Evaldo Augusto Torres Alves /editor
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Política

Serra tem prontos comerciais em que ataca petista
Serra tem prontos comerciais em que ataca petista e afirma que ela trará "radicais"


CATIA SEABRA
DE SÃO PAULO

O comando da campanha de José Serra (PSDB) produziu artilharia pesada contra a adversária e hoje líder nas pesquisas, Dilma Rousseff (PT). O comitê de Serra tem prontos um jingle de rádio e um comercial de TV, para ataque contra a petista.
Dedicado ao eleitor nordestino, o jingle cita o ex-ministro José Dirceu. Em ritmo de forró, diz que o governo Lula vai acabar e Dilma trará de volta o ex-ministro da Casa Civil e os "radicais".
Concluído nesta semana, o comercial de TV lança dúvidas sobre a capacidade administrativa da ex-ministra. Na peça, uma apresentadora lista medidas encampadas por Serra, como os genéricos e a luta contra a Aids.
Ao mostrar o rosto de Dilma, pergunta se o eleitor lembra algo que ela tenha feito de benéfico. E conclui dizendo algo como "Serra é certeza. Dilma é dúvida" (o texto ainda estava sendo trabalhado nos últimos dias).
Reservadas para rádio e para as inserções comerciais, as críticas mais ácidas podem ir ao ar nos próximos dias, mas devem ficar longe do programa de estreia.
O programa, que vai ao ar hoje, será destinado à apresentação do candidato em contato com o povo e dizendo que seu foco são pessoas.
Na tentativa de mostrar sensibilidade social, Serra apresentará quatro beneficiários de políticas públicas defendidas por ele, na Paraíba, em Minas e no Maranhão.
Nesse esforço de humanização do candidato, o tucano transitará por cerca de 30 silhuetas de pessoas. Então, dançará "puladinho", num cenário que reproduz um churrasco numa laje, ao som de "quando o Lula da Silva sair, é o Zé que eu quero lá". Por fim, aparecerá jogando futebol com crianças.
Em ritmo de pagode, o novo jingle bate na tecla de que Lula não é mais o presidente: "Para o Brasil seguir em frente, sai o Silva e entra o Zé".
Como o uso do primeiro nome e a opção pela manga da camisa arregaçada, dando ideia de dinamismo, fizeram parte da campanha de Geraldo Alckmin em 2006, a repetição da fórmula tem causado apreensão no tucanato. Ontem, líderes do PSDB insistiam para que Serra fosse, desde já, mais agressivo.

DÚVIDA
A dúvida sobre a capacidade de Dilma e a exaltação da biografia de Serra estarão nas inserções. A cargo do publicitário Átila Francucci, serão reduzidas, em sua maioria, a 15 segundos.
Com menor tempo de TV, o comitê Serra investe na ideia de volume, dividindo os 30 segundos convencionais à metade. Com isso, o número de aparições passa dos 3,5 diários para 5 ou 6.
Para garantir maior presença, Serra deverá ocupar ainda o tempo dedicado às inserções dos candidatos a deputados. Em São Paulo, protagonizará todas as inserções, pedindo voto no 45.
A intenção é ocupar ao menos um terço do tempo destinado aos deputados nos outros Estados. Serra também terá aparições no programa dos candidatos a senador.




ELIANE CANTANHÊDE da FSP

Reta final

BRASÍLIA - A esperança, inclusive a dos tucanos, é a última que morre. Mas Serra chega em franca desvantagem ao horário eleitoral gratuito no rádio e na TV, que começa hoje, e ao debate Folha-UOL com os presidenciáveis, amanhã. Dilma tem 8 pontos à frente, segundo o Datafolha, atingiu condições de ganhar no primeiro turno, segundo o Ibope, e tem o grande trunfo dos programas políticos: Lula.
Ou seja: Dilma chega ao horário gratuito em ascensão, e a tendência é que aprofunde a vantagem, e não que Serra reverta o quadro. Ela tem Lula, Serra não tem nada desse calibre para enfrentá-lo. Aliás, muito menos se quiserem trocar a forte marca "Serra" por "Zé". Quem é "Zé"? Um "Zé ninguém".
Serra teve boas oportunidades de consolidar suas vantagens comparativas na fase política da campanha (a de construção de apoios, palanques e discurso), mas jogou pela janela, enquanto Dilma colou a imagem na de Lula, capitalizou o bom momento do país e foi transformando defeitos em qualidades.
O resultado é que Serra entra na reta final sem ter para onde correr, e Dilma não apenas mantém a distância avassaladora no Nordeste como está avançando nas capitais e em todos os redutos naturais do adversário -inclusive no Sudeste e até em São Paulo. Virou "onda".
A esta altura, a oposição luta não para ganhar, mas para garantir segundo turno. Se depender só dos programas, é improvável. Mas há outros fatores em jogo, e um deles, como lembra Carlos Augusto Montenegro, do Ibope, é a exigência de dois documentos para votar -o título de eleitor mais um outro com foto. Isso pode gerar alguma quebra de voto para Dilma no Nordeste e entre a população de baixa renda. Se ela disparar, é bobagem. Mas, se a margem para vencer no primeiro turno for estreita, qualquer tremelique pode fazer diferença.
O PT torce para a campanha de Serra se agarrar a detalhes assim. Significa que está por um fio.

Tribunal "esconde" processo contra Dilma


Tribunal "esconde" processo contra Dilma

Para evitar uso eleitoral, corte guarda em cofre papéis de ação que levou petista à prisão na ditadura, diz ministro

Caso não é protegido por sigilo; presa em 1970, Dilma foi condenada pela Justiça Militar de três Estados e torturada

LUCAS FERRAZ
da FSP

Está trancado desde março, num cofre da presidência do Superior Tribunal Militar, todo o processo que levou a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, à prisão durante a ditadura (1964-85).
A papelada, retirada dos arquivos por ordem do próprio presidente do tribunal para prevenir um eventual uso político do material, revela em fichas, fotos, depoimentos e relatórios de inteligência a militância de Dilma à época.
Até março, quando foram "escondidos", os documentos poderiam ser consultados pelo público, como advogados, jornalistas, pesquisadores e pelas partes do processo. A liberação, quase sempre, é feita pelo ministro-presidente do tribunal, Carlos Alberto Marques Soares.
Em entrevista à Folha, ele admitiu que o processo foi parar no cofre por causa das eleições. "Não quero uso político [do STM]", afirmou ele. "Não vou correr risco no período eleitoral."
Estão nos arquivos do STM mais de 116 mil processos. Além do material sobre a ditadura, há documentos da Intentona Comunista, de 1935, e da chegada de Getúlio Vargas ao poder, em 1930.
Só o processo referente a Dilma e "mais uns outros 50", segundo Carlos Alberto Marques, estão no cofre.
Mas o passado de Dilma em organizações da esquerda armada não é o único argumento para a retirada do material do arquivo. "Também vamos começar a restauração e a digitalização dos processos", disse.
A digitalização, por enquanto, só existe no discurso. Uma licitação para contratar um responsável para restaurar os arquivos ainda nem saiu do papel, como reconhece o ministro.
Apenas depois de restaurados, os papéis serão digitalizados. E o processo só será disponibilizado ao público após a digitalização.
A assessoria da candidata do PT diz que ela "desconhece" a guarda dos documentos em um cofre.
"A mim ninguém pediu nada", afirmou Carlos Alberto ao ser questionado se recebeu alguma solicitação para levar o material aos cofres.
O processo não traz informações somente do passado de Dilma. À época, em 1970, outras 67 pessoas tornaram-se rés no mesmo caso.
Quase todos eram integrantes da VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária - Palmares), organização que Dilma integrava.
Parte do material, mas não ele todo, está espalhada em arquivos públicos do país. O processo não está protegido por sigilo.
Presa no início de 1970, a candidata do PT foi condenada pela Justiça Militar de três Estados -Rio, Minas e São Paulo. Foi torturada. Deixou a prisão no final de 1972.
Em entrevistas sobre o assunto, Dilma Rousseff diz ter orgulho de seu passado de luta contra a ditadura. Ele nega ter atuado em ações armadas e afirma que sua participação restringiu-se à logística das organizações.


Duelo à sombra de Lula


Duelo à sombra de Lula

NOTAS & INFORMAÇÕES
do Estadão

Por sorteio, o candidato tucano José Serra será hoje o primeiro dos 9 presidenciáveis a aparecer no rádio e na TV, na abertura do ciclo de 20 dias reservados aos inscritos na disputa pelo Planalto. Mas nem o mais fervoroso adepto do ex-governador paulista ousa imaginar que, ao fim da temporada, em 30 de setembro, ele voltará à primeira colocação que ocupava nas pesquisas até abril. À época, apenas começava a dar resultados a formidável operação montada para promover a figura da ex-ministra Dilma Rousseff, ainda uma ilustre desconhecida para a grande maioria do eleitorado, como "a mulher do Lula".

Agora, o máximo a que Serra pode aspirar é que o seu desempenho nos programas eleitorais e nos debates a se realizarem nesse meio tempo na mídia eletrônica tenha impacto suficiente para levar o duelo ao segundo turno. O seu desempenho convincente, bem entendido, e os eventuais tropeços da adversária.

Quando a curva nas pesquisas começou a mudar em fins de maio, indicando uma nítida tendência de crescimento das preferências por Dilma, a última esperança dos partidários de Serra era ambos chegarem empatados nos derradeiros levantamentos antes do início do período oficial de propaganda televisiva. A expectativa ruiu com os resultados da pesquisa do Datafolha, divulgados na sexta-feira, e com os do Ibope, apresentados ontem à noite. No Datafolha, por exemplo, a petista não só livrou 8 pontos de vantagem na pesquisa estimulada, como ainda cresceu ou se estabilizou em quase todos os setores do público entrevistado.

A esta altura, Serra lidera apenas entre o grupo de renda acima de 10 salários mínimos por mês - que representa 4% do eleitorado. Dilma pela primeira vez passou o tucano na decisiva Região Sudeste, diminuiu a diferença que a separava dele no Sul e conseguiu empatar entre as mulheres, junto às quais Serra reinava absoluto. Em suma, não há na pesquisa um único dado animador para ele. Pior: os números sugerem que não se completou a transferência de votos de Lula para a sua afilhada. Entre os eleitores que aprovam o presidente, 27% ainda manifestam a intenção de votar no tucano. Eram 32% em julho.

A cartada de Serra para o horário eleitoral se assemelha à proverbial quadratura do círculo. Consiste em convencer a ampla parcela que o considera candidato de oposição a Lula de que não só isso é falso, como ainda, no fundo, no fundo, até se parece com ele: também veio debaixo. Mais importante que tudo, a sua experiência e os seus conhecimentos das aflições do povo o credenciam a fazer - melhor do que a novata Dilma - um governo na linha do atual, só que aperfeiçoado. Está neste trecho do seu jingle: "Quando o Lula da Silva sair, é o Zé que eu quero lá, o Zé Serra eu sei que anda?" E neste: "Zé é bom eu já conheço, eu já sei quem ele é."

A óbvia limitação à metamorfose de José em Zé e o papel do Zé como o Lula depois de Lula é que o verdadeiro - em torno de quem gravitam a eleição e a maioria dos eleitores - não se cansará de lustrar a imagem de sua candidata. Administradora, dirá, ela foi a alma do seu governo. Mulher, insistirá, é a mãe coragem, que de um lado zela pela família, de outro briga para que as coisas certas aconteçam, e será a primeira presidenta do Brasil. A única dúvida aparente do padrinho e da apadrinhada é a dosagem da participação do primeiro no espetáculo mercadológico da segunda - duas sessões de 10 minutos 3 vezes por semana, ante os 7 de Serra.

Lula não pode aparecer pouco, para não diluir a associação entre ambos na percepção do eleitor. Mas ele também não pode aparecer demais para não ofuscar a candidata e permitir que o outro lado explore a sua "lulodependência". Mas é um suave dilema perto dos que cercam o tucano.


Mas o que vai decidir a eleição - se já não decidiu - não é aquilo que os dois candidatos irão dizer. O que decidirá é o que os americanos chamam feel good factor, o fator "satisfação geral", em tradução livre. Em outras palavras, o sentimento generalizado de todos os setores da sociedade de que a situação material de cada cidadão melhorou nos últimos oito anos.

A oposição, como dissemos em editorial de 2 de julho, não ganha eleição. É o governo que perde eleição. E um governo com quase 80% de aprovação não tem motivo para perder esta eleição.

Alckmin diz que vai contratar 6 mil policiais
Alckmin diz que vai contratar 6 mil policiais se for eleito

Candidato tucano ao governo de São Paulo concedeu entrevista ao programa SP TV

Jair Stangler
do Estadão

O candidato do PSDB ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, afirmou nesta segunda-feira, 16, que irá aumentar a presença de policiais nas ruas em todo o Estado de São Paulo e afirmou que irá contratar mais 6 mil homens. Em entrevista ao SP TV, o tucano afirmou que "os homicídios caíram muito no Estado de SP nós tínhamos 12.800 hoje são 4.600. Houve uma redução de um terço, e nós vamos reduzir ainda mais."

Ainda segundo ele, "é uma guerra que precisa vencer batalha todo dia. E nós vamos vencer, com a polícia motivada, valorizando policial, presença do policial na rua, com mais 6 mil homens, evitando escolta de preso para fórum, fazendo por videoconferência, radiodigitalização, completar toda a parte tecnológica - viatura com laptop, palmtop, gps, e inteligência policial. E polícia comunitária. Nós pretendemos dobrar. Hoje nós temos cerca de 500 postos de polícia comunitária e nossa meta é chegar a mil postos. Ter polícia perto do bairro, junto da população que conhece a comunidade para proteger a população."

Saúde - Alckmin prometeu ampliar os ambulatórios de especialidades e os hospitais de retaguarda. "A pessoa precisa internar, precisa ser operada, precisa ter o hospital do SUS de graça e com qualidade para a população", disse.

Tietê - O candidato também falou sobre o avanço das obras para despoluir o Tietê. Segundo ele, a mancha de poluição que estava em Barra Bonita retrocedeu 120 quilômetros. De acordo com os tucanos, os municípios operados pela Sabesp - metade dos 645 municípios do Estado - tem um nível de coleta do Esgoto de mais de 85% e um nível de tratamento de Esgoto de mais de 70%. O tucano afirma que os municípios da região metropolitana que poluem o Tietê não são operados pela Sabesp. "É continuar esse trabalho. Agora nós vamos ter o projeto Tietê 3, que abrange a região oeste da grande SP, Osasco, Carapicuíba, Barueri, todos esses municípios vão ter esgoto coletado e tratado."

Educação - Nessa área, o tucano prometeu fortalecer o ensino médio junto com o ensino técnico. "Fortalecer o nosso jovem para ele ter condições de fazer simultaneamente o médio e o técnico. No Ideb, SP foi a primeira colocada da 5ª à 8ª, segunda de 1ª à 4ª e terceira no ensino médio".


Dirceu diz que não faria parte de eventual governo


Dirceu diz que não faria parte de eventual governo Dilma

EDUARDO KATTAH
do Estadão

O ex-ministro da Casa Civil e deputado cassado, José Dirceu, disse hoje que "em hipótese alguma" aceitaria participar de um eventual governo de Dilma Rousseff (PT). Dirceu garantiu que enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) não julgar o processo do mensalão, do qual é réu, não aceitará ocupar qualquer cargo público.


Elogiando o trabalho de Antonio Palocci na coordenação da campanha de Dilma, ele disse que o ex-ministro da Fazenda tem credenciais suficientes para participar de um "provável" novo governo petista. "Enquanto o Supremo Tribunal Federal não me julgar eu não participo de nada", disse Dirceu, que esteve, em Belo Horizonte, em um encontro político com lideranças e candidatos do PT e do PMDB em Minas.

O ex-ministro afirmou que aceitou um cargo na direção do PT porque houve "quase uma convocação." Segundo ele, Palocci está indo bem na coordenação da campanha de Dilma e tem todo seu apoio. Nos bastidores, o ex-titular da Fazenda é cotado como possível nome para a Casa Civil caso a candidata petista vença a eleição.

"O Palocci tem qualificação, experiência política, representatividade no País para ocupar qualquer cargo num provável governo, porque a eleição não está ganha", avaliou. Dirceu endossou o discurso cauteloso dos petistas, defendendo que a campanha de Dilma evite o salto alto.


Ele atribuiu o desempenho da candidata em boa parte por causa dos palanques estaduais e ao arco de alianças. "Os palanques da Dilma (nos Estados) são os palanques mais fortes que existem", disse. "Uma das razões pelas quais o (José) Serra está perdendo a eleição são as alianças", completou. Com base em análises de especialistas, Dirceu acredita que PT e PMDB deverão eleger juntos mais de 200 deputados federais e cerca de 30 senadores.

Vida a crédito e eleições

VINICIUS TORRES FREIRE
da FSP


Oposição ainda critica "os juros mais altos do mundo", mas população compra mais e cada vez mais a crédito

"O BRASILEIRO não presta atenção à taxa de juros. Verifica apenas se a prestação cabe no salário", segundo a crença disseminada entre varejistas, consultores e alguns economistas. Embora a opinião se baseie em pesquisas parciais, intuições generalizadas e evidências anedóticas, parece difícil contestá-la, em primeiro lugar porque muita gente que passou pelo ensino superior tem dificuldades com a regra de três, que dirá o público em geral.
Mesmo que soubesse a aritmética das porcentagens ou se fosse confrontado com a conta da enormidade da taxa de juros que paga, o cidadão médio adiaria a compra, pouparia antes? Além do mais, o que seria considerado "uma enormidade"? Qual a base de comparação? E qual o metro da satisfação: comprar logo ou pagar menos?
Isso é assunto para pesquisadores, que discutem até se a baixa propensão nacional a poupar seria devida ao "cadinho de raças" (sic) que compôs a população brasileira, a traços "étnico-culturais" (sic) arraigados. No que vem ao caso para o nosso arroz com feijão diário, essa crença disseminada de que a maioria dos brasileiros não matuta nos juros contrasta, no entanto, com discursos políticos e eleitorais, a presidente inclusive.
O candidato da oposição chuta o governo da "taxa de juros mais alta do mundo", o que é mesmo um aspecto teratológico do país. Mas o povo compra cada vez mais, ainda mais a crédito. O PIB de 2008 cresceu 5%, o consumo das famílias, 7%, o crédito para pessoas físicas, 25% (em termos nominais; "na real", deve ter sido um pouco menos). Em 2009, a economia estagnou, mas o consumo das famílias cresceu 4% e o crédito para pessoas físicas ainda cresceu quase 19,5%.
Na rateada do final de 2009, o crescimento do crédito, em 12 meses, baixou a algo em torno de 15%. Em julho, voltou ao ritmo anual de 19%. O governo federal e a federação dos bancos, a Febraban, estimam agora que essa taxa passa de 21% no final de 2010. O que cresce a 20% ao ano? Apenas cogumelos industriais e condomínios na China.
É verdade que depois da crise de 2008 e mais ou menos até agora o grosso do dinheiro e do estímulo a financiamentos veio do governo e de seus bancos. Mas até meados de 2008 não era assim, e a situação deve em breve voltar ao normal, se o governo não exagerar temerariamente na dose de crédito.
Juros altos arruinam o orçamento do governo, que gasta muito para rolar sua enorme dívida e, em parte bem menor, para subsidiar o crédito a empresas. Empresas investem menos ou ficam menos competitivas devido a juros altos. Etc. O problema é real e desastroso, óbvio. Mas que sentido faz para pessoas que agora compram mais dessas TVs grandes e fininhas, celulares incrementados, colchões ou tijolos, que não leem livros ou jornais, que não sabem aritmética e estão absorvidas por problemas da economia doméstica, mas não de política econômica?
Assim como o país inventou um modo perverso de conviver com a inflação, a indexação, acomodou-se a juros altos, que em parte menor sejam tão altos talvez porque tenham sido altos por tanto tempo (sic): por inércia. No caso da política, porém, não importa o motivo. Para a maioria, juros são mais invisíveis que fantasmas, para nem falar de outras aberrações da política econômica.

Gabrielli admite corrosão em plataforma
Gabrielli admite corrosão em plataforma

Presidente da Petrobrás reconhece problemas de conservação em algumas unidades, mas nega haver riscos para os trabalhadores embarcados

Kelly Lima e Nicola Pamplona
do Estadão

RIO - O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, admitiu na segunda-feira, 16, que algumas plataformas na Bacia de Campos, "realmente estavam com problemas de conservação". Ele negou, porém, que houvesse riscos para os trabalhadores embarcados, como denuncia o Sindicato dos Petroleiros do Norte-Fluminense (Sindipetro-NF).

Segunda-feira, trabalhadores embarcados em plataformas iniciaram uma operação-padrão para exigir o cumprimento das normas de segurança.

A interdição da plataforma P-33 pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) na semana passada foi tema dominante em três entrevistas concedidas na segunda-feira pelo presidente da Petrobrás. "(As plataformas) estavam na fase em que esperavam as paradas pré-programadas e realmente estavam feias, com alguns problemas de conservação", disse Gabrielli, pouco antes de deixar evento da Organização Nacional da Indústria de Petróleo (Onip).

Para o Sindipetro-NF, além da P-33, que está instalada no campo de Marlim, na Bacia de Campos, há outras quatro plataformas em mau estado de conservação: P-25, P-31 P-32 e P-35. Os problemas foram detectados por vistorias feitas pelos próprios trabalhadores. No caso da P-33, há laudos também da Delegacia Regional do Trabalho, da ANP e da Marinha, que embarcaram na unidade na última quarta-feira.

‘É natural’

Gabrielli citou a corrosão como um dos principais problemas de conservação das plataformas. "A corrosão é natural de qualquer equipamento", disse o presidente da Petrobrás. Em notas divulgadas na semana passada, a estatal já tocava no tema, alegando que as plataformas estão submetidas a condições climáticas rigorosas.

O executivo negou, porém, que haja risco à segurança dos trabalhadores. "Jamais colocaríamos nossos trabalhadores em risco. Todas as decisões de continuar as operações foram tomadas porque temos certeza de que esses elementos, essas unidades, precisam de mais conservação, mas não ameaçam a integridade física dos nossos trabalhadores", disse Gabrielli.

Segunda-feira, trabalhadores embarcados em plataformas da Bacia de Campos realizaram a operação "Chega de Contar com a Sorte", na qual se comprometiam a seguir com rigor todos os procedimentos de segurança estabelecidos pelas empresas de petróleo. O objetivo, diz o sindicato, é "demonstrar que as empresas não estão preparadas para produzir mantendo o atendimento às próprias regras que criam ou que a legislação prevê".

De acordo com o Sindipetro-NF, 11 plataformas da Petrobrás na Bacia de Campos, além do terminal de tratamento de gás de Cabiúnas, aderiram à mobilização – que lembra ainda os 26 anos do acidente com a plataforma de Enchova, no qual morreram 32 pessoas. A assessoria do sindicato disse que não houve incidentes durante o protesto.

Irã não enviará condenada ao Brasil

Irã não enviará condenada ao Brasil, diz Ahmadinejad

Presidente irananiano afirma não ver razão para "criar problema" para Lula

Declaração enterra a oferta de asilo feita por Brasília à iraniana que foi sentenciada à pena de morte por adultério

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS/FSP

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse em entrevista à emissora de TV oficial Press TV, com transmissões em inglês, que não permitirá a vinda ao Brasil de Sakineh Ashtiani, condenada a morrer apedrejada por adultério.
"Existe um juiz, e os juízes são independentes. Mas conversei com o chefe do Judiciário, e ele também não concorda", disse. "Acho que não há necessidade de criar problema para o presidente Lula e enviá-la ao Brasil."
Horas depois, a Embaixada do Irã em Brasília soltou um comunicado questionando se o Brasil teria de ter, no futuro, um lugar para abrigar criminosos estrangeiros.
"Quais são as consequências desse tipo de tratamento a criminosos e assassinos? [...] Será que a sociedade brasileira e o Brasil terão de ter, no futuro, um lugar para criminosos de outros países em seu território?", questiona.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse no dia 31, durante comício em Curitiba, que usaria a sua "amizade" com o iraniano para interceder por Sakineh, símbolo de uma mobilização internacional anti-Irã, em prol do respeito aos direitos humanos.
"Se essa mulher está causando incômodo, a receberíamos de bom grado", afirmou. Dias depois, Lula afirmou que, "como cristão", não podia imaginar "alguém ser apedrejado por traição".
Dias depois, Ramin Mehmanparast, o porta-voz da Chancelaria do Irã, foi a público afirmar que o brasileiro fizera a proposta sem "informações suficientes" sobre o caso, por ser "uma pessoa muito humana e emotiva".
No texto divulgado ontem, a Embaixada do Irã reafirma considerar "as declarações e o chamado" de Lula "um pedido de um país amigo", mas o atribuiu "a sentimentos puramente humanitários".
Na entrevista, Ahmadinejad disse esperar que a questão "seja resolvida", sem explicar se com a execução ou com a libertação da mulher.

ACUSAÇÕES
O caso de Sakineh ganhou repercussão internacional há alguns meses, quando seus filhos lançaram abaixo-assinado on-line por sua soltura.
Sob pressão, a Suprema Corte do país concordou em revisar o processo, suspendendo a sentença, mas sem descartar execução.
Sob os holofotes, as autoridades passaram a reforçar, inclusive em reportagem exibida na TV oficial na semana passada, que Sakineh é acusada não só de adultério mas também de coautoria no homicídio. A defesa nega e diz que mesmo uma condenação por coautoria jamais resultaria em apedrejamento.

Irã rejeita cooperação com AIEA
Irã rejeita cooperação com AIEA e deve construir novas usinas nucleares

Lei proíbe acordos fora do Tratado de Não Proliferação e mantém enriquecimento de urânio a 20%

do Estadão

TEERÃ - O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ordenou nesta segunda-feira, 16, a aplicação da lei aprovada no Parlamento que proíbe o governo de fazer colaborações além do marco do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). A legilslação prevê a continuação do enriquecimento de urânio ao nível de 20%. Mais cedo, o governo anunciou que iria ampliar a construção de usinas nucleares no país.

Segundo a agência pública iraniana de notícias Irna, esta lei obriga a rejeição de qualquer colaboração com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que esteja fora do escopo do TNP.

A lei, aprovada recentemente pelo Parlamento iraniano, também obriga o governo a manter as atividades de enriquecimento de urânio a 20% "para produzir combustível nuclear para o reator científico de Teerã".

Além disso, o artigo 4 dessa lei pede ao governo represálias contra qualquer país que inspecione os navios iranianos em cumprimento das novas sanções internacionais contra o Irã.

Também nesta segunda-feira, o chefe da Organização Iraniana de Energia Atômica (OIEA), Ali Akbar Salehi, anunciou que o país estabeleceu mais dez locais para construir novas usinas de enriquecimento de urânio e que o próximo complexo deve começar a ser erguido em março de 2011.

Entenda o impasse

As potências ocidentais acusam o Irã de esconder, sob seu programa nuclear civil, outro de natureza clandestina e aplicações bélicas, cujo objetivo seria a aquisição de armas atômicas. Teerã nega tais alegações.

As tensões sobre o programa nuclear iraniano se acirrou no final do ano passado após o Irã rejeitar uma proposta de troca de urânio feita por EUA, Rússia e Reino Unido. Meses depois, o país começou a enriquecer urânio a 20%.

Um acordo mediado por Brasil e Turquia para troca de urânio chegou a ser assinado com o Irã em maio, mas o Conselho de Segurança da ONU optou por impor uma quarta rodada de sanções ao país.

Rapidinhas


ARROGÂNCIA DA CANDIDATA

Petista cancela caminhada após confusão em feira

Em corpo a corpo, militantes, comerciantes e jornalistas trocaram empurrões; presidente do PT criticou imprensa

Dilma provoca Serra e diz que não discutirá política agrária porque "há diferença entre quem faz e quem fala"

MÁRCIO FALCÃO
da FSP

Em uma caminhada tumultuada ontem nos arredores de Brasília, a candidata Dilma Rousseff (PT) provocou o rival José Serra (PSDB) afirmando que não discutiria política agrária com o tucano porque "há uma diferença entre quem faz e quem fala durante a eleição".
Dilma visitou a Feira dos Produtores de Vicente Pires. O evento foi marcado pela confusão entre militantes, comerciantes, consumidores, seguranças e jornalistas e motivou o cancelamento de uma caminhada que a petista faria hoje em outra cidade-satélite de Brasília.
Após sugerir aos militantes que peçam votos de casa em casa, a petista tentou circular pela feira, mas encontrou dificuldades. Dilma ficou menos de 15 minutos no local, sempre cercada pelos seguranças.
A candidata visitou barracas de frutas e temperos. Houve empurra-empurra. A desorganização irritou o presidente do PT, José Eduardo Dutra. "Eu falei que não era para entrar [na feira]", disse.
Depois, Dutra reclamou da imprensa no Twitter. "Impossível fazer campanha em feira, com dezenas de fotógrafos e cinegrafistas", disse. Desde o início oficial da campanha, no mês passado, Dilma tem optado por fazer campanha em carro aberto.
Alguns feirantes reclamaram do tumulto. "Eu tive que expulsar militante, gente que eu nunca vi na vida de dentro da minha loja. Só espantaram meus clientes. Isso só reforçou meu voto no Serra", disse o advogado Wilian Nuves, 28, proprietário de um açougue. Nunes bateu boca com a servidora Cecília Vitorina, 40, que defendeu a presença de Dilma.
A petista provocou Serra ao defender avanços do governo Lula na política agrária. Ela apontou o assentamento de 570 mil famílias e a determinação em lei de que 30% da merenda escolar fossem comprados de pequenos agricultores.
"Essa não é uma discussão que vou fazer com meu adversário. Essa faço com os agricultores e assentados. Eles sabem que fizemos uma política pró-agricultor. Há uma diferença entre quem faz e quem fala durante a eleição. O nosso governo fez", disse.
Dilma afirmou que houve um aumento do crédito para a agricultura familiar, passando de R$ 2,2 bilhões, no ano-safra 2001/2002, para R$ 16 bilhões, em 2010-2011. A candidata prometeu ainda criar um setor na Caixa Econômica Federal para investir em habitação rural.




CANDIDATA DETESTA À IMPRENSA

DILMA FAZ CRÍTICAS À IMPRENSA

da FSP

Para a petista, reportagem de "O Globo" sobre irregularidades no Dnit poderia ter uso eleitoral. Sobre suposta lavagem de dinheiro de Roseana Sarney (PMDB) revelada por "O Estado de S. Paulo", Dilma disse não opinar com base em "acusação de jornal".




VALE, VALE TUDO....

"Faz-tudo" de Lula em SP influencia nomeações

Discreta, assessora emplaca diretores em agências e marido na Infraero

Acompanhar presidente em viagens ao exterior e triar currículos estão entre as tarefas da chefe do gabinete paulistano

RUBENS VALENTE
da FSP

Praticamente anônima, uma funcionária do governo federal exerce há sete anos considerável influência na gestão Luiz Inácio Lula da Silva. Trata-se de Rosemary Nóvoa de Noronha, a "faz-tudo" da Presidência da República em São Paulo.
Rose, como é chamada, é presença constante (e discreta) nas comitivas presidenciais mundo afora. Emplacou diretores em agências reguladoras e o marido numa assessoria especial da Infraero.
Entre suas raras aparições públicas, estão duas fotografias numa revista de celebridades, identificada só pelo nome, sem o cargo que ocupa -um dos mais estratégicos da administração direta federal e que lhe rende R$ 11.179 mensais brutos.
Rose trabalha ao lado do gabinete de vidros blindados onde Lula despacha quando está na capital paulista, no 3º andar do prédio da Previ, na esquina da rua Augusta com a avenida Paulista. Ali funciona a sede paulistana do Banco do Brasil. Chefe do gabinete regional da Presidência da República, Rose secretaria Lula e o acompanha em viagens internacionais.
Rose conheceu Lula nos anos 90, trabalhando com o então presidente nacional do PT, José Dirceu, a quem assessorou por 12 anos. Começou no governo federal em fevereiro de 2003, como assessora especial do gabinete regional. Passou a chefe da unidade em 2005.
Rodou o mundo a serviço do Planalto em pelo menos 17 viagens entre 2005 e 2010 (ao todo, R$ 45 mil em diárias), a países da América Latina, Oriente Médio, África e Europa. Costuma integrar o Escav (escalão avançado), equipe que prepara a chegada de Lula. Rose circula com extrema reserva -a Folha não localizou uma única foto dela nesses eventos.
Um petista graduado de São Paulo conta que ela faz "uma triagem" de currículos de candidatos a cargos de segundo e terceiro escalões.
A discrição começou a ficar comprometida quando Rose apoiou nomeações para diretorias de duas agências reguladoras, tornando-se foco de notas na imprensa.
Em março, o advogado Rubens Carlos Vieira, procurador da Fazenda Nacional e ex-corregedor da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), foi indicado por Lula e tomou posse como diretor na área de regulação econômica da Anac.
Seu irmão, Paulo Rodrigues Vieira, também advogado e ex-ouvidor da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), foi indicado para uma diretoria da Ana (Agência Nacional de Águas). Ambos contaram com o apoio de Rose.
A nomeação de Paulo foi conturbada. Em dezembro de 2009, o Senado rejeitou, por 26 votos a 5, o nome encaminhado por Lula. Em abril, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), recolocou o nome em votação, mesmo após um parecer contrário a um recurso. Num lance incomum no Senado, a nomeação acabou aprovada.
José Cláudio de Noronha, marido de Rose, ocupa um cargo de assessoria especial na administração regional da Infraero em São Paulo.
Em 2006, no escândalo dos gastos com cartões de crédito corporativos, o nome dela estava na lista de 65 servidores que fizeram saques para pagamento de despesas da Presidência. Autorizada por lei, Rose havia sacado R$ 2,1 mil com seu cartão.
O deputado Indio da Costa (DEM-RJ), hoje candidato a vice-presidente na chapa de José Serra (PSDB), e o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) pediram a convocação de Rose para depor na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) criada para investigar o uso dos cartões corporativos. Os pedidos foram negados pela comissão.

OUTRO LADO
Procurados pela Folha, José Dirceu e os irmãos Vieira e José Cláudio Noronha não quiseram fazer nenhum comentário sobre ela.
A assessoria de imprensa do Palácio do Planalto chegou a informar que o secretário particular de Lula, Gilberto Carvalho, iria responder às perguntas da reportagem, mas ao longo de três semanas nenhuma resposta foi encaminhada. Rose também não quis falar.





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