Anastasia sobe seis pontos e se aproxima de Costa em Minas, aponta Ibope
Vantagem do candidato do PMDB sobre tucano caiu de 18 para 11 pontos porcentuais
Eduardo Kattah
do Estadão
A diferença entre Hélio Costa (PMDB) e Antonio Anastasia (PSDB) na disputa pelo governo estadual caiu de 18 para 11 pontos porcentuais, conforme pesquisa Ibope divulgada nesta segunda-feira, 23, pela TV Globo Minas. No primeiro levantamento após o início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão, Costa continua liderando a disputa com 38% das intenções de voto, seguido por Anastasia, com 27%. Em relação à pesquisa anterior, divulgada no dia 30 de julho, o peemedebista oscilou negativamente um ponto porcentual - dentro da margem de erro, de 2% para mais ou para menos - enquanto o tucano subiu seis pontos.
Programa de Costa com apoio de Dilma é vetado em MG
Com 1% cada, aparecem Vanessa Portugal (PSTU), Luiz Carlos Ferreira (PSOL) e José Fernando Aparecido (PV). Edilson José do Nascimento (PT do B), Fábio Bezerra (PCB) e Pedro Paulo (PCO) não atingiram 1% das intenções de voto.
Anastasia comemorou o resultado, afirmando que ele "já demonstra de fato uma arrancada muito positiva" de sua candidatura. "A diferença caiu bastante. Estamos muito animados e estamos sentindo isso nas viagens que fazemos pelo Estado afora", afirmou o governador durante visita a Uberlândia, no Triângulo Mineiro.
Para Aécio o crescimento do candidato tucano já era previsto. O ex-governador voltou a afirmar que confia na vitória de Anastasia no primeiro turno. "Quanto mais conhecido o governador Anastasia se torna, maior a intenção de voto em relação a ele", comentou.
Senado
Na disputa pelo Senado, Aécio Neves (PSDB) e Itamar Franco (PPS) continuam liderando. O ex-presidente aparece com 43% das intenções de voto, quatro pontos porcentuais a mais do que o último levantamento, quando tinha 39%. O ex-governador recuou dentro da margem de erro, de 70% para 69%. Já o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), subiu de 18% para 19%, também dentro da margem de erro.
Foram entrevistados 2.002 eleitores entre os dias 18 e 20 de agosto. Os votos brancos ou nulos somam 7% e os indecisos 25%. Segundo o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), o levantamento foi contratado pelo próprio Ibope e está registrado sob o número 62810/2010.
Lula deu senha para mais dossiês em SP, diz tucano
Roberto Almeida
do Estadão
As investidas do presidente Lula e da candidata Dilma Rousseff (PT) para reverter o quadro da corrida ao Palácio dos Bandeirantes geraram reação de tucanos.
Lula disse no sábado que é preciso criar “fatos políticos” para alavancar o candidato do PT ao governo do Estado, Aloizio Mercadante. E já turbinou a agenda em São Paulo.
Para o coordenador do programa de governo de Geraldo Alckmin, deputado José Aníbal (PSDB), o “fato político” é uma “senha”.
“Quando o Lula diz isso está dando senha para os aloprados de São Paulo produzirem dossiês”, afirmou.
Candidato ataca Dilma, ausente de debate na TV
da FSP
Sem a presença de sua concorrente direta na disputa pela Presidência, José Serra (PSDB) usou o debate de ontem à noite na TV católica Canção Nova para atacar a petista.
Já no final, o tucano foi questionado sobre aborto. Disse ser contra a prática e também contra a realização de um plebiscito sobre o assunto. Aproveitou o tema espinhoso para falar que Dilma Rousseff (PT) "não quer se mostrar".
A petista, que alegou motivos de agenda para faltar, indicou uma música da banda Pato Fu no Twitter, na hora do debate.
Ausente de debate de TVs católicas, Dilma vira alvo de rivais
André Mascarenhas e Jair Stangler/do Estadão
Bancada vazia foi o principal destaque do debate
A candidata Dilma Rousseff (PT) não participou do primeiro debate presidencial realizado na noite de hoje pelas TVs Canção Nova e Aparecida, o primeiro realizado por TVs católicas, mas foi o principal alvo dos rivais José Serra (PSDB), Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL). Principal adversário da petista, Serra aproveitou para atribuir a ausência de Dilma a eventual dificuldade que ela teria para explicar o apoio do PT ao polêmico Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), fortemente criticado pela Igreja Católica.
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Ausência de candidato em debate é prejuízo para a população, diz Serra
Marina ironiza ausência de Dilma: ‘não falo mal pelas costas’
A candidata do PT foi também alvo frequente das estocadas de Plínio. O socialista, que mais uma vez arrancou risos da plateia com suas ironias, usou sua primeira participação no debate para denunciar a adversária, e a certa altura entregou a candidata petista: “Ali naquela cadeira deveria estar a pessoa que deveria estar aqui defendendo o PNDH-3. Sabe o que ela está fazendo? Está tuitando”, disse Plínio em referência a Dilma, arrancando aplausos da plateia.
Ao longo do debate, Marina foi a única que procurou se distanciar da polêmica com Dilma. No entanto, a candidata verde foi pressionada a esclarecer porque defende um plebiscito sobre o aborto apesar da posição contraria à intervenção. Marina disse não ver incoerência na sua postura e pediu que questões polêmicas como essas não seja “satanizadas”.
Apesar dos vínculos históricos com a Igreja Católica, Plínio de Arruda Sampaio defendeu a maioria dos pontos presentes no PNDH-3, dizendo inclusive discordar de posicionamentos da Igreja em certos aspectos. Já o candidato José Serra foi o mais crítico com relação ao PNDH.
Os dois também bateram de frente ao defender mudanças no sistema prisional. Plínio defendeu a proposta de penas não-prisionais. Serra se disse também simpáticos às penas alternativas e defendeu que se construam mais presídios no País. Plínio viu ‘incoerência’ de Serra na proposta.
O candidato socialista voltou a polemizar com Marina, insistindo que a candidata do PV é ‘eco-capitalisata’. A candidata se irritou com a ironia do socialista e afirmou que não é possível esperar pelo socialismo para combater a mudança climática.
Acompanhe os principais momentos do debate:
0h24 – Termina o debate.
0h23 - Serra conclui criticando Dilma: “Lamentável é quem prefere esconder o que pensa. A ausência da Dilma não é por agenda. É por dificuldade de explicar o que pensa.” Serra lembra ainda membros da Igreja Católica que o ajudaram em sua vida e o mediador cortou o microfone de Serra quando ele citava Zilda Arns.
0h20 – Plínio encerra sua participação no debate enfatizando o “sentido de sua candidatura”: “Eu sou contra o capitalismo. A raiz de tudo é o capitalismo”, diz. “Nós precisamos ter a coragem de romper”, continua. Ele faz uma referência critica à “aliança da Igreja com a burguesia”, mas ressalva quea CNBB, na última Campanha da Fraternidade, defendeu esse rompimento. Plínio volta a ironizar a ausência de Dilma: “meus tuiteiros são terríveis. Informaram que Dilma está agora assistindo na TV um show do Pato Fu.”
0h18 – Marina em suas considerações finais, agradece aos organizadores do evento, à plateia, à audiência e afirma que o “Brasil está cada vez mais pronto para surpreender mais uma vez a si mesmo.” E para concluir: “Estamos à beira de um colapso ambiental. Sou candidata para promover a Justiça social e promover a justiça ambiental.”
0h16 – Marina comenta a questão afirmando que o “homem é constituído por várias dimensões”, inclusive a religiosa. “A legislação estabeleceu que deveria ser opcional”, completa Marina. “Eu resolveria cumprindo a Constituição, mostrando que o Estado é laico, mas não é ateu”, completa.
0h12 - Na sessão “como o Sr. resolverá o problema”, a primeira pergunta é sobre como regulamentar a educação religiosa nas escolas. Para Serra, a questão é opcional, de escola para escola. “Acho que é importante para as crianças, para a nossa formação”, diz o tucano. Ele afirma ser “impraticável” levar o ensino para a escola pública, dado que todas as religiões ganhariam na Justiça o direito de ter sua crença ensinada.
00h11 – Serra é questionado se faria plebiscito sobre aborto. “Durante a Assembleia entrou a questão da pena de morte. Um deputado queria fazer um plebiscito. Eu fiz uma frente contra o plebiscito. Não é uma questão do 51 a 49. sobre o aborto penso o mesmo, não faria plebiscito. Sobre o PNDH, era um programa curioso. Aliás, uma das questões pela qual a Dilma não veio é porque não quer se expor. O PNDH queria criminalizar quem é contra o aborto.”
00h08 – Plínio, sobre agricultura, ”nós propomos que toda propriedade de mais de mil hectares seja desapropriado, produtivo ou não produtivo, a fim de distribuir terra”, diz Plínio sobre a questão agrária. O candidato do PSOL diz que falta, no debate político, o discurso da ruptura. “O candidato que propõe a ruptura do modelo capitalista é o candidato do PSOL.”
00h04 – Marina é questionada sobre o déficit habitacional no Brasil. “A política habitacional não dá conta do imenso déficit habitacional que existe”, responde a candidata. “Além de não dar conta, ela não pensa em como melhorar a qualidade de vida. Não se pensa em áreas de lazer, áreas verde, tratamento de esgoto. Uma boa parte da população vive às margens de rios e são os que mais sofrem nas enchentes. A política habitacional com o programa ‘Minha Casa Minha Vida’ é uma boa ideia, mas precisa levar em consideração os aspectos ambientais e sociais.”
00h03 - Começa o último bloco. Será feito o sorteio de temas relativos a algum problema do País. Cada candidato terá de responder à pergunta “Como você resolverá o problema?”. A seguir, os candidatos farão as considerações finais.
23h58 – Termina o terceiro e penúltimo bloco.
23h54 – Serra diz ser favorável ao sistema não prisional. “Mas para quem não é perigoso”, e lembra o caso recente acontecido no Distrito Federal, de um homem que foi solto e matou diversos jovens. Reforça que vai combater a violência e construir mais presídios. Plínio diz que é contraditório defender a reforma do sistema carcerário e ao mesmo tempo querer construir mais presídios. Serra diz que não há contradição entre defender penas alternativas e construir mais presídios. “Há uma superpopulação nos presídios, é realmente um tratamento desumano. No caso dos criminosos perigosos, precisa fazer o exame criminológico, suspenso no atual governo.”
23h50 – A Pastoral Carcerária é a terceira a perguntar. O representante questiona se Plínio pensa em criar alternativas ao sistema carcerário atual. “Eu sei que há um movimento moderno muito importante de fazer a pena não prisional”, diz Plínio, que lembra ter aprendido na universidade de Direito que lugar de criminoso é na cadeia. Ele também critica as cadeias brasileiras. “Mas o que pode substituir (a prisão) é uma sociedade mais justa, uma sociedade não capitalista.”
23h47 - Plínio, em sua resposta, defende o PNDH-3. “Não consigo entender a leitura que foi feita. Há a defesa dos direitos humanos. O direito humano é a defesa da pessoa independente do que ela fez. Realmente não entendeo a leitura que a Pastoral fez.” Para Marina completa seu tempo defendendo a família. Plínio em sua tréplica: “Ali naquela cadeira deveria estar a pessoa que deveria estar aqui defendendo o PNDH-3. Sabe o que ela está fazendo? Está tuitando”, diz Plínio em referência a Dilma, arrancando aplausos e risos.
23h43 - A segunda entidade sorteada para perguntar é a Pastoral Familiar, que questiona Marina sobre o Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), do governo federal. “O PNDH-3 não é uma novidade”, diz a candidata, citando o governo de Fernando Henrique Cardoso. “O problema agora é que fizeram uma espécie de panaceia de tudo aquilo que não foi tratado durante oito anos”, diz Marina. Segundo ela, a diferença é que o governo FHC não aprofundou as questões como fez o governo Lula. Marina defende ainda o papel da família.
23h59 - Marina responde que é preciso questionar “Que país é esse em que a gente não dá igualdade para o nosso jovem? Um jovem que não foi tratado na maioria das vezes como precisava, um jovem que não teve uma casa, não teve uma escola, e a gente está dizendo: fique na cadeia. Minha posição é contrária. Os jovens tem que ser tratados, não é colocando na cadeia que nós vamos conseguir que sejam melhores.” Serra cita atividades culturais como uma maneira de melhorar a autoestima dos jovens. Marina lembra que mesmo em Estados importantes, como RJ, SP, ainda estamos muito aquém em Educação.
23h35 – Pastoral do Menor é a sorteada para fazer a primeira pergunta do 3º bloco. O entrevistador aborda a questão da redução da maioridade penal, em pergunta ao candidato José Serra. “Eu sou contra o rebaixamento, porque não resolve”, diz o candidato. Ele ressalta defender uma mudança na lei para que os menores fiquem retidos por maior tempo no caso de crimes hediondos. ”Sou contra o rebaixamento da idade, mas sou à favor de que menores, que são realmente assassinos, possam ficar mais tempo retidos, até com vistas a tratamentos psiquiátricos”.
23h35 – Começa o terceiro bloco. Membros de pastorais e movimentos ligados à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) serão os autores das perguntas.
23h30 – Terminou o segundo bloco.
23h29 - “Eu vi de tudo no Congresso”, afirma, para em seguida lembrar que foi favorável à reforma proposta pelo governo FHC. Serra encerra sua participação no bloco citando a pergunta anterior, sobre a segurança. Ele defende a criação de um Ministério da Segurança.
23h26 – “Eu nunca fiz nenhum tipo de discriminação”, comenta Serra, que lembra ter contado com a contribuição de técnicos petistas em sua passagem pelo Ministério da Saúde. “Na minha passagem pelo ministério eu acabei com o loteamento político”, completa. Em sua réplica, Marina defende a reforma política.
23h24 – Pergunta para Marina. A senhora acredita que é possível votar sem troca de favores. “Acredito tanto que se não acreditasse não estaria aqui”. “Se ganhar, não tenho problema em governar com os melhores do PV, do PT, do PMDB e até do PSOL. O que resolve as coisas é ter coerência.”
23h23 - Plínio retruca e diz que Marina é “eco-capitalista”, enquanto ele é um “eco-socialista.” Marina critica a postura de Plínio e ironiza a reação do público, que “ri das piadas que você conta”. Ela afirma que continuará pautada pelos seus princípios, e não pelas provocações do candidato do PSOL e ganha aplausos da plateia. Para ela, não é possível esperar pelo socialismo para combater a mudança climática.
23h21 – “Eu defendo um modelo de desenvolvimento diferente. Acho que temos que apostar numa nova postura de mundo, de país, a qual chamamos de desenvolvimento sustentável”, comenta Marina. Na resposta, a candidata do PV diz que capitalistas e socialistas são idênticos no trato da natureza.
23h20 - Pergunta para o Plínio: O senhor ainda acredita no socialismo radical? “Não está ainda posta a ruptura socialista”, responde. “O que nós propomos são soluções para os problemas atuais do País. O que nós propomos vai conduzir à questão do socialismo democrático. E é isso que eu vou levantar nessa eleição, e é isso que não querem ouvir.”
23h17 - O tucano garante que utilizaria os R$ 45 bilhões do trem-bala para construir metros em várias capitais do País.
23h15 – Plínio diz concordar com Serra sobre o trem-bala. “Ou ele é inteiramente público, para não discriminar entre o rico e o pobre. Agora, transposição não. Transposição é entregar o nordeste ao agronegócio. E Belo Monte é a bolsa-empreiteira”, ironiza, provocando gargalhadas na plateia. Serra concorda com Plínio sobre a o “bolsa-empreiteira”.
23h13 – José Maria Mayrink, do ‘Estado de S.Paulo’, pergunta sobre o que Serra fará com relação ao Trem-Bala, à transposição do São Francisco e às hidrelétricas. Serra começa falando sobre o Trem-Bala. “Se for pago pela iniciativa privada, pode ser. Se for pago com o dinheiro do povo brasileiro, nesse aspecto não dá não. São R$ 45 bilhões. A própria empresa é que vai definir o trajeto. E, se não tiver passageiro, é o BNDES que vai pagar.”
23h11 – Marina, por sua vez, também critica a proposta de criação de um Ministério da Segurança Pública, o qual chama de “puxadinho”. Para ela, a invasão de um hotel por traficantes na zona sul do Rio de Janeiro foi uma denúncia de que a política de pacificação do governo carioca não funciona.
23h09 - No comentário da resposta sobre violência, Plínio aproveita para responder à questão das pesquisas. “Se eu fosse técnico de futebol, eu já teria sido demitido”, diz sobre seus resultados nas pesquisas. Sobre a questão da violência, Plínio defende teto e terra para amenizar os problemas sociais. “O que acaba com a violência é cidadania”, diz.
23h08 – Marina é perguntada sobre o problema da segurança no Brasil. “Os policiais não são bem remunerados. Tem que ter ação enérgica contra o tráfico de drogas, trabalho integrado com governo federal, governo estadual. O tráfico acaba com a vida de jovens. As UPPs são uma boa ideia, mas tem que ter uma ideia mais abrangente. Precisa ter o combate à violência, mas precisa ter prevenção, cultura de paz.”
23h06 - Serra, na sua réplica, nega que fique nervoso com os resultados das pesquisas, e admite que é “humano comemorar quando sobe nas pesquisas”. Para encerra a questão, Marina cita os problemas da educação no País.
23h04 - “Toda vez que os colegas da imprensa me perguntam sobre as pesquisas, eu respondo que não entendo porque o Serra e a Dilma ficam tão nervosos com essa história de pesquisa”, diz Marina no comentário sobre a pergunta. “Eu olho com as pesquisas com respeito, não fico brigando com elas, mas continuo.”
23h03 – Perguntado sobre as pesquisas que dão vantagem a Dilma, Serra diz que a pesquisa que vale é a da urna. “Pesquisa é um indicador, jornalista e político são fascinados por ela. Eu nunca tive tão disposto, tanta convicção de que posso fazer coisas boas pelo País, coisas boas para as pessoas. Confiante daquilo que eu vejo nas ruas, daquilo que chega para nós das pessoas.”
23h01 - Plínio, ainda sobre controle de mídia: ”Nesse ponto nós discordamos totalmente, Serra. Precisamos de um conselho que diga: “A sua programação é uma vergonha. Os senhores estão criminalizando o MST.” Serra: “Quem vai definir este conselho? O PT? Eles que vão dizer o que vale e o que não vale? Não tem saída aí para sair da ditadura, da intimidação.”
22h58 – “Eu não discuto as intenções do Plínio, mas acho muito perigoso as ideais do controle social”, diz Serra sobre o controle social dos meios de comunicação. O tucano cita o aparelhamento das entidades representativas da sociedade por membros do PT. Serra cita ainda a assinatura, por Dilma, do programa de governo do PT.
22h57 – Jornalista questiona Plínio sobre proposta de acabar com propriedade cruzada da mídia. “Uma coisa é o controle dos meios de comunicação, outra coisa é a censura”, responde o candidato. “O Estado não censura, mas sete ou seis proprietários censuram. Eu estou sendo censurado. As televisões erotizam e depois vem falar em censura.”
22h53 – “É fundamental que tenhamos campanhas de transmissão”, diz Marina ao comentar a resposta de Serra. “Essa é uma opção que as pessoas podem fazer, e que a fé as famílias podem orientar”, continua. “A minha posição vai ser sempre à favor da vida.” Na sua tréplica, Serra volta ao programa anti-Aids criado durante sua passagem pelo Ministério da Saúde. Marina encerra sua posição sobre o assunto.
22h53 – Perguntado sobre se concorda com a castidade como meio de controlar as DSTs, Serra lembra seu trabalho de prevenção no Ministério da Saúde para controlar as DSTs e a Aids. Serra diz que vai continuar trabalhando contra o sexo precoce e pelo monoganismo.
22h49 – Na réplica, Marina continua sua resposta. “Quem é que protege a vida que está ali?”, questiona a candidata em reação às asserções de Plínio, que citou as mortes de mulheres que interrompem a gravidez de forma ilegal. Marina diz que o que está em debate é a vida das “100 mil mulheres” e também a vida que são ceifadas com essas 100 mil mulheres”. “Acho que o debate deve fazer o debate, com transparência, e eu jamais vou deixar de colocar o meu ponto de vista.”
22h47 – Plínio opta por ler sua posição sobre o aborto. Ele diz ser pessoalmente contra o aborto, mas argumenta que o aborto é uma questão de saúde público.
22h46 – Marina é perguntada sobre o aborto. “Sou contra o aborto. O problema é que essa é uma questão filosófica, moral e também política. Precisamos debater o assunto. O Congresso pode decidir o assunto sem debater com a sociedade. É por isso que eu defendo o debate, para que aqueles que como eu tem uma posição contrária e aqueles que tem uma opinião a favor.”
22h45 - Serra fecha o bloco da pergunta: “Que uma religião não aceite a pratica do homossexualismo é uma coisa. Outra é a questão social, a pratica da violência.”
22h41 - “Eu acredito que a questão da preferência sexual não pode ser objeto de discriminação”, diz Serra, que concorda com Plínio quanto a liberdade dos religiosos em pregarem contra o homossexualismo.
22h43 – Réplica de Plínio: “o princípio de que não se deve humilhar uma pessoa por causa de sua opção sexual. Nenhum de vocês duvida da minha fé. Tenho 60 anos de militância. Se houver uma restrição para que qualquer religião critique (o homossexualismo), sou contra”, afirma o candidato socialista”
22h40 – Jornalista Rafael Leal, da Canção Nova, pergunta para Plínio sobre projeto de lei que pretende criminalizar a homofobia. “Já me manifestei favoravelmente. Sou contra toda e qualquer forma de discriminação. Eu não aceito que nós cristão não possamos dizer que isto é um erro. Agora, a pessoa não pode ser humilhada por causa das suas opções”, responde Plínio.
22h38 – Começa o segundo bloco. Ss perguntas serão formuladas por três jornalistas convidados pelas emissoras.
22h35 - No primeiro intervalo comercial da atração, Geraldo Alckmin aproveita para cumprimentar religiosos e políticos presentes. Um dos responsáveis por lançar na vida pública Gabriel Chalita, que foi seu secretário de educação, Alckmin é frio ao cumprimentá-lo. No fim do ano passado, Chalita deixou o PSDB para ingressar no PSB, partido pelo qual disputa o cargo de deputado federal.
22h34 – Termina o primeiro bloco.
22h32 – Serra sorri ao ver que o tema de sua pergunta sorteada é “economia”. Em sua resposta, o candidato ressalva que, muitas vezes, é mais fácil responder perguntas sobre as quais não domina o assunto. Serra usa a resposta para bater na tecla do “tripé maligno”, com os “maiores juros do mundo, talvez do universo”, os baixos índices de investimento público e a alta carga tributária.
22h28 – Plínio é perguntado sobre símbolos religiosos em lugares públicos. “Esta é uma República laica. Aqui existe em Deus que acredita e existe gente que não acredita. Não há necessidade da Igreja insistir que os prédios públicos tenham símbolos religiosos. Isso deve ser restrito aos templos religiosos, às casas. No Congresso, tenho a impressão que Cristo deve pensar ‘ai meu Deus, não gostaria de estar aqui’ para ver essa canalhada’”, responde Plínio, gerando um murmúrio ao final de sua resposta.
22h26 - Marina defende a reforma agrária na primeira pergunta sorteada do debate. Segundo ela, é necessário que a distribuição dos lotes sejam de acordo com a necessidade de quem ocupa a terra. “Acho que nós temos que agradecer à contribuição que a Igreja tem dado através da Pastoral da Terra”, diz a candidata verde.
22h23 – “Eu sempre digo que é fundamental que as pessoas compareçam a todos os debates”, diz Marina. Para ela, “do ponto de vista do Estado laico não (é importante acreidar em Deus)”. Mas ela ressalva que para um governante é altamente valoroso acreditar em um ser superior. “É um delta a mais”, diz. E completa: “Deus é generoso até com quem não acredita nele”.
22h21 – Plínio deixa para mais tarde a resposta a sua pergunta e critica a ausência de Dilma: “Dos quatro candidatos tem uma que não poderia deixar de estar aqui. O meio cristão sabe muito bem quem é o José Serra, quem é a Marina. E eu, eu acho que nenhum dos bispos ignore quem eu seja. No entando essa senhora, que ninguém sabe quem é, some, foge do debate, de questões que poderiam tirar voto. Olha, dona Dilma, a sra. deveria estar aqui”. O candidato é muito aplaudido.
22h18 – “Eu acho bom que o presidente da República acredite em Deus”, diz Serra ao responder a primeira pergunta do debate, sobre a necessidade, ou não, da crença em Deus pelo presidente brasileiro. “Eu acredito que a religião e a crença em Deus nos aproxima nos valores”, diz o tucano. “Eu vejo a vida publica assim. Eu estou na vida publica não pra curtir as benesses do poder, mas para cuidar das
22h17 – No primeiro bloco os candidatos respondem a uma pergunta comum. A primeira pergunta é: O presidente da República precisa acreditar em Deus? Isso influi na maneira de governar o País?
22h14 – Começa o debate. O mediador, padre Antônio Cesar Moreira Miguel, que é jornalista e dirige a TV Aparecida, faz a introdução do evento. No estúdio há um púlpito para a candidata do PT, Dilma Rousseff, que permanece vazio. Ela alegou motivos de agenda para cancelar a presença. Um princípio de vaia é ouvido quando o moderador do debate cita sua ausência.
22h09 – Serra chega ao estúdio e é aplaudido. O candidato do PSDB ao governo do Estado, Geraldo Alckmin, entra na plateia no mesmo momento que Serra.
22h07 – Ao contrário do primeiro debate presidencial, realizado pela TV Bandeirantes no último dia 5, praticamente não há presença de políticos aliados dos presidenciáveis na plateia. Com exceção do vereador Gabriel Chalita (PSB) e do deputado Ivan Valente (Psol), a plateia é formada, em sua maioria, por religiosos, membros das pastorais e jornalistas. Para Valente, no entanto, o contato direto com o público católico é “mais do que válido”. Ele defendeu a proximidade entre as bandeiras do seu partido, o PSOL, e as defendidas pelas pastorais ligadas à Igreja Católica. “São propostas que se ligam diretamente com as necessidades do povo pobre disse”, para em seguida minimizar eventuais divergências em aspectos caros à Igreja, como o aborto. “Somos à favor da descriminalização do aborto porque nenhuma mulher é à favor do aborto. A questão é que política de Estado vamos aplicar”, disse o deputado, que defende a intervenção nos casos em que há violência ou risco para a mulher.
22h – Os candidatos começam a entrar no estúdio. Plínio e Marina são os primeiros a chegar. Serra ainda não apareceu.
21h50 - Marina, Serra e Plínio já se encontram no campus da Faculdade Santa Marcelina, onde o debate será realizado.
postado por Evaldo Torres * Fonte : Estadão em 24-08-2010
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Ex-sequestrador vira ditador
Ao lado do presidente, Franklin critica mídia
Discurso foi feito em lançamento de TV
da FSP
Em discurso ao lado do presidente Lula, o ministro Franklin Martins (Comunicação Social) criticou a imprensa e disse que os jornais e emissoras de TV vão perder o controle sobre as notícias levadas à opinião pública.
Eles participaram ontem do lançamento da TVT, do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. A cerimônia reuniu cinco ministros em clima de campanha para a presidenciável Dilma Rousseff (PT), que não compareceu.
Franklin disse que o canal ajudará a internet a quebrar o poder dos "aquários", jargão que identifica a chefia das redações dos grandes veículos nacionais. "Isso é uma revolução e incomoda muita gente que ficava no Olimpo. Mas é irreversível, e está apenas começando".
O diretor do sindicato, Valter Sanches, disse ter planos ambiciosos para competir com as grandes redes: "Queremos fazer jornalismo investigativo de fato, sem atender interesses políticos".
O sindicato é filiado à CUT (Central Única dos Trabalhadores), ligada ao PT.
A TVT estreia com uma hora e meia de produção própria no canal 46 UHF na Grande SP, em outros dez Estados e na internet.
Em discurso lido, Lula disse que a emissora evita que os trabalhadores "continuem impedidos de exercer a liberdade de expressão". "O brasileiro sabe distinguir o que é informação e o que é distorção dos fatos", disse.
*(BERNARDO MELLO FRANCO)
FALANDO SOBRE O EMBAIXADOR SEQUESTRADO
postado por Evaldo Torres * Fonte : Folha de São Paulo em 24-08-2010
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Circo do horrores
ELIANE CANTANHÊDE
da FSP
BRASÍLIA - A propaganda dos candidatos a deputado federal de São Paulo, o Estado mais rico e com o maior eleitorado do país, virou um circo dos horrores. Impossível sair da TV sem a sensação de que o Congresso está virando galhofa e um ímã para galhofeiros.
Os candidatos com partido e representatividade são engolidos por falsos palhaços, personagens patéticos, moças inescrupulosas, famosos empurrando parentes, atletas surfando na glória efêmera.
Desde o costureiro Ronaldo Esper, tão surpreendente quanto o seu PTC, seus óculos escuros e a roupa chocante, até o cantor Agnaldo Timóteo, tentando seduzir os órfãos do estilista Clodovil. E a tal "Mulher Pera", coitadinha, achando-se sexy e com um discurso descabido: "Jovem vota em jovem". Que jovem, que tipo de jovem?
Raul Gil "tira o chapéu" para o seu filho, e Mara Maravilha pede voto para seu "esposo", o "servo de Deus" fulano de tal. O boxeador Maguila fala manso, e o craque Marcelinho Carioca quer trocar o gramado pelo Salão Verde da Câmara, para "jogar com você no mesmo time".
Enéas continua vivo, vivíssimo, na campanha: Luciano Enéas usa a mesma barba, os mesmos óculos e o mesmo tom, Luciana Costa promete "combate à droga e à pedofilia" e encerra grotescamente sua fala: "Meu nome é Luciana". Poderia ser um programa de humor, mas precisa ser levado a sério.
E já se dá de barato que o Tiririca, com sua peruca loura, sua fantasia ridícula e seu discurso desconexo, está com vaga garantida nessa "renovação" dos 513 deputados e de dois terços dos 81 senadores. É o Congresso indo ladeira abaixo, fraco, desacreditado. Aliás, onde foram parar as CPIs?
Pior do que isso, só a eleição dos candidatos ficha sujíssima, como Joaquim Roriz, que governou quatro vezes o DF. A Justiça impugnou a candidatura, mas a candidatura impugnada vai vencer. Pode? Pode.
O NÃO MENOS PALHAÇO SUPLICY PEDE VOTOS PARA MULHER PERA
postado por Evaldo Torres * Fonte : Folha de São Paulo em 24-08-2010
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A menor graça
A menor graça
Dora Kramer
do Estadão
Deve-se aos programas de humor e à mobilização dos humoristas a contestação de uma das mais graves distorções institucionais na Lei Eleitoral em vigor desde 1997: a abolição do exercício da crítica política no rádio e na televisão nos três meses que antecedem a eleição.
De lá para cá foram realizadas seis eleições, sendo três presidenciais.
Por isso, os rapazes e as moças do humor já mereceriam assento junto aos idealizadores do projeto Ficha Limpa, numa hipotética premiação a iniciativas para melhorar os meios e os modos da tão antiquada política brasileira.
Posto o mérito, é preciso dispor alguns equívocos. Há desorientação e falta de informação na campanha, cujo primeiro ato público foi uma passeata na praia de Copacabana.
Delícia, mas é preciso falar mais sério e certo.
Muita gente ainda acha que a proibição atinge apenas os programas humorísticos e que é uma inovação da Justiça Eleitoral.
Os organizadores cometem seus deslizes. Abriram um abaixo-assinado para ser enviado ao ministro da Cultura pedindo a revogação da lei. Dizem que essa é a maneira de repetir a trajetória do projeto Ficha Limpa.
O veto a candidaturas de gente condenada por tribunal foi obtido pela aprovação de uma lei no Congresso, cujo projeto teve iniciativa popular. Nada a ver com o Poder Executivo, com ministros nem presidentes de autarquias.
Aliás, cumpre ressaltar que se dependesse do Poder Executivo o projeto não teria sido aprovado. Acabou sendo pela conjugação de dois fatores: a pressão social e a certeza de muitos congressistas e palacianos de que a lei não entraria em vigor neste ano ou seria derrubada na Justiça por inconstitucionalidade.
O caminho correto, portanto, é o Legislativo. Seja por intermédio de algum parlamentar ou mediante apresentação de projeto de lei com o apoio de 1 milhão de cidadãos.
A proibição, que fique claro, pois, não foi uma invenção do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas consta de uma lei aprovada em 1997 e que não visa apenas, mas também, a atingir os humorísticos.
Suspende de um modo geral a vigência do artigo da Constituição que assegura a liberdade de expressão, uma vez que proíbe que as pessoas - jornalista, humorista, qualquer um - façam juízo de valor sobre candidatos, partidos ou coligações.
Deu para entender? É proibido dar opinião. Talvez fosse o caso de pedir ao Ministério Público para entrar com uma ação direta de inconstitucionalidade.
Excelente os humoristas terem aberto esse caminho. Só assim alguém - além de jornalistas que sempre podem ser acusados de advogar em causa própria - prestou atenção nesse aspecto da lei.
Por isso mesmo é necessário entrar na luta de modo correto, com as informações certas, para não acabar pedindo ajuda na casa do inimigo.
Partilha. Quanto mais as pesquisas mostram o favoritismo de Dilma Rousseff, mais abertamente o PMDB trata da divisão do latifúndio público federal.
No domingo o presidente do partido e candidato a vice de Dilma, Michel Temer, divulgou nota oficial negando essa intenção. Foi a terceira negativa nesse sentido no último mês. Nas primeiras duas vezes Temer desmentiu a si mesmo: em uma delas, disse que o PMDB seria "protagonista" no governo e, na segunda, discorreu a senadores a respeito do compartilhamento de espaços.
No lugar de divulgar notas à imprensa, mais eficaz seria Temer tentar conter o ímpeto da tropa.
Antigamente. Logo depois de eleito, em outubro de 2002, Lula fez um pronunciamento público em que, entre outros agradecimentos, dizia-se grato ao então presidente Fernando Henrique Cardoso por sua "imparcialidade" durante o processo eleitoral.
Segundo Lula, a conduta de FH e a Justiça Eleitoral "contribuíram para que os resultados das eleições representassem a verdadeira vontade do povo brasileiro".
postado por Evaldo Torres * Fonte : Estadão em 24-08-2010
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Comércio exterior e o futuro governo
Comércio exterior e o futuro governo
Rubens Barbosa
do Estadão
Os resultados da balança do comércio exterior no primeiro semestre deste ano contribuíram para aumentar a preocupação dos empresários com as dificuldades do governo em tomar medidas que fortaleçam a competitividade de nossas exportações para enfrentar a dura disputa pelo mercado internacional, sobretudo dos produtos manufaturados.
Embora tanto as importações como as exportações tenham crescido em relação a 2009, o comércio exterior retrocedeu ao nível de 2007. O crescimento em valores das exportações em 2010 é explicado pelo aumento das vendas de apenas três produtos: petróleo, soja e minério de ferro. O quantum das exportações não aumentou e o superávit da balança de comércio ficou mais de 50% inferior ao do ano passado. As exportações industriais continuaram a regredir, gerando um déficit de US$ 19 bilhões, e as manufaturas tiveram seu pior desempenho desde 1997. Os produtos de alta tecnologia representam hoje menos de 5% da pauta de exportações e a balança comercial do setor deve ser, em 2010, deficitária em US$ 59 bilhões.
Muitas são as razões da perda de competitividade do comércio exterior brasileiro. Não cabe aqui examinar o impacto da apreciação do câmbio, que atingiu em 2010 o mesmo nível de sobrevalorização de 1998, às vésperas da maxidesvalorização do real, nem a agressividade da China na promoção de seus produtos industriais ou os gargalos da infraestrutura, expostos, por exemplo, no congestionamento crônico do Porto de Santos pela falta de investimento. Tampouco cabe especular sobre as perspectivas e incertezas da economia global e do crescimento de comércio internacional ou sobre a desaceleração da economia brasileira e seus efeitos sobre nossas exportações.
Como estamos a pouco mais de um mês das eleições, e com a temporada de debates em plena efervescência, não seria demais pedir que os candidatos se manifestem sobre seus planos para fortalecer a área de comércio exterior. O crescimento do mercado doméstico - que está desempenhando o papel de motor da economia, a partir da crise econômica global - não poderá substituir de forma permanente o setor externo.
No debate econômico da campanha, chama a atenção a ausência de propostas dos candidatos com vista a reduzir ou eliminar as barreiras internas à expansão do comércio exterior, como o custo Brasil, que representa mais de 35% do preço final dos produtos de exportação, segundo recente estudo da Abimaq. O custo Brasil, que inclui impostos, encargos sociais e trabalhistas, custos com logística, juros, burocracia e energia, depende, em larga medida, de ações do governo para sanar os efeitos negativos sobre as exportações.
O próprio ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior reconheceu que o governo brasileiro "é lento e tímido" no apoio aos exportadores. Exemplo disso foram as últimas medidas de estímulo ao comércio exterior, depois de mais de seis meses do seu anúncio. Além de ficar muito aquém das expectativas do setor exportador, uma das principais medidas, a criação do Eximbank brasileiro, está perdida no meio de disputas burocráticas entre os Ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), o Tesouro e o BNDES, sem que o setor privado saiba o que está acontecendo e muito menos possa opinar sobre as implicações práticas do estabelecimento do banco. No tocante às negociações externas, uma nova estratégia terá de ser definida e executada, atribuindo prioridade à negociação de acordos de livre-comércio com parceiros relevantes. Há cerca de 350 acordos desse tipo registrados na Organização Mundial do Comércio (OMC) - mais de 100 foram negociados na última década. O Brasil ficou à margem dessa tendência e só recentemente concluiu acordos com Israel e com o Egito, ainda não ratificados.
Falta ao setor de comércio exterior um grupo de pressão a seu favor, como ocorre com a Febraban no setor financeiro e com o Ministério da Agricultura e diversas associações e instituições na área agrícola, que defendem os interesses das organizações financeiras e dos produtores no campo perante o governo e o Congresso Nacional. Dispersos e tendo de tratar com muitos interlocutores (Fazenda, MDIC, Banco Central, Receita Federal, Itamaraty, Ministério da Agricultura, BNDES, para citar os mais importantes), os empresários do setor de comércio exterior têm dificuldades para, com eficiência, defender os seus legítimos interesses. A Câmara de Comércio Exterior (Camex), colegiado com a atribuição de coordenar os diferentes órgãos da administração federal responsáveis pela política de comércio exterior, não tem peso político para exercer esse papel em sua plenitude.
O Brasil necessita de uma nova estrutura institucional para o comércio exterior e para suas negociações externas. Sem criar novas burocracias, o objetivo seria reforçar um comando único, favorecendo a coordenação no âmbito do governo, e criar um mecanismo de apoio em tempo integral ao comércio exterior para atuar como ponto focal na defesa dos interesses do setor privado.
O Conselho de Comércio Exterior da Fiesp e a Confederação Nacional da Indústria estão propondo o fortalecimento da Camex, vinculada diretamente ao presidente da República. Paralelamente, está sendo também sugerida uma ampla reforma no sistema aduaneiro nacional e a consolidação dos milhares de atos legais e normativos para facilitar as atividades do setor privado.
Os candidatos à Presidência da República até agora não demonstraram real interesse no tocante ao futuro do setor exportador, que tantos empregos e divisas gera para o País. Seria importante conhecer suas opiniões sobre a proposta de modificar o processo decisório com o reforço da Camex e sobre a convergência entre a agenda de negociações comerciais e as principais prioridades dos empresários.
Com a palavra, os candidatos.
*PRESIDENTE DO CONSELHO DE COMÉRCIO EXTERIOR DA FIESP
postado por Evaldo Torres * Fonte : Estadão em 24-08-2010
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Uma inquietante piora da política cambial
Uma inquietante piora da política cambial
do Estadão
O balanço de pagamentos de julho, divulgado ontem, confirma o enfraquecimento da situação cambial, com déficit nas contas correntes de US$ 4,5 bilhões, no mês; US$ 28,2 bilhões, entre janeiro e julho; e US$ 43,8 bilhões, em 12 meses. O Banco Central (BC) estima o déficit de 2010 em US$ 49 bilhões e, em média, os departamentos de análise econômica ouvidos pelo boletim Focus, em quase US$ 50 bilhões, mais que o dobro dos US$ 24,3 bilhões de 2009. É o pior resultado histórico para o mês de julho, mas, ainda mais grave, é um sinal de piora da política econômica.
Em termos relativos, a conta mais negativa foi a do turismo. Em julho, os viajantes brasileiros, privilegiados pelo real valorizado e pelo aumento da renda - favorecida, por sua vez, pela política fiscal relaxada, gastaram US$ 1,5 bilhão no exterior, três vezes mais do que os estrangeiros, que arcam com o dólar fraco, gastaram no País. O déficit na conta turismo foi recorde: US$ 1,1 bilhão.
O déficit das transações correntes tem sido financiado, crescentemente, por capitais de curto ou de médio prazos - em julho, US$ 2,6 bilhões foram aplicados em títulos de renda fixa, atraídos por juros superiores à media internacional, e outros US$ 3,2 bilhões, em ações, perfazendo US$ 5,8 bilhões. Já os investimentos diretos, aplicados por prazos longos, aumentaram de US$ 700 milhões, em junho, para US$ 2,6 bilhões, em julho.
O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, rejeita a hipótese de crise cambial futura, em face dos vultosos ingressos de capital estrangeiro esperados para capitalizar a Petrobrás. Tampouco os bancos esperam alterações bruscas na taxa cambial, tanto que aumentaram as posições de venda de dólar.
Mas o País está pagando mais caro para manter a confiança nas contas cambiais, que depende do nível de reservas cambiais, de US$ 260 bilhões, em parte adquiridas com recursos provenientes da venda de títulos públicos a juros altos. E não se deve supor uma baixa dos juros básicos com a economia aquecida. Além disso, com o real valorizado, há estímulo às importações, desestímulo às exportações e queda do saldo comercial, que sempre foi um grande - e conveniente - suporte para as contas cambiais. A dívida externa também cresceu - US$ 10,2 bilhões em julho -, o que aumentará a vulnerabilidade do País em caso de desvalorização do real.
A política cambial parece perder qualidade e depender cada vez mais dos ingressos de curto prazo, além de criar a ilusão de que será sempre possível importar mais para consumo, dados os preços baixos no exterior.
postado por Evaldo Torres * Fonte : Estadão em 24-08-2010
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Farc pedem diálogo à Unasul
Farc pedem diálogo à Unasul
Guerrilha diz buscar solução política e quer 'expor suas visões' em reunião com governos do continente
do Estadão
BOGOTÁ - As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), reiteraram nesta segunda-feira, 23, sua vontade de buscar uma "solução política" para o conflito colombiano e pediram à União das Nações Sul-americanas (Unasul) que convoque uma reunião para que a guerrilha "exponha sua visão".
"Senhores presidentes, quando acharem um momento oportuno, estaremos dispostos a expor em uma reunião na Unasul nossa visão sobre o conflito colombiano", disse a guerrilha em uma "carta aberta" do Secretariado do Estado Maior Central das Farc. A carta, divulgada pela Agência de Notícias Nova Colômbia, próxima da guerrilha, tem a data de agosto de 2010.
No recado, as Farc afirmam que "o governo colombiano mantém fechadas as portas para o diálogo com a insurgência estimulado pela esperança de uma vitória militar e por conta da interferência de Washington".
As Farc expressam à Unasul sua "irredutível vontade de buscar uma solução política para o conflito", já que consideram que "a paz na Colômbia significaria a paz no continente". "O drama humanitário da Colômbia pede a mobilização da solidariedade continental. A obsessão oligárquica por dominar a guerrilha militarmente há 46 anos e a execução dos planos de Washington causaram inúmeros massacres", denunciam os rebeldes.
Em julho, o chefe das Farc, Guillermo León Sáenz, conhecido como Alfonso Cano, propôs ao novo presidente colombiano, Juan Manuel Santos, que assumiu a presidência no último dia 7, uma conversa para superar "a terrível situação" que o país vive.
A mensagem foi dirigida ao novo governo colombiano e aos outros países que compõem a Unasul. A resposta de Santos foi de que não haveria diálogo enquanto a guerrilha não apresentasse "provas claras e contundentes" de que abandonaria o terrorismo e libertaria todos os reféns mantidos em seu poder.
Além disso, na semana passada Santos anunciou que não vai nomear, pelo menos por enquanto, alguém do governo responsável pelas negociações e instruiu as Forças Armadas a "obter resultados" contra o grupo rebelde na "frente militar.
postado por Evaldo Torres * Fonte : Estadão em 24-08-2010
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...novas medidas contra 'Clarín' e 'La Nación'
Cristina anunciará novas medidas contra 'Clarín' e 'La Nación'
Presidente tenta retirar a participação dos diários na principal fábrica de papel de jornal da Argentina
Ariel Palacios CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES
do Estadão
A presidente argentina, Cristina Kirchner, anunciará hoje uma nova ofensiva na Justiça contra os jornais Clarín e La Nación, para remover destas empresas sua participação na Papel Prensa, a principal fábrica de papel de jornal do país.
O anúncio será feito no final da tarde no palácio presidencial, em meio às críticas da oposição e de organismos internacionais de defesa da liberdade de imprensa - como a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) e a Associação Internacional de Radiodifusão (AIR),
Paralelamente, além da área de papel, o governo também pretende retirar o Grupo Clarín do setor da internet. Alejandro Aguirre, presidente da SIP, declarou que o governo Kirchner "está buscando um meio de controlar os meios de comunicação independentes do país".
A estratégia do governo será mostrar que o Clarín e o La Nación - além do extinto jornal La Razón - adquiriram a Papel Prensa no início da ditadura militar, em 1976, após os donos da fábrica serem torturados.
Antes da venda, 75% da empresa pertencia à família Graiver e 25% ao Estado argentino. Atualmente, a empresa é controlada pelo Clarín, que possui 49% das ações; o Estado é dono de 27,46%; e o jornal La Nación, 22,49%. O 1,05% restante está nas mãos de pequenos investidores.
Se a operação de venda feita em 1976 for cancelada, Lidia Papaleo - viúva do último proprietário da Papel Prensa, o banqueiro David Graiver (suposto financiador do grupo guerrilheiro Montoneros nos anos 70) - teria direito de pleitear na Justiça a posse da empresa.
Segundo o governo, os jornais foram cúmplices do regime militar. Papaleo afirma que foi forçada a vender suas ações após ser torturada e ameaçada de morte pelo presidente do Grupo Clarín, Héctor Magnetto, além de generais da ditadura.
Essa versão é desmentida por um dos companheiros de prisão de Papaleo, Gustavo Carballo. Ele afirma que os herdeiros de Graiver foram torturados meses depois da venda da empresa. "Vincular a venda (da Papel Prensa) à tortura é falso."
Internet. O governo também suspendeu na quinta-feira a licença da empresa de internet do Grupo Clarín, a Fibertel, com o argumento de que não tinha a aprovação da Secretaria de Comunicações para operar.
Para protestar contra a medida, que consideram arbitrária, mais de 60 mil usuários da rede social Facebook aderiram a um grupo que convocou a realização de manifestações em 19 cidades argentinas contra a decisão do governo. A empresa possui 1 milhão de clientes e cerca de 4 milhões de usuários.
postado por Evaldo Torres * Fonte : Estadão em 24-08-2010
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Brasil reforça cooperação nuclear com Argentina
Brasil reforça cooperação nuclear com Argentina
Diplomacia busca posições conjuntas em fóruns sobre não proliferação
Itamaraty considera ter superado desconfianças de Buenos Aires face à aproximação brasileira em relação ao Irã
CLAUDIA ANTUNES
da FSP
O governo brasileiro busca implementar novos projetos de cooperação tecnológica e industrial com a Argentina na área nuclear, a fim de superar desconfianças recentes e fortalecer a coordenação bilateral nos fóruns internacionais sobre não proliferação e desarme.
Para o Brasil, os acordos são vistos como garantia de transparência do seu programa atômico. Além disso, os dois países veem chances de negócios num possível boom da energia nuclear, com a queda do uso de combustíveis fósseis devido ao aquecimento global.
A colaboração foi tratada pelos presidentes Lula e Cristina Kirchner, no início do mês, e prevê, em médio e longo prazo, uma empresa binacional e o projeto de reatores multipropósito, para a produção de isótopos médicos e pesquisa científica.
Ela será avaliada entre amanhã e sexta, em Buenos Aires, em reuniões de três instâncias -a Abacc (Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle), que realiza inspeções mútuas, a Coben (Comissão Binacional de Energia Nuclear), órgão técnico, e o CPPN (Comitê Permanente de Política Nuclear), de coordenação diplomática.
O encontro do CPPN será o primeiro desde 2005, embora os dois países tenham atuado juntos na recente revisão do TNP (Tratado de Não Proliferação Nuclear).
Para sair do papel, o reator multipropósito e a empresa binacional, anunciada originalmente em 2008, enfrentarão obstáculos orçamentários, técnicos e políticos -o Brasil não pretende compartilhar tecnologia de enriquecimento de urânio.
Mas Vera Machado, subsecretária-geral do Itamaraty, e Odair Gonçalves, presidente da Cnen (Comissão Nacional de Energia Nuclear), veem a perspectiva de aumentar em curto prazo o intercâmbio de técnicos e pesquisadores, entre outras medidas. Ambos estarão nas reuniões.
Na diplomacia, o Brasil busca manter posição afinada sobre o Protocolo Adicional do TNP -os dois países não aderiram ao instrumento. O argumento brasileiro é o de que a Abacc já representa garantias extras. Mas a não adesão não tem apoio unânime na Argentina.
"Não há chance de mudança de posição. Ficou claro que existe a Abacc, mecanismo único que precisa ser preservado, reforçado e mais conhecido. Esse é um ponto importante da agenda", disse Machado.
Outra questão foi a aproximação Brasil-Irã, que causou desconfiança na Argentina, onde iranianos são acusados do atentado contra uma associação judaica, em 1994. Ao "Clarín" o chanceler Celso Amorim disse que "não há nem foi proposta" colaboração nuclear com o país persa. "Eles estão convencidos", afirmou Machado.
postado por Evaldo Torres * Fonte : Folha de São Paulo em 24-08-2010
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