Evaldo Augusto Torres Alves /editor
Home | Contato  
Política

Olha a veia que salta


Olha a veia que salta

Dora Kramer
do Estadão

O episódio aconteceu há quase três anos, mas o presidente Luiz Inácio da Silva ainda não superou a derrota que lhe impôs o Senado ao extinguir a CPMF, em dezembro de 2007.

Naquela dimensão foi o único malogro de Lula no Congresso, inédito para quem praticamente só colecionou êxitos (em ótica sem juízo ético) em oito anos de mandato.

Compreende-se, portanto, que seja inesquecível. Ainda mais porque depois daquilo se extinguiram de vez quaisquer esperanças de que uma emenda constitucional ou mesmo um plebiscito sobre a instituição de um terceiro mandato pudesse ter a mais ínfima chance de ser aprovado no Senado.

Por algumas outras mais, mas principalmente por essa, Lula firmou a convicção de que antes de tudo o mais importante é o governante ter um Senado fiel e submisso.

Mais importante que o PT eleger muitos governadores, repete aos correligionários desde o ano passado, é o PT eleger e o governo controlar uma bancada grande de senadores. Isso, claro, no pressuposto de que a Câmara esteja perfeitamente dominada.

O presidente expôs em público esse anseio no último sábado em Curitiba, onde participou de comício da candidatura presidencial, ao fazer votos de que Dilma Rousseff, se eleita, "tenha um Senado de mais qualidade".

Até aí, não haveria do que nem como discordar do presidente Lula. Raro deve ser o cidadão que não deseje um Senado sem atos secretos, sem postergação proposital de investigações, sem contratações abusivas, sem desperdícios, sem compadrio, com responsabilidade, honestidade, transparência, impessoalidade, civilidade, respeito absoluto pelo público.

E, sobretudo, um Senado reverente à instituição que não seja presidida por alguém com tanto a esconder que prefira silenciar a contribuir para melhorias, que necessite recorrer à censura para proteger os seus.

Só que não é bem isso que Lula entende por "um Senado de mais qualidade". Segundo ele, a qualidade se expressa em um "Senado mais respeitador, um Senado que não ofenda o governo, como eu fui ofendido. Um Senado que por mesquinharia derrubou R$ 40 bilhões, que todo ano a gente ia por na saúde".

No preâmbulo, desejou: "Só peço a Deus que essa companheira não tenha o Senado que eu tive."

Se o presidente não prestou atenção ao que disse é grave, mas se prestou só não é gravíssimo porque seu poder de vocalizar equívocos com garantia de ampla divulgação termina em breve.

Ah, sim, porque se o leitor ainda não realizou, realize: a partir de janeiro de 2011, assuma Dilma ou José Serra a Presidência da República, o estilo muda. Governar não será mais discursar.

O País não girará em torno de uma pessoa cuja primeira tarefa será a de se acostumar com a volta à planície.

É possível que para Luiz Inácio da Silva venha a ser impactante a descoberta de que o Senado nunca foi nem é dele, e sim da República. Logo, a frase "o Senado que eu tive" não retrata a realidade. Antes traduz uma fantasia de absolutismo.

"Um Senado mais respeitador, que não ofenda o governo como eu fui ofendido." Ou seja, o exercício da prerrogativa constitucional de aprovar ou rejeitar emendas e projetos de lei quando contrariam a vontade deste que agora está às vésperas de deixar a Presidência é desrespeito e ofensa pessoal. Ainda que, como a CPMF, seja a vontade majoritária da sociedade.

Em oito anos Lula não incorporou a concepção de Estado. Quando assumiu quase expulsa um correspondente estrangeiro porque considerou ofensivo à Nação um artigo do rapaz falando sobre seu (dele) consumo de bebidas alcoólicas.

Tomou-se pelo País. E agora depois de todo esse tempo continua ativista da autorreferência, tratando o Senado como um apêndice de sua (dele) majestade.

Nesse mesmo discurso em Curitiba, o presidente avisou mais uma vez que vai se empenhar pela reforma política e se dedicar a ensinar a "um ex-presidente" a ser "ex-presidente da República e não dar palpite em quem está governando".

Se for Serra, será esquisito Lula abrir mão da política como oposicionista; se for Dilma, será um favor que faz a ela, ao PT e ao PMDB. No que tange aos partidos, aliás, não veem a hora.

A nova ofensiva do PCC



A nova ofensiva do PCC

do Estadão

Quatro anos depois de ter promovido em São Paulo 180 ataques a delegacias, fóruns, bancos, viaturas e postos policiais, lançado uma bomba que destruiu o andar térreo da sede do Ministério Público (MP) Estadual, provocado 80 rebeliões simultâneas no sistema prisional paulista e assassinado 40 agentes carcerários e policiais militares, o Primeiro Comando da Capital (PCC) voltou a lançar uma ofensiva contra a ordem pública. Desta vez, por enquanto, a facção criminosa incendiou 13 automóveis na zona leste, alvejou o quartel da Rota, na Avenida Tiradentes, e ainda tentou assassinar seu comandante, coronel Paulo Telhada, que saiu ileso. Em seus 40 anos de existência, foi a primeira vez que a principal unidade de elite da Polícia Militar (PM) e seu chefe são alvos de um ataque.
Até agora, as ações mais audaciosas da facção criminosa haviam sido o atentado ao MP, em 2006, e o assassinato do juiz Antonio José Machado Dias, corregedor da região de Presidente Prudente, onde fica o presídio de segurança máxima de Presidente Bernardes. Na ocasião, a unidade abrigava os principais líderes do PCC e o traficante carioca Fernandinho Beira-Mar, um dos líderes do Comando Vermelho (CV). O assassinato de Dias, que tinha a responsabilidade de deferir ou indeferir os pedidos de liberação e transferência de presos do crime organizado, foi um ato de vingança por ter negado várias solicitações. Em 2006, os motins em penitenciárias e detenções e os ataques contra viaturas e postos policiais, edifícios públicos e privados e a sede do MP foram desencadeados na ocasião em que o então governador Geraldo Alckmin renunciara ao cargo para se candidatar à Presidência da República, porque o PCC viu nisso uma oportunidade de aproveitar a campanha eleitoral para criar constrangimentos políticos contra seu sucessor. Os líderes da facção pretendiam negociar seus interesses diretamente com os diretores de unidades prisionais, sem interferência da cúpula da PM e das autoridades de segurança pública.

A história parece estar se repetindo. Como há quatro anos, o governador de São Paulo renunciou para se candidatar à Presidência. E José Serra já disse que, se for eleito, criará o Ministério da Segurança. A campanha eleitoral no rádio e na televisão está prestes a começar. E, como também aconteceu com Alckmin em 2006, os blogs e sites dos principais adversários de Serra já começaram a aproveitar a nova ofensiva do PCC para criticar a "política de segurança pública do PSDB".

É um comportamento irresponsável, seja por explorarem demagogicamente um problema que o presidente Lula não conseguiu equacionar em seus dois mandatos, seja por brincarem com fogo, uma vez que os ataques do PCC não são contra uma agremiação partidária, mas contra o poder estabelecido. Além disso, os autores dessas críticas cometem um equívoco, uma vez que as primeiras investigações já revelaram que, ao lado das motivações políticas, a facção criminosa também estaria tentando se vingar de uma das mais bem-sucedidas operações realizadas pela Rota.

Recentemente, ela apreendeu quase R$ 2 milhões em dinheiro, dezenas de fuzis, metralhadoras e carabinas, além de uma tonelada de drogas em poder dos líderes do PCC. Esses são dividendos da mudança de política de segurança pública que o governo estadual promoveu no ano passado. No novo esquema de segurança, a investigação começa pela busca, processamento e análise de informações das ruas e do sistema prisional realizados pela área de inteligência da PM e, quando tudo está apurado, a Rota é acionada para efetuar as prisões. Portanto, assassinar o comandante dessa unidade, uma figura carismática na corporação, permitiria ao PCC reafirmar sua força e criar um fato desabonador para o governo paulista no processo eleitoral.

Como as autoridades foram apanhadas de surpresa pela nova investida do PCC, as Polícias Civil e Militar precisam demonstrar eficiência no esclarecimento dos crimes. O que está em jogo é a capacidade das instituições brasileiras de se sobreporem ao crime organizado.

O Brasil decifrado
Editorial da Folha de São Paulo


Censo 2010 traçará perfil minucioso de país em rápida transição demográfica, com cada vez menos crianças e jovens e mais idosos

O Censo 2010, que manda para as ruas nesta semana uma legião de 192 mil recenseadores, fará uma tomografia minuciosa do Brasil real. São dados fundamentais para o funcionamento de uma sociedade moderna e esclarecida.
O país que completa duas décadas de democracia plena tem cerca de 193 milhões de habitantes. Pela primeira vez, o recenseamento deverá registrar que menos da metade dos cidadãos se classificam como brancos. Apenas um terço conta 18 anos de vida ou menos. A fecundidade deve alcançar 1,8 ou 1,9 filho por mulher, bem abaixo da taxa de reposição (2,1).
Nesse nível de generalidade, os dados demográficos já são conhecidos. Eles provêm das radiografias convencionais traçadas a cada ano pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).
No entanto, os detalhes que interessam sobretudo aos administradores municipais, como o número exato de moradores de uma favela, só podem ser obtidos com o Censo. Por sua complexidade (58 milhões de domicílios visitados, contra 150 mil na Pnad) e alto custo (R$ 1,7 bilhão), só se realiza de dez em dez anos.
Entre 1970 e 2010, a população brasileira mais que dobrou, acrescentando 100 milhões de pessoas aos "90 milhões em ação" da época do milagre econômico. Nova duplicação jamais voltará a ocorrer. Em 30 anos, a população começará a encolher.
Com base nos dados do Censo de 2000, o IBGE projetava ainda em 2004 que a taxa de fecundidade alcançaria 1,85 só em 2043. Esse futuro já chegou. O novo Censo virá robustecer a qualidade estatística dessa cifra surpreendente.
A queda da fecundidade está entre os indicadores mais sintomáticos da vertiginosa transição demográfica por que passa o país. Nesse ritmo, a parcela de crianças e jovens na população, que caía em termos relativos, passa a diminuir também de modo absoluto.
Com menos dependentes para manter, aumenta a renda per capita em cada família, e com ela a capacidade de consumir e investir. Configura-se o chamado "bônus demográfico", período em que a economia tem mais facilidade para crescer a altas taxas, mas de forma sustentável. Há mais adultos economicamente ativos do que indivíduos dependentes deles.
O aumento da expectativa de vida, contudo, contrabalança essa tendência na medida em que amplia o contingente de idosos. Tal janela de oportunidade deve fechar-se por volta de 2050, e o ritmo da queda na fecundidade pode antecipar ou adiar o evento.
Esse é apenas um exemplo dos dados cruciais que serão esmiuçados com o Censo 2010. O levantamento traz ainda informações não investigadas pela Pnad, como religião dos habitantes, presença de deficiências e uniões consensuais.
Além disso, pela primeira vez o Censo indicará se há cônjuges do mesmo sexo no domicílio, quais línguas indígenas são faladas e a renda familiar proveniente de programas sociais. Até a posse de motos foi incluída, o que permitirá aquilatar melhor sua contribuição para acidentes e poluição.
O Censo 2010 fornecerá a cada brasileiro, e a seus governantes, uma imagem bem mais clara do país em que vivem. Por isso é tão importante que todos abram suas portas para o IBGE.

China compra terras no Brasil

China compra terras no Brasil

NOTAS & INFORMAÇÕES
do Estadão

O ex-ministro Antônio Delfim Netto tem razão quando recomenda cuidado com as vendas de terras a empresas da China, controladas pelo Estado ou com participação estatal. Investimentos estrangeiros são de modo geral bem-vindos e podem trazer contribuições importantes ao crescimento do País. Grupos estrangeiros podem fazer bons negócios e ao mesmo tempo fortalecer a economia brasileira com recursos adicionais e, ocasionalmente, com aporte de tecnologia. Mas os "negócios" mudam de sentido quando o investimento é subordinado a razões estratégicas de um Estado estrangeiro. No caso de recursos naturais, e de terras para a agropecuária, avaliar corretamente essa estratégia é uma questão de segurança.
"Os chineses compraram a África e estão tentando comprar o Brasil", disse o professor Delfim Netto em entrevista ao Estado de domingo. Pode haver algum exagero de linguagem, mas a preocupação é justificável. O diretor-geral da FAO, a agência das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, alertou os governos africanos para o risco de um "neocolonialismo", desta vez baseado no controle de áreas férteis. Companhias de vários países participaram nos últimos anos de uma corrida para comprar terras na África. As chinesas estiveram entre as mais ativas.
A maior estatal chinesa do setor, a China National Agricultural Development Group Corporation, opera em 40 países e 10 mil de seus 80 mil funcionários trabalham no exterior. A empresa detém 6 mil hectares na Tanzânia e criou negócios no setor de alimentos também na Guiné, no Benin e em Zâmbia e já entrou na Argentina e no Peru. Outras companhias chinesas também têm comprado terras em vários países, com o mesmo objetivo: garantir à China produtos indispensáveis ao seu crescimento econômico e à urbanização de centenas de milhões de pessoas.


Desde a última década o governo chinês vem aumentando os investimentos em recursos naturais de outros países. Até agora, seu avanço mais impressionante ocorreu na África, onde os investimentos em mineração e depois na compra de terras foram acompanhados de projetos de cooperação com os países hospedeiros, quase sempre pobres e com baixo grau de desenvolvimento.

O passo seguinte na estratégia foi a negociação de projetos com vários governos latino-americanos. Desde o começo deste ano, foram anunciados planos de investimentos de pouco mais de US$ 11 bilhões no Brasil. Se todos forem concretizados, o estoque de capital chinês no Brasil poderá ocupar a 9.ª posição em ordem de grandeza. Por enquanto, está em 42.º lugar.

Companhias chinesas têm mostrado disposição de investir em vários setores, como produção de aço, exploração de petróleo, distribuição de eletricidade, exploração de minérios e construção do trem-bala entre Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. Parte desses investimentos atende ao objetivo de garantir matérias-primas para uso industrial e para geração de energia.

Ao mesmo tempo, empresas têm procurado oportunidades de investimento no agronegócio. Em abril, a China National Agricultural Development Group Corporation revelou a intenção de comprar terras para produzir soja e milho. Nos primeiros contatos, negociadores da empresa indicaram interesse em terras do Centro-Oeste, especialmente de Goiás.

Na mesma época, representantes do Chongqing Grain Group anunciaram a disposição de aplicar US$ 300 milhões na compra de 100 mil hectares no oeste da Bahia, para produzir soja para os mercados brasileiro e chinês. Funcionários da empresa participaram da comitiva do presidente Hu Jintao.


Um mês depois, o Grupo Pallas International, formado por investidores privados, mas também com participação estatal, divulgou planos de comprar entre 200 mil e 250 mil hectares no oeste da Bahia e possivelmente no conjunto de áreas de cerrado do Maranhão, do Piauí e do Tocantins, conhecido por Mapito.


Negócios desse tipo envolvem o controle de grandes áreas por grupos subordinados à estratégia de uma potência estrangeira. Poderão agir segundo interesses comerciais, como outros investidores, mas poderão seguir uma lógica de Estado - e esse Estado não será o brasileiro.


Jornais para jovens são sucesso na França
Títulos para pessoas de 6 a 18 anos mantêm circulação, apostando em temas como ecologia e entretenimento

Jornais para jovens não são vendidos em banca, e a assinatura de segunda a sábado custa cerca de R$ 20 por mês

VAGUINALDO MARINHEIRO
DE LONDRES/FSP

Uma editora na França tem conseguido provar que pode estar bem errada a máxima de que crianças e adolescentes não gostam de ler notícias em jornal impresso.
Com três títulos voltados para pessoas de 6 a 18 anos, a La Play Bac não enfrenta crise. Enquanto os jornalões franceses perdem leitores, ela mantém 150 mil assinantes em todo o país. Número que permanece estável há cinco anos.
Como comparação, é metade do que vende o "Monde" hoje. Mas o "Monde" perdeu cerca de 20% da circulação nos últimos cinco anos.
Qual o segredo? "Fazemos jornais que não são chatos. Que levam às crianças e aos adolescentes o que eles querem ler e com uma apresentação colorida e atraente", afirma François Dufour, 42, um dos donos da editora e editor-chefe dos jornais.
"Le Petit Quotidien" (pequeno diário), "Mon Quotidien" (meu diário) e "L'actu" (últimas notícias) são jornais compactos (quatro páginas o primeiro, oito os outros dois), com gráficos coloridos, fotos grandes e textos pequenos.
No cardápio de assuntos, muita ecologia, curiosidades históricas, entretenimento e atualidades.
Na última quinta-feira, o "Le Petit Quotidien", voltado para crianças de até dez anos, trazia na capa a história de um animal que se pensava extinto e que foi fotografado no Sri Lanka. Dentro, uma arte multicolorida com tudo sobre o bicho.
No "Mon Quotidien", para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, o assunto principal era o projeto de uma agência britânica para criar um hotel de luxo nas alturas, dentro de um dirigível. Na página dois, uma arte com tudo sobre os dirigíveis.
"L'actu", cujo público-alvo tem de 14 a 18 anos, falava não só de ganhadores de loterias, mas também do vazamento de documentos sobre a guerra no Afeganistão. Na contracapa, uma entrevista com a atriz Cameron Diaz.
Dufour afirma que são os próprios jovens que escolhem os assuntos.
Todos os dias são levados à Redação dois meninos e duas meninas que funcionam como redatores-chefes convidados. Os jornalistas propõem as pautas, eles decidem o que será publicado.
São também os leitores que escrevem as críticas de jogos e livros.

INÍCIO
A história dos três jornais começa em 1995. Dufour e dois amigos pensaram que seria um bom negócio fazer jornais que fossem vistos pelos pais como parte do processo educativo dos filhos.
Na época, eles já eram donos de uma editora de livros e jogos infantojuvenis.
Os jornais não são vendidos em banca, é preciso ser assinante para recebê-los em casa, de segunda a sábado.
A assinatura custa 9 por mês, pouco mais de R$ 20.
Durante todo o mês de setembro, início do ano letivo na França, são distribuídos jornais nas escolas do país.

Oferta de Lula é ‘interferência’

Oferta de Lula é ‘interferência’ em assuntos internos, diz agência do Irã

Presidente ofereceu asilo a Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada à morte por adultério

Robert F. Worth , The New York Times/Estadão

WASHINGTON- O establishment conservador do Irã parece ter reagido friamente a um apelo do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, para permitir que a iraniana Sakineh Ashtiani, acusada de adultério, obtenha asilo no Brasil e não seja morta por apedrejamento no país islâmico.

A reação ao apelo feito no fim de semana pelo presidente Lula pode criar uma distensão na relação cada vez mais cordial entre Irã e Brasil. O caso pode também reforçar o que os críticos do regime iraniano encaram como uma forma primitiva de justiça, particularmente repulsiva quando se trata de mulheres.

Embora nenhuma autoridade iraniana tenha comentado a oferta brasileira, a Jahan News, serviço de notícias ultraconservador do Irã, considerada uma agência que reflete fielmente o pensamento do governo, informou, no domingo, que o apelo de Lula era uma "clara interferência nos assuntos domésticos do Irã".

Ainda segundo a agência, a oferta brasileira foi feita "sob influência da mídia estrangeira". Sakineh, de 43 anos, pode não ser apedrejada porque o Judiciário iraniano ainda está examinando a sentença proferida por um tribunal de primeira instância. De acordo com a Jahan News, em vez disso, ela seria enforcada.

Sakineh foi acusada de ter uma "relação ilícita" com dois homens. Ela negou as acusações. O caso da iraniana chamou a atenção do mundo para a reputação do Irã com relação aos direitos humanos. O país é um dos poucos que aplicam a pena capital para casos de adultério.

No início, Lula havia rejeitado os >pedidos de grupos de defesa dos direitos humanos para usar sua influência com o Irã e tentar impedir a execução de Sakineh. No entanto, ele mudou de ideia no fim de semana, durante uma viagem de campanhaao lado de sua candidata, Dilma Rousseff. "Se minha amizade e afeição pelo presidente do Irã são importantes e se essa mulher está causando problemas lá, nós a acolheremos aqui no Brasil", disse.

Os EUA apoiaram a iniciativa do presidente brasileiro. Segundo o porta-voz do Departamento de Estado, Philip Crowley, Washington espera que o apelo seja ouvido pelo governo do Irã.

Espionagem

"O apedrejamento, no século 21, é um ato de barbárie e deve ser extinto", afirmou Crowley. "O caso chamou a atenção da comunidade internacional. Diante do fato de o Brasil ter se envolvido e apresentado seu desejo de resolvê-lo, esperamos que o Irã o ouça."

Crowley acrescentou ainda que os EUA esperam a libertação dos três americanos presos há um ano no Irã, acusados de espionagem. Lula tentou mediar o caso, mas não obteve sucesso. "Gostaríamos de ver nossos excursionistas voltarem para casa", disse Crowley.

*Colaborou Denise Chrispim Marin


Obama anuncia fim de operações militares
Obama anuncia fim de operações militares dos EUA no Iraque
Funções das tropas americanas no país passam a ser de apoio e treinamento, diz presidente

ATLANTA - O presidente americano, Barack Obama, anunciou nesta segunda-feira, 2, o fim das operações de combate dos EUA no Iraque. Com a medida, o número de soldados no país, que era de 140 mil quando Obama assumiu, caíra para 50 mil no final deste mês.


Jason Reed /Reuters

Obama participa de encontro com veteranos

Veja também:
Linha do tempo: Guerra do Iraque, do começo ao começo do fim
Arquivo Estado: Há 20 anos, Saddam invadia o Kwait

Em um discurso para veteranos do Exército americano em Atlanta, na Georgia, Obama confirmou a transição das operações de segurança no país para os iraquianos. As tropas americanas no país terão apenas funções de apoio e treinamento.

" Prometi um final responsável para a guerra do Iraque. Após assumir, anunciei nossa estratégia e a transição para Iraque. Prometi que em agosto de 2010 nossa missão de combate acabaria. E é o que estamos fazendo. Conforme o prometido e dentro do previsto", disse o presidente. As missões de combate acabarão no dia 31.

Segundo Obama, desde o início de sua presidência até o final de agosto, 90 mil soldados já terão voltado para casa.

Ainda de acordo com o presidente, o fim das operações militares não indica que a guerra chegou ao fim. As tropas que permanecerão no Iraque para treinar e apoiar o exército local terão de continuar lá por um tempo.

"A dura realidade é que o fim do sacrifício americano no Iraque ainda não terminou", disse Obama.

O final da guerra era uma das pedras angulares da campanha do democrata na corrida pela Casa Branca em 2008. Em 2002, quando ainda era um senador estadual por Illinois, qualificou o conflito de 'guerra estúpida' em um discurso.


Rapidinhas


Prefeituras do PT exibem filme sobre a vida de Lula

Em ano eleitoral, biografia do presidente tem sessões em praças e escolas

Administrações negam caráter eleitoreiro da divulgação da obra e dizem que ideia é levar cinema a quem não tem

FELIPE BÄCHTOLD
da FSP

"Venha assistir à saga da família Silva, uma saga igual a de tantas outras famílias do Brasil." A frase está em um convite da Prefeitura de Morro Agudo (SP) para uma sessão pública, em maio, do filme "Lula, o Filho do Brasil" em uma escola da cidade.
Sete meses após o lançamento, a obra sobre a vida do presidente vem sendo exibida pelo país a populações sem condições de ir ao cinema em uma série de eventos, muitos deles bancados por administrações petistas.
A Folha localizou ao menos dez cidades que exibiram "Lula" nos últimos meses.
Em tendas montadas em praças ou em locais públicos, já houve até "pipoca distribuída gratuitamente", como divulgado em Morro Agudo.
Ocorreram exibições ainda na Assembleia de Pernambuco, em junho, em um evento do Bolsa Família em Porto Velho (RO) e em uma parceria do produtor com um prefeito petista no Rio.
No Dia do Trabalho, o filme foi incluído na programação das festas das prefeituras petistas de Caratinga (MG) e Novo Hamburgo (RS).
A produção, que conta a trajetória de Lula desde criança até 1980, foi o filme nacional com orçamento mais caro da história, mas não teve o público esperado no circuito de cinemas.
Em duas cidades, a exibição ganhou o mesmo nome: "Cinema na Praça". Em Carmópolis (SE), município de 13 mil habitantes, material divulgado pela prefeitura diz que "centenas de pessoas puderam conhecer a história do nosso presidente".
Em Bagé (RS), onde a prefeitura também é do PT, foi o único filme incluído na programação da Semana da Mulher 2010, em março.

OUTRO LADO
Os organizadores das projeções negam o caráter eleitoreiro e dizem que o público não faz relação com a campanha. "O filme não conta a história dele como político. Conta como líder sindical", diz o secretário da Cultura de Caratinga (MG), Juarez Gomes.
Em Alfenas (MG), onde o filme foi exibido na última segunda-feira, a prefeitura fala que não houve reclamações de políticos locais nem da Justiça Eleitoral.
A Prefeitura de Belford Roxo (RJ) diz que as exibições foram uma forma de chamar a atenção para o fato de a cidade não possuir cinemas.
A direção nacional do PT disse que não dá nenhuma orientação sobre a exibição do filme e que a obra deve ser pensada como um "produto cultural". Afirmou ainda que não há relação entre sua exibição e a campanha.





Berzoini diz ter pedido apuração de dossiê

Deputado, suspeito de produzir documento contra Mantega, diz ter procurado o ministro para pedir investigação

Objetivo do material era fazer com que ministro desistisse da nomeação de vice do BB para a presidência da Previ

LUCAS FERRAZ
da FSP

Apontado pelo Palácio do Planalto como um dos suspeitos de produzir um dossiê contra o ministro Guido Mantega (Fazenda), o deputado federal Ricardo Berzoini (SP), ex-presidente do PT, divulgou ontem em seu blog uma carta em que se defende das acusações.
Ele diz ter procurado Mantega e pedido a ele uma investigação para apurar responsabilidades pela elaboração do material.
Conforme a Folha revelou ontem, o ministro da Fazenda foi alvo de um dossiê que o governo atribui a uma ala do PT egressa do sindicalismo bancário. O material acusa a filha do ministro, Marina Mantega, de suposto tráfico de influência dentro do Banco do Brasil -o que ela nega.
O objetivo era fazer com que Guido Mantega desistisse da nomeação de Paulo Caffarelli, vice-presidente do BB, para a presidência da Previ (fundo de pensão dos funcionários do banco), cujo patrimônio hoje soma cerca de R$ 150 bilhões.
Caffarelli acabou não nomeado, assim como o nome defendido para a Previ pelos petistas da área bancária.
"Recentemente, em conversa com o ministro Mantega, sobre outros assuntos de interesse da política econômica, comentei sobre a tal carta apócrifa. (...) Sugeri ao ministro que determinasse ao BB a abertura de sindicância interna para apurar eventual participação de funcionários do banco em sua elaboração", escreveu Berzoini em sua página na internet.
O deputado também nega que seu afastamento da campanha presidencial de Dilma Rousseff (PT) tenha relação com o episódio. "Gostaria de dedicar o ano de 2010 ao meu mandato", afirmou.
O atual presidente do PT, José Eduardo Dutra, confirmou que o dossiê, também nomeado por ele como "carta apócrifa", circulou em abril, como consta na reportagem da Folha. Ao analisar o caso, foi irônico. "Desde a novela "Direito de nascer" [exibida entre 1964-65], nunca uma carta anônima teve tanto destaque na imprensa."
Sobre o fogo amigo petista, o senador tucano Alvaro Dias (PR) afirmou que o PT estaria se especializando na elaboração de dossiês. "Quando se começa a esquecer o último, aparece outro."




"Lula" e outros DVDs piratas são vendidos em evento do PT

DANIELA LIMA
da FSP

Um DVD pirata do filme "Lula, o filho do Brasil" poderia ser comprado, ontem, dentro do comitê de campanha do senador Aloizio Mercadante ao governo de São Paulo, em Osasco, por R$ 10.
Com credencial do PT pendurada no pescoço, Cloves de Castro montou, em evento de campanha do senador, uma banquinha com pelo menos 100 filmes piratas.
Ele estava ao lado de militantes que vendiam bonés e bandeiras para a campanha.
Flagrado pela reportagem da Folha, Cloves eximiu a organização do evento de responsabilidade. "Não recebi autorização para estar aqui", afirmou, pouco antes de deixar o local.
Waldir Roque, que coordenou a organização do seminário, disse que, alertado sobre a venda ilegal dos dvds, solicitou que Cloves fosse retirado do local.
Quando Mercadante chegou para discursar, Cloves já havia saído, levando os DVDs. Questionado pela Folha, o petista condenou a organização do evento. "Isso é o tipo de coisa que não pode acontecer em hipótese alguma. Claro que somos contra a pirataria", afirmou.



Portal Terra/JB


DA REDAÇÃO - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi alvo de um dossiê com acusações de tráfico de influência no Banco do Brasil (BB) contra a própria filha, a modelo Marina. O documento foi entregue no final de abril para a presidência do BB, para o gabinete do ministro e para a Casa Civil, informa a edição deste domingo do jornal Folha de S.Paulo. Segundo o jornal, o dossiê teria sido feito por bancários do Partido dos Trabalhadores (PT) com o objetivo de fazer com que Mantega desistisse de nomear o vice-presidente do BB Paulo Caffarelli para a presidência da Previ. O possível indicado acabou preterido pelo Planalto, mas o nome defendido pelos bancários - Jopilson Ferreira - não foi escolhido.





Candidatos iniciam hoje
Principal telejornal da Globo fará entrevistas de 50 minutos com os 3 principais presidenciáveis semana que vem

Emissora promete ignorar polêmicas; a ordem é ocupar o espaço com propostas para temas mais populares

BERNARDO MELLO FRANCO
da FSP

Mais agendas temáticas, preocupação com o visual e promessas, muitas promessas. Estas são as armas dos presidenciáveis para aparecer bem no "Jornal Nacional", que começa hoje a cobrir a sucessão de Lula.
Um mês após o início da campanha, o principal telejornal da Globo entra em cena com regras próprias e tempo cronometrado para tentar garantir equilíbrio entre os três principais candidatos.
José Serra (PSDB), Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV) terão 50 segundos cada para vender seu peixe a uma audiência estimada em até 40 milhões de brasileiros.
Os estrategistas das campanhas tratam a "operação JN" como uma espécie de versão reduzida do horário eleitoral gratuito, que começa no próximo dia 17.
Para evitar acusações de parcialidade, o telejornal promete ignorar polêmicas e trocas de denúncias. Com isso, a ordem é ocupar o espaço com propostas para temas populares como saúde, educação e segurança, combinando o assunto ao cenário da aparição da noite.
Assim, os presidenciáveis tentarão falar do Bolsa Família em frente a uma casa humilde, criticar o salário dos professores na porta de uma escola e prometer atendimento médico de qualidade sob o letreiro de um hospital.
Assuntos quentes, como as denúncias de uso da máquina pública e a ofensiva tucana para ligar o PT às Farc, devem ficar restritos à mídia impressa. A Globo diz não se importar com críticas à cobertura mais distanciada, inaugurado em 2006.
"A eleição dos políticos não é a eleição do povo", disse à Folha uma das responsáveis pelo telejornal.
Os candidatos começam a se adaptar ao modelo global. Serra, que priorizava temas locais nas viagens, passará a investir em questões mais genéricas. Dilma usará a mesma tática, e Marina tentará colar a imagem a símbolos do "Brasil que dá certo", como ONGs bem sucedidas e órgãos públicos de excelência.
Na semana que vem, em dias alternados, os três darão entrevistas de dez minutos na bancada do "JN". O esquema será repetido nos outros telejornais da emissora.

*Colaboraram ANA FLOR e CATIA SEABRA

Dilma olha 15 mil gaúchos nos olhos

Coluna do
Augusto Nunes
Direto ao Ponto


Celso Arnaldo: Dilma olha 15 mil gaúchos nos olhos e informa que a rivalidade entre os torcedores do Inter e do Grêmio acabou


No Rio Grande do Sul, nenhum outro tipo de vínculo supera a paixão do torcedor, e a condição de gremista ou colorado precede todas as outras. Laços familiares, por exemplo, podem juntar parentes que torcem por times diferentes no Natal, nas festas de aniversário, em casamentos e outros encontros de sobrenomes. Nunca na mesma arquibancada. Também é assim com vínculos políticos. Se houver um Gre-Nal no dia seguinte ao da eleição, os torcedores que estiveram juntos durante a campanha e votaram no mesmo candidato estarão prontos para a troca de provocações, gritos de guerra e, se necessário, bandeiradas. Tentar juntar num mesmo balaio as duas nações do mundo do futebol, sabe quem conhece os gaúchos, é mais que perda de tempo. É ofensa gravíssima.


Há mais de 30 anos morando em Porto Alegre, Dilma Rousseff ainda não sabe. Nem os redatores do site oficial da candidata. Pouco depois da passagem da trupe de Lula pelo Rio Grande, a turma de Marcelo Branco resolveu anunciar a revogação da rivalidade irrevogável. A milagreira aprendiz deu azar outra vez: o jornalista Celso Arnaldo testemunhou o tiro no pé., e decidiu tornar mais divertido o domingo dos amigos da coluna com o seguinte relato:

Delírios no site oficial de Dilma Rousseff, a começar pela manchete:

O GRE-NAL DE DILMA E LULA

Trecho do texto:

“O Gigantinho, ginásio de esportes do Inter, com capacidade para 15 mil pessoas, fica pequeno para as duas torcidas eternamente rivais, mas que desta vez estão unidas num só grito de guerra: “1, 2, 3/ 4, 5, mil! É Tarso no Rio Grande e a Dilma no Brasil. A responsável pela missão quase impossível de unir as duas torcidas tem os olhos fixos nas arquibancadas. Dilma veste um blazer vermelho, mas fala ao coração de todas as torcidas, de todas as cores. Primeiro, ela agradece ao Rio Grande e aos riograndenses, que acolheram aquela jovem mineira como se acolhe uma filha, logo que ela saiu da prisão da ditadura. Depois, Dilma olha nos olhos de cada homem e de cada mulher e avisa, reforçando a última sílaba:

“Vou ser a primeira presiden-TA deste país!”.

Sim, com a mesma ênfase que daria a “já sou a primeira an-TA. E disse isso – destaca o texto — depois de mirar firme em nada menos do que 30 mil olhos, um por um. Foi, com certeza, o mais longo comício da história da República.

E então o redator hooligan de Dilma isola a bola na arquibancada, com um chutão de canela, a esmo:

“As duas torcidas que agora formam uma só vibram como se fosse possível comemorar, ao mesmo tempo, um gol do Grêmio e outro do Inter, num Gre-Nal decisivo. Se nesta noite estivesse a serviço, o árbitro gaúcho Carlos Eugenio Simon, do alto do palanque, registraria na súmula imaginária o tento concreto: Gol do Brasil, gol dos brasileiros e das brasileiras.”

Não, o gol é contra o Brasil e contra os brasileiros que jogam limpo e bonito. E marcado em impedimento escandaloso -– Carlos Eugenio Simon já fez muita lambança no futebol, mas esse gol nem ele validaria. O staff da campanha de Dilma conseguiu enxergar esporte, paixão clubística e confratenização entre inimigos figadais numa plateia de 15 mil petistas amestrados, a maioria funcionários públicos e sindicalistas em offside do trabalho, que detestam futebol-arte e vibram com as cavadinhas de uma perna de pau treinada por Nove Dedos, o 171, um treinador que faria João Avelino, o 71, parecer um lorde inglês ao lado de José Mourinho.

O primeiro gesto da presiden-TA Dilma, a pacificadora, a Petista de Hamelin dos ratos do Gigantinho, será juntar num ginásio da Faixa de Gaza 15 mil judeus e palestinos, meio a meio, cada qual com a camisa de seus clubes – para produzir a paz que nem Lula, o diplomata sem diplomacia, o embaixador oferecido, conseguiu.

Dilma e Lula juntos em campo fazem o verdadeiro clássico da vergonha: o FOI-MAL.

ANTERIOR  1  2  3  4  5  6  7  8  9  10  11  12  13  14  15  16  17  18  19  20  21  22  23  24  25  26  27  28  29  30  31  32  33  34  35  36  37  38  39  40  41  42  43  44  45  46  47  48  49  50  51  52  53  54  55  56  57  58  59  60  61  62  63  64  65  66  67  68  69  70  71  72  73  74  75  76  77  78  79  80  81  82  83  84  85  86  87  88  89  90  91  92  93  94  95  96  97  98  99  100  101  102  103  104  105  106  107  108  109  110  111  112  113  114  115  116  117  118  119  120  121  122  123  124  125  126  127  128  129  130  131  132  133  134  135  136  137  138  139  140  141  142  143  144  145  146  147  148  149  150  151  152  153  154  155  156  157  158  159  160  161  162  163  164  165  166  167  168  169  170  171  172  173  174  175  176  177  178  179  180  181  182  183  184  185  186  187  188  189  190  191  192  193  194  195  196  197  198  199  200  201  202  203  204  205  206  207  208  209  210  211  212  213  214  215  216  217  218  219  220  221  222  223  224  225  226  227  228  229  230  231  232  233  234  235  236  237  238  239  240  241  242  243  244  245  246  247  248  249  250  251  252  253  254  255  256  257  258  259  260  261  262  263  264  265  266  267  268  269  270  271  272  273  274  275  276  277  278  279  280  281  282  283  284  285  286  287  288  289  290  291  292  293  294  295  296  297  298  299  300  301  302  303  304  305  306  307  308  309  310  311  312  313  314  315  316  317  318  319  320  321  322  323  324  325  326  327  328  329  330  331  332  333  334  335  336  337  338  339  340  341  342  343  344  345  346  347  348  349  350  351  352  353  354  355  356  357  358  359  360  361  362  363  364  365  366  367  368  369  370  371  372  373  374  375  376  377  378  379  380  381  382  383  384  385  386  387  388  389  390  391  392  393  394  395  396  397  398  399  400  401  402  403  404  405  406  407  408  409  410  411  412  413  414  415  416  417  418  419  420  421  422  423  424  425  426  427  428  429  430  431  432  433  434  435  436  437  438  439  440  441  442  443  444  445  446  447  448  449  450  451  452  453  454  455  456  457  458  459  460  461  462  463  464  465  466  467  468  469  470  471  472  473  474  475  476  477  478  479  480  481  482  483  484  485  486  487  488  489  490  491  492  493  494  495  496  497  498  499  500  501  502  503  504  505  506  507  508  509  510  511  512  513  514  515  516  517  518  519  520  521  522  523  524  525  526  527  528  529  530  531  532  533  534  535  536  537  538  539  540  541  542  543  544  545  546  547  548  549  550  551  552  553  554  555  556  557  558  559  560  561  562  563  564  565  566  567  568  569  570  571  572  573  574  575  576  577  578  579  580  581  582  583  584  585  586  587  588  589  590  591  592  593  594  595  596  597  598  599  600  601  602  603  604  605  606  607  608  609  610  611  612  613  614  615  616  617  618  619  620  621  622  623  624  625  626  627  628  629  630  631  632  633  634  635  636  637  638  639  640  641  642  643  644  645  646  647  648  649  650  651  652  653  654  655  656  657  658  659  660  661  662  663  664  665  666  667  668  669  670  671  672  673  674  675  676  677  678  679  680  681  682  683  684  685  686  687  688  689  690  691  692  693  694  695  696  697  698  699  700  701  702  703  704  705  706  707  708  709  710  711  712  713  714  715  716  717  718  719  720  721  722  723  724  725  726  727  728  729  730  731  732  733  734  735  736  737  738  739  740  741  742  743  744  745  746  747  748  749  750  751  752  753  754  755  756  757  758  759  760  761  762  763  764  765  766  767  768  769  770  771  772  773  774  775  776  777  778  779  780  781  782  783  784  785  786  787  788  789  790  791  792  793  794  795  796  797  798  799  800  801  802  803  804  805  806  807  808  809  810  811  812  813  814  815  816  817  818  819  820  821  822  823  824  825  826  827  828  829  830  831  832  833  834  835  836  837  838  839  840  841  842  843  844  845  846  847  848  849  850  851  852  853  854  855  856  857  858  859  860  861  862  863  864  865  866  867  868  869  870  871  872  873  874  875  876  877  878  879  880  881  882  883  884  885  886  887  888  889  890  891  892  893  894  895  896  897  898  899  900  901  902  903  904  905  906  907  908  909  910  911  912  913  914  915  916  917  918  919  920  921  922  923  924  925  926  927  928  929  930  931  932  933  934  935  936  937  938  939  940  941  942  943  944  945  946  947  948  949  950  951  952  953  954  955  956  957  958  959  960  961  962  963  964  965  966  967  968  969  970  971  972  973  974  975  976  977  978  979  980  981  982  983  984  985  986  987  988  989  990  991  992  993  994  995  996  997  998  999  1000  1001  1002  1003  1004  1005  1006  1007  1008  1009  1010  1011  1012  1013  1014  1015  1016  1017  1018  1019  1020  1021  1022  1023  1024  1025  1026  1027  1028  1029  1030  1031  1032  1033  1034  1035  1036  1037  1038  1039  1040  1041  1042  1043  1044  1045  1046  1047  1048  1049  1050  1051  1052  1053  1054  1055  1056  1057  1058  1059  1060  1061  1062  1063  1064  1065  1066  1067  1068  1069  1070  1071  1072  1073  1074  1075  1076  1077  1078  1079  1080  1081  1082  1083  1084  1085  1086  1087  1088  1089  1090  1091  1092  1093  1094  1095  1096  1097  1098  1099  1100  1101  1102  1103  1104  1105  1106  1107  1108  1109  1110  1111  1112  1113  1114  1115  1116  1117  1118  1119  1120  1121  1122  1123  1124  1125  1126  1127  1128  1129  1130  1131  1132  1133  1134  1135  1136  1137  1138  1139  1140  1141  1142  1143  1144  1145  1146  1147  1148  1149  1150  1151  1152  1153  1154  1155  1156  1157  1158  1159  1160  1161  1162  1163  1164  1165  1166  1167  1168  1169  1170  1171  1172  1173  1174  1175  1176  1177  1178  1179  1180  1181  1182  1183  1184  1185  1186  1187  1188  1189  1190  1191  1192  1193  1194  1195  1196  1197  1198  1199  1200  1201  1202  1203  1204  1205  1206  1207  1208  1209  1210  1211  1212  1213  1214  1215  1216  1217  1218  1219  1220  1221  1222  1223  1224  1225  1226  1227  1228  1229  1230  1231  1232  1233  1234  1235  1236  1237  1238  1239  1240  1241  1242  1243  1244  1245  1246  1247  1248  1249  1250  1251  1252  1253  1254  1255  1256  1257  1258  1259  1260  1261  1262  1263  1264  1265  1266  1267  1268  1269  1270  1271  1272  1273  1274  1275  1276  1277  1278  1279  1280  1281  1282  1283  1284  1285  1286  1287  1288  1289  1290  1291  1292  1293  1294  1295  1296  1297  1298  1299  1300  1301  1302  1303  1304  1305  1306  1307  1308  1309  1310  1311  1312  1313  1314  1315  1316  1317  1318  1319  1320  1321  1322  1323  1324  1325  1326  1327  1328  1329  1330  1331  1332  1333  1334  1335  1336  1337  1338  1339  1340  1341  1342  1343  1344  1345  1346  1347  1348  1349  1350  1351  1352  1353  1354  1355  1356  1357  1358  1359  1360  1361  1362  1363  1364  1365  1366  1367  1368  1369  1370  1371  1372  1373  1374  1375  1376  1377  1378  1379  1380  1381  1382  1383  1384  1385  1386  1387  1388  1389  1390  1391  1392  1393  1394  1395  1396  1397  1398  1399  1400  1401  1402  1403  1404  1405  1406  1407  1408  1409  1410  1411  1412  1413  1414  1415  1416  1417  1418  1419  1420  1421  1422  1423  1424  1425  1426  1427  1428  1429  1430  1431  1432  1433  1434  1435  1436  1437  1438  1439  1440  1441  1442  1443  1444  1445  1446  1447  1448  1449  1450  1451  1452  1453  1454  1455  1456  1457  1458  1459  1460  1461  1462  1463  1464  1465  1466  1467  1468  1469  1470  1471  1472  1473  1474  1475  1476  1477  1478  1479  1480  1481  1482  1483  1484  1485  1486  1487  1488  1489  1490  1491  1492  1493  1494  1495  1496  1497  1498  1499  1500  1501  1502  1503  1504  1505  1506  1507  1508  1509  1510  1511  1512  1513  1514  1515  1516  1517  1518  1519  1520  1521  1522  1523  1524  1525  1526  1527  1528  1529  1530  1531  1532  1533  1534  1535  1536  1537  1538  1539  1540  1541  1542  1543  1544  1545  1546  1547  1548  1549  1550  1551  1552  1553  1554  1555  1556  1557  1558  1559  1560  1561  1562  1563  1564  1565  1566  1567  1568  1569  1570  1571  1572  1573  1574  PRÓXIMA