Só não se falou até agora nessa campanha de corrupção, de mau uso de recursos públicos, da insuficiência de decoro no exercício do mandato delegado pelo voto
Saúde, educação, segurança pública, emprego, tudo isso é da maior importância, assuntos sem sombra de solução à vista e, portanto, com presença garantida nas agendas de todos os candidatos a presidente, governador, deputado ou senador. Fala-se também do meio ambiente, dos transportes, dos juros, da reforma agrária, fala-se até das forças revolucionárias da Colômbia, de Hugo Chávez e do carinho que nosso presidente da República nutre pelo ensandecido tirano do Irã.
Só não se falou até agora nessa campanha de corrupção, de mau uso de recursos públicos, da insuficiência de decoro no exercício do mandato delegado pelo voto.
É como se fossem dois mundos: no real há desconforto com os desvios de conduta e um rebuliço legal que pode alterar os modos da política por causa de um tema que a sociedade impôs ao Congresso; no ideal dos marqueteiros não existe roubalheira, fichas sujas nem parece que o Ministério Público pediu a impugnação de milhares de candidatos e que parte delas foi aceita pelos tribunais regionais eleitorais. Outra parte foi rejeitada, há contestações a serem resolvidas no Tribunal Superior Eleitoral e mais adiante o Supremo Tribunal Federal será chamado a se pronunciar a respeito
Muita gente notória (no bom e no mau sentido) caiu na malha fina, muita gente ainda pode cair. Ou não. Dependendo da decisão do STF – que dificilmente ocorrerá antes da eleição –, pode mudar muita coisa na cena política brasileira ou pode haver uma profunda frustração.
Seja como for, a Lei da Ficha Limpa, tirada a fórceps de um Congresso, reticente mexeu e mexe com pessoas e estruturas. O debate não terminou e sob nenhum aspecto pode ser considerado trivial.
Mesmo assim os candidatos, de um modo geral, por alguma razão resolveram não incluir na agenda eleitoral nem a tão falada corrupção que rendeu tantas CPIs, nem a lei que provocou inesperada e radical mudança na posição do Parlamento e terminou aprovada por unanimidade.
Qual será a razão da hesitação, constrangimento? Os partidos estariam com vergonha de si? Não se sentiriam em condições morais de abrir os debates a respeito? Teriam receio de morrer do mesmo veneno no contra-ataque do adversário?
Pode ser que seja conselho dos marqueteiros. Do mesmo jeito como são fidalgos entre si na combinação das regras mais restritivas possíveis nos debates de televisão para proteger seus contratantes de imprevistos, pasteurizam a pauta de assuntos. E os candidatos ficam rodando sobre o mesmo eixo com medo de desobedecer às fórmulas engendradas pelos gênios do horário eleitoral.
Ainda que isso atenue suas diferenças naturais, os tornem escravos de um roteiro elaborado a partir de pesquisas para fazer efeito em outras pesquisas. Ainda que permita que qualquer um seja qualquer coisa, pois ninguém sendo de verdade e com recursos todo mundo podendo ser inventado, ao fim e ao cabo os bons e os ruins parecem mais ou menos iguais.
Não contabilizados
Três vezes prefeito do Rio e agora candidato a senador, Cesar Maia tem uma explicação para a resistência dos partidos em declarar o nome dos financiadores no decorrer da campanha. “A perseguição. Depois de passada a eleição os nervos se acalmam. Quem está no governo e vence esquece. Se perder desaparece o poder de perseguir.”
Isso vale para os partidos na oposição. Mas, em tese, não deveria valer para os que estão no governo que igualmente se recusam a revelar os nomes dos doadores a não ser no fim do processo, como manda a lei. “Vai ver que os financiadores não querem ver seus nomes divulgados para não parecer que discriminam a oposição.”
Colegas
Fernando Henrique Cardoso e Plínio Arruda Sampaio foram colegas de curso primário, na década dos 40, em São Paulo. Frequentavam o colégio Perdizes com medalhas no peito: FH por causa das boas notas e Plínio pelo bom comportamento.
postado por Evaldo Torres * Fonte : Estadão em 10-08-2010
Comentários
(2)
'O que não falta em cima de mim é dossiê fajuto'
'O que não falta em cima de mim é dossiê fajuto', diz Serra
Candidato tucano colocou-se como vítima de espionagem do PT em evento com empresários em SP
Carolina Freitas
do Estadão
SÃO PAULO - O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, voltou nesta segunda-feira, 9, a colocar-se como vítima de suposta espionagem feita pelo PT. "O que não falta em cima de mim é dossiê fajuto e o que falta é achar alguma coisa que eu tenha feito errado", afirmou em entrevista coletiva após participar de evento com empresários em São Paulo. "Eu estou há décadas na vida pública e nunca teve uma acusação fundamentada de qualquer coisa de irregularidade. Minha vida pública é limpa do começo ao fim, apesar de todas essas tentativas de baixaria."
Serra fez os comentários ao ser questionado sobre a afirmação de um ex-diretor da Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, à Revista Veja desta semana. Segundo Gerardo Xavier Santiago, o fundo funcionaria como uma "fábrica de dossiês" contra a oposição do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Serra classificou o cenário apresentado por Santiago como "mais uma baixaria" que tentaram fazer contra ele e citou o caso do dossiê dos aloprados, de 2006.
O candidato classificou como "lamentável", mas "normal" a ausência da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, no evento "Candidatos à Presidência falam aos empreendedores do Brasil", organizado pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB). "A candidata Dilma tem evitado ao máximo debater e se expor. Não estão aqui fazendo nada diferente." Participam do evento ainda Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) e Marina Silva (PV). Cada candidato tem 20 minutos para expor suas ideias aos empresários e 40 minutos para responder às perguntas da plateia.
postado por Evaldo Torres * Fonte : Estadão em 10-08-2010
Comentários
(1)
Dilma Rousseff é entrevistada na bancada do Jornal
Dilma Rousseff é entrevistada na bancada do Jornal Nacional
A candidata do PT à Presidência da República concedeu entrevista ao vivo aos apresentadores William Bonner e Fátima Bernardes. A entrevista é parte de uma série com os três principais presidenciáveis.
imprimir
William Bonner: O Jornal Nacional dá início nesta segunda-feira a uma série de entrevistas ao vivo com os principais candidatos à Presidência da República. Nós vamos abordar aqui temas polêmicos das candidaturas e também confrontar os candidatos com suas realizações em cargos públicos. É claro que não seria possível esgotar esses temas todos em uma única entrevista, mas nas próximas semanas os candidatos estarão também no Bom Dia Brasil e no Jornal da Globo.
O sorteio realizado com a supervisão de representantes dos partidos determinou que a candidata do PT, Dilma Rousseff, seja a entrevistada de hoje. Nós agradecemos a presença da candidata. Boa noite, candidata.
Dilma Rousseff: Boa noite.
William Bonner: E informamos também que o tempo de 12 minutos da entrevista começa a contar a partir de agora. Candidata, o seu nome como candidata do PT à Presidência foi indicado diretamente pelo presidente Lula, ele não esconde isso de ninguém. Algumas pessoas criticaram, disseram que foi uma medida autoritária, por não ter ouvido as bases do PT. Por outro lado, a senhora não tem experiência eleitoral nenhuma até este momento. A senhora se considera preparada para governar o Brasil longe do presidente Lula?
Dilma Rousseff: Olha, William, olha, Fátima, eu considero que eu tenho experiência administrativa suficiente. Eu fui secretária municipal da Fazenda, aliás, a primeira secretária municipal da Fazenda de capital. Depois eu fui sucessivamente, por duas vezes, secretária de Energia do Rio Grande do Sul. Assumi o ministério de Minas e Energia, também fui a primeira mulher, e fui coordenadora do governo ao assumir a chefia da Casa Civil, que, como vocês sabem, é o segundo cargo mais importante na hierarquia do governo federal. Então, eu me considero preparada para governar o país. E mais do que isso, eu tenho experiência, eu conheço o Brasil de ponta a ponta, conheço os problemas do governo brasileiro.
William Bonner: Mas a sua relação com o presidente Lula, a senhora faz questão de dizer que é muito afinada com ele. Junto a isso, o fato de a senhora não ter experiência e ter tido o nome indicado diretamente por ele, de alguma maneira a senhora acha que isso poderia fazer com que o eleitor a enxergasse ou enxergasse o presidente Lula atualmente como um tutor de seu governo, caso eleita?
Dilma Rousseff: Você sabe, Bonner, o pessoal tem de escolher o que é que eu sou. Uns dizem que eu sou uma mulher forte, outros dizem que eu tenho tutor. Eu quero te dizer o seguinte: a minha relação política com o presidente Lula, eu tenho imenso orgulho dela. Eu participei diretamente com o presidente, fui braço direito e esquerdo dele nesse processo de transformar o Brasil num país diferente, num país que cresce, que distribui renda, em que as pessoas têm a primeira vez, depois de muitos anos, a possibilidade de subir na vida. Então, eu não vejo problema nenhum na minha relação com o presidente Lula. Pelo contrário, eu vejo que até é um fator muito positivo, porque ele é um grande líder, e é reconhecido isso no mundo inteiro.
Fátima Bernardes: A senhora falou de temperamento. Alguns críticos, muitos críticos e alguns até aliados falam que a senhora tem um temperamento difícil. O que a gente espera de um presidente é que ele, entre outras coisas, seja capaz de fazer alianças, de negociar, ter habilidade política para fazer acordos. A senhora de que forma pretende que esse temperamento que dizem ser duro e difícil não interfira no seu governo caso eleita?
Dilma Rousseff: Fátima, estava respondendo justamente isso, eu acho que têm visões construídas a meu respeito. Eu acho que sou uma pessoa firme. Acho que em relação aos problemas do povo brasileiro, eu não vacilo. Acho que o que tem que ser resolvido prontamente, nós temos que fazer um enorme esforço. Eu me considero hoje, até pelo cargo que ocupei, extremamente preparada no sentido do diálogo. Nós, do governo Lula, somos eminentemente um governo do diálogo. Em relação aos movimentos sociais, você nunca vai ver o governo do presidente Lula tratando qualquer movimento social a cassetete. Primeiro nós negociamos, dialogamos. Agora, nós também sabemos fazer valer a nossa autoridade. Nada de ilegalidade nós compactuamos.
Fátima Bernardes: Agora, no caso, por exemplo, a senhora falou de não haver cassetete, mas talvez seja a forma de a senhora se comportar. O próprio presidente Lula, este ano, em discurso durante uma cerimônia de posse de ministros, ele chegou a dizer que achava até natural haver queixas contra a senhora, mas que ele recebeu na sala dele várias pessoas, colegas, ex-ministros, ministros, que iam lá se queixar que a senhora maltratava eles.
Dilma Rousseff: Olha, Fátima, é o seguinte, no papel... Sabe dona de casa? No papel de cuidar do governo é meio como se a gente fosse mãe. Tem uma hora que você tem de cobrar resultado. Quando você cobra resultados, você tem de cobrar o seguinte: olha, é preciso que o Brasil se esforce, principalmente o governo, para que as coisas aconteçam, para que as estradas sejam pavimentadas, para que ocorra saneamento. Então tem uma hora que é que nem... Você imagina lá sua casa, a gente cobra. Agora, tem outra hora que você tem de incentivar, garantir que a pessoa tenha estímulo para fazer.
Fátima Bernardes: Como mãe eu entendo, mas, por exemplo, como presidente não tem uma hora que tem que ter facilidade de negociar, por exemplo, futuramente no Congresso, futuramente com líderes mundiais, ter um jogo de cintura ai?
William Bonner: O presidente falou em maltratar, não é, candidata?
Dilma Rousseff: Não, o presidente não falou em maltratar, o presidente falou que eu era dura.
William Bonner: Não, ele disse isso. A senhora me perdoe, mas o discurso dele está disponível. Ele disse assim: as pessoas diziam que foram maltratadas pela senhora. Mas a gente também não precisa ficar nessa questão até o fim da entrevista, têm outros temas.
Dilma Rousseff: É muito difícil, depois de anos e anos de paralisia, e houve isso no Brasil. O Brasil saiu de uma era de desemprego, desigualdade e estagnação para uma era de prosperidade. Nós tínhamos perdido a cultura do investimento...
William Bonner: Vamos falar de alianças políticas, o que é importante...
Dilma Rousseff: ...e aí houve uma força muito grande da minha parte nesse sentido, de cumprir meta, de fazer com que o governo Lula fosse esse sucesso que eu tenho certeza que ele está sendo.
William Bonner: A senhora tem agora nessa candidatura, além do apoio do presidente, a senhora também tem alianças, né?, formadas para essa sua candidatura. Por exemplo, a do deputado Jader Barbalho, por exemplo, a do senador Renan Calheiros, por exemplo, da família Sarney. A senhora tem o apoio do ex-presidente Fernando Collor. São todas figuras da política brasileira que, ao longo de muitos anos, o PT, o seu partido, criticou severamente. Eram considerados como oligarcas pelo PT. Onde foi que o PT errou, ou melhor, quando foi que ele errou: ele errou quando fez aquelas críticas todas ou está errando agora, quando botou todo mundo debaixo do mesmo guarda-chuva?
Dilma Rousseff: Eu vou te falar. Eu perguntava outra coisa: onde foi que o PT acertou? O PT acertou quando percebeu que governar um país com a complexidade do Brasil implica necessariamente a sua capacidade de construir uma aliança ampla.
William Bonner: Errou lá atrás?
Dilma Rousseff: Não. Nós não... O PT não tinha experiência de governo, agora tem. Agora... Nós não erramos e vou te explicar em que sentido: não é que nós aderimos ao pensamento de quem quer que seja. O governo Lula tinha uma diretriz: focar na questão social. Fazer com que o país tivesse a seguinte oportunidade: primeiro, um país que era considerado dos mais desiguais do mundo, diminuir em 24 milhões a pobreza. Um país em que as pessoas não subiam na vida elevar para as classes médias 31 milhões de brasileiros. Para fazer isso, quem nos apoia, aceitando os nossos princípios e aceitando as nossas diretrizes de governo, a gente aceita do nosso lado. Não nos termos de quem quer que seja, mas nos termos de um governo que quer levar o Brasil para um outro patamar, para uma outra...
William Bonner: O resumo é: o PT não errou nem naquela ocasião, nem agora.
Dilma Rousseff: Não, eu acho que o PT não tinha tanta experiência, sabe, Bonner, eu reconheço isso. Ninguém pode achar que um partido como o PT, que nunca tinha estado no governo federal, tem, naquele momento, a mesma experiência que tem hoje. Acho que o PT aprendeu muito, mudou, porque a capacidade de mudar é importante.
William Bonner: Vamos lá. Candidata, vamos aproveitar o tempo da melhor maneira. O PT tem hoje já nas costas oito anos de governo. Então é razoável que a gente tente abordar aqui alguma das realizações. Vamos discutir um pouco o desempenho do governo em algumas áreas, começando pela economia. O governo festeja, comemora muito melhoras da área econômica. No entanto, o que a gente observa, é que quando se compara o crescimento do Brasil com países vizinhos, como Uruguai, Argentina, Bolívia, e também com aqueles pares dos Brics, os chamados países emergentes, como China, Índia, Rússia, o crescimento do Brasil tem sido sempre menor do que o de todos eles. Por quê?
Dilma Rousseff: Olha, eu acredito que nós tivemos um processo muito mais duro no Brasil com a crise da dívida e com o governo que nos antecedeu.
William Bonner: Mais duro do que no Uruguai e na Bolívia, candidata?
Dilma Rousseff: Acho que o Uruguai e a Bolívia são países, sem nenhum menosprezo, acho que os países pequenos têm que ser respeitados, do tamanho de alguns estados menores no Brasil. O Brasil é um país de 190 milhões de habitantes. Nós tivemos um processo no Brasil muito duro. Quando chegamos no governo, a inflação estava fora do controle. Nós tínhamos uma dívida com o Fundo Monetário, que vinha aqui e dava toda a receita do que a gente ia fazer.
William Bonner: Correto, candidata. Mas a Rússia. A Rússia também teve dificuldades e é um país enorme...
Dilma Rousseff: Mas, só um pouquinho. Mas o que nós tivemos que fazer, Bonner. Nós tivemos que fazer um esforço muito grande para colocar as finanças no lugar e depois, com estabilidade, crescer. E isso, este ano, a discussão nossa é que estamos entre os países que mais crescem no mundo, estamos com a possibilidade de ter uma taxa de crescimento do Produto Interno Bruto de 7%.
William Bonner: Mas abaixo dos demais.
Dilma Rousseff: Não necessariamente, Bonner. Porque a queda, por exemplo, na Rússia... Sem falar, sem fazer comparações com soberba... Mas a queda da economia russa no ano passado foi terrível.
William Bonner: A senhora, de alguma maneira...
Fátima Bernardes: Vamos falar agora... Só um minutinho.
Dilma Rousseff: Criamos quase 1,7 milhão de empregos no ano da crise.
Fátima Bernardes: Candidata, vamos falar um pouquinho de outro problema, que é o saneamento. Segundo dados do IBGE, o saneamento no Brasil passou de 46,4% para 53,2% no governo Lula, um aumento pequeno, de 1 ponto percentual mais ou menos, ao ano. Por que o resultado fraco numa área que é muito importante para a população?
Dilma Rousseff: Porque nós vamos ter um resultado excepcional a partir dos dados quando for feita a pesquisa em 2010. Talvez, Fátima, uma das áreas em que eu mais me empenhei foi a área de saneamento. Porque o Brasil, só para você ter uma ideia, investia menos de R$ 300 milhões, o governo federal, menos de R$ 300 milhões no Brasil inteiro. Hoje, aqui no Rio, numa favela, aqui, a da Rocinha, em que eu estive hoje, nós investimos mais de R$ 270 milhões.
Fátima Bernardes: Mas, candidata, esses são dados de seis anos. Quer dizer, esse resultado que a senhora está falando... vai aparecer de um ano e meio para cá?
Dilma Rousseff: O que aconteceu. Nós lançamos o Programa de Aceleração do Crescimento, para o caso do saneamento, na metade de 2007. Começou a amadurecer porque o país parou de fazer projetos, prefeitos e governadores. Apresentaram os projetos agora, em torno do início de 2008, e aceleraram. Eu estava vendo recentemente que nós temos hoje uma execução de obras no Brasil inteiro. Aqui, Rocinha, Pavão-Pavãozinho, Complexo do Alemão. Obras de saneamento, obras de habitação. A Baixada Santista, no Rio, e a Baixada Fluminense aqui no Rio de Janeiro, ela teve um investimento monumental em saneamento.
Fátima Bernardes: A gente gostaria agora que a senhora, em 30 segundos, desse uma mensagem ao eleitor, se despedindo então da sua participação no Jornal Nacional.
Dilma Rousseff: Olha, eu agradeço a vocês dois e quero dizer para o eleitor o seguinte: o meu projeto é dar continuidade ao governo do presidente Lula. Mas não é repetir. É avançar e aprofundar, é basicamente esse olhar social, que tira o Brasil de uma situação de país emergente e leva o nosso país a uma situação de país desenvolvido, com renda, com salário decente, com professores bem pagos e bem treinados. Eu acredito que o Brasil... É a hora e a vez dele. E que nós vamos chegar a uma situação muito diferente, cada vez mais avançada agora no final de 2014, deste governo.
Fátima Bernardes: Muito obrigada, candidata, pela sua participação aqui na bancada do Jornal Nacional. Amanhã, a entrevistada ao vivo aqui no Jornal Nacional será a candidata do PV, Marina Silva.
postado por Evaldo Torres * Fonte : Estadão /Youtube em 10-08-2010
Comentários
(1)
Nós, as mulheres
ELIANE CANTANHÊDE
da FSP
Nós, as mulheres
BRASÍLIA - Dados processados pelo Datafolha e analisados pela socióloga Fátima Pacheco Jordão para o Instituto Patrícia Galvão têm uma boa dica sobre a tendência de alta de Dilma Rousseff e de queda de José Serra: o tucano vem perdendo força no eleitorado feminino. Caiu de 45% para 38% aí.
Um dado que causa "frisson" nas duas campanhas é que o maior contingente de indecisos nesta eleição é de mulheres. Mauro Paulino, do Datafolha, já mostrara que 19% das nordestinas dizem não saber em quem votar. Agora, mais: na pesquisa espontânea, 59% das mulheres não citam candidato nenhum.
Em maio, a eleição já pegava fogo... mas só nos partidos, na imprensa, nos setores mais informados da opinião pública. No resto, não era bem assim. Eu estava no cabelereiro (olha eu dando corda para os xiitas...), lendo o perfil de Dilma, publicado em duas páginas na Folha, quando a moça que é um misto de gerente e secretária olhou a foto dela e perguntou: "Essa aí é a deputada da bolsa?"
Sim, ela confundiu Dilma com a deputada distrital Eurides Brito, a do escândalo do ex-governador Arruda no DF. Não sabia quem era Dilma, quanto mais que era a candidata do Lula. E não estamos falando de uma mulher pobre do interior, mas de uma moça arrumada, expressando-se adequadamente, em plena capital da República.
Passam-se os meses, e 19% das mulheres nordestinas, como ocorria com a mocinha do DF, provavelmente não conhecem os candidatos, não sabem que Dilma é a eleita de Lula e têm mais o que fazer.
Seja por falta de tempo, de vontade, de informação, ou porque são mais desconfiadas e responsáveis e deixam para optar na última hora, o fato é que as mulheres podem decidir a eleição. Candidatos e candidatas só pensam em seduzi-las.
Chegamos a uma equação simples: se a política é que move o mundo e se as mulheres é que definem de fato a política, logo... as mulheres é que movem o mundo!
postado por Evaldo Torres * Fonte : Folha de São Paulo em 10-08-2010
Comentários
(1)
Iraniana não será apedrejada
Iraniana não será apedrejada, mas permanece condenada à morte
Agora sentenciada por assassinato, Sakineh deve ser enforcada, diz embaixada do Irã na Noruega
Jamil Chade
do Estadão
GENEBRA - O governo do Irã indica que a iraniana Sakineh Ashtiani, condenada à morte por adultério, deve ser enforcada, e não mais apedrejada, como havia sido estabelecido pela Justiça da República Islâmica. A nova decisão se deve ao fato de Sakineh ter sido agora condenada por assassinato. A informação foi divulgada nesta segunda-feira, 9, pela embaixada iraniana na Noruega.
Nesta segunda, o Itamaraty confirmou ao Estado que fez uma oferta oficial a Teerã para receber a iraniana como refugiada. A Noruega passou a intervir no caso e conseguiu receber o advogado foragido de Sakineh e dialogando com o Irã para garantir sua proteção.
"O apedrejamento é muito raro no Irã. Já foi decidido que essa mulher (Sakineh) não será apedrejada", disse Mohammad Hosseini, diplomata iraniano em Oslo. Segundo ele, a iraniana foi condenada de fato por assassinato e sua vida apenas seria poupada apenas se a família do marido morto pedisse. "O juiz já tomou sua decisão. Agora, está nas mãos deles se ela será enforcada ou solta", indicou.
Ele insistiu, porém, que há "pouca simpatia por uma mulher que trai". "Todos querem viver e ela deveria ter pensado nisso antes de trair. Agora, está condenada por assassinato", disse o diplomata. Grupo de direitos humanos acusam o governo de ter modificado a condenação para justificar agora sua execução e de estar dando declarações desencontradas para confundir a defesa da iraniana.
Para Mina Ahani, que lidera um grupo de ativistas na Europa, apenas a pressão internacional pode evitar a execução de Sakineh. Ahani lembra que foi a atuação da Noruega que garantiu que a família do advogado de Sakineh fosse liberada da prisão no Irã nos últimos dias.
Há uma semana, a Corte Suprema do Irã negou um pedido dos advogados de defesa para rever o caso, o que indicaria que a sentença de morte estaria mantida. Uma decisão sobre como Sakineh seria executada seria anunciada nesta semana. Mas seu advogado, Mohammad Mostafaei, acredita que o regime iraniano sabe que, com a publicidade internacional sobre o caso, estará dando um tiro no pé se a executar de fato.
No sábado, Mostafaei desembarcou na Noruega, depois de ter fugido do Irã para a Turquia. A liberação veio depois que o governo da Noruega discretamente passou a intervir no caso e lhe ofereceu asilo.
postado por Evaldo Torres * Fonte : Estadão em 10-08-2010
Comentários
(1)
Líder colombiano anuncia reatamento com Chávez
Líder colombiano anuncia reatamento com Chávez
Em véspera de reunião, Santos diz a Lula que relação será restabelecida
Presidentes se reúnem hoje no local da morte de Simón Bolívar, herói da independência dos 2 países e ídolo de Chávez
FLÁVIA MARREIRO/SIMONE IGLESIAS
da FSP
O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos avisou ontem, por telefone, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva que nas próximas horas serão restabelecidas as relações com a Venezuela.
O presidente venezuelano, Hugo Chávez, rompeu a relação com o país vizinho em 22 de julho, após denúncia do ex-presidente Álvaro Uribe na OEA (Organização dos Estados Americanos).
Na ocasião, Bogotá acusou Caracas de dar abrigo em seu território a guerrilheiros das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).
No telefonema, Santos agradeceu a Lula por interferir no assunto tentando auxiliar no restabelecimento das relações diplomáticas.
Mais cedo, em São Paulo, Lula dissera ser um "otimista inveterado" quanto à possibilidade de que Colômbia e Venezuela se entendam.
Ao lado do colega salvadorenho, Mauricio Funes, Lula classificou Santos de "experiente" e disse: "Que Deus o abençoe para que construa a paz que todo mundo quer".
O brasileiro recebe o colega colombiano, em sua primeira viagem internacional no cargo, em 1º de setembro.
Santos, recebe hoje Chávez com a expectativa de iniciar o processo de normalização das relações bilaterais.
O cenário será a simbólica quinta de San Pedro Alejandrino, na cidade de Santa Marta, onde morreu Simón Bolívar (1783-1830), herói da independência da Venezuela e da Colômbia e figura reverenciada por Chávez.
MENOS MICROFONE
Para a analista Socorro Ramírez, do Grupo Venezuela-Colômbia da Universidade Nacional de Bogotá, o que importa no encontro de hoje em Santa Marta é "rodear de solidez" a boa vontade que permitiu a rápida articulação diplomática entre Caracas e Bogotá, três dias após a troca de governo na Colômbia.
No último dia de governo, Uribe instruiu seu advogado pessoal a levar ao Tribunal Penal Internacional a queixa contra Caracas.
Anteontem, quando Chávez anunciou o encontro com Santos na TV e aproveitou para chamar mais uma vez Uribe de "lacaio do Império", o ex-presidente colombiano respondeu por meio de sua conta no Twitter: "Notifico o presidente Chávez para que deixe de ser covarde, lançando insultos à distância".
Para Ramírez, coisas assim têm de acabar para que reaproximação dê frutos. "O primeiro passo é deixar a diplomacia do microfone."
postado por Evaldo Torres * Fonte : Folha de São Paulo em 10-08-2010
Comentários
(1)
A saga do Mercosul
A saga do Mercosul
Rubens Barbosa
no Estadão
A 29.ª Reunião do Conselho do Mercosul, realizada em San Juan, na Argentina, no início de agosto, ocorreu num momento particularmente delicado para os países da América do Sul.
A temperatura entre a Colômbia e a Venezuela, em consequência das acusações do então presidente Álvaro Uribe sobre a presença das Farc em território venezuelano, subiu a um ponto crítico com mobilização de tropas na fronteira. No âmbito da Unasul, os esforços diplomáticos para reduzir a crise fracassaram, pela ausência de uma clara liderança que pudesse produzir pontos de convergência e pela omissão de seu presidente, Néstor Kirchner, que nem sequer compareceu ao encontro.
A Venezuela ameaça suspender o fornecimento de petróleo aos EUA caso seja atacada por forças militares colombianas. Se isso vier a ocorrer, o que não parece provável, em vez de afastar os EUA do centro da controvérsia entre países sul-americanos, como quer o Brasil, Washington passaria a ter papel crucial. Como perto de 13% do petróleo consumido pelos EUA vem da Venezuela, a questão se transformaria em tema de segurança nacional e determinaria a tomada de medidas drásticas por Washington para defender seus interesses.
Chile e México decidiram reconhecer o governo de Honduras, deixando o Brasil isolado com os países bolivarianos contra o reingresso de Tegucigalpa na Organização dos Estados Americanos (OEA). As Farc passaram a ser tema na campanha presidencial brasileira, quando foram lembrados antigos laços do PT e de alguns de seus dirigentes com o movimento guerrilheiro colombiano.
Enquanto os problemas institucionais do Mercosul persistem e a desintegração regional se amplia com a crise Colômbia-Venezuela, o governo brasileiro parece estar mais preocupado com o conflito no Oriente Médio e em encontrar uma fórmula para resolver as divergências entre a comunidade internacional e o Irã, em razão do controvertido programa nuclear de Teerã.
As críticas do candidato da oposição José Serra ao Mercosul e a suas deficiências institucionais ecoaram fortemente na reunião presidencial.
O ministro Celso Amorim, em entrevista ao jornal Clarín, de Buenos Aires, na semana passada, disse que "as críticas ao Mercosul e a possibilidade de seu retorno a uma área de livre-comércio significam um grande retrocesso" e que isso não vai ocorrer "porque representa interesses de curto prazo".
Em resposta indireta a Serra, certamente por inspiração brasileira, os presidentes afirmaram que o Mercosul é um desafio histórico, que compromete a vontade dos seus povos e constitui uma aliança estratégica para enfrentar os desafios do atual contexto internacional. Coincidência ou não, depois de mais de seis anos foram finalmente aprovados o Código Aduaneiro do Mercosul, a eliminação da dupla cobrança da Tarifa Externa Comum e a distribuição da renda aduaneira. Embora com prazos dilatados para entrarem em plena vigência, os acordos foram sinais positivos. Os presidentes reconheceram também a necessidade de avanços institucionais, recomendando retoricamente esforços adicionais para fortalecer o Parlamento, o mecanismo de solução de controvérsias e o sistema normativo, a fim de produzir resultados concretos para a integração regional.
O presidente Lula não perdeu a oportunidade de intrigar Serra com os países do Mercosul. Afirmou que "a elite, alguns empresários e políticos consideram perda de tempo a negociação com o Mercosul. Em vez de países pequenos, eles querem negociar com a Alca", numa distorcida e equivocada simplificação, que esquece os entendimentos com a União Europeia, aliás, sem avanços efetivos até aqui.
Em mais um exemplo da influência da política externa nas negociações comerciais, os países membros assinaram um acordo comercial com o Egito, de pouca relevância do ponto de vista econômico, mas politicamente correto, para fazer contraponto ao já assinado com Israel, e anunciaram a negociação de outros com a Jordânia, a Síria e a Autoridade Palestina. Continuaram as pressões sobre o Paraguai para aprovar a entrada da Venezuela no Mercosul.
Talvez o ato mais significativo assinado no encontro de San Juan tenha sido o Acordo sobre o Sistema Aquífero Guarani, em negociação desde 2004, regulando a conservação e o aproveitamento sustentável pelos países do Mercosul de uma das maiores reservas subterrânea de água doce do mundo, com mais de 1 milhão de km2. Foram igualmente aprovados nove projetos, no valor de US$ 800 milhões, para a construção de estrada no Paraguai e a implantação de linhas de transmissão elétrica na Argentina, no Paraguai e no Uruguai, financiados pelo Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul, em larga medida integralizados com recursos financeiros do Brasil.
Os presidentes dos países membros do Mercosul trataram da crise entre a Venezuela e a Colômbia e concluíram, sintomaticamente, propondo a convocação de nova reunião da Unasul, agora em nível presidencial.
Durante a última presidência do Mercosul no governo Lula, o Brasil quer discutir os próximos 20 anos do processo de integração, quem sabe acreditando que o PT nesse período estará à frente do governo no Brasil. Na impossibilidade de avanços concretos na área institucional, como evidenciado pelo desrespeito à Tarifa Externa Comum, reconhecido pelo próprio titular do Itamaraty, o Brasil quer promover um esforço adicional para aumentar a visibilidade do Mercosul, para apoiar a participação social e para fazer um balanço sobre os rumos futuros da integração regional. A distância entre a retórica dos governos e a realidade dos fatos continuará aumentando.
Com a recuperação das economias dos países membros, o comércio intra-Mercosul vai crescer, independentemente da existência do grupo como uma união aduaneira.
*EX-EMBAIXADOR EM WASHINGTON (1999-2004)
postado por Evaldo Torres * Fonte : Estadão em 10-08-2010
Comentários
(2)
Rapidinhas
AUGUSTO NUNES/VEJA
Nenhum país sobrevive a uma coisa dessas
O vídeo reúne trechos do debate na Band que mostram Dilma Rousseff tentando dizer algo. Confiram. É difícil acreditar que tantos jornalistas continuem tratando como candidata o que é uma fraude de alta periculosidade. Mais difícil ainda é entender por que os brasileiros que antes só riam de piadas agora aceitem a ideia de instalar uma delas na Presidência da República.
Vejam. Ouçam. E anotem: nenhum país sobrevive a uma coisa dessas.
AUGUSTO NUNES/VEJA
Celso Arnaldo: ‘Cada frase de Dilma no debate valeria uma internação no Sanatório’
São-paulino de brigar em botequim e único jornalista brasileiro especializado em dilmês, Celso Arnaldo teve de multiplicar-se, nesta quinta-feira, para ver o jogo sem ignorar o debate. O que viu e ouviu bastou para outra tomografia da mente inquietante da mais bisonha candidata da história do Brasil. Confira:
Ontem à noite tive de fazer uma Escolha de Sofia entre dois desastres anunciados: a eliminação de Dilma e a eliminação do São Paulo. Como são-paulino histórico, optei por esta – pelo menos fui recompensado com um time bem articulado, que soube responder aos ataques do Inter e esteve muito próximo da vitória consagradora.
Num momento de bola parada, zapeei para a Band. Vi uma jogadora de várzea tentando fazer duas embaixadinhas seguidas – perdeu a bola na primeira, bisonhamente:
– O Samu, que transporta crianças…
Perdão? O Samu, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, um dos raros serviços públicos de saúde com padrão de excelência, pelo menos em São Paulo, vai se tornar pediátrico no governo de Dilma?
Claro que não. Dilma não sabe o que é Samu — embora viesse incluindo esse programa como uma de suas falsas metas para a saúde. Dilma não sabe nada de coisa alguma.
No intervalo, retornei ao debate, justo quando Dilma tentava, agonicamente, explicar sua política para a inclusão social de deficientes – que ela chamou de “excepcionais”, um termo em desuso. A resposta foi tão deficiente que valeria sua exclusão automática do debate e da cena política brasileira.
Nem precisei ver o resto, continuei sofrendo com meu São Paulo. Mas aposto minha carreira profissional como cada uma de suas frases no debate de ontem valeria uma internação no Sanatório. E, cada uma, um milhão de votos a menos do Brasil que pensa.
Nesta manhã, ouvi umas cinco ou seis pessoas de minhas relações, que não leem a coluna de Augusto Nunes e nem acreditavam em mim, dizendo-se chocadas com o desempenho de Dilma. Alguma surpresa para nós? Esperávamos algo melhor da mais estapafúrdia, ofensiva e despreparada candidatura da história da República?
No fundo, sim. Despreparo, normalmente, é um estado temporário de ignorância. Qualquer pessoa na posse de faculdades intelectuais medianas pode se preparar em qualquer assunto que desconheça, com treinamento, leitura, estudo, afinco.
Não Dilma. Ela é impreparável. Ter sido jogada ao primeiro debate nesse estado rudimentar de pensamento sobre virtualmente qualquer tema não foi falha de seu staff de campanha. A falha é estrutural – é do cérebro de Dilma, um dos órgãos com menor eficiência e apetrechamento da máquina estatal brasileira em todos os tempos.
Do pouco que vi ontem e li hoje, o desempenho de Dilma no primeiro debate foi mais desastroso do que até os dilmólogos esperavam. Tão estarrecedor que até seus assessores mais próximos, os xiitas da campanha, devem ter entrado em desespero — porque há pelo menos mais quatro debates pela frente. Bem, isso pode até ser verdade, mas não em público. Os construtores da fraude se apressaram em mandar estampar hoje cedo como manchete principal do site oficial:
– Dilma estreia com vitória
Trecho do texto triunfal:
“Confiança, conhecimento e sinceridade na transformação do país. Foi o que Dilma Rousseff demonstrou no debate entre os candidatos na Rede Bandeirantes, na noite de quinta-feira. Dilma respondeu com elegância e profundidade às perguntas dos adversários e dos jornalistas da Band, mostrando que conhece a realidade do país e é a mais preparada para fazer o Brasil continuar avançando”.
Pior do que ver Dilma debatendo é olhar na cara dos filhos depois de escrever isso.
AUGUSTO NUNES/VEJA
Dilma acabou poupada do naufrágio numa noite em que foi mais Dilma que nunca
No primeiro bloco do debate, Dilma Rousseff não conseguiu completar uma única resposta no prazo combinado nem formular uma só frase sem espancar a gramática. Talvez por falta do que dizer, o desrespeito ao tempo diminuiu nos quatro blocos restantes. Em contrapartida, aumentou extraordinariamente o desrespeito ao português, associado à sequência impiedosa de atentados à lógica, à inteligência e à verdade. Na noite da estreia , a debatedora Dilma Rousseff foi o que tem sido Dilma Rousseff em comícios, entrevistas ou recados pelo twitter: um barco à deriva na iminência do naufrágio.
A performance confirmou que uma esquadra de sumidades que agrupa marqueteiros, consultores políticos, figurinistas, fonoaudiólogos, cabeleireiros, dermatologistas e outras modernidades pode até traçar a rota certa, mas não consegue levar a algum porto seguro embarcações irremediavelmente avariadas. Entre o “sem sombra de dúvidas” que abre a frase e a sílaba parada no ar que a encerra sem conseguir completá-la há um deserto onde só florescem sopas de letras insossas — “isso é muito importante”, “eu considero isso fundamental” — e rapapés ao amo e senhor. Não é possível reescrever um discurso sobre o nada. Em política não existem milagres.
Sem nada a perder, veterano de muitas derrotas, Plínio de Arruda Sampaio foi dispensado pela extensa milhagem eleitoral da apresentação de sintomas de nervosismo ─ e de ideias plausíveis. Órfã do PT e pouco à vontade na nova família ideológica igualmente em busca de identidade, Marina Silva tornou-se mais confusa. Bastou a José Serra um desempenho sofrível para ser melhor que os outros. Surpreendentemente tenso no início do debate, não demorou a recuperar a serenidade. Mas faltou o ânimo combatente sem o qual nenhuma performance será brilhante.
Serra deveria ter encurtado a procissão de estatísticas, buscado o confronto com Dilma mais energicamente e com mais frequência. Claramente superior à adversária, passou ao largo de temas que teriam dilatado a diferença. Permanentemente à beira do colapso verbal, Dilma esqueceu frases que tentou decorar, consultou papeis de 20 em 20 segundos, estacionou em vírgulas à procura da palavra que, repentinamente, sumira dali. Poderia ter afundado na mudez se instada a discorrer sobre as ligações incestuosas com as Farc, o casamento indecoroso com o Irã, os escorregões na mitomania, a parceria obscena com corruptos juramentados, o convívio promíscuo com a esquerda psicótica, a cumplicidade bandida com os mensaleiros, a usina de dossiês cafajestes, a opção preferencial pela mentira. Fora o resto.
Talvez não se deva esperar muito de um debate emparedado por regras e ritos que imploram pela aposentadoria. Quem ligou a TV no meio de algum bloco pode ter chegado ao intervalo sem descobrir que assistia a um debate. É preciso modernizar a fórmula ─ e, para tanto, é preciso remover com urgência o bolor e as teias de aranha que se acumulam na legislação eleitoral. O eleitorado merece o direito de acompanhar um duelo real entre os principais concorrentes.
Os poucos momentos que lembraram algo parecido com um debate, de todo modo, permitiram vislumbrar o que acontecerá quando Serra e Dilma travarem um duelo genuíno, com tempo suficiente para réplicas e tréplicas, livres de tantas amarras que proíbem o bom combate. A amostra desta quinta-feira confirmou que Dilma não escapará do nocaute. Basta que o oponente esteja disposto a desfechar o golpe que encerra a luta.
PV chama Plínio de Arruda de "burguês quatrocentão" após críticas a Marina
BRUNA FANTTI
da FSP
O presidente estadual do Partido Verde no Rio, Alfredo Sirkis, ironizou hoje Plínio de Arruda, candidato à Presidência pelo PSOL.
"Ele é um burguês quatrocentão que mora em um apartamento de R$ 1 milhão falando de uma menina pobre, nascida na floresta, que se alfabetizou aos 16 anos e passou fome", disse, em referência ao apelido de "ecocapitalista" dado por Plínio à candidata do PV à Presidência, Marina Silva, durante o debate televisivo de quinta-feira.
A declaração foi feita logo após um evento evangélico feminista promovido pelo movimento Projeto Nova Vida, na noite deste sábado, em Olaria, zona norte do Rio. Marina e Fernando Gabeira, candidato do PV ao governo do Rio, participaram.
Após ser chamada pelo pastor da igreja, Ezequiel Teixeira, ao palco como a "senadora e missionária Marina Silva", a candidata fez um discurso pautado em parábolas da Bíblia nas quais as qualidades femininas são vistas como as melhores para conduzir situações de crise.
Marina afirmou que não irá se preocupar com rótulos e que nos próximos debates dará mais ênfase à política externa do governo. Ela comentou a oferta do presidente Lula de asilo à iraniana Sakineh Ashtiani, condenada à morte por apedrejamento por suposto adultério.
"O Brasil tem que lutar, indiferentemente de concepções ideológicas, pelos direitos humanos e pela vida."
Indagada sobre o aborto, a candidata, que é evangélica da Assembleia de Deus, disse que concorda com "os argumentos previstos na legislação sobre o assunto".
Neste domingo, a candidata irá dar continuidade às gravações dos seus programas políticos e deverá ir para Fortaleza, para um encontro com ruralistas.
Após sangramento, ex-amante de goleiro deixa a prisão e é internada
DE BELO HORIZONTE - Fernanda Gomes Castro, ex-namorada do goleiro Bruno Fernandes, foi internada ontem após afirmar ter passado mal e sofrido um sangramento.
Ela deixou o Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto, em Belo Horizonte, onde cumpre prisão preventiva desde quinta-feira pelo suposto envolvimento no homicídio de Eliza Samudio.
Segundo o advogado Ércio Quaresma, ela teve um sangramento na região uterina e fez uma curetagem. Só hoje se saberá se ela estava grávida e abortou. Segundo a Subsecretaria de Administração Prisional de Minas, Fernanda não fez exame de gravidez ao entrar no presídio. Mais detalhes serão divulgados hoje.
Foi uma luta muito longa, difícil, cheia de obstáculos. Na Assembleia Nacional Constituinte de 1987, um grupo de cidadãos nos procurou com uma sugestão oportuna e corajosa: que a iniciativa de propor projetos de lei também pudesse emanar diretamente dos eleitores, isto é, que pudesse ser de iniciativa popular.
Surgiram argumentos contrários, muitos medos sem sentido e muitas cautelas hipócritas. Mas a ideia acabou sendo aprovada. A Carta Magna de 1988 deu à iniciativa popular o direito de propor projetos de lei, como consta do parágrafo 2.º do artigo 61, no qual estão definidas as cautelas, as exigências que garantem a representatividade da vontade do eleitor.
Para apresentar o projeto de lei a proposta depende da assinatura de, "no mínimo, um por cento do eleitorado nacional". Desse 1%, os signatários devem ser eleitores "em pelo menos cinco Estados" da Federação. E cada um deles "com não menos de três décimos por cento" do eleitorado. Como se pode ver, uma fórmula bastante prudente, com o objetivo de impedir a ação demagógica de lideranças ditatoriais, como as que vemos à nossa volta, aqui, na América Latina.
Promulgada a Carta de 88, as correntes que haviam liderado a ideia da proposta partiram para a hercúlea tarefa de fazer a coleta das assinaturas exigidas. As várias correntes, das mais diferentes origens, reuniam todos os que lutavam por um sistema eleitoral mais limpo e mais garantido.
Checar a identificação de cada signatário foi uma trabalheira incansável, minuciosa e rigorosamente honesta, que contou com a participação da Igreja Católica, de suas paróquias, de entidades sociais e culturais, de escolas, de cooperativas, de associações de moradores e de empresas. E, enfim, do eleitor que sonha com melhores costumes políticos.
Ao final, uma bela vitória: o número de assinaturas superou as exigências! Foi mais do que expressivo. Foi um grito de "basta!", saído da alma de milhões de brasileiros.
A preciosa carga foi entregue solenemente ao Congresso Nacional. Daí em diante, ficou tudo por conta do Poder Legislativo. Cabia a ele, após verificar o atendimento das exigências, discutir o projeto nas comissões e no plenário e, por fim, aprová-lo.
Foi uma longa espera, durante a qual o País sofreu o vexame de suportar a mais deslavada feira de corrupção política de todos os tempos. Nunca antes o Brasil viveu dias tão sujos, tão pornográficos, tão cínicos!
Mais do que nunca ficaram evidentes o dever e a obrigação dos partidos de não inscreverem, em suas chapas, candidatos envolvidos em irregularidades de qualquer natureza, principalmente no trato da coisa pública.
Que o nosso sistema eleitoral é frágil e permissivo, isso todos sabemos. Também sabemos que esse voto proporcional - para todas as Casas Legislativas do País, à exceção do Senado Federal - é um tipo de voto que frauda o desejo e a intenção do eleitor. O eleitor escolhe um e acaba elegendo outro! Por isso é necessário que esse outro também seja confiável. Mesmo com instituições frágeis, pessoas que cultivam valores morais revelam firmeza de comportamento. Ninguém é obrigado a ser desonesto.
O escândalo dos Correios, o escândalo do mensalão do PT, o escândalo do desgoverno de Brasília e todos os outros provam essa tese. A compra de consciências para garantir maiorias obedientes, para aprovar leis suspeitíssimas, para administrar só por medidas provisórias, tudo isso não significa que as instituições é que sejam fracas. Até pelo contrário, fica bem claro que as falcatruas decorrem da falta de caráter dos corruptores e dos corrompidos.
Daí a importância de os brasileiros exigirem políticos com ficha limpa. Quem tem de impor essa exigência nacional são os partidos. É deles a responsabilidade de, na hora de organizar as chapas para as eleições, impedir que os fichas-sujas possam concorrer.
Muitos tentarão burlar esse desejo da maioria de nosso povo. Vão-se basear na expressão "ninguém será julgado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória", que consta do artigo 5.º da Constituição. Tudo bem. Ninguém é contra essa ressalva garantidora. Mas ninguém desconhece, também, o fato de que são longos, difíceis e às vezes quase impossíveis de vencer os prazos, os recursos, os embargos e tudo o mais que atravanca o andamento de processos no nosso Judiciário!
O problema é que os prazos entre as eleições são sempre curtos, enquanto os prazos para sentenças penais, tramitadas em julgado, são sempre muito longos!
Onde estão os políticos flagrados em plena delinquência? Quem já foi atingido por sentença penal transitada em julgado? Quantos estão impedidos de disputar nessas condições? Quem está preso, cumprindo pena? Qual o resultado positivo?
Vamos continuar aguardando o Judiciário? Não dá.
Agora é a hora dos partidos. Dia 3 de outubro vai ser a hora do eleitor. Quem vai ter o poder de não aceitar as inscrições? Os partidos. Só depende deles o Brasil continuar sendo uma democracia de respeito. Só eles, sem ofender o inciso do artigo 5.º da Lei Maior, podem rejeitar quem pretenda usar suas legendas como abrigo.
O candidato está indiciado? Desviou dinheiro público? Usou caixa 2? Bancou corrupção? Ficou rico de repente? Tomou parte em licitações de cartas marcadas? Organizou milícias? Invadiu propriedades? É protegido do crime organizado?
Dá para ser prudente, não dá? Mas se, para tristeza nossa, os partidos abrirem vaga na legenda para os fichas-sujas, cabe a você, eleitor, barrar esses mesmos fichas-sujas na urna.
Eleitor de alma limpa só vota em ficha-limpa!
*PROFESSORA, JORNALISTA, FOI DEPUTADA FEDERAL CONSTITUINTE, FUNDOU E PRESIDIU O BNH
NO GOVERNO CASTELO BRANCO
postado por Evaldo Torres * Fonte : Estadão em 09-08-2010
Comentários
(3)
PMDB lidera a lista dos barrados por Ficha Limpa
PMDB lidera a lista dos barrados por Ficha Limpa
Partido soma 23 candidaturas indeferidas no país e é seguido pelo PP (15)
Apuração revela um total de 151 candidatos barrados devido a condenação na Justiça ou em tribunal de conta
da FSP
O PMDB é o partido que tem a maior "bancada" de candidatos barrados pelos TREs (Tribunais Regionais Eleitorais) por conta da aplicação da Lei da Ficha Limpa. A legenda soma 23 candidaturas indeferidas no país.
O levantamento feito pela Folha ontem nos 27 TREs dos Estados apontou o PP em segundo lugar na lista dos partidos com candidatos considerados "fichas-sujas", com 15 barrados pelos tribunais, à frente do PR e do PTB, ambos com 12 políticos nessa situação.
Na sequência do ranking das legendas com candidaturas indeferidas aparecem o PSDB (dez), PSB e PDT (ambos com oito) e DEM (seis).
Dentre os grandes partidos, PV e PPS tiveram cinco políticos considerados "fichas-sujas". O PT teve três candidaturas barradas.
A apuração da Folha em todos os TREs do país apontou um total de 151 candidaturas indeferidas em todo os país até as 20h de ontem.
A nova lei proíbe a candidatura de pessoas condenadas por órgãos colegiados do Judiciário -como os TJs (Tribunais de Justiça)- ou de controle de finanças públicas, como o TCU (Tribunal de Contas da União).
O TRE do Ceará foi o que mais barrou políticos -total de 25. Em Rondônia, o TRE vetou 23 candidaturas. A corte de Minas indeferiu 16 inscrições. O tribunal de Pernambuco barrou 14 políticos, e o do Rio, dez candidatos.
Os números nacionais da aplicação da Lei da Ficha Limpa devem crescer nas próximas semanas, pois o TRE de São Paulo deve começar hoje o julgamento de cerca de 60 impugnações de candidaturas feitas pelo Ministério Público Eleitoral com base na nova legislação.
Também nos próximos dias, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) deve receber os recursos dos candidatos barrados pelos TREs estaduais.
Os políticos que tiveram suas candidaturas liberadas pelos TREs também poderão ser alvo de recursos das procuradorias eleitorais dos Estados, e ainda poderão ser impedidos de concorrer nas eleições de outubro.
Segundo o calendário eleitoral, a data para apreciação das causas pelo TSE vai até 19 de agosto. Os derrotados ainda poderão apelar ao STF (Supremo Tribunal Federal).
*(ALINE PELLEGRINI, ELIDA OLIVEIRA, FILIPE MOTTA E FLÁVIO FERREIRA)