Evaldo Augusto Torres Alves /editor
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Política

Rapidinhas


FERNANDO DE BARROS E SILVA da FSP

Aécio sob pressão

SÃO PAULO - Aécio Neves sempre disse que sua prioridade este ano seria eleger seu então vice, Antonio Anastasia, governador de Minas. Insistiu muito na importância estratégica da sua sucessão para resistir à pressão de que fosse vice de José Serra. Ao mesmo tempo em que costurava o jogo local, o mineiro vendeu até quando foi possível a ideia de que, no cenário nacional, ele representaria o "pós-Lula". Fazia um evidente contraponto a Serra, o "anti-Lula", quisesse ou não.
O "pós-Lula" foi atropelado pelos fatos. E o futuro de Aécio, para além da votação consagradora que terá ao Senado, está um tanto nebuloso. A dois meses da eleição, emplacar Anastasia parece mais complicado do que se imaginava.
As pesquisas mostram que Hélio Costa, sustentado pela aliança PMDB-PT, hoje venceria com folga. No último Datafolha, apareceu com 44%, contra 18% de Anastasia. Como os demais candidatos são inexpressivos, é praticamente certo que a fatura se liquide em 3 de outubro.
Hélio Costa tem fama de cavalo paraguaio, bom de largada, ruim de chegada. Em 1994, teve quase 49% dos votos no primeiro turno e acabou perdendo o governo para o tucano Eduardo Azeredo. Mas, desta vez, o ex-ministro de Lula tem o PT. E de verdade -o que muita gente até no PT duvidava ser possível.
Lula submeteu o partido ao projeto Dilma Rousseff e jogou Aécio no colo de Serra. O mineiro queria ser "pós", mas foi parar na oposição. Aécio não acreditava que Patrus Ananias, ex-ministro do Bolsa Família, aceitasse ser vice de Costa. Pediu a bênção à sua mãe e aceitou.
Minas viverá a sua guerra particular. Anastasia tem Aécio, tem a maioria das 853 prefeituras e o Palácio da Liberdade (que, diz-se, é o maior partido mineiro). Costa tem a máquina federal, o PT e Lula, além desse monstro tentacular, o PMDB -o "Polvo Paul" da nossa política.
Se Dilma ganhar, Aécio tende a ser o futuro da oposição, o pós-Serra. Mas se Anastasia perder, ele também terá de recolher os cacos.




Serra evita comentar ataques contra polícia de SP

CAROLINA FREITAS
do Estadão

O candidato do PSDB à Presidência da República, o ex-governador de São Paulo José Serra, evitou hoje comentar os dois atentados cometidos neste final de semana contra policiais das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota). "Eu não tenho todos os elementos para falar a esse respeito. Eu creio que o governador Alberto Goldman (PSDB) já falou", disse Serra, após caminhada pelo bairro da Liberdade, na região central da capital paulista.

Apesar de se esquivar de responder sobre o assunto, o ex-governador elogiou a área da segurança pública no Estado. "Os dados mostram a continuidade da melhoria das condições de segurança. Começou no final da década passada com Covas (Mário Covas, ex-governador tucano), prosseguiu de maneira muito firme e impressionante durante o governo (Geraldo) Alckmin (candidato ao Palácio dos Bandeirantes nessas eleições) e nós mantivemos no nosso governo", disse José Serra. Para ele, há uma "tendência decrescente do crime" em São Paulo.

Dossiê petista

José Serra também afirmou hoje que não se surpreendeu com a notícia de um suposto dossiê envolvendo o nome de Marina Mantega, filha do ministro da Fazenda, Guido Mantega, em denúncia de tráfico de influência que teria ocorrido dentro do Banco do Brasil. Ao ser questionado sobre o episódio, Serra defendeu o ministro da Fazenda: "Considero o ministro Guido Mantega um homem honrado que está no cargo defendendo o interesse público. É um homem correto."

A informação sobre o suposto dossiê foi divulgada pelo jornal "Folha de S.Paulo", com base em uma carta apócrifa que circula desde maio na imprensa. A reportagem da Folha aponta o deputado federal Ricardo Berzoini (PT-SP) como suspeito de ter incentivado a produção do material, pois o parlamentar é da ala do PT vinculada ao sindicalismo bancário e essa ala do partido teria a intenção de forçar o governo a desistir de nomear um dos dirigentes do Banco do Brasil para a presidência da Previ, fundo de pensão dos funcionários da instituição. O deputado Berzoini, por meio de nota, negou qualquer tipo de envolvimento no suposto dossiê.




Entidades organizam campanha 'Collor Nunca Mais'

RICARDO RODRIGUES
do Estadão

O dia 11 de agosto foi a data escolhida pelas entidades sindicais, comunitárias e estudantis para deflagrar em Alagoas a campanha "Collor Nunca Mais". A manifestação será realizada a partir das 9 horas da manhã na Praça Sinimbú, em frente ao edifício sede do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AL), no Centro de Maceió.

"O objetivo deste ato é denunciar a forma truculenta e arbitrária de fazer política do senador Fernando Collor, que mesmo sendo candidato ao governo do Estado pelo PTB fez ameaças ao jornalista da Revista IstoÉ, usando palavras de baixo calão, o que agride não só a imprensa nacional, como a sociedade alagoana e fere o decoro parlamentar", afirmou o advogado Adriano Argolo, que faz parte do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE).

Segundo Argolo, a data 11 de agosto foi escolhida por ser o dia do estudante e da regulamentação dos cursos jurídicos do País. "O 11 de agosto é uma data que traduz a luta dos estudantes e dos operadores de direito em defesa da liberdade, contra todo tipo de autoritarismo e opressão. Por isso, escolhemos essa data para deflagrarmos esse movimento que tem tudo para ter o sucesso do movimento Fora Collor", afirmou Argolo.

De acordo com o líder comunitário Antônio Fernando da Silva, mais conhecido como Fernando CPI, pelo menos 11 entidades da sociedade civil organizada - entre elas o Sindicato dos Jornalistas de Alagoas, a Federação das Associações de Moradores de Alagoas (Famoal) e Comissão Pastoral da Terra (CPT) - participaram da reunião que deliberou as primeiras atividades do "Movimento Collor Nunca Mais".

A reunião foi convocada pelo MCCE e aconteceu no Palácio do Trabalhador, no Centro da capital alagoana. Além do ato público do dia 11, que deverá ser acompanhado de uma passeata pelas ruas do centro da cidade, as entidades decidiram redigir um "Manifesto Collor Nunca Mais".

"Esse manifesto será impresso e distribuído ao povo, para que o povo alagoano tome conhecimento quem é Fernando Collor, que só aparece de 4 em 4 anos, usando o nome do povo em vão, fazendo ameaças aos jornalistas e intimidando seus opositores antes de chegar ao governo", afirmou Fernando CPI, que também é um dos coordenadores Comitê 9840 em Alagoas.

O ex-superintendente da Polícia Federal em Alagoas, delegado José Pinto de Luna, também compareceu à reunião para articular o Movimento Collor Nunca Mais. "Não estou aqui como candidato, estou aqui como cidadão que ouviu a gravação com as ameaças que o senador Collor fez ao jornalista Hugo Marques, da Revista IstoÉ. As palavras de baixo calão que o senador Collor usou, para ameaçar o jornalista eu repudio, porque são palavras que ferem o decoro parlamentar", afirmou Pinto de Luna, que é candidato a deputado federal pelo PT.

"Se ele (Collor) não gostou do que o jornalista escreveu e a revista publicou, que procure as vias legais, que entre como o pedido de direito de resposta, mas não venha com ameaças não, porque isso agride a imprensa e sociedade como um todo", acrescentou Pinto de Luna. Durante a reunião, as entidades divulgaram o site "Fora Collor" que foi criado por estudantes secundaristas com o intuito de denunciar os escândalos envolvendo o ex-presidente e dizer não à corrupção. O site já está no ar com o seguinte endereço: http://foracollor.webs.com/index.htm.



Jarbas Vasconcelos rebate críticas de 'aliado' em PE

ANGELA LACERDA
do Estadão

O senador e candidato ao governo de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos (PMDB) classificou hoje como "mau caráter" seu "aliado", o deputado estadual Pedro Eurico (PSDB). Em entrevista ao Jornal do Commercio, ontem, o deputado acusou Jarbas de usar os mesmos meios que agora critica por estarem sendo utilizados pelo governador Eduardo Campos (PSB), que busca a reeleição. Diante da debandada de prefeitos do PSDB e de outros partidos oposicionistas ao palanque governista, Jarbas tem feito duros ataques a Campos, a quem taxa de "arrogante, prepotente, cooptador e adepto do toma-lá-dá-cá". Chegou a citar alguns prefeitos que foram alvo da suposta cooptação.

O governador não comenta as acusações, mas o tucano Pedro Eurico tratou de defendê-lo na entrevista ao afirmar que o "que Eduardo faz agora, na tentativa de cooptar quadros", é o que o mesmo que "o doutor Jarbas Vasconcelos fez quando governador". Pedro Eurico também destacou as afinidades do PSDB estadual com o PSB de Eduardo Campos: "O maior partido de oposição no Estado (o PSDB) tem sua origem no PSB". E avaliou que o PMDB de Pernambuco se limita "a Jarbas e alguns no seu entorno". Para ele, o PSDB pernambucano "anda com os próprios pés".

"Se ele queria aderir (a Campos) que arrumasse outra fórmula, não essa miúda, vergonhosa, de expor na imprensa essas coisas", reagiu irritado o peemedebista. Para ele, Eurico é "dissimulador".

Com poucos recursos e enfrentando um adversário aprovado pela população e apontado como vencedor das eleições no primeiro turno pelas pesquisas de opinião até agora realizadas, Jarbas comanda a coligação Pernambuco Pode Mais (PMDB, PSDB, DEM e PPS), que visa a dar um palanque para o tucano José Serra em Pernambuco. Seu relacionamento com o senador Sérgio Guerra, principal liderança tucana em Pernambuco, está estremecido e a entrevista de Pedro Eurico foi realizada no momento em que eles tentavam minimizar esse afastamento.





Serra sai em defesa de Mantega



Serra sai em defesa de Mantega; Dilma nega elo com dossiê

Para tucano, ministro é "homem honrado'; petista diz que "carta anônima" não pode ser atribuída a ninguém

Marina afirma que não acompanhou o caso em detalhe, mas acha que disputas de cargos são uma "perda de tempo"

da FSP

Com tom cauteloso, o candidato à Presidência José Serra (PSDB) defendeu ontem o ministro Guido Mantega (Fazenda) ao comentar a produção de dossiê, supostamente por petistas ligados ao sindicalismo bancário, com informações sobre tráfico de influência de Marina, filha do ministro, no Banco do Brasil.
Sem atacar diretamente o PT, como já fez em outras ocasiões, Serra disse não se surpreender com a elaboração do dossiê, mas saiu em defesa do ministro, "um homem correto" segundo ele.
"Considero o ministro Guido Mantega um homem honrado, que está no cargo defendendo o interesse público", disse o tucano, após participar de corpo a corpo no bairro da Liberdade, no centro de São Paulo.
O dossiê, conforme a Folha revelou no domingo, tinha o objetivo de forçar Mantega a desistir da indicação de Paulo Caffarelli, vice-presidente do Banco do Brasil, para a presidência da Previ, fundo de pensão ligado ao BB e o maior do país.
Caffarelli acabou sendo preterido, mas o nome defendido pelos bancários também não foi o escolhido.
No Rio, a candidata Dilma Rousseff (PT) classificou uma pergunta sobre o tema como de "viés claramente eleitoreiro".
Questionada se desqualificava o documento, a petista afirmou: "Nem desqualifico, nem nego. Digo que se trata de uma carta anônima. Como tal, não pode ser atribuída a nenhum partido".
Marina Silva, candidata do PV, disse que não pôde acompanhar o caso com detalhes porque estava em viagem no fim de semana.
Ontem, em Jundiaí (SP), a senadora disse apenas que são uma perda de tempo as "disputas de cargos" no governo federal enquanto há no país "crianças sendo entregues completamente à marginalidade".

SEGURANÇA
No Rio, Dilma usou os ataques à Rota (Rondas Ostensivas Tobias Aguiar) e os incêndios de veículos em São Paulo, no fim de semana, para criticar a política carcerária do Estado.
Para Marina, São Paulo passa por "problemas de descontrole na área da segurança pública".
Serra, que até o fim de março era governador, não comentou o caso por não ter detalhes sobre o episódio. No entanto, usou a redução dos índices de criminalidade no Estado para defender a política de segurança de São Paulo.
*(BRENO COSTA, ITALO NOGUEIRA E MAURÍCIO SIMIONATO)

Dilma arrecada mais do que Serra e Marina juntos
Dilma arrecada mais do que Serra e Marina juntos

Tucano obteve R$ 3,7 mi, receita menor que a da candidata do PV, de R$ 4,65 mi

Na primeira prestação de contas da campanha ao TSE, a presidenciável petista vai informar ter recebido R$ 11,6 mi

Adriano Vizoni/Folhapress

José Serra em visita ao bairro da Liberdade em São Paulo

BERNARDO MELLO FRANCO/VALDO CRUZ
da FSP

Na primeira prestação de contas oficial da campanha, a candidata Dilma Rousseff (PT) informará hoje ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) ter arrecadado mais do que a soma das doações recebidas pelos adversários José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV).
Segundo o comando da campanha petista, ela encerrou o primeiro mês da corrida presidencial com receita total de R$ 11,6 milhões.
Com menos de um terço das intenções de voto de Serra, Marina informará uma arrecadação maior que a do tucano. Ela vai declarar doações de R$ 4,65 milhões, enquanto Serra dirá ter recolhido R$ 3,7 milhões.
O total de R$ 19,95 milhões declarado pelos três candidatos corresponde a menos de 5% dos R$ 427 milhões que eles esperam arrecadar até outubro.
Os números serão informados oficialmente hoje e foram antecipados ontem à Folha pelas cúpulas dos partidos que lideram a disputa pela sucessão de Lula.
Nesta fase da campanha, os presidenciáveis não são obrigados a informar o nome dos doadores. A origem do dinheiro só precisa ser informada na prestação de contas final, a ser entregue até 30 dias após a eleição.
As três candidaturas vão informar mais receitas do que despesas. De acordo com o PT, Dilma já gastou R$ 10 milhões. O valor inclui R$ 58 mil devolvidos à Presidência pelo deslocamento de Lula para o primeiro comício da campanha, no Rio.
O partido promete reembolsar todos os gastos futuros com a participação do presidente no palanque de sua ex-chefe da Casa Civil.
As campanhas de Serra e Marina não anteciparam as despesas informadas ao TSE, mas disseram ter gasto valores próximos ao que foi arrecadado até o fim de julho.

"HORIZONTE PROMISSOR"
O presidente do comitê financeiro do PSDB, José Gregori, afirmou que a primeira prestação de contas não pode ser tomada como indício de penúria na campanha.
"Isto é apenas um prefácio, referente aos primeiros dias da campanha. Nosso horizonte é promissor", disse.
A arrecadação de Marina reflete o esforço comandado pelo ex-presidente do Citibank Alvaro de Souza, que tem batido às portas de grandes doadores, e investimento pessoal do candidato a vice-presidente Guilherme Leal.
Há uma semana, o banqueiro disse à Folha que Leal estava prestes a fazer uma segunda contribuição de R$ 1 milhão à campanha. O PV não informou se essa doação está incluída nos R$ 4,65 milhões declarados ao TSE.
Em agosto de 2006, os três candidatos com mais chances nas pesquisas declararam valores mais modestos na primeira prestação de contas oficial.
O comitê de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que concorria à reeleição, informou ter arrecadado R$ 3,65 milhões. Ele liderava a disputa com 47% das intenções de voto, segundo o Datafolha.
Geraldo Alckmin (PSDB), que tinha 24% das intenções de voto, declarou receita de R$ 1,32 milhão.
A terceira colocada na disputa, Heloísa Helena (PSOL), registrou doações de apenas R$ 266 mil. Ela somava 12% no Datafolha -dois pontos percentuais a mais do que Marina hoje.



Olha a veia que salta


Olha a veia que salta

Dora Kramer
do Estadão

O episódio aconteceu há quase três anos, mas o presidente Luiz Inácio da Silva ainda não superou a derrota que lhe impôs o Senado ao extinguir a CPMF, em dezembro de 2007.

Naquela dimensão foi o único malogro de Lula no Congresso, inédito para quem praticamente só colecionou êxitos (em ótica sem juízo ético) em oito anos de mandato.

Compreende-se, portanto, que seja inesquecível. Ainda mais porque depois daquilo se extinguiram de vez quaisquer esperanças de que uma emenda constitucional ou mesmo um plebiscito sobre a instituição de um terceiro mandato pudesse ter a mais ínfima chance de ser aprovado no Senado.

Por algumas outras mais, mas principalmente por essa, Lula firmou a convicção de que antes de tudo o mais importante é o governante ter um Senado fiel e submisso.

Mais importante que o PT eleger muitos governadores, repete aos correligionários desde o ano passado, é o PT eleger e o governo controlar uma bancada grande de senadores. Isso, claro, no pressuposto de que a Câmara esteja perfeitamente dominada.

O presidente expôs em público esse anseio no último sábado em Curitiba, onde participou de comício da candidatura presidencial, ao fazer votos de que Dilma Rousseff, se eleita, "tenha um Senado de mais qualidade".

Até aí, não haveria do que nem como discordar do presidente Lula. Raro deve ser o cidadão que não deseje um Senado sem atos secretos, sem postergação proposital de investigações, sem contratações abusivas, sem desperdícios, sem compadrio, com responsabilidade, honestidade, transparência, impessoalidade, civilidade, respeito absoluto pelo público.

E, sobretudo, um Senado reverente à instituição que não seja presidida por alguém com tanto a esconder que prefira silenciar a contribuir para melhorias, que necessite recorrer à censura para proteger os seus.

Só que não é bem isso que Lula entende por "um Senado de mais qualidade". Segundo ele, a qualidade se expressa em um "Senado mais respeitador, um Senado que não ofenda o governo, como eu fui ofendido. Um Senado que por mesquinharia derrubou R$ 40 bilhões, que todo ano a gente ia por na saúde".

No preâmbulo, desejou: "Só peço a Deus que essa companheira não tenha o Senado que eu tive."

Se o presidente não prestou atenção ao que disse é grave, mas se prestou só não é gravíssimo porque seu poder de vocalizar equívocos com garantia de ampla divulgação termina em breve.

Ah, sim, porque se o leitor ainda não realizou, realize: a partir de janeiro de 2011, assuma Dilma ou José Serra a Presidência da República, o estilo muda. Governar não será mais discursar.

O País não girará em torno de uma pessoa cuja primeira tarefa será a de se acostumar com a volta à planície.

É possível que para Luiz Inácio da Silva venha a ser impactante a descoberta de que o Senado nunca foi nem é dele, e sim da República. Logo, a frase "o Senado que eu tive" não retrata a realidade. Antes traduz uma fantasia de absolutismo.

"Um Senado mais respeitador, que não ofenda o governo como eu fui ofendido." Ou seja, o exercício da prerrogativa constitucional de aprovar ou rejeitar emendas e projetos de lei quando contrariam a vontade deste que agora está às vésperas de deixar a Presidência é desrespeito e ofensa pessoal. Ainda que, como a CPMF, seja a vontade majoritária da sociedade.

Em oito anos Lula não incorporou a concepção de Estado. Quando assumiu quase expulsa um correspondente estrangeiro porque considerou ofensivo à Nação um artigo do rapaz falando sobre seu (dele) consumo de bebidas alcoólicas.

Tomou-se pelo País. E agora depois de todo esse tempo continua ativista da autorreferência, tratando o Senado como um apêndice de sua (dele) majestade.

Nesse mesmo discurso em Curitiba, o presidente avisou mais uma vez que vai se empenhar pela reforma política e se dedicar a ensinar a "um ex-presidente" a ser "ex-presidente da República e não dar palpite em quem está governando".

Se for Serra, será esquisito Lula abrir mão da política como oposicionista; se for Dilma, será um favor que faz a ela, ao PT e ao PMDB. No que tange aos partidos, aliás, não veem a hora.

A nova ofensiva do PCC



A nova ofensiva do PCC

do Estadão

Quatro anos depois de ter promovido em São Paulo 180 ataques a delegacias, fóruns, bancos, viaturas e postos policiais, lançado uma bomba que destruiu o andar térreo da sede do Ministério Público (MP) Estadual, provocado 80 rebeliões simultâneas no sistema prisional paulista e assassinado 40 agentes carcerários e policiais militares, o Primeiro Comando da Capital (PCC) voltou a lançar uma ofensiva contra a ordem pública. Desta vez, por enquanto, a facção criminosa incendiou 13 automóveis na zona leste, alvejou o quartel da Rota, na Avenida Tiradentes, e ainda tentou assassinar seu comandante, coronel Paulo Telhada, que saiu ileso. Em seus 40 anos de existência, foi a primeira vez que a principal unidade de elite da Polícia Militar (PM) e seu chefe são alvos de um ataque.
Até agora, as ações mais audaciosas da facção criminosa haviam sido o atentado ao MP, em 2006, e o assassinato do juiz Antonio José Machado Dias, corregedor da região de Presidente Prudente, onde fica o presídio de segurança máxima de Presidente Bernardes. Na ocasião, a unidade abrigava os principais líderes do PCC e o traficante carioca Fernandinho Beira-Mar, um dos líderes do Comando Vermelho (CV). O assassinato de Dias, que tinha a responsabilidade de deferir ou indeferir os pedidos de liberação e transferência de presos do crime organizado, foi um ato de vingança por ter negado várias solicitações. Em 2006, os motins em penitenciárias e detenções e os ataques contra viaturas e postos policiais, edifícios públicos e privados e a sede do MP foram desencadeados na ocasião em que o então governador Geraldo Alckmin renunciara ao cargo para se candidatar à Presidência da República, porque o PCC viu nisso uma oportunidade de aproveitar a campanha eleitoral para criar constrangimentos políticos contra seu sucessor. Os líderes da facção pretendiam negociar seus interesses diretamente com os diretores de unidades prisionais, sem interferência da cúpula da PM e das autoridades de segurança pública.

A história parece estar se repetindo. Como há quatro anos, o governador de São Paulo renunciou para se candidatar à Presidência. E José Serra já disse que, se for eleito, criará o Ministério da Segurança. A campanha eleitoral no rádio e na televisão está prestes a começar. E, como também aconteceu com Alckmin em 2006, os blogs e sites dos principais adversários de Serra já começaram a aproveitar a nova ofensiva do PCC para criticar a "política de segurança pública do PSDB".

É um comportamento irresponsável, seja por explorarem demagogicamente um problema que o presidente Lula não conseguiu equacionar em seus dois mandatos, seja por brincarem com fogo, uma vez que os ataques do PCC não são contra uma agremiação partidária, mas contra o poder estabelecido. Além disso, os autores dessas críticas cometem um equívoco, uma vez que as primeiras investigações já revelaram que, ao lado das motivações políticas, a facção criminosa também estaria tentando se vingar de uma das mais bem-sucedidas operações realizadas pela Rota.

Recentemente, ela apreendeu quase R$ 2 milhões em dinheiro, dezenas de fuzis, metralhadoras e carabinas, além de uma tonelada de drogas em poder dos líderes do PCC. Esses são dividendos da mudança de política de segurança pública que o governo estadual promoveu no ano passado. No novo esquema de segurança, a investigação começa pela busca, processamento e análise de informações das ruas e do sistema prisional realizados pela área de inteligência da PM e, quando tudo está apurado, a Rota é acionada para efetuar as prisões. Portanto, assassinar o comandante dessa unidade, uma figura carismática na corporação, permitiria ao PCC reafirmar sua força e criar um fato desabonador para o governo paulista no processo eleitoral.

Como as autoridades foram apanhadas de surpresa pela nova investida do PCC, as Polícias Civil e Militar precisam demonstrar eficiência no esclarecimento dos crimes. O que está em jogo é a capacidade das instituições brasileiras de se sobreporem ao crime organizado.

O Brasil decifrado
Editorial da Folha de São Paulo


Censo 2010 traçará perfil minucioso de país em rápida transição demográfica, com cada vez menos crianças e jovens e mais idosos

O Censo 2010, que manda para as ruas nesta semana uma legião de 192 mil recenseadores, fará uma tomografia minuciosa do Brasil real. São dados fundamentais para o funcionamento de uma sociedade moderna e esclarecida.
O país que completa duas décadas de democracia plena tem cerca de 193 milhões de habitantes. Pela primeira vez, o recenseamento deverá registrar que menos da metade dos cidadãos se classificam como brancos. Apenas um terço conta 18 anos de vida ou menos. A fecundidade deve alcançar 1,8 ou 1,9 filho por mulher, bem abaixo da taxa de reposição (2,1).
Nesse nível de generalidade, os dados demográficos já são conhecidos. Eles provêm das radiografias convencionais traçadas a cada ano pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).
No entanto, os detalhes que interessam sobretudo aos administradores municipais, como o número exato de moradores de uma favela, só podem ser obtidos com o Censo. Por sua complexidade (58 milhões de domicílios visitados, contra 150 mil na Pnad) e alto custo (R$ 1,7 bilhão), só se realiza de dez em dez anos.
Entre 1970 e 2010, a população brasileira mais que dobrou, acrescentando 100 milhões de pessoas aos "90 milhões em ação" da época do milagre econômico. Nova duplicação jamais voltará a ocorrer. Em 30 anos, a população começará a encolher.
Com base nos dados do Censo de 2000, o IBGE projetava ainda em 2004 que a taxa de fecundidade alcançaria 1,85 só em 2043. Esse futuro já chegou. O novo Censo virá robustecer a qualidade estatística dessa cifra surpreendente.
A queda da fecundidade está entre os indicadores mais sintomáticos da vertiginosa transição demográfica por que passa o país. Nesse ritmo, a parcela de crianças e jovens na população, que caía em termos relativos, passa a diminuir também de modo absoluto.
Com menos dependentes para manter, aumenta a renda per capita em cada família, e com ela a capacidade de consumir e investir. Configura-se o chamado "bônus demográfico", período em que a economia tem mais facilidade para crescer a altas taxas, mas de forma sustentável. Há mais adultos economicamente ativos do que indivíduos dependentes deles.
O aumento da expectativa de vida, contudo, contrabalança essa tendência na medida em que amplia o contingente de idosos. Tal janela de oportunidade deve fechar-se por volta de 2050, e o ritmo da queda na fecundidade pode antecipar ou adiar o evento.
Esse é apenas um exemplo dos dados cruciais que serão esmiuçados com o Censo 2010. O levantamento traz ainda informações não investigadas pela Pnad, como religião dos habitantes, presença de deficiências e uniões consensuais.
Além disso, pela primeira vez o Censo indicará se há cônjuges do mesmo sexo no domicílio, quais línguas indígenas são faladas e a renda familiar proveniente de programas sociais. Até a posse de motos foi incluída, o que permitirá aquilatar melhor sua contribuição para acidentes e poluição.
O Censo 2010 fornecerá a cada brasileiro, e a seus governantes, uma imagem bem mais clara do país em que vivem. Por isso é tão importante que todos abram suas portas para o IBGE.

China compra terras no Brasil

China compra terras no Brasil

NOTAS & INFORMAÇÕES
do Estadão

O ex-ministro Antônio Delfim Netto tem razão quando recomenda cuidado com as vendas de terras a empresas da China, controladas pelo Estado ou com participação estatal. Investimentos estrangeiros são de modo geral bem-vindos e podem trazer contribuições importantes ao crescimento do País. Grupos estrangeiros podem fazer bons negócios e ao mesmo tempo fortalecer a economia brasileira com recursos adicionais e, ocasionalmente, com aporte de tecnologia. Mas os "negócios" mudam de sentido quando o investimento é subordinado a razões estratégicas de um Estado estrangeiro. No caso de recursos naturais, e de terras para a agropecuária, avaliar corretamente essa estratégia é uma questão de segurança.
"Os chineses compraram a África e estão tentando comprar o Brasil", disse o professor Delfim Netto em entrevista ao Estado de domingo. Pode haver algum exagero de linguagem, mas a preocupação é justificável. O diretor-geral da FAO, a agência das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, alertou os governos africanos para o risco de um "neocolonialismo", desta vez baseado no controle de áreas férteis. Companhias de vários países participaram nos últimos anos de uma corrida para comprar terras na África. As chinesas estiveram entre as mais ativas.
A maior estatal chinesa do setor, a China National Agricultural Development Group Corporation, opera em 40 países e 10 mil de seus 80 mil funcionários trabalham no exterior. A empresa detém 6 mil hectares na Tanzânia e criou negócios no setor de alimentos também na Guiné, no Benin e em Zâmbia e já entrou na Argentina e no Peru. Outras companhias chinesas também têm comprado terras em vários países, com o mesmo objetivo: garantir à China produtos indispensáveis ao seu crescimento econômico e à urbanização de centenas de milhões de pessoas.


Desde a última década o governo chinês vem aumentando os investimentos em recursos naturais de outros países. Até agora, seu avanço mais impressionante ocorreu na África, onde os investimentos em mineração e depois na compra de terras foram acompanhados de projetos de cooperação com os países hospedeiros, quase sempre pobres e com baixo grau de desenvolvimento.

O passo seguinte na estratégia foi a negociação de projetos com vários governos latino-americanos. Desde o começo deste ano, foram anunciados planos de investimentos de pouco mais de US$ 11 bilhões no Brasil. Se todos forem concretizados, o estoque de capital chinês no Brasil poderá ocupar a 9.ª posição em ordem de grandeza. Por enquanto, está em 42.º lugar.

Companhias chinesas têm mostrado disposição de investir em vários setores, como produção de aço, exploração de petróleo, distribuição de eletricidade, exploração de minérios e construção do trem-bala entre Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. Parte desses investimentos atende ao objetivo de garantir matérias-primas para uso industrial e para geração de energia.

Ao mesmo tempo, empresas têm procurado oportunidades de investimento no agronegócio. Em abril, a China National Agricultural Development Group Corporation revelou a intenção de comprar terras para produzir soja e milho. Nos primeiros contatos, negociadores da empresa indicaram interesse em terras do Centro-Oeste, especialmente de Goiás.

Na mesma época, representantes do Chongqing Grain Group anunciaram a disposição de aplicar US$ 300 milhões na compra de 100 mil hectares no oeste da Bahia, para produzir soja para os mercados brasileiro e chinês. Funcionários da empresa participaram da comitiva do presidente Hu Jintao.


Um mês depois, o Grupo Pallas International, formado por investidores privados, mas também com participação estatal, divulgou planos de comprar entre 200 mil e 250 mil hectares no oeste da Bahia e possivelmente no conjunto de áreas de cerrado do Maranhão, do Piauí e do Tocantins, conhecido por Mapito.


Negócios desse tipo envolvem o controle de grandes áreas por grupos subordinados à estratégia de uma potência estrangeira. Poderão agir segundo interesses comerciais, como outros investidores, mas poderão seguir uma lógica de Estado - e esse Estado não será o brasileiro.


Jornais para jovens são sucesso na França
Títulos para pessoas de 6 a 18 anos mantêm circulação, apostando em temas como ecologia e entretenimento

Jornais para jovens não são vendidos em banca, e a assinatura de segunda a sábado custa cerca de R$ 20 por mês

VAGUINALDO MARINHEIRO
DE LONDRES/FSP

Uma editora na França tem conseguido provar que pode estar bem errada a máxima de que crianças e adolescentes não gostam de ler notícias em jornal impresso.
Com três títulos voltados para pessoas de 6 a 18 anos, a La Play Bac não enfrenta crise. Enquanto os jornalões franceses perdem leitores, ela mantém 150 mil assinantes em todo o país. Número que permanece estável há cinco anos.
Como comparação, é metade do que vende o "Monde" hoje. Mas o "Monde" perdeu cerca de 20% da circulação nos últimos cinco anos.
Qual o segredo? "Fazemos jornais que não são chatos. Que levam às crianças e aos adolescentes o que eles querem ler e com uma apresentação colorida e atraente", afirma François Dufour, 42, um dos donos da editora e editor-chefe dos jornais.
"Le Petit Quotidien" (pequeno diário), "Mon Quotidien" (meu diário) e "L'actu" (últimas notícias) são jornais compactos (quatro páginas o primeiro, oito os outros dois), com gráficos coloridos, fotos grandes e textos pequenos.
No cardápio de assuntos, muita ecologia, curiosidades históricas, entretenimento e atualidades.
Na última quinta-feira, o "Le Petit Quotidien", voltado para crianças de até dez anos, trazia na capa a história de um animal que se pensava extinto e que foi fotografado no Sri Lanka. Dentro, uma arte multicolorida com tudo sobre o bicho.
No "Mon Quotidien", para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, o assunto principal era o projeto de uma agência britânica para criar um hotel de luxo nas alturas, dentro de um dirigível. Na página dois, uma arte com tudo sobre os dirigíveis.
"L'actu", cujo público-alvo tem de 14 a 18 anos, falava não só de ganhadores de loterias, mas também do vazamento de documentos sobre a guerra no Afeganistão. Na contracapa, uma entrevista com a atriz Cameron Diaz.
Dufour afirma que são os próprios jovens que escolhem os assuntos.
Todos os dias são levados à Redação dois meninos e duas meninas que funcionam como redatores-chefes convidados. Os jornalistas propõem as pautas, eles decidem o que será publicado.
São também os leitores que escrevem as críticas de jogos e livros.

INÍCIO
A história dos três jornais começa em 1995. Dufour e dois amigos pensaram que seria um bom negócio fazer jornais que fossem vistos pelos pais como parte do processo educativo dos filhos.
Na época, eles já eram donos de uma editora de livros e jogos infantojuvenis.
Os jornais não são vendidos em banca, é preciso ser assinante para recebê-los em casa, de segunda a sábado.
A assinatura custa 9 por mês, pouco mais de R$ 20.
Durante todo o mês de setembro, início do ano letivo na França, são distribuídos jornais nas escolas do país.

Oferta de Lula é ‘interferência’

Oferta de Lula é ‘interferência’ em assuntos internos, diz agência do Irã

Presidente ofereceu asilo a Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada à morte por adultério

Robert F. Worth , The New York Times/Estadão

WASHINGTON- O establishment conservador do Irã parece ter reagido friamente a um apelo do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, para permitir que a iraniana Sakineh Ashtiani, acusada de adultério, obtenha asilo no Brasil e não seja morta por apedrejamento no país islâmico.

A reação ao apelo feito no fim de semana pelo presidente Lula pode criar uma distensão na relação cada vez mais cordial entre Irã e Brasil. O caso pode também reforçar o que os críticos do regime iraniano encaram como uma forma primitiva de justiça, particularmente repulsiva quando se trata de mulheres.

Embora nenhuma autoridade iraniana tenha comentado a oferta brasileira, a Jahan News, serviço de notícias ultraconservador do Irã, considerada uma agência que reflete fielmente o pensamento do governo, informou, no domingo, que o apelo de Lula era uma "clara interferência nos assuntos domésticos do Irã".

Ainda segundo a agência, a oferta brasileira foi feita "sob influência da mídia estrangeira". Sakineh, de 43 anos, pode não ser apedrejada porque o Judiciário iraniano ainda está examinando a sentença proferida por um tribunal de primeira instância. De acordo com a Jahan News, em vez disso, ela seria enforcada.

Sakineh foi acusada de ter uma "relação ilícita" com dois homens. Ela negou as acusações. O caso da iraniana chamou a atenção do mundo para a reputação do Irã com relação aos direitos humanos. O país é um dos poucos que aplicam a pena capital para casos de adultério.

No início, Lula havia rejeitado os >pedidos de grupos de defesa dos direitos humanos para usar sua influência com o Irã e tentar impedir a execução de Sakineh. No entanto, ele mudou de ideia no fim de semana, durante uma viagem de campanhaao lado de sua candidata, Dilma Rousseff. "Se minha amizade e afeição pelo presidente do Irã são importantes e se essa mulher está causando problemas lá, nós a acolheremos aqui no Brasil", disse.

Os EUA apoiaram a iniciativa do presidente brasileiro. Segundo o porta-voz do Departamento de Estado, Philip Crowley, Washington espera que o apelo seja ouvido pelo governo do Irã.

Espionagem

"O apedrejamento, no século 21, é um ato de barbárie e deve ser extinto", afirmou Crowley. "O caso chamou a atenção da comunidade internacional. Diante do fato de o Brasil ter se envolvido e apresentado seu desejo de resolvê-lo, esperamos que o Irã o ouça."

Crowley acrescentou ainda que os EUA esperam a libertação dos três americanos presos há um ano no Irã, acusados de espionagem. Lula tentou mediar o caso, mas não obteve sucesso. "Gostaríamos de ver nossos excursionistas voltarem para casa", disse Crowley.

*Colaborou Denise Chrispim Marin


Obama anuncia fim de operações militares
Obama anuncia fim de operações militares dos EUA no Iraque
Funções das tropas americanas no país passam a ser de apoio e treinamento, diz presidente

ATLANTA - O presidente americano, Barack Obama, anunciou nesta segunda-feira, 2, o fim das operações de combate dos EUA no Iraque. Com a medida, o número de soldados no país, que era de 140 mil quando Obama assumiu, caíra para 50 mil no final deste mês.


Jason Reed /Reuters

Obama participa de encontro com veteranos

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Em um discurso para veteranos do Exército americano em Atlanta, na Georgia, Obama confirmou a transição das operações de segurança no país para os iraquianos. As tropas americanas no país terão apenas funções de apoio e treinamento.

" Prometi um final responsável para a guerra do Iraque. Após assumir, anunciei nossa estratégia e a transição para Iraque. Prometi que em agosto de 2010 nossa missão de combate acabaria. E é o que estamos fazendo. Conforme o prometido e dentro do previsto", disse o presidente. As missões de combate acabarão no dia 31.

Segundo Obama, desde o início de sua presidência até o final de agosto, 90 mil soldados já terão voltado para casa.

Ainda de acordo com o presidente, o fim das operações militares não indica que a guerra chegou ao fim. As tropas que permanecerão no Iraque para treinar e apoiar o exército local terão de continuar lá por um tempo.

"A dura realidade é que o fim do sacrifício americano no Iraque ainda não terminou", disse Obama.

O final da guerra era uma das pedras angulares da campanha do democrata na corrida pela Casa Branca em 2008. Em 2002, quando ainda era um senador estadual por Illinois, qualificou o conflito de 'guerra estúpida' em um discurso.


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