Política
Olha a veia que salta
Olha a veia que salta
Dora Kramer
do Estadão
O episódio aconteceu há quase três anos, mas o presidente Luiz Inácio da Silva ainda não superou a derrota que lhe impôs o Senado ao extinguir a CPMF, em dezembro de 2007.
Naquela dimensão foi o único malogro de Lula no Congresso, inédito para quem praticamente só colecionou êxitos (em ótica sem juízo ético) em oito anos de mandato.
Compreende-se, portanto, que seja inesquecível. Ainda mais porque depois daquilo se extinguiram de vez quaisquer esperanças de que uma emenda constitucional ou mesmo um plebiscito sobre a instituição de um terceiro mandato pudesse ter a mais ínfima chance de ser aprovado no Senado.
Por algumas outras mais, mas principalmente por essa, Lula firmou a convicção de que antes de tudo o mais importante é o governante ter um Senado fiel e submisso.
Mais importante que o PT eleger muitos governadores, repete aos correligionários desde o ano passado, é o PT eleger e o governo controlar uma bancada grande de senadores. Isso, claro, no pressuposto de que a Câmara esteja perfeitamente dominada.
O presidente expôs em público esse anseio no último sábado em Curitiba, onde participou de comício da candidatura presidencial, ao fazer votos de que Dilma Rousseff, se eleita, "tenha um Senado de mais qualidade".
Até aí, não haveria do que nem como discordar do presidente Lula. Raro deve ser o cidadão que não deseje um Senado sem atos secretos, sem postergação proposital de investigações, sem contratações abusivas, sem desperdícios, sem compadrio, com responsabilidade, honestidade, transparência, impessoalidade, civilidade, respeito absoluto pelo público.
E, sobretudo, um Senado reverente à instituição que não seja presidida por alguém com tanto a esconder que prefira silenciar a contribuir para melhorias, que necessite recorrer à censura para proteger os seus.
Só que não é bem isso que Lula entende por "um Senado de mais qualidade". Segundo ele, a qualidade se expressa em um "Senado mais respeitador, um Senado que não ofenda o governo, como eu fui ofendido. Um Senado que por mesquinharia derrubou R$ 40 bilhões, que todo ano a gente ia por na saúde".
No preâmbulo, desejou: "Só peço a Deus que essa companheira não tenha o Senado que eu tive."
Se o presidente não prestou atenção ao que disse é grave, mas se prestou só não é gravíssimo porque seu poder de vocalizar equívocos com garantia de ampla divulgação termina em breve.
Ah, sim, porque se o leitor ainda não realizou, realize: a partir de janeiro de 2011, assuma Dilma ou José Serra a Presidência da República, o estilo muda. Governar não será mais discursar.
O País não girará em torno de uma pessoa cuja primeira tarefa será a de se acostumar com a volta à planície.
É possível que para Luiz Inácio da Silva venha a ser impactante a descoberta de que o Senado nunca foi nem é dele, e sim da República. Logo, a frase "o Senado que eu tive" não retrata a realidade. Antes traduz uma fantasia de absolutismo.
"Um Senado mais respeitador, que não ofenda o governo como eu fui ofendido." Ou seja, o exercício da prerrogativa constitucional de aprovar ou rejeitar emendas e projetos de lei quando contrariam a vontade deste que agora está às vésperas de deixar a Presidência é desrespeito e ofensa pessoal. Ainda que, como a CPMF, seja a vontade majoritária da sociedade.
Em oito anos Lula não incorporou a concepção de Estado. Quando assumiu quase expulsa um correspondente estrangeiro porque considerou ofensivo à Nação um artigo do rapaz falando sobre seu (dele) consumo de bebidas alcoólicas.
Tomou-se pelo País. E agora depois de todo esse tempo continua ativista da autorreferência, tratando o Senado como um apêndice de sua (dele) majestade.
Nesse mesmo discurso em Curitiba, o presidente avisou mais uma vez que vai se empenhar pela reforma política e se dedicar a ensinar a "um ex-presidente" a ser "ex-presidente da República e não dar palpite em quem está governando".
Se for Serra, será esquisito Lula abrir mão da política como oposicionista; se for Dilma, será um favor que faz a ela, ao PT e ao PMDB. No que tange aos partidos, aliás, não veem a hora.
postado por Evaldo Torres * Fonte : Estadão em 03-08-2010
Comentários
(3)
A nova ofensiva do PCC
A nova ofensiva do PCC
do Estadão
Quatro anos depois de ter promovido em São Paulo 180 ataques a delegacias, fóruns, bancos, viaturas e postos policiais, lançado uma bomba que destruiu o andar térreo da sede do Ministério Público (MP) Estadual, provocado 80 rebeliões simultâneas no sistema prisional paulista e assassinado 40 agentes carcerários e policiais militares, o Primeiro Comando da Capital (PCC) voltou a lançar uma ofensiva contra a ordem pública. Desta vez, por enquanto, a facção criminosa incendiou 13 automóveis na zona leste, alvejou o quartel da Rota, na Avenida Tiradentes, e ainda tentou assassinar seu comandante, coronel Paulo Telhada, que saiu ileso. Em seus 40 anos de existência, foi a primeira vez que a principal unidade de elite da Polícia Militar (PM) e seu chefe são alvos de um ataque.
Até agora, as ações mais audaciosas da facção criminosa haviam sido o atentado ao MP, em 2006, e o assassinato do juiz Antonio José Machado Dias, corregedor da região de Presidente Prudente, onde fica o presídio de segurança máxima de Presidente Bernardes. Na ocasião, a unidade abrigava os principais líderes do PCC e o traficante carioca Fernandinho Beira-Mar, um dos líderes do Comando Vermelho (CV). O assassinato de Dias, que tinha a responsabilidade de deferir ou indeferir os pedidos de liberação e transferência de presos do crime organizado, foi um ato de vingança por ter negado várias solicitações. Em 2006, os motins em penitenciárias e detenções e os ataques contra viaturas e postos policiais, edifícios públicos e privados e a sede do MP foram desencadeados na ocasião em que o então governador Geraldo Alckmin renunciara ao cargo para se candidatar à Presidência da República, porque o PCC viu nisso uma oportunidade de aproveitar a campanha eleitoral para criar constrangimentos políticos contra seu sucessor. Os líderes da facção pretendiam negociar seus interesses diretamente com os diretores de unidades prisionais, sem interferência da cúpula da PM e das autoridades de segurança pública.
A história parece estar se repetindo. Como há quatro anos, o governador de São Paulo renunciou para se candidatar à Presidência. E José Serra já disse que, se for eleito, criará o Ministério da Segurança. A campanha eleitoral no rádio e na televisão está prestes a começar. E, como também aconteceu com Alckmin em 2006, os blogs e sites dos principais adversários de Serra já começaram a aproveitar a nova ofensiva do PCC para criticar a "política de segurança pública do PSDB".
É um comportamento irresponsável, seja por explorarem demagogicamente um problema que o presidente Lula não conseguiu equacionar em seus dois mandatos, seja por brincarem com fogo, uma vez que os ataques do PCC não são contra uma agremiação partidária, mas contra o poder estabelecido. Além disso, os autores dessas críticas cometem um equívoco, uma vez que as primeiras investigações já revelaram que, ao lado das motivações políticas, a facção criminosa também estaria tentando se vingar de uma das mais bem-sucedidas operações realizadas pela Rota.
Recentemente, ela apreendeu quase R$ 2 milhões em dinheiro, dezenas de fuzis, metralhadoras e carabinas, além de uma tonelada de drogas em poder dos líderes do PCC. Esses são dividendos da mudança de política de segurança pública que o governo estadual promoveu no ano passado. No novo esquema de segurança, a investigação começa pela busca, processamento e análise de informações das ruas e do sistema prisional realizados pela área de inteligência da PM e, quando tudo está apurado, a Rota é acionada para efetuar as prisões. Portanto, assassinar o comandante dessa unidade, uma figura carismática na corporação, permitiria ao PCC reafirmar sua força e criar um fato desabonador para o governo paulista no processo eleitoral.
Como as autoridades foram apanhadas de surpresa pela nova investida do PCC, as Polícias Civil e Militar precisam demonstrar eficiência no esclarecimento dos crimes. O que está em jogo é a capacidade das instituições brasileiras de se sobreporem ao crime organizado.
postado por Evaldo Torres * Fonte : Estadão em 03-08-2010
Comentários
(3)
O Brasil decifrado
Editorial da Folha de São Paulo
Censo 2010 traçará perfil minucioso de país em rápida transição demográfica, com cada vez menos crianças e jovens e mais idosos
O Censo 2010, que manda para as ruas nesta semana uma legião de 192 mil recenseadores, fará uma tomografia minuciosa do Brasil real. São dados fundamentais para o funcionamento de uma sociedade moderna e esclarecida.
O país que completa duas décadas de democracia plena tem cerca de 193 milhões de habitantes. Pela primeira vez, o recenseamento deverá registrar que menos da metade dos cidadãos se classificam como brancos. Apenas um terço conta 18 anos de vida ou menos. A fecundidade deve alcançar 1,8 ou 1,9 filho por mulher, bem abaixo da taxa de reposição (2,1).
Nesse nível de generalidade, os dados demográficos já são conhecidos. Eles provêm das radiografias convencionais traçadas a cada ano pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).
No entanto, os detalhes que interessam sobretudo aos administradores municipais, como o número exato de moradores de uma favela, só podem ser obtidos com o Censo. Por sua complexidade (58 milhões de domicílios visitados, contra 150 mil na Pnad) e alto custo (R$ 1,7 bilhão), só se realiza de dez em dez anos.
Entre 1970 e 2010, a população brasileira mais que dobrou, acrescentando 100 milhões de pessoas aos "90 milhões em ação" da época do milagre econômico. Nova duplicação jamais voltará a ocorrer. Em 30 anos, a população começará a encolher.
Com base nos dados do Censo de 2000, o IBGE projetava ainda em 2004 que a taxa de fecundidade alcançaria 1,85 só em 2043. Esse futuro já chegou. O novo Censo virá robustecer a qualidade estatística dessa cifra surpreendente.
A queda da fecundidade está entre os indicadores mais sintomáticos da vertiginosa transição demográfica por que passa o país. Nesse ritmo, a parcela de crianças e jovens na população, que caía em termos relativos, passa a diminuir também de modo absoluto.
Com menos dependentes para manter, aumenta a renda per capita em cada família, e com ela a capacidade de consumir e investir. Configura-se o chamado "bônus demográfico", período em que a economia tem mais facilidade para crescer a altas taxas, mas de forma sustentável. Há mais adultos economicamente ativos do que indivíduos dependentes deles.
O aumento da expectativa de vida, contudo, contrabalança essa tendência na medida em que amplia o contingente de idosos. Tal janela de oportunidade deve fechar-se por volta de 2050, e o ritmo da queda na fecundidade pode antecipar ou adiar o evento.
Esse é apenas um exemplo dos dados cruciais que serão esmiuçados com o Censo 2010. O levantamento traz ainda informações não investigadas pela Pnad, como religião dos habitantes, presença de deficiências e uniões consensuais.
Além disso, pela primeira vez o Censo indicará se há cônjuges do mesmo sexo no domicílio, quais línguas indígenas são faladas e a renda familiar proveniente de programas sociais. Até a posse de motos foi incluída, o que permitirá aquilatar melhor sua contribuição para acidentes e poluição.
O Censo 2010 fornecerá a cada brasileiro, e a seus governantes, uma imagem bem mais clara do país em que vivem. Por isso é tão importante que todos abram suas portas para o IBGE.
postado por Evaldo Torres * Fonte : Folha de São Paulo em 03-08-2010
Comentários
(3)
China compra terras no Brasil
China compra terras no Brasil
NOTAS & INFORMAÇÕES
do Estadão
O ex-ministro Antônio Delfim Netto tem razão quando recomenda cuidado com as vendas de terras a empresas da China, controladas pelo Estado ou com participação estatal. Investimentos estrangeiros são de modo geral bem-vindos e podem trazer contribuições importantes ao crescimento do País. Grupos estrangeiros podem fazer bons negócios e ao mesmo tempo fortalecer a economia brasileira com recursos adicionais e, ocasionalmente, com aporte de tecnologia. Mas os "negócios" mudam de sentido quando o investimento é subordinado a razões estratégicas de um Estado estrangeiro. No caso de recursos naturais, e de terras para a agropecuária, avaliar corretamente essa estratégia é uma questão de segurança.
"Os chineses compraram a África e estão tentando comprar o Brasil", disse o professor Delfim Netto em entrevista ao Estado de domingo. Pode haver algum exagero de linguagem, mas a preocupação é justificável. O diretor-geral da FAO, a agência das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, alertou os governos africanos para o risco de um "neocolonialismo", desta vez baseado no controle de áreas férteis. Companhias de vários países participaram nos últimos anos de uma corrida para comprar terras na África. As chinesas estiveram entre as mais ativas.
A maior estatal chinesa do setor, a China National Agricultural Development Group Corporation, opera em 40 países e 10 mil de seus 80 mil funcionários trabalham no exterior. A empresa detém 6 mil hectares na Tanzânia e criou negócios no setor de alimentos também na Guiné, no Benin e em Zâmbia e já entrou na Argentina e no Peru. Outras companhias chinesas também têm comprado terras em vários países, com o mesmo objetivo: garantir à China produtos indispensáveis ao seu crescimento econômico e à urbanização de centenas de milhões de pessoas.
Desde a última década o governo chinês vem aumentando os investimentos em recursos naturais de outros países. Até agora, seu avanço mais impressionante ocorreu na África, onde os investimentos em mineração e depois na compra de terras foram acompanhados de projetos de cooperação com os países hospedeiros, quase sempre pobres e com baixo grau de desenvolvimento.
O passo seguinte na estratégia foi a negociação de projetos com vários governos latino-americanos. Desde o começo deste ano, foram anunciados planos de investimentos de pouco mais de US$ 11 bilhões no Brasil. Se todos forem concretizados, o estoque de capital chinês no Brasil poderá ocupar a 9.ª posição em ordem de grandeza. Por enquanto, está em 42.º lugar.
Companhias chinesas têm mostrado disposição de investir em vários setores, como produção de aço, exploração de petróleo, distribuição de eletricidade, exploração de minérios e construção do trem-bala entre Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. Parte desses investimentos atende ao objetivo de garantir matérias-primas para uso industrial e para geração de energia.
Ao mesmo tempo, empresas têm procurado oportunidades de investimento no agronegócio. Em abril, a China National Agricultural Development Group Corporation revelou a intenção de comprar terras para produzir soja e milho. Nos primeiros contatos, negociadores da empresa indicaram interesse em terras do Centro-Oeste, especialmente de Goiás.
Na mesma época, representantes do Chongqing Grain Group anunciaram a disposição de aplicar US$ 300 milhões na compra de 100 mil hectares no oeste da Bahia, para produzir soja para os mercados brasileiro e chinês. Funcionários da empresa participaram da comitiva do presidente Hu Jintao.
Um mês depois, o Grupo Pallas International, formado por investidores privados, mas também com participação estatal, divulgou planos de comprar entre 200 mil e 250 mil hectares no oeste da Bahia e possivelmente no conjunto de áreas de cerrado do Maranhão, do Piauí e do Tocantins, conhecido por Mapito.
Negócios desse tipo envolvem o controle de grandes áreas por grupos subordinados à estratégia de uma potência estrangeira. Poderão agir segundo interesses comerciais, como outros investidores, mas poderão seguir uma lógica de Estado - e esse Estado não será o brasileiro.
postado por Evaldo Torres * Fonte : Estadão em 03-08-2010
Comentários
(3)
Jornais para jovens são sucesso na França
Títulos para pessoas de 6 a 18 anos mantêm circulação, apostando em temas como ecologia e entretenimento
Jornais para jovens não são vendidos em banca, e a assinatura de segunda a sábado custa cerca de R$ 20 por mês
VAGUINALDO MARINHEIRO
DE LONDRES/FSP
Uma editora na França tem conseguido provar que pode estar bem errada a máxima de que crianças e adolescentes não gostam de ler notícias em jornal impresso.
Com três títulos voltados para pessoas de 6 a 18 anos, a La Play Bac não enfrenta crise. Enquanto os jornalões franceses perdem leitores, ela mantém 150 mil assinantes em todo o país. Número que permanece estável há cinco anos.
Como comparação, é metade do que vende o "Monde" hoje. Mas o "Monde" perdeu cerca de 20% da circulação nos últimos cinco anos.
Qual o segredo? "Fazemos jornais que não são chatos. Que levam às crianças e aos adolescentes o que eles querem ler e com uma apresentação colorida e atraente", afirma François Dufour, 42, um dos donos da editora e editor-chefe dos jornais.
"Le Petit Quotidien" (pequeno diário), "Mon Quotidien" (meu diário) e "L'actu" (últimas notícias) são jornais compactos (quatro páginas o primeiro, oito os outros dois), com gráficos coloridos, fotos grandes e textos pequenos.
No cardápio de assuntos, muita ecologia, curiosidades históricas, entretenimento e atualidades.
Na última quinta-feira, o "Le Petit Quotidien", voltado para crianças de até dez anos, trazia na capa a história de um animal que se pensava extinto e que foi fotografado no Sri Lanka. Dentro, uma arte multicolorida com tudo sobre o bicho.
No "Mon Quotidien", para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, o assunto principal era o projeto de uma agência britânica para criar um hotel de luxo nas alturas, dentro de um dirigível. Na página dois, uma arte com tudo sobre os dirigíveis.
"L'actu", cujo público-alvo tem de 14 a 18 anos, falava não só de ganhadores de loterias, mas também do vazamento de documentos sobre a guerra no Afeganistão. Na contracapa, uma entrevista com a atriz Cameron Diaz.
Dufour afirma que são os próprios jovens que escolhem os assuntos.
Todos os dias são levados à Redação dois meninos e duas meninas que funcionam como redatores-chefes convidados. Os jornalistas propõem as pautas, eles decidem o que será publicado.
São também os leitores que escrevem as críticas de jogos e livros.
INÍCIO
A história dos três jornais começa em 1995. Dufour e dois amigos pensaram que seria um bom negócio fazer jornais que fossem vistos pelos pais como parte do processo educativo dos filhos.
Na época, eles já eram donos de uma editora de livros e jogos infantojuvenis.
Os jornais não são vendidos em banca, é preciso ser assinante para recebê-los em casa, de segunda a sábado.
A assinatura custa 9 por mês, pouco mais de R$ 20.
Durante todo o mês de setembro, início do ano letivo na França, são distribuídos jornais nas escolas do país.
postado por Evaldo Torres * Fonte : Folha de São Paulo em 03-08-2010
Comentários
(3)
Oferta de Lula é ‘interferência’
Oferta de Lula é ‘interferência’ em assuntos internos, diz agência do Irã
Presidente ofereceu asilo a Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada à morte por adultério
Robert F. Worth , The New York Times/Estadão
WASHINGTON- O establishment conservador do Irã parece ter reagido friamente a um apelo do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, para permitir que a iraniana Sakineh Ashtiani, acusada de adultério, obtenha asilo no Brasil e não seja morta por apedrejamento no país islâmico.
A reação ao apelo feito no fim de semana pelo presidente Lula pode criar uma distensão na relação cada vez mais cordial entre Irã e Brasil. O caso pode também reforçar o que os críticos do regime iraniano encaram como uma forma primitiva de justiça, particularmente repulsiva quando se trata de mulheres.
Embora nenhuma autoridade iraniana tenha comentado a oferta brasileira, a Jahan News, serviço de notícias ultraconservador do Irã, considerada uma agência que reflete fielmente o pensamento do governo, informou, no domingo, que o apelo de Lula era uma "clara interferência nos assuntos domésticos do Irã".
Ainda segundo a agência, a oferta brasileira foi feita "sob influência da mídia estrangeira". Sakineh, de 43 anos, pode não ser apedrejada porque o Judiciário iraniano ainda está examinando a sentença proferida por um tribunal de primeira instância. De acordo com a Jahan News, em vez disso, ela seria enforcada.
Sakineh foi acusada de ter uma "relação ilícita" com dois homens. Ela negou as acusações. O caso da iraniana chamou a atenção do mundo para a reputação do Irã com relação aos direitos humanos. O país é um dos poucos que aplicam a pena capital para casos de adultério.
No início, Lula havia rejeitado os >pedidos de grupos de defesa dos direitos humanos para usar sua influência com o Irã e tentar impedir a execução de Sakineh. No entanto, ele mudou de ideia no fim de semana, durante uma viagem de campanhaao lado de sua candidata, Dilma Rousseff. "Se minha amizade e afeição pelo presidente do Irã são importantes e se essa mulher está causando problemas lá, nós a acolheremos aqui no Brasil", disse.
Os EUA apoiaram a iniciativa do presidente brasileiro. Segundo o porta-voz do Departamento de Estado, Philip Crowley, Washington espera que o apelo seja ouvido pelo governo do Irã.
Espionagem
"O apedrejamento, no século 21, é um ato de barbárie e deve ser extinto", afirmou Crowley. "O caso chamou a atenção da comunidade internacional. Diante do fato de o Brasil ter se envolvido e apresentado seu desejo de resolvê-lo, esperamos que o Irã o ouça."
Crowley acrescentou ainda que os EUA esperam a libertação dos três americanos presos há um ano no Irã, acusados de espionagem. Lula tentou mediar o caso, mas não obteve sucesso. "Gostaríamos de ver nossos excursionistas voltarem para casa", disse Crowley.
*Colaborou Denise Chrispim Marin
postado por Evaldo Torres * Fonte : Estadão em 03-08-2010
Comentários
(3)
Obama anuncia fim de operações militares
Obama anuncia fim de operações militares dos EUA no Iraque
Funções das tropas americanas no país passam a ser de apoio e treinamento, diz presidente
ATLANTA - O presidente americano, Barack Obama, anunciou nesta segunda-feira, 2, o fim das operações de combate dos EUA no Iraque. Com a medida, o número de soldados no país, que era de 140 mil quando Obama assumiu, caíra para 50 mil no final deste mês.
Jason Reed /Reuters

Obama participa de encontro com veteranos
Veja também:
Linha do tempo: Guerra do Iraque, do começo ao começo do fim
Arquivo Estado: Há 20 anos, Saddam invadia o Kwait
Em um discurso para veteranos do Exército americano em Atlanta, na Georgia, Obama confirmou a transição das operações de segurança no país para os iraquianos. As tropas americanas no país terão apenas funções de apoio e treinamento.
" Prometi um final responsável para a guerra do Iraque. Após assumir, anunciei nossa estratégia e a transição para Iraque. Prometi que em agosto de 2010 nossa missão de combate acabaria. E é o que estamos fazendo. Conforme o prometido e dentro do previsto", disse o presidente. As missões de combate acabarão no dia 31.
Segundo Obama, desde o início de sua presidência até o final de agosto, 90 mil soldados já terão voltado para casa.
Ainda de acordo com o presidente, o fim das operações militares não indica que a guerra chegou ao fim. As tropas que permanecerão no Iraque para treinar e apoiar o exército local terão de continuar lá por um tempo.
"A dura realidade é que o fim do sacrifício americano no Iraque ainda não terminou", disse Obama.
O final da guerra era uma das pedras angulares da campanha do democrata na corrida pela Casa Branca em 2008. Em 2002, quando ainda era um senador estadual por Illinois, qualificou o conflito de 'guerra estúpida' em um discurso.
postado por Evaldo Torres * Fonte : Estadão em 03-08-2010
Comentários
(3)
Rapidinhas
Prefeituras do PT exibem filme sobre a vida de Lula
Em ano eleitoral, biografia do presidente tem sessões em praças e escolas
Administrações negam caráter eleitoreiro da divulgação da obra e dizem que ideia é levar cinema a quem não tem
FELIPE BÄCHTOLD
da FSP
"Venha assistir à saga da família Silva, uma saga igual a de tantas outras famílias do Brasil." A frase está em um convite da Prefeitura de Morro Agudo (SP) para uma sessão pública, em maio, do filme "Lula, o Filho do Brasil" em uma escola da cidade.
Sete meses após o lançamento, a obra sobre a vida do presidente vem sendo exibida pelo país a populações sem condições de ir ao cinema em uma série de eventos, muitos deles bancados por administrações petistas.
A Folha localizou ao menos dez cidades que exibiram "Lula" nos últimos meses.
Em tendas montadas em praças ou em locais públicos, já houve até "pipoca distribuída gratuitamente", como divulgado em Morro Agudo.
Ocorreram exibições ainda na Assembleia de Pernambuco, em junho, em um evento do Bolsa Família em Porto Velho (RO) e em uma parceria do produtor com um prefeito petista no Rio.
No Dia do Trabalho, o filme foi incluído na programação das festas das prefeituras petistas de Caratinga (MG) e Novo Hamburgo (RS).
A produção, que conta a trajetória de Lula desde criança até 1980, foi o filme nacional com orçamento mais caro da história, mas não teve o público esperado no circuito de cinemas.
Em duas cidades, a exibição ganhou o mesmo nome: "Cinema na Praça". Em Carmópolis (SE), município de 13 mil habitantes, material divulgado pela prefeitura diz que "centenas de pessoas puderam conhecer a história do nosso presidente".
Em Bagé (RS), onde a prefeitura também é do PT, foi o único filme incluído na programação da Semana da Mulher 2010, em março.
OUTRO LADO
Os organizadores das projeções negam o caráter eleitoreiro e dizem que o público não faz relação com a campanha. "O filme não conta a história dele como político. Conta como líder sindical", diz o secretário da Cultura de Caratinga (MG), Juarez Gomes.
Em Alfenas (MG), onde o filme foi exibido na última segunda-feira, a prefeitura fala que não houve reclamações de políticos locais nem da Justiça Eleitoral.
A Prefeitura de Belford Roxo (RJ) diz que as exibições foram uma forma de chamar a atenção para o fato de a cidade não possuir cinemas.
A direção nacional do PT disse que não dá nenhuma orientação sobre a exibição do filme e que a obra deve ser pensada como um "produto cultural". Afirmou ainda que não há relação entre sua exibição e a campanha.
Berzoini diz ter pedido apuração de dossiê
Deputado, suspeito de produzir documento contra Mantega, diz ter procurado o ministro para pedir investigação
Objetivo do material era fazer com que ministro desistisse da nomeação de vice do BB para a presidência da Previ
LUCAS FERRAZ
da FSP
Apontado pelo Palácio do Planalto como um dos suspeitos de produzir um dossiê contra o ministro Guido Mantega (Fazenda), o deputado federal Ricardo Berzoini (SP), ex-presidente do PT, divulgou ontem em seu blog uma carta em que se defende das acusações.
Ele diz ter procurado Mantega e pedido a ele uma investigação para apurar responsabilidades pela elaboração do material.
Conforme a Folha revelou ontem, o ministro da Fazenda foi alvo de um dossiê que o governo atribui a uma ala do PT egressa do sindicalismo bancário. O material acusa a filha do ministro, Marina Mantega, de suposto tráfico de influência dentro do Banco do Brasil -o que ela nega.
O objetivo era fazer com que Guido Mantega desistisse da nomeação de Paulo Caffarelli, vice-presidente do BB, para a presidência da Previ (fundo de pensão dos funcionários do banco), cujo patrimônio hoje soma cerca de R$ 150 bilhões.
Caffarelli acabou não nomeado, assim como o nome defendido para a Previ pelos petistas da área bancária.
"Recentemente, em conversa com o ministro Mantega, sobre outros assuntos de interesse da política econômica, comentei sobre a tal carta apócrifa. (...) Sugeri ao ministro que determinasse ao BB a abertura de sindicância interna para apurar eventual participação de funcionários do banco em sua elaboração", escreveu Berzoini em sua página na internet.
O deputado também nega que seu afastamento da campanha presidencial de Dilma Rousseff (PT) tenha relação com o episódio. "Gostaria de dedicar o ano de 2010 ao meu mandato", afirmou.
O atual presidente do PT, José Eduardo Dutra, confirmou que o dossiê, também nomeado por ele como "carta apócrifa", circulou em abril, como consta na reportagem da Folha. Ao analisar o caso, foi irônico. "Desde a novela "Direito de nascer" [exibida entre 1964-65], nunca uma carta anônima teve tanto destaque na imprensa."
Sobre o fogo amigo petista, o senador tucano Alvaro Dias (PR) afirmou que o PT estaria se especializando na elaboração de dossiês. "Quando se começa a esquecer o último, aparece outro."
"Lula" e outros DVDs piratas são vendidos em evento do PT
DANIELA LIMA
da FSP
Um DVD pirata do filme "Lula, o filho do Brasil" poderia ser comprado, ontem, dentro do comitê de campanha do senador Aloizio Mercadante ao governo de São Paulo, em Osasco, por R$ 10.
Com credencial do PT pendurada no pescoço, Cloves de Castro montou, em evento de campanha do senador, uma banquinha com pelo menos 100 filmes piratas.
Ele estava ao lado de militantes que vendiam bonés e bandeiras para a campanha.
Flagrado pela reportagem da Folha, Cloves eximiu a organização do evento de responsabilidade. "Não recebi autorização para estar aqui", afirmou, pouco antes de deixar o local.
Waldir Roque, que coordenou a organização do seminário, disse que, alertado sobre a venda ilegal dos dvds, solicitou que Cloves fosse retirado do local.
Quando Mercadante chegou para discursar, Cloves já havia saído, levando os DVDs. Questionado pela Folha, o petista condenou a organização do evento. "Isso é o tipo de coisa que não pode acontecer em hipótese alguma. Claro que somos contra a pirataria", afirmou.
Portal Terra/JB
DA REDAÇÃO - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi alvo de um dossiê com acusações de tráfico de influência no Banco do Brasil (BB) contra a própria filha, a modelo Marina. O documento foi entregue no final de abril para a presidência do BB, para o gabinete do ministro e para a Casa Civil, informa a edição deste domingo do jornal Folha de S.Paulo. Segundo o jornal, o dossiê teria sido feito por bancários do Partido dos Trabalhadores (PT) com o objetivo de fazer com que Mantega desistisse de nomear o vice-presidente do BB Paulo Caffarelli para a presidência da Previ. O possível indicado acabou preterido pelo Planalto, mas o nome defendido pelos bancários - Jopilson Ferreira - não foi escolhido.
postado por em 02-08-2010
Comentários
(7)
Candidatos iniciam hoje
Principal telejornal da Globo fará entrevistas de 50 minutos com os 3 principais presidenciáveis semana que vem
Emissora promete ignorar polêmicas; a ordem é ocupar o espaço com propostas para temas mais populares
BERNARDO MELLO FRANCO
da FSP
Mais agendas temáticas, preocupação com o visual e promessas, muitas promessas. Estas são as armas dos presidenciáveis para aparecer bem no "Jornal Nacional", que começa hoje a cobrir a sucessão de Lula.
Um mês após o início da campanha, o principal telejornal da Globo entra em cena com regras próprias e tempo cronometrado para tentar garantir equilíbrio entre os três principais candidatos.
José Serra (PSDB), Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV) terão 50 segundos cada para vender seu peixe a uma audiência estimada em até 40 milhões de brasileiros.
Os estrategistas das campanhas tratam a "operação JN" como uma espécie de versão reduzida do horário eleitoral gratuito, que começa no próximo dia 17.
Para evitar acusações de parcialidade, o telejornal promete ignorar polêmicas e trocas de denúncias. Com isso, a ordem é ocupar o espaço com propostas para temas populares como saúde, educação e segurança, combinando o assunto ao cenário da aparição da noite.
Assim, os presidenciáveis tentarão falar do Bolsa Família em frente a uma casa humilde, criticar o salário dos professores na porta de uma escola e prometer atendimento médico de qualidade sob o letreiro de um hospital.
Assuntos quentes, como as denúncias de uso da máquina pública e a ofensiva tucana para ligar o PT às Farc, devem ficar restritos à mídia impressa. A Globo diz não se importar com críticas à cobertura mais distanciada, inaugurado em 2006.
"A eleição dos políticos não é a eleição do povo", disse à Folha uma das responsáveis pelo telejornal.
Os candidatos começam a se adaptar ao modelo global. Serra, que priorizava temas locais nas viagens, passará a investir em questões mais genéricas. Dilma usará a mesma tática, e Marina tentará colar a imagem a símbolos do "Brasil que dá certo", como ONGs bem sucedidas e órgãos públicos de excelência.
Na semana que vem, em dias alternados, os três darão entrevistas de dez minutos na bancada do "JN". O esquema será repetido nos outros telejornais da emissora.
*Colaboraram ANA FLOR e CATIA SEABRA
postado por Evaldo Torres * Fonte : Folha de São Paulo em 02-08-2010
Comentários
(4)
Dilma olha 15 mil gaúchos nos olhos
Coluna do
Augusto Nunes
Direto ao Ponto
Celso Arnaldo: Dilma olha 15 mil gaúchos nos olhos e informa que a rivalidade entre os torcedores do Inter e do Grêmio acabou
No Rio Grande do Sul, nenhum outro tipo de vínculo supera a paixão do torcedor, e a condição de gremista ou colorado precede todas as outras. Laços familiares, por exemplo, podem juntar parentes que torcem por times diferentes no Natal, nas festas de aniversário, em casamentos e outros encontros de sobrenomes. Nunca na mesma arquibancada. Também é assim com vínculos políticos. Se houver um Gre-Nal no dia seguinte ao da eleição, os torcedores que estiveram juntos durante a campanha e votaram no mesmo candidato estarão prontos para a troca de provocações, gritos de guerra e, se necessário, bandeiradas. Tentar juntar num mesmo balaio as duas nações do mundo do futebol, sabe quem conhece os gaúchos, é mais que perda de tempo. É ofensa gravíssima.
Há mais de 30 anos morando em Porto Alegre, Dilma Rousseff ainda não sabe. Nem os redatores do site oficial da candidata. Pouco depois da passagem da trupe de Lula pelo Rio Grande, a turma de Marcelo Branco resolveu anunciar a revogação da rivalidade irrevogável. A milagreira aprendiz deu azar outra vez: o jornalista Celso Arnaldo testemunhou o tiro no pé., e decidiu tornar mais divertido o domingo dos amigos da coluna com o seguinte relato:
Delírios no site oficial de Dilma Rousseff, a começar pela manchete:
O GRE-NAL DE DILMA E LULA
Trecho do texto:
“O Gigantinho, ginásio de esportes do Inter, com capacidade para 15 mil pessoas, fica pequeno para as duas torcidas eternamente rivais, mas que desta vez estão unidas num só grito de guerra: “1, 2, 3/ 4, 5, mil! É Tarso no Rio Grande e a Dilma no Brasil. A responsável pela missão quase impossível de unir as duas torcidas tem os olhos fixos nas arquibancadas. Dilma veste um blazer vermelho, mas fala ao coração de todas as torcidas, de todas as cores. Primeiro, ela agradece ao Rio Grande e aos riograndenses, que acolheram aquela jovem mineira como se acolhe uma filha, logo que ela saiu da prisão da ditadura. Depois, Dilma olha nos olhos de cada homem e de cada mulher e avisa, reforçando a última sílaba:
“Vou ser a primeira presiden-TA deste país!”.
Sim, com a mesma ênfase que daria a “já sou a primeira an-TA. E disse isso – destaca o texto — depois de mirar firme em nada menos do que 30 mil olhos, um por um. Foi, com certeza, o mais longo comício da história da República.
E então o redator hooligan de Dilma isola a bola na arquibancada, com um chutão de canela, a esmo:
“As duas torcidas que agora formam uma só vibram como se fosse possível comemorar, ao mesmo tempo, um gol do Grêmio e outro do Inter, num Gre-Nal decisivo. Se nesta noite estivesse a serviço, o árbitro gaúcho Carlos Eugenio Simon, do alto do palanque, registraria na súmula imaginária o tento concreto: Gol do Brasil, gol dos brasileiros e das brasileiras.”
Não, o gol é contra o Brasil e contra os brasileiros que jogam limpo e bonito. E marcado em impedimento escandaloso -– Carlos Eugenio Simon já fez muita lambança no futebol, mas esse gol nem ele validaria. O staff da campanha de Dilma conseguiu enxergar esporte, paixão clubística e confratenização entre inimigos figadais numa plateia de 15 mil petistas amestrados, a maioria funcionários públicos e sindicalistas em offside do trabalho, que detestam futebol-arte e vibram com as cavadinhas de uma perna de pau treinada por Nove Dedos, o 171, um treinador que faria João Avelino, o 71, parecer um lorde inglês ao lado de José Mourinho.
O primeiro gesto da presiden-TA Dilma, a pacificadora, a Petista de Hamelin dos ratos do Gigantinho, será juntar num ginásio da Faixa de Gaza 15 mil judeus e palestinos, meio a meio, cada qual com a camisa de seus clubes – para produzir a paz que nem Lula, o diplomata sem diplomacia, o embaixador oferecido, conseguiu.
Dilma e Lula juntos em campo fazem o verdadeiro clássico da vergonha: o FOI-MAL.
postado por Evaldo Torres : Fonte : VEJA/ Augusto Nunes em 02-08-2010
Comentários
(3)
ANTERIOR
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
33
34
35
36
37
38
39
40
41
42
43
44
45
46
47
48
49
50
51
52
53
54
55
56
57
58
59
60
61
62
63
64
65
66
67
68
69
70
71
72
73
74
75
76
77
78
79
80
81
82
83
84
85
86
87
88
89
90
91
92
93
94
95
96
97
98
99
100
101
102
103
104
105
106
107
108
109
110
111
112
113
114
115
116
117
118
119
120
121
122
123
124
125
126
127
128
129
130
131
132
133
134
135
136
137
138
139
140
141
142
143
144
145
146
147
148
149
150
151
152
153
154
155
156
157
158
159
160
161
162
163
164
165
166
167
168
169
170
171
172
173
174
175
176
177
178
179
180
181
182
183
184
185
186
187
188
189
190
191
192
193
194
195
196
197
198
199
200
201
202
203
204
205
206
207
208
209
210
211
212
213
214
215
216
217
218
219
220
221
222
223
224
225
226
227
228
229
230
231
232
233
234
235
236
237
238
239
240
241
242
243
244
245
246
247
248
249
250
251
252
253
254
255
256
257
258
259
260
261
262
263
264
265
266
267
268
269
270
271
272
273
274
275
276
277
278
279
280
281
282
283
284
285
286
287
288
289
290
291
292
293
294
295
296
297
298
299
300
301
302
303
304
305
306
307
308
309
310
311
312
313
314
315
316
317
318
319
320
321
322
323
324
325
326
327
328
329
330
331
332
333
334
335
336
337
338
339
340
341
342
343
344
345
346
347
348
349
350
351
352
353
354
355
356
357
358
359
360
361
362
363
364
365
366
367
368
369
370
371
372
373
374
375
376
377
378
379
380
381
382
383
384
385
386
387
388
389
390
391
392
393
394
395
396
397
398
399
400
401
402
403
404
405
406
407
408
409
410
411
412
413
414
415
416
417
418
419
420
421
422
423
424
425
426
427
428
429
430
431
432
433
434
435
436
437
438
439
440
441
442
443
444
445
446
447
448
449
450
451
452
453
454
455
456
457
458
459
460
461
462
463
464
465
466
467
468
469
470
471
472
473
474
475
476
477
478
479
480
481
482
483
484
485
486
487
488
489
490
491
492
493
494
495
496
497
498
499
500
501
502
503
504
505
506
507
508
509
510
511
512
513
514
515
516
517
518
519
520
521
522
523
524
525
526
527
528
529
530
531
532
533
534
535
536
537
538
539
540
541
542
543
544
545
546
547
548
549
550
551
552
553
554
555
556
557
558
559
560
561
562
563
564
565
566
567
568
569
570
571
572
573
574
575
576
577
578
579
580
581
582
583
584
585
586
587
588
589
590
591
592
593
594
595
596
597
598
599
600
601
602
603
604
605
606
607
608
609
610
611
612
613
614
615
616
617
618
619
620
621
622
623
624
625
626
627
628
629
630
631
632
633
634
635
636
637
638
639
640
641
642
643
644
645
646
647
648
649
650
651
652
653
654
655
656
657
658
659
660
661
662
663
664
665
666
667
668
669
670
671
672
673
674
675
676
677
678
679
680
681
682
683
684
685
686
687
688
689
690
691
692
693
694
695
696
697
698
699
700
701
702
703
704
705
706
707
708
709
710
711
712
713
714
715
716
717
718
719
720
721
722
723
724
725
726
727
728
729
730
731
732
733
734
735
736
737
738
739
740
741
742
743
744
745
746
747
748
749
750
751
752
753
754
755
756
757
758
759
760
761
762
763
764
765
766
767
768
769
770
771
772
773
774
775
776
777
778
779
780
781
782
783
784
785
786
787
788
789
790
791
792
793
794
795
796
797
798
799
800
801
802
803
804
805
806
807
808
809
810
811
812
813
814
815
816
817
818
819
820
821
822
823
824
825
826
827
828
829
830
831
832
833
834
835
836
837
838
839
840
841
842
843
844
845
846
847
848
849
850
851
852
853
854
855
856
857
858
859
860
861
862
863
864
865
866
867
868
869
870
871
872
873
874
875
876
877
878
879
880
881
882
883
884
885
886
887
888
889
890
891
892
893
894
895
896
897
898
899
900
901
902
903
904
905
906
907
908
909
910
911
912
913
914
915
916
917
918
919
920
921
922
923
924
925
926
927
928
929
930
931
932
933
934
935
936
937
938
939
940
941
942
943
944
945
946
947
948
949
950
951
952
953
954
955
956
957
958
959
960
961
962
963
964
965
966
967
968
969
970
971
972
973
974
975
976
977
978
979
980
981
982
983
984
985
986
987
988
989
990
991
992
993
994
995
996
997
998
999
1000
1001
1002
1003
1004
1005
1006
1007
1008
1009
1010
1011
1012
1013
1014
1015
1016
1017
1018
1019
1020
1021
1022
1023
1024
1025
1026
1027
1028
1029
1030
1031
1032
1033
1034
1035
1036
1037
1038
1039
1040
1041
1042
1043
1044
1045
1046
1047
1048
1049
1050
1051
1052
1053
1054
1055
1056
1057
1058
1059
1060
1061
1062
1063
1064
1065
1066
1067
1068
1069
1070
1071
1072
1073
1074
1075
1076
1077
1078
1079
1080
1081
1082
1083
1084
1085
1086
1087
1088
1089
1090
1091
1092
1093
1094
1095
1096
1097
1098
1099
1100
1101
1102
1103
1104
1105
1106
1107
1108
1109
1110
1111
1112
1113
1114
1115
1116
1117
1118
1119
1120
1121
1122
1123
1124
1125
1126
1127
1128
1129
1130
1131
1132
1133
1134
1135
1136
1137
1138
1139
1140
1141
1142
1143
1144
1145
1146
1147
1148
1149
1150
1151
1152
1153
1154
1155
1156
1157
1158
1159
1160
1161
1162
1163
1164
1165
1166
1167
1168
1169
1170
1171
1172
1173
1174
1175
1176
1177
1178
1179
1180
1181
1182
1183
1184
1185
1186
1187
1188
1189
1190
1191
1192
1193
1194
1195
1196
1197
1198
1199
1200
1201
1202
1203
1204
1205
1206
1207
1208
1209
1210
1211
1212
1213
1214
1215
1216
1217
1218
1219
1220
1221
1222
1223
1224
1225
1226
1227
1228
1229
1230
1231
1232
1233
1234
1235
1236
1237
1238
1239
1240
1241
1242
1243
1244
1245
1246
1247
1248
1249
1250
1251
1252
1253
1254
1255
1256
1257
1258
1259
1260
1261
1262
1263
1264
1265
1266
1267
1268
1269
1270
1271
1272
1273
1274
1275
1276
1277
1278
1279
1280
1281
1282
1283
1284
1285
1286
1287
1288
1289
1290
1291
1292
1293
1294
1295
1296
1297
1298
1299
1300
1301
1302
1303
1304
1305
1306
1307
1308
1309
1310
1311
1312
1313
1314
1315
1316
1317
1318
1319
1320
1321
1322
1323
1324
1325
1326
1327
1328
1329
1330
1331
1332
1333
1334
1335
1336
1337
1338
1339
1340
1341
1342
1343
1344
1345
1346
1347
1348
1349
1350
1351
1352
1353
1354
1355
1356
1357
1358
1359
1360
1361
1362
1363
1364
1365
1366
1367
1368
1369
1370
1371
1372
1373
1374
1375
1376
1377
1378
1379
1380
1381
1382
1383
1384
1385
1386
1387
1388
1389
1390
1391
1392
1393
1394
1395
1396
1397
1398
1399
1400
1401
1402
1403
1404
1405
1406
1407
1408
1409
1410
1411
1412
1413
1414
1415
1416
1417
1418
1419
1420
1421
1422
1423
1424
1425
1426
1427
1428
1429
1430
1431
1432
1433
1434
1435
1436
1437
1438
1439
1440
1441
1442
1443
1444
1445
1446
1447
1448
1449
1450
1451
1452
1453
1454
1455
1456
1457
1458
1459
1460
1461
1462
1463
1464
1465
1466
1467
1468
1469
1470
1471
1472
1473
1474
1475
1476
1477
1478
1479
1480
1481
1482
1483
1484
1485
1486
1487
1488
1489
1490
1491
1492
1493
1494
1495
1496
1497
1498
1499
1500
1501
1502
1503
1504
1505
1506
1507
1508
1509
1510
1511
1512
1513
1514
1515
1516
1517
1518
1519
1520
1521
1522
1523
1524
1525
1526
1527
1528
1529
1530
1531
1532
1533
1534
1535
1536
1537
1538
1539
1540
1541
1542
1543
1544
1545
1546
1547
1548
1549
1550
1551
1552
1553
1554
1555
1556
1557
1558
1559
1560
1561
1562
1563
1564
1565
1566
1567
1568
1569
1570
1571
1572
1573
1574
PRÓXIMA
|