de Anastasia. Apenas cinco deles tinham Serra, mas só o nome dele nos cantos e em tamanho reduzido.
Os materiais mais populares nas ruas de BH são os adesivos só com Anastasia, candidato à reeleição, ou dele acompanhado apenas de Aécio e Itamar Franco (PPS), candidatos ao Senado.

DILMA
A situação contrasta com a farta exposição de Dilma Rousseff (PT) no material de campanha de Hélio Costa (PMDB) ao governo mineiro.
No comitê do peemedebista, a reportagem obteve seis tipos de impressos, todos com referências a Dilma -quatro deles com a imagem da petista acompanhada de seus aliados mineiros. Há ainda distribuição de material produzido pela campanha nacional do PT.
Anteontem, em visita a BH, Serra disse não considerar "grave" sua menor exposição. "É uma coisa que se corrige com enorme facilidade", disse. Ele disse ver "pleno empenho" de Aécio em sua campanha presidencial.
A campanha de Aécio e Anastasia informou que produz até 20% do material sem Serra para atender aos partidos da coligação que não apoiam o tucano para presidente, como PR, PDT e PSB.






Troca nos Correios foi feita para tentar blindar D



Troca nos Correios foi feita para tentar blindar Dilma

Receio era que crise na estatal fosse explorada pela oposição na campanha

PMDB não participou do processo, coordenado pelos ministros Erenice Guerra, Paulo Bernardo e Alexandre Padilha

ANDREZA MATAIS/LEILA COIMBRA /LETÍCIA SANDER
da FSP

O governo decidiu trocar o comando dos Correios num esforço para evitar que a crise na estatal contamine a campanha eleitoral na reta final e seja usada pela oposição, principalmente na propaganda de TV, contra a candidata petista Dilma Rousseff.
A demissão de Carlos Henrique Custódio da presidência da empresa foi publicada ontem no "Diário Oficial da União". David José de Matos tomou posse no seu lugar. Pedro Magalhães, diretor de gestão de pessoas, deve ser exonerado hoje.
Custódio foi demitido anteontem momentos depois de ter participado de uma cerimônia com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O tucano José Serra já explorou os problemas da estatal na campanha. "Você coloca lá uma direção que não tem nada a ver e os Correios desandam", disse ele, em visita ao Tocantins, na terça.
Entre os problemas enfrentados pela empresa estão: atraso na entrega de correspondência, na realização de concurso público e nas licitações para franquias.
Em novembro acaba o prazo para que a estatal faça licitações -1.400 agências podem fechar. Franqueados estão descontentes com as condições que o governo colocou no edital para que continuem com as agências.
O site do PSDB tem destacado o tema com a informação de que os Correios fizeram cartilha com dicas para candidatos conquistarem votos, como mostrou a Folha.
A operação para "blindar" Dilma, que seria cobrada pela má gestão nos Correios por se apresentar como gerente do governo Lula, incluiu descartar o PMDB na decisão de demitir o chefe da estatal.
A cúpula do partido no Senado, que controla indicações na estatal, soube pela imprensa da demissão.
A condução do processo foi criticada pelo PMDB no Senado. Há a preocupação de que prejudique a campanha de Hélio Costa (PMDB) ao governo de MG -Custódio foi indicado por Costa.
A Folha apurou que o ministro das Comunicações, José Artur Filardi, foi avisado só no dia pela ministra Erenice Guerra (Casa Civil) que Custódio seria demitido.
Erenice, Paulo Bernardo (Planejamento) e Alexandre Padilha (Relações Institucionais) conduziram o processo. David Matos foi indicado por Erenice, que trabalhou com ele na Eletronorte.

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