Evaldo Augusto Torres Alves /editor
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Política

Rapidinhas


Questão sobre a saúde de Dilma precipitou exames

Candidata fez check-up em SP para monitorar linfoma tratado em 2009

Comando da campanha não pretendia divulgar resultados; médicos afirmam que saúde da petista é "excelente"

COLUNISTA DA FOLHA

A pergunta no debate online Folha/UOL sobre a saúde de Dilma Rousseff (PT) -no ano passado, ela descobriu e tratou um linfoma (câncer linfático)- precipitou a realização de exames pela candidata à Presidência. Horas depois do debate, na noite de quarta, Dilma passou por um check-up e exames de rotina para controle da doença.
Segundo a Folha apurou, a campanha havia decidido que Dilma passaria por exames, porque sua saúde era um "tema subterrâneo" que poderia surgir durante a disputa eleitoral. A antecipação ocorreu por causa do questionamento no debate.
Ao final do evento, Dilma afirmou considerar a pergunta "um pouco deselegante".
A intenção também não era divulgar a realização dos exames, mas apenas ter os resultados positivos para o caso de a candidata ser confrontada sobre o tema.
Entretanto, a passagem da candidata do PT pelo Hospital Sírio-Libanês vazou, e decidiu-se pela divulgação da nota médica.

SAÚDE "EXCELENTE"
Segundo a equipe médica, coordenada pelo cardiologista Roberto Kalil Filho, o estado de saúde da candidata é considerado "excelente".
De acordo com protocolos médicos, só se pode falar em cura quando o paciente tem ausência de atividade da doença por mais de cinco anos. Dilma terminou o tratamento em setembro de 2009. No primeiro ano, é aconselhado realizar o controle a cada seis meses.
Seu último exame havia sido em março. O protocolo estabelece que a partir de setembro ela poderá realizar as revisões anualmente.
Mesmo com o tratamento precoce e de primeira linha que Dilma recebeu no ano passado, as chances de recidiva do câncer linfático são de 10% nos próximos anos.
Após esse período, caem para 2%.

(ANA FLOR, CLÁUDIA COLLUCCI e MÔNICA BERGAMO)




Debate presidencial Folha/UOL registra 1,7 milhão de acessos

Transmitido ao vivo na quarta-feira, evento já foi visualizado na internet em 170 países

da FSP

A audiência do debate presidencial promovido pela Folha e pelo UOL na quarta-feira não para de crescer, já que o vídeo continua disponível na internet.
Até as 15h30 de ontem, o vídeo do primeiro debate on-line entre presidenciáveis do Brasil foi visto 1.748.621 vezes. O número é cerca de 23% maior do que o relativo apenas à transmissão ao vivo.
A repercussão do debate também aumentou no exterior. Ao longo da quarta-feira, a Folha.com registrou acessos de 170 países diferentes -eram 127 até a tarde do dia 18.
Depois do Brasil, os países que mais deram audiência ao debate Folha/UOL foram EUA, Portugal, Japão, Alemanha e Reino Unido.
No dia da transmissão do debate presidencial, o site UOL Notícias teve uma audiência 569% maior que a média diária e 70,6% maior do que o recorde histórico anterior, que havia sido durante a cobertura do julgamento do casal Nardoni.
O confronto que reuniu Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) foi acompanhado por 190 jornalistas que estiveram no Tuca (teatro da PUC-SP), além daqueles que assistiram ao debate pela internet.
Mais de 80 sites fizeram a transmissão simultânea do vídeo ao vivo. No Twitter, o evento chegou a liderar a lista de assuntos mais comentados no mundo e, durante o debate, esteve entre os temas mais citados na rede social.




Uso de imagem de Lula incomoda tucanos

Exibição de presidente com Serra na TV irrita parte do PDSB e preocupa outra parcela

da FSP

O uso de imagens do presidente Lula na propaganda de José Serra incomodou parcela do PSDB e causou preocupação em outra fatia do partido.
A exibição de fotos de Lula ao lado de Serra contrariou uma ala do partido. Entre eles, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que já vinha se queixando da comunicação da campanha.
Embora tenha sido informado da estratégia, o presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), evitou comentar. "Prefiro não opinar agora. A ideia é dizer que o Lula vai e agora o melhor é Serra".
O presidente do DEM, Rodrigo Maia, não quis se manifestar sobre a eficácia do programa.
"A estratégia do Gonzalez, pelo visto, é dizer que a Dilma não é o Lula. Imagino que eles estejam amparados por pesquisas. Vamos ver".
O governador Alberto Goldman elogiou o programa e disse que a fotografia retrata a história, um fato: "Serra tem história com Lula, mais do que a Dilma.Não estão na mesma canoa eleitoral. Mas é a História".
Um dos articuladores de Serra, Jutahy Magalhães (BA) disse que era "necessário" exibir a imagem, para mostrar "que os dois têm um relacionamento civilizado, respeitoso e institucional




Serra acusa governo federal e PT ...


Serra acusa governo federal e PT de tentar intimidar e censurar imprensa
Em discurso na Associação Nacional do Jornais, tucano não citou Lula, mas foi duro ao falar das ameaças à liberdade de expressão
Felipe Werneck
do Estadão

Posição. 'Liberdade de expressão e de informação é a garantia da democracia' O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, acusou ontem o governo federal e o PT de tentarem, nos últimos anos, intimidar, manipular e censurar a imprensa, em duro discurso durante o 8.º Congresso Brasileiro de Jornais, promovido pela Associação Nacional de Jornais (ANJ), no Rio.

Sem citar o presidente Lula, Serra afirmou que as tentativas de "cercear a liberdade" se dão de três formas. A primeira, disse, é a "via democrática entre aspas", pela realização de conferências como as de comunicação, direitos humanos e cultura, que "se voltaram de fato para um controle da imprensa, através do suposto controle da sociedade civil".

"Quantas pessoas podem ter participado dessas conferências? Quinze mil? Vinte mil? Isso não representa o povo brasileiro. Representa muito mais um partido e alguns setores que infelizmente revelaram certa porosidade e indulgência", atacou o tucano. "Eu recusei como governador de São Paulo abrigar uma conferência estadual, coisa que me proporcionou moções de repúdio amplamente aplaudidas."

Serra afirmou que essas conferências são feitas com dinheiro público e funcionam como "articulação de natureza partidária para dominar ou, pelo menos, porque esse é o resultado principal, intimidar a imprensa". Segundo ele, esses encontros - que "são de partidos ou frações de partidos, basicamente do PT" - geraram cerca de 600 projetos de lei "que permanecem como ameaças" no Congresso.

Programa. Ele lembrou que o PT incluiu questões levantadas em conferências na primeira versão do programa de governo de Dilma Rousseff, "registrado na Justiça Eleitoral e rubricado pela candidata". E acusou: "Não foi por engano. Significa um endosso, como sempre significou, às posições de controle da imprensa."

Para Serra, o segundo aspecto é a tentativa de controle econômico. Acusou o governo de usar a publicidade estatal como "instrumento com critérios de manipulação". "Parece ser uma loucura com método, que se destina a intimidar." Também criticou a TV Brasil, mantida pela estatal EBC - "feita para não ter audiência, para criar empregos e servir como instrumento de poder para um partido".

Como terceira forma de cerceamento da liberdade de imprensa ele denunciou um suposto patrulhamento contra profissionais e classificou como "barbárie" o projeto de criação de um Conselho Federal de Jornalismo, para controlar o exercício da profissão. O candidato admitiu que às vezes reclama da imprensa, mas afirmou que não o faz com o ânimo de quem quer censurar.

"É muito diferente de ter um aparelho de Estado que se organiza para trazer sob seus desígnios o jornalismo, usar a opressão do Estado através de pronunciamentos, de pressão econômica, pressão de chantagem, pressão de patrulhamento em favor de um partido", atacou.

Depois do discurso, Serra assinou a Declaração de Chapultepec (documento lançado em 1994 no México em defesa da liberdade de imprensa). "Eu na Presidência vou respeitar até o fundo da alma essa liberdade de expressão e de informação, porque ela é a garantia da democracia", afirmou, em entrevista.




Serra acusa PT de financiar "blogs sujos";


Serra acusa PT de financiar "blogs sujos"; Dilma chama tucano de "patético"

da FSP

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, acusou o governo Lula de "financiar blogs sujos para patrulhamento de jornalistas" e usar dinheiro público para custear conferências que propõem a restrição da liberdade de imprensa.
Em resposta, a candidata do PT, Dilma Rousseff, chamou o tucano de "patético", por, segundo ela, um dia criticar Lula e no dia seguinte tentar ligar seu nome ao dele para se beneficiar da popularidade do presidente.
Serra e Dilma participaram, em momentos distintos, do 8º Congresso Brasileiro de Jornais.
O tucano falou por 30 minutos a partir das 13h, e a petista discursou três horas mais tarde por período de tempo semelhante.
A plateia reunia cerca de 800 pessoas entre proprietários e profissionais de imprensa de todo o país.

"BLOGS SUJOS"
Serra disse que o governo federal apoia o cerceamento da liberdade de imprensa e de informação.
"Lula investe diariamente no desequilíbrio do jogo. Boa parte desta estratégia não deixa de ser alimentada por recursos públicos. Boa parte desses blogs sujos são mantidos com recursos dessa TV Brasil, que não foi feita para ter audiência, mas para criar empregos na área de jornalismo e servir de instrumento de poder para um partido."
Para o candidato tucano, o governo Lula tenta intimidar a imprensa de três formas: por via legal, com a realização de conferências que sugerem o controle social sobre a mídia; pela publicidade oficial; e pela intimidação indireta de jornalistas.
Depois de defender a liberdade da imprensa, porém, Serra se recusou a responder perguntas de jornalistas sobre a suposta falta de oposição no Brasil e sobre quais são os blogs sujos a que se referira. "Alguma outra pergunta?", limitou-se a dizer cada uma das três vezes em que foram feitos questionamentos incômodos a ele.

PAZ SOCIAL
Dilma, em entrevista após seu discurso, criticou o que considerou ambiguidade de seu adversário.
"Acho estranho porque, ao mesmo tempo em que o candidato tenta, muitas vezes de forma patética, ligar seu nome ao do presidente Lula, ele fez oposição o tempo todo. Tem dia que ele faz crítica, tem dia que ele quer ligar seu nome ao projeto do presidente Lula. O candidato Serra é assim. O que podemos fazer?"
Dilma tentou evitar responder sobre as críticas ao apoio e financiamento do governo a conferências com propostas supostamente contrárias à liberdade de imprensa.
"Muitas vezes não concordamos com as reivindicações, mas não tememos os movimentos sociais e jamais vamos deixar de escutá-los", afirmou a petista.
Em seu discurso, defendeu a liberdade de expressão e de acesso à informação. "Não há liberdade onde falta informação. Prefiro o barulho da crítica ao silêncio da censura. A paz social não é obtida usando mordaça", disse.
(ANTÔNIO GOIS, ELVIRA LOBATO e PLÍNIO FRAGA)


A indexação dos salários da Justiça


A indexação dos salários da Justiça

NOTAS & INFORMAÇÕES
do Estadão

O brasileiro comum, sujeito à vida insegura, ao trabalho duro e ao imposto pesado sem o correspondente serviço público, está de novo em sério perigo. Desta vez, o sinal de alerta aponta para muito alto - para o topo do Poder Judiciário e para o Ministério Público Federal. O contribuinte comum, esfolado até na compra de alimentos e remédios, poderá ser forçado a sustentar, com seus tributos, condições muito especiais - ainda mais que as de hoje - para os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), para os membros da Procuradoria-Geral da República e, por extensão, para todos os funcionários capazes de cavar os mesmos benefícios com base no critério da isonomia. A ameaça está contida em dois projetos de lei enviados ao Congresso nos últimos dias. Entre outros pontos perigosos para as contas públicas, para a economia brasileira e para quem ganha a vida com trabalho está a proposta de indexação de vencimentos de várias excelências - um mimo indisponível para o resto dos brasileiros.


Um dos projetos é assinado pelo presidente do STF, ministro Cezar Peluso. O outro, pelo procurador-geral da República, Roberto Monteiro Gurgel Santos. Os dois textos propõem o mesmo vencimento, R$ 30.678,48, a partir de 1.º de janeiro de 2011, para a cúpula do Judiciário e para o chefe da Procuradoria-Geral. Um dos efeitos desse aumento será a elevação do teto salarial de todo o funcionalismo. Nenhuma lei determina o pagamento do teto, mas essa tem sido a tendência da administração pública, até com apoio do Judiciário. Essa tendência independe da qualidade e da quantidade dos serviços públicos.

Mas esse aumento, embora chocante para muitas pessoas, não é o ponto mais grave. Nos dois projetos, aqueles vencimentos, a partir de 2012, serão fixados com base em autorização da Lei de Diretrizes Orçamentárias e nos limites de dotações do Orçamento-Geral da União e seu valor será publicado, antes do começo de cada exercício, pelo procurador-geral e pelo presidente do STF. A prática em vigor, no entanto, exige a fixação dos valores daqueles vencimentos por meio de leis específicas, votadas pelos congressistas. A legislação orçamentária autoriza verbas e fixa tetos, mas a determinação dos valores só ocorre por meio de outro ato legislativo. Segundo os autores dos projetos, o objetivo é "tornar o processo legislativo mais célere". A celeridade, nesse caso, subtrairá uma prerrogativa do Parlamento.

Mas as duas propostas são ainda mais ambiciosas. A partir de 2015, os subsídios mensais dos ministros do STF e do procurador-geral da República serão fixados, a cada quatro anos, por lei de iniciativa dos chefes de cada uma dessas entidades. Assumirão, portanto, uma nova função e um novo poder. Além disso, os projetos têm como objetivo a recuperação do poder aquisitivo - ou, em outras palavras, serão corrigidos com base num índice de preços. Os trabalhadores comuns não têm direito a essa garantia, porque a maior parte das indexações foi abolida pela legislação do Plano Real. Com isso foi erradicado um dos mais perigosos fatores de inflação e é preciso evitar um retrocesso.

Alguns preços continuaram indexados para segurança de contratos de longo prazo e para facilitar a privatização de serviços de utilidade pública. Mas também esses critérios ficaram sujeitos a condições e alguns têm sido revistos. A irredutibilidade de salários garantida pela Constituição refere-se, de acordo com qualquer interpretação sensata, a valores nominais. A reposição do poder de compra tem sido negociada entre empregados e empregadores, assim como os aumentos acima da inflação. Esses trabalhadores são sujeitos às mudanças do mercado e às oscilações da economia. Apesar disso, eles pagam muito mais que o razoável para sustentar a máquina pública, onde se alojam as excelências do Ministério Público, do Judiciário e tantas outras.

Os dois projetos têm o mesmo número de artigos e seus textos só diferem quando há referências ao STF e à Procuradoria-Geral da República. Será essa mais uma coincidência extraordinária, quase sobrenatural, ou terão resultado as duas propostas de uma combinação? Seria interessante se os signatários dos dois textos explicassem o detalhe.

Serra agora gruda em Lula na TV
Serra agora gruda em Lula na TV, e PT recorre ao TSE

Se recurso for aceito, coligação serrista perderá tempo no horário gratuito

Iniciativa do marketing tucano veio casada com ataques a Dilma para tentar conter a queda de Serra nas pesquisas

da FSP

No horário nobre do programa eleitoral gratuito na TV, ontem à noite, a campanha de José Serra (PSDB) repetiu o que já fizera a sua adversária Dilma Rousseff: grudou o tucano no presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"Serra e Lula, dois homens de história. Dois líderes experientes", disse o locutor logo na abertura da propaganda, enquanto eram mostradas três cenas dos dois juntos -numa, o tucano afaga o ombro do petista; noutra, eles cochicham.
Aproximar Serra de Lula de forma tão escancarada e logo no início da propaganda eleitoral contrariou a ala do PSDB que defende uma oposição mais contundente.
O PT anunciou que entrará com representação no Tribunal Superior Eleitoral contra a coligação de Serra pela utilização de imagens de Lula.
O pedido terá como base o artigo 54 da Lei eleitoral (9.504), que permite a participação, nos programas de rádio e televisão gratuitos, de "qualquer cidadão não filiado a outra agremiação partidária ou a partido integrante de outra coligação".
Caso seja aceita, poderá acarretar perda de tempo na TV da coligação serrista.
A iniciativa do marketing tucano veio casada com ataques a Dilma, no rádio e, em menor intensidade, na TV, numa estratégia para tentar conter perda de votos e apatia entre os aliados.
Na avaliação de integrantes da cúpula tucana, para garantir um segundo turno, Serra terá que investir na ideia de que Dilma não tem experiência e depende somente do prestígio de Lula.
No programa de TV, após a descrição de ações do tucano na carreira, o locutor afirmou: "Serra, a vivência que a Dilma não tem".

TIRA A MÃO
Os programas de rádio foram mais críticos à adversária. Incluíram jingle que aponta Dilma como usurpadora das realizações de Lula.
"Tira a mão do trabalho do Lula/ tá pegando mal/ que o Brasil tá olhando/ Tudo o que o Lula criou/ ela diz:/ fui eu, fui eu/ Tudo o que é coisa do Lula/ a Dilma diz:/ é meu, é meu", afirma um trecho.
A investida busca aplacar o desânimo de parcela do tucanato com a possibilidade de derrota. E acontece num momento em que, oito pontos atrás de Dilma, Serra corre risco de perda de votos no próprio eleitorado.
A tentativa de desconstrução da imagem de Dilma vai ganhar corpo, gradualmente, na campanha. Pelo cronograma original, as peças seriam exibidas a partir de sábado. Mas, com crescimento da petista nas pesquisas, a estratégia foi antecipada.
Dilma também atacou Serra, sinalizando que a cada dia aumenta a animosidade entre os adversários. "Ao mesmo tempo em que o candidato tenta, muitas vezes de forma patética, ligar seu nome ao do presidente Lula, ele fez oposição o tempo todo. Tem dia que ele faz crítica, tem dia que ele quer ligar seu nome ao projeto do presidente Lula. O candidato Serra é assim". (leia na pág. A12).
Ontem à noite, pelo Twitter, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, um dos coordenadores da campanha de Dilma, comentou via Twitter: "De dia o Serra esculhamba o governo, o PT e os petistas. De noite bota o Lula no seu programa. Na minha terra o nome disso é .. deixa pra lá".
Mais cedo, em entrevista sobre o ataque no rádio, Dutra descartou um revide no horário eleitoral e disse que o PT não mudará "em nem um milímetro" a sua estratégia.
"Isso me lembra um jingle do [petista Marcelo] Déda em 2006: "Eita que eles estão aperreados". Mas não vamos entrar em baixaria. É a lei da política: quem está atrás, bate."
* (FABIO VICTOR, CATIA SEABRA E ANA FLOR)


A revelação

A revelação

DORA KRAMER
do Estadão

Depois de muito resistir - foi preciso o presidente Lula contaminar o senso comum com a certeza do "já ganhou" - o candidato do PSDB a presidente, José Serra, acabou percebendo uma evidência: oposição existe para se opor.

Não a uma entidade etérea que ninguém sabe direito o que é ou às mazelas de um modo geral. Oposição existe para se opor à situação. Para ganhar ou perder.

Luiz Inácio da Silva cansou de ensinar isso aos governos aos quais fez oposição. Não que todo oposicionista deva ter como modelo o PT.

Aquele que em nome de um projeto partidário se opõe até ao bem-estar da maioria - por exemplo, sendo o único ente a não se engajar no combate à inflação nos anos 90 - para depois reivindicar a autoria da obra rejeitada.

Em versão suave o nome disso é oportunismo.

Oposição representa o contraditório que não precisa necessariamente ser destrutivo nem agressivo. Mas não pode deixar de ser incisivo ao contraditar o que diz e o que faz o governo. De preferência quando existirem motivos para tal e mediante a apresentação de argumentos bem fundamentados.

Durante dois mandatos de Lula, o PT e a ampla coligação partidária que sustenta o governo deram muitos motivos e várias oportunidades para que a oposição cumprisse o seu papel. Raríssimas exceções, o PSDB nunca quis.

Não por falta de chamamento - o DEM bem que tentou, junto a algumas vozes combativas em outros partidos -, mas por falta de vocação para a luta, excesso de cálculo, medo de arriscar e uma confiança temerária no destino.

As duas principais lideranças eram governadores de Estado (José Serra e Aécio Neves) e neste Brasil atrasado é preciso ter relações cordiais na política para que as ações administrativas não sejam prejudicadas.

O porta-voz mais abalizado (pelo preparo e por ter ocupado a Presidência por oito anos) era rejeitado por não ser "popular". Fernando Henrique Cardoso era ouvido em privado e ignorado em público. Suas críticas caíram no vazio por mais pertinentes que fossem.

As bancadas na Câmara e no Senado, outra vez ressalvadas as exceções raríssimas, eram perfeitas traduções da frouxidão (no sentido preguiçoso da palavra) e da ambiguidade.


Nunca houve um plano de ação entre os representantes parlamentares, executivos e partidários, muito menos houve estratégia para enfrentar os anos de oposição e depois para a campanha eleitoral.


Serra e Aécio se faziam de bonzinhos, alguns senadores de mauzinhos, os melhores deputados depois de duas ou três ordens para "aliviar" para o lado de Lula em CPIs. FH falava sozinho.


Depois de começar a campanha ainda no papel de bonzinho, Serra viu pelas pesquisas que só lhe resta fazer o que seu partido deveria ter feito nos últimos oito anos, até porque foi essa a escolha do eleitorado em 2002 e 2006: que o PSDB ficasse na oposição.


Há, entretanto, um problema. Talvez não dê certo porque o eleitorado poderá não firmar laços de confiança com candidato e partido que mudam de comportamento de uma hora para outra.


A tarefa não é simples, pois Serra se propõe a convencer o eleitorado em 40 dias de algo sobre o que o PSDB não pareceu convencido em oito anos.


Choque de gestão. Em dois mandatos o loteamento partidário da administração pública destruiu a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, que já foi de símbolo da eficiência.


Obra iniciada pelo PTB e completada com brilhantismo pelo PMDB, cuja gestão na Fundação Nacional de Saúde já teve suas credenciais apresentadas pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, para quem a Funasa é conhecida pelas denúncias de corrupção e baixa qualidade de serviços prestados.


Não por isso. Em Brasília a campanha de Joaquim Roriz está indignada com o PT, que chamou seu candidato de "ficha-suja" no horário eleitoral.

Roriz - notório ficha-limpa - quer direito de resposta.

Lula lá ou Lula cá em 2011?


ELIANE CANTANHÊDE


BRASÍLIA - Quanto mais Dilma cresce e se aproxima da vitória no primeiro turno, mais dúvidas surgem sobre seu eventual governo.
Sabe-se muito sobre Serra -o que ele fez e o que não fez, o que ele diz e o que de fato pensa, as qualidades de homem público e as idiossincrasias pessoais, seus amigos e seus desafetos. E de Dilma? Sabe-se muito pouco de Dilma Rousseff.
Ela virou a ministra-forte e evoluiu para ser candidata do PT por instinto e capricho de Lula. Rejuvenesceu, coloriu os cabelos, maquiou o rosto, trocou o guarda-roupa. Foi treinada, enfrentou bem entrevistas ao vivo e debates. Mas o que está por baixo de tudo isso?
Cabe perguntar o que vem por aí caso Dilma seja a primeira mulher a subir a rampa do Planalto, com o PT encastelado na máquina, no BB, na CEF, na Petrobras, no BNDES; o PMDB de Sarney, Jader, Renan; o vice Michel Temer, pronto para tudo; a fila, do PCdoB ao PR.
Dilma protagonizou histórias constrangedoras de gritos e destratos a ministros, assessores e presidentes de estatais. Tampouco é popular na arraia-miúda do Planalto. Há controvérsias se um temperamento assim, dissimulado pelos sorrisos de campanha, será suficiente ou, ao contrário, adequado para equilibrar a autoridade da presidenta e a ganância dos "aliados".
Uma das especialidades de Lula é driblar o próprio time e, quando vem gol contra, ele "não sabia, nunca ouviu falar". Dilma seguiu o script nos casos da Receita, do "banco de dados" da Casa Civil contra FHC, do dossiê da sua campanha contra Serra, da quebra de sigilo de dirigente do PSDB. Mas, como chefe suprema, vai colar, como sempre colaram todas as versões de Lula para tudo?
Por fim, quem vai ser presidente? Ela ou Lula? Sem respostas, não dá para apostar como será Dilma ao trocar o personagem de candidata pelo de "mãe dos brasileiros". Simplesmente porque não se sabe quem é a própria Dilma.

Crise consolida Brasil como 8ª economia

Com base nos números do 1º trimestre, País superou a Espanha; PIB nominal brasileiro seria de US$ 1,8 tri e o espanhol, US$ 1,5 tri

Jamil Chade e Fernando Dantas
do Estadão

GENEBRA E RIO - A crise espanhola permitiu que o Brasil se firmasse na oitava posição entre as maiores economias do mundo. Com base em números oficiais, o jornal econômico espanhol Expansion revelou que o ranking das maiores economias foi bastante modificado com a crise global nos últimos dois anos.

A China ultrapassou o Japão e agora se tornou a segunda maior economia do mundo. Já o Brasil supera a Espanha e é a oitava potência, em termos de Produto Interno Bruto (PIB) nominal. Com base nos números do primeiro semestre, o PIB brasileiro seria de US$ 1,8 trilhão, ante US$ 1,5 trilhão da Espanha. Segundo o jornal, a Espanha chegou a ficar na sétima posição em 2007, quando ainda vivia um boom econômico. Mas, com 20% de desemprego, um déficit colossal e uma economia estagnada, perdeu posições.

Já dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), organizados por Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating (ver gráfico), indicam que a ultrapassagem da Espanha pelo Brasil teria acontecido ainda em 2009. Mas a persistência da crise nos países ricos e a rápida recuperação dos emergentes, como o Brasil, fizeram com que a diferença entre os dois países disparasse em 2010.

Em 2009, segundo os dados do FMI, o Brasil, com PIB de US$ 1,57 trilhão, estava na oitava posição do ranking, mas colado na Espanha, que era a nona colocada com US$ 1,46 trilhão. Já a projeção do Fundo para 2010 joga o PIB brasileiro para US$ 1,91 trilhão, bem acima do US$ 1,56 trilhão previsto para a Espanha.

Dependência

Sem um mercado interno dinâmico por causa do desemprego, a Espanha passou a depender apenas das exportações. Mas, com a Europa em crise, produtos não competitivos e uma queda da demanda nos Estados Unidos, empresas não aguentaram e muitas faliram. No total, foram sete trimestres de encolhimento do PIB, também prejudicado pelo fim da bolha imobiliária que mantinha 25% do crescimento da economia. Agora, a recuperação apenas patina e já se fala em nova queda no fim do ano.

No Brasil, a crise internacional foi compensada pelo mercado doméstico em expansão, crédito e consumo. Pelo ranking do FMI, os Estados Unidos continuam no primeiro lugar, com um PIB nominal projetado para 2010 de US$ 14,8 trilhões, quase o triplo do chinês. A China vem em segundo, com US$ 5,4 trilhões, seguida pelo Japão com US$ 5,3 trilhões.

O primeiro país europeu no ranking é a Alemanha, com US$ 3,3 trilhões, seguido de longe pela França, com US$ 2,7 trilhões, Reino Unido, com US$ 2,2 trilhões e Itália com US$ 2,1 trilhões. O Brasil vem na oitava posição, colocação que já ocupou nos anos 90, com US$ 1,9 trilhão.

Em entrevista ao jornal espanhol, o ex-ministro de Assuntos Exteriores do país, Josep Piqué, apontou que, juntas, as economias latino-americanas já seriam a quarta maior economia do mundo, superando a Alemanha. Para ele "a Europa é o doente da economia mundial".

O ranking do FMI indica que a posição do Brasil variou muito desde meados da década de 90. Em 1995, o Brasil era a sétima maior economia do mundo em PIB nominal, com US$ 769,7 bilhões. As crises cambiais e econômicas da segunda metade dos anos 90, porém, acabaram forçando a desvalorização do real em 1999, que foi acentuada nas turbulências de 2001 a 2003.

A conjunção de moeda desvalorizada e baixo crescimento fizeram o Brasil recuar seis posições no ranking do FMI, caindo em 2003 e 2004 para a 13.ª colocação no ranking global de PIBs. Nesses dois anos, o Brasil ficou atrás de países como Espanha, Canadá, México, Coreia do Sul e Índia.

Pulando degraus

A partir de 2005, porém, com a valorização do real, e de 2006, com a aceleração do ritmo de crescimento, o Brasil recuperou cinco posições, e chegou em 2009 ao nono posto no ranking dos PIBs. Segundo Agostini, da Austin Rating, "vale lembrar que a boa colocação do Brasil obtida nos anos 90 se deveu ao câmbio artificialmente valorizado, que aumentava o PIB em dólares".

Para o economista, hoje a realidade é diferente, pois, mesmo com o câmbio relativamente valorizado, o País está em um nível de abertura comercial e competitividade muito maior que no passado. "Isso são fatores que reforçam a solidez da economia brasileira nos dias de hoje, o que fica demonstrado, até mesmo, pela forma como superou com louvor a crise mundial", acrescenta.

As projeções do FMI indicam, porém, que o Brasil deve se manter na oitava posição pelo menos até 2015, quando o PIB nacional atingirá US$ 2,6 trilhões. Mas haverá uma mudança significativa no ranking, já que o País ultrapassará a Itália e será, por sua vez, ultrapassado pela Rússia, que deve chegar a 2015 com PIB de US$ 3,1 trilhões.

Em 2015, segundo as previsões do FMI, o PIB americano atingirá US$ 18,2 bilhões. Com US$ 9,4 trilhões, o PIB chinês já será um pouco mais do que a metade do americano.

Venezuela impede banqueiros de controlar....


Venezuela impede banqueiros de controlar empresas de comunicação
Críticos dizem que projeto visa enfraquecer grupos empresariais contrários a Chávez

do Estadão


Os parlamentares venezuelanos aprovaram hoje uma lei para impedir os donos de bancos de também controlarem grandes fatias em companhias da mídia. Os críticos condenam o projeto, argumentado que ele tem como meta enfraquecer os grupos empresariais contrários ao presidente Hugo Chávez.

Com a aprovação da lei pela Assembleia Nacional, controlada pelos chavistas, ela passará a valer assim que o presidente assiná-la. A administração Chávez solicitou a aprovação da medida recentemente, após acusações de que o banqueiro Nelson Mezerhane, um dos principais acionistas da emissora Globovisión, estava usando sua influência na mídia para atrair clientes para seu banco e então roubar seus depósitos. A Globovisión faz oposição ao governo.

Funcionários do governo afirmam que Mezerhane, que nega as acusações, veiculou anúncios de televisão promovendo sua instituição, o Banco Federal, retratando-a como segura e sólida, mesmo quando ela estava supostamente com problemas sérios de liquidez.

O governo tomou o controle do Banco Federal. Foi emitido um mandado de prisão contra Mezerhane, que estaria vivendo nos Estados Unidos. Em entrevistas à imprensa, o banqueiro disse que não pretende voltar para Venezuela tão cedo.

A Globovision é a única importante emissora de televisão na Venezuela que permanece crítica ao governo Chávez, que comanda o país desde 1999. Ao estatizar o banco de Mezerhane e assumir o controle da parcela de 26% dele na Globovisión, a oposição acusa Chávez de preparar uma eventual tomada completa da Globovisión.

Fotos

Em outro capítulo das divergências das autoridades da Venezuela com a imprensa, um tribunal de Caracas proibiu esta semana os jornais do país de publicarem imagens violentas durante um mês. A decisão foi motivada por uma foto de um necrotério veiculada pelo jornal "El Nacional" em sua capa, na sexta-feira passada. Em protesto, o diário trouxe ontem espaços para fotos em branco, com a palavra "censurado" escrita no lugar das imagens.

A decisão contra os jornais foi tomada pouco mais de um mês antes das eleições legislativas na Venezuela, marcadas para 26 de setembro. A violência é apontada como um dos principais problemas do país pelos venezuelanos, mas o governo acusa a mídia de promover um clima de medo com uma cobertura sensacionalista. As informações são da Dow Jones.

Cristina anula licença de empresa de Clarín

Fibertel é provedora de serviços de internet

GUSTAVO HENNEMANN
DE BUENOS AIRES/FSP

O governo da presidente argentina Cristina Kirchner anulou ontem a licença de operação da empresa Fibertel, que pertence ao Grupo Clarín e oferece serviços de internet a mais de 1 milhão de clientes.
O anúncio alimentou a guerra declarada entre o governo e o Clarín, que detém grande parte do mercado nacional de TV, rádio, meios gráficos e telecomunicações.
Há dois anos, a cobertura jornalística do grupo é explicitamente contrária ao governo, que ataca com ações administrativas e uma nova lei de mídia, aprovada em 2009 e atualmente suspensa pela Justiça.
Segundo o ministro do Planejamento, Julio De Vido, a licença foi anulada porque o capital social da empresa foi absorvido por outra companhia do grupo, a Cablevisión, sem a autorização da Secretaria das Comunicações, que regula o mercado.
Com a fusão, a empresa que havia sido licenciada em 2003 deixou de existir, na interpretação do governo, e o uso atual da licença pela Cablevisión é irregular. De Vido deu um prazo de 90 dias para que os clientes encontrem um novo provedor.
Em nota, a empresa disse que a medida é "claramente abusiva e faz parte de um plano de travas e hostilização administrativa do governo" contra o Clarín.
O grupo disse que a transferência de licença de uma companhia para a outra foi aprovada por outro órgão do Executivo e que recorrerá à Justiça para reverter a decisão anunciada ontem.
Ainda segundo o Clarín, o governo pretende anular a competição no setor de internet para favorecer companhias estrangeiras aliadas.

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