Evaldo Augusto Torres Alves /editor
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Política

Eleição sem política
MARCO ANTONIO VILLA da FSP

Eleição sem política


Como um aluno relapso, a oposição faltou justo na hora da prova, a eleição

GANHAR ELEIÇÃO é uma possibilidade, fazer política é um imperativo. O Brasil poderá com esta campanha inaugurar uma nova forma de pleito presidencial: sem debate, sem polêmica, sem divergência e sem oposição.
Nas últimas cinco eleições tivemos disputa em três delas. Mas disputa mesmo, só em 1989. Em 1994 e 1998, FHC venceu Lula facilmente, as duas no primeiro turno.
Em 2002 e 2006, Lula foi como franco favorito para o segundo turno. Eu esperava que teríamos uma eleição diferente em 2010: sem Lula e com oposição que transformasse o pleito em um momento de amplo debate nacional.
Rotundo equívoco. Lula é candidatíssimo, aparece mais que Dilma. E pior: a oposição não apareceu ao encontro marcado. Como um aluno relapso, faltou justamente no momento da avaliação, a eleição.
Na República Velha, a oposição concorria sabendo que o resultado seria fraudado. Era o momento de, ao menos, marcar posição e acumular forças para um novo embate. Agora -e de forma surpreendente- nem isso está ocorrendo. Confesso que a cada dia que assisto ao horário eleitoral fico mais estarrecido.
Este triste panorama terá efeito direto sobre o Legislativo. Tudo indica que o futuro Congresso será muito mais governista que o atual. E também com um número expressivo de "deputados cacarecos", o maior da história recente, produto direto da inexistência do debate político.
A despolitização abre campo para que ex-jogadores de futebol, comediantes, cantores e celebridades instantâneas sejam considerados puxadores de votos para partidos de todos os matizes.
Outro efeito nefasto da despolitização é a permanência (e até ampliação) dos representantes dos oligarcas. Quase todos os sobrenomes que simbolizam o que há de pior na política brasileira estão apoiando a candidata oficial. São espertos. Tratam Lula como se fosse um dos seus. E, por incrível que pareça, ele acabou se transformando em uma espécie de "capo" dessas famílias.
Parodiando Sílvio Romero, no célebre discurso de recepção a Euclides da Cunha na ABL, Lula chegou "à suprema degradação de retrogradar, dando, de novo, um sentido histórico às oligarquias locais e outorgando-lhes nova função política e social".
A apatia política tem preço. E muito alto para o país. A fuga da oposição do debate, o medo do enfrentamento, a recusa de se opor, pode abrir caminho para um longo domínio do Estado por parte de um bloco conservador, sem espírito republicano, com tinturas caudilhistas e desejos de impor sua vontade à força.

*MARCO ANTONIO VILLA é professor do Departamento de Ciências Sociais da UFSCar


"Partilha do pão" já mobiliza até siglas que não a

"Partilha do pão" já mobiliza até siglas que não apoiam PT

PTB, que está coligado a Serra, exige mais "visibilidade" caso Dilma vença

"A gente vale o quanto pesa", afirma dirigente do PP, que não integra oficialmente a aliança da candidata petista

RANIER BRAGON/SIMONE IGLESIAS
da FSP

A 39 dias das eleições presidenciais, os partidos que apoiam Dilma Rousseff (PT) já falam abertamente na divisão dos "lotes" em um eventual governo da petista.
Com 17 pontos de vantagem de Dilma sobre José Serra (PSDB), o apetite pela "partilha do pão" -expressão usada pelo candidato a vice na chapa de Dilma, o presidente do PMDB, Michel Temer- inclui até parte do PTB, que apoia oficialmente o candidato tucano.
Além dos petebistas, a Folha ouviu lideranças dos dez partidos da aliança dilmista e do PP, que a apoia extraoficialmente.
"Tivemos o Ministério das Relações Institucionais, que não tem capilaridade, e temos hoje alguns carguinhos. Esperamos ter mais visibilidade administrativa", diz o líder da bancada do PTB na Câmara, Jovair Arantes (GO), um dos comandantes da ala dilmista da legenda.
No PP, o deputado Mario Negromonte (BA), integrante do conselho político de Dilma, diz: "Esperamos eleger de 50 a 60 deputados federais, além de senadores, governadores. Vamos crescer e, então, é aquela história, a gente vale quanto pesa".
Ele minimiza o fato de o partido não ter aprovado oficialmente o apoio. "Ela sabe o esforço que fizemos."
Vice-presidente da legenda, Ricardo Barros (PR) reforça: "A relação vai ser por tamanho da bancada, quem ganha tem que governar".
O ministério do PP (Cidades), entretanto, já é objeto de desejo do PSB, que tem chances de eleger quatro governadores, além de aumentar a bancada no Congresso.
Pessebistas dizem já ter discutido com Dilma o fortalecimento do Ministério dos Portos, atualmente comandado pela legenda.
O PSB fala ainda no nome de Ciro Gomes para o BNDES e pleiteia a pasta dos Transportes, hoje com o PR, que tem a maior previsão de investimento da Esplanada.
Luciano Castro (PR-RR), um dos interlocutores da legenda com Dilma, diz que o partido não vai abrir mão do espaço e que tem até nome para ocupá-lo: o do ex-ministro Alfredo Nascimento.
Já o PDT, que controla a pasta do Trabalho, pretende ampliar sua participação assumindo a Educação.
"Seria o ideal, mas é claro que depende dela. O PDT não faz isso [negociação antecipada]", diz Manoel Dias, presidente do partido.
O PC do B aposta em aumento de sua bancada para ter maior peso na negociação. O PSC, que na última hora pulou do barco de Serra para o de Dilma, também espera ser "reconhecido".
Temer negou ontem no debate Folha/UOL que o partido, hoje com seis ministérios, negocie a ampliação de sua participação (leia mais na pág. A8).
"Durante anos fomos tratados como partido fisiologista. Isso incomoda muito e estamos adotando práticas para afastar esse estigma", diz Moreira Franco, que participa da elaboração do programa de governo de Dilma.
O PT nega a discussão de partilha. "A Dilma nunca discutiu isso, nem a coordenação da campanha ou o partido", afirmou Cândido Vaccarezza (PT-SP), líder do governo na Câmara.


Mônica Serra faz campanha no Nordeste



Mulher do tucano entra na luta em busca de votos

Anna Ruth Dantas ESPECIAL PARA O ESTADO NATAL
do Estadão

A psicóloga chilena Mônica Serra, mulher do presidenciável do PSDB, José Serra, começou ontem a fazer campanha pelo marido no Nordeste. Mônica afirmou que está em busca do voto feminino e de "mostrar" que "Lula não é o candidato à Presidência", numa referência à transferência de popularidade do presidente para Dilma Rousseff (PT). Ela cumpriu agenda ontem em Natal (RN). Amanhã, segue para João Pessoa (PB) e Recife (PE).

"Minha participação na campanha no Nordeste é falar com as mulheres e poder colocar para elas qual a forma de trabalho do Serra", disse Mônica. "As mulheres nunca são enganadas por outra mulher. Elas podem ver como estou sendo sincera quando falo dele como homem público."

A psicóloga lembrou sua história com Serra, que conhece há 40 anos. Por isso, ela se considera a "melhor pessoa" para falar do tucano.

"Sei das suas intenções, sei dos seus sonhos, do amor que tem pelo povo brasileiro, por querer fazer melhor."


O novo alvo do 'grande eleitor'
O novo alvo do 'grande eleitor'

NOTAS & INFORMAÇÕES
do Estadão

Quando começou a montar o tabuleiro eleitoral de 2010, o presidente Lula não teve nenhum escrúpulo de consciência para pisar no pescoço dos companheiros cujas ambições no plano estadual poderiam atrapalhar o seu objetivo absolutamente prioritário de fazer da ainda ministra Dilma Rousseff a sua sucessora. Com olhos fixos na sua meta, decidiu que o PT não teria candidatos próprios em Estados como Minas Gerais e Maranhão, para recompensar o PMDB - e, em particular, o seu principal aliado no coronelato político nacional, José Sarney - pelo apoio a Dilma.
Lula, o arquirrealista, também contrariou a si mesmo na escolha do companheiro de chapa da candidata. Se dependesse dele, seria o neopeemedebista Henrique Meirelles. Mas, como não dependia, submeteu-se à preferência da cúpula do partido pelo deputado Michel Temer, o número um da agremiação. Ainda não está clara a contribuição do PMDB para alçar Dilma à liderança nas pesquisas, com fortes chances de se eleger no primeiro turno. Claro é que ela chegou lá nos ombros da popularidade de Lula, combinada com a expectativa de aprofundamento das ações sociais do governo.


O êxito inconteste da transposição de votos para Dilma e a previsão nos meios lulistas de que ela triunfará em 3 de outubro por maioria arrasadora levam agora o "grande eleitor" a fazer como que o caminho inverso da pré-campanha, para federalizar a disputa pelo governo de Estados-chave como São Paulo e Minas. No primeiro, o tucano Geraldo Alckmin supera o petista Aloizio Mercadante nas pesquisas por 54% a 16%. No segundo, a vantagem do peemedebista (e ex-ministro de Lula) Hélio Costa sobre Antonio Anastasia, do PSDB de Aécio Neves, acaba de cair de 18 para 11 pontos.

No primeiro comício de Mercadante do qual participou, em Osasco, na última sexta-feira, ele repreendeu publicamente a companheirada por dizer que o melhor a que o candidato pode aspirar é chegar ao segundo turno. Lula não duvida disso, mas se irrita com o ar de resignação dos petistas diante da supremacia do tucano. Ele cobrou da campanha a criação de "fatos políticos" para, ao menos, reduzir o favoritismo de Alckmin. Para dar o exemplo, disse que os pedágios das estradas paulistas são "um roubo".

Mas o fato político capaz de fazer diferença é ele usar em favor de Mercadante os poderes mágicos que puseram Dilma a levitar. Com isso, Lula espera igualmente virar o jogo nacional em São Paulo, onde o ex-governador José Serra bate a ex-ministra por 7 pontos. Para ele nenhum sonho político se compara ao de eleger a sua criatura política e ainda exterminar a espécie tucana no Estado onde PT e PSDB mais se guerreiam desde que vieram ao mundo. Não será surpresa se nas próximas semanas Lula se materializar em São Paulo um dia sim, o outro também.

Anteontem ele deu uma amostra da rica agenda paulista que terá à disposição. Como nos velhos bons tempos, amanheceu às portas da Mercedes-Benz, em São Bernardo, com Dilma e Mercadante a tiracolo - mas a peãozada, como gosta de falar, preferiu mesmo achegar-se à sua volta. Na linha do que vem afirmando de uns tempos para cá sobre a sua atuação fora do governo, como uma espécie de "presidente fantasma", prometeu que ajudará os líderes sindicais a pressionar a provável sucessora quando precisarem. Se ela sentiu desconforto, não o demonstrou.

Horas depois, o presidente entrou num estrelado hotel da zona sul paulistana para ser paparicado pelo capital - no caso, os empresários da construção pesada, reunidos na Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib). A jornada terminou onde começou, em São Bernardo. Ali, Lula inaugurou a TVT (TV do Trabalhador), do sindicato dos metalúrgicos, primeira emissora outorgada a uma entidade do gênero. A iniciativa, discursou o presidente, visa a evitar que os trabalhadores "continuem impedidos de exercer a liberdade de expressão". Mas quem roubou a noite foi o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, com uma diatribe contra os "aquários", os centros de decisão editorial dos órgãos de mídia, que estariam com os dias contados. "Uma revolução", ameaçou, "está apenas começando."

Cuidado na hora de escolher o destino da Nação




Se eleita volta CPMF



Não ao "dedazo" de Lula
Não ao "dedazo" de Lula

ROBERTO FREIRE
da FSP


Lula optou por uma auxiliar direta, sem projeto político ou experiência eleitoral, mas capaz de cumprir à risca suas determinações: Dilma Rousseff

Nas eleições de 1970, em pleno "milagre econômico", o partido do regime militar teve uma vitória arrasadora. Os eleitores votaram maciçamente na antiga Arena e por muito pouco o MDB, o partido de oposição criado por imposição da ditadura, não se autodissolveu. Estava em curso um projeto de "mexicanização" do país.
Na terra de Zapata e Pancho Villa, um "dedazo" do presidente da República indicava o candidato oficial e este era eleito por esmagadora maioria. E assim o Partido Revolucionário Institucional (PRI) se mantinha no poder, graças ao clientelismo, à corrupção e ao aparelhamento do Estado.
Com as devidas ressalvas, quatro décadas depois, estamos diante de situação semelhante. Um "dedazo" do presidente Lula, amparado por seus índices de popularidade e pelo prestígio popular de seu governo, ameaça transformar o maior patrimônio político da nação -o voto direto, secreto e universal- em mero ritual de legitimação da sucessão presidencial.
Sim, porque há dois anos o presidente da República abusa de todos os meios à sua disposição e de todas as pessoas sob sua influência para fazer o seu sucessor. Lula não escolheu nenhum líder petista calejado nas lutas políticas, como os petistas José Dirceu ou Antônio Palocci, que foram expelidos de seu governo por motivos éticos.
Muito menos um aliado, como o ex-ministro da Integração Nacional Ciro Gomes, cuja legenda lhe foi negada pelo PSB a pedido do próprio presidente da República. Optou por uma auxiliar direta, sem projeto político próprio ou experiência eleitoral, mas capaz de cumprir à risca suas determinações: a ex-ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Ex-militante da VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária - Palmares), Dilma nunca disputou uma eleição para chegar ao Executivo, jamais exerceu um mandato eletivo no Legislativo.
Chegou ao Palácio do Planalto por integrar a tecnoburocracia petista, na qual se destacou por coordenar com mão de ferro a equipe ministerial. Revelou-se o nome mais adequado para comandar um modelo de governo verticalizado, centralizador e dirigista-estatal.
Encarna um projeto de poder de longo prazo, alavancado pelo aparelhamento do Estado brasileiro, pela adoção de políticas sociais assistencialistas, por práticas eleitorais de clientela e alianças com velhas oligarquias.
No governo Lula, Dilma foi uma das responsáveis pela adoção de um novo tipo de intervenção do Estado na economia, graças a um pacto perverso entre o governo, com suas empresas públicas e fundos de pensão, e as grandes empreiteiras, grandes grupos exportadores e alguns bancos privados.
O risco de "mexicanização" do país tem nessa conexão entre o setor público e o grande capital monopolista sua mola-mestra, daí a origem da campanha eleitoral milionária do PT. Mas isso não para por aí. A aliança entre o PT e o PMDB, partido que controla o Congresso Nacional, é uma simbiose entre o aparelhamento do Estado e o clientelismo político, cuja inédita capilaridade alcança todos os municípios do brasileiros. É outra semelhança com o velho PRI.
O PT manipula os sindicatos, enquanto o PMDB controla a velha política municipal. Como enfrentar, então, essa ameaça?
Para enfrentar os problemas do câmbio do país, temos que desatrelar o governo dos bancos, das empreiteiras e dos oligopólios. A única maneira de evitar a "mexicanização" é a alternância de poder, ou seja, a eleição de um oposicionista para a Presidência da República.
No meu caso, apoio José Serra, um político capaz de barrar uma estratégia do presidente Lula para manter o PT no poder central pelas próximas décadas.

*ROBERTO FREIRE, advogado, é presidente do PPS (Partido Popular Socialista e candidato a deputado federal por São Paulo. Foi deputado federal e senador pelo PPS-PE.


Declínio americano?

Declínio americano?

Luiz Felipe Lampreia
do Estadão

A retirada das forças de combate americanas do Iraque não é apenas uma tática do presidente Barack Obama para recuperar popularidade. É necessário examiná-la como componente básico de uma revisão ampla da postura estratégica dos Estados Unidos e, sobretudo, dos elementos políticos mais profundos que existem nesse país.

Desde a derrota no Vietnã, a sociedade americana mostra-se cada vez mais adversa a iniciativas militares em terras distantes. O ataque às torres gêmeas em 11 de setembro de 2001 foi, porém, um caso excepcional na mente do povo americano, pois constituiu um atentado imprevisível e selvagem ao coração de seu território, até então considerado inexpugnável. Assim, a opinião pública mobilizou-se, por um tempo, para um expedição punitiva contra as bases da Al-Qaeda no Afeganistão. Da mesma forma, George W. Bush só conseguiu tornar viável a invasão do Iraque em 2003 com a falsa motivação de eliminar armas de destruição de massa, que também evocava a tragédia de Nova York. Sabe-se hoje que esse enorme equívoco dos serviços de inteligência se deveu a que na primeira Guerra do Golfo, em 1991, foram descobertas instalações nucleares no Iraque muito mais completas do que o esperado e esses serviços não desejavam repetir o engano. Preferiram informar que havia armas atômicas no arsenal de Saddam Hussein.

O Iraque, entretanto, revelou-se um pântano do qual as forças americanas tiveram de acabar saindo, embora sem a humilhação do Vietnã e tendo apenas como principal resultado positivo a derrubada da ditadura de Saddam. Deixam para trás, contudo, um país inseguro e politicamente instável. O Afeganistão já entrou também na agenda de retirada, pois fica cada vez mais claro que a situação militar - a exemplo do que ocorreu com o Império Britânico e com a União Soviética - não permite esperar uma solução vitoriosa. Está em curso em Washington uma discussão sobre o cronograma deste desengajamento.

Qual é o significado profundo destes movimentos americanos? Antes de mais nada, fica claro que não existem mais condições políticas nos Estados Unidos para guerras além-mar. Salvo se houver uma nova tragédia como a do 11 de Setembro, nenhum governante ou parlamentar americano ousará, em futuro previsível, propor operações de combate fora das fronteiras do país. Parece-me inacreditável que esta realidade não seja claramente percebida e que algumas pessoas ainda falem na possibilidade de invasões americanas em diversas partes do mundo, até mesmo na Amazônia!

Em segundo lugar, a dívida pública dos Estados Unidos atingiu níveis estratosféricos - multiplicada pelos enormes resgates de empresas na crise de 2008-2009 -, que ameaçam a estabilidade econômica do país. Para financiá-la os Estados Unidos chegaram a uma grande vulnerabilidade externa, já que dependem das decisões políticas e financeiras de seus credores. Por isso, o orçamento militar americano está sendo reduzido já este ano. É improvável que a superpotência, que parecia tão incontrastável nos anos 1990, possa continuar mantendo suas tropas envolvidas em duas guerras simultâneas, como ainda é o caso.

O Irã representa hoje a maior ameaça à segurança e à paz no mundo. Embora o cronograma iraniano para chegar a uma arma nuclear tenha aparentemente sofrido alguns percalços, não há dúvida de que esse país está bastante avançado nesse rumo. Daí as sanções que as principais potências mundiais fizeram aprovar no Conselho de Segurança da ONU, malgrado o inexplicável voto negativo do Brasil. É importante ressaltar que essas sanções foram longamente negociadas para terem o apoio da China e da Rússia e reforçadas por decisões próprias, ainda mais severas, da União Europeia e dos Estados Unidos. Mas, na hipótese de que tais medidas não evitem o sucesso da corrida nuclear iraniana, será necessário para os Estados Unidos, Israel e a União Europeia decidir que posição tomar. Creio que uma invasão do Irã é impensável e mesmo um ataque aéreo é improvável. No primeiro caso, seria entrar em atoleiro muito maior do que os dois precedentes juntos. No segundo, desencadearia situações de altíssimo risco, como o bloqueio do Golfo Pérsico para o escoamento do petróleo e gás, a difusão de ataques terroristas dos aliados de Teerã, como o Hamas e o Hezbollah, e, sobretudo, atearia fogo às massas islâmicas em todo o mundo. Se o Irã chegar a deter armas nucleares, será necessário encontrar formas políticas de coexistência e contenção de seu radicalismo.

A conclusão principal desta breve análise é a seguinte: existe realmente um declínio relativo do poder americano, se for analisado como capacidade de intervenção para mudar regimes, impor regras e impedir a expansão de organizações inimigas em algumas regiões do mundo. Seria, porém, um sério engano considerar que essa redução de capacidade de utilização de suas enormes forças militares vai diminuir drasticamente o peso específico dos Estados Unidos. O unilateralismo desavisado de George W. Bush é inviável e será substituído por um grande trabalho de ampliar consensos e agir internacionalmente dentro de parâmetros aceitáveis para a opinião pública dos países que contam. Nessas condições, o papel dos Estados Unidos será sempre decisivo, em razão do peso de sua economia, de seus arsenais nucleares e da poderosa Aliança Atlântica, que é basicamente fiel a Washington. Enquanto não surgir uma superpotência com ativos equivalentes aos americanos - e a China, a principal candidata ao posto, não quer brigar tão cedo -, os Estados Unidos continuarão a ser, malgrado seus graves tropeços no Iraque e no Afeganistão, o fator decisivo da política internacional.

*FOI MINISTRO DAS RELAÇÕES EXTERIORES(1995-2001)



Acidente com avião da Embraer mata 43 ...
Acidente com avião da Embraer mata 43 na China; 53 sobrevivem

Aeronave pegou fogo quando tentava aterrissar; causas do incêndio ainda são desconhecidas

do Estadão

Foto: Reuters/Xinhua

Bombeiros trabalham nos destroços do acidente.


PEQUIM - Um avião E-190 fabricado pela Embraer com 91 passageiros e cinco tripulantes a bordo caiu em Yichun, na província de Heilongjiang, noroeste da China nesta terça-feira, 24. Ao menos 43 pessoas morreram e 53 sobreviveram.

Segundo a agência estatal Xinhua, 53 pessoas foram resgatadas com vida por equipes de resgate enviadas ao local do acidente. Ao menos 20 delas foram hospitalizadas e a maioria estava em condições estáveis. Três estão em estado grave.

As causas do acidente ainda são desconhecidas, mas suspeita-se que o denso nevoeiro na região dificultou o pouso do avião, que aparentemente saiu da pista quando tentava aterrissar, teve sua fuselagem rompida e pegou fogo.

O avião da Henan Airlines, que havia decolado de Harbin, capital da província, caiu perto do aeroporto de Yichun, que fica a cerca de 1,5 mil km de Pequim, perto da fronteira com a Rússia.

Sun Bangnan, policial da província de Heilongjiang, afirmou que os corpos foram achados onde o avião da Henan Airlines se acidentou.

O vice-prefeito de Yichun, Wang Xuemei, declarou mais cedo à TV de notícias chinesa que 53 das 96 pessoas a bordo haviam sido levadas ao hospital, e três estavam gravemente feridas.

"Como alguns passageiros foram expulsos da cabine no momento do acidente suas possibilidades de sobreviver eram escassas", acrescentou Wang.




O acidente aconteceu às 11h10 (horário de Brasília), final da noite de terça no horário chinês.

O último acidente aéreo de grande magnitude na China aconteceu em novembro de 2004, quando um Bombardier CRJ-200LR caiu em Baotou, no norte do país, matando 53 pessoas a bordo e duas em solo.

O aeroporto de Yichun é um pequeno terminal local. Foi inaugurado no ano passado e faz parte do crescente número de aeroportos construídos na China para melhorar a infraestrutura do país. A Henan Airlines é controlada pela Shenzhen Airline e subsidiária da Air China.

Embraer

O acidente com o Embraer 190 na China foi o segundo registrado até hoje com o modelo brasileiro, e o primeiro a registrar vítimas fatais. As duas ocorrências foram semelhantes: em 17 de julho de 2007, outro jato, pertencente à Aero República, da Colômbia, também ultrapassou os limites da pista durante a aterrisagem em Santa Marta e foi parar no mar. Na ocasião, a aeronave apresentou perda total. Sete pessoas ficaram feridas. Também em 2007, em fevereiro, um E-170, de menor porte, derrapou no pouso e saiu da pista, cheia de neve, em Cleveland (EUA). Não houve feridos na ocasião.

O Embraer 190 (ou E-190) faz parte da linha de ‘E-jets’ da fabricante brasileira, composta ainda pelos E-170, E-175 e E-195. São aeronaves de médio porte, que dispõem de tecnologia de ponta, com capacidades para 70 a 120 assentos, utilizadas em mercados domésticos nos cinco continentes. Segundo a Embraer, foram projetados para suprir uma ausência, no mercado, entre jatos regionais como o Boeing 737 e os chamados narroybodies (aeronaves de fuselagem estreita).

Em nota, a empresa expressou condolências às família das vítimas. A empresa disse ainda ter disponibilizado uma equipe de técnicos para apoiar as autoridades aeronáuticas chinesas na investigação do acidente.



Avião semelhante ao que se acidentou Foto: AP/Xinhua

Atualizada às 19h48 para correção e atualização de informações

Com AP, Reuters e Efe

*Colaboraram Daniel Gonzales e Luiz Raatz, do estadão.com.br

Rapidinhas


Anastasia sobe seis pontos e se aproxima de Costa em Minas, aponta Ibope

Vantagem do candidato do PMDB sobre tucano caiu de 18 para 11 pontos porcentuais

Eduardo Kattah
do Estadão

A diferença entre Hélio Costa (PMDB) e Antonio Anastasia (PSDB) na disputa pelo governo estadual caiu de 18 para 11 pontos porcentuais, conforme pesquisa Ibope divulgada nesta segunda-feira, 23, pela TV Globo Minas. No primeiro levantamento após o início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão, Costa continua liderando a disputa com 38% das intenções de voto, seguido por Anastasia, com 27%. Em relação à pesquisa anterior, divulgada no dia 30 de julho, o peemedebista oscilou negativamente um ponto porcentual - dentro da margem de erro, de 2% para mais ou para menos - enquanto o tucano subiu seis pontos.

Programa de Costa com apoio de Dilma é vetado em MG

Com 1% cada, aparecem Vanessa Portugal (PSTU), Luiz Carlos Ferreira (PSOL) e José Fernando Aparecido (PV). Edilson José do Nascimento (PT do B), Fábio Bezerra (PCB) e Pedro Paulo (PCO) não atingiram 1% das intenções de voto.

Anastasia comemorou o resultado, afirmando que ele "já demonstra de fato uma arrancada muito positiva" de sua candidatura. "A diferença caiu bastante. Estamos muito animados e estamos sentindo isso nas viagens que fazemos pelo Estado afora", afirmou o governador durante visita a Uberlândia, no Triângulo Mineiro.

Para Aécio o crescimento do candidato tucano já era previsto. O ex-governador voltou a afirmar que confia na vitória de Anastasia no primeiro turno. "Quanto mais conhecido o governador Anastasia se torna, maior a intenção de voto em relação a ele", comentou.

Senado

Na disputa pelo Senado, Aécio Neves (PSDB) e Itamar Franco (PPS) continuam liderando. O ex-presidente aparece com 43% das intenções de voto, quatro pontos porcentuais a mais do que o último levantamento, quando tinha 39%. O ex-governador recuou dentro da margem de erro, de 70% para 69%. Já o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), subiu de 18% para 19%, também dentro da margem de erro.

Foram entrevistados 2.002 eleitores entre os dias 18 e 20 de agosto. Os votos brancos ou nulos somam 7% e os indecisos 25%. Segundo o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), o levantamento foi contratado pelo próprio Ibope e está registrado sob o número 62810/2010.




Lula deu senha para mais dossiês em SP, diz tucano

Roberto Almeida
do Estadão

As investidas do presidente Lula e da candidata Dilma Rousseff (PT) para reverter o quadro da corrida ao Palácio dos Bandeirantes geraram reação de tucanos.
Lula disse no sábado que é preciso criar “fatos políticos” para alavancar o candidato do PT ao governo do Estado, Aloizio Mercadante. E já turbinou a agenda em São Paulo.
Para o coordenador do programa de governo de Geraldo Alckmin, deputado José Aníbal (PSDB), o “fato político” é uma “senha”.
“Quando o Lula diz isso está dando senha para os aloprados de São Paulo produzirem dossiês”, afirmou.




Candidato ataca Dilma, ausente de debate na TV

da FSP

Sem a presença de sua concorrente direta na disputa pela Presidência, José Serra (PSDB) usou o debate de ontem à noite na TV católica Canção Nova para atacar a petista.
Já no final, o tucano foi questionado sobre aborto. Disse ser contra a prática e também contra a realização de um plebiscito sobre o assunto. Aproveitou o tema espinhoso para falar que Dilma Rousseff (PT) "não quer se mostrar".
A petista, que alegou motivos de agenda para faltar, indicou uma música da banda Pato Fu no Twitter, na hora do debate.




O RIO É GABEIRA




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