Evaldo Augusto Torres Alves /editor
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Política

Rapidinhas


Direto ao Ponto /VEJA
AUGUSTO NUNES

Estadistas não consultam marqueteiros
A era dos marqueteiros produziu incontáveis espantos: acabou com todos os vincos e rugas, erradicou os cabelos brancos, instituiu a obrigatoriedade do uso do uniforme terno-azul-marinho-camisa-azul-celeste-gravata-vermelho-cheguei, aposentou os óculos de aros grossos, converteu arrogantes vocacionais em poços de humildade, permitiu a gargantas franzinas formularem incongruências com voz de tenor, transformou azarões em favoritos, elegeu perfeitas nulidades e promoveu bestas quadradas a gênios da raça. Mas não produziu um único estadista.

O sumiço dessa fina estirpe não pode ser debitado inteiramente na conta do profissionais do marketing político. Mas é impossível imaginar um marqueteiro soprando o que deve ser feito aos ouvidos de um estadista. Gente assim sabe que pesquisas de opinião captam um estado de ânimo condicionado por circunstâncias passageiras ─ e pelo imaginário popular. Sabe que a voz do povo não é ditada pela Divina Providência: é apenas a voz do povo, e não traduz necessariamente o que é melhor para um país.

Como os políticos comuns, profissionais do marketing político pensam na próxima eleição. Estadistas pensam na próxima geração. Em 1938, já que a maioria dos britânicos queria um tratado de paz com a Alemanha, os marqueteiros teriam sugerido a Winston Churchill que fosse mais polido com Adolf Hitler. Nos anos seguintes, sobraçando levantamentos do Instituto Gallup, teriam implorado a Franklin Roosevelt que mantivesse os Estados Unidos fora de uma guerra que, para sete entre dez americanos, era um problema europeu.

Na eleição que se seguiu ao triunfo contra a Alemanha nazista, Churchill também seria aconselhado a livrar-se do charuto, beber menos, esconder que dormia depois do almoço, emagrecer pelo menos 15 quilos, usar fotografias que amputassem a calvície e, sobretudo, parar de denunciar com tanta veemência a política expansionista da União Soviética. Cansados de guerra, os ingleses não queriam sequer ouvir falar em Guerra Fria. Churchill talvez não tivesse perdido a eleição. Mas perderia a chance de voltar nos anos 50, o lugar que lhe coube na História e o respeito que sempre merecerá de todas as gerações.

A oposição brasileira precisa mais de líderes com visão histórica que de candidatos com chances de vitória. O país que presta está pronto para o combate frontal e sem prazo para terminar. Se o preço a pagar pela chegada ao poder for a rendição sem luta, os democratas preferem a derrota. O que está em jogo não é o Palácio do Planalto, é o futuro. Não se trata de escolher entre nomes, mas entre a liberdade e o autoritarismo. José Serra e todos os oposicionistas decentes devem mirar-se no exemplo do primeiro-ministro britânico. A farsa precisa ser desmascarada. A fraude não resiste ao confronto com a verdade. Quem se opõe tem o dever de denunciar com dureza os crimes e pecados do adversário.

Churchill perdeu as primeiras batalhas. Sabia, quando começou a guerra contra o inimigo primitivo e poderoso, que tinha o apoio declarado de menos que 5% dos ingleses. Mas também sabia que tinha razão. E a civilização sobreviveu.




Tucano diz que "300 picaretas" estão com Dilma

DE PORTO ALEGRE /FSP

Ultrapassado pela petista Dilma Rousseff na pesquisa Datafolha, o tucano José Serra voltou a fazer críticas à adversária e ao presidente Lula, sem citá-lo nominalmente.
No Rio Grande do Sul, ele atacou a distribuição de cargos em estatais entre aliados do Planalto e relembrou a frase de Lula, dita em 1993, segundo a qual havia "300 picaretas" no Congresso.
"Não sou daqueles que dizem que o Congresso tem 300 vigaristas ou picaretas. Hoje estão todos [os "picaretas'] com a outra candidata. Tem gente muito boa no Congresso, mas tem uma dominação excessiva [de políticos sobre estatais]", discursou.
Serra voltou a prometer cortar o loteamento de cargos em estatais.




JANIO DE FREITAS da FSP

Caminhos abertos

É pertinente esperar que os candidatos se manifestem, com ideias inovadoras, sobre serviços antitráfico


SEM IR tão longe quanto José Serra em relação ao governo boliviano, cabe aproveitar a apreensão de meia tonelada de maconha trazida do Paraguai e reconhecer que é ininteligível a inaptidão dos tantos serviços antitráfico brasileiros (de todos os últimos governos) para conter a traficância pesada pelas fronteiras.
Tal como a carga apreendida ontem, há anos o tráfico passou a usar carretas e grandes caminhões, que não trafegam por campos e desvios improvisados, precisam das estradas fronteiriças reconhecidas. E as utilizam. Em paz.
As maiores e mais frequentes apreensões, quase sempre proporcionadas por informações dos agentes americanos, são feitas em estradas no Estado do Rio. Cargas de toneladas ou centenas de quilos saem, portanto, de Paraguai, Peru e Bolívia, atravessam Mato Grosso do Sul ou Paraná, atravessam grande extensão de São Paulo e longo trecho fluminense.
Fica à mão dos serviços antitráfico o argumento de que a facilidade é deliberada, para identificar o destino da droga. A tática inteligente seria crível se houvesse, e jamais há, desmantelamento dos centros de distribuição destinatários da carga. E, sobretudo, se as apreensões não se dessem antes do ponto de entrega da droga.
O caminho das drogas é o caminho das armas. E, com a apreensão de ontem na entrada do Rio, ganhou-se o conhecimento de um agravante a mais no problema que não cessa de agravar-se. O pagamento da meia tonelada de maconha foi ou seria feito sem dinheiro: com carro roubado e levado para o Paraguai. Está desfeito, ao menos em parte, o mistério de como seria o tráfico intenso e invisível de dinheiro para as fontes de drogas e armas. Estamos pagando com os nossos bens e os nossos medos, quando não com nossas dores ou nossa vida, as drogas e as armas que nos veem fazer tais males.
As Forças Armadas estão agora dotadas do poder de polícia nas regiões de fronteira. Providência que se relaciona mais com as situações internas da Colômbia e da Venezuela, e as imaginadas consequências possíveis na Amazônia brasileira e nas tribos amazônicas, do que com os problemas já existentes na fronteira oeste. Se bem que o boliviano Evo Morales e o paraguaio Fernando Lugo estejam na lista, digamos, cinza escuro. Se da nova medida decorrerá nova concepção de presença militar na fronteira ativíssima, não se conhece nem hipótese.
Já que estamos sob campanha para a Presidência, seria pertinente esperar que os candidatos se manifestassem, com ideias inovadoras e convincentes, sobre todo esse assunto. Não propriamente por isso, mas, ao que parece, por causa da insegurança urbana, José Serra promete um indefinido Ministério da Segurança. O qual já existe, aliás, com todos os departamentos, serviços e quadros apropriados. Chama-se Ministério da Justiça. Seria só o caso, além de alterações desejadas pelo eleito, de mudar-lhe o nome. Embora o atual seja menos típico de regimes autoritários.
De Dilma Rousseff não consta, nos anais, nem sequer uma palavra sobre o tema. Vazio que se vê também nos demais candidatos. Mas, compreende-se, estamos em uma campanha presidencial peculiar.




TV nunca mudou eleição presidencial

Desde 89, candidato que estava na frente no início da propaganda eleitoral sempre ganhou a disputa no final

Em outras eleições, como na vitória de Kassab em 2008, TV foi crucial para alterar resultado da disputa

RANIER BRAGON/FERNANDA ODILLA
da FSP

A campanha na TV tem histórico de relevantes movimentações na intenção de voto dos candidatos à Presidência, mas até hoje não teve impacto suficiente para tirar a vitória daquele que iniciou o período na dianteira.
Nas cinco eleições presidenciais após a redemocratização -de 1989 a 2006-, saiu vitorioso o candidato que liderava as pesquisas imediatamente antes da entrada da campanha na TV.
A análise das planilhas do Datafolha mostra que se encontravam nessa situação Fernando Collor (PRN) em 1989, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em 1994 e 1998, e Lula (PT) em 2002 e 2006 -em 94, FHC dividia a ponta com Lula, em empate técnico, mas em ascensão.
Apesar disso, a propaganda televisiva coincidiu com períodos de movimentações que em dois casos levaram um cenário de vitória em primeiro turno para o segundo.
Em 1989, Collor abriu o período da propaganda com sete pontos de vantagem sobre todos os principais oponentes somados. No final, havia caído de 40% para 26% na pesquisa. Embolado na terceira posição, Lula praticamente dobrou seu índice e, por margem estreitíssima, derrotou Leonel Brizola (PDT) e foi ao segundo turno.
Nas vitórias de 1994 e 1998, ambas no primeiro turno, FHC tinha mais minutos na programação eleitoral e assistiu no período televisivo a uma ampliação da vantagem em relação a Lula.
Já em 2002, Lula iniciou a TV com Ciro Gomes (PPS) como seu principal oponente. Entretanto, Ciro derreteu de 27% para 11% das intenções de voto, desempenho em parte atribuído à exploração na TV de frases polêmicas e da discussão com um eleitor.
José Serra (PSDB), dono da maior fatia eletrônica, acabou indo ao segundo turno.
"O horário eleitoral sepultou as chances de Ciro por conta das bobagens que ele falou", disse o cientista político Marcus Figueiredo, professor da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro),
Autor de estudos sobre o tema, ele diz que a propaganda na TV constrói a imagem dos candidatos e pauta debates, mas que está longe de ser a única variável para que o eleitor defina seu voto.
Na disputa de Lula pela reeleição, em 2006, o petista vencia o conjunto dos principais oponentes por dez pontos no início da propaganda.
Em meio à repercussão do episódio em que petistas foram presos tentando comprar um dossiê antitucano e após faltar ao último debate, na TV Globo, teve que disputar o segundo turno com Geraldo Alckmin (PSDB).
As planilhas do Datafolha mostram não haver padrão sobre o momento da campanha na TV em que as intenções de voto se estabilizam.

OUTRAS ELEIÇÕES
Houve mudanças, no entanto, no resultado final de outras eleições. Um dos exemplos mais claros é o da eleição de Gilberto Kassab (DEM) à Prefeitura de São Paulo, em 2008. Em 22 de agosto, na semana de início da propaganda na TV, ele tinha 14%, contra 41% de Marta Suplicy (PT) e 24% de Geraldo Alckmin (PSDB).



Na frente dos bois

Dora Kramer
do Estadão

No frigir, a prolongada dianteira do candidato da oposição a presidente não o favoreceu. Além de ter posto José Serra e o PSDB em relativo sossego durante bastante tempo, ajudou a consolidar a impressão de que uma vez perdida a primeira posição estaria também perdida a eleição.

Esta é a ideia preponderante hoje entre os analistas. Não todos, mas aqueles de compromisso marcado com a adivinhação já se aboletam sobre a certeza de que a eleição está decidida.

Se o cenário mudar não tem problema, basta atribuir ao efeito do horário eleitoral e fica tudo certo: todos ao menos parecerão "justos" e não engajados.

Realistas, sobretudo, uma vez que é mais fácil tomar como verdadeiro um cenário desenhado e depois adaptar o raciocínio do que raciocinar sobre os traços do desenho.

Por ora a explicação para as assertivas é a de que o apoio do presidente Luiz Inácio da Silva torna a candidata do PT imbatível. Se Dilma Rousseff inicia o horário eleitoral à frente de José Serra, isso quer dizer (de acordo com a norma em voga) que ela tende a crescer, ele a cair.

Ademais, como Dilma está "a três pontos porcentuais da vitória no primeiro turno", não há o que se discutir.

É de se perguntar para que mesmo eleição, campanha, gastos inúteis de tempo, dinheiro e energia. Apenas para que as urnas confirmem as pesquisas? De fato, parece ser a conclusão subjacente às argumentações de maior aceitação.

Só um truque espetacular saído da cabeça do marqueteiro seria capaz de virar o jogo. Isso tudo é o que se diz, embora não seja necessariamente o que acontece.

E acontece que a eleição é daqui a dois meses e será decidida pela maioria dos 135 milhões de eleitores que compareceram às urnas.

Até lá o favoritismo da candidata governista pode se confirmar, se acentuar, disparar, mas pode também estacionar e até diminuir.

Tomemos a eleição anterior, de 2006. Lula em pessoa estava na disputa e nessa mesma época mais bem situado do que Dilma está agora. Ela tem 41% das intenções de voto contra 33% do adversário. Lula tinha 55% contra 24% de Geraldo Alckmin.

Eram 31 pontos de diferença. Dois meses depois, as urnas deram 48% para Lula e 41% para Alckmin. Ah, dirá alguém, havia a sombra do mensalão. Ainda assim Lula tinha 55% das intenções de voto.

Ah, mas houve o escândalo dos aloprados. Pois é, as coisas acontecem. Ou não.

Em Minas Hélio Costa tem 43% contra 17% de Antonio Anastasia e os mesmos analistas não tiram do cenário a hipótese de uma "virada". Por que a diferença de expectativa?

Tudo depende da percepção e do desejo da maioria: se o eleitorado cotejar os atributos dos candidatos ganha Serra; se resolver votar apenas referido em Lula ganha Dilma e não haverá malabarismo publicitário capaz de mudar o curso desse rio.

De verdade o que José Serra poderia fazer ou inventar? Ele está em cena há anos, é conhecido de todos, não tem quem fale em seu lugar, não há Celso Kamura que dê jeito no visual nem existe margem para mágicas: Serra é o que é.

Isso pode beneficiá-lo ou pode prejudicá-lo, mas a realidade não pode ser alterada.

Diferente de Dilma, cuja situação se presta a quaisquer construções. Sendo desconhecida, tudo o que se diga ou se crie em torno dela passa a ser a circunstância real. Por mais fantasiosa que possa ser.

Incluindo aí a já afamada continuidade. Nada mais diferente de um governo de Lula que um governo de Dilma, a começar pela personalidade e o estilo da que terá sido (se for) eleita presidente, que não terá como levar o governo na base da conversa com as massas.

A se estender pela presença mais incisiva do PT e pela participação marcante do PMDB agora na posição de "protagonista", de poder - note-se - moderador e da já auto-anunciada condição de distribuidor de partilhas.

São parceiros de apetites inesgotáveis a serem administrados por uma pessoa ao mesmo tempo inexperiente e senhora absoluta do mando, cujo respaldo popular nunca lhe será atribuído a mérito próprio, mas pela conquista do empenho e da força de outrem.



Feridos graves de acidente aéreo são transferidos para Bogotá

da FSP

Os feridos mais graves do acidente aéreo na ilha de San Andrés começaram a ser transferidos em aviões ambulância para a capital colombiana, Bogotá, informou a companhia aérea Aires em comunicado.

Em um primeiro avião, embarcaram a menina María Camila Angarita Lombo, de 11 anos, que apresenta traumatismo craniano, e Alicia Inés Herrera, 58. As duas serão levadas à Unidade de Cuidados Intensivos do hospital Santa Clara, no centro de Bogotá.

Em outro avião estão Hernán Estrella, Melissa Estrella Molina, María Inés Molina Rodríguez, David Río, Caroline George e Kirsten Epler.

O trabalho de remoção dos feridos da ilha demorou devidos às condições climáticas ruins.

O mau tempo impediu ainda a retirada do avião acidentado e, por isso, o aeroporto continua fechado, informou o ministro dos Transportes, Germán Cardona, de Barranquilla, também no Caribe colombiano. A comissão técnica liderada por ele e pelo diretor da autoridade aeronáutica da Colômbia, Fernando Sanclemente, também não conseguiu chegar à ilha de San Andrés.

O ministro não deu uma previsão para o retorno das atividades no aeroporto de San Andrés.

ACIDENTE

O voo 8250 decolou do Aeroporto Eldorado às 0h07 desta segunda-feira e aterrissava no Aeroporto Gustavo Rojas Pinilla quando foi atingido por um raio. O impacto teria feito o avião cair e se partir em três pedaços.

Os feridos foram levados ao Hospital Amor de Patria e à Clínica Villarreal, na ilha de San Andrés.

A autoridade civil e a companhia Aires criaram uma linha telefônica para informação aos familiares das vítimas: 018000-949490. Eles podem ainda se dirigir ao Hotel Habitel, em San Andrés.


BRASILEIROS

Sobrevivente do acidente aéreo na ilha de San Andrés (Colômbia), a brasileira Catherine Silva Lobo relatou por telefone à Folha.com que ela, o marido e mais um casal de brasileiros fugiram correndo com medo de que a aeronave explodisse, após partir-se em três pedaços após a aterrissagem.

Catherine viajava com o marido, Ramiro Alves Branco Lobo de Almeida, e com o casal de amigos Tiago Cavalcanti e Caroline Gonçalves. Ela e o marido estão agora no hotel Decameron Marazul, na ilha de San Andrés.

A brasileira relatou que o voo transcorria normalmente, após a decolagem da cidade colombiana de Letícia. Apesar do mau tempo, com fortes chuvas e relâmpagos, a tripulação havia informado que a aterrissagem seria realizada normalmente.

"A gente viu que estava chegando, mesmo com os relâmpagos. Pouco depois de o avião tocar a pista, vimos um forte clarão. O avião se partiu em três pedaços, e uma fenda abriu bem em frente à nossa poltrona", conta.

O marido a ajudou a soltar o cinto de segurança e a sair do aeronave. "Saímos correndo, com muito medo do fogo. Achávamos que ia explodir. Tudo começou a cair na minha cabeça", diz.

Catherine relatou que sofreu uma fissura no nariz, e o marido teve cortes na cabeça. "Ele levou alguns pontos, eu fui atendida também. Já estamos bem", conta.

OUTRO BRASILEIRO

Outro dos cinco brasileiros que sobreviveram ao acidente, Tiago Cavalcanti relatou que ele e sua mulher Caroline Gonçalves estão fora de perigo, mas buscam agora agilizar seus documentos para o retorno ao Brasil "o mais rápido possível". Cavalcanti falou por telefone à Folha.com da Clínica Villarreal, na ilha de San Andrés.

"Minha mulher está grávida, estamos em uma situação bem difícil. Nossos documentos ficaram no avião. A maior preocupação agora é conseguir novos documentos para voltar logo para o Brasil", disse.

A enfermeira Maria Helena Arango, que acompanha o caso, relatou que apesar de não correr risco, Caroline passava por exames ginecológicos para garantir a segurança da gestação.

Naturais de Tabatinga, no Estado do Amazonas, os dois estavam de férias na região, um dos principais pontos turísticos do Caribe colombiano. Cavalcanti relatou que já conversou com a família no Brasil.

Cavalcanti usava um celular disponibilizado pelos médicos locais. "Agora preciso dar atenção à minha mulher, estou muito preocupado. Precisamos voltar logo", disse.




Serra tem prontos comerciais em que ataca petista
Serra tem prontos comerciais em que ataca petista e afirma que ela trará "radicais"


CATIA SEABRA
DE SÃO PAULO

O comando da campanha de José Serra (PSDB) produziu artilharia pesada contra a adversária e hoje líder nas pesquisas, Dilma Rousseff (PT). O comitê de Serra tem prontos um jingle de rádio e um comercial de TV, para ataque contra a petista.
Dedicado ao eleitor nordestino, o jingle cita o ex-ministro José Dirceu. Em ritmo de forró, diz que o governo Lula vai acabar e Dilma trará de volta o ex-ministro da Casa Civil e os "radicais".
Concluído nesta semana, o comercial de TV lança dúvidas sobre a capacidade administrativa da ex-ministra. Na peça, uma apresentadora lista medidas encampadas por Serra, como os genéricos e a luta contra a Aids.
Ao mostrar o rosto de Dilma, pergunta se o eleitor lembra algo que ela tenha feito de benéfico. E conclui dizendo algo como "Serra é certeza. Dilma é dúvida" (o texto ainda estava sendo trabalhado nos últimos dias).
Reservadas para rádio e para as inserções comerciais, as críticas mais ácidas podem ir ao ar nos próximos dias, mas devem ficar longe do programa de estreia.
O programa, que vai ao ar hoje, será destinado à apresentação do candidato em contato com o povo e dizendo que seu foco são pessoas.
Na tentativa de mostrar sensibilidade social, Serra apresentará quatro beneficiários de políticas públicas defendidas por ele, na Paraíba, em Minas e no Maranhão.
Nesse esforço de humanização do candidato, o tucano transitará por cerca de 30 silhuetas de pessoas. Então, dançará "puladinho", num cenário que reproduz um churrasco numa laje, ao som de "quando o Lula da Silva sair, é o Zé que eu quero lá". Por fim, aparecerá jogando futebol com crianças.
Em ritmo de pagode, o novo jingle bate na tecla de que Lula não é mais o presidente: "Para o Brasil seguir em frente, sai o Silva e entra o Zé".
Como o uso do primeiro nome e a opção pela manga da camisa arregaçada, dando ideia de dinamismo, fizeram parte da campanha de Geraldo Alckmin em 2006, a repetição da fórmula tem causado apreensão no tucanato. Ontem, líderes do PSDB insistiam para que Serra fosse, desde já, mais agressivo.

DÚVIDA
A dúvida sobre a capacidade de Dilma e a exaltação da biografia de Serra estarão nas inserções. A cargo do publicitário Átila Francucci, serão reduzidas, em sua maioria, a 15 segundos.
Com menor tempo de TV, o comitê Serra investe na ideia de volume, dividindo os 30 segundos convencionais à metade. Com isso, o número de aparições passa dos 3,5 diários para 5 ou 6.
Para garantir maior presença, Serra deverá ocupar ainda o tempo dedicado às inserções dos candidatos a deputados. Em São Paulo, protagonizará todas as inserções, pedindo voto no 45.
A intenção é ocupar ao menos um terço do tempo destinado aos deputados nos outros Estados. Serra também terá aparições no programa dos candidatos a senador.




ELIANE CANTANHÊDE da FSP

Reta final

BRASÍLIA - A esperança, inclusive a dos tucanos, é a última que morre. Mas Serra chega em franca desvantagem ao horário eleitoral gratuito no rádio e na TV, que começa hoje, e ao debate Folha-UOL com os presidenciáveis, amanhã. Dilma tem 8 pontos à frente, segundo o Datafolha, atingiu condições de ganhar no primeiro turno, segundo o Ibope, e tem o grande trunfo dos programas políticos: Lula.
Ou seja: Dilma chega ao horário gratuito em ascensão, e a tendência é que aprofunde a vantagem, e não que Serra reverta o quadro. Ela tem Lula, Serra não tem nada desse calibre para enfrentá-lo. Aliás, muito menos se quiserem trocar a forte marca "Serra" por "Zé". Quem é "Zé"? Um "Zé ninguém".
Serra teve boas oportunidades de consolidar suas vantagens comparativas na fase política da campanha (a de construção de apoios, palanques e discurso), mas jogou pela janela, enquanto Dilma colou a imagem na de Lula, capitalizou o bom momento do país e foi transformando defeitos em qualidades.
O resultado é que Serra entra na reta final sem ter para onde correr, e Dilma não apenas mantém a distância avassaladora no Nordeste como está avançando nas capitais e em todos os redutos naturais do adversário -inclusive no Sudeste e até em São Paulo. Virou "onda".
A esta altura, a oposição luta não para ganhar, mas para garantir segundo turno. Se depender só dos programas, é improvável. Mas há outros fatores em jogo, e um deles, como lembra Carlos Augusto Montenegro, do Ibope, é a exigência de dois documentos para votar -o título de eleitor mais um outro com foto. Isso pode gerar alguma quebra de voto para Dilma no Nordeste e entre a população de baixa renda. Se ela disparar, é bobagem. Mas, se a margem para vencer no primeiro turno for estreita, qualquer tremelique pode fazer diferença.
O PT torce para a campanha de Serra se agarrar a detalhes assim. Significa que está por um fio.

Tribunal "esconde" processo contra Dilma


Tribunal "esconde" processo contra Dilma

Para evitar uso eleitoral, corte guarda em cofre papéis de ação que levou petista à prisão na ditadura, diz ministro

Caso não é protegido por sigilo; presa em 1970, Dilma foi condenada pela Justiça Militar de três Estados e torturada

LUCAS FERRAZ
da FSP

Está trancado desde março, num cofre da presidência do Superior Tribunal Militar, todo o processo que levou a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, à prisão durante a ditadura (1964-85).
A papelada, retirada dos arquivos por ordem do próprio presidente do tribunal para prevenir um eventual uso político do material, revela em fichas, fotos, depoimentos e relatórios de inteligência a militância de Dilma à época.
Até março, quando foram "escondidos", os documentos poderiam ser consultados pelo público, como advogados, jornalistas, pesquisadores e pelas partes do processo. A liberação, quase sempre, é feita pelo ministro-presidente do tribunal, Carlos Alberto Marques Soares.
Em entrevista à Folha, ele admitiu que o processo foi parar no cofre por causa das eleições. "Não quero uso político [do STM]", afirmou ele. "Não vou correr risco no período eleitoral."
Estão nos arquivos do STM mais de 116 mil processos. Além do material sobre a ditadura, há documentos da Intentona Comunista, de 1935, e da chegada de Getúlio Vargas ao poder, em 1930.
Só o processo referente a Dilma e "mais uns outros 50", segundo Carlos Alberto Marques, estão no cofre.
Mas o passado de Dilma em organizações da esquerda armada não é o único argumento para a retirada do material do arquivo. "Também vamos começar a restauração e a digitalização dos processos", disse.
A digitalização, por enquanto, só existe no discurso. Uma licitação para contratar um responsável para restaurar os arquivos ainda nem saiu do papel, como reconhece o ministro.
Apenas depois de restaurados, os papéis serão digitalizados. E o processo só será disponibilizado ao público após a digitalização.
A assessoria da candidata do PT diz que ela "desconhece" a guarda dos documentos em um cofre.
"A mim ninguém pediu nada", afirmou Carlos Alberto ao ser questionado se recebeu alguma solicitação para levar o material aos cofres.
O processo não traz informações somente do passado de Dilma. À época, em 1970, outras 67 pessoas tornaram-se rés no mesmo caso.
Quase todos eram integrantes da VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária - Palmares), organização que Dilma integrava.
Parte do material, mas não ele todo, está espalhada em arquivos públicos do país. O processo não está protegido por sigilo.
Presa no início de 1970, a candidata do PT foi condenada pela Justiça Militar de três Estados -Rio, Minas e São Paulo. Foi torturada. Deixou a prisão no final de 1972.
Em entrevistas sobre o assunto, Dilma Rousseff diz ter orgulho de seu passado de luta contra a ditadura. Ele nega ter atuado em ações armadas e afirma que sua participação restringiu-se à logística das organizações.


Duelo à sombra de Lula


Duelo à sombra de Lula

NOTAS & INFORMAÇÕES
do Estadão

Por sorteio, o candidato tucano José Serra será hoje o primeiro dos 9 presidenciáveis a aparecer no rádio e na TV, na abertura do ciclo de 20 dias reservados aos inscritos na disputa pelo Planalto. Mas nem o mais fervoroso adepto do ex-governador paulista ousa imaginar que, ao fim da temporada, em 30 de setembro, ele voltará à primeira colocação que ocupava nas pesquisas até abril. À época, apenas começava a dar resultados a formidável operação montada para promover a figura da ex-ministra Dilma Rousseff, ainda uma ilustre desconhecida para a grande maioria do eleitorado, como "a mulher do Lula".

Agora, o máximo a que Serra pode aspirar é que o seu desempenho nos programas eleitorais e nos debates a se realizarem nesse meio tempo na mídia eletrônica tenha impacto suficiente para levar o duelo ao segundo turno. O seu desempenho convincente, bem entendido, e os eventuais tropeços da adversária.

Quando a curva nas pesquisas começou a mudar em fins de maio, indicando uma nítida tendência de crescimento das preferências por Dilma, a última esperança dos partidários de Serra era ambos chegarem empatados nos derradeiros levantamentos antes do início do período oficial de propaganda televisiva. A expectativa ruiu com os resultados da pesquisa do Datafolha, divulgados na sexta-feira, e com os do Ibope, apresentados ontem à noite. No Datafolha, por exemplo, a petista não só livrou 8 pontos de vantagem na pesquisa estimulada, como ainda cresceu ou se estabilizou em quase todos os setores do público entrevistado.

A esta altura, Serra lidera apenas entre o grupo de renda acima de 10 salários mínimos por mês - que representa 4% do eleitorado. Dilma pela primeira vez passou o tucano na decisiva Região Sudeste, diminuiu a diferença que a separava dele no Sul e conseguiu empatar entre as mulheres, junto às quais Serra reinava absoluto. Em suma, não há na pesquisa um único dado animador para ele. Pior: os números sugerem que não se completou a transferência de votos de Lula para a sua afilhada. Entre os eleitores que aprovam o presidente, 27% ainda manifestam a intenção de votar no tucano. Eram 32% em julho.

A cartada de Serra para o horário eleitoral se assemelha à proverbial quadratura do círculo. Consiste em convencer a ampla parcela que o considera candidato de oposição a Lula de que não só isso é falso, como ainda, no fundo, no fundo, até se parece com ele: também veio debaixo. Mais importante que tudo, a sua experiência e os seus conhecimentos das aflições do povo o credenciam a fazer - melhor do que a novata Dilma - um governo na linha do atual, só que aperfeiçoado. Está neste trecho do seu jingle: "Quando o Lula da Silva sair, é o Zé que eu quero lá, o Zé Serra eu sei que anda?" E neste: "Zé é bom eu já conheço, eu já sei quem ele é."

A óbvia limitação à metamorfose de José em Zé e o papel do Zé como o Lula depois de Lula é que o verdadeiro - em torno de quem gravitam a eleição e a maioria dos eleitores - não se cansará de lustrar a imagem de sua candidata. Administradora, dirá, ela foi a alma do seu governo. Mulher, insistirá, é a mãe coragem, que de um lado zela pela família, de outro briga para que as coisas certas aconteçam, e será a primeira presidenta do Brasil. A única dúvida aparente do padrinho e da apadrinhada é a dosagem da participação do primeiro no espetáculo mercadológico da segunda - duas sessões de 10 minutos 3 vezes por semana, ante os 7 de Serra.

Lula não pode aparecer pouco, para não diluir a associação entre ambos na percepção do eleitor. Mas ele também não pode aparecer demais para não ofuscar a candidata e permitir que o outro lado explore a sua "lulodependência". Mas é um suave dilema perto dos que cercam o tucano.


Mas o que vai decidir a eleição - se já não decidiu - não é aquilo que os dois candidatos irão dizer. O que decidirá é o que os americanos chamam feel good factor, o fator "satisfação geral", em tradução livre. Em outras palavras, o sentimento generalizado de todos os setores da sociedade de que a situação material de cada cidadão melhorou nos últimos oito anos.

A oposição, como dissemos em editorial de 2 de julho, não ganha eleição. É o governo que perde eleição. E um governo com quase 80% de aprovação não tem motivo para perder esta eleição.

Alckmin diz que vai contratar 6 mil policiais
Alckmin diz que vai contratar 6 mil policiais se for eleito

Candidato tucano ao governo de São Paulo concedeu entrevista ao programa SP TV

Jair Stangler
do Estadão

O candidato do PSDB ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, afirmou nesta segunda-feira, 16, que irá aumentar a presença de policiais nas ruas em todo o Estado de São Paulo e afirmou que irá contratar mais 6 mil homens. Em entrevista ao SP TV, o tucano afirmou que "os homicídios caíram muito no Estado de SP nós tínhamos 12.800 hoje são 4.600. Houve uma redução de um terço, e nós vamos reduzir ainda mais."

Ainda segundo ele, "é uma guerra que precisa vencer batalha todo dia. E nós vamos vencer, com a polícia motivada, valorizando policial, presença do policial na rua, com mais 6 mil homens, evitando escolta de preso para fórum, fazendo por videoconferência, radiodigitalização, completar toda a parte tecnológica - viatura com laptop, palmtop, gps, e inteligência policial. E polícia comunitária. Nós pretendemos dobrar. Hoje nós temos cerca de 500 postos de polícia comunitária e nossa meta é chegar a mil postos. Ter polícia perto do bairro, junto da população que conhece a comunidade para proteger a população."

Saúde - Alckmin prometeu ampliar os ambulatórios de especialidades e os hospitais de retaguarda. "A pessoa precisa internar, precisa ser operada, precisa ter o hospital do SUS de graça e com qualidade para a população", disse.

Tietê - O candidato também falou sobre o avanço das obras para despoluir o Tietê. Segundo ele, a mancha de poluição que estava em Barra Bonita retrocedeu 120 quilômetros. De acordo com os tucanos, os municípios operados pela Sabesp - metade dos 645 municípios do Estado - tem um nível de coleta do Esgoto de mais de 85% e um nível de tratamento de Esgoto de mais de 70%. O tucano afirma que os municípios da região metropolitana que poluem o Tietê não são operados pela Sabesp. "É continuar esse trabalho. Agora nós vamos ter o projeto Tietê 3, que abrange a região oeste da grande SP, Osasco, Carapicuíba, Barueri, todos esses municípios vão ter esgoto coletado e tratado."

Educação - Nessa área, o tucano prometeu fortalecer o ensino médio junto com o ensino técnico. "Fortalecer o nosso jovem para ele ter condições de fazer simultaneamente o médio e o técnico. No Ideb, SP foi a primeira colocada da 5ª à 8ª, segunda de 1ª à 4ª e terceira no ensino médio".


Dirceu diz que não faria parte de eventual governo


Dirceu diz que não faria parte de eventual governo Dilma

EDUARDO KATTAH
do Estadão

O ex-ministro da Casa Civil e deputado cassado, José Dirceu, disse hoje que "em hipótese alguma" aceitaria participar de um eventual governo de Dilma Rousseff (PT). Dirceu garantiu que enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) não julgar o processo do mensalão, do qual é réu, não aceitará ocupar qualquer cargo público.


Elogiando o trabalho de Antonio Palocci na coordenação da campanha de Dilma, ele disse que o ex-ministro da Fazenda tem credenciais suficientes para participar de um "provável" novo governo petista. "Enquanto o Supremo Tribunal Federal não me julgar eu não participo de nada", disse Dirceu, que esteve, em Belo Horizonte, em um encontro político com lideranças e candidatos do PT e do PMDB em Minas.

O ex-ministro afirmou que aceitou um cargo na direção do PT porque houve "quase uma convocação." Segundo ele, Palocci está indo bem na coordenação da campanha de Dilma e tem todo seu apoio. Nos bastidores, o ex-titular da Fazenda é cotado como possível nome para a Casa Civil caso a candidata petista vença a eleição.

"O Palocci tem qualificação, experiência política, representatividade no País para ocupar qualquer cargo num provável governo, porque a eleição não está ganha", avaliou. Dirceu endossou o discurso cauteloso dos petistas, defendendo que a campanha de Dilma evite o salto alto.


Ele atribuiu o desempenho da candidata em boa parte por causa dos palanques estaduais e ao arco de alianças. "Os palanques da Dilma (nos Estados) são os palanques mais fortes que existem", disse. "Uma das razões pelas quais o (José) Serra está perdendo a eleição são as alianças", completou. Com base em análises de especialistas, Dirceu acredita que PT e PMDB deverão eleger juntos mais de 200 deputados federais e cerca de 30 senadores.

Vida a crédito e eleições

VINICIUS TORRES FREIRE
da FSP


Oposição ainda critica "os juros mais altos do mundo", mas população compra mais e cada vez mais a crédito

"O BRASILEIRO não presta atenção à taxa de juros. Verifica apenas se a prestação cabe no salário", segundo a crença disseminada entre varejistas, consultores e alguns economistas. Embora a opinião se baseie em pesquisas parciais, intuições generalizadas e evidências anedóticas, parece difícil contestá-la, em primeiro lugar porque muita gente que passou pelo ensino superior tem dificuldades com a regra de três, que dirá o público em geral.
Mesmo que soubesse a aritmética das porcentagens ou se fosse confrontado com a conta da enormidade da taxa de juros que paga, o cidadão médio adiaria a compra, pouparia antes? Além do mais, o que seria considerado "uma enormidade"? Qual a base de comparação? E qual o metro da satisfação: comprar logo ou pagar menos?
Isso é assunto para pesquisadores, que discutem até se a baixa propensão nacional a poupar seria devida ao "cadinho de raças" (sic) que compôs a população brasileira, a traços "étnico-culturais" (sic) arraigados. No que vem ao caso para o nosso arroz com feijão diário, essa crença disseminada de que a maioria dos brasileiros não matuta nos juros contrasta, no entanto, com discursos políticos e eleitorais, a presidente inclusive.
O candidato da oposição chuta o governo da "taxa de juros mais alta do mundo", o que é mesmo um aspecto teratológico do país. Mas o povo compra cada vez mais, ainda mais a crédito. O PIB de 2008 cresceu 5%, o consumo das famílias, 7%, o crédito para pessoas físicas, 25% (em termos nominais; "na real", deve ter sido um pouco menos). Em 2009, a economia estagnou, mas o consumo das famílias cresceu 4% e o crédito para pessoas físicas ainda cresceu quase 19,5%.
Na rateada do final de 2009, o crescimento do crédito, em 12 meses, baixou a algo em torno de 15%. Em julho, voltou ao ritmo anual de 19%. O governo federal e a federação dos bancos, a Febraban, estimam agora que essa taxa passa de 21% no final de 2010. O que cresce a 20% ao ano? Apenas cogumelos industriais e condomínios na China.
É verdade que depois da crise de 2008 e mais ou menos até agora o grosso do dinheiro e do estímulo a financiamentos veio do governo e de seus bancos. Mas até meados de 2008 não era assim, e a situação deve em breve voltar ao normal, se o governo não exagerar temerariamente na dose de crédito.
Juros altos arruinam o orçamento do governo, que gasta muito para rolar sua enorme dívida e, em parte bem menor, para subsidiar o crédito a empresas. Empresas investem menos ou ficam menos competitivas devido a juros altos. Etc. O problema é real e desastroso, óbvio. Mas que sentido faz para pessoas que agora compram mais dessas TVs grandes e fininhas, celulares incrementados, colchões ou tijolos, que não leem livros ou jornais, que não sabem aritmética e estão absorvidas por problemas da economia doméstica, mas não de política econômica?
Assim como o país inventou um modo perverso de conviver com a inflação, a indexação, acomodou-se a juros altos, que em parte menor sejam tão altos talvez porque tenham sido altos por tanto tempo (sic): por inércia. No caso da política, porém, não importa o motivo. Para a maioria, juros são mais invisíveis que fantasmas, para nem falar de outras aberrações da política econômica.

Gabrielli admite corrosão em plataforma
Gabrielli admite corrosão em plataforma

Presidente da Petrobrás reconhece problemas de conservação em algumas unidades, mas nega haver riscos para os trabalhadores embarcados

Kelly Lima e Nicola Pamplona
do Estadão

RIO - O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, admitiu na segunda-feira, 16, que algumas plataformas na Bacia de Campos, "realmente estavam com problemas de conservação". Ele negou, porém, que houvesse riscos para os trabalhadores embarcados, como denuncia o Sindicato dos Petroleiros do Norte-Fluminense (Sindipetro-NF).

Segunda-feira, trabalhadores embarcados em plataformas iniciaram uma operação-padrão para exigir o cumprimento das normas de segurança.

A interdição da plataforma P-33 pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) na semana passada foi tema dominante em três entrevistas concedidas na segunda-feira pelo presidente da Petrobrás. "(As plataformas) estavam na fase em que esperavam as paradas pré-programadas e realmente estavam feias, com alguns problemas de conservação", disse Gabrielli, pouco antes de deixar evento da Organização Nacional da Indústria de Petróleo (Onip).

Para o Sindipetro-NF, além da P-33, que está instalada no campo de Marlim, na Bacia de Campos, há outras quatro plataformas em mau estado de conservação: P-25, P-31 P-32 e P-35. Os problemas foram detectados por vistorias feitas pelos próprios trabalhadores. No caso da P-33, há laudos também da Delegacia Regional do Trabalho, da ANP e da Marinha, que embarcaram na unidade na última quarta-feira.

‘É natural’

Gabrielli citou a corrosão como um dos principais problemas de conservação das plataformas. "A corrosão é natural de qualquer equipamento", disse o presidente da Petrobrás. Em notas divulgadas na semana passada, a estatal já tocava no tema, alegando que as plataformas estão submetidas a condições climáticas rigorosas.

O executivo negou, porém, que haja risco à segurança dos trabalhadores. "Jamais colocaríamos nossos trabalhadores em risco. Todas as decisões de continuar as operações foram tomadas porque temos certeza de que esses elementos, essas unidades, precisam de mais conservação, mas não ameaçam a integridade física dos nossos trabalhadores", disse Gabrielli.

Segunda-feira, trabalhadores embarcados em plataformas da Bacia de Campos realizaram a operação "Chega de Contar com a Sorte", na qual se comprometiam a seguir com rigor todos os procedimentos de segurança estabelecidos pelas empresas de petróleo. O objetivo, diz o sindicato, é "demonstrar que as empresas não estão preparadas para produzir mantendo o atendimento às próprias regras que criam ou que a legislação prevê".

De acordo com o Sindipetro-NF, 11 plataformas da Petrobrás na Bacia de Campos, além do terminal de tratamento de gás de Cabiúnas, aderiram à mobilização – que lembra ainda os 26 anos do acidente com a plataforma de Enchova, no qual morreram 32 pessoas. A assessoria do sindicato disse que não houve incidentes durante o protesto.

Irã não enviará condenada ao Brasil

Irã não enviará condenada ao Brasil, diz Ahmadinejad

Presidente irananiano afirma não ver razão para "criar problema" para Lula

Declaração enterra a oferta de asilo feita por Brasília à iraniana que foi sentenciada à pena de morte por adultério

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS/FSP

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse em entrevista à emissora de TV oficial Press TV, com transmissões em inglês, que não permitirá a vinda ao Brasil de Sakineh Ashtiani, condenada a morrer apedrejada por adultério.
"Existe um juiz, e os juízes são independentes. Mas conversei com o chefe do Judiciário, e ele também não concorda", disse. "Acho que não há necessidade de criar problema para o presidente Lula e enviá-la ao Brasil."
Horas depois, a Embaixada do Irã em Brasília soltou um comunicado questionando se o Brasil teria de ter, no futuro, um lugar para abrigar criminosos estrangeiros.
"Quais são as consequências desse tipo de tratamento a criminosos e assassinos? [...] Será que a sociedade brasileira e o Brasil terão de ter, no futuro, um lugar para criminosos de outros países em seu território?", questiona.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse no dia 31, durante comício em Curitiba, que usaria a sua "amizade" com o iraniano para interceder por Sakineh, símbolo de uma mobilização internacional anti-Irã, em prol do respeito aos direitos humanos.
"Se essa mulher está causando incômodo, a receberíamos de bom grado", afirmou. Dias depois, Lula afirmou que, "como cristão", não podia imaginar "alguém ser apedrejado por traição".
Dias depois, Ramin Mehmanparast, o porta-voz da Chancelaria do Irã, foi a público afirmar que o brasileiro fizera a proposta sem "informações suficientes" sobre o caso, por ser "uma pessoa muito humana e emotiva".
No texto divulgado ontem, a Embaixada do Irã reafirma considerar "as declarações e o chamado" de Lula "um pedido de um país amigo", mas o atribuiu "a sentimentos puramente humanitários".
Na entrevista, Ahmadinejad disse esperar que a questão "seja resolvida", sem explicar se com a execução ou com a libertação da mulher.

ACUSAÇÕES
O caso de Sakineh ganhou repercussão internacional há alguns meses, quando seus filhos lançaram abaixo-assinado on-line por sua soltura.
Sob pressão, a Suprema Corte do país concordou em revisar o processo, suspendendo a sentença, mas sem descartar execução.
Sob os holofotes, as autoridades passaram a reforçar, inclusive em reportagem exibida na TV oficial na semana passada, que Sakineh é acusada não só de adultério mas também de coautoria no homicídio. A defesa nega e diz que mesmo uma condenação por coautoria jamais resultaria em apedrejamento.

Irã rejeita cooperação com AIEA
Irã rejeita cooperação com AIEA e deve construir novas usinas nucleares

Lei proíbe acordos fora do Tratado de Não Proliferação e mantém enriquecimento de urânio a 20%

do Estadão

TEERÃ - O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ordenou nesta segunda-feira, 16, a aplicação da lei aprovada no Parlamento que proíbe o governo de fazer colaborações além do marco do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). A legilslação prevê a continuação do enriquecimento de urânio ao nível de 20%. Mais cedo, o governo anunciou que iria ampliar a construção de usinas nucleares no país.

Segundo a agência pública iraniana de notícias Irna, esta lei obriga a rejeição de qualquer colaboração com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que esteja fora do escopo do TNP.

A lei, aprovada recentemente pelo Parlamento iraniano, também obriga o governo a manter as atividades de enriquecimento de urânio a 20% "para produzir combustível nuclear para o reator científico de Teerã".

Além disso, o artigo 4 dessa lei pede ao governo represálias contra qualquer país que inspecione os navios iranianos em cumprimento das novas sanções internacionais contra o Irã.

Também nesta segunda-feira, o chefe da Organização Iraniana de Energia Atômica (OIEA), Ali Akbar Salehi, anunciou que o país estabeleceu mais dez locais para construir novas usinas de enriquecimento de urânio e que o próximo complexo deve começar a ser erguido em março de 2011.

Entenda o impasse

As potências ocidentais acusam o Irã de esconder, sob seu programa nuclear civil, outro de natureza clandestina e aplicações bélicas, cujo objetivo seria a aquisição de armas atômicas. Teerã nega tais alegações.

As tensões sobre o programa nuclear iraniano se acirrou no final do ano passado após o Irã rejeitar uma proposta de troca de urânio feita por EUA, Rússia e Reino Unido. Meses depois, o país começou a enriquecer urânio a 20%.

Um acordo mediado por Brasil e Turquia para troca de urânio chegou a ser assinado com o Irã em maio, mas o Conselho de Segurança da ONU optou por impor uma quarta rodada de sanções ao país.

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