Sangria de tucano nas principais cidades é decisiva para consolidação de vantagem da petista, aponta Datafolha
Serra teve queda em 6 capitais, o que ajuda a explicar virada de Dilma; em SP, dianteira também está ameaçada
SILVIO NAVARRO/CÁTIA SEABRA
da FSP
A queda de José Serra (PSDB) em seis das sete capitais onde o Datafolha realizou a última pesquisa ajuda a explicar a virada de Dilma Rousseff (PT) na disputa pela Presidência. As sete capitais concentram 15% do eleitorado, ou 20,3 milhões de eleitores. Nos últimos 20 dias, o tucano passou a ter a dianteira ameaçada até em São Paulo, seu reduto eleitoral e onde o PSDB exerce forte influência na gestão municipal.
Dilma subiu três pontos na capital paulista em relação ao levantamento anterior, passando de 34% para 37%. Ele oscilou um ponto positivamente -tem 40%.
QUEDA EM BH
Os índices apontam que, hoje, os dois estão tecnicamente empatados na cidade, no limite da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
A queda mais acentuada de Serra ocorreu em Belo Horizonte, onde perdeu nove pontos -tem 32%. A capital mineira também registrou virada de Dilma, com 34%. Em Salvador, o tucano tem seu pior índice -16%, ante 48% da petista.
No Estado de São Paulo, Serra perdeu três pontos nas últimas semanas -tem 41%-, sinal de que a queda ocorreu no interior, onde o PT faz forte campanha contra o preço dos pedágios. Dilma ganhou quatro pontos no maior colégio eleitoral do país e marca 34%.
O comando da campanha de Serra diagnosticou risco de queda na capital há 20 dias. Desde então, o candidato concentra a agenda em bairros da periferia, como Heliópolis, onde visitou programa habitacional. A campanha avalia que foi essa a faixa em que Dilma cresceu, na esteira da popularidade de Lula. "O que ela tem agora não é por ela", diz o governador Alberto Goldman.
Ontem, em visita à Bienal do Livro, Serra negou que vá intensificar agenda em SP ou fazer qualquer alteração em sua estratégia.
postado por Evaldo Torres * Fonte : Folha de São Paulo em 16-08-2010
Comentários
(3)
Minas, claro enigma
FERNANDO DE BARROS E SILVA da FSP
Minas, claro enigma
SÃO PAULO - Vários analistas têm destacado que as eleições deste ano tendem a ser marcadas pela continuidade, a começar pelo favoritismo de Dilma Rousseff. A mais recente rodada de pesquisas do Datafolha reforça essa percepção.
Em São Paulo, Geraldo Alckmin ampliou ainda mais sua distância oceânica sobre Aloizio Mercadante (54% a 16%). Só um cataclisma pode ameaçar a reeleição em primeiro turno de Sérgio Cabral (PMDB), no Rio, e de Eduardo Campos (PSB), em Pernambuco. Cid Gomes (PSB), no Ceará, e Jaques Wagner (PT), na Bahia, também lideram e podem a liquidar a fatura em 3 de outubro.
Dos atuais governadores, a tucana Yeda Crusius, no Rio Grande do Sul, é a exceção à regra e caminha convicta para o cadafalso.
A grande incógnita desta eleição está em Minas Gerais. Apoiado pelo PT, o ex-ministro Hélio Costa (PMDB) sustenta 43% das intenções de voto. O atual governador, Antonio Anastasia (PSDB), tem só 17%. Mas ninguém, ainda, ousa dizer que as coisas estão decididas na terra de Drummond. O pupilo de Aécio Neves vai subir nas pesquisas -isso é barbada. A questão é saber se subirá o suficiente (ou a tempo) para bater o candidato de Lula numa disputa plebiscitária, em que não há terceiro nome.
Para complicar as coisas, Dilma ultrapassou Serra no Estado (41% a 34%). E já há petistas graúdos cochichando que Aécio só poderá ter êxito se estimular o voto "Dilmasia". Se a aliança com Costa, impingida ao PT mineiro por Lula, havia empurrado Aécio para perto de Serra, agora, com o favoritismo de Dilma e o aperto de Anastasia, as coisas novamente se complicam.
Uma parte do PT estaria disposta a ajudar "na moita" o candidato tucano, desde que Aécio, também "na moita", desse a mão ao petista Fernando Pimentel, rifando o aliado Itamar Franco para o Senado.
Numa eleição tão previsível país afora, Minas vai se firmando como território das interrogações, do enigma, das negaças.
postado por Evaldo Torres * Fonte : Folha de São Paulo em 16-08-2010
Comentários
(3)
Dia dos Pais, a filha e... o custo Brasil
Dia dos Pais, a filha e... o custo Brasil
Carlos Alberto Sardenberg
do Estadão
Dia desses, num shopping em São Paulo, entrei numa loja de roupas, franquia de marca internacional, à procura de uma malha de lã, tipo cardigã. Tinha uma, bem bacana. O preço, não: quase R$ 500. Desisti.
Pouco depois, no Dia dos Pais, ganho de minha filha exatamente aquele cardigã. Uma alegria, claro, mas, sabe como é, um pai se preocupa se a filha é gastadeira. Saia-justa: não se pode reclamar do preço de um presente que se ganha. Mas que os R$ 500 por um casaco eram um absurdo, disso não havia dúvida.
Conversa daqui, conversa dali, o dilema se resolveu. Ela comprara o cardigã em Santiago, no Chile, na mesma franquia, também num shopping chique. O preço? Na casa dos R$ 200. Agora, sim, o presente ficara melhor.
De quebra, uma lição sobre o custo Brasil. A etiqueta do casaco mostra a origem - fabricado no Uruguai - e dá o endereço dos importadores no Chile, na Argentina e... no Brasil. Ou seja, é a mesmíssima malha, que sai, aqui, pelo dobro do preço chileno.
Como se explica? Basicamente, impostos. Aqui, de cada R$ 100 produzidos, cerca de R$ 35 vão para o governo na forma de impostos, taxas e contribuições. No Chile a carga tributária é de apenas 22% do Produto Interno Bruto (PIB). Lá, uma economia aberta, o imposto de importação, por exemplo, fica em torno dos 6%, o que eleva o grau de competição interna.
Aqui, o setor têxtil é um dos protegidos com alíquotas de importação elevadas. Mas o curioso dessa história é que a etiqueta do tal casaco informa ter sido produzido no Uruguai. Ora, este país pertence ao Mercosul, de modo que pelo menos o imposto de importação não deveria existir.
Ou seja, falta aqui uma apuração melhor desse comércio, que fico devendo ao leitor e à leitora.
Uma hipótese: talvez o produto não seja propriamente uruguaio, mas fabricado em algum país asiático - Vietnã, por exemplo, hoje um grande centro têxtil - e apenas nacionalizado ali no Uruguai.
A ver. Mas fica o registro desse enorme custo Brasil. E mais uma demonstração das consequências do protecionismo e de economias fechadas: exceto no caso de indústrias nascentes, em certas circunstâncias, a proteção à fabricação local leva a produtos de pior qualidade e mais caros. Uma conta para o consumidor.
Os meus lucros. Do presidente Lula, no dia 9 de agosto: "Todo mundo se lembra da quebradeira dos bancos brasileiros e do prejuízo que eles deram aos cofres públicos. Então quero que eles tenham lucro... por isso fico feliz. Fico feliz com a Caixa também, porque 15 ou 20 anos atrás esses bancos (públicos) só apareciam nos jornais como bancos deficitários - e hoje eles estão tendo lucros."
Explicando a história: grandes bancos privados brasileiros quebraram por causa do fim da inflação. Viviam de inflação. Como? Aplicando no overnight, em títulos do governo, o dinheiro que ficava parado nas contas dos clientes, um dia apenas que fosse. Ou, então, pagando juros de 10 na aplicação do cliente e recebendo 20 no mesmo dinheiro aplicado pelo banco. Era tão rentável que os bancos brasileiros nessa época nem cobravam tarifas.
Eliminada a inflação, o truque acabou e muitos bancos não conseguiram se reinventar e sobreviver. Para evitar uma quebradeira generalizada dos clientes, pessoas e empresas, o governo FHC criou dois programas de resgate das instituições: o Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer), para os bancos privados; e o Programa de Incentivo à Redução do Setor Público Estadual na Atividade Bancária (Proes), para os estatais.
Os donos perderam seus bancos. O governo os assumiu, liquidou alguns, passou outros para a frente e arcou com um prejuízo para sanear essas contas e impedir um colapso do sistema financeiro.
No caso dos bancos estatais o problema foi ainda maior. Havia o vício da inflação, mas, acima disso, o uso político das instituições - ou seja, o governo de plantão mandando a instituição emprestar, sem cobrar, para os amigos e correligionários. E, também, com os bancos públicos financiando enormes investimentos do próprio governo, que se revelaram inviáveis. Ou pararam pelo caminho ou não deram o retorno para ressarcir o banco.
Assim, por exemplo, quebrou o velho Banespa, que acabou privatizado.
Mas a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil também estavam quebrados. Não apenas davam prejuízo, como disse Lula, mas davam um enorme prejuízo.
Foram salvos pelo governo FHC, que, primeiro, colocou nos dois bancos um monte de dinheiro dos contribuintes para recapitalizar as instituições. E, depois, promoveu uma reforma completa no sistema de administração, preparando os bancos para a fase de expansão e de lucros.
Muita gente na época - inclusive este colunista - achava que o melhor seria privatizar um maior número de bancos estatais, federais e estaduais, ficando o governo com uma ou duas instituições de fomento. A tese: bancos públicos, mais cedo ou mais tarde, acabam sendo usados politicamente.
Mas prevaleceu a tese de manter aqueles gigantes financeiros estatais. É curiosa a história: apesar disso, Lula e, atualmente, Dilma Rousseff acusam o governo FHC de tentar privatizar os bancões. E mais: na época, Lula atacou os programas que sanearam os bancos.
Hoje, sem nenhum constrangimento e sem nenhuma revisão, simplesmente diz que no tempo dos outros os bancos davam prejuízo; na era Lula, olha só, só lucros. Êta nóis!
postado por Evaldo Torres * Fonte : Estadão em 16-08-2010
Comentários
(3)
Editorial da Folha de São Paulo
Editorial da Folha de São Paulo
Trilho e asfalto
Se já não é fácil abrir mão de velhos hábitos, que dirá dos comportamentos compulsivos. A população de São Paulo e seus representantes políticos, por décadas adeptos de carros, avenidas, túneis e viadutos, tem se convencido em anos recentes da necessidade de aumentar os investimentos em transporte público -sobretudo no metrô.
Mas o tributo retórico pago a soluções de transporte mais racionais ainda não encontra respaldo no gasto realizado pelo poder público. Um levantamento feito pela Folha constatou desembolsos superiores a R$ 13 bilhões nas dez principais obras viárias da Grande São Paulo, na última década.
Estima-se que no mesmo período o metrô tenha recebido cerca de R$ 12 bilhões -investimento usado para construir e equipar 30 km de novas linhas. Com tal quantia, foi possível aumentar a velocidade média de expansão do serviço, de toda forma ainda tímida e insuficiente para atender às necessidades da metrópole.
Seria no mínimo irrealista pleitear a interrupção de todas as obras viárias na cidade e a transferência de seus recursos para a ampliação da rede de transporte coletivo sobre trilhos. Há gastos com estradas e avenidas que precisam ser feitos, inclusive para tornar mais racional o fluxo de veículos coletivos da cidade.
É o caso do Rodoanel, que consumiu aproximadamente metade do total despendido nas principais obras viárias da última década. Sua construção, que deveria, na realidade, ter sido realizada em décadas anteriores, é fundamental para o bom funcionamento de São Paulo.
Mas não deixa de ser ilustrativo utilizar o gasto com obras viárias como parâmetro para aquilatar o investimento em trens e no metrô. A comparação ajuda a mensurar a distância entre o discurso político e a necessária ampliação do transporte público de qualidade na capital paulista.
Sem interromper gastos necessários com o transporte rodoviário -sobretudo em soluções coletivas, como os corredores de ônibus-, é preciso expandir o dispêndio com trilhos, estações e trens nos próximos anos.
Torná-lo proporcionalmente maior do que os investimentos em novas avenidas e viadutos deveria ser um objetivo a ser perseguido pelo poder público.
postado por Evaldo Torres * Fonte : Folha de São Paulo em 16-08-2010
Comentários
(3)
General dos EUA admite adiar saída do Afeganistão
General dos EUA admite adiar saída do Afeganistão
Petraeus diz que "seria prematuro" dizer agora se prazo poderá ser cumprido
Obama anunciou início da retirada para junho de 2011, mas general fala em esforço gradual para vencer a guerra
ANDREA MURTA
DE WASHINGTON/FSP
Nas primeiras entrevistas desde que assumiu em junho o comando direto das tropas dos EUA no Afeganistão, o general David Petraeus afirmou ontem que só agora "a luta vai começar de verdade" e indicou que pode adiar o início da retirada das tropas americanas do país.
O prazo anunciado pelo presidente Barack Obama para começar a saída de forças do país é junho de 2011. Mas, para o general, "seria prematuro fazer qualquer avaliação agora sobre se vamos ou não poder fazer uma transição" nesta data.
Petraeus já havia deixado tal possibilidade em aberto antes, mas não como comandante em campo no Afeganistão. Ontem, em falas à TV NBC e aos jornais "Washington Post" e "New York Times", disse que não foi ao país "supervisionar uma saída honrosa".
Segundo ele, pela primeira vez após nove anos de guerra, "ao final de agosto e em setembro teremos a capacidade correta".
"Vamos ter funcionando aquilo pelo qual trabalhamos há um ano e meio", afirmou, referindo-se ao aumento do número de soldados (cerca de 100 mil atualmente) e ao investimento na estratégia de contrainsurgência, que prevê engajamento com a população civil, reconstrução do país e investidas contra os extremistas.
VIRANDO O JOGO
Petraeus avaliou que a estratégia para vencer a guerra é "fundamentalmente sólida", uma conclusão a que chegou após acompanhar operações e viajar até lugares remotos do Afeganistão.
As entrevistas são um esforço de relações públicas, num momento em que o apoio à guerra caiu tremendamente nos EUA.
Um dos sinais positivos que o general ressaltou foi ter conseguido o apoio do presidente afegão, Hamid Karzai, à criação de grupos armados para proteger bairros. Petraeus disse crer que tais grupos poderão infligir sérias dificuldades ao Taleban.
O general tem o desafio de mostrar resultados em seis meses a um ano, se quer ter a chance de manter sua estratégia -e o grosso de suas tropas- no país.
Mas ele advertiu contra expectativas de vitórias rápidas e reafirmou que o comprometimento com o país é de longo prazo.
"É um esforço gradual e deliberado. Não há montanha para tomar e bandeira para hastear proclamando vitória. É só trabalho duro."
postado por Evaldo Torres * Fonte : Folha de São Paulo em 16-08-2010
Comentários
(3)
Mortes de soldados estrangeiros passam de 2.000
Mortes de soldados estrangeiros passam de 2.000 no Afeganistão
Americanos correspondem a mais de 60% das baixas, número problemático para Obama
SAYED SALAHUDDIN
REUTERS/Estadão
CABUL- O número total de mortes de soldados estrangeiros no Afeganistão ultrapassou os 2.000 no domingo, de acordo com dados não oficiais, com os norte-americanos respondendo por mais de 60 por cento das baixas. O total, entretanto, é bem inferior ao número crescente de mortes civis.
As mortes de um norte-americano, um australiano e um britânico anunciadas nos dois últimos dias elevou o total para 2.002 desde que o Taleban foi tirado do poder no final de 2001 por forças afegãs apoiadas pelos Estados Unidos.
O total equivale a menos da metade das baixas sofridas durante os sete anos da guerra do Iraque, mas é significativo. Os aliados da Otan, como a Holanda, estão se retirando da aliança no Afeganistão e outros países estão reavaliando sua contribuição futura.
Também é um número problemático para o presidente dos EUA, Barack Obama, que prometeu fazer uma revisão estratégica em dezembro, depois das eleições parlamentares, nas quais o Partido Democrata poderá enfrentar uma derrota diante de um público cada vez mais preocupado.
As disputas sobre a guerra no Afeganistão já derrubaram o governo holandês em fevereiro e o presidente alemão em maio e, com as dúvidas crescentes do público quanto à guerra nos EUA, os líderes norte-americanos buscam reduzir as expectativas sobre os resultados do conflito.
De acordo com o www.iCasualties.org, um site independente que monitora a morte de soldados, 2002 soldados foram mortos desde 2001, 1,226 deles americanos. As baixas fatais britânicas chegam aos 331, com os 445 restantes divididos entre os outros 44 parceiros da Otan da Força Internacional de Assistência para Segurança.
Muitos soldados estrangeiros ficaram feridos no conflito que Obama descreveu como uma guerra necessária.
postado por Evaldo Torres * Fonte : Estadão em 16-08-2010
Comentários
(3)
Recaída da economia mundial
Recaída da economia mundial
NOTAS & INFORMAÇÕES
do Estadão
Os sinais vitais da economia mundial voltaram a piorar, realimentando o temor de uma nova recessão, com pesado custo para todos os países. Esse desastre quase certamente será evitado, mas a recuperação global deverá ser mais lenta e penosa do que se imaginava, com desemprego elevado por muitos anos e perda de impulso no comércio internacional. As novidades mais preocupantes, agora, vêm dos Estados Unidos e da China. A economia americana estava na dianteira do mundo rico, bem à frente da Europa na reativação, mas começou a perder vigor e a piora do quadro foi reconhecida na semana que passou pelo Federal Reserve (Fed). "O consumo se mantém achatado pelo alto desemprego, pelo modesto crescimento da renda, pela má saúde do mercado habitacional e pelo crédito apertado", segundo a nota distribuída depois da última decisão sobre política monetária.
A China se mantém como líder do crescimento mundial, mas dá sinais de arrefecimento depois da expansão, no primeiro semestre, de 11,1% ao ano. Além disso, esperava-se da economia chinesa um novo papel, mais favorável ao crescimento mundial. Seu dinamismo deveria depender mais do mercado interno, movido pelo aumento do consumo e por investimentos na infraestrutura. Seria a contrapartida do ajuste promovido nas economias normalmente deficitárias, como a americana. A nova divisão de papéis funcionou durante algum tempo. As importações chinesas cresceram mais velozmente que as importações durante meses, mas a tendência parece haver mudado.
Em julho as exportações da China, US$ 145,5 bilhões, foram 38,1% maiores que as de um ano antes. As importações, US$ 116,8 bilhões, ficaram 22,7% acima das de julho de 2009. O superávit comercial voltou a crescer e a combinação do novo jogo internacional, proposto pelo Grupo dos 20, parece ter sido esquecida pelo menos por algum tempo.
Da economia americana, a maior do mundo, não se esperava, até o começo do ano, muita ajuda para a recuperação global. Mas esperava-se uma contribuição considerável das economias emergentes, principalmente da chinesa, já promovida a número dois do mundo segundo novas estimativas divulgadas há poucos dias em Pequim.
A primeira surpresa durou alguns meses: houve sinais de reanimação no mercado americano e os Estados Unidos, se continuassem nesse rumo, poderiam injetar algum vigor no resto do mundo. Essa expectativa já está abandonada. A segunda surpresa foi o rápido retorno do comércio exterior da China à velha trajetória de acumulação de superávits. Se não houver uma nova correção de rumo, a ajuda chinesa à economia mundial também será menor do que havia sido no primeiro semestre deste ano.
Na Europa o quadro permanece quase tão ruim quanto era há poucos meses. Bancos da Grécia, de Portugal e da Itália voltaram a tomar empréstimos do Banco Central Europeu (BCE), confirmando dificuldades para operar no mercado. Os testes de estresse realizados com 91 bancos da Europa deram resultados positivos para mais de 80, mas isso parece ter sido insuficiente para restabelecer a confiança.
Outros indicadores da região continuam fracos. Em junho a produção industrial na zona do euro foi 8,2% maior que a de um ano antes, mas 0,1% menor que a do mês anterior. A produção de bens de capital cresceu, mas a de bens de consumo duráveis e a de bens intermediários diminuíram, indicando cautela das famílias. Do primeiro para o segundo trimestre o PIB da área cresceu 1%, mas quase dois terços dessa expansão resultaram do crescimento excepcional da Alemanha, 2,2%. Os demais países continuam derrapando.
Nos 27 países da União Europeia - sendo 16 da zona do euro - a produção da indústria ficou estável em junho. O crescimento do PIB britânico será menor do que se previa, segundo o Banco Central da Inglaterra.
O desemprego permanece elevado em todo o mundo rico. O número de trabalhadores em busca do auxílio-desemprego voltou a subir nos Estados Unidos na primeira semana de agosto.
Como dissemos no início deste editorial, não há desastre à vista. Mas esse quadro só deverá mudar lentamente, nos próximos anos.
postado por Evaldo Torres * Fonte : Estadão em 16-08-2010
Comentários
(3)
Rapidinhas
Roseana Sarney lavou dinheiro, indicam documentos
do Estadão
Documentos que estão nos arquivos do Banco Santos indicam que a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), e seu marido, Jorge Murad, simularam um empréstimo de R$ 4,5 milhões para resgatar US$ 1,5 milhão que possuíam no exterior.
Os papéis obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo - incluindo um relatório confidencial do banco - dão detalhes da operação, montada legalmente no Brasil, com um prazo de seis anos. Os relatórios mostram, no entanto, que o empréstimo foi pago por meio de um banco suíço cinco dias depois da liberação dos recursos no Brasil.
O dinheiro foi, segundo os documentos, investido na compra de participações acionárias em dois shoppings, um em São Luís e outro no Rio de Janeiro. O Banco Santos teria servido apenas como ponte para Roseana e Murad usarem os dólares depositados lá fora. É o que o mercado financeiro batiza de operação "back to back".
O acordo ocorreu em julho de 2004 entre a governadora, seu marido e Edemar Cid Ferreira, até então dono do Banco Santos, que quebrou quatro meses depois e passa por intervenção judicial até hoje. Afastado do banco, Edemar é íntimo da família Sarney. Foi padrinho de casamento de Roseana e Murad. Os documentos, obtidos pela reportagem com ex-diretores do Banco Santos, reforçam os indícios que a família Sarney sempre negou: que tem contas não declaradas no exterior.
De posse dos documentos, o Estado procurou em São Paulo o administrador judicial do Banco Santos, Vânio Aguiar, para se certificar de que os papéis estão nos arquivos oficiais da instituição bancária. Ele confirmou a veracidade dos documentos. "Eu não sabia da existência deles. Mandei levantar e confirmo a existência desses documentos que você me mostrou nos arquivos do banco", disse Aguiar ao Estado. "Foram encontrados na área de operações estruturadas." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Campanha rica de sucessor de Delúbio é alvo de dossiê
Documento é atribuído por ex-tesoureiro do PT a disputa interna no partido
Candidato a deputado federal, Paulo Ferreira já arrecadou R$ 382 mil, mais do que todos os demais petistas no RS
RUBENS VALENTE
da FSP
O sucessor de Delúbio Soares nas finanças do PT, Paulo Ferreira (RS), dono da campanha a deputado mais rica do partido no Rio Grande do Sul, é o mais novo alvo de fogo amigo dentro do partido.
Aliado do ex-deputado José Dirceu (SP), Ferreira, 51, foi o tesoureiro nacional do PT até o início de 2010. Assumiu o cargo em 2006, após a queda do tesoureiro Delúbio no escândalo do mensalão.
Nos últimos dias, uma carta anônima de cinco páginas com acusações contra Ferreira, intitulada "Salvem o PT" e de autoria de um suposto "petista e fundador do PT" do RS, circulou em órgãos públicos de Porto Alegre e órgãos de comunicação.
O candidato disse saber da carta desde abril. Atribui o papel a uma briga interna partidária. "Eu tributo ela [a carta] a essa disputa interna do PT, sem dignidade, de se apresentar quem é que assina: "Eu, Fulano de Tal, acuso Fulano de Tal"."
Ferreira diz não saber quem é o autor. A Folha apurou que cópias também foram enviadas aos e-mails dos deputados federais Antonio Palocci (SP) e Arlindo Chinaglia (SP) e dos estaduais Raul Pont, presidente estadual do PT, e Adão Villaverde (RS).
O papel descreve supostos gastos excessivos na campanha de Ferreira, como o uso de um jatinho da empresa de calçados Grendene, "emprestado" ao candidato.
Ferreira disse que, de fato, tem usado jatinhos, mas diz que eles seriam alugados de uma empresa de táxi aéreo. Afirmou que vai declarar o gasto à Justiça Eleitoral.
Na lista parcial de despesas da campanha, referente a agosto, não há nenhum registro no item "transporte ou deslocamento". Ferreira declarou ter arrecadado R$ 382 mil, acima do informado pelos outros 19 candidatos do PT-RS ao mesmo cargo.
Outro trecho da carta diz que Ferreira beneficiou escolas de samba, que hoje apoiam sua candidatura, por meio de projetos de captação de recursos pela Lei Rouanet de incentivo à cultura.
O candidato reconheceu ter ajudado as escolas, mas dentro da lei. "Tem parlamentares que têm emendas, certo? Eu ajudo as pessoas que buscam apoio às suas atividades. Se eu quisesse enriquecer, eu faria outra coisa", disse.
A carta diz ainda que Ferreira banca campanhas de outros candidatos. E que Raul Pont, ex-prefeito de Porto Alegre, teria desaprovado a estratégia e ofendido Ferreira num encontro com outros candidatos.
Pont negou ter falado algo negativo sobre o ex-tesoureiro. Mas, indiretamente, reconheceu a opulência da campanha de Ferreira.
"Eu não sei os recursos que ele está movimentando. É visível que ele tem uma campanha grande, mas isso não é virtude, ou problema, só dele", disse.
Na prestação de contas entregue à Justiça Eleitoral, Ferreira declarou ter repassado R$ 40 mil para "outros candidatos e comitês financeiros".
Para voltar ao governo de Alagoas, Collor cola imagem a Lula e Dilma
Rejeitado pela classe média, senador aposta nos grotões, onde ainda é recebido como popstar
BERNARDO MELLO FRANCO
da FSP
"Não se esqueçam deste nome: Dilma Rousseff presidenta, número 13 na cabeça! Obrigado, minha gente!"
Foi assim, misturando o velho bordão às novas alianças, que o senador Fernando Collor (PTB) encerrou comício para cerca de mil pessoas em Feira Grande (AL), a primeira de cinco cidades que visitaria na sexta-feira.
Ele quer voltar ao governo alagoano 21 anos após renunciar para concorrer ao Planalto. Para isso, tenta apagar o passado e colar sua imagem na do ex-desafeto Luiz Inácio Lula da Silva e em sua candidata.
"Lula vai encerrar o mandato como o melhor presidente que o Brasil já teve", disse a uma rádio, na quarta-feira. "Sou candidato do presidente Lula, da ministra Dilma e do governo federal."
Na versão de Collor, o petista teria adotado a cartilha que o levou ao poder. "Continuo na mesma posição, com as ideias que defendi em 1989", sustenta.
Como o PT alagoano está coligado ao PDT de Ronaldo Lessa, o Tribunal Regional Eleitoral proibiu o jingle "É Lula apoiando Collor, é Collor apoiando Dilma".
Ele mandou regravar o trecho com uma mensagem subliminar: "Não adianta, o povo sabe quem tá apoiando quem, o povo tá decidido e vai apoiar também".
Desde o início da campanha, Collor só anda com um adesivo de Dilma no peito direito. No esquerdo, exibia um broche com a imagem de Nossa Senhora Aparecida.
O resto do figurino lembrava os tempos da Presidência: Rolex de ouro, calça Ralph Lauren, camisa Tommy Hilfiger e tênis Nike para percorrer as ruas de barro de mãos dadas com Caroline, 28 anos mais nova.
Rejeitado pela classe média de Maceió, o senador aposta nos grotões, onde ainda é recebido como popstar. Em Feira Grande, o povo se acotovelou num campo de futebol para assistir à sua chegada, de helicóptero.
Desembarcou de punhos cerrados e desceu em disparada para a praça, seguido por populares. Militantes pagas pelo prefeito Fabinho do Chico da Granja (PTB) agitavam bandeiras por R$ 20.
Collor discursou na escadaria da igreja. Em 21 minutos, prometeu escola, asfalto, merenda, ambulância e lares para idosos. Atacou "a ladroagem e a sem-vergonhice" e ameaçou esmagar bandidos "que atormentam a família alagoana" com "o peso da minha munheca".
A seu lado, a ex-prefeita de Arapiraca (AL) Célia Rocha definiu o governo estadual como "primeiro passo" para voltar ao Planalto.
Ele não nega o plano. "Depende das circunstâncias e do destino que Deus reserva", disse, dois dias antes.
Resta a Serra introduzir alguma perspectiva capaz de seduzir aspirações frustradas do eleitorado
A COINCIDÊNCIA DOS programas de propaganda eleitoral, a se iniciarem nesta semana, com a ultrapassagem de Dilma Rousseff sobre José Serra agora constatada também pelo Datafolha, oferece duas deduções.
Quanto a Dilma, mais significativa do que a conquista da liderança, cedo ainda, a propaganda de TV e rádio é a oportunidade de forçar a continuidade do seu impulso atual e, com uns poucos pontos a mais, alcançar logo a indicação de vitória no primeiro turno.
Essa condição funciona, em geral, como atrativo de votos mais numerosos e mais protetores. É o que se dá, a esta altura, com Eduardo Campos e Sérgio Cabral, com suas crescentes possibilidades de vencer em Pernambuco e no Rio no primeiro turno.
Para Serra, fica evidente que está em sua última oportunidade, ou muito perto dela, de indicar ao eleitorado o motivo de sua candidatura. Que sentido tem, afinal? O que Serra pretendeu a ponto de deixar o governo de São Paulo para lançar-se na disputa pela Presidência?
Sob o peso da aprovação popular de Lula, o próprio Serra diz que não é candidato de oposição, e de fato não se mostra como tal. Adversário da candidata do governo, também não é governista. Logo, o que lhe sobra é uma fímbria pela qual introduzisse algo novo, uma perspectiva capaz de seduzir e convencer aspirações frustradas do eleitorado.
Mas nem vislumbre de alguma ideia assim, até agora. Trata-se de uma candidatura que não se sabe o que representa nem o que pretende além de uma intenção pessoal.
As pequenas lantejoulas que revestem a candidatura de Serra, do tipo "vou duplicar o Bolsa Família" (sem ao menos explicar se em valor ou em beneficiados), ou "vou criar o Ministério da Segurança", "vou restabelecer os mutirões da saúde", e outros "vou" que não chegam a lugar algum, prestam-se a ampliar a impressão de vazio dada na improdutiva preferência de sua campanha pelos minúsculos corpo a corpo.
Ocupar-se tanto em criticar Dilma por estar "na garupa" de Lula? Serra e seus marqueteiros poderiam perceber que assim só confirmam o que é a principal bandeira de sua adversária. Façamos justiça: a candidatura de Dilma e seu êxito são produtos de Lula, como Gilberto Kassab foi de Serra, mas o PSDB e seu candidato não têm regateado facilidades e outras colaborações à candidata governista.
O horário eleitoral traz em ocasião oportuna um recurso que tanto pode ser decisivo para Dilma como para Serra. Os três minutos a mais no tempo da aliança petista não alteram a equivalência das oportunidades: em TV e em rádio, sete minutos - tempo de Serra - já são um arremedo de eternidade.
Oneroso, nesse item, é o minutinho de Marina Silva, cujo sucesso nas palestras não se reproduz em mais do que 10% dos eleitores pesquisados, mas talvez o fizesse, em boa parte, com maior tempo de TV. O horário gratuito segue a regra fundamental brasileira: mais renda concentrada em quem já a tem alta.
Para preencher o tempo até o início da nova fase de propaganda, uma boa especulação é a das causas da queda forte de Serra, quatro pontos em três semanas, e do grande ganho de Dilma, com os cinco pontos que a elevaram a 41 contra 33. O debate na Bandeirantes e as pequenas e ruins entrevistas na Globo não convencem como causa de tamanha reviravolta, até porque já insinuada, antes dos programas, em outras pesquisas.
postado por Evaldo Torres * Fonte : Folha de São Paulo em 15-08-2010
Comentários
(4)
Continuidade e alternância
FERREIRA GULLAR
Continuidade e alternância
Qual dos candidatos está mais preparado para manter com êxito a continuidade administrativa?
ATÉ O MOMENTO em que escrevo esta crônica, a situação dos dois principais candidatos à Presidência da República continua indefinida. A menos que haja uma súbita mudança na avaliação deles pelo eleitorado, a disputa deve se manter acirrada até o último momento.
Na opinião de Lula e do PT, Dilma Roussef vencerá o pleito e até, dizem eles, no primeiro turno. É natural que o digam, ainda que da boca para fora, porque se deixarem transparecer a mínima dúvida quanto à vitória, sua candidatura se desfará como um castelo de cartas.
E a razão disso é que essa candidatura se apoia única e exclusivamente na possibilidade de transferência da popularidade de Lula para a candidata que ele inventou.
Ela mesma, Dilma, nunca pretendeu candidatar-se a nenhum cargo eletivo, muito menos ao posto supremo da nação. Lula a inventou candidata apesar disso, mesmo porque não havia muito o que escolher dentro de seu partido.
A hipótese de Lula é que, apresentando Dilma como a continuadora de seu governo, que conta com mais de 70% de aprovação, ela seria eleita. Parece lógico, mas talvez não seja tão simples quanto parece.
Tudo depende de como o eleitor receberá a proposta de Lula, e depende também de como o candidato do PSDB se comportará em face dela. Se José Serra, de fato, não confrontar a tese de Lula, ela prevalecerá e Dilma terá grande chance de vencer as eleições. Mas e se, ao contrário, ele achar que a história não é bem assim, se entender que a continuidade administrativa é uma norma a ser seguida pelo futuro ocupante do Palácio do Planalto, seja ele quem for?
Aí a coisa muda de figura, pois retira da candidatura de Dilma o único argumento que efetivamente a sustenta, uma vez que ela não tem como provar que é capaz de governar o país, mesmo porque nunca governou sequer um Estado e nem mesmo um pequeno município.
Já Serra, se adotasse tal postura, teria um argumento decisivo no fato de que o governo Lula continuou o governo FHC e foi graças a isso que obteve o êxito que obteve.
Já imaginou se ele tivesse acabado com o Plano Real, a Lei de Responsabilidade Fiscal, o superavit primário, o Proer e a política de juros do Banco Central, que viabiliza a luta contra a inflação? Foi o temor de que Lula não desse continuidade ao governo anterior que provocou a crise de 2002; continuidade que, na verdade, vem desde o governo Itamar Franco, e que permitiu ao Brasil enfrentar com êxito a crise de 2008.
Logo, se Lula, adversário feroz do governo FHC, o continuou, não há por que Serra não faça o mesmo com respeito ao governo Lula, que deu continuação às políticas implantadas pelo governo do PSDB.
Pois bem, se José Serra assumir claramente esse opção, como ficará a candidatura de Dilma? O fato de Lula afirmar que ela é a continuação de seu governo não é garantia de que ela será capaz de fazê-lo e com a inventividade necessária. O eleitor certamente perguntará: qual dos dois candidatos está mais preparado para manter com êxito a continuidade administrativa?
Se levar em conta a história de um e de outro candidato, a folha de serviços de cada um deles, poderá optar por Serra, cuja competência como gestor público está comprovada, no exercício destacado das funções de ministro da Saúde, prefeito e governador de São Paulo, além da atuação parlamentar de indiscutível eficiência.
Por outro lado, como pode Dilma convencer o eleitor de que é mais capaz que Serra de exercer as funções de presidente da República? Só a palavra de Lula não basta, já que tem interesse em manter o poder nas mãos de seu partido. Durante a campanha na TV, poderá o PSDB demonstrar que Dilma nunca desempenhou o papel que Lula lhe atribui (mãe do PAC etc.), porque a Casa Civil, que ela chefiou, tem funções de mera assessoria do presidente. Não realiza nada.
Isso sem lançar mão de outro argumento, de grande importância para o país, que é a alternância dos partidos no poder, que a vitória de Serra implicaria. Esse é um fator decisivo para a saúde do regime democrático, porque viabiliza o desmonte do aparelhamento da máquina estatal pelo partido (ou pelos partidos) que fique no poder por longo tempo.
postado por Evaldo Torres * Fonte : Folha de São Paulo em 15-08-2010
Comentários
(3)