Evaldo Augusto Torres Alves /editor
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Política

Dilma distorce números,



Dilma distorce números, e Serra faz críticas periféricas
Petista faz projeções sem base para a educação; tucano não propõe soluções

A julgar pelo debate, as ambições de Dilma são a reforma tributária e a regulamentação da emenda sobre a saúde

GUSTAVO PATU
da FSP

A petista Dilma Rousseff distorceu números para superfaturar os méritos do governo Lula, enquanto o tucano José Serra se dedicou a promessas típicas de governadores e prefeitos, como a criação de vagas em escolas e a promoção de mutirões.
O primeiro debate da campanha eleitoral apresentou, de um lado, a situacionista que oferece algo entre a continuidade e a mera celebração de feitos reais e imaginários; do outro, o principal oposicionista que limita quase todas as suas críticas e propostas a aspectos periféricos da administração federal.
A julgar pelas afirmações de anteontem à noite, na Band, as principais ambições de Dilma para o futuro são a reforma tributária e a regulamentação da emenda constitucional que disciplina os gastos em saúde, ambas já encaminhadas pelo presidente Lula, mas empacadas no Congresso Nacional.
Há ainda a torcida declarada para a erradicação completa da miséria e ampliação dos recursos públicos para a educação para o equivalente a 7% do Produto Interno Bruto, que seriam um desdobramento natural das conquistas recentes.

SEM BASES
A primeira se baseia em um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) que projeta o fim da pobreza extrema em 2016 caso seja mantido até lá o ritmo de melhora da renda contabilizado de 2004 a 2008; os anos de 2003, de aumento da pobreza, e de 2009, de crise econômica, ficam convenientemente fora da conta.
Já a segunda não tem nem sequer base conhecida. Pela última estimativa oficial disponível, os gastos de União, Estados e municípios em educação chegaram a 4,7% do PIB em 2008 -Dilma falou em algo entre 5% e 6%.
Se for mantido o ritmo de aumento do governo Lula, a meta mencionada pela petista só seria atingida em 17 anos.
De resto, sobra o rosário de cifras já disseminado pelo PT na internet. Algumas consistentes, como a redução da dívida pública de 60% para 42% do PIB, outras enganosas, como a do suposto reajuste real de 74% concedido ao salário mínimo -o índice em oito anos ficou pouco acima da metade dos 100% prometidos por Lula para seus primeiros quatro anos.
Sem contestar a louvação ao presidente Lula, Serra concentrou ataques contra a redução dos mutirões em saúde, descendo a detalhes como as cirurgias de próstata e varizes, e a problemas na relação do governo com as associações de apoio a crianças excepcionais.

SEM SOLUÇÕES
Criticou, é verdade, os atrasos nas obras de infraestrutura e, depois de instado por um jornalista, as taxas de juros e a carga tributária, também elevadas na gestão tucana. Não apresentou, porém, nenhuma solução -no máximo, disse que expandirá para o país a experiência da nota fiscal paulista.
Repetiu ter triplicado o "nível de investimentos" no Estado, mas multiplicado por três, de fato, foi apenas o valor nominal desses gastos. Pelo mesmo critério, os investimentos federais, mais volumosos, teriam sido duplicados no período.
E prometeu acabar com o loteamento político das estatais, em particular nos Correios, na única objeção ao governo Lula que ultrapassou o âmbito gerencial.

''Lula trai os iranianos ao não falar das violaçõe


''Lula trai os iranianos ao não falar das violações''

Mohammad Mostafaei, advogado de Sakineh Ashtiani
Jamil Chade
do Estadão

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva "desrespeita" o povo iraniano ao tratar o líder Mahmoud Ahmadinejad como um amigo e não cobrar de forma concreta mudanças na situação dos direitos humanos no país. O alerta é do advogado Mohammad Mostafaei, que defendia a iraniana Sakineh Ashtiani condenada por adultério em Teerã. Na semana passada, o advogado de 36 anos fugiu do Irã para a Turquia depois de ter sido interrogado. Ontem, Mostafaei falou ao Estado por telefone. Ele havia sido levado para um centro de detenção nas proximidades de Istambul. Ontem foi liberado e deve seguir viagem na próxima semana para a Noruega. Abaixo, os principais trechos da entrevista:


O que o sr. acha da maior aproximação entre o presidente Lula e Ahmadinejad?

(Risos). Isso é mesmo curioso. Claro que agradecemos o gesto de Lula de oferecer asilo a Sakineh. Mas o que posso dizer é que Lula tem o dever de falar de direitos humanos com Ahmadinejad. O problema não é apenas das famílias iranianas. É da humanidade. Lula trai os iranianos ao não falar das violações. É ainda um desrespeito ao povo iraniano tratar Ahmadinejad como um amigo e não cobrar mudanças na situação dos direitos humanos no país.

Mas o governo brasileiro diz que tratou do caso de Sakineh com as autoridades iranianas.

Não sei. Não posso dizer até que ponto isso foi tratado de forma séria.

O sr. conseguiu fugir do Irã. Qual será seu futuro?

Já fui autorizado a deixar o centro de refugiados e agora estou sob proteção diplomática. Tudo indica que devo ir para a Noruega. Quando sai, me senti muito aliviado. Mas quando estava a caminho do hotel, funcionários de uma missão diplomática europeia me pararam e disseram que seria muito arriscado me deixar num hotel. Agora, sob proteção diplomática, estou bem. Temo por minha família que ficou no Irã e minha mulher, que continua detida para me forçar a retornar ou me silenciar.

Como está a situação dos direitos humanos hoje no Irã?

O Irã tornou-se uma grande prisão. A situação é desesperadora e o mundo precisa saber disso. Os problemas e violações são profundos. A economia vai mal e os problemas sociais são cada vez mais evidentes. A tortura contra quem ousa falar contra o governo é imediata. Muitos estão deixando o Irã. Só na Turquia são 4 mil refugiados iranianos. Há centenas de pessoas inocentes nas prisões, sem ter quem as defenda. Essa repressão intensificou-se nos últimos meses. É um cenário desesperador.

O que o sr. sugere para mudar a situação do Irã?

Precisamos de liberdade. O governo precisa se abrir e não manter apenas relações com o Brasil e a Turquia. Precisamos construir e aceitar um novo diálogo com a Europa e outros parceiros. Internamente, precisamos dar liberdade aos jornalistas. Muitos estão presos por escrever a verdade. Sem a liberdade de expressão, nunca saberemos o que de fato ocorreu.

Teerã insiste em dizer que as sanções da ONU não estão surtindo efeito e apenas a população sofre. Qual sua avaliação?

É certo que é a população que sofre. Mas, entre aqueles que tem consciência, sabemos que sofremos por culpa do governo, e não por culpa das sanções.

O que o sr. sabe sobre o futuro de Sakineh?

Não sei muito. A Corte Suprema não aceitou reabrir o caso, o que é um sinal péssimo. Agora, só a pressão internacional pode salvá-la. Só a pressão de outros líderes poderá impedir que a executem. Por isso, apelo a todos que continuem a protestar.

Debate frustrante


Editorial da Folha de São Paulo


Debate frustrante

Regras e artificialismos em excesso, impostos pelos candidatos, deram o tom do primeiro debate eleitoral da TV, que deixou a desejar

Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB), Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) estiveram frente a frente, pela primeira vez, anteontem à noite. Foi, no entanto, decepcionante o primeiro debate entre os principais candidatos à Presidência da República, realizado pela TV Bandeirantes.
Repetiu-se no estúdio da emissora algo que já se tornou rotineiro nas disputas eleitorais. O desempenho dos presidenciáveis acabou sendo pautado por roteiros meticulosamente desenhados por marqueteiros, que se beneficiam de regras (definidas em comum acordo pelas campanhas) destinadas a engessar o debate e reduzir ao máximo os riscos de exposição e tropeço dos concorrentes.
Tudo se torna espetacular e previsível ao mesmo tempo. Em lugar de discussão mais direta e aberta prevalecem as estratégias, as artimanhas, os pequenos truques, as pegadinhas -enfim, a encenação.
Nesse ambiente de excesso de cuidados e artificialismo, os grandes temas foram preteridos ou tratados com frustrante ligeireza.
Não faltaram, é verdade, alguns momentos de polarização entre os dois principais adversários. A iniciativa maior coube a Serra, mais interessado em chamar Dilma para o confronto.
Houve divergência em relação aos mutirões de saúde, cuja interrupção no governo Lula o tucano criticou. A petista divergiu, caracterizando-os como política de "emergência", sem papel "estruturante" para a área.
O tucano insistiu também nos gargalos de infraestrutura -das estradas federais em situação precária aos aeroportos e portos saturados ou obsoletos.
Dilma demonstrou algum nervosismo e hesitou em certos momentos, sobretudo no início do encontro, revelando dificuldades para fazer a defesa de um governo com quase 80% de aprovação popular. Mas, quando Serra se esquivou de defender a gestão de Fernando Henrique Cardoso, alegando não fazer política "de olho no retrovisor", a petista rebateu. Disse que, embora pudesse ser "confortável" para alguns, não era "prudente esquecer o passado".
Entre a celebração acanhada que Dilma fez do período Lula e as críticas muitas vezes periféricas que Serra endereçou ao governo adversário, o debate assumiu contornos tecnocráticos e teve momentos tediosos. Como mostra reportagem de hoje desta Folha, houve, sobretudo por parte de Dilma, uso enganoso de números, que foram maquiados ou apresentados de maneira distorcida.
Prensada pelas duas candidaturas, Marina Silva foi alvo ainda das críticas de Plínio Sampaio, que, sem nada a perder, deu um toque de humor e informalidade ao encontro algo robotizado.
Embora pareça improvável, ganharia a democracia se os responsáveis pelas campanhas oferecessem aos eleitores, nos próximos debates, a oportunidade de um confronto mais franco, no qual os candidatos se apresentassem de maneira menos estereotipada, superficial e desinteressante.

Eu sofro por ser mulher, diz Sakineh
Iraniana condenada a morrer apedrejada por adultério afirma que Irã está "envergonhado" pela atenção ao caso

Em entrevista ao jornal "Guardian", Sakineh diz que autoridades estão mentindo e que assinou sentença sem entender

da FSP

"A resposta é bem simples. É por eu ser uma mulher, é por eles acharem que podem fazer o que quiserem com as mulheres, neste país."
É assim que Sakineh Ashtiani, a iraniana condenada à morte por apedrejamento pelo "crime" de adultério, define o motivo pelo qual aguarda por uma das mais cruéis penas de morte do mundo.
Presa desde 2006 na cadeia de Tabriz, Sakineh falou ontem ao jornal britânico "Guardian" por meio de um intermediário cuja identidade não mantida em sigilo.
Leia abaixo as principais declarações de Sakineh.


"A resposta é bem simples. É por eu ser uma mulher, é por eles acharem que podem fazer o que quiserem com as mulheres, neste país. Para eles, adultério é pior que homicídio. Mas não todos os tipos de adultério: um homem adúltero pode nem ser preso, mas uma mulher adúltera é o fim do mundo.
É por estar em um país onde as mulheres não têm o direito de se divorciar dos maridos e estão privadas de direitos básicos."
Medo
"Elas [autoridades iranianas] estão mentindo. Estão envergonhadas com a atenção internacional dada ao meu caso e tentam desesperadamente distrair a atenção e confundir a mídia para me matarem em segredo."

Julgamento
"Fui considerada culpada de adultério e absolvida do homicídio. O homem que realmente matou meu marido foi identificado e preso, mas não condenado à morte.
Quando o juiz me entregou minha sentença, nem percebi que deveria ser apedrejada à morte porque eu não sabia o que "rajam" significa.
Eles me pediram para assinar minha sentença e eu o fiz, daí eu voltei à prisão, e os meus companheiros de cela me disseram que eu seria apedrejada à morte e eu, instantaneamente, desmaiei."

Advogado
"Eles queriam se livrar do meu advogado [Mohammad Mostafaei] para que pudessem facilmente me acusar do que quer que fosse sem que ele denunciasse. Não fossem os esforços dele, eu já teria sido apedrejada à morte."

Prisão
"As palavras deles [dos guardas de Tabriz], o jeito como me olham -uma mulher adúltera que deveria ser apedrejada à morte- é como ser apedrejada todos os dias."

Campanha
"Todos esses anos, elas [autoridades tentaram colocar uma coisa na minha cabeça, me convencer de que eu sou uma mulher adúltera, uma mãe irresponsável, uma criminosa. Mas, com o apoio internacional, uma vez mais me vejo uma pessoa inocente. Não deixem que me apedrejem diante do meu filho."

Críticas justas, notícias nem tanto
CLÓVIS ROSSI
da FSP

Críticas justas, notícias nem tanto

Documento do Brasil sobre direitos humanos não visa silêncio mas uma mudança de "modus operandi"


A POLÍTICA EXTERNA do governo Luiz Inácio Lula da Silva e declarações presidenciais e/ou ministeriais a respeito receberam neste ano bem mais críticas do que em todos os sete anos e meio anteriores. Aliás, nos anteriores, foi todo um deslumbramento, "à esquerda e à direita", como chegou a dizer à Folha o presidente do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero.
As críticas estão centradas, essencialmente, no enfoque que o governo Lula adota na questão dos direitos humanos. São críticas na maioria justas, ao menos do meu ponto de vista.
Não dá para escudar-se no silêncio, a pretexto de não interferir em questões internas de outros países, e menos ainda fazer declarações torpes que acabam sendo um aval a práticas bárbaras.
Direitos humanos não conhecem fronteiras.
Tampouco vale o argumento, por exemplo, de que há violações dos direitos humanos em Cuba mas há também em Guantánamo, praticadas pelos Estados Unidos, que condenam Cuba. Muito bem. Condene-se Guantánamo mas condene-se também Cuba.
Se as críticas são justas, não vale usar o que não existe para reforçá-las. Refiro-me, especificamente, ao noticiário desta semana em que se afirma que um documento apresentado pela delegação brasileira ao Conselho de Direitos Humanos da ONU sugere evitar censura aos países que violam direitos humanos.

NOVOS MECANISMOS
Tocado pela notícia, o Itamaraty, algo tardiamente, divulgou na quinta-feira a íntegra da proposta. O que ela contém não é uma sugestão de silêncio mas de troca do "modus operandi", hoje de confrontação com alguns países específicos, pela busca de cooperação.
O argumento central, que parece fazer sentido, é o de que não há uma única história de sucesso no modelo da confrontação.
A maneira prática de operar a mudança tende em tese a fazer até mais ruído sobre direitos humanos do que o modelo atual.
Propõe, por exemplo, a organização de "sessões informativas, com a participação do país afetado assim como das agências da ONU e outros atores relevantes com presença no campo".
Se a proposta for implementada no caso de Cuba, por exemplo, parece evidente que o arcebispado de Havana seria -como já é- um "ator relevante" em matéria de direitos humanos, o que lhe daria assento no exame da situação na ilha caribenha --com a inevitável exposição midiática.
Há outros mecanismos sugeridos, que o espaço torna impraticável tentar resumir, pelo risco de perder a essência. Quem se interessar, até para criticar mas de maneira informada, encontra a íntegra (em inglês) no sítio do Ministério de Relações Exteriores (nota à imprensa nº 509).
A nota responde, antecipadamente, a uma objeção óbvia à tese de que é melhor o diálogo que o confronto: e se o país em evidência recusar-se ao diálogo?
Aí, "outras medidas podem provar-se necessárias", diz o texto. E completa: "Uma vez que o Conselho [de Direitos Humanos] explorou as ferramentas e instrumentos da negociação e do diálogo diplomático, os custos do não engajamento de parte de um dado país tornam-se muito mais altos".


No último dia, Uribe leva Chávez a Haia e à OEA
No último dia, Uribe leva Chávez a Haia e à OEA

FSP

O advogado colombiano Jaime Granados denunciou ontem o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, perante a Corte Penal Internacional e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que é ligada à OEA.
Nos documentos, segundo o jornal "El Tiempo", Granados pede punições ao venezuelano e a seu governo por, supostamente, dar abrigo a membros das Farc.
O advogado, ainda conforme o "Tiempo", é conhecido por ter representado, em algumas ocasiões, o governo de Álvaro Uribe, que deixa a Presidência da Colômbia hoje e trocou repetidas acusações com Chávez.
O último episódio, no dia 22, levou ao rompimento das relações entre os dois países e fez o presidente eleito da Colômbia, Juan Manuel Santos, desistir de convidar Chávez para a sua posse, hoje.
A informação de que Santos convidaria Chávez levou o venezuelano a mandar seu chanceler, Nicolás Maduro. Os gestos, segundo a Folha apurou, abrem a possibilidade de aproximação bilateral.
Em discurso de despedida, na quinta-feira, Uribe fez um agradecimento às forças de segurança e foi condecorado general "ad honorem" de quatro sóis (o equivalente a estrelas).

*(SIMONE IGLESIAS)


Chávez confirma presença de chanceler ...
Chávez confirma presença de chanceler na posse de Santos no sábado

Em reunião com Lula, venezuelano diz que ministro Nicolás Maduro irá a Bogotá

do Estadão

CARACAS - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse nesta sexta-feira, 6, que seu ministro das Relações Exteriores, Nicolas Maduro, irá à posse do presidente eleito da Colômbia, Juan Manuel Santos, no sábado.

Ricardo Stuckert/Presidência/Divulgação

Chávez recebe Lula em Caracas

"Sim, ele vai", disse Chávez ao ser questionado sobre o assunto, quando recebeu o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, em Caracas, para um encontro bilateral. Antes, o venezuelano havia dito que "era muito provável" que maduro fosse a Bogotá. A Colômbia elogiou a atitude de Chávez.

A Venezuela rompeu relações diplomáticas com a Colômbia em julho após ser acusada na Organização dos Estados Americanos (OEA) de abrigar guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Na noite de quinta-feira, Chávez recebeu o secretário-geral da União das Nações Sul-Americanas, Néstor Kirchner, para tratar da crise diplomática com o país vizinho. O ex-presidente argentino deve se reunir hoje na Colômbia com Santos e o presidente Alvaro Uribe.

A tensão entre os dois países vem diminuindo nos últimos dias, conforme se aproxima a posse de Santos.

Ontem, o general colombiano Freddy Padilla disse que seria impensável uma guerra com a Venezuela, por conta dos laços históricos, comerciais e de irmandade entre os países. Chávez respondeu que recebia 'com afeto' as declarações do general e que também rejeitava entrar em guerra com a Colômbia.

Segundo analistas, a posse de Santos deve aliviar a tensão entre Colômbia e Venezuela. Apesar da distância ideológica entre os dois, o novo presidente deve assumir uma postura mais pragmática que o antecessor, Alvaro Uribe.

Rapidinhas


IBOPE

DEBATE TEVE SÓ 3 PONTOS DE AUDIÊNCIA

da FSP

A média do debate, segundo estimativa a partir de números prévios do Ibope, ficou em três pontos (cada ponto representa 60 mil domicílios na Grande SP).
No início do penúltimo bloco, a Band chegou a ficar em penúltimo lugar no ranking das TVs, com apenas um ponto. O pico foi às 22h56, com cinco pontos.



"JN" reduziu aparição de Lula, diz petista

Baseado em mapeamento, coordenador de mídias sociais de Dilma deflagra protesto na internet contra a emissora

Em nota, Globo diz que eventual subexposição é natural em ano de Copa e nega que seja fruto de orientação editorial

FÁBIO ZAMBELI
da FSP

O coordenador de mídias sociais da campanha de Dilma Rousseff (PT), Marcelo Branco, deflagrou movimento na internet para protestar contra a Rede Globo por considerar que a emissora reduziu aparições do presidente Lula no "Jornal Nacional". Ele se ampara em levantamento feito pelo jornalista Émerson Luís, de Brasília, que mapeou a exposição de Lula em telejornais no primeiro semestre.
Branco usou seu Twitter para difundir o estudo e a mensagem ganhou as páginas de militantes. "Lula não é candidato. Portanto, se a Globo quiser tirar a cobertura e a voz dele, pode fazer. No entanto, eu achei importante tornar pública essa informação", disse Branco à Folha, frisando que a manifestação é "pessoal".
Pelo mapeamento, Lula teria aparecido 20% menos nas edições do "JN" deste ano em comparação com o mesmo período de 2009 -44 registros contra 57. Movimento inverso seria verificado nos telejornais da Record, do SBT e da Band.
Em nota, a Central Globo de Comunicação creditou a eventual subexposição de Lula, "tomando o estudo como verdadeiro", a eventos como a Copa do Mundo e negou que haja orientação editorial para abreviar a presença do presidente.
"O presidente Lula continuará a merecer a cobertura que o cargo requer. O mesmo ocorrerá com os candidatos, protagonistas da eleição presidencial", diz a nota.

VISITA
O vice-presidente das Organizações Globo, João Roberto Marinho, foi recebido ontem por Lula, em Brasília. Oficialmente, a situação da economia brasileira foi o tema do encontro reservado.
Na saída da reunião, Marinho disse a jornalistas que, indagado por Lula sobre a análise fazia da economia brasileira, respondeu que "vai bem", mas que a política fiscal do governo "causa preocupação".
"Acho que nosso jornal está falando isso todo dia. Nossa visão tem estado diariamente em "O Globo'", disse. Segundo Marinho, Lula não concordou nem discordou da visão. Os dois também falaram das eleições. "Ele falou sobre a campanha, a candidatura da ministra, e que ele está muito otimista."

*Colaborou FÁBIO AMATO, de Brasília




Com ironia, Plínio rouba cena e vira hit no Twitter

Candidato do PSOL roubou a cena dos favoritos nas pesquisas, com falas irônicas e provocativas
Flávia Tavares
do Estadão

SÃO PAULO - Ele não tinha nada a perder e, assim, foi ao debate para, realmente, debater. Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) roubou a cena dos favoritos nas pesquisas, com falas irônicas e provocativas. Sem exagerar números, criticou o excesso de convergências entre os oponentes e se posicionou como a real divergência. "Sou a diferença", autoproclamou-se. O desempenho de Plínio lhe rendeu a liderança mundial nos tópicos mais populares do Twitter - com comentários de apoio ou de sátira.

Como foi professor, falou com naturalidade. E não poupou ninguém. Acusou Marina Silva (PV) de manter o discurso petista e de ser uma "ecocapitalista". "Não há como proteger o meio ambiente sem atacar o lucro", decretou.

Chamou José Serra (PSDB) de "hipocondríaco", por só saber falar de saúde e o tachou de "a favor do latifúndio", quando o tucano afirmou ser contra a desapropriação de terras com mais de 1 mil hectares, uma das principais propostas de Plínio. Quanto a Dilma Rousseff (PT), o candidato a acusou de maquiar números ao falar de reforma agrária. "Quem fez o programa da reforma agrária do Lula fui eu. (Vocês) Fizeram menos que o Fernando Henrique."

Antes disso, criticou o fato de Dilma e Serra monopolizarem a conversa e alfinetou: "Se vocês dois fizerem blocão, vou fazer bloquinho com Marina." Em diversos momentos, arrancou risos da plateia. No encerramento do debate, voltou a lamentar o tom "poliana" do encontro. "Para superar o muro entre as suas aspirações e a realidade do País é só com luta", finalizou, olho fixo na câmera.

Lanterninha. A produção da TV Bandeirantes encontrou, na última hora, um lugar para a mulher de Plínio na plateia. Sua companheira, Marieta, ocupou, sem alarde, a sexta fila.



Novo dossiê de petistas tem três partes

Ex-presidente do PT e Dilma se referiram a papéis, que atacam vice do BB e filha de ministro, como "carta apócrifa"

O objetivo do dossiê apócrifo produzido pela ala bancária do PT era interferir na sucessão do comando da Previ

LEONARDO SOUZA
da FSP

O dossiê da ala bancária do PT para interferir na sucessão da Previ (fundo de pensão do Banco do Brasil) é composto por três documentos apócrifos, todos enviados para a Casa Civil, para o Ministério da Fazenda e para a presidência do banco estatal.
O primeiro dos papéis contém ataques a Paulo Caffarelli, vice-presidente de novos negócios de varejo do BB. O segundo traz acusações de tráfico de influência no banco contra uma filha do ministro Guido Mantega, Marina.
O terceiro, publicado pela Folha no domingo passado, é um resumo dos outros dois. A iniciativa visava forçar Mantega a desistir de nomear Caffarelli para a Previ.
Os bancários alcançaram parcialmente o objetivo. Caffarelli foi preterido, mas a ala egressa do sindicato saiu enfraquecida do episódio e não conseguiu emplacar seu candidato, Joílson Ferreira.
A Folha ouviu nove pessoas da estrutura do governo. Todas confirmaram que, para o Planalto, a cúpula do BB e a Fazenda, partiu dos bancários a produção do dossiê.
Nas conversas, foi apontado como suposto autor o petista Alencar Ferreira, secretário-executivo do Ministério do Trabalho na gestão do ex-presidente do partido Ricardo Berzoini. Ferreira nega envolvimento com o caso.
Após a reportagem da Folha, Berzoini e a candidata ao Planalto Dilma Rousseff disseram que cartas apócrifas não podem ser atribuídas a partido algum. O primeiro dos documentos do dossiê, contudo, refere-se ao PT.
Diz o papel que, se a escolha do presidente da Previ ficasse restrita à cúpula do BB, o fundo e seus associados enfrentariam riscos. O documento ressalta que Caffarelli não é petista (ele não é filiado a partido) e o acusa de ter feito aplicações desastrosas.






Debate da Band


Em ritmo frenético, quatro candidatos tentavam explicar tudo em 2 minutos

DILMA E MARINA VACILARAM BEM MAIS VEZES DO QUE SERRA E PLÍNIO, MAS NINGUÉM FOI AO CHÃO

MARCELO COELHO
COLUNISTA DA FOLHA

Numa espécie de autoespetáculo, a Band começou com uma orquestra ao vivo, tocando sua vinheta. Mas o conjunto clássico era bem modesto, e o quarteto dos candidatos tratou logo de se adaptar a um ritmo frenético.
Como dizer algo consistente sobre educação, saúde ou segurança em dois minutos? E como apontar qual desses temas é o mais importante? Os candidatos falaram de tudo, ou pelo menos de tudo o que cabia no tempo, quando não se esqueciam do que lhes tinha sido perguntado.
Acredita-se que a atenção do espectador só se fixa por um minuto e meio de cada vez; daí a picotagem do tempo na TV. Mas um autor francês, Christian Morel, lembra que nos "reality shows" passam-se horas sem que nada aconteça. Até que seria uma boa ideia: em vez de debates tensos e artificiais, em que temas se embolam até ninguém entender mais nada, poderíamos internar Dilma, Serra, Marina e Plínio numa mansão, durante uns dias.
A internet transmitiria tudo em tempo real. Cada partido editaria, depois, as cenas como bem quisesse. Seria instrutivo, e os candidatos não são de fazer baixaria.
Serra parecia o único a acertar o passo com a própria respiração, e esperou os momentos certos para atacar. Dilma, nervosa, engasga muito e fala complicado; perdeu tempo demais, levando Plínio a aclarar, ou caricaturar, o que ela tentava dizer.
O candidato do PSOL não correu tanto, até porque sua mensagem era mais sumária e radical. Marina também se ressentiu da falta de prática: enquanto a sintaxe se estendia, voz e corpo davam pulinhos, como querendo saltar acima das pesquisas.
À medida que se polarizava entre Dilma e Serra, o debate entrou num embrulho de siglas e detalhes, com insuficiente discussão política. Parecia uma daquelas lutas de sumô, ao mesmo tempo rapidíssimas e pesadas, feitas de imobilidade e pressa, que só se decidem quando um dos participantes vacila e perde o equilíbrio. Dilma e Marina vacilaram bem mais vezes do que Serra e Plínio; mas ninguém se estatelou espetacularmente no chão.




Tucano apostou no confronto direto; petista bateu em FHC

DILMA, NOVATA EM DEBATES, E SERRA, VETERANO, PARECIAM NERVOSOS O QUE AJUDOU A CRIAR O CLIMA DE TENSÃO

VERA MAGALHÃES
da FSP

Apesar das regras extremamente amarradas, o primeiro debate presidencial não chegou a ser empolgante -até mesmo pela baixa audiência-, mas conseguiu ser menos morno do que se esperava graças à total polarização entre José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), que lideram as pesquisas.
Serra apostou tudo no confronto direto com Dilma. Tomando o cuidado de não resvalar para a grosseria com uma mulher, o que é sempre malvisto em pesquisas, e de não criticar Lula nominalmente, tentou colar no governo e na candidata -chamada de "ministra forte"- críticas à falta de investimentos e a falhas de infraestrutura.
Dilma apostou tudo na estratégia que o PT vem desenvolvendo desde seus programas de TV da pré-campanha: a comparação de realizações dos governos de Lula e de Fernando Henrique Cardoso -que citou nominalmente, coisa que Serra evitou.
Serra usou as chances que teve de perguntar para inquirir diretamente a petista. Além de criticar o caos aéreo, a situação das estradas federais e o congestionamento dos portos, usou uma "pegadinha": perguntou a Dilma sobre a retirada de investimentos federais das Apaes, entidades que cuidam de crianças deficientes.
Deu certo: Dilma, que não deve ter estudado o assunto, gaguejou, mostrou nervosismo e deu resposta confusa e genérica. Para evitar novo choque direto no segundo bloco, preferiu dirigir sua pergunta a Marina Silva (PV) -e, assim, repetir sua proposta de combate ao crack.
No terceiro bloco, depois de se reunir com assessores, Dilma resolveu contra-atacar e proferiu uma pergunta direta a Serra, sobre dois programas do governo Lula -citado pela primeira vez por ela nominalmente. Serra disse que o Luz para Todos é originário do Luz no Campo, e Dilma retrucou com números.
Brifada no intervalo, voltou à questão das Apaes, dizendo que elas estão incluídas no Fundeb. Serra aproveitou para voltar a tripudiar.
Dilma, novata em debates, e Serra, veterano, pareciam nervosos -ela mais que ele- o que ajudou a criar o clima de tensão entre eles. Com o foco concentrado nos líderes, Marina e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) ficaram mais como espectadores.
Ainda assim, Plínio teve as grandes tiradas do debate, ao ironizar os adversários, dizer que são todos iguais e clamar pela chance de debater.
Marina tentou se apresentar como terceira via consistente, mas ficou esquecida em vários momentos do debate. Quando teve chance de fazer suas perguntas e aproveitar as réplicas, limitou-se a questões genéricas, sem conseguir encostar os favoritos na disputa nas cordas.

Serra e Dilma polarizam debate


Serra e Dilma polarizam debate, com foco em saúde e emprego
Tucano criticou o abandono dos mutirões de cirurgias da época em que era ministro e a petista comparou os 14 milhões de empregos da era Lula com os 5 milhões de FHC; Marina teve participação tímida e Plínio atacou ‘bom-mocismo’ de todos os rivais

Gabriel Manzano
do Estadão

O primeiro debate entre presidenciáveis na TV, que ontem reuniu, na Band, os candidatos José Serra (PSDB), Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), acabou se transformando em um duelo entre os dois primeiros, que Serra tentou puxar para a saúde e Dilma para números e realizações do governo Lula.

Em um dos poucos momentos mais fortes, o tucano chamou de "cruel" o abandono dos mutirões de cirurgias pelo atual governo e a petista comparou os 14 milhões de empregos da era Lula com os 5 milhões do governo FHC.

Foi um confronto morno, sem emoção, a não ser nas curtas e duras críticas de Plínio aos demais. Dilma sobreviveu, com certo nervosismo e algumas frases longas e genéricas, ao seu primeiro grande teste público. Ao final do programa - que foi moderado por Ricardo Boechat, e tendo como perguntadores os jornalistas Joelmir Betting e José Paulo de Andrade - a petista conseguiu passar os avanços do governo Lula e Serra, além de exibir sua familiaridade com a saúde, prometeu "estatizar" de novo empresas como os Correios, que em sua opinião foram aparelhados pelo PT.

Os quatro responderam sem surpresas à primeira questão, sobre qual seria sua prioridade entre saúde, educação e segurança. Plínio advertiu que nesses três "há um problema de desigualdade social" a ser enfrentado "com firmeza". Marina, com voz rouca, ressaltou educação, "porque a desinformação é responsável pela falta de oportunidade", mas elegeu a saúde, "porque o brasileiro não pode esperar mais nenhum momento". Serra disse que os três "são como três órgãos do corpo humano" e já adiantou que "criará um ministério para a segurança pública". Dilma disse que uma gestão não pode ter a prioridade pedida na pergunta, "tem de atender aos três, que são os pilares de um governo".

O embate Serra-Dilma começou em seguida. O tucano "convocou" Dilma para citar "as posições concretas" sobre os três temas. Ela agradeceu a chance de retomar o assunto e mencionou as unidades de polícia pacificadora (UPPs) do Rio. Na réplica, Serra citou "a consulta e o exame", esquecidos nos projetos de saúde, e introduziu na conversa os mutirões de saúde - tema que tornaria a mencionar nas fases seguintes do debate, já que Dilma discordou deles, por "não serem políticas estruturantes".

Dilma reagiu introduzindo a comparação Lula-FHC perguntando a Serra "qual a aprendizagem" como oposição e como situação? Ele avisou que como oposição, nunca jogou "no quanto pior, melhor". E que tratou a oposição "como adversária, não como inimiga". Marina reclamou da incapacidade de PT e PSDB de um "realinhamento histórico".

Movimentos sociais. Plínio arrastou Dilma para uma longa discussão de desmatamento, código florestal e limite das propriedades e jornada de trabalho. A petista pediu "respeito aos movimentos sociais", dizendo que não é papel do governo determinar a jornada.

Dilma provocou Serra sobre empregos, perguntando com vai fazer, depois de um governo que criou 14 milhões de empregos formais. Ele reagiu. "Não tem de fazer campanha com olho no retrovisor", disse o tucano. E a petista: "Acho confortável que esqueça o passado, mas não acho prudente. Em plena crise, tiramos 24 milhões de pessoas da pobreza". O tucano escapou criticando o estado das estradas federais. E em seguida quis saber por que o governo federal "está discriminando" entidades como as Apaes. O ex-ministra caiu na provocação: Ele cobrou: "Você, como ministra muito forte, como deixou que isso acontecesse?"

Na fase das perguntas de jornalistas, Joelmir perguntou a Dilma sobre os altos juros cobrados pelo atual governo. "Ela explicou que, com a estabilidade, eles tendem a cair. E José Paulo de Andrade questionou Serra sobre privatizações. Ele disse que "o Brasil continua com a maior taxa de juros do mundo". E vendeu a "nota fiscal brasileira". Sobre privatizações, prometeu: "Vou valorizar o patrimônio público. Não vou arrebentar empresas importantes, como os Correios."

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