Ataques a gestão tucana em SP marcam primeiro debate de candidatos a governador por Rodrigo Alvares
Adriana Carranca, Malu Delgado, Jair Stangler e Rodrigo Alvares
do Estadão
Alvo de ataques, Alckmin contra-atacou acusando aliança entre petismo e malufismo
O primeiro debate entre os candidatos ao governo do Estado de São Paulo foi marcado pelas críticas aos 16 anos de gestão tucana no Estado e ao candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, que governou o Estado entre 2000 e 2006. A gestão do PSDB em áreas como Saúde, Educação, Transportes e Segurança Pública foram abordadas repetidas vezes pela oposição, com Aloizio Mecadante (PT) à frente. “Todos aqui estão vendo a solidão do PSDB nesse debate”, disse o senador, acompanhado por Paulo Skaf (PSB), Celso Russomanno (PP), Paulo Bufalo (PSOL), e Fabio Feldmann (PV). “Você que está em casa está vendo aqui uma aliança entre o petismo e o malufismo”, falou Alckmin, visivelmente irritado, no início do quarto bloco.
O presidenciável tucano, José Serra, chegou ao estúdio por volta das 21h40 e foi muito assediado por jornalistas e aliados. O ex-governador paulista deixou a Band pouco mais de uma hora depois irritado. Afirmou que os números citados pelos outros candidatos estavam todos errados.
Veja como foi o debate:
00h13 – O apresentador Boris Casoy encerra o debate.
00h12 – Russomanno lembra a morte da mulher por falta de atendimento médico e diz que sabe o que eleitor sente. “Eu vou priorizar as pessoas, porque você é gente.”
0h11 - Políticos de todos os partidos deixam o estúdio no último intervalo, com destaque para Paulo Maluf. Tucanos reclamam de um “complô” contra Geraldo Alckmin.
00h10 – Skaf lembra que reclamava muito da administração pública e da política e que foi Lula quem lhe disse: “Skaf pare de reclamar e entre para a política”
00h09 – Paulo Bufalo critica PT e PSDB em suas considerações finais. “FHC vetou investimentos em Educação e o governo Lula manteve os vetos”
00h07 – Mercadante: “Você sinceramente acha que a segurança pública vai bem? A educação em São Paulo pode continuar como está? Acho que você pensa como eu. O PSDB teve 16 anos e não fez. Eu acho que dá para mudar. Eu vou assumir para resolver. Sem culpar os outros. Mudar o que precisa ser mudado.”
00h05 – Alckmin diz que tem mais experiência e propõe avançar ainda mais na educação, na saúde e “reduzir ainda mais os índices da segurança”. “Com Serra presidente, unidos pelo Brasil, e com você, nós vamos poder fazer ainda mais”.
00h03 – Candidatos fazem suas considerações finais. Fabio Feldmann destaca que o eleitor tem, neste ano, com a candidatura de Marina à Presidência, a chance de quebrar o plebiscito entre PT e PSDB.
00h02 – Políticos de todos os partidos deixam o estúdio no último intervalo, com destaque para Paulo Maluf. Tucanos reclamam de um “complô” contra Geraldo Alckmin.
23h57 – Russomanno defende mais paradas para o Trem Bala, não apenas em Campinas. Alckmin diz que o Trem Bala ainda precisa sair do papel. “Oito anos depois, nada. Tem uma ideia, que nós vamos ajudar. Mas ainda não saiu do papel.”
23h56 – Fora das câmeras, Mercadante ri da afirmação de Alckmin de que “o governo federal não investiu no metrô de São Paulo.
23h53 - “Inacreditável”, diz Mercadante. Segundo o petista, o tucano está culpando o governo federal pelas coisas que não foram feitas em São Paulo. E diz que apresentará uma lista dos hospitais que o governo Lula ajudou a construir em SP. Alckmin ainda acusa o governo Lula de não investir “nenhum centavo” no Metrô.
23h51 – Na réplica, Alckmin cita investimento em esgoto de R$ 1 bilhão na Baixada Santista. O tucano ainda acusou o governo de tirar R$ 2 bilhões em saneamento de São Paulo tributando as empresas.
23h49 – Ainda sobre meio-ambiente, Mercadante defende uma política de preservação dos mananciais. “Não podemos achar que vamos resolver o problema da água destruindo nossas reservas. E precisamos dar prioridade ao problema do saneamento. O tratamento de esgoto é fundamental, ajuda a recuperar os mananciais”
23h45 – Skaf defende a aprovação do novo Código Florestal. Na réplica, Feldmann afirmou que o novo código é “o Brasil do século 19″. Skaf diz que está muito clara a proposta de evitar o desmatamento. “Temos de buscar o equilíbrio, conciliar o aspecto ambiental e também o desenvolvimento econômico e social”.
23h40 – Em resposta a Alckmin, Russomanno diz que não está no debate para agredir ninguém e defende Paulo Maluf: “fez mais do que esse governo do que o governo tucano em 15 anos”.
23h34 – Joelmir Beting questiona Mercadante sobre gargalos da infra-estrutura em São Paulo e as obras para a Copa do Mundo de 2014. “São Paulo, a capital, tem todas as condições de sediar a abertura da Copa. O governo Lula colocou R$ 2,9 bilhões para fazer a ligação entre Congonhas e o Morumbi e até agora os tucanos não fizeram nada”, afirma o petista.” Alckmin critica problemas nos aeroportos e no porto de Santos, que são responsabilidade do governo federal. Alckmin diz que o governo do Estado não vai colocar dinheiro público para fazer estádio. Mercadante diz que os tucanos abandonaram as ferrovias porque não dá para cobrar pedágio em rodovia.
23h32 – Na réplica, Mercadante diz que tucanos são incapazes de fazer uma auto-crítica e diz que vai criar uma agência de fomento. “São Paulo já tem uma agência de fomento”, responde Alckmin.
23h30 - “Você que está em casa está vendo aqui uma aliança entre o petismo e o malufismo”, falou Alckmin, visivelmente irritado, no início do quarto bloco. ” Todos aqui estão vendo a solidão do PSDB nesse debate”, diz Mercadante.
23h29 – Começa o quarto bloco. Jornalistas perguntam. José Paulo de Andrade questiona Alckmin sobre as vendas da Nossa Caixa e do Banespa. “Como o Estado se beneficiou e porque o Estado se desfez desses bens”. Alckmin: “O Banespa foi integralmente para pagar dívida que o Mário Covas não fez. Com a venda da Nossa Caixa, criamos um banco de fomento, que é muito mais importante.”
23h19 – Russomanno poderá fazer uma pergunta porque ninguém lhe perguntou nada ainda. Pergunta a Skaf o que o candidato do PSB fará pela Saúde. Skaf aproveita para fazer mais críticas: “Temos problemas na prevenção, que não há. Na marcação de exames. Há necessidade de um grande choque de gestão”. Russomanno defende que o médico atenda às pessoas em casa. Segundo ele ainda, “as pessoas estão morrendo por falta de UTI”. Na tréplica, Skaf diz que “a prevenção evitaria muita coisa”.
23h18 – Feldmann diz defender o Metrô, mas diz entender que é preciso investir em outras alternativas. “Hoje nós temos 6 milhões de veículos circulando em São Paulo.”
23h17 – Bufalo: “Eu gostaria de ter vindo de Metrô para cá. Mas as obras aqui são lentas, quando não paralisam ou até afundam. Os tucanos são mais lentos que o tatuzão.” Alckmin pede direito de resposta, mas não leva.
23h16 – Serra disse que saiu do estúdio para gravar seu programa eleitoral. O ex-governador paulista deixou a Band irritado. Afirmou que os números citados pelos outros candidatos estão todos errados.
23h14 – Bufalo: “nós queremos uma outra política, onde o Estado assuma sua responsabilidade”. Bufalo pergunta a Feldmann sua política para o transporte. O candidato do PV diz querer estimular transporte público e limpo e também o transporte não motorizado, como a bicicleta.
23h12 – Na réplica, Alckmin diz que em SP a saúde é pública, ‘diferente do governo federal’. Segundo o tucano, ‘o PT não fez uma cama aqui no Estado de São Paulo’
23h10 – Alckmin acusa o governo federal de não pagar combate ao crack em São Paulo e pergunta a Bufalo sua proposta. O candidato do PSOL critica governos estaduais e federal. Segundo ele, “ambos transformaram a saúde em mercadoria”.
23h06 – Mercadante pergunta a Skaf sobre a progressão continuada. O candidato do PSB diz que terminou com a prática no Sesi e diz que não houve evasão: “Ao contrário”. “Acho um absurdo essa história de os alunos irem passando de ano, postergando”. Na réplica, Mercadante critica os baixos salários dos professores em São Paulo: “13 Estados mais pobres pagam mais aos professores.” Segundo Skaf, “não há como promover uma revolução na Educação sem estar junto com o professor.”
23h03 – Skaf: “Eu ouço falar que o problema da droga é do governo federal. É verdade. Mas o problema do Estado é problema do Estado. Nós temos que cuidar das nossas divisas”. Na tréplica, Mercadante volta a citar o problema dos presídios, “onde o crime tomou conta”. Para resolver o problema do tráfico, precisamos agir dentro dos presídios, o que esse governo não fez”.
23h00 – Skaf cita epidemia de crack em SP e pergunta a Mercadante o que ele pretende fazer contra isso. Petista diz que “o crack é o problema mais sério de nossa juventude e deve ser o nosso inimigo número 1. Crack e violência andam juntos, deve ser objeto de uma política pública.” Volta a defender policiamento nas escolas e diz que vai criar clínicas para tratar dos viciados. “E em terceiro, a educação.”
22h55 – Feldmann pergunta a Alckmin que proposta o tucano tem para combater a obesidade. Alckmin diz que pretende lançar um grande programa de ginástica, o “Agita São Paulo”. Diz que pretende também tratar da questão da nutrição. “A maioria das doenças nós contraímos por maus hábitos. Saúde será minha prioridade.”
22h50 - Durante o intervalo, Serra deixou o estúdio e foi seguido por um batalhão de jornalistas.
22h47 – Alckmin pergunta para Feldmann qual o projeto qual a proposta do candidato para reduzir as emissões de caborno. O candidato verde diz que no seu governo, a prioridade será se preparar para as mudanças climáticas. Na réplica, Alckmin diz que vai expandir o Metrô como medida para combater as mudanças climáticas.
22h45 – Russomanno, na tréplica, diz que ‘hoje nós pagamos para o médico ficar preso no trânsito, indo de uma cidade para outra para ganhar mais’.
22h44 – Bufalo pergunta para Russomanno: “Qual sua proposta para evitar a privatização do sistema de Saúde em São Paulo?”. Nós vivemos na emergência”, responde o candidato do PP. “Precisamos fazer saúde preventiva”, diz. Bufalo diz que a saúde pública está abandonada e que vai investir no SUS.
22h41 – Feldmann defende uma ‘economia criativa’ para fazer frente à invasão chinesa. Na tréplica, Mercadante volta a criticar a educação no Estado de São Paulo. “Como vamos criar uma economia criativa sem educação?”
22h37 – O senador é questionado por Feldmann: “O que você propõe para a economia de São Paulo frente à invasão chinesa?”.Mercadante aproveita para criticar ainda mais os governos tucanos em São Paulo. ”Estamos perdendo competitividade por conta da política que o PSDB implementou nesses últimos 16 anos”. “Precisamos parceria com o governo federal. Hoje nós importamos mais do que exportamos.
22h35 – Russomanno critica a política, mal aparelhada. Mercadante na tréplica diz que o PCC tomou conta dos presídios e defende policiamento na porta das escolas. Diz que vai investir em prevenção. “Se o jovem tiver opção não vai para a droga, não vai para o crime.”
22h33 – Russomanno pergunta o que Mercadante fará para melhorar a situação da segurança no Estado. Mercadante aproveita para responder a Alckmin e dizer que tem ‘honra e orgulho’ por ter servido ao governo Lula e andado pelo Estado de São Paulo. Sobre segurança, o petista diz que vai investir na polícia comunitária e em inteligência. “Nós podemos mudar essa situação. Não podemos nos contentar com esse conformismo, usar um dado aqui e ali para dizer que as coisas não estão como estão.”
22h31 – Alckmin: “o senador é ótimo para criticar, mas eu não c0nheço nada que ele tenha feito por São Paulo. O Brasil inteiro investe 25% em educação, aqui em São Paulo investimos 30%”
22h30 – Para Mercadante, Alckmin está tentando defender o indefensável: “A escola de São Paulo não ensina, não avalia e não prepara para o futuro”.
22h27 – Mercadante critica a educação em SP e pergunta se ‘dá para defender o governo Alckmin. O tucano responde citando a queda da evasão escolar. “São Paulo vem crescendo ano a ano no Ideb. Nós temos mais de 200 mil alunos no estudo técnico e tecnológico e nós vamos agora unir os dois. O jovem que sai da Fatec, de cada 10, 9 saem empregados. Nós valorizamos os professores. Dei 40% de reajuste aos professores durante o meu governo. Nós vamos capacitar o professor. Temos dois professores no ler e escrever. Vamos avançar ainda mais”.
22h26 – Alckmin: “A terceira causa de morte no Brasil é acidente. Nós vamos fazer concessão para concluir o Rodoanel.
22h25 – Skaf: “As empresas que cobram pedágio ganham três vezes mais do que os bancos”
22h23 - Skaf questiona Alckmin sobre o pedágio. Tucano responde afirmando que o Estado de São Paulo tem as 10 melhores estradas do País. “Os acidentes caíram quase 40%. Veja como estão as rodovias federais, a rodovia da morte, a Régis Bittencourt. O modelo de concessão permitiu recuperar as estradas vicinais.”
22h16 - “A educação tem que ser essencial para preparar os alunos para o mercado de trabalho e para a universidade, mas, principalmente, para que o jovem se realize” Feldmann. “o importante é entender os desafios do século 21″
22h12 – Mercadante começa sua fala e atraca as condições da Saude, Educação e principalmente dos transportes no Estado. “Se aqueles que estão no governo não conseguiram implantar uma Educação de qualidade, devem perder a eleição”.
22h08 - O segundo a falar é Skaf. Ele também tece críticas à qualidade da Educação no Estado. “Pretendo imaplantar em todas as escolas do ensino fundamental o regime integral. Paulo Búfalo fala em combater as desigualdades sociais no País. “Vamos mostrar a diferença de nosso projeto”, afirma.
22h03 - Boris Casoy apresenta os candidatos. Ele explica as regras do debate. Uma pergunta da produção será respondida em dois minutos. O pedido de direito de resposta deve ser feito imediatamente. A primeira questão: “Na sua opinião, qual o problema mais urgente de São Paulo?”. Celso Russomanno começa o debate colocando em dúvida a qualidade do serviço público no Estado. “Infelizmente, nada funciona”, diz. E ressalta a demora em conseguir uma consulta em um hospital. “A polícia de SP é mais mal paga do País”. Também faz críticas à Educação.
22h - Começa o debate entre os candidatos ao governo de São Paulo na TV Bandeirantes.
21h55 – Presidente em exercício da Fiesp, Benjamim Steinbruch, está no estúdio para apoiar Paulo Skaf.
21h51 – O presidenciável José Serra é um dos últimos a chegar. Questionado se veio prestigiar Alckmin, Serra respondeu lacônico: “Prestigiar, prestigiar… não preciso prestigiar quem não precisa de prestígio. Eu vim acompanhar o candidato”.
21h48 – Paulo Skaf (PSB), Celso Russomanno (PP), Fabio Feldmann (PV) e Aloizio Mercadante já estão no palco. O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), acaba de entrar no estúdio, seguido de Geraldo Alckmin (PSDB).
21h35 – O mediador do encontro, o jornalista Bóris Casoy, sobe ao palco ao lado de Paulo Bufalo (PSOL) para testar o som: “Cuidado com o microfone aberto, que de vazamento eu entendo”.
Pré-debate
Paulo Maluf chegou há pouco e falou que “não estava triste e que ainda espera participar de muitos debates. “Participei do primeiro, em 1987 e tenho certeza que ainda vou participar de muitos aqui mesmo”.
Aloizio Mercadante (PT), Celso Russomanno (PP) e Paulo Skaf (PSB) dizem esperar uma discussão “positiva” sobre temas de interesse do eleitor. Contudo, eles deixaram claro que têm como estratégia desafiar Alckmin a apresentar números sobre questões que consideram frágeis dos governos tucanos.
postado por Evaldo Torres * Fonte : Estadão em 13-08-2010
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Ações do documento Vinhos de outras pipas
Ações do documento Vinhos de outras pipas
Dora Kramer
do Estadão
Obrigados pela lei a fabricar omissões onde a honestidade com o público requereria nitidez, os analistas da cena política são forçados a mentir no rádio e na televisão em suas análises sobre o desempenho dos candidatos presidenciais nesta temporada de debates e entrevistas.
De onde se produz, por exemplo, a obra de ficção segundo a qual Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva tiveram atuações "equivalentes" e que são mais ou menos iguais.
Só na cabeça de ervilha dos parlamentares inspiradores dessa legislação passa a ideia de que a opinião de comentaristas possa criar desigualdade a ponto de distorcer a vontade do eleitor. Por muito mais - o uso desbragado da máquina pública - o presidente da República investe diariamente no desequilíbrio do jogo.
Até pelo tempo de estrada, se José Serra se apresentasse no mesmo patamar das adversárias seria uma demonstração de incompetência com certidão passada em cartório do céu.
Serra já disputou várias eleições majoritárias (presidente, prefeito, governador e senador) e passou algumas dezenas de anos fazendo as coisas de modo a um dia concretizar o projeto de ser presidente.
Suas oponentes entraram nessa vida de exposição, cobranças e assédio praticamente anteontem, sendo que Dilma nunca pediu um voto e Marina se elegeu senadora por um Estado diminuto, o Acre.
Por essas e algumas outras a exigência do eleitor/telespectador em relação ao tucano é muito mais rigorosa.
A superioridade de Serra no assunto em pauta, o exercício da Presidência da República, é obvia e irrefutável. Tanto isso é verdade que os correligionários de Dilma comemoraram o fato de ela não ter tido uma atuação desastrosa. A candidata do PT leva vantagem neste aspecto: se não é péssima, fica convencionado que foi ótima.
Marina fica em certa desvantagem, pois a expectativa de que faça algo exótico e altamente estimulante do ponto de vista eleitoral é muito alta. No primeiro debate de televisão, por exemplo, a candidata do PV teve uma participação, digamos, normal.
Foi o suficiente para ser considerada a grande perdedora. Plínio de Arruda Sampaio, de quem não se esperava coisa alguma, conseguiu "vencer" e, de acordo com a tolice da estação, "bombar no Twitter", mesmo dizendo ligeirezas radicais. Alguém já pensou o que seria feito de Serra ou de Dilma se à meia-noite um dos dois olhasse fixo para a câmera e falasse olho no olho para "você camponês que está me ouvindo"?
Pois é, a avaliação do desempenho dos candidatos no debate da Band, nas entrevistas do Jornal Nacional/Jornal das Dez (Globonews), depende da perspectiva e da expectativa do público.
O PT já está fazendo um carnaval por aí, alegando que a dupla de entrevistadores do JN favoreceu José Serra. Não se vê, entretanto, provas disso. Qual o assunto que poderia ser abordado e não foi? Qual a pergunta que poderia ter sido feita e não foi?
A temática economia e Banco Central - um tanto elaborada para o público em questão - foi abordada mais tarde no noticiário da TV paga e Serra tirou de letra, ao contrário de ocasiões outras em que saiu de si e caiu na besteira de se irritar quando cobrado sobre o assunto.
A questão é que a prática tornou Serra afiado no treino e o plano de vida o fez acumular passivo menos polêmico. Não há - ao menos à vista - constrangimentos sérios com os quais possa ser confrontado.
Dilma, além de precisar responder pelos crimes dos outros ainda tem de ouvir se está preparada para ser presidente. A mesma pergunta para o tucano não faz o menor sentido, a não ser como forma de levantar uma bola para favorecê-lo.
Já foi dito aqui, mas convém repetir: qualidade de conteúdo e vitória eleitoral não são fatores que andam necessariamente juntos. Nem separados. Já tivemos excelentes governantes bem votados, preparadíssimos candidatos perdedores e fraudes evidentes celebradas pelo eleitor, que nem sempre tem compromisso com a lógica.
postado por Evaldo Torres * Fonte : Estadão em 13-08-2010
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Insensatez - Tom Jobim
postado por Evaldo Torres * Fonte : Youtube em 13-08-2010
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A economia dos EUA ainda na UTI
LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS
da FSP
O lado negativo é que o americano empregado está aumentando a parcela de sua renda que é poupada
Para os que -como eu- acreditam na recuperação da economia americana ao longo de 2010, os dados relativos ao segundo trimestre deste ano têm representado um teste muito duro. Uma primeira lição que precisa ser tirada desse verdadeiro choque de realidade é que a recessão de agora é muito mais complexa do que as que a antecederam.
Mesmo para os que entendem a particularidade da crise atual, a resposta da economia aos estímulos monetários e fiscais tem sido mais lenta do que a esperada. Aliás, foi o próprio presidente do Fed que reconheceu isso ao falar aos congressistas americanos há poucos dias. Mesmo à distância, podia-se sentir o grau de desapontamento de Ben Bernanke.
Mas o que aconteceu entre abril e junho deste ano que levou o mercado a apostar na volta da recessão nos EUA? Em primeiro lugar vamos a alguns fatos revelados pelas estatísticas econômicas desse período. O volume total de crédito para empresas e indivíduos está finalmente se estabilizando, mas a um nível 25% menor do que o verificado antes da crise.
A taxa de desemprego parece ter encontrado também certa estabilidade em um nível bem menor do que os analistas previam há um ano. Mas o número de americanos empregados hoje é quase 8 milhões menor do que o verificado antes da crise. Apesar disso, o total de rendimento do trabalho já é hoje superior ao que prevalecia na primeira metade de 2008. Isso ocorre porque os ganhos salariais dos empregados têm crescido a taxas superiores a 4% ao ano.
Mas o lado negativo da recuperação lenta e incerta é que o americano empregado está aumentando a parcela de sua renda que é poupada. Uma resposta racional ao alto índice de desemprego, que parece ser mais duradouro que nas recessões passadas. Com isso, apesar de o consumo das famílias já ter praticamente recuperado o nível anterior da crise, o crescimento dos gastos dos americanos tem sido bem menor do que o esperado.
Uma forma agregada de medir os gastos na economia americana é acompanhar o que se chama "vendas finais para compradores domésticos". Engloba as compras finais dos indivíduos, das empresas -inclusive os gastos com investimentos- e do setor público.
Nesse número estão incluídos os bens e serviços produzidos internamente e os importados de outros países. Para isolar as importações, existe um indicador -chamado de "vendas finais de bens domésticos"- que trata apenas do que é produzido internamente.
Ao analisarmos esses dois indicadores é que temos a grande surpresa dos números do segundo trimestre deste ano a que me referi. Boa parte do aumento dos gastos dos americanos -empresas incluídas- foi atendida com bens importados.
Se isolarmos o comércio externo americano no período de abril a junho, o PIB teria crescido quase 3,5% ao ano. No mundo real das importações chinesas, o crescimento da economia americana pode ficar abaixo de 1% ao ano.
Esse vazamento da demanda americana para o exterior está sendo muito maior do que se previa anteriormente e, certamente, é uma das causas do desconforto do presidente do Fed em sua ida ao Congresso americano. Parte disso parece se dever a fatores pontuais, que podem ser revertidos em poucos meses. Mas a incerteza aumentou.
Hoje é possível fazer uma avaliação "ex-post" do impacto do pacote fiscal do governo Obama e dos efeitos da política monetária agressiva do Fed. Os efeitos positivos dessas ações são muito claros nos dados econômicos americanos. A demanda criada pelo setor público -gastos e redução de impostos- foi suficiente para compensar a retração do setor privado. Nos últimos meses, os gastos de empresas e consumidores voltaram a crescer de maneira tênue, mas sustentada.
Mas, enquanto parte importante desses gastos for parar na Alemanha, na China e em outros países exportadores, o crescimento dos EUA ficará comprometido. E o risco de tensões políticas pode crescer. O crescimento da demanda nos países superavitários é crucial para sustentar o crescimento global no médio prazo. Qualquer evidência de retrocesso nessa área é preocupante.
*LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS, 67, engenheiro e economista, é economista-chefe da Quest Investimentos. Foi presidente do BNDES e ministro das Comunicações (governo Fernando Henrique Cardoso).
postado por Evaldo Torres * Fonte : Folha de São Paulo em 13-08-2010
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O risco do petróleo
O risco do petróleo
NOTAS & INFORMAÇÕES
do Estadão
Alguns anos serão necessários para que possam ser medidos com precisão os prejuízos com o vazamento de cerca de 5 milhões de barris de petróleo, causado pelo afundamento da plataforma Deepwater Horizon, operada pela BP no Golfo do México. Noticia-se agora que ele foi estancado, mas os efeitos econômicos globais daquele que é considerado o maior desastre ambiental da história dos EUA ainda se fazem sentir. Como era previsível, os prêmios de seguros para exploração de petróleo offshore estão em ascensão, estimando-se que podem aumentar até 50%, e os investidores no setor petrolífero estão inquietos.
Nessa fase, as grandes seguradoras vêm procedendo a uma reavaliação de riscos, evitando fechar ou renovar contratos com operadoras de sondas e plataformas de petróleo. Isso afeta também empresas que operam na costa brasileira. Pela praxe, as apólices vinham sendo renovadas por um ano, mas agora os prazos são mais curtos.
A questão não se resume a preços, mas abrange também a adoção de planos adequados de prevenção de acidentes, hoje considerados indispensáveis para a contratação de apólices ambientais. Uma das críticas que se fazem à BP é de que não tinha um plano de ação para emergências ou seguro de responsabilidade social ou civil. Tanto assim que a empresa teve que assumir o compromisso de pagar indenizações no total de US$ 20 bilhões para cobrir danos ambientais e prejuízos causados a indivíduos ou empresas pelo vazamento. Isso não eximiu as seguradoras de vultosas perdas, estimadas entre US$ 3 bilhões e US$ 5 bilhões.
Além disso, em razão de pressões partidas não só de grupos ambientalistas, mas da população em geral, a legislação dos EUA para exploração de petróleo em alto-mar está em processo de alteração, havendo um projeto com esse objetivo em tramitação no Congresso. Como as normas deverão requerer mais controle, os prêmios de seguros devem ser ajustados. De fato, é possível que a alta dos custos dos seguros absorva os ganhos obtidos com a queda de 20% no preço de plataformas no mercado internacional em seguida ao acidente do Golfo do México.
Em face das perdas sofridas pela BP, com impacto direto sobre suas ações, cujas cotações caíram à metade desde 20 de abril, os investidores se tornaram também mais cautelosos e desejam saber se os riscos das companhias petrolíferas em que investem estão adequadamente cobertos. Grandes fundos de pensão britânicos e americanos sofreram pesados prejuízos com a despencada das ações da BP, chegando alguns deles a processar judicialmente a companhia.
Na realidade, ninguém mais confia na eficiência de equipamentos ou nos meios empregados para conter vazamentos de petróleo. Na verdade, ainda não se sabe com exatidão a causa da falha do equipamento da BP. Muitos testes devem ainda ser realizados até que se chegue a conclusões satisfatórias, que possam ser utilizadas como ensinamentos para evitar novos acidentes.
Enquanto isso, noticia o The New York Times (5/8), um grupo de 50 investidores institucionais, incluindo grandes fundos de pensão, coordenado pela Ceres, um instituição não lucrativa, enviou pedidos de esclarecimentos a grandes seguradoras, inquirindo-as sobre sua exposição ao risco e os ajustes que estão procedendo em vista do acidente no Golfo do México. Cartas do mesmo teor foram enviadas a companhias petrolíferas que atuam no mundo. As principais questões que preocupam esses investidores versam sobre o montante aplicado em tecnologia para exploração de petróleo offshore, os planos de contingência para o caso de desastres, as lições aprendidas com o vazamento do Golfo do México, as regras para contratação e monitoramento de concessionários, as normas de governança corporativa em vigor, como a influência da diretoria em decisões quanto à segurança das operações.
A Petrobrás não figura entre as petroleiras destinatárias destes pedidos de esclarecimentos listadas pelo jornal. Sendo hoje o Brasil o líder na perfuração de poços de petróleo em alto-mar, é de interesse da estatal - e principalmente do interesse do País e dos investidores - que responda publicamente a esses quesitos.
postado por Evaldo Torres * Fonte : Estadão em 13-08-2010
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O Consenso de Kampala
O Consenso de Kampala
Marcel Fortuna Biato
do Estadão
Há séculos a humanidade condena o belicismo e seu principal vetor: a guerra de conquista ou agressão. Fracassaram, no entanto, desde as Convenções de Haia no início do século 20, sucessivas tentativas de estabelecer mecanismos obrigatórios de solução pacífica de controvérsias. Optou-se por fim pela criação do Conselho de Segurança (CS) da ONU, que entronizou os vencedores de 1945 como avalistas da paz mundial. Com o fim da guerra fria o poder mundial tornou-se mais difuso e a arquitetura de segurança coletiva perdeu eficácia e credibilidade. Ganha ainda mais urgência a pergunta: como coibir a agressão? Há 12 anos tivemos uma vitória histórica com o estabelecimento do Tribunal Penal Internacional (TPI), que julga casos graves como genocídio, crimes de guerra e contra a humanidade.
Em junho, em Kampala (Uganda), a comunidade internacional fez uma avaliação desse esforço inovador para combater a impunidade. Já foram detidas várias ex-autoridades acusadas de crimes bárbaros e há indícios de que as punições estimularam governos a reprimir abusos domesticamente. Mas a integridade do TPI estava comprometida, pois o crime de agressão permanecia ausente. Embora haja consenso de que constitui a maior ameaça à paz e à segurança coletiva, sua plena incorporação ao Estatuto de Roma vinha sendo postergada por temor de alguns países de que se pudesse "politizar" o tribunal. Haveria o risco de que motivações inconfessáveis levassem o promotor a denunciar operações militares "legítimas", com prejuízo para esforços humanitários ou ações de legítima defesa que circunstancialmente não contam com explícito aval multilateral.
Efetivamente, ao determinar que um indivíduo cometeu crime de agressão, o tribunal pode, indiretamente, caracterizar como "agressor" seu Estado de origem. Alguns países se preocupam em resguardar ao máximo a liberdade de ação em favor de suas estratégias de segurança e, dessa forma, blindar seus agentes contra qualquer sanção penal. O exemplo mais citado foram os bombardeios da Otan sobre a antiga Iugoslávia, em 1999, para coibir massacres contra a minoria bósnia.
Mas argumentar que a introdução do crime de agressão levaria à "politização" do tribunal é ignorar que questões de paz e segurança coletiva são por definição complexas. São, no entanto, mais bem enfrentadas por meios institucionais com apoio e legitimidade multilateral. Se o sistema não funciona bem, a melhor resposta não é acelerar seu ocaso, enfraquecendo suas instituições. Esse era o risco que corríamos se aceitássemos limitar a autonomia do TPI.
Em Kampala enfrentamos o desafio de solucionar o impasse independência x tutela do TPI pelo CS. A resposta do Brasil e de outros países que desejam viabilizar a ação dessa Corte Penal foi propor que se reforçassem suas esferas de controle interno. O CS talvez seja o órgão principal na manutenção da paz e segurança, mas deve trabalhar em harmonia com as demais instituições previstas na Carta da ONU, no espírito de checks and balances que orienta todo sistema constitucional democrático. Para o Brasil e outras delegações reunidas em Kampala, permitir ao conselho atuar como voz isolada e irrecorrível seria cristalizar um statu quo injusto e desequilibrado. Seria incoerente com nossa defesa de reforma da governabilidade global e, em particular, do CS que passássemos a favorecer a situação privilegiada desse órgão, pouco representativo do equilíbrio do poder mundial e ainda menos transparente e democrático em suas decisões.
Chegou-se, ao fim da conferência, a uma solução de conciliação que preserva a integridade do Estatuto de Roma e, portanto, a autonomia do TPI. Além dos mecanismos de jurisdição correspondentes, foram aprovados a definição e os elementos do crime de agressão. Aprovou-se ainda um colegiado interno do tribunal, que terá de referendar a ação do promotor em caso de crime de agressão. Em contrapartida, não haverá controles externos pelo CS. Evitou-se que a ação do tribunal ficasse condicionada ao consentimento do "Estado agressor", um despropósito que inviabilizaria qualquer juízo efetivo.
Resguardar a integridade do Estatuto de Roma exigiu, em troca, algumas concessões. Primeiro, o crime de agressão não estará efetivamente nos estatutos do tribunal antes de 2017. Ademais, qualquer Estado-parte do estatuto poderá, unilateralmente, retirar-se da jurisdição relativa ao crime de agressão. Terá, porém, de fazê-lo publicamente, o que implica o custo de afastar-se de um consenso cada vez mais universal. O preço político será necessariamente alto, uma vez que muitos se perguntarão se esse país estará premeditando alguma ação armada. Tampouco estarão sob a jurisdição do TPI para o crime de agressão cidadãos de países que não aderiram ao estatuto (grandes potências como EUA, Rússia, Índia e China). Aos que criticam essa ausência, preferindo que se fizessem concessões para assegurar a presença desses países-chave, respondemos: o que fará o tribunal mais forte e respeitado é sua ação coerente e consistente com os princípios e objetivos que lhe deram origem. À medida que se amplie sua credibilidade e sua eficácia, mesmo os países poderosos hoje ausentes se sentirão motivados a aderir ao TPI, seja por interesse sincero em promover a verdadeira segurança coletiva, seja por temor de sua força.
O fortalecimento do TPI representa muito mais do que uma vitória no combate a crimes que ferem nossa consciência humanista. Representa passo decisivo na luta contra a impunidade e na construção da paz sustentável e duradoura. Vivemos num mundo cada vez mais interdependente, onde se multiplicam ameaças e desafios interconectados. Para problemas globalizados demandam-se respostas e soluções igualmente universais. Não pode haver, em nenhuma esfera, exceções quando se trata de instituir mecanismos de controle e fiscalização. O risco é a perda de credibilidade e eficácia na construção de uma governança global para o século 21. É a lição e o desafio que nos deixa o Consenso de Kampala.
*EMBAIXADOR, É CHEFE DA ASSESSORIA ESPECIAL DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICAH
postado por Evaldo Torres * Fonte : Estadão em 13-08-2010
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Reflexão
PRIMEIRA ENTREVISTA : Dilma Roussef
Íntegra da entrevista da Dilma ao Jornal Nacional
Veja abaixo a íntegra, em vídeo , da entrevista com Dilma Rousseff.
Abaixo, leia a transcrição das perguntas e respostas.
William Bonner: O Jornal Nacional dá início nesta segunda-feira a uma série de entrevistas ao vivo com os principais candidatos à Presidência da República. Nós vamos abordar aqui temas polêmicos das candidaturas e também confrontar os candidatos com suas realizações em cargos públicos. É claro que não seria possível esgotar esses temas todos em uma única entrevista, mas nas próximas semanas os candidatos estarão também no Bom Dia Brasil e no Jornal da Globo.
O sorteio realizado com a supervisão de representantes dos partidos determinou que a candidata do PT, Dilma Rousseff, seja a entrevistada de hoje. Nós agradecemos a presença da candidata. Boa noite, candidata.
Dilma Rousseff: Boa noite.
William Bonner: E informamos também que o tempo de 12 minutos da entrevista começa a contar a partir de agora. Candidata, o seu nome como candidata do PT à Presidência foi indicado diretamente pelo presidente Lula, ele não esconde isso de ninguém. Algumas pessoas criticaram, disseram que foi uma medida autoritária, por não ter ouvido as bases do PT. Por outro lado, a senhora não tem experiência eleitoral nenhuma até este momento. A senhora se considera preparada para governar o Brasil longe do presidente Lula?
Dilma Rousseff: Olha, William, olha, Fátima, eu considero que eu tenho experiência administrativa suficiente. Eu fui secretária municipal da Fazenda, aliás, a primeira secretária municipal da Fazenda de capital. Depois eu fui sucessivamente, por duas vezes, secretária de Energia do Rio Grande do Sul. Assumi o ministério de Minas e Energia, também fui a primeira mulher, e fui coordenadora do governo ao assumir a chefia da Casa Civil, que, como vocês sabem, é o segundo cargo mais importante na hierarquia do governo federal. Então, eu me considero preparada para governar o país. E mais do que isso, eu tenho experiência, eu conheço o Brasil de ponta a ponta, conheço os problemas do governo brasileiro.
William Bonner: Mas a sua relação com o presidente Lula, a senhora faz questão de dizer que é muito afinada com ele. Junto a isso, o fato de a senhora não ter experiência e ter tido o nome indicado diretamente por ele, de alguma maneira a senhora acha que isso poderia fazer com que o eleitor a enxergasse ou enxergasse o presidente Lula atualmente como um tutor de seu governo, caso eleita?
Dilma Rousseff: Você sabe, Bonner, o pessoal tem de escolher o que é que eu sou. Uns dizem que eu sou uma mulher forte, outros dizem que eu tenho tutor. Eu quero te dizer o seguinte: a minha relação política com o presidente Lula, eu tenho imenso orgulho dela. Eu participei diretamente com o presidente, fui braço direito e esquerdo dele nesse processo de transformar o Brasil num país diferente, num país que cresce, que distribui renda, em que as pessoas têm a primeira vez, depois de muitos anos, a possibilidade de subir na vida. Então, eu não vejo problema nenhum na minha relação com o presidente Lula. Pelo contrário, eu vejo que até é um fator muito positivo, porque ele é um grande líder, e é reconhecido isso no mundo inteiro.
Fátima Bernardes: A senhora falou de temperamento. Alguns críticos, muitos críticos e alguns até aliados falam que a senhora tem um temperamento difícil. O que a gente espera de um presidente é que ele, entre outras coisas, seja capaz de fazer alianças, de negociar, ter habilidade política para fazer acordos. A senhora de que forma pretende que esse temperamento que dizem ser duro e difícil não interfira no seu governo caso eleita?
Dilma Rousseff: Fátima, estava respondendo justamente isso, eu acho que têm visões construídas a meu respeito. Eu acho que sou uma pessoa firme. Acho que em relação aos problemas do povo brasileiro, eu não vacilo. Acho que o que tem que ser resolvido prontamente, nós temos que fazer um enorme esforço. Eu me considero hoje, até pelo cargo que ocupei, extremamente preparada no sentido do diálogo. Nós, do governo Lula, somos eminentemente um governo do diálogo. Em relação aos movimentos sociais, você nunca vai ver o governo do presidente Lula tratando qualquer movimento social a cassetete. Primeiro nós negociamos, dialogamos. Agora, nós também sabemos fazer valer a nossa autoridade. Nada de ilegalidade nós compactuamos.
Fátima Bernardes: Agora, no caso, por exemplo, a senhora falou de não haver cassetete, mas talvez seja a forma de a senhora se comportar. O próprio presidente Lula, este ano, em discurso durante uma cerimônia de posse de ministros, ele chegou a dizer que achava até natural haver queixas contra a senhora, mas que ele recebeu na sala dele várias pessoas, colegas, ex-ministros, ministros, que iam lá se queixar que a senhora maltratava eles.
Dilma Rousseff: Olha, Fátima, é o seguinte, no papel… Sabe dona de casa? No papel de cuidar do governo é meio como se a gente fosse mãe. Tem uma hora que você tem de cobrar resultado. Quando você cobra resultados, você tem de cobrar o seguinte: olha, é preciso que o Brasil se esforce, principalmente o governo, para que as coisas aconteçam, para que as estradas sejam pavimentadas, para que ocorra saneamento. Então tem uma hora que é que nem… Você imagina lá sua casa, a gente cobra. Agora, tem outra hora que você tem de incentivar, garantir que a pessoa tenha estímulo para fazer.
Fátima Bernardes: Como mãe eu entendo, mas, por exemplo, como presidente não tem uma hora que tem que ter facilidade de negociar, por exemplo, futuramente no Congresso, futuramente com líderes mundiais, ter um jogo de cintura ai?
William Bonner: O presidente falou em maltratar, não é, candidata?
Dilma Rousseff: Não, o presidente não falou em maltratar, o presidente falou que eu era dura.
William Bonner: Não, ele disse isso. A senhora me perdoe, mas o discurso dele está disponível. Ele disse assim: as pessoas diziam que foram maltratadas pela senhora. Mas a gente também não precisa ficar nessa questão até o fim da entrevista, têm outros temas.
Dilma Rousseff: É muito difícil, depois de anos e anos de paralisia, e houve isso no Brasil. O Brasil saiu de uma era de desemprego, desigualdade e estagnação para uma era de prosperidade. Nós tínhamos perdido a cultura do investimento…
William Bonner: Vamos falar de alianças políticas, o que é importante…
Dilma Rousseff: …e aí houve uma força muito grande da minha parte nesse sentido, de cumprir meta, de fazer com que o governo Lula fosse esse sucesso que eu tenho certeza que ele está sendo.
William Bonner: A senhora tem agora nessa candidatura, além do apoio do presidente, a senhora também tem alianças, né?, formadas para essa sua candidatura. Por exemplo, a do deputado Jader Barbalho, por exemplo, a do senador Renan Calheiros, por exemplo, da família Sarney. A senhora tem o apoio do ex-presidente Fernando Collor. São todas figuras da política brasileira que, ao longo de muitos anos, o PT, o seu partido, criticou severamente. Eram considerados como oligarcas pelo PT. Onde foi que o PT errou, ou melhor, quando foi que ele errou: ele errou quando fez aquelas críticas todas ou está errando agora, quando botou todo mundo debaixo do mesmo guarda-chuva?
Dilma Rousseff: Eu vou te falar. Eu perguntava outra coisa: onde foi que o PT acertou? O PT acertou quando percebeu que governar um país com a complexidade do Brasil implica necessariamente a sua capacidade de construir uma aliança ampla.
William Bonner: Errou lá atrás?
Dilma Rousseff: Não. Nós não… O PT não tinha experiência de governo, agora tem. Agora… Nós não erramos e vou te explicar em que sentido: não é que nós aderimos ao pensamento de quem quer que seja. O governo Lula tinha uma diretriz: focar na questão social. Fazer com que o país tivesse a seguinte oportunidade: primeiro, um país que era considerado dos mais desiguais do mundo, diminuir em 24 milhões a pobreza. Um país em que as pessoas não subiam na vida elevar para as classes médias 31 milhões de brasileiros. Para fazer isso, quem nos apoia, aceitando os nossos princípios e aceitando as nossas diretrizes de governo, a gente aceita do nosso lado. Não nos termos de quem quer que seja, mas nos termos de um governo que quer levar o Brasil para um outro patamar, para uma outra…
William Bonner: O resumo é: o PT não errou nem naquela ocasião, nem agora.
Dilma Rousseff: Não, eu acho que o PT não tinha tanta experiência, sabe, Bonner, eu reconheço isso. Ninguém pode achar que um partido como o PT, que nunca tinha estado no governo federal, tem, naquele momento, a mesma experiência que tem hoje. Acho que o PT aprendeu muito, mudou, porque a capacidade de mudar é importante.
William Bonner: Vamos lá. Candidata, vamos aproveitar o tempo da melhor maneira. O PT tem hoje já nas costas oito anos de governo. Então é razoável que a gente tente abordar aqui alguma das realizações. Vamos discutir um pouco o desempenho do governo em algumas áreas, começando pela economia. O governo festeja, comemora muito melhoras da área econômica. No entanto, o que a gente observa, é que quando se compara o crescimento do Brasil com países vizinhos, como Uruguai, Argentina, Bolívia, e também com aqueles pares dos Brics, os chamados países emergentes, como China, Índia, Rússia, o crescimento do Brasil tem sido sempre menor do que o de todos eles. Por quê?
Dilma Rousseff: Olha, eu acredito que nós tivemos um processo muito mais duro no Brasil com a crise da dívida e com o governo que nos antecedeu.
William Bonner: Mais duro do que no Uruguai e na Bolívia, candidata?
Dilma Rousseff: Acho que o Uruguai e a Bolívia são países, sem nenhum menosprezo, acho que os países pequenos têm que ser respeitados, do tamanho de alguns estados menores no Brasil. O Brasil é um país de 190 milhões de habitantes. Nós tivemos um processo no Brasil muito duro. Quando chegamos no governo, a inflação estava fora do controle. Nós tínhamos uma dívida com o Fundo Monetário, que vinha aqui e dava toda a receita do que a gente ia fazer.
William Bonner: Correto, candidata. Mas a Rússia. A Rússia também teve dificuldades e é um país enorme…
Dilma Rousseff: Mas, só um pouquinho. Mas o que nós tivemos que fazer, Bonner. Nós tivemos que fazer um esforço muito grande para colocar as finanças no lugar e depois, com estabilidade, crescer. E isso, este ano, a discussão nossa é que estamos entre os países que mais crescem no mundo, estamos com a possibilidade de ter uma taxa de crescimento do Produto Interno Bruto de 7%.
William Bonner: Mas abaixo dos demais.
Dilma Rousseff: Não necessariamente, Bonner. Porque a queda, por exemplo, na Rússia… Sem falar, sem fazer comparações com soberba… Mas a queda da economia russa no ano passado foi terrível.
William Bonner: A senhora, de alguma maneira…
Fátima Bernardes: Vamos falar agora… Só um minutinho.
Dilma Rousseff: Criamos quase 1,7 milhão de empregos no ano da crise.
Fátima Bernardes: Candidata, vamos falar um pouquinho de outro problema, que é o saneamento. Segundo dados do IBGE, o saneamento no Brasil passou de 46,4% para 53,2% no governo Lula, um aumento pequeno, de 1 ponto percentual mais ou menos, ao ano. Por que o resultado fraco numa área que é muito importante para a população?
Dilma Rousseff: Porque nós vamos ter um resultado excepcional a partir dos dados quando for feita a pesquisa em 2010. Talvez, Fátima, uma das áreas em que eu mais me empenhei foi a área de saneamento. Porque o Brasil, só para você ter uma ideia, investia menos de R$ 300 milhões, o governo federal, menos de R$ 300 milhões no Brasil inteiro. Hoje, aqui no Rio, numa favela, aqui, a da Rocinha, em que eu estive hoje, nós investimos mais de R$ 270 milhões.
Fátima Bernardes: Mas, candidata, esses são dados de seis anos. Quer dizer, esse resultado que a senhora está falando… vai aparecer de um ano e meio para cá?
Dilma Rousseff: O que aconteceu. Nós lançamos o Programa de Aceleração do Crescimento, para o caso do saneamento, na metade de 2007. Começou a amadurecer porque o país parou de fazer projetos, prefeitos e governadores. Apresentaram os projetos agora, em torno do início de 2008, e aceleraram. Eu estava vendo recentemente que nós
SEGUNDA ENTREVISTA : Marina Silva
Veja abaixo a íntegra, em vídeo, da entrevista com Marina Silva.
Abaixo, leia a transcrição das perguntas e respostas.
Fátima Bernardes: O Jornal Nacional dá continuidade hoje à série de entrevistas com os principais candidatos à Presidência em que nós abordamos questões polêmicas das candidaturas e o desempenho do candidato em cargos públicos que já tenha ocupado. Também o Bom Dia Brasil e o Jornal da Globo realizarão entrevistas nas próximas semanas. O sorteio, acompanhado por assessores dos partidos, determinou para hoje a presença da candidata do PV, Marina Silva. Boa noite, candidata. Muito obrigada pela presença.
Marina Silva: Boa noite, Fátima.
Fátima Bernardes: Bom. E o nosso tempo de 12 minutos dessa entrevista começa a ser contado a partir de agora. Candidata, a sua atuação na vida pública, como ministra, como senadora, foi especificamente voltada para a área do meio ambiente. A senhora não tem uma experiência administrativa em nenhuma outra área, em nenhum outro setor. Como é que a senhora pretende convencer o eleitor de que a sua candidatura é para valer e que ela não é apenas uma candidatura para marcar posição nessa questão do meio ambiente?
Marina Silva: Em primeiro lugar, Fátima, chamando a atenção da sociedade brasileira para a relevância das coisas que a gente está vivendo hoje, e eu sempre penso da seguinte forma: até 2014, qual será a temperatura da Terra? Até 2014, quantas crianças ainda continuarão sem ter a chance de chegar sequer à oitava série? Até 2014, quantas pessoas serão soterradas pelas enchentes por falta de cuidado? E, até 2014, quantos produtos nós não perderemos em função da falta de infraestrutura? Quantas oportunidades nós não perderemos em função da falta de educação de qualidade? E então...
Fátima Bernardes: Quer dizer que a senhora acha que essa questão do meio ambiente passa por todos esses outros setores?
Marina Silva: Com certeza. A minha candidatura é para agora porque o Brasil não pode esperar. Todas essas questões que eu coloquei agora para você, Fátima, elas são uma emergência, uma emergência para o cidadão que fica na fila esperando horas e horas para poder fazer um exame, uma emergência para a mãe que quer ter dias melhores para o seu filho porque ela já não aguenta mais a vida dura que tem e uma emergência para o Brasil, que tem imensas oportunidades de se desenvolver com justiça social, de melhorar a vida das pessoas.
William Bonner: Agora, candidata, perdoe, a senhora é candidata do Partido Verde e, até este momento, apresenta-se na eleição sem o apoio de nenhum outro partido. Se a senhora não conseguiu apoio para formar uma aliança agora antes da eleição, como é que a senhora vai formar uma base de sustentação para governar o Brasil depois, dentro do Congresso Nacional?
Marina Silva: Olha só, Bonner, eu acho que para mim é até mais fácil, sabe? É mais fácil, pelo seguinte: porque eu fico olhando para a ministra Dilma e para o governador Serra e eles já estão tão comprometidos com as alianças que fizeram que eles só podem repetir mais do mesmo, do mesmo quando foi o governo do presidente Fernando Henrique, que ficou refém do fisiologismo dos Democratas. E o presidente Lula, mesmo com toda a popularidade, acabou ficando refém do fisiologismo do PMDB.
William Bonner: Mas veja o raciocínio, o raciocínio que eu proponho...
Marina Silva: Deixe só eu completar meu raciocínio, por favor...
William Bonner: É que tem a ver com isso...
Marina Silva: Não, eu sei, eu sei, só para que a gente possa concluir. É, então, como eu estou dizendo que, se ganhar, eu quero governar com os melhores e já estou dizendo que é fundamental um diálogo entre o PT e o PSDB, estou dizendo que eu quero governar com a ajuda deles. Então eu vou compor uma base de sustentação já respaldada pela sociedade com essa ideia de que nós temos que acabar com a situação pela situação e com a oposição pela oposição e trabalhando a favor do Brasil. É assim que eu quero trabalhar. É isso o que eu estou dizendo e, pode ter certeza, quem pode estabelecer um ponto de união entre essas forças que não conversam e que nos seus oito anos de oposição ou de situação se confrontaram se chama Marina Silva.
William Bonner: A questão que eu ia colocar é a seguinte: se a senhora não conseguiu formar essa base de apoio agora, depois da eleição, uma base de apoio que se forme depois da eleição, não tem uma tendência maior ao tal fisiologismo que a senhora mesmo está criticando?
Marina Silva: Não tem, não tem...
William Bonner: Uma barganha de cargos federais...
Marina Silva: Não tem, Bonner, não tem. Sabe por quê? Porque existe muita gente boa em todos os partidos.
Fátima Bernardes: A senhora olhando para o seu partido, a senhora considera que o PV, ele tem quadros, olhando para os seus colegas, para governar o Brasil?
Marina Silva: Ele tem alguns quadros. Mas quem foi que disse que para governar você tem que governar apenas com os quadros de seu partido?
Fátima Bernardes: Não, eu estou perguntando porque ainda não há um acordo estabelecendo outras alianças.
Marina Silva: O presidente Lula teve de governar, inclusive, com quadros do PSDB. O PSDB trouxe quadros da socidade, da academia. Eu, quando estava no ministério do Meio Ambiente, por exemplo, eu peguei as melhores pessoas que estavam na academia, que já estavam na gestão pública, que estavam dentro, enfim, de ONGs, sim, mas as pessoas mais competentes. E quando precisei, toda vez que precisei, Bonner, de aprovar leis no Congresso, a Lei de Gestão de Florestas Públicas, por exemplo, fundamental para o desenvolvimento sustentável da Amazônia, eu consegui aprovar os meus projetos com o apoio de todos os partidos, conversando com todos os partidos. É isso que o Brasil precisa. O Brasil precisa de um olhar que coloque em primeiro lugar as necesssidades dos brasileiros, da saúde, da educação, da segurança pública, da infraestrutura.
William Bonner: Ok.
Marina Silva: O nosso país não pode mais esperar e perder tempo com essa briga que não nos leva a lugar nenhum.
William Bonner: Candidata, vamos falar então... A senhora mencionou a questão, o papel do partido político. A senhora declarou já em algumas entrevistas que deixou o governo Lula e deixou o PT porque discordava da maneira como era conduzida a política ambiental no governo. No entanto, se nós voltarmos no tempo até aquele período do escândalo do mensalão, a senhora não veio a público para fazer uma condenação veemente daquele desvio moral de alguns integrantes do PT. A pergunta que eu lhe faço é a seguinte: o seu silêncio naquela ocasião não pode ser interpretado de uma certa maneira como uma conivência com aqueles desmandos?
Marina Silva: Não, Bonner, não foi conivência, e também não foi silêncio. É que, lamentavelmente, todas as vezes em que eu me pronunciava eu não tinha ninguém para me dar audiência e potencializar a minha voz. Mas eu falava.
William Bonner: A senhora diz dentro do governo?
Marina Silva: Dentro, fora.
William Bonner: Dentro do partido?
Marina Silva: Publicamente, nas palestras que eu dava, eu sempre dizia que aquilo era condenável, que deveria ser investigado, e que deveriam ser punidos todos os que praticaram irregularidades.
William Bonner: Mas, ministra...
Marina Silva: Agora, o que eu dizia sempre, Bonner, era uma coisa, é o seguinte: é que nem todos praticaram erros. E eu não pratiquei. Conheço milhares de pessoas que não praticaram o mesmo erro. E dentro do PT tinha muita gente que combatia junto comigo. Agora, para combater contra a falta de prioridade para as questões ambientais, aí eu era uma minoria. E foi por isso que eu saí. Eu saí porque não encontrava o apoio necessário para as políticas de meio ambiente que façam esse encontro entre desenvolver e proteger as riquezas naturais.
William Bonner: No entanto, o seu desconforto, vamos dizer assim, o seu desconforto ético com o mensalão não foi suficientemente forte para levá-la a deixar o cargo de ministra.
Marina Silva: Foi forte, sim, mas eu sabia que eu estava combatendo por dentro. E que conseguiria ser vitoriosa. Primeiro porque eu não tinha praticado nenhuma irregularidade. Agora, para continuar lutando pelas ideias que eu defendia, isso eu achava que não tinha mais tempo.
William Bonner: E como a senhora analisou...
Marina Silva: Sabe por quê? Porque é possivel, Bonner, sabe, juntar as duas coisas. Existe uma ideia dentro do governo, dos demais partidos, na sociedade, que meio ambiente e desenvolvimento são incompatíveis. E eu conheço muitas empresas que já estão fazendo da defesa do meio ambiente uma grande oportunidade para gerar emprego, para gerar melhoria de vida das pessoas. E posso te dizer uma coisa: toda a vez que as pessoas me dizem ‘mas Marina, as pessoas não entendem isso que você está falando’, eu digo: elas entendem sim, entendem, Fátima. Aqui no Rio de Janeiro...
William Bonner: Só uma coisa, candidata.
Marina Silva: ...quando as casas foram...
William Bonner: Candidata, me permita só uma coisa.
Marina Silva: Não, só concluindo Bonner.
William Bonner: Eu peço para interromper porque em nome do público...
Marina Silva: Isso, tá bom, tá bom.
William Bonner: Porque a pergunta que eu lhe dirigia era sobre um momento muito especifico da história e eu queria que a senhora tratasse dessa questão polêmica e não fosse para outro assunto. Eu estou consumindo 30 segundos da entrevista para fazer esse esclarecimento e eu lhe devolverei para a entrevista. Eu só queria que a senhora esclarecesse para mim qual foi e de que maneira a senhora viu a saída de alguns colegas seus então de PT, alguns, inclusive, fundadores do partido, que deixaram o partido indignados na época do mensalão, chorando. Como a senhora viu a ação deles, que não foi a ação que a senhora teve naquela ocasião?
Marina Silva: Bem, eu permaneci no partido e fiquei igualmente indignada. Fiz o combate a minha vida inteira contra a corrupção e acho que a corrupção, Bonner, é o pior câncer da sociedade. E ninguém pode se vangloriar de ser honesto. Para mim, ser honesto é uma condição do indivíduo. Qualquer pessoa, onde quer que ela esteja, ela tem que ser uma pessoa honesta, seja como político, como professor, como dona de casa, como empregada doméstica. A pessoa tem que ser honesta. Agora, naquele momento em que saíram pessoas do Partido dos Trabalhadores, eu permaneci para dar a contribuição que eu achava que ainda poderia dar dentro do governo, mas não por ser conivente. Agora, tem uma coisa que a gente precisa entender: combater a corrupção é uma luta constante. Como é que a gente combate a corrupção? Com transparência, permitindo que as instituições funcionem, o Ministério Público, o Tribunal de Contas, criando ferramentas de controle dentro do próprio governo, não permitindo que as coisas vão primeiro se consolidando antes de você fazer o combate necessário. Você tem que identificar durante o processo e fechar a torneira da corrupção quando ela está acontecendo. É isso que precisa ser feito.
Fátima Bernardes: Candidata, vamos abordar, então, um outro tema. Muita gente do governo e fora dele se queixava de que, durante a sua gestão à frente do Ministério do Meio Ambiente, a liberação de licenças ambientais, elas estavam muito lentas, e que isso, licenças ambientais para obras de infraestrutura, e que isso atrapalhava o desenvolvimento. Como é que a senhora enxergava essas críticas de que essa demora possa ter atrasado essas obras?
Marina Silva: Olha, naquela época até com uma certa naturalidade. Sabe por quê? Porque o ministério estava todo desestruturado e eu tinha que fazer concurso, e eu tive que criar várias diretorias e coordenadorias. Só que, quando nós começamos a arrumar a casa, aumentaram significativamente as licenças. No governo anterior, era uma média de 145 licenças por ano. Na minha gestão, foi de 265 licenças por ano. Agora, uma coisa eu posso te dizer: é possível aperfeiçoar o licenciamento? É possível aperfeiçoar. E com esse aperfeiçoamento você vai viabilizar com mais agilidade, sem perda de qualidade, a infraestrutura do Brasil, que hoje, de fato, está colapsando. Nós temos problemas com os aeroportos, nós temos problemas em relação a estradas, nós temos problemas em relação a energia, tudo isso pode ser oferecido para a sociedade compatibilizando duas coisas: meio ambiente, melhoria da vida das pessoas e o desenvolvimento que o Brasil precisa.
Fátima Bernardes: Quer dizer, nesse caso, a senhora está dizendo que no caso da senhora estando no governo, essa lentidão, ela, por exemplo, não vai provocar esse atraso ainda mais ou agravar ainda mais esses gargalos que a senhora citou, econômicos, e provocar, por exemplo, no setor energético, um risco de um novo apagão por demora na liberação dessas licenças?
Marina Silva: De jeito nenhum. Nós vamos trabalhar com o sentido de urgência que esse país tem para a sua infraestrutura, tanto em aeroportos como na questão da energia, das estradas, tudo o que o Brasil precisa para se desenvolver, Fátima. E vamos fazer isso sem negligenciar os cuidados com o meio ambiente, mas tendo a clareza de que o desenvolvimento do nosso país melhora a vida das pessoas. Sabe como melhora a vida das pessoas? Quando aquela família, que muitas vezes não tem como conseguir um emprego, começa a conseguir um emprego. Quando aquela mãe que não teve uma chance na vida, que é uma mulher pobre, não teve uma chance na vida, ela sabe que, se tiver uma escola melhor, o seu filho pode ter dias melhores. Eu sei o que significa educação, porque foi com a educação que eu consegui entrar pela porta da frente no Brasil.
William Bonner: Candidata, a senhora tem 30 segundos para se dirigir ao eleitor e pedir a ele o seu voto, dando a ele a última mensagem. Por favor.
Marina Silva: Bem, primeiro eu quero agradecer a Deus por estar aqui, porque eu sei que esse país é um país maravilhoso. Só num país como o Brasil, com a democracia que temos, é possível uma pessoa que nasceu lá na Floresta Amazônica, que foi analfabeta até os 16 anos, que teve que passar por várias dificuldades de saúde, pode chegar aqui na condição de se colocar como a primeira mulher de origem humilde para ser presidente da República. Esse Brasil já conseguiu restaurar sua democracia, teve um sociólogo que fez as transformações econômicas, um operário que fez as transformações sociais e eu para fazer as grandes transformações na educação.
William Bonner: Obrigado, candidata. Muito obrigado pela sua participação aqui, ao vivo, no Jornal Nacional.
Marina Silva: Eu é que agradeço.
William Bonner: Quero lembrar que, amanhã, o entrevistado aqui no JN será o candidato do PSDB, José Serra.
TERCEIRA ENTREVISTA : José Serra
Veja abaixo a íntegra, em vídeo , da entrevista com José Serra.
Abaixo, leia a transcrição das perguntas e respostas.
William Bonner: Nesta semana, o Jornal Nacional entrevista os principais candidatos à Presidência sobre questões polêmicas das candidaturas e sobre ações desses candidatos à frente de cargos públicos. Nas próximas semanas, o Bom Dia Brasil e o Jornal da Globo farão o mesmo. O sorteio, acompanhado por assessores dos partidos, determinou que hoje nós recebamos, aqui na bancada, José Serra, do PSDB. Boa noite, candidato.
José Serra: Boa noite, William.
William Bonner: A entrevista vai durar 12 minutos, e o tempo começa a ser contado a partir de agora. Candidato, desde o início desta campanha, o senhor tem procurado evitar críticas ao presidente Lula. O senhor acha que… E em alguns casos fez até elogios a ele… o senhor acha que essa é a postura que o eleitor espera de um candidato da oposição?
José Serra: Olha, o Lula não é candidato a presidente. O Lula, a partir de 1º de janeiro, não vai ser mais presidente da República. Quem estiver lá vai ter de conduzir o Brasil. Não há presidente que possa governar na garupa, ouvindo terceiros ou sendo monitorado por terceiros. Eu estou focado no futuro. Hoje tem problemas e tem coisas boas. O que nós temos que fazer? Reforçar aquilo que está bem e corrigir e poder melhorar aquilo que não andou direito. É por isso que eu tenho enfatizado sempre que o Brasil precisa e que o Brasil pode mais. Onde? Na área da saúde, na área da segurança, na área da educação, inclusive do ensino profissionalizante. Meu foco não é o Lula. Ele não está concorrendo comigo.
William Bonner: Entendo. Agora, candidato, o senhor avalia o risco que o senhor corre de essa sua postura ser interpretada como um receio de ter que enfrentar a popularidade alta do presidente Lula?
José Serra: Não, não vejo por quê. Eu acho que as pessoas estão preocupadas com o futuro, né? Quem vai tocar o Brasil, quem tem mais condições de poder tocar o Brasil para a frente, que não é uma tarefa fácil. Inclusive de pegar aqueles problemas que hoje a população considera como os mais críticos e resolvê-los. Dou como exemplo, novamente, entre outros, a questão da saúde. Então, o importante agora é isso. E as pessoas estão nisso. O governo Lula fez coisas positivas, né? Outras coisas, deixou de fazer. A discussão não é o Lula. A discussão é o que vem para a frente, tá certo? Os problemas do Brasil de hoje e o que tem por diante.
Fátima Bernardes: O senhor tem insistido muito na tecla de que o eleitor deve procurar comparar as biografias dos candidatos que estarão concorrendo, que estão concorrendo nesta eleição. O senhor evita uma comparação de governos. Por exemplo, por quê, entre o governo atual e o governo anterior?
José Serra: Olha, porque são condições diferentes. Eles governaram em períodos diferentes, em circunstâncias diferentes. O governo anterior, do Fernando Henrique, fez uma… muitas contribuições ao Brasil, entre elas o Plano Real. A inflação era de 5.000% ao ano, né? E ela foi quebrada a espinha. As novas gerações nem têm boa memória disso. E várias outras coisas que o governo Lula recolheu e seguiu. O Antonio Palocci, que foi ministro da Fazenda do Lula e hoje é o principal assessor da candidata do PT, nunca parou de elogiar, por exemplo, o governo Fernando Henrique. Mas nós não estamos fazendo uma disputa sobre o passado. É como se eu ficasse discutindo, para ganhar a próxima Copa do Mundo, quem foi o melhor técnico: o Scolari ou o Parreira?
Fátima Bernardes: Mas…
José Serra: E o Mano Menezes, Fátima, desculpe, fosse estar preocupado em saber quem era melhor para efeito de ganhar a Copa de 14. Isso é uma coisa que os adversários fazem para tirar o foco de que o próximo presidente vai ter de governar e não pode ir na garupa. E tem que ter ideias também. Não só coisas que fez no passado, mas também ideias a respeito do futuro.
Fátima Bernardes: Mas, por exemplo, avaliar, analisar fracassos e sucessos não ajuda o eleitor na hora de ele decidir pelo voto dele?
José Serra: Por isso… E é isso o que eu estou fazendo. Por exemplo, mostro na saúde. Eu fui ministro da Saúde. Fiz os genéricos, os mutirões, a campanha contra a Aids que foi considerada a melhor campanha contra a Aids do mundo, uma série de coisas. A saúde, nos últimos anos, não andou bem. Por exemplo, queda, diminuição do número de cirurgias eletivas, aquelas que não precisa fazer de um dia para o outro, mas são muito importantes. Caiu, né? Pararam os mutirões. Muita prevenção que se fazia acabou ficando para trás. Faltam ainda hospitais nas regiões mais afastadas dos grandes centros. Tem problemas com as consultas, tem problemas de demoras. Enfim, tem um conjunto de coisas, inclusive relacionadas por exemplo com a saúde da mulher. Tudo isso precisa ser equacionado no presente. Eu estou apontando os problemas existentes.
William Bonner: Agora, candidato, vamos ver uma questão… O senhor me permita, para a gente poder conversar melhor.
José Serra: Sim, sim, claro.
William Bonner: Uma questão política. Nesta eleição, existem contradições muito claras nas alianças formadas pelos dois partidos que têm polarizado as eleições presidenciais brasileiras aí nos últimos 16 anos, né? O PT se aliou a desafetos históricos. O seu partido, o PSDB, está ao lado do PTB, um partido envolvido no escândalo do mensalão petista, no escândalo que inclusive foi investigado e foi condenado de forma muito veemente pelo seu partido, o PSDB. Então, a pergunta é a seguinte: o PSDB errou lá atrás quando condenou o PTB ou está errando agora quando se alia a esse partido?
José Serra: William, é uma boa pergunta. O PTB, no caso de São Paulo, por exemplo, sempre esteve com o PSDB, de uma ou de outra maneira. Isso teve uma influência grande na aliança nacional. Os partidos, você sabe, são muito heterogêneos. O personagem principal… Os personagens principais do mensalão nem foram do PTB. Os personagens principais foram do PT, aliás, mediante denúncia do Roberto Jeferson, que era então líder do PTB.
William Bonner: Os nomes de petebistas, todos, uma lista muito vasta, começando pelo Maurício Marinho.
José Serra: Você tem 40 lá no Supremo Tribunal Federal…
Willlam Bonner: Não, exato.
José Serra: E o PT ganha disparado.
William Bonner: Mas não há nenhum constrangimento para o senhor pelo fato de esta aliança por parte do seu partido, o PSDB, ter sido assinada com o PTB pelas mãos do presidente do partido que teve o mandato cassado inclusive com votos de políticos do seu partido, o PSDB? Isso não provoca nenhum tipo de constrangimento?
José Serra: Olha, o Roberto Jefferson, é o presidente do PTB, ele não é candidato. Ele conhece muito bem o meu programa de governo, o meu estilo de governar. O PTB está conosco dentro dessa perspectiva. Eu não tenho compromisso com o erro. Aliás, nunca tive na minha vida. Tem coisa errada, as pessoas pagam, né? Quem é responsável por si é aquele que comete o erro, é ele que deve pagar. Eu não fico julgando. Mas eu não tenho compromisso com nenhum erro. Agora, quem está comigo sabe o jeito que eu trabalho. Por exemplo, eu não faço aquele loteamento de cargos. Para mim, não tem grupinho de deputados indicando diretor financeiro de uma empresa ou indicando diretor de compras de outra. Por quê? Para que que um deputado quer isso? Evidentemente não é pra ajudar a melhorar o desempenho. É para corrupção. Comigo isso não acontece. Não aconteceu na saúde, no governo de São Paulo e na prefeitura.
Fátima Bernardes: Candidato, nesta eleição, quer dizer, o senhor destaca muito a sua experiência política. Mas na hora da escolha do seu vice, houve um certo, um certo conflito com o DEM exatamente porque houve uma demora para o aparecimento desse nome. Muitos dos seus críticos atribuem essa demora ao seu perfil centralizador. O nome do deputado Índio da Costa apareceu 18 dias depois da sua oficialização, da convenção que oficializou a sua candidatura. É… O senhor considera que o deputado, em primeiro mandato, está pronto para ser o vice-presidente, uma função tão importante?
José Serra: Está. Fátima, deixa só eu te dizer uma coisa. Eu não sou centralizador. Eu sei que tenho a fama de centralizador. Mas no trabalho, eu delego muito. Eu sou mais um cobrador. Eu acompanho tudo.
Fátima Bernardes: Eu falei centralizador porque até no seu discurso de despedida do governo de São Paulo, o senhor mesmo explicou sobre essa fama de centralizador.
José Serra: Que eu não era centralizador. E todo muito que trabalha comigo sabe disso, eu delego muito. Agora, eu acompanho porque quem coordena, quem chefia tem que acompanhar para as coisas acontecerem. A questão da vice estava orientada numa direção. Por circunstancias políticas, acabou não acontecendo. E o Índio da Costa, que foi o escolhido, estava entre os nomes que a gente cogitava. Só que isso não tinha ido para a opinião pública porque senão é uma fofoca só. Fulano, cicrano, isso e aquilo. Ele disputou quatro eleições, é um homem de 40 anos e foi um dos líderes da aprovação do ficha limpa no Congresso. Eu acho que…
Fátima Bernardes: Mas a experiência dele é municipal, na verdade, não é? Ele teve três mandatos de vereador, o senhor acha que isso o qualifica?
José Serra: E um mandato deputado federal.
Fátima Bernardes: Que ele está exercendo pela primeira vez.
José Serra: Eu acho que isso o qualifica perfeitamente. O que vale é a experiência na vida pública. Tem livros sobre administração e eu insisto. Sua atuação no Congresso Nacional foi marcada pelo ficha limpa. Se você for pegar também outros vices, do ponto de vista da experiência pública, cada um tem suas limitações. Mas eu não estou aqui para ficar julgando os outros. Eu só sei que o meu vice, jovem, ficha limpa, preparado, com muita vontade, e do Rio de Janeiro, é um vice adequado. Eu me sinto muito bem com ele. Agora, devo dizer o seguinte…
William Bonner: Candidato… Candidato.
José Serra: Eu tenho muito boa saúde. Ninguém está sendo vice comigo achando que eu não vou concluir o mandato.
William Bonner: Mas um vice não assume só nessas circunstâncias…
Fátima Bernardes: Trágicas.
José Serra: Mas, enfim… Eu não sei até que ponto…
William Bonner: Candidato, eu gostaria de abordar um pouquinho também da sua passagem pelo governo de São Paulo. O senhor foi governo em São Paulo durante quatro anos, seu partido está no poder em São Paulo há 16 anos. Então é razoável que a gente avalie aqui algumas dessas ações. A primeira que eu colocaria em questão aqui é um hábito que o senhor mesmo tem de criticar o modelo de concessão das estradas federais. De outro lado, os usuários, muitos usuários das estradas estaduais de São Paulo que estão sob regime de concessão, se queixam muito do preço e da frequência com que são obrigados a parar para pedágio, quer dizer, uma quantidade de praças de pedágio que eles consideram excessiva. Pergunta: o senhor pretende levar para o Brasil inteiro esse modelo de concessão de estradas estaduais de São Paulo?
José Serra: Olha, antes disso. No caso de São Paulo, tem uma pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes, um organismo independente: 75% dos usuários das estradas do Brasil acham as paulistas ótimas ou boas. 75%, um índice de aprovação altíssimo. Isso para as federais é apenas 25%. De cada dez estradas federais, sete estão esburacadas. São as rodovias da morte. Na Bahia, em Minas, BH, Belo Horizonte, Governador Valadares, em Santa Catarina. Enfim, por toda a parte. O governo federal fez um tipo de concessão que não está funcionando.
William Bonner: Mas a que o senhor fez motivou críticas quanto ao preço. Então a questão que se impõe é a seguinte, candidato: não existe um meio termo? Ou o cidadão brasileiro tem uma estrada boa e cara ou ele tem uma estrada ruim e barata. Não tem um meio termo nessa história?
José Serra: Eu acho que pode ter uma estrada boa que não seja cara, se você trabalhar direito. Por exemplo, a concessão que eu fiz da Ayrton Senna. O pedágio anterior era cobrado pelo órgão estadual. Caiu para a metade o pedágio. É que realmente, geralmente, os exemplos bons não veem…
William Bonner: Mas esse modelo vai ser exportado para as estradas federais?
José Serra: Esse modelo que diminuiu pode ser adotado, porque você tem critérios para ser examinados. O governo federal fez estradas pedagiadas. Só que estão, por exemplo, no caso de São Paulo, a Régis Bittencourt, que é federal, ela continua sendo a rodovia da morte. E a Fernão Dias, Minas-São Paulo, está fechada. Você percebe? Nunca o Brasil esteve com as estradas tão ruins. Agora, tem mais: em 1000 é, é, no começo de 2003 para cá, foram arrecadados R$ 65 bilhões para transportes, para estradas na Cide. É um imposto. Sabe quanto foi gasto disso pelo governo federal? Vinte e cinco. Ou seja, foram R$ 40 bilhões arrecadados dos contribuintes para investir em estradas do governo federal que não foram utilizados. A primeira coisa que eu vou fazer, William, é utilizar esses recursos para melhorar as estradas. Não é o assunto de concessão que está na ordem do dia. É gastar. É entender o seguinte: por que de cada R$ 3 que o Governo Federal arrecadou, foram 65, ele gastou um terço disso? É uma barbaridade.
Fátima Bernardes: Nós estamos…
José Serra: Por isso as estradas federais estão nessa situação. Desculpa, Fátima, fala.
Fátima Bernardes: Não, candidato. É que como nós temos um tempo, eu queria dar ao senhor os 30 segundos para o encerramento, para o senhor se dirigir ao…
José Serra: Já passou?!
Fátima Bernardes: Já passou, já estamos, olhe lá, Onze e quarenta e sete e os seus eleitores.
José Serra: Olha, eu vim aqui, queria, em primeiro lugar, agradecer a vocês por essa oportunidade. Eu tenho uma origem modesta, meus pais eram muito modestos. Eu acho que eles nunca sonharam que um dia eu estaria aqui no Jornal Nacional, que eles assistiam diariamente, aliás pela segunda vez, falando como candidato a presidente da República. Eu devo a eles até onde eu cheguei. Devo a eles, devo à escola pública e acabei virando professor universitário, mas também sempre ligado às questões públicas, desde que eu fui presidente da União Nacional dos Estudantes até hoje. O que eu peço hoje…
William Bonner: Seu tempo, candidato.
José Serra: Para concluir é o seguinte: eu acho que o Brasil pode continuar e pode melhorar muito. O que eu queria pedir às pessoas…
William Bonner: Candidato, o senhor me obriga a interrompê-lo, me perdoe, me perdoe.
José Serra: Não posso nem falar um pouquinho?
William Bonner: É em respeito… Não posso. Porque é em respeito aos demais candidatos que estiveram aqui. E eu sei que o senhor vai compreender. E eu quero agradecer a sua presença aqui.
José Serra: Não. Eu compreendo. Obrigado.
William Bonner: Boa Noite.
Fátima Bernardes: Bom. Boa noite.
postado por Evaldo Torres * Fonte : Google / Youtube em 12-08-2010
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Rapidinhas
Deputado quer cargo para corrupção, diz Serra no "JN"
Cobrado por apoio do PTB de Jefferson, tucano promete não lotear governo
Candidato evita criticar Lula, mas diz que não se pode governar o país na "garupa", sobre o elo de Dilma com o presidente
da FSP
Surpreendido por uma pergunta sobre alianças com envolvidos no escândalo do mensalão, o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, afirmou ontem, em entrevista ao "Jornal Nacional", da TV Globo, que deputados que buscam cargos no governo têm o objetivo de promover a corrupção.
"Para mim não tem grupinho de deputado indicando diretor financeiro de uma empresa, ou diretor de compras de outra. Pra quê um deputado quer isso? Evidente que não é para ajudar em melhor desempenho. É para corrupção", disse.
O tucano foi o terceiro e último candidato ao Palácio do Planalto a ser sabatinado na bancada do "JN" pelo casal de apresentadores William Bonner e Fátima Bernardes.
A exemplo das entrevistas com Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV), Serra foi instado a responder perguntas sobre temas incômodos, como a aliança com Roberto Jefferson, cassado por conta do mensalão, e os preços dos pedágios em São Paulo.
No entanto, assuntos como o mensalão do DEM, principal aliado de sua coligação, não foram abordados.
Sobre a aliança com Jefferson, Serra disse que os "principais personagens" envolvidos no mensalão não são do PTB (três dos réus do mensalão são do partido) e que o aliado não é candidato.
No início da entrevista, o tucano teve que explicar por que não ataca o governo Lula. Serra se classificou como candidato do "futuro", e, evitando críticas ao presidente, repetiu que o petista não está disputando as eleições.
Em duas vezes, disse que um presidente não pode governar "na garupa" ou ser "monitorado", numa alusão à dependência de Dilma em relação a Lula.
"O próximo presidente vai governar e não pode ir na garupa. Tem que ter ideias também, não só coisas que fez no passado, mas também ideias a respeito do futuro", disse.
Em outro tema incômodo, ao ser questionado sobre o tumultuado processo que levou à escolha de Indio da Costa (DEM-RJ) como seu vice, Serra negou a fama de ser centralizador.
"O que havia sido pensado inicialmente, por circunstâncias políticas acabou não acontecendo", disse Serra.
O tucano disse que o nome de Indio da Costa já estava sendo cogitado dentro do partido, mas que isso não chegou à "opinião pública", para não causar "fofoca". O nome de Indio, na verdade, surgiu na data limite da convenção do DEM que definiria o apoio do partido a Serra.
Mais tarde, em entrevista à "Globonews", Serra afirmou que, se for eleito, Indio "vai ficar viajando pelo Brasil verificando como funcionam os serviços governamentais".
Governador de São Paulo até março, Serra também teve que falar sobre os elevados preços dos pedágios nas estradas paulistas e se esse modelo seria expandido para o Brasil. O tucano não respondeu objetivamente. Acabou elogiando a qualidade das rodovias paulistas e criticando as federais.
No fim, se mostrou surpreendido pelo curto tempo da entrevista e não conseguiu se despedir do público. Foi interrompido por Bonner por ter ultrapassado o tempo.
Serra evoca o samba de Noel: "Com que roupa"?
A estratégia de campanha de José Serra está escorada numa ilusão. Na entrevista ao "Jornal Nacional", o presidenciável tucano deu asas à quimera: "O Lula não é candidato a presidente", disse.
"Meu foco não é o Lula", repetiu mais adiante. Revelou-se capaz de tudo, menos de dirigir uma crítica a Lula.
Restou evidenciado que, há uma semana do início da propaganda eleitoral televisiva, Serra ainda não logrou construir um discurso de oposição. Sabe que Lula, não sendo candidato, comanda o baile da sucessão. Sem ele, a candidatura da petista Dilma Rousseff, sua principal antagonista, não existiria.
Quem convida Serra para o samba é Lula, não Dilma. E ele roda em círculos, como se entoasse Noel Rosa: "Esta vida não está sopa e eu pergunto: com que roupa? Com que roupa eu vou pro samba que você me convidou?"
Dos três presidenciáveis, Serra foi o menos fustigado pelo "casal JN". Ainda assim, não se livrou de falar sobre o apoio de Roberto Jefferson.
Apresentou-o como "denunciante" do mensalão. Meia verdade. Denunciou depois que os holofotes focaram o esquema que o PTB montara nos Correios.
Como José Dirceu (PT), Jefferson teve o mandato de deputado cassado. E desceu ao banco de réus em que o STF acomodou a "quadrilha".
Serra disse que não lhe cabe julgar. Afirmou que Jefferson conhece o seu estilo de governar. Se está com ele, é porque se sujeita. Talvez dissesse o mesmo sobre Orestes Quércia (PMDB). Mas não foi inquirido a respeito.
Por que foge da comparação de FHC com Lula? "Não estamos fazendo disputa do passado", rodeou.
Insinuou que, eleita, Dilma governaria "na garupa". A questão é que, para seduzir o eleitor que Lula transfere para Dilma, Serra teria de apregoar um sonho novo. Antes, precisa responder à pergunta: "Com que roupa?"
Bom de lábia, ruim de grana
Com popularidade em alta, presidenciável Plínio Sampaio recebeu apenas uma doação: a própria
FERNANDO GALLO
da FSP
O recente sucesso de Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) no debate da Band e nas redes sociais da internet ainda não se converteu em dividendos financeiros.
Até agora, a única doação que sua campanha recebeu, de R$ 11 mil, foi ele próprio quem fez, como pessoa física. O candidato também cedeu um veículo para ser utilizado em seu benefício.
Além disso, conta com R$ 38,6 mil do fundo partidário, que serão utilizados integralmente na campanha nacional por ele e seu vice.
As informações foram prestadas ao TSE, na semana passada, na primeira parcial de contas e, segundo a tesouraria do candidato, até ontem nem um real a mais tinha sido recebido.
As quantias recebidas por Plínio contrastam com os R$ 11,6 milhões de Dilma Rousseff (PT), R$ 4,65 milhões de Marina Silva (PV) e R$ 3,6 milhões de José Serra (PSDB).
O estatuto do PSOL prevê que as campanhas do partido não podem receber doações de bancos, empresas multinacionais, empreiteiras, instituições que prestem serviços a governos nem empresas com passivo ambiental ou trabalhista.
"A pouca doação tem a ver com interesses. Quando você vai no balanço de qualquer empresa, a campanha eleitoral entra em investimento. Nós somos contra esse sistema", diz Francisvaldo Mendes, presidente do comitê financeiro de Plínio.
Segundo ele, a tarefa de receber de pessoas físicas a quase totalidade das doações é dificultada pela descrença na classe política.
"A politica está desacreditada, em parte pela decepção com o PT no poder. Mas quando as pessoas se sentirem parte da transformação política, elas vão doar".
A campanha espera alavancar a arrecadação com o mecanismo de doação pela internet, que deve ser implementado até o fim da semana, e com um jantar marcado para a segunda quinzena de setembro, em São Paulo.
A previsão máxima dos gastos da campanha é de R$ 900 mil. "Se chegar a esse valor, será uma campanha muito rica", diz Mendes. Dilma e Serra preveem gastar R$ 157 milhões e R$ 180 milhões, respectivamente.
Chamado de "otário" em vídeo com Lula e Cabral, Leandro quer laptop
Estudante é morador de favela em Manguinhos e não sabe da repercussão da gravação
ITALO NOGUEIRA
da FSP
Autor e personagem de um vídeo que tomou conta da internet, em que é chamado de "otário" e "sacana" pelo governador Sérgio Cabral Filho (PMDB), além de ouvir do presidente Lula que tênis é "esporte da burguesia", o estudante Leandro dos Santos de Paula, 18, não tem ideia da repercussão da gravação.
Na favela onde mora, as imagens foram comentadas por "meia dúzia" de pessoas, mas ontem à noite o vídeo contabilizava mais de 430 mil exibições no YouTube.
"Não foi muita gente que viu não. Pouca gente tem internet", diz o jovem, que costuma gravar todos seus encontros com gente "famosa" e se tornou uma dor de cabeça na campanha de Cabral.
O estudante abordou o governador e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em dezembro do ano passado, após inauguração de obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) em Manguinhos, onde mora.
O vídeo trouxe à tona uma visão dos políticos muito diferente daquela de quando estão diante de repórteres.
Primeiro, o rapaz reclama da ausência de uma quadra de tênis no local, e Lula diz que isso é "esporte da burguesia". Leandro conta que precisou consultar o dicionário para entender o recado. "Acho que ele quis dizer que é coisa de gente rica."
O presidente então pergunta por que ele não "nada". Ao ouvir que a piscina fica fechada, Lula se dirige a Cabral: "O dia que a imprensa vier aí e vir isso fechado, o prejuízo político é infinitamente maior do que colocar dois guardas aí".
Em seguida, Leandro reclama do barulho do "Caveirão", o blindado da Polícia Militar, em sua rua. Cabral o interrompe e pergunta se "lá não tem tráfico não". Quando o jovem diz que não, o governador rebate: "Deixa de ser otário, está fazendo discurso de otário".
"Burguês" Leandro não é. Mora num barraco na favela Nelson Mandela, com três irmãos, a mãe, auxiliar de serviço gerais, e o padrasto, que é caminhoneiro.
Mas joga tênis nas ruas da favela. Tem três raquetes de madeira -uma delas com a tela furada- , compradas numa feira de antiguidades em São Cristóvão quando ainda tinha 14 anos.
"Para jogar, a gente molha o chão da rua e marca a quadra", diz Leandro, que tem a companhia de outros quatro "burgueses" da favela.
O estudante do 9º ano -repetiu três vezes- diz que não ouviu as ofensas do governador. "A conversa não era com ele. Era com o Lula."
DA FAVELA AO YOUTUBE
Desde aquele dia, o jovem persegue Cabral em eventos. Pede que o governador cumpra a promessa, feita no palanque no mesmo dia da gravação, de lhe dar um laptop.
Na quinta-feira da semana passada, Leandro aguardava Cabral no Shopping Leblon, a cerca de 20 km de sua casa, para cobrar a dívida.
Abordou Benedita da Silva, candidata a deputada, que em vídeo gravado por ele confirma a promessa. Ela também estava no palanque e, segundo Leandro, anotou seu telefone e endereço.
Foi no shopping que conheceu Ricardo Gama, blogueiro crítico a Cabral e que apoia o candidato Fernando Peregrino (PR), lançado por Anthony Garotinho.
O jovem contou que tinha filmado a visita com uma pequena câmera que costuma carregar. O blogueiro viu as imagens e pôs em seu site.
Leandro diz não ter vinculações político-partidárias, como acusa Cabral. O vídeo do governador divide espaço da memória da câmera com fotos do jovem com artistas. A última clicada foi a atriz Regina Duarte. "Gravo para guardar de recordação."
o olhar do presidente está estacionado na orelha do livro do Paulo Coelho
AUGUSTO NUNES
VEJA
O Mestre ensina como tratar corretamente a discípula: muita gentileza e nenhuma pergunta
O presidente da República conta piadas obscenas na presença de mulheres, relata intimidades conjugais em palavrórios no palanque e, pelos arrulhos que anda trocando com o neocompanheiro, não achou grave a afronta infligida à filha Lurian e a ele próprio por Fernando Collor na campanha de 1989, quando sua ex-namorada Miriam Cordeiro foi alugada pelo adversário para acusar Lula de ter tentado forçá-la a interromper a gravidez com um abordo. Piadas grosseiras, revelações personalíssimas, agressões brutais ─ nada disso pode parecer constrangedor aos olhos e ouvidos femininos.
O que Lula considera intolerável é perguntar a uma mulher que disputa a Presidência da República o que o eleitorado deseja saber. “Eu esperava que o entrevistador tivesse um pouco mais de gentileza”, queixou-se nesta terça-feira durante a discurseira em Belo Horizonte. Sempre escondendo o nome do acusado, Lula decidiu que o jornalista William Bonner, no Jornal Nacional de segunda-feira, foi descortês descortês com a entrevistada Dilma Rousseff. Deveria tratá-la com muita delicadeza, ensinou, “pelo fato de ser mulher e ser candidata”.
Lula assistiu ao mesmo programa em que milhões de brasileiros viram apenas um William Bonner incisivo, como deve ser todo entrevistador, mas exemplarmente educado. Por que resolveu enxergar agressões inexistentes? Para agredir a liberdade de imprensa, inibir os donos de empresas jornalísticas e, sobretudo, ameaçar os entrevistadores. O padrinho só ficará satisfeito quando todos perguntarem o que a afilhada acha da beleza da mulher brasileira, do Carnaval do Rio ou do presidente Lula.
Se acha mesmo que William Bonner protagonizou um caso de descortesia com mulheres, Lula deve apresentar-se imediatamente à delegacia mais próxima pelo caso de polícia que estrelou em 1984. Acusada de votar em Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, a deputada Bete Mendes ─ mulher, até prova em contrário ─ foi expulsa por Lula do PT. Em Belo Horizonte, jurou que “aprendeu muito” com Tancredo. Se fosse sincero, enviaria a Bete Mendes centenas de buquês de rosas semelhantes à que a candidata que inventou ganhou do chefe “pela calma e tranquilidade que teve no Jornal Nacional”.
Lula ficou indignado com William Bonner por ter castigado Dilma Rousseff com três ou quatro perguntas muito pertinentes. Acha que, por ser mulher, só merece gentilezas. A iraniana Sakineh Ashtiani foi condenada à morte por apedrejamento pelo companheiro Mahmoud Ahmadinejad. Ontem, Lula não tinha nada a dizer sobre a mulher que vai morrer. Estava indignado com a aplicação das sanções aprovadas pela ONU. Acha que um homem como Ahmadinejad não deve ser castigado. Não é mulher nem candidata, mas merece tratamento tão gentil quanto o que exige para Dilma Rousseff.
postado por Evaldo Torres * Fonte : VEJA/Augusto Nunes em 12-08-2010
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Candidata não é bibelô
CLÓVIS ROSSI
da FSP
SÃO PAULO - É totalmente despropositada a queixa do presidente Lula a respeito do tratamento dado à sua candidata, Dilma Rousseff, no "Jornal Nacional".
Primeiro, porque o comportamento de William Bonner e Fátima Bernardes foi, de fato, duro, mas respeitoso. Como tem que ser.
A queixa parece refletir o desejo do presidente de que todo o mundo estenda a Dilma um tapete vermelho. Não dá.
Mas nem é esse o despropósito principal. A queixa de Lula tem um substrato machista. Ao dizer que candidata mulher deve merecer "um pouco mais de gentileza", está indiretamente assumindo o preconceito machista que diz que mulher -candidata ou não- é animicamente mais fraca que homem e, portanto, não pode enfrentar questões duras.
Bobagem. Se eleita, os problemas que Dilma terá que enfrentar não olharão para o fato de ser mulher. Serão duros como serão se o eleito for homem. Simples assim.
O desagradável nesse machismo subliminar é que parte de quem teve a ousadia e a coragem de escolher uma mulher para candidatar-se à sua sucessão -o que demonstra que o presidente não é intrinsecamente machista.
Por mera coincidência, está em alta uma onda de pesquisas que procuram demonstrar que há um importante vínculo entre a segurança das mulheres e a dos Estados. Onde as relações homem/mulher são baseadas no domínio e na iniquidade, o padrão afeta o Estado e sua segurança.
A Estratégia Nacional de Segurança do presidente Obama chega a dizer que "a experiência mostra que países são mais pacíficos e prósperos quando as mulheres recebem plenos direitos e oportunidades iguais".
O ponto, pois, é que mulheres, candidatas ou não, não precisam de mais gentileza e, sim, de mais direitos e oportunidades.
postado por Evaldo Torres * Fonte : Folha de São Paulo em 12-08-2010
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