Evaldo Augusto Torres Alves /editor
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Política

Rapidinhas




Obrigado Pedro e Beatriz(meus cachorrinhos) pela dedicação.



Após sangramento, ex-amante de Bruno deixa a prisão e é internada

da FSP

Fernanda Gomes Castro, ex-namorada do goleiro Bruno Fernandes, foi internada neste domingo após afirmar que passou mal e sofreu um sangramento.

Ela deixou o Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto, em Belo Horizonte, onde cumpre prisão preventiva pelo suposto envolvimento no homicídio de Eliza Samudio, também ex-namorada de Bruno.

Promotor diz que Eliza foi vítima de "plano macabro"
Juíza rebate advogados e diz ser competente para julgar caso Bruno
Delegado descreve como Eliza morreu; ouça

Fernanda está no hospital Octaviano Neves, em BH. Segundo seu advogado, Ércio Quaresma, ela teve um sangramento na região uterina e foi submetida a uma curetagem. Quaresma disse que só nesta segunda-feira se saberá se ela estava grávida e abortou. Ela vai dormir no hospital.

A Subsecretaria de Administração Prisional de Minas informou que não tem detalhes sobre a situação de saúde de Fernanda e que só vai se pronunciar nesta segunda-feira. Segundo o órgão, a ex-namorada de Bruno não fez exame de gravidez ao dar entrada no presídio.

PRISÃO

Fernanda está presa desde quinta-feira (5). Moradora do Rio, foi encontrada pela polícia em Ribeirão das Neves, também na Grande BH. Fernanda estava na casa dos pais de Luiz Henrique Romão, o Macarrão, braço direito de Bruno e que também está preso.

Bruno, Fernanda e outros sete suspeitos foram denunciados pelo Ministério Público pela morte de Eliza. A Justiça aceitou a denúncia e transformou todos em réus.

O grupo foi denunciado na quinta-feira (5) pelo Ministério Público por homicídio triplamente qualificado, sequestro e cárcere privado, ocultação de cadáver e corrupção de menor. O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, só foi denunciado por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver.

Os advogados do caso negam a participação dos denunciados no crime e prometeram recorrer aos mandados de prisão preventiva.




Serra está praticamente morando em Minas; ouça comentário

da FSP

O candidato a Presidência pelo PSDB, José Serra fez hoje sua segunda visita a Minas Gerais, na tentativa de colar a sua imagem ao do candidato ao senado pelo PSDB e ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves. Um esforço para vencer a disputa no estado que é o segundo maior colégio eleitoral do país, informa Rodrigo Vizeu, correspondente da Folha em Belo Horizonte.

Serra discursou para um grupo de mulheres do partido e reclamou das relações amigáveis do governo Lula com o Irã, dizendo que é uma contradição política ter criado a secretaria especial de política para as mulheres e ao mesmo tempo "ter carinho por um regime que enterra a mulher até a cintura e apedreja até a morte".



da FSP

Barrichello diz que Schumacher tem de aprender o que é respeito ao próximo

O piloto Rubens Barrichello, da Williams, comentou neste domingo a sua ultrapassagem sobre o alemão Michael Schumacher, da Mercedes, no GP da Hungria, e toda a repercussão mundial que o caso gerou. O brasileiro elogiou o heptacampeão como profissional, mas disse que ele precisa aprender a respeitar as pessoas.

"Como piloto, ele [Schumacher] é sensacional, formidável. Como pessoa, vai ter de voltar diversas vezes para aprender o que é respeito ao próximo, o que é uma pessoa que sabe seus limites e onde tem de parar", afirmou Barrichello, em entrevista ao programa 'Esporte Espetacular', da Rede Globo.

Confira a classificação da F-1
De acordo com o piloto da Williams, Schumacher não jogou limpo no momento da ultrapassagem. "A atitude de um piloto nesse momento é que se você consegue pegar o vácuo como eu peguei, tirar do vácuo, tem uma vantagem de velocidade. Nesse momento falei 'perdeu'. Eu estava esperando ele fechar a porta muito antes. Quando ele disse depois da prova que tinha feito já a escolha de linha, estava errado. Ele estava no meio da pista."

Barrichello aproveitou para contar que reclamou no rádio para que a organização tomasse a decisão de punir o alemão.

"É notável que quando tem alguém atrás, você tem de escolher a linha. É por isso que vocês me ouviram no rádio reclamando porque o rádio do piloto vai direto para o Charlie Whiting, o diretor de prova. Queria que eles refletissem que a linha que ele tomou era tardia", comentou.

O brasileiro comentou sobre o seu atual momento na F-1, pois está prestes a alcançar a marca de 300 GPs na carreira.

"Essa motivação toda é o amor pela velocidade. Eu passei muito tempo com coisas que não precisava, prestando atenção em companheiro de equipe. Hoje é uma coisa tão gostosa. Chegava o fim do ano, eu já queria férias. Agora, estou de férias mas não vejo a hora de ir para Spa [GP da Bélgica], são 300 GPs", disse.

O piloto da Williams também mostrou gratidão à equipe. "É o caminho natural ficar lá [por mais uma temporada]. Eles estão fazendo o que nenhuma equipe está fazendo. Todas as equipes utilizaram meus serviços, mas nenhuma como a Williams está fazendo agora", concluiu.




Dia dos pais

Horário eleitoral sem graça

HELIO DE LA PEÑA
na FSP


Deixar o humor de fora do processo eleitoral não eleva o nível das campanhas, não esclarece o povo e não torna os políticos mais respeitáveis

"E se a gente fizesse um jingle dizendo que agora o Lula está apoiando o Collor, e que o Collor apoia a Dilma?". Essa ideia poderia ter surgido numa reunião do "Casseta", do "Pânico" ou do "CQC".
Mas não, o jingle existe e faz parte da campanha eleitoral de 2010.
Segundo as novas regras do TSE, os humoristas estão proibidos de fazer piadas sobre os candidatos.
Mas eles podem. O que é isso?
Reserva de mercado?
A lei eleitoral nº 9.504/97 impede que emissoras de rádio e TV utilizem "trucagem, montagem ou outro recurso de áudio ou vídeo que de qualquer forma degradem ou ridicularizem candidato, partido ou coligação".
A intenção era manter o debate eleitoral em bom nível, coibindo os candidatos de produzir propagandas que, ao invés de propostas, apresentem retratos grosseiros e caricatos de seus adversários. E o que nós, humoristas, temos a ver com isso?
Ao estender o rigor da lei aos programas humorísticos, ficamos proibidos de abordar um dos temas mais importantes da vida pública neste ano. Não podemos por o dedo nesta ferida, a população não pode rir da política, tem que levá-la mais a sério que os próprios políticos.
A impressão que temos é que os candidatos são uns pobres indefesos, vítimas das piadas. Os políticos brasileiros estão protegidos por uma legislação absurda e exagerada. É como se os coitados estivessem sofrendo de "bullying" praticado pelos humoristas.
Eles estão quase aparecendo nas propagandas eleitorais acompanhados dos pais para que não zoemos com eles. Não podemos criticá-los ou receberemos uma advertência na caderneta. Completamente diferente do que ocorre nos Estados Unidos, por exemplo.
A última campanha presidencial foi marcada pelo humor e pelo deboche. A comediante Tina Fey ganhou as páginas da imprensa mundial fazendo uma hilária imitação da Sarah Palin, candidata a vice na chapa de John McCain.
A própria Sarah fez uma participação no programa "Saturday Night Live" e não atribui sua derrota a esse fato. Ela tem certeza de que o público sabia que se tratava apenas de um programa de humor e que nada do que fosse falado ali era para ser levado a sério.
Deixar o humor de fora do processo eleitoral não eleva o nível das campanhas, não esclarece a população e não torna nossos políticos mais respeitáveis. Pelo contrário, enfraquece o debate, tira a corrida presidencial das conversas nas esquinas e nos cafés das empresas.
Impede o candidato de rir de si mesmo e, quem sabe, corrigir o rumo de sua campanha. Não estamos lutando pelo direito de difamar ou ferir a honra de ninguém, mas amordaçar nossos candidatos Dilmandona, José Careca e Magrina da Silva é um gol contra a democracia.
Impedir que a Sabrina Sato convença os presidenciáveis a dançar o "Rebolation", proibir que o "CQC" utilize recursos gráficos para nos fazer rir dos políticos é patético. Definitivamente, não é esta a forma de conscientizar o eleitorado da importância do pleito.
O público conhece os programas humorísticos e sabe quais são suas propostas. Cabe ao políticos apresentar as suas com seriedade, de forma que o povo não as confunda com as dos humoristas.



*HELIO DE LA PEÑA é humorista do "Casseta & Planeta", exibido pela TV Globo.


Cabral, ao lado de Lula, chama rapaz de otário e s
Em vídeo Cabral, ao lado de Lula, chama rapaz de otário e sacana

Governador do Rio teria prometido um notebook ao rapaz por ofensas

do Estadão

Em um vídeo postado no site Youtube, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, aparece, ao lado do presidente Lula, discutindo e xingando um rapaz identificado na gravação como Leandro. Segundo o site do blogueiro Ricardo Gama, que diz ter publicado o vídeo, o fato ocorreu no Complexo do Manguinho, zona norte do Rio, no ano passado.

Na gravação Leandro conversa com Lula sobre a utilização de uma piscina que o complexo de prédios que estava sendo inaugurado teria. O rapaz diz ao presidente "A gente não pode entrar na piscina", Cabral intervém e indaga "Por quê?", ao que o menino retruca "Porque não abre para a população". Depois de um corte na gravação, Lula conversa com Cabral e se diz preocupado com o prejuízo político causado se a imprensa descubra a impossibilidade de uso da piscina.

Depois de outra edição na filmagem, o rapaz reclama do barulho que o Caveirão (veículo usado pela polícia do Rio) faz em sua rua. Cabral então pergunta, "E o tráfico?", Leandro responde, "na minha rua não" e Cabral retruca, "Não tem nego de metralhadora não? Então deixa de ser otário, discurso de otário". Em trecho adiante o governador diz ao menino, "bota essa inteligência toda para estudar, o sacana!".

Segundo o Blog de Ricardo Gama, Cabral teria prometido um notebook ao rapaz, por isso Leandro vai a eventos em que está presente o governador, para cobrar o computador. Em outro vídeo postado, a ex-governadora do Rio, Benedita da Silva, confirma que estava presente quando Cabral prometeu o notebook ao menino.




Debate sem debate



ELIANE CANTANHÊDE
da FSP

Debate sem debate

BRASÍLIA - José Serra, Dilma Rousseff e Marina Silva deveriam acender uma vela à TV Globo, que transmitiu a emocionante semifinal da Copa Libertadores no mesmo horário do insosso primeiro debate dos presidenciáveis na Band. O jogo teve 32 pontos no Ibope, enquanto o debate ficou em míseros 2,9. Sorte dos debatedores.
Entre mortos e feridos, ninguém se salvou -a exceção foi Plínio de Arruda Sampaio, porque investiu bem e tudo o que viesse seria lucro. Ele estava visivelmente se divertindo, enquanto os outros mal conseguiam se mover dentro do gesso imposto por pesquisas, marqueteiros, conveniências.
Serra ficou divagando sobre programinhas e não provocou o confronto. Dilma estreou a arriscada estratégia de se livrar da sombra de Lula e ganhar contornos próprios. Marina foi Marina, comovente ao falar da própria biografia, mas não convincente para governar o país. Naquele trio, ninguém tinha a ganhar com ibope alto, a não ser constrangimento.O fiasco de público escamoteou o fiasco de desempenho.
Mas, se ninguém ganhou, alguém ganhou. Explica-se: o empate técnico cristaliza a eleição como está. É ruim para Serra e Marina, mas é bom para Dilma. Eles precisam fazer gol. Ela só precisa não levar. O time e o tempo a mais de propaganda gratuita fazem o resto.
A comparação mais gritante foi com o charme intelectual de Fernando Henrique, o carisma e empatia de Lula e o talento de Mário Covas -que, numa pernada, desestabilizou a ascensão de Guilherme Afif Domingos em 1989. Nenhum dos dois nem chegou ao segundo turno, é verdade, mas Covas entrou para a história dos debates.
Sem FHC, sem Lula, sem tipos como Covas e sem confronto de ideias e de qualificação, para quê debate? Mais valem os 50 segundos diários no "Jornal Nacional" do que mil debates sem debate.

Precisamos de vices?

Precisamos de vices?


Renato Janine Ribeiro
do Estadão

Será que precisamos de vice-presidente, vice-governador, vice-prefeito? A dificuldade na escolha dos vices de Dilma Rousseff e José Serra suscita essa pergunta. Um vice pode tornar-se presidente: dos sete presidentes civis eleitos desde 1950, quatro não terminaram o mandato, tarefa que foi repassada a seus vices - Café Filho, João Goulart, José Sarney e Itamar Franco. Desses quatro vices, aliás, os dois primeiros foram depostos. Pode, então, um vice ser escolhido sem muito cuidado? Mais que isso, um vice é útil, é necessário?

Os regimes democráticos, hoje, dividem-se em presidencialistas, a maioria deles no continente americano, e parlamentaristas, estes especialmente na Europa, na Oceania, na Índia e no Japão. No parlamentarismo, como diz o nome, quem compõe o governo é o Parlamento - e por isso mesmo ele pode ser dissolvido quando necessário, convocando-se novas eleições. Assim, no regime parlamentar o deputado não é eleito para um mandato fixo, mas máximo, que pode ser abreviado pela dissolução do Parlamento. O bom no parlamentarismo é que a dissolução do Legislativo, longe de ser um problema, é muitas vezes uma solução. O que no presidencialismo seria um golpe de Estado, traumático, é no governo de Gabinete uma saída institucional regular. Ora, neste regime o chefe de Estado não importa muito. Pode ser um rei. Pode ser um presidente com funções quase cerimoniais. Se ele renunciar ou falecer, será sucedido por outro, que começará um novo mandato inteiro. Não se precisa de vice. E nada disso constitui problema.

Já o presidencialismo é bem diferente. Ele exige um equilíbrio entre o presidente e o Parlamento, ambos eleitos, mas com poderes distintos e que se contrapõem, justamente para que não haja nem tirania nem desgoverno. Todos os mandatos são fixos. O Parlamento não pode ser dissolvido. Sabe-se quando uma legislatura começa e quando terminará. É bom que o mandato presidencial coincida, em certa medida, com o legislativo, mas o decisivo é que ele seja, também, um mandato fixo. Para isso ocorrer, a figura do vice é quase indispensável. Assim, se o presidente (ou o governador ou o prefeito) morrer, renunciar ou for destituído, o vice completará seu mandato. Caso iniciasse um novo mandato integral, perder-se-ia o equilíbrio entre os dois Poderes eleitos. Daí a importância do vice. Além disso, ele deve ser eleito, dado que pode vir a exercer o cargo mais importante do país (ou Estado ou município). Um vice nomeado, como na Venezuela, pode substituir, não pode suceder.

Mas o vice traz problemas.

Primeiro: é frequente ele ser uma figura apenas decorativa. O titular não lhe confia papéis importantes. Ele é um zero que pode, de um momento para o outro, tornar-se tudo. Vejamos os nomes acima. Em 1950, Café Filho foi uma escolha quase fortuita. Em 1960, Goulart elegeu-se vice de Jânio Quadros porque este disputou a Presidência tendo dois candidatos a vice (na época, eram eleições separadas, sem vinculação de chapa). A opinião pública, que em 1985 apoiou Tancredo Neves para sairmos da ditadura, tolerou o nome de Sarney como vice, mas nunca o aceitaria como candidato ao cargo titular. Itamar Franco, que foi o mais providencial dos vices que nosso país já teve, estava semirrompido com o titular, Fernando Collor, já no começo de seu governo, e talvez desde a campanha de 1989. Assim, um político é neutralizado, quase liquidado e, de repente, adquire o maior poder do País, por mera obra do acaso. Isso é bom?

Segundo: o vice muitas vezes apenas agrega apoio eleitoral. Ele não é da confiança do titular. Foi o caso de Orestes Quércia, vice de Franco Montoro, na eleição para governador de São Paulo em 1982. Ou comparemos os três vices de José Serra. Seu vice-prefeito, Gilberto Kassab, praticamente lhe foi imposto, mas mostrou-se leal a ele - embora, na sua reeleição, tenha agravado o racha entre as duas principais lideranças tucanas paulistas, o ex-governador Geraldo Alckmin e o próprio Serra. Seu vice no governo, Alberto Goldman, foi o nome certo, tanto que foi seu secretário de Estado e hoje dá continuidade ao que ele fez - só que não somou votos. Finalmente, seu candidato a vice-presidente, Índio da Costa, é um desconhecido.

Parece que quem é leal não traz votos e quem soma votos traz problemas. Para ter os minutos do PMDB Dilma precisa de Michel Temer, para ter o tempo do DEM Serra necessita de Índio - mas eles são apenas um complemento da candidatura principal. Seria bom para o País ter como presidente da República alguém cujo principal trunfo foram alguns minutos na televisão?

O que fazer, então? Suprimir o vice exigiria novas eleições, o que, por sinal, não é impossível: poderiam ser eleições diretas, se a vacância se der nos dois primeiros anos de mandato, ou indiretas, nos últimos. As novas eleições teriam de ser realizadas com rapidez - mas em qualquer regime parlamentarista um pleito é convocado com 30 ou 40 dias de antecedência. Temos uma Justiça Eleitoral enorme, cara - e mais lenta que os órgãos eleitorais de qualquer país europeu. Ela poderia ser mais ágil. Mas, mesmo assim, um sistema desses deixaria ao acaso - a morte, a renúncia - o poder de desorganizar todo o equilíbrio entre os Poderes, que é essencial no presidencialismo. Morre ou renuncia o presidente, e muda por completo o Poder Executivo.

A saída menos ruim talvez seja manter as coisas como estão. Tem funcionado bem a ideia de dar ao vice um cargo de ministro ou de secretário. Assim, ele não é esterilizado. Claro que, se o titular se desentender com o vice, como sucedeu com a prefeita Luiza Erundina ou com o presidente Collor, haverá problemas. E por isso mesmo temos de avaliar bem se o vice merece nosso voto. Porque estamos votando, sempre, em dois nomes, e o reserva pode virar titular. Precisamos conhecer o que pensam. Afinal, se têm tanta chance de assumir o cargo, precisamos conhecê-los e levar em conta as alianças que representam na hora de votar. Isso a imprensa deveria cobrar.


*PROFESSOR TITULAR DE ÉTICA E FILOSOFIA POLÍTICA DA USP



No macio azul do mar

Sem sobressaltos, sem lances espetaculares, sem arroubos

emocionantes, sem movimentos bruscos. Um arroz com feijão bem feito parece ser a receita predileta da campanha petista

DORA KRAMER
do Estadão

O alto comando da campanha de Dilma Rous­seff, aquele residente um andar abaixo do ocupado pelo presidente Luiz Inácio da Silva, gostou do debate realizado pela TV Ban­dei­rantes não só porque a candidata sobreviveu sem ferimentos graves.

O que agradou mesmo foi o clima “morninho”, como definiu menos de 24 horas depois um mandachuva da equipe.

“Para nós está bom assim, o rio correndo para o mar. Se continuar no mesmo ritmo a eleição está ganha.”

Quer dizer, sem sobressaltos, sem lances espetaculares, sem arroubos emocionantes, sem movimentos bruscos. Um arroz com feijão bem feito parece ser a receita predileta da campanha petista, cujo coordenador em tela acha que já esgotou sua cota de tiros no pé.

“Demos todos os que tínhamos direito.” Por exemplo, o registro na Justiça Eleitoral do documento “A grande transformação” aprovado em congresso do PT, como programa de governo, com restrições à liberdade de imprensa e violações ao direito de propriedade entre outros pontos eivados daquele modo todo especial que o PT tem de espantar eleitor em seus momentos xiitas.

Justo com Dilma, que não pode, segundo avaliação interna, dar margem a interpretações de que se eleita fará um governo marcadamente de esquerda. “Se Lula não pôde, ela muito menos. Não terá espaço para concessões à esquerda.”

Pelo mesmo raciocínio do quanto mais frio melhor, boa parte do estoque de tiros no pé foi gasta nos primeiros 15 dias depois que Dilma deixou o ministério.

Ela vestiu o figurino de combate, “acreditou” no papel e saiu de pau e pedra para cima do então pré-candidato do PSDB, José Serra. Respondia a tudo, polemizava, fazia frases (“lobo em pele de cordeiro”), brigava sozinha, perdia o em­­bate para si e o tucano só fazendo pose de bom moço.

Não falava mal de Lula e chegou a espalhar pânico nas hostes inimigas. “Ele estava assustadoramente perfeito.”

O que foi assim tão perfeito? A atitude amena, que deixava os petistas na difícil situação de precisar criticar um adversário que elogiava o presidente. Foi na época em que Dilma repetia que Serra era ambíguo sobre ser ou não oposição. “Era um rebate fraco, nada convincente.”

De acordo com a análise do comando petista, as coisas melhoraram depois que a candidata parou de responder a José Serra e ao mesmo tempo o tucano endureceu o discurso.

Na campanha governista o que se diz é que quanto mais oposicionista Serra se mostrar, melhor para Dilma.

Isso tanto pode ser a mais pura verdade como pode ser também um truque para levar o oponente para o lado que mais interessa.

Como distinguir? Im­­pos­sí­­vel, melhor mudar de assunto.

Falar, por exemplo, sobre a expectativa em relação ao programa do horário eleitoral que estreia daqui a dez dias.

O centro dessa questão obviamente é o presidente Lu­­la. A campanha quer dosar sua participação. Nem tanto que faça a candidata desaparecer nem tão pouco que não seja suficiente para dar uma deslanchada nas pesquisas.

Mas Lula em qualquer dose não é bom?

Depende.

O QG petista cita o exemplo recente da campanha para a prefeitura de Belo Horizonte. Tanto o então governador Aécio Neves e o então prefeito Fernando Pimentel apareceram na propaganda que o candidato Márcio Lacerda sumiu. Por pouco não perdeu a eleição.

Portanto, overdose de Lula nem pensar. São 45 dias de programas. Será feito um teste: dependendo do resultado nas primeiras duas semanas, a participação do presidente aumenta ou diminui.

Retomando aquela ideia do início de que a “eleição está ganha” se tudo transcorrer em ambiente morno – o que contraria o argumento de que a agressividade da oposição favorece Dilma –, vamos conferir as contas em relação à possibilidade de vitória no primeiro turno.

Há dois tipos de avaliação. A da maioria, mais otimista, aposta em 50% de chance. A do nosso interlocutor, porta-voz dos prudentes, cai para 5%.

Cálculo de gato escaldado, lembrando que em 2002 e 2006 as pesquisas indicavam vitória de Lula no primeiro turno e nas duas vezes a eleição foi decidida no segundo.

Temente a água fria, não se ilude facilmente: “Eleição en­­gana muito a gente.”

Reviravolta histórica

RUBENS RICUPERO
da FSP

Reviravolta histórica

No passado, o intercâmbio não se limitava a comércio: os valores e as aspirações também vinham de fora

NO ANO PASSADO, a China se tornou pela primeira vez o maior mercado do Brasil, superando os EUA, que ocupavam essa posição há quase 150 anos. O mercado chinês foi também o primeiro destino das vendas do Mercosul e do Chile, o segundo para a Argentina e o Peru.
Isso não se deve somente aos efeitos da crise financeira sobre a demanda dos EUA. A tendência é clara em toda a primeira década do século. Durante esses dez anos, o comércio China-América Latina foi o de maior crescimento em cotejo com outras regiões nas exportações e nas importações, aumentando ao dobro da taxa média mundial.
É melancólico como o intercâmbio brasileiro-americano perdeu importância relativa nos últimos cem anos. Em 1905/06, o Brasil era o sexto maior parceiro bilateral dos EUA, após o Reino Unido, a Alemanha, a França, o Canadá e Cuba (açúcar). Chegamos a ser os terceiros fornecedores dos ianques nos tempos em que nem se sonhava com Japão, China, Coreia e outros asiáticos.
Já em 1870 os americanos nos compravam quatro vezes mais do que nos vendiam. O saldo acumulado pelo Brasil com os EUA cresceu de 1867 a 1905 a ponto de atingir cifras astronômicas se corrigidas com os valores de hoje. Em 1912, ano da morte do barão do Rio Branco, os EUA absorviam 36% das vendas brasileiras, ao passo que o segundo, o Reino Unido, recebia só 15%.
Embora não se possa falar em causa e efeito, o fato é que o apogeu da aproximação política Brasil-EUA, a fase da chamada "aliança não-escrita", coincidiu com o ápice das relações econômico-comerciais. Desde aquela época, a porcentagem das vendas aos EUA em comparação com o resto do mundo foi caindo, primeiro para oscilar entre 20% e 24%, mais recentemente para algo em torno de 17/18%, desconsiderando 2009, quando desabou a 10%.
Os EUA têm sido, ao lado da América Latina, os únicos grandes mercados para exportações brasileiras de alta tecnologia, sendo os maiores compradores da Embraer, por exemplo. As transnacionais americanas no Brasil direcionaram em geral maior parcela da produção local ao mercado da matriz do que transnacionais de outras origens.
Em contraste, o mercado chinês só compra commodities do Brasil e outros latinos, reservando aos vizinhos asiáticos o papel de supridores de insumos industriais de alto valor agregado. Criou-se situação duplamente preocupante devido à dependência excessiva do mercado chinês e ao caráter assimétrico da troca de commodities por manufaturas cada vez mais sofisticadas.
No passado, os principais parceiros comerciais ou financeiros do Brasil eram os EUA, o Reino Unido, os europeus, países da mesma tradição histórico-cultural. O intercâmbio não se limitava a mercadorias: valores e aspirações em democracia e direitos humanos vinham das revoluções francesa e americana, do parlamentarismo inglês.
Nunca tivemos a experiência de comércio exterior dissociado de fortes vínculos culturais e políticos. O desafio de definir uma política para a China passa por integração comercial menos assimétrica e pelo enriquecimento em conteúdo de uma relação que não deve ser reduzida à dimensão mercantil.

Lula afirma que, "como cristão", é contra pena


CASO SAKINEH
da FSP

Lula afirma que, "como cristão", é contra pena de apedrejamento

DA ENVIADA A BOGOTÁ - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que, "como cristão", não considera correto que um Estado condene uma pessoa à morte, em referência ao caso da viúva iraniana Sakineh Ashtiani, condenada à morte por apedrejamento por adultério.
Lula pediu que o Irã cancele a pena a que Sakineh foi submetida, mas disse que não pode virar "um apelador" e que as regras dos outros países devem ser respeitadas.
"Como ser humano, como cristão que eu sou, eu não posso imaginar alguém ser morto apedrejado por traição. Eu não consigo imaginar. Por isso que eu fiz o pedido de que, se tivesse condições de mandá-la para o Brasil, nós a receberíamos de braços abertos."
O presidente considerou, no entanto, que esse tipo de questão é "muito delicada", já que é preciso levar em conta a legislação e a soberania de cada país.
"Agora mesmo a Síria liberou quatro brasileiros [acusados de tráfico de drogas], mas sempre com cuidado, porque, se daqui a pouco todo mundo começa a pedir para eu liberar, vai ser uma...", afirmou Lula, sem completar a frase.
Há cerca de dez dias, quando questionado sobre o caso Sakineh, Lula disse que não poderia se intrometer e pedir o tempo todo pela libertação de presos porque senão viraria "uma avacalhação".
Ontem, seguiu o raciocínio dizendo que, se usar seu cargo para apelar, os presidentes perderão autoridade. (SI)


Mulher condenada à morte ...
Mulher condenada à morte por apedrejamento acusa Irã de mentir

Em entrevista excluisiva ao The Guardian, Sakineh diz que foi condenada por ser mulher

do Estadão

LONDRES - A iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada à morte por apedrejamento, acusou o Governo de seu país de mentir para poder executá-la em segredo.

Divulgação

Iraniana, que havia sido acusada de assassinato, espera execução por adultério


Segundo as autoridades iranianas, Sakineh, de 43 anos, foi condenada por tentativa de assassinato do marido e adultério, mas ela nega as acusações em declarações enviadas ao diário britânico "The Guardian" por meio de um intermediário que, de acordo com o jornal, não pode ser identificado por motivos de segurança.

"Eles mentem. Estão envergonhados pela atenção internacional dada ao meu caso, realizam manobras de distração e tentam confundir os veículos de comunicação para poder me matar em segredo", afirmou a iraniana.

"Me declararam culpada de adultério, mas me absolveram da acusação de assassinato. O homem que matou meu marido foi identificado e preso, mas não foi condenado à morte", disse Sakineh.

O homem acusado, cuja identidade não se conhece, não corre perigo de execução porque o filho de Sakineh o perdoou.

"A resposta é muito simples. É porque sou uma mulher e acham que podem fazer o que querem com as mulheres neste país. Para eles, o adultério é pior que o assassinato, mas não todos os adultérios: um homem adúltero pode acabar na prisão, mas para as adúlteras significa o fim do mundo".

"Tudo isto ocorre porque vivo em um país onde as mulheres não têm direito a se divorciar de seus maridos e são privadas de seus direitos fundamentais", protesta Sakineh.

A iraniana teme que a fuga de seu ex-advogado, Mohammad Mostafaei, deixou-a mais vulnerável.

"Queriam se livrar do meu advogado para poder me acusar do que quisessem sem encontrar oposição de sua parte. Se não tivesse sido por ele, já teriam matado me pedradas", diz.

Mostafei defendeu-a gratuitamente e conseguiu chamar a atenção do mundo sobre seu caso, mas fugiu para a Turquia quando as autoridades iranianas emitiram uma ordem de busca e captura contra si.

A esposa do advogado está detida na prisão iraniana de Evin sem acusações.

Sobre sua vida na prisão, Sakineh disse que é maltratada diariamente por seus carcereiros.

"Suas palavras, o jeito que me olham - uma mulher adúltera que deveria ser apedrejada -, é como se me apedrejassem até a morte todos os dias".


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