Evaldo Augusto Torres Alves /editor
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Política

Aprovação mais alta do PT projeta bancada recorde
Aprovação mais alta do PT projeta bancada recorde

Partido tem maior relação entre preferência do eleitor e votos para deputado

Se for mantida agora a coincidência de índices dos últimos 20 anos, partido poderá eleger mais de cem deputados

UIRÁ MACHADO/MAURICIO PULS
da FSP

Partido mais popular do país desde o ano 2000, o PT reconquistou o apoio que havia perdido durante a crise do mensalão e hoje é apontado como a legenda preferida por 25% dos eleitores, patamar mais alto de sua história.
O partido, que chegou a ter 24% de preferência em dezembro de 2004, despencou para 15% em fevereiro de 2006, oito meses após a denúncia do mensalão.
A recuperação começou depois da reeleição de Lula. Em dezembro de 2009, o PT atingiu 25% de preferência popular, valor que permanece estável desde então (os números são do Datafolha).
A retomada da popularidade em ano eleitoral pode ser vista como indicador de aumento da bancada petista na Câmara dos Deputados.
Levantamento feito pela Folha mostra que há 20 anos existe grande correlação entre o índice de preferência do PT e o total de votos que o partido obtém para seus candidatos a deputado federal.
Se a correlação se mantiver na disputa deste ano, o PT poderá eleger mais de cem deputados federais.
Em 1990, segundo o Datafolha, 9% dos eleitores afirmavam que o PT era seu partido preferido. A legenda teve então 10,2% dos votos e elegeu 7% dos deputados.
Em 1994, com 13% de preferência, teve 12,9% dos votos e 9,6% de deputados; em 1998, 11% de preferência, 11,2% dos votos e 11,3% de deputados; em 2002, 20% de preferência, 18,4% dos votos e 17,7% de deputados; em 2006, 16% de preferência, 14,9% dos votos e 16,2% de deputados federais.
A diferença entre a preferência do PT aferida pelo Datafolha e o percentual de votos do partido nunca superou 1,6 ponto percentual.
Já a discrepância em relação às bancadas eleitas é maior (3,4 pontos), em razão das coligações partidárias e sobretudo das distorções na distribuição das cadeiras da Câmara entre os Estados.
Na década de 90, o PT era mais forte no Sul e no Sudeste. Com 60% do eleitorado, as regiões tinham 49,6% das vagas na Câmara. Daí por que o partido conquistava menos cadeiras que votos.
O crescimento nos anos posteriores ocorreu sobretudo no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, que têm proporcionalmente mais vagas. Em 2006, a legenda conseguiu mais cadeiras que votos.
O PT também chegou aos grotões. Em 1993, estava presente de forma organizada em cerca de 40% das cidades; em 2009, em 96%.

OUTROS PARTIDOS
A preferência partidária não é um indicador necessário de intenção de voto.
Se a regra parece valer para o PT, no caso dos outros partidos não é possível encontrar correlação. Em 2006, por exemplo, o PSDB elegeu 12,9% dos deputados, mas tinha 5% de preferência. Já o PP, com 1% de preferência, elegeu 8% dos deputados.
O PT hoje é exceção quando o assunto é preferência partidária. Metade dos eleitores declara não ter nenhum partido predileto.
As demais siglas têm índices bem menores. O segundo colocado é o PMDB, com 7%, seguido pelo PSDB, com 5%.

Tesouro arrecada R$ 75 mi com concursos em 5 meses
Tesouro arrecada R$ 75 mi com concursos em 5 meses

Exames tornam-se fonte de receitas para a União, Estados e municípios

A mais recente seleção para agentes da Polícia Rodoviária Federal rendeu R$ 1,7 milhão em taxas de inscrição

ELVIRA LOBATO
da FSP

Os concursos para empregos públicos tornaram-se fonte de receita para a União, Estados e municípios. De janeiro a maio deste ano, o Tesouro Nacional recebeu R$ 75,6 milhões provenientes de taxas de inscrição.
Há concursos altamente lucrativos. A última seleção para agentes da Polícia Rodoviária Federal (que está suspenso para apuração de suspeita de fraude) retornou R$ 1,7 milhão ao Tesouro, segundo a Fundação Funrio (ligada à Escola de Medicina e Cirurgia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro), que aplicou as provas.
Do faturamento de R$ 11,3 milhões, segundo o secretário-executivo da Funrio, Azor José de Lima, 40% voltarão para o governo federal. Outros R$ 3 milhões vão para o treinamento dos aprovados.
A PRF confirmou participação na receita e disse que o dinheiro ajuda na manutenção de suas cinco academias de formação profissional.
A prática se repete em Estados e prefeituras. No exame de seleção do Corpo de Bombeiros do Rio, para 5 mil vagas de combatentes e salva-vidas, R$ 2,7 milhões -dos R$ 6,8 milhões arrecadados com as taxas- voltaram para a corporação. O concurso atraiu 60 mil candidatos além do esperado.
O porta-voz do Corpo de Bombeiros, coronel Jadyr Sabbas, disse que o dinheiro será usado para a compra de equipamentos.
Até pequenos municípios ganharam dinheiro com concursos. É o caso de Lavras do Sul (RS). A prefeitura abriu concurso para 30 vagas (de médico a pedreiro). Na maioria dos cargos, o rendimento de referência era inferior ao salário mínimo. Inscreveram-se mil candidatos -o triplo do previsto- e sobraram R$ 10 mil para a prefeitura.
"Veio gente de municípios distantes, em ônibus fretados", disse o secretário de administração Marco Antonio Santos. Segundo ele, a prefeitura não planejou ganhar dinheiro com o exame.
A primeira exigência dos órgãos públicos ao abrir concursos é não ter despesa. Com isso, toda a previsão de gastos é jogada na taxa de inscrição, de modo que o candidato banque os custos.
A taxa é estipulada pelas contratadas para organizar os concursos. Em geral, o valor se baseia na estimativa de custos e de candidatos.
Não há prestação de contas pública do dinheiro arrecadado. As fundações alegam que são dados sigilosos.
Segundo o dirigente da Funrio, há três modalidades de contrato para organização dos concursos. A mais frequente é a de risco, cujo lucro ou prejuízo fica com o contratado. A segunda prevê a devolução de parte da receita ao contratante, que vai de 5% a 15%. Na terceira, é feita uma estimativa de arrecadação. Se houver excedente, o valor é compartilhado com o órgão público.

... 'possibilidade zero' de nova série de ataques
Goldman vê 'possibilidade zero' de nova série de ataques do PCC


do Estadão

Governador disse que episódios de violência registrados em 2006 não devem se repetir

SÃO PAULO - O governador de São Paulo, Alberto Goldman, em entrevista à rádio Jovem Pan, na manhã deste domingo, 1, descartou nova onda de atentados por uma facção criminosa na cidade.

A afirmação ocorreu após atentados ao comandante Paulo Telhada e ao quartel da Rondas Ostensivas Tobias Aguiar (ROTA) neste fim de semana. Segundo a emissora, pelo menos 16 carros foram incendiados em diferentes pontos da zona leste de São Paulo, na madrugada deste domingo.

Na entrevista, o governador tranquilizou a população e afirmou que não acredita em um força organizada contra as forças de segurança paulista, como ocorreu em 2006, com o Primeiro Comando da Capital (PCC). "Eu não acredito que haja essa possibilidade. Mesmo que seja possibilidade zero, ou quase zero, eu acho que é obrigação nossa estarmos preparados para qualquer eventualidade. Estamos preparados e não acredito que possa, de qualquer forma, se repetirem os episódios que nós tivemos em 2006".

Goldmam disse ainda que não é possível saber se esses ataques são resultantes do crime organizado ou até mesmo do PCC.

Pressão cambial
Editorial da Folha de São Paulo

Pressão cambial


Excessiva valorização do real e o retorno de capitais especulativos favorecem intervenção mais agressiva do Banco Central no câmbio

Novamente especula-se sobre a possibilidade de uma ação agressiva do Banco Central no câmbio, desta vez comprando dólares no mercado de derivativos. Os sinais típicos que antecedem esse tipo de intervenção estão presentes no cenário econômico: forte entrada de recursos externos de perfil especulativo e uma taxa de câmbio que ameaça se aproximar do que seria o limite de tolerância política do governo, R$ 1,70 por dólar.
Nesse quadro, podem-se prever para as próximas semanas tentativas do mercado de testar a firmeza de convicções do governo. A situação é difícil para o Banco Central, que já vem adquirindo dólares em volumes superiores ao fluxo de entrada no mercado à vista, sem conseguir estancar a pressão sobre as cotações. A continuidade dessa política pode esbarrar em mais dificuldades, o que levaria a autoridade monetária a atuar no mercado de derivativos, como, aliás, já deixou transparecer.
Não por acaso, o governo ameaça com novas medidas restritivas e voltam à cena declarações oficiais de que as pressões no sentido da valorização do real são passageiras e serão revertidas em algum momento com o crescimento do déficit em conta corrente. Chegou-se, portanto, ao paroxismo de contar com desequilíbrios mais acentuados na balança comercial e de serviços para sanar o problema.
O déficit externo, de fato, está crescendo. Atingiu US$ 5,2 bilhões em junho e acumula US$ 41 bilhões nos últimos 12 meses (2,1% do PIB), podendo superar US$ 50 bilhões até o fim do ano. E o padrão de financiamento externo está mudando: tem havido persistente redução no ritmo de entrada de investimento externo direto (IED). Chegou-se em junho a US$ 25,3 bilhões (1,32% do PIB), o menor valor dos últimos anos.
Mas essa escalada não tem causado impacto no câmbio, pois a contrapartida à menor entrada de IED tem sido o aumento do fluxo de capital de curto prazo (US$ 18 bilhões até agora em 2010) e do endividamento externo das empresas. Ou seja, até o momento os recursos de caráter mais especulativo e a emissão de dívidas superam a falta de IED no financiamento externo.
No mundo atual das finanças globalizadas não é surpresa que seja assim. O mercado de câmbio é determinado pelos fluxos financeiros, que são um múltiplo das transações do comércio exterior. E como os mercados financeiros são propensos a bolhas especulativas, a taxa de câmbio pode permanecer distante dos ditos "fundamentos" por muito tempo.
O fato é que o Brasil continua sendo o campeão mundial de juros a atrair capital de qualidade duvidosa. É o último "peru com farofa" no mundo à disposição do capital especulativo, para usar a expressão do ex-ministro Delfim Netto. Isso é ainda mais evidente nesse momento em que que a maior parte dos países desenvolvidos mantém suas taxas de juros próximas de zero.
A intervenção no câmbio poderá minimiza o ritmo da valorização. Mas sozinha não irá eliminá-la. Não, pelo menos, enquanto permanecerem as causas estruturais desses desequilíbrios, como a ainda reduzida corrente de comércio exterior da economia e a insuficiente poupança interna do país.

Obama diz que os seus objetivos no Afeganistão são
Obama diz que os seus objetivos no Afeganistão são "modestos"


Jornal afirma que a estratégia falhou e foco é matar insurgentes

da FSP

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse ontem que seus objetivos para a Guerra do Afeganistão são "modestos" e alcançáveis. O objetivo, afirmou, é "impedir que os terroristas operem na região".
"O que queremos fazer é difícil, muito difícil, mas é um objetivo modesto; é impedir que os terroristas operem na região. Impedir que criem grandes acampamentos de treinamento e de planejar ataques contra os EUA com impunidade", disse Obama na TV.
As afirmações do presidente saem no mesmo dia em que o "New York Times" publicou uma matéria dizendo que a estratégia traçada pela Casa Branca há oito meses não está funcionado.
Segundo a reportagem, a estratégia de contrainsurgência (ganhar confiança dos afegãos protegendo-os do Taleban e ajudando a estruturar um bom governo) está perdendo lugar para a de contraterrorismo, que consiste em missões para assassinar líderes do grupo.
Segundo a matéria, a eliminação de líderes do Taleban e o contato de alto nível do governo afegão com essa organização devem trazer o grupo para uma negociação sobre o fim da guerra.
Além do enfraquecimento das lideranças, EUA e aliados disponibilizaram US$ 300 milhões para comprar aqueles que desistirem de se aliar com o Taleban ou a Al Qaeda.

VITÓRIA TALEBAN
A Holanda anunciou a retirada de suas tropas no Afeganistão. O ministro das Relações Exteriores holandês disse que o país seguirá com relações diplomáticas com o Afeganistão e apoio financeiro para o desenvolvimento do país.
No ano que vem, Canadá, Alemanha e EUA devem começar a retirar suas tropas. O plano anunciado pelos aliados é de que todas as tropas estrangeiras saiam do país até 2014, entregando o controle da segurança para o governo local.
Os líderes do Taleban, que elogiaram a retirada holandesa, dizem que as saídas de tropas e o anúncio de que serão chamados para negociar são uma prova de que estão vencendo a guerra, iniciada em 2001 por George W. Bush.


EUA em marcha lenta
EUA em marcha lenta

do Estadão

A maior e mais avançada economia do mundo, a americana, perdeu impulso e cresceu no segundo trimestre em ritmo equivalente a 2,4% ao ano, segundo a estimativa inicial do governo. O mundo terá de se arranjar ainda por algum tempo sem os mercados do mundo rico, porque a Europa segue em passo ainda mais vagaroso e precisará de mais tempo para voltar à prosperidade. A produção americana já cresceu por quatro trimestres consecutivos e a recessão ficou para trás, mas a recuperação tem perdido vigor. Nos três meses finais de 2009, o PIB aumentou à taxa anualizada de 5%. O ritmo caiu para 3,7% no período de janeiro a março e diminuiu de novo no trimestre seguinte, porque os consumidores, endividados e mostrando pouco otimismo, têm comprado com moderação e as empresas ficaram mais cautelosas na formação de estoques.

Embora a economia não esteja parada, o desemprego continua elevado (9,5%). Este é mais um fator de insegurança para os consumidores. O quadro poderá ficar pior, como advertem alguns analistas, se o governo, pressionado pela crescente dívida pública, elevar os impostos para reduzir o déficit orçamentário.

Mas o Fed provavelmente manterá os juros básicos entre zero e 0,25% ao ano por um tempo considerável. As perspectivas da economia são "extraordinariamente incertas", disse na semana passada o presidente do Fed, Ben Bernanke.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) acaba de concluir a revisão anual das condições econômicas dos Estados Unidos. Segundo o relatório, os bancos americanos estão mais fortes do que na crise, mas ainda há riscos no setor financeiro e as instituições precisam de mais capital. Os economistas do Fundo recomendam ao governo um esforço fiscal maior para recompor as contas públicas e a manutenção da política monetária frouxa e estimulantes para facilitar a recuperação da economia. Mas há espaço na política fiscal, admitem, para maiores gastos, se o ritmo dos negócios diminuir muito.

Pelas estimativas do FMI, o déficit federal americano ficará em 11% do PIB neste ano e cairá para 8% no próximo, mas a dívida pública deverá continuar em expansão. O governo já traçou um programa de ajuste para a década, mas terá de seguir uma dura disciplina orçamentária. A curto prazo, o desafio da recuperação econômica se sobrepõe à necessidade do acerto fiscal, mas haverá um preço pelo adiamento das medidas corretivas.

Na Europa, alguns governos já anunciaram medidas para arrumar as contas públicas. O aperto poderá retardar a reativação econômica, mas as políticas frouxas poderiam produzir resultados piores. Os governos dependem dos mercados financeiros para rolar suas dívidas e o financiamento seria mais difícil num ambiente de maior desconfiança.

A economia mundial continua a depender, portanto, principalmente dos grandes emergentes, liderados pela China. O FMI acaba de publicar também o relatório anual sobre a economia chinesa. A previsão de crescimento para este ano continua em torno de 10,5%. Para 2011 espera-se uma expansão pouco menor, mas ainda vigorosa. O impulso será reduzido por causa da retirada de estímulos adotados no início da crise.

A provável manutenção de um firme crescimento é a boa notícia. A China é um dos maiores mercados e neste ano suas importações têm crescido mais rapidamente que as exportações. O Brasil tem sido beneficiado por essa nova tendência.

Mas o jogo pode mudar, adverte o Fundo. Durante a recessão global, o governo chinês estimulou a expansão do mercado interno. No entanto, a moeda chinesa continua desvalorizada - apesar do câmbio mais flexível adotado recentemente - e a exportação pode voltar a ser o polo mais dinâmico da economia.

Nesse caso, a acumulação de superávits comerciais ganhará impulso, de novo, e a contribuição chinesa para a reativação global será reduzida. O governo chinês, segundo o FMI, precisa trabalhar mais para mudar o estilo de crescimento do país, tornando-o menos dependente da exportação. A maior parte do mundo aplaude esse discurso.

EUA dizem ter plano de ataque ao Irã
EUA dizem ter plano de ataque ao Irã

Chefe das Forças Armadas diz que recurso pode ser usado para evitar que país persa consiga a bomba atômica

Teerã reage e promete "resposta avassaladora" caso um ataque ocorra; Amorim se diz otimista sobre volta ao diálogo

da FSP

Os EUA possuem plano de ataque ao Irã como recurso para evitar que o regime obtenha a bomba atômica, ainda que o considere má ideia, disse ontem o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas dos EUA, Mike Mullen.
"A opção militar tem estado sobre a mesa e segue sobre a mesa", afirmou Mullen, o militar de maior hierarquia no país, no programa "Meet the Press", da TV NBC. "É uma das opções que o presidente [Barack Obama] tem."
"De novo, espero que nós não cheguemos a esse ponto, mas é uma opção importante e que é muito bem entendida [pelo Irã]", advertiu o oficial.
Os EUA dizem promover política de mão dupla em relação ao país persa, que defende a via diplomática, mas não prescinde das pressões, como no caso da aprovação de novas sanções contra Teerã, há dois meses, no Conselho de Segurança da ONU.
Mullen alertou, no entanto, que o eventual ataque ao Irã teria consequências imprevisíveis para a estabilidade de todo o Oriente Médio.
Questionado sobre se o que o preocupa mais são as consequências de uma guerra ou a possibilidade de um Irã nuclear, o militar se disse "extremamente preocupado com as duas" possibilidades.
Mullen não entrou em detalhe sobre o suposto plano.

REAÇÃO
As declarações do chefe das Forças Armadas americanas foram rebatidas ainda ontem por líderes iranianos, que prometeram "resposta avassaladora" a um ataque.
O número 2 da Guarda Revolucionária, Yadollah Javani, disse que a segurança do golfo Pérsico, de grande importância para o comércio de petróleo, estará ameaçada "no caso de os americanos cometerem o menor deslize".
"O golfo Pérsico é uma região estratégica. Se a sua segurança estiver a perigo, eles também sofrerão perdas, e a nossa resposta vai ser firme", disse, de acordo com a agência semioficial iraniana Irna.

AMORIM
Já o ministro brasileiro do Exterior, Celso Amorim, disse estar "muito otimista" sobre a possibilidade de o Irã e as potências nucleares reatarem negociações em breve.
Em entrevista ao jornal argentino "Clarín", o chanceler afirmou que, "se houver negociações", o Irã pode suspender o enriquecimento de urânio a 20% -nível próprio apenas para fins medicinais.

Rapidinhas


Aécio tem dificuldade de emplacar sucessor

Tucanos alegam que ex-governador só começou a fazer campanha para Anastasia neste ano para não infringir lei

PSDB espera superar desvantagem com ajuda do horário eleitoral na TV e da grande aliança costurada por Aécio

RODRIGO VIZEU
da FSP

Enquanto o presidente Lula transformou a quase desconhecida Dilma Rousseff (PT) em candidata competitiva à sucessão presidencial, o ex-governador Aécio Neves (PSDB-MG) tem tido dificuldade de emplacar a reeleição do pouco conhecido governador Antonio Anastasia (PSDB), seu ex-vice.
Dilma e Anastasia se parecem no perfil técnico, na pouca experiência eleitoral e por terem sido figuras centrais de governo.
Mas, enquanto Dilma saltou da casa dos 10% que registrava no ano passado e segue empatada com José Serra (PSDB) desde maio último, com 36% das intenções de voto, Anastasia tem hoje só 18% na disputa pelo governo de Minas Gerais, bem atrás do líder Hélio Costa (PMDB), com 44%, segundo a última pesquisa do Datafolha.
Tucanos mineiros apontam uma razão principal para Anastasia não ter seguido os passos de Dilma: diferentemente de Lula, que exibia a ex-ministra da Casa Civil como sua sucessora desde 2007, Aécio só começou a promover Anastasia de fato após deixar o governo, em março de 2010.
A Folha apurou que há a avaliação ainda de que, uma vez governador, Anastasia "se apequenou": afundou-se na burocracia interna e deixou para fazer campanha pelo Estado só no período oficial, a partir de julho.
"Ele é uma pessoa discreta e sem preocupação com holofotes", afirma o presidente do PSDB-MG, deputado federal Nárcio Rodrigues.
Alguns tucanos minimizam a demora e dizem que foi melhor assim porque Aécio não "transgrediu" a lei, antecipando a campanha.
"Lula passou dois anos falando da Dilma na TV, chamando-a de "mãe do PAC'", diz o deputado federal Rodrigo de Castro (MG), secretário-geral do PSDB nacional.

APOIO
Os aliados de Anastasia esperam superar o prejuízo com a ajuda da coligação formada por 12 partidos e a expectativa de que, com a propaganda na TV, Aécio consiga transferir sua popularidade ao atual governador.
Os tucanos lembram ainda que, em 2008, Márcio Lacerda (PSB) se elegeu prefeito de Belo Horizonte depois de começar mal. Só deslanchou após os programas de TV com os apoios de Aécio e do então prefeito Fernando Pimentel (PT).
Pesa ainda a favor de Anastasia a última pesquisa espontânea do Datafolha, na qual não é apresentada uma lista de candidatos.
Costa tem 10% e Anastasia, 7%. Outros 4% citam Aécio, que vai disputar o Senado. Somando-se as intenções de voto declaradas aos dois tucanos, Anastasia supera o adversário numericamente.
Além disso, as pesquisas espontâneas mostram o grande desconhecimento da população sobre a eleição para governador em Minas: 73% não sabem em quem votar, contra 46% na eleição presidencial.



Propaganda de aliados não cita Serra

Com 25 dias de campanha, imagem de tucano não aparece em santinhos e adesivos de candidatos nos Estados

Fotos da rival Dilma estão em material de campanha de aliados do PT em 7 dos 8 maiores colégios eleitorais

BRENO COSTA
da FSP

Com 25 dias de campanha, os candidatos a governador aliados de José Serra (PSDB) nos oito maiores colégios eleitorais do país ainda não incorporaram a imagem do tucano em seus santinhos, adesivos e cartazes.
Até sexta-feira, só a campanha de Antonio Anastasia, em Minas Gerais, começava, timidamente, a produzir material casado. Mesmo em São Paulo, base de Serra, ainda não há material com ele ao lado de Geraldo Alckmin -exceto painéis em encontros de sua coligação.
Nos sites dos candidatos nesses Estados, que representam 94 milhões de eleitores, não havia um único material de campanha casado disponível para download. Nem mesmo na apresentação das páginas havia uma foto do candidato.
A foto oficial de Serra, em alta resolução, está disponível no seu site oficial desde o início da corrida presidencial. Com ou sem Serra, o custo de imprimir um adesivo, por exemplo, é o mesmo.
O cenário é distinto do de sua adversária Dilma Rousseff (PT), cuja imagem acompanhava o material de campanha de seus aliados em 7 desses 8 Estados.
Coordenador da campanha de Serra, o senador Sérgio Guerra citou um exemplo da Paraíba -em que a imagem de José Maranhão (PMDB), aliado de Dilma, estaria associada exclusivamente ao presidente Lula- para explicar seu raciocínio.
"Por que tinha material dele só com o Lula? Porque o Lula dá voto, e a Dilma não dá", disse Guerra.
O material de Maranhão, no entanto, inclui Dilma.
Questionado se a mesma lógica se aplicava, então, aos casos em que Serra está ausente do material com os candidatos ao governo, desconversou e elogiou Lula.
"A única exceção nessa história é o Lula", disse o senador, que nega que os aliados estejam escondendo deliberadamente a imagem de Serra nos Estados.
Ele mesmo disse não ter Serra em seus santinhos para deputado federal. Segundo Guerra, por erro na montagem do material.
Na campanha de Marcos Cals (PSDB-CE), em vez do presidenciável Serra, o postulante à reeleição no Senado Tasso Jereissati é onipresente nas propagandas.
Serra ainda não entrou por "dúvidas na hora de contabilizar os custos" da impressão da imagem do candidato, segundo José Liberato, coordenador da campanha de Cals.
No Paraná, onde Beto Richa (PSDB) lidera as pesquisas e por onde Serra iniciou oficialmente sua campanha, a promessa era que o material casado comece a ser distribuído amanhã.
Em Pernambuco, segundo maior eleitorado do Nordeste, região onde Serra tem o pior desempenho nas pesquisas, a coordenação da campanha de Jarbas Vasconcelos (PMDB) disse, na quarta-feira, que a imagem do tucano chegara na véspera. Até ontem, contudo, ainda não havia material casado.




ELIANE CANTANHÊDE
da FSP

Vamos ao que interessa?

BRASÍLIA - Até agora, o que se vê, lê e ouve é Dilma e o PT dizendo que José Serra deslizou para a direita e vai ter "um fim melancólico", e José Serra chamando Dilma e o PT de "trogloditas de direita" por apoiarem o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.
Um candidato chama o outro de feio, de chato, de bobo, de direitista, numa profusão de adjetivos pejorativos. E nós com isso?
Enquanto eles ficam nesse rame-rame, o Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) divulga relatório colocando o Brasil no terceiro pior nível de desigualdade de renda do mundo, melancolicamente empatado com o Equador. Aliás, dos 15 países com maior concentração de renda, dez são da América Latina.
Enquanto os candidatos trocam adjetivos e quebram a cabeça com estratégias mirabolantes e pegadinhas espertas, fica-se sabendo que o Brasil tem uma nota anual de 4,6 no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) e que muito dificilmente vai atingir a meta de chegar à nota 6 em 2021.
E, enquanto eles pensam em cabelo, maquiagem, empostação de voz e qual a próxima maldade contra o adversário, vem a informação de que 8 milhões de eleitores são analfabetos e 19 milhões declararam saber ler e escrever, mas nunca pisaram numa sala de aula.
A pior situação é no Nordeste, mas é chocante por toda a parte. Dê um pulo ali na escolinha de Sobradinho dos Melo, a meia hora do centro da capital da República, e pergunte quantos pais e mães sabem ler e escrever...
Quando o dado do analfabetismo saiu do TSE e inundou o país de vergonha, o que se perguntou é se o analfabeto (um a cada cinco eleitores) tem discernimento para votar. Mas a pergunta é outra: como os candidatos e candidatas pretendem tornar o país mais justo e quitar essa dívida com os cidadãos?
A resposta não comporta adjetivos e sim compromisso




CLÓVIS ROSSI
da FSP

Sobre avacalhações

SÃO PAULO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acha que acaba virando uma esculhambação se algum país desobedecer suas leis para atender pedidos de presidentes.
E daí, presidente? Se as leis são primitivas, medievais, como a que prevê a lapidação de adúlteros e adúlteras no Irã, viva a avacalhação. Ditadura é mesmo para ser avacalhada.
O presidente sabe disso. Tanto sabe que, em seus tempos de sindicalista, deu valiosa contribuição para avacalhar a ditadura militar, ao desafiar suas leis e, mais ainda, o arbítrio não previsto nem mesmo nas leis de exceção.
Além disso, não achava avacalhação pedir a solidariedade de sindicatos e autoridades estrangeiras.
Inúmeros companheiros seus, na época, também recorreram a governantes estrangeiros para tentar pressionar a ditadura. Ou avacalhá-la, se o que vale é a nova e atual versão de Lula.
Conheço pelo menos um caso de ex-preso político, torturado, que agradece até hoje a ação do então presidente norte-americano Jimmy Carter para afrouxar as regras da ditadura (ou avacalhá-las, diria o Lula-2010) e preservar a sua vida.
Os militares rangeram os dentes, reclamaram, espumaram, mas a vida seguiu, as relações diplomáticas, econômicas e comerciais só fizeram melhorar com o passar dos anos, até porque, como diz o chanceler Celso Amorim, "negócios são negócios". Princípios, bom, aí é outra história.
Ditaduras são, se o leitor me perdoa a incorreção política, como se dizia ser a mulher do malandro: a gente pode até não saber porque está batendo, mas elas sempre sabem porque estão apanhando.
Logo, Lula não precisa ter medo de perder negócios se fizer com a ditadura iraniana, como presidente, o que fazia com a brasileira, como opositor. Ajudaria a não avacalhar a sua própria biografia.





"Governo Lula é nefasto", afirma Plínio

Para ele, PT é a "primeira grande realização" dos brasileiros, mas atual gestão "paralisou" o movimento popular

Candidato do PSOL à Presidência, ele diz que, caso vença as eleições, não pretende implantar o socialismo no Brasil

FERNANDO GALLO
da FSP

Depois de ter ajudado a lançar a primeira candidatura de Fernando Henrique Cardoso ao Senado e de ser um dos coordenadores da primeira campanha de Lula à Presidência, Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) vai a seu primeiro pleito presidencial. Aos 80 anos, ainda defende as mesmas bandeiras do início de sua militância política, como o socialismo e uma reforma agrária radical.
Egresso do PT, onde ficou por 25 anos, Plínio chama o atual governo de "nefasto" e diz que o capital estrangeiro "permite a Lula fazer populismo com o dinheiro".

Folha - Quais serão as suas principais plataformas? Plínio de Arruda Sampaio - Uma reforma agrária radical e uma socialização da educação e da saúde.

O sr. fala em implantar o socialismo. Como isso funcionaria?
Eu não pretendo implantar o socialismo no Brasil e nem é a pretensão do meu partido agora. Vou fazer uma proposta dentro do marco do capitalismo. As únicas formas socializadas que vamos ter são a saúde e a educação.

O sr. daria um calote na dívida?
Calote é uma expressão ideológica. Vamos suspender o pagamento e fazer uma auditoria. O que for dívida, vamos conversar e negociar o pagamento. O que não for, não vamos pagar. Os setores internos credores do Estado são os mais ricos. Eles podem esperar um pouco.

Isso não provocaria uma fuga de capitais do país?
É possível que tenha um pouco esse efeito. Mas não há necessidade desse afluxo contínuo de capital estrangeiro para criarmos uma boa economia neste país. Podemos, com os recursos internos jogados no mercado interno, ter um índice de crescimento razoável. Ninguém quer competir com a China.

Como o sr. avalia o governo Lula?
Acho um governo nefasto. Porque cooptou e paralisou o movimento popular. Cooptou as lideranças, transformou os movimentos em ONGs, terceirizou uma série de serviços que são do Estado como forma de transpassar dinheiro para as entidades.

Que avaliação o sr. faz do modelo econômico brasileiro?
É neoliberal. É uma política de neocolonização, de fazer com que o Brasil, que já foi a oitava potência industrial do mundo, volte a ser um país exportador de produtos primários. O Brasil oferece um juro altíssimo. O dinheiro vem pra cá e permite ao Lula fazer esse populismo com o dinheiro, gerando a ideia pra classe C e D de que ela subiu pra classe B. Porque ela agora consome eletrodomésticos, pode até comprar automóveis em não sei quantos meses. E ela se endivida. Isso é uma coisa terrível. É nefasto, não é um adjetivo à toa.

Como o sr. vê o PT de hoje?
Tenho uma tremenda tristeza porque o PT é a primeira grande realização do povo brasileiro. Isso se perdeu. A maioria dos petistas é gente ótima. O que houve foi um desvio de cúpula. A cúpula dirigente abandonou o projeto petista e assumiu um projeto de poder.

Quais seriam os principais vetores da reforma agrária que o sr. faria?
O primeiro é considerado um escândalo, tem gente que fica assustada quando digo. A propriedade da terra tem que ter um limite. Tem na Inglaterra, na França, em tudo quanto é lugar. Você não pode ter o monopólio da terra. O MST e a Igreja estão colocando mil hectares como limite. Daí pra cima se torna desapropriável.




Cara ou coroa?



Cara ou coroa?

Fernando Henrique Cardoso
do Estadão

Em pouco mais de dois meses escolheremos o próximo presidente. Tempo mais do que suficiente para um balanço da situação e, sobretudo, para assumirmos a responsabilidade pela escolha que faremos. É inegável que a popularidade de Lula e a sensação de "dinheiro no bolso", materializada no aumento do consumo, podem dar aos eleitores a sensação de que é melhor ficar com o conhecido do que mudar para o incerto.

Mas o que realmente se conhece? Que nos últimos 20 anos melhorou a vida das pessoas no Brasil, com a abertura da economia, com a estabilidade da moeda trazida pelo Plano Real, com o fim dos monopólios estatais e com as políticas de distribuição de renda simbolizadas pelas bolsas. Foi nessa moldura que Lula pregou sua imagem.

Arengador de méritos, independentemente do que diga (quase nada diz, mas toca em almas ansiosas por atenção), vem conseguindo confundir a opinião, como se antes dele nada houvesse e depois dele, se não houver a continuidade presumida com a eleição de sua candidata, haverá retrocesso.

Terá êxito a estratégia? Por enquanto o que chama a atenção é a disposição de bem menos da metade do eleitorado de votar no governo, enquanto a votação oposicionista se mantém consistente próxima da metade. Essa obstinação, a despeito da pressão governamental, impressiona mais do que o fato de Lula ter transferido para sua candidata 35% a 40% dos votos. Assim como impressiona que o apoio aos candidatos não esteja dividido por classes de renda, mas por regiões: pobres do Sul e do Sudeste tendem a votar mais em Serra, assim como ricos do Norte e do Nordeste, em Dilma. O empate, depois de praticamente dois anos de campanha oficial em favor da candidata governista, tem sabor de vitória para a oposição. É como se a lábia presidencial tivesse alcançado um teto. De agora para a frente, a voz deverá ser a de quem o País nunca ouviu, a da candidata. Pode surpreender? Sempre é possível. Mas pelos balbucios escutados falta muito para convencer: falta história nacional, falta clareza nas posições; dá a impressão de que a palavra saiu de um manequim que não tem opiniões fortes sobre os temas e diz, meio desajeitadamente, o que os auditórios querem ouvir.

Não terá sido essa também a técnica de Lula? Até certo ponto, pois este, quando esbraveja ou quando se aferra pouco à verdade, o faz "autenticamente": sente-se que pode assumir qualquer posição porque em princípio nunca teve posição alguma. Dito em suas próprias palavras: "Sou uma metamorfose ambulante." Ora, o caso da candidata do PT é o oposto (essa é, aliás, sua virtude). Tem opiniões firmes, com as quais podemos ou não concordar, mas ela luta pelo que crê. Este é também seu dilema: ou diz o que crê e possivelmente perde eleitores por seu compromisso com uma visão centralizadora e burocrática da economia e da sociedade ou se metamorfoseia e vira personagem de marqueteiro, pouco convincente.

Não obstante, muitos comentaristas, como recentemente um punhado de brasilianistas, quando perguntados sobre as diferenças entre as duas candidaturas, pensam que há mais convergências do que discrepâncias entre os candidatos. Será? As comparações feitas, fundadas ou não, apontam mais para o lado psicológico. O que está em jogo, entretanto, é muito mais do que a diferença ou semelhança de personalidades. O quadro fica confundido com a discussão deslocada do plano político para o pessoal e, pior, quando se aceita a confusão a que me referi inicialmente entre a situação de desafogo e bem-estar que o País vive e Lula, que dela se apossou como se fosse obra exclusiva sua. Se tudo converge nos objetivos e se estamos vivendo um bom momento na economia, podem pensar alguns, melhor não trocar o certo pelo duvidoso. Só que o certo foi uma situação herdada, que, embora aperfeiçoada, tem a marca original do fabricante, e o duvidoso é a disposição da herdeira eleitoral de continuar a se inspirar na matriz originária. O candidato da oposição, esse, sim, traz consigo a marca de origem: ajudou a construir a estabilidade, a melhorar as políticas sociais e a promover o progresso econômico.

Não nos iludamos. O voto decidirá entre dois modelos de sociedade. Um mais centralizador e burocrático, outro mais competitivo e meritocrático. No geral, ambos os oponentes levarão adiante o capitalismo. Estamos longe dos dias em que o PT e sua candidata sonhavam com o que Lula nunca sonhou: o controle social dos meios de produção e uma sociedade socialista. Mas estamos mais perto do que parece de concretizar o que vem sendo esboçado neste segundo mandato petista: mais controle do Estado pelo partido, mais burocratização e corporativismo na economia, mais apostas em controles não democráticos, além de maior aproximação com governos autoritários, revestidos de retórica popular.

A escolha a ser feita é, portanto, decisiva. Como tudo indica, o teatro eleitoral está-se organizando para esconder o que verdadeiramente está em discussão. Há muita gente nas elites (vilipendiadas pelo lulismo nos comícios, mas amada pelos governantes e beneficiada por suas decisões econômico-financeiras) aceitando confortavelmente a tese de que tanto dá como tanto deu. Dê cara ou dê coroa, sempre haverá "um cara" para desapertar os sapatos. Ledo engano. Há diferenças essenciais entre as duas candidaturas polares. Feitas as apostas e jogado o jogo, será tarde para choramingar: "Ah, eu nunca imaginei isso." Melhor que cada um trate de aprofundar as razões e consequências de seu voto e escolha um ou outro lado.

Há argumentos para defender qualquer dos dois. Mas que não são a mesma coisa, não são. E não porque num governo haverá fartura e noutro, escassez, para pobres ou ricos. E sim porque num haverá mais transparência e liberdade que no outro. Menos controle policialesco, menos ingerência de forças partidário-sindicais. E menos corrupção, que mais do que um propósito é uma consequência.

*SOCIÓLOGO, FOI PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Serra diz que não fala de 'vaivém' das pesquisas


Serra diz que não fala de 'vaivém' das pesquisas

ALFREDO JUNQUEIRA
do Estadão

O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, recusou-se a comentar o resultado da pesquisa do Ibope, encomendada pelo jornal "O Estado de S. Paulo" e pela TV Globo, divulgada na noite de sexta-feira e que o deixou a cinco pontos porcentuais de sua principal adversária, a petista Dilma Rousseff. Pela primeira vez, o tucano aparece atrás da candidata do PT em uma sondagem do instituto, fora a margem de erro de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo. De acordo com o Ibope, Dilma está com 39% nas intenções de voto, contra 34% de Serra.

Ao contrário do presidente de seu partido, Sérgio Guerra, que ontem mostrou preocupação com o resultado, Serra disse que não comenta "pesquisa em nenhuma situação, porque é um vaivém. Cada dia tem uma pesquisa, cada dia é um resultado. Eu não comento porque pesquisa vai, pesquisa vem, e o importante é a pesquisa da urna". Serra participou de caminhada na periferia da cidade de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Ele estava acompanhado do prefeito do município e presidente do PSDB fluminense, José Camilo Zito, e de seu candidato a vice, o deputado federal Indio da Costa (DEM).

O candidato do PSDB prometeu que, se eleito, vai instalar policlínicas na região, criará unidades específicas para realização de exames médicos, transformará os trens urbanos que atendem a Baixada Fluminense em metrô de superfície e investirá em programas de ensino técnico e profissionalizante.

A caminhada foi organizada por Zito, que em um trio elétrico pedia votos para sua mulher e filha, candidatas à Assembleia Legislativa e à Câmara dos Deputados, respectivamente, e para Serra. Apesar do PSDB no Rio oficialmente apoiar a candidatura do deputado federal Fernando Gabeira (PV) ao governo, Zito não citou o nome dele nenhuma vez. Mesmo o material de campanha espalhado pelas ruas não fazia qualquer alusão ao candidato verde. Os aliados do prefeito e a estrutura do PSDB na cidade estão a serviço da candidatura de Sérgio Cabral Filho (PMDB), que busca a reeleição apoiado pelo presidente Lula. Serra chegou quando a caminhada já percorria as ruas da cidade há mais de duas horas. Ficou no local durante pouco mais de uma hora. O tucano não quis falar no microfone e passou o tempo todo cumprimentando moradores que acompanhavam o evento da porta de suas casas.



'Quem está de jipe conhece melhor o estado do que quem anda de helicóptero', diz Gabeira

de O Globo


RIO - O candidato ao governo do Rio pelo PV, Fernando Gabeira, rebateu na manhã desta sexta-feira a ironia de seu adversário, Sérgio Cabral, que disse que o deputado precisa conhecer melhor o estado . Cabral deu a declaração na quinta-feira, após o jipe que Gabeira utilizava para fazer um percurso de 22 quilômetros ter quebrado na estrada estadual RJ-113, devido aos buracos da pista. O candidato do PV criticou a postura do governador que, segundo ele, utiliza helicópteros em grande parte de seus deslocamentos.

- Cabral disse que eu ficar a pé na Baixada Fluminense era para conhecer o estado. Bom, quem está de jipe na estrada conhece melhor o estado do que quem anda de helicóptero - rebateu o verde, que visitou a comunidade Parque União e o Museu da Maré.

" Quem está de jipe na estrada conhece melhor o estado do que quem anda de helicóptero "


Segundo o candidato, os maiores problemas da região são a falta de saneamento básico e de escolas de ensino médio.

- Na Maré, há uma rede com 14 escolas municipais de ensino fundamental e apenas uma estadual de ensino médio. Há um afunilamento que precisa ser resolvido - ele disse.

'Minha expectativa com o Ibope é sempre a pior possível', diz Gabeira

Ainda durante a manhã, o candidato do PV afirmou que tem as piores expectativas possíveis para a pesquisa Ibope que será divulgada nesta sexta. Segundo ele, a metodologia de pesquisa do instituto possui dificuldades em registrar a intenção de voto de campanhas como a dele.

- A minha expectativa com o Ibope é sempre a pior possível. O Ibope só não me deixa devendo votos porque não consegue - disse o candidato, rindo.

" O Ibope só não me deixa devendo votos porque não consegue "

Gabeira lembrou o episódio da eleição de 2008, em que foi apontado como o sexto colocado no momento em que a TV Globo utilizava a pesquisa para selecionar os cinco candidatos que seriam entrevistados em seus programas. O deputado ressaltou que, na época, começou a campanha com 3% das intenções de votos, e terminou com 49%.

- A nossa campanha vai crescer a partir da semana que vem, quando as emissoras de televisão começarem a cobrir as eleições diariamente. Saiu uma pesquisa Datafolha que indica que 80% dos eleitores só tomarão conhecimento dos políticos pela televisão - afirmou o candidato

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