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Política

Suspeitos de violar sigilo de tucanos são poupados


Suspeitos de violar sigilo de tucanos são poupados em sindicância da Receita
Relatório interno revela contradições entre declaração de servidores e documentos, além de omissões de autoridades nos interrogatórios

Leandro Colon
do Estadão

A análise das 450 páginas da sindicância da Receita Federal sobre a violação de sigilo do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, e de mais três pessoas ligadas ao comando do partido mostra que o órgão tem poupado os servidores suspeitos de envolvimento no caso.

O processo revela contradições entre o que disseram esses servidores e o que informam os documentos apresentados. Há também casos de omissões das autoridades nos interrogatórios sobre o acesso e a violação dos dados, ocorridos na delegacia da Receita Federal em Mauá, no ABC paulista. A Receita não contestou sequer a informação de que as senhas dos funcionários eram permutadas por causa "da grande demanda de requisições judiciais", apesar de os tucanos não terem base tributária em Mauá nem serem alvos, naquelas datas, de nenhuma ordem jurídica de quebra de sigilo.

Um dos fatos que sugerem displicência dos interrogadores é que os funcionários foram ouvidos antes que a corregedoria tivesse recebido a perícia nos computadores - que comprova o acesso às informações dos tucanos. Outro, que só foram questionados sobre Eduardo Jorge, ficando livres de perguntas sobre o acesso às declarações de renda de Luiz Carlos Mendonça de Barros, Ricardo Sérgio de Oliveira e Gregório Preciado, todos vinculados ao alto escalão do PSDB.

Presentes. Outra constatação diz respeito à folha de ponto dos servidores. Ela indica que eles estavam trabalhando no período de abertura e impressão dos sigilos fiscais. Embora seja preenchido por mera formalidade, à mão, e dentro de um mesmo padrão de horário, esse documento é assinado e rubricado por funcionários e pela chefia sob a frase "chefia e empregado confirmam e declaram ciência à frequência do mês". Não houve, da parte dos encarregados de investigar a invasão, nenhum questionamento quanto a isso.

Pelo conjunto de depoimentos colhidos até agora, ninguém sabe quem usou a senha nem o computador utilizado para abrir e imprimir, em sequência e no mesmo dia, os dados fiscais dos tucanos. Essa operação em cadeia, que enfraquece a versão de motivação funcional para os acessos, foi revelada pelo Estado na quarta-feira.

As senhas, segundo os funcionários, ficavam anotadas num "risque-rabisque" nas mesas de trabalho. Solicitados a ajudar na investigação, técnicos da Receita alegam à Corregedoria que é difícil saber se alguém desligou ou não o computador usado durante a operação de consulta aos dados fiscais.

Em depoimento no dia 27 de julho, a servidora Adeildda Ferreira Leão dos Santos afirmou que estava fora da Receita no período em que as declarações de renda dos tucanos foram consultadas, entre 12h27 e 12h43 do dia 8 de outubro de 2009. É dela o computador usado para abrir e imprimir os dados sigilosos. Adeildda contou que "por volta" de 11h50 daquele dia deixou o trabalho para almoçar com o marido, retornando às 13h05. Segundo afirmou, ia comemorar o aniversário de casamento. Documento oficial da Receita, a folha de frequência, assinada pela própria servidora, diz que ela saiu às 11h30 para o almoço e retornou às 12h30. Portanto, oficialmente, estaria presente na hora em que as declarações de renda estavam sendo abertas, inclusive a de Eduardo Jorge, ocorrida às 12h43.

Outra senha. Indagada sobre essa saída da colega fora de hora, a servidora Ana Maria Cano, também suspeita de ligação com o episódio, disse recordar-se do fato, mas não da data. Ana Maria e Adeildda foram as funcionárias que tiveram acesso à senha usada para abrir os dados fiscais dos tucanos. Elas receberam o código de outra colega, a servidora Antonia Aparecida Rodrigues dos Santos Neves Silva. Em depoimento no dia 27 de julho, Antonia também negou envolvimento no episódio. Sua folha de ponto informa que também ela cumpria expediente quando os dados foram abertos.

Antonia afirmou ter repassado a senha às colegas por causa da "grande demanda de requisições judiciais". Negou ter recebido qualquer pedido para abrir os dados de Eduardo Jorge, que nem tem seu domicílio tributário em Mauá, assim como os dos demais alvos das consultas.

Os dados de Eduardo Jorge foram parar num dossiê de campanha que passou pelas mãos de membros da campanha de Dilma Rousseff (PT) à Presidência. O episódio derrubou o jornalista Luiz Lanzetta, que deixou em junho a campanha da petista por ligação com o caso. 

O crime continuado do PT

NOTAS & INFORMAÇÕES
do Estadão

Foi preciso uma decisão judicial, tomada na terça-feira, para que o vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira, pudesse exercer o direito elementar de acesso ao inquérito instaurado na Corregedoria-Geral da Receita para apurar a devassa nas suas declarações de renda - cópias das quais foram parar em mãos de pessoas ligadas à campanha da candidata petista Dilma Rousseff. E só assim o País ficou sabendo, já tardiamente, que o sigilo fiscal de outros contribuintes também foi quebrado na mesma ocasião, com a mesma sórdida intenção de atingir o candidato tucano ao Planalto, José Serra.


Em 16 minutos, na hora do almoço do dia 8 de outubro de 2009, na delegacia do Fisco em Mauá, na Grande São Paulo, foram abertas e impressas as declarações do ministro das Comunicações no governo Fernando Henrique, Luiz Carlos Mendonça de Barros; do arrecadador informal da campanha de Serra ao Senado em 1994 e em seguida diretor da área internacional do Banco do Brasil, Ricardo Sérgio de Oliveira; e do empresário Gregorio Marin Preciado, casado com uma prima de Serra.

Os sistemas de controle da Receita identificaram como pertencendo à analista fiscal Antonia Aparecida Neves Silva a senha utilizada para a invasão no computador da servidora Adeilda Ferreira dos Santos. Antonia, contra quem foi aberto processo administrativo, admitiu ter passado a senha a Adeilda e a outra colega, Ana Maria Caroto Cano. Todas negam envolvimento no caso. O processo depende de uma perícia que não tem data para terminar. É incerto igualmente se aparecerão os nomes dos autores e mandantes do crime. Se aparecerem, não será antes da eleição.

O que parece fora de dúvida é que a devassa foi ordenada de dentro do apparat petista para a formação de um dossiê a ser eventualmente usado contra Serra, conforme revelado pela Folha de S.Paulo, que teve acesso ao material. Na campanha de 2006, quando ele concorria ao governo paulista, o coordenador da campanha do então candidato ao Senado pelo PT, Aloizio Mercadante, envolveu-se com a malograda tentativa de um grupo de companheiros de comprar uma papelada para atacar o tucano. Eles foram presos em flagrante com uma bolada de dinheiro. O presidente Lula limitou-se a chamá-los de aloprados.

Não se sabe se desta vez também há dinheiro envolvido na sujeira afinal desmascarada. Ainda que haja, deve ter prevalecido na montagem da operação o mais autêntico espírito partidário do vale-tudo para tomar e permanecer no poder, como, por palavras e atos, o próprio Lula ensina sem cessar à companheirada. Esse espírito está na origem do mensalão, do escândalo dos aloprados e das demais baixarias que vieram à tona nestes 8 anos. Do PT se pode dizer, parafraseando uma citação clássica, que nada esqueceu e nada deixou de aprender em matéria de vilania política.

Aprendeu, sobretudo, que os fins não apenas justificam os meios, mas dependem de meios eficazes para ser alcançados. O principal deles é o controle - no sentido mais raso do termo - da máquina pública. Dos muitos objetivos a que serve o aparelhamento do Estado, um dos mais importantes é criar um disseminado e leal "exército secreto", como já se escreveu nesta página, pronto para fazer os trabalhos sujos que dele se demandem. A ordem tanto pode partir dos mais altos escalões do governo ou do partido como resultar da iniciativa de indivíduos e grupos que conhecem as regras do jogo na casa e sabem a quem recorrer numa ou em outra circunstância.

No caso da violação do sigilo fiscal de pessoas ligadas ao PSDB e a Serra, é até possível que Dilma só viesse a saber dela quando já estava em curso ou depois de escancarada. O que teria sido possível graças a inconfidências de membros da campanha em conflito com o setor de onde parece ter partido a decisão de arrombar o cofre de informações da Receita. Mas, na ordem das coisas que contam, o essencial, o assustador, é que se constituiu no governo uma rede de agentes que a qualquer momento pode funcionar como uma organização criminosa.

Essa estrutura, que se nutre do próprio Estado em que se encastelou, só deverá se fortalecer com a provável vitória da candidata presidencial do PT.


...acusação de Serra é prova de "desespero"
Dilma diz que acusação de Serra é prova de "desespero"

Petista defende, porém, investigação sobre as quebras de sigilo na Receita

PSDB tenta reeditar o que ocorreu em 2006, quando o escândalo dos aloprados garantiu o 2º turno presidencial

da FSP

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, afirmou ontem que o rival José Serra (PSDB) cometeu "calúnia" ao atribuir a ela a responsabilidade sobre o vazamento dos dados fiscais de pessoas ligadas ao PSDB.
"É uma acusação sistemática que ele [Serra] tem feito e que somente prova o desespero [da campanha tucana]", afirmou a candidata em Salvador (BA).
Dilma disse, porém, que defende a investigação. Ela afirmou que o PT pediu à Polícia Federal que investigue os vazamentos na Receita.
"Pode vir crítica, pode vir mentira, pode vir falsidade, que a nossa força está no fato de que nós estamos com a verdade do povo", afirmou a petista à noite, durante comício comício do governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), candidato à reeleição, e ao lado do presidente Lula.

PSDB ATACA
Os tucanos consideram Dilma responsável pela quebra de sigilo do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira, e de outras três pessoas próximas a Serra e ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Em outubro do ano passado, foram impressas as declarações de Imposto de Renda de EJ, do ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, do ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio de Oliveira e de Gregorio Marin Preciado, casado com uma prima de Serra.
A quebra de sigilo de EJ foi revelada pela Folha em junho. As cópias das declarações do imposto dele (dos exercícios de 2005 a 2009) faziam parte de um dossiê organizado por um "grupo de inteligência" que atuou na pré-campanha de Dilma.

SERRA
Na tentativa de caracterizar a eleição da adversária como uma ameaça às instituições, Serra disse ontem que Dilma deve explicações sobre as violações de sigilo.
Segundo ele, a quebra "é um crime contra a Constituição, com finalidade eleitoral". "É uma transgressão gravíssima [...] É o peso do Estado, do governo entrando na vida privada das pessoas e utilizando informações para finalidades eleitorais, como instrumento de chantagem."
Com a intenção de reeditar 2006 -quando o escândalo dos aloprados foi o empurrão que garantiu o segundo turno presidencial-, a coordenação da campanha do PSDB levou ontem mesmo o caso ao programa de TV.
Candidata do PV à Presidência, Marina da Silva criticou ontem em Maringá o uso informações obtidas por meios ilícitos. "É preciso energia das autoridades, pois se estão bisbilhotando, entre aspas, com arapongagem, a vida das pessoas, tem que haver punição", disse.
*(MATHEUS MAGENTA, CATIA SEABRA e JOSÉ MASCHIO)


Nova quebra de sigilo abrem guerra judicial...

Nova quebra de sigilo abrem guerra judicial PSDB-PT

Tucanos vão ao TSE contra Dilma; PT aciona Serra por declaração de "espionagem"

Em nota, Receita afirma que tema "está sendo tratado como prioridade institucional" para "dar resposta à sociedade"

da FSP

As campanhas dos candidatos à Presidência Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) deflagraram ontem uma guerra judicial com trocas de acusações sobre a violação, dentro da Receita Federal, do sigilo fiscal de pessoas ligadas ao PSDB.
Os tucanos, aliados ao DEM e ao PPS, pediram à Procuradoria-Geral da República para identificar os responsáveis pelo acesso aos dados.
Os três partidos também vão ingressar com uma representação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) contra Dilma por abuso de poder político e uso da Receita para "fins eleitorais".
O PT vai responder à oposição com uma ação civil e outra criminal contra Serra. Segundo o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, os processos foram motivados pela declaração de Serra de que o "pessoal do PT faz espionagem". Os petistas querem que Serra responda judicialmente por injúria, difamação e danos morais.
Dutra voltou a negar ligação do partido com as quebras. "Não aceitamos a continuidade dessas ilações. Não encomendamos, não determinamos a quem quer que seja construir ou elaborar dossiês contra pessoas."
Os petistas ainda vão pedir que a Polícia Federal investigue o vazamento do resultado das investigações da Corregedoria da Receita que apontaram a violação de dados fiscais dos outros tucanos. "Se está em sigilo, como foi parar nos jornais?", questionou o secretário-geral do PT, José Eduardo Cardozo.
A oposição responsabiliza a campanha de Dilma pela quebra dos sigilos fiscais do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, do ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, do ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio de Oliveira e de Gregorio Marin Preciado, casado com uma prima de Serra.
As cópias das declarações do imposto de Eduardo Jorge (dos exercícios de 2005 a 2009) integravam um dossiê organizado por um "grupo de inteligência" que atuou na pré-campanha de Dilma.
A Corregedoria-Geral da Receita abriu investigação interna, que ainda não terminou, para apurar a quebra do sigilo de Eduardo Jorge, revelada pela Folha em junho.
No documento entregue ao subprocurador-geral da República, Eugênio Aragão, a oposição pede a abertura de um inquérito civil público para apurar o caso.
Caberá ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, dar continuidade ao processo. "Levamos a sério todos os crimes que dizem respeito aos direitos individuais. Uma acusação como essa, se for comprovada, é muito grave", disse o subprocurador Eugênio Aragão.
Em nota divulgada ontem, a Receita Federal afirmou que as investigações sobre a quebra do sigilo de EJ "seguem com celeridade e total convergência de esforços" com a Polícia Federal.
"O assunto está sendo tratado como prioridade institucional, de forma que se possam dar as devidas respostas à sociedade no menor prazo possível", afirma a nota da Receita.
*(GABRIELA GUERREIRO, NANCY DUTRA E MÁRCIO FALCÃO)


Continuísmo

Continuísmo

DORA KRAMER
do Estadão

O presidente Luiz Inácio da Silva não se aguenta: morre pela boca, mas nunca deixa passar uma excelente oportunidade de ficar calado.

Na quarta-feira teve duas chances e aproveitou as duas. Na primeira, contou em público uma versão mentirosa de um episódio ocorrido há oito anos, em que posou de vítima de preconceito por parte do diretor editorial do jornal Folha de S. Paulo. Isso apesar de as testemunhas estarem bem vivas para contestar.

Na segunda vez, discursava aos militares sobre a nova lei que reforça a estrutura do Ministério Defesa quando do coração lhe brotaram as palavras de lamento - sempre "em tom de brincadeira" - por não ter enviado uma "emendinha" propondo ao Congresso "mais alguns anos de mandato".

Note-se que não se referiu a disputa, mas a extensão.

O presidente Lula não se segura. De vez em quando externa o que lhe vai às profundas da alma, coisas que jamais esquece: a derrota da CPMF e a impossibilidade de ter aprovada a chance de alcançar um terceiro mandato sem traumas institucionais.

O problema com o imposto do cheque não é o dinheiro. Isso não faz falta ao governo. Lula não se conforma é com a derrota política que o fez perceber a impossibilidade de aprovar a emenda do terceiro mandato no Senado.

Assuntos sobre os quais nunca cogitamos não vêm à tona assim sem mais nem menos. Muito menos um tema como esse.

Ultimamente o presidente vem fazendo referências cruzadas a respeito. Lamenta o fim do segundo mandato, diz o quanto ficará saudoso do poder, insinua influência permanente no governo da "presidenta" que já considera eleita e ordena à tropa que empenhe todo esforço na eleição de uma bancada gigante de senadores.

De preferência derrotando todos aqueles que lhe fizeram oposição mais aguerrida. Não quer só maioria, quer vingança.

E para quê, se chega ao fim o seu tempo?

Aí é que está. Se realmente conseguir eleger Dilma a Lula parecerá que pode conseguir qualquer coisa. Maioria no Senado, voltar à Presidência em 2014, exercê-la de fato até lá com o beneplácito da "presidenta" de direito.

Por que tanta vontade de ter maioria no Senado, qual o projeto que indica essa necessidade?

No caso de Dilma não se aplica o preceito de que a criatura dá adeus ao criador tão logo assuma o poder. Ocorre quando o criador não tem o controle real das coisas, a começar pelo partido e pela figura que atua no imaginário popular.

Se ousar contra ele, a criatura sabe que a tempestade não lhe será leve.

Muito além. Não é (só) a liberdade dos humoristas que está sendo violada com as proibições impostas pela Lei Eleitoral. São as garantias de toda a sociedade, além da Constituição como fiadora da liberdade de expressão.

De onde é louvável a iniciativa da Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão de entrar com ação direta de inconstitucionalidade contra o veto ao exercício da crítica política nos 90 dias que antecedem as eleições.

Lamentável é terem se passado 13 anos de (quase) total insensibilidade com a violência da lei, a despeito dos isolados reclamos.

Meta comum. Os caminhos são diferentes, mas o objetivo dos governos da Venezuela, da Argentina e do Brasil é o mesmo: tutelar a sociedade e assegurar trânsito livre de críticas aos respectivos projetos de poder, por intermédio do controle da informação.

O governo Lula ensaia, recua e insiste em manietar a imprensa por meio de instâncias colegiadas e sugestões corporativas. Os Kirchner alteram as leis para prejudicar os grandes grupos de comunicação.

Chávez é explícito. Hoje prende e arrebenta, mas nem sempre foi assim, embora caminhe nesse sentido desde o início. Os fascinados por "governos do povo" - os bem-intencionados, não os vendidos - é que não percebem o andar da carruagem do autoritarismo.

Só se dão conta e protestam quando suas vozes já não podem mais ser ouvidas.

Mistérios de Dilma

Editorial da Folha de São Paulo


Ao tornar inacessíveis os dados referentes à prisão da candidata Dilma Rousseff, o STM sonega informações de evidente interesse público

Encontram-se guardados a sete chaves, num cofre do Supremo Tribunal Militar, os autos do processo que levou à prisão, em 1970, a atual candidata do PT à Presidência da República.
É evidente a distância, temporal e ideológica, entre aquela Dilma Rousseff de 1970, integrante do grupo guerrilheiro Vanguarda Armada Revolucionária-Palmares, e a candidata de hoje.
A superação de extremismos e fantasmas ideológicos foi uma conquista, obtida não sem esforço e resistência, de toda a sociedade brasileira em seu processo de redemocratização.
Até mesmo em função dessa circunstância, não faz nenhum sentido manter em sigilo os documentos relativos ao processo movido contra Dilma Rousseff durante o regime autoritário.
É da essência republicana que a biografia de um candidato se exponha ao exame até mesmo impiedoso da opinião pública. Trata-se, afinal, de alguém que pretende assumir o comando do país.
Vale lembrar que as simples declarações de bens de cada candidato, exigidas pelos tribunais eleitorais, não eram divulgadas ao público -tendo sido necessário um mandado judicial para que a Folha pudesse publicá-las pela primeira vez, há mais de dez anos.
Sabe-se até que ponto, nos Estados Unidos, é levado à risca o princípio de que nenhum aspecto da vida privada de um candidato está, em tese, a salvo do interesse público. Do prontuário médico aos hábitos de consumo, do currículo escolar ao cotidiano doméstico, nada é irrelevante.
Ainda que, no Brasil, tenha-se o costume de resguardar um pouco mais a intimidade de governantes e políticos, é dever da imprensa escrutiná-la quando há motivos razoáveis para supor sua possível influência na condução dos negócios de Estado.
No caso do processo de Dilma Rousseff, o segredo se torna ainda mais aberrante quando se tem em conta que são públicos os arquivos aos quais, num ato discricionário, o Supremo Tribunal Militar negou acesso.
O presidente do STM, Carlos Alberto Soares, argumentou em entrevista que os autos foram guardados num cofre, para evitar-se "uso político" do material. Acrescentou que os papéis são de "difícil manuseio", dado seu estado de conservação.
Com os defeitos e virtudes que possa ter, com os erros e acertos que acumulou ao longo de sua biografia, em especial no que diz respeito a suas atitudes políticas, Dilma Rousseff abandona a esfera exclusiva da existência privada a partir do momento em que pretende ocupar o cargo de presidente da República.
Não é exagero dizer que, apesar de seus índices de popularidade, pouco ainda se conhece a seu respeito -exceto aquilo que, graças a uma operação intensiva de marketing, ao peso paquidérmico da máquina oficial e ao desmedido esforço cesarista do presidente Lula, vem sendo imposto artificialmente ao eleitorado.
Nenhum sigilo, ainda mais quando promovido por uma instância oficial, justifica-se nessa circunstância.

Avião da Embraer sai da pista na China


Avião da Embraer do mesmo modelo que o acidentado sai da pista na China

Segundo os responsáveis pelo aeroporto, o incidente interrompeu durante uma hora o tráfego aéreo, mas não causou vítimas

Um avião Embraer E-190, do mesmo modelo que o que está semana se acidentou no nordeste da China causando 42 mortes, saiu da pista de aterrissagem no aeroporto Wuxu, nesta sexta-feira, 27, na cidade de Nanning (sul), informou a agência oficial "Xinhua".

O avião, pertencente à companhia aérea Tianjin Airlines e que voava de Xian (centro da China) a Haikou (sul) com escala em Nanning, saiu da pista e percorreu parte de um campo de plantações na quarta-feira, dia 25. Entretanto, as autoridades aeroportuárias só divulgaram informações sobre o fato no final do dia na quinta.

A cidade de Nanning vem sofrendo, durante está semana, com os efeitos da tempestade tropical "Mindulle", e por isso a pista de aterrissagem estava molhada, o que pode ter contribuído para o incidente.

Na noite de 24 de agosto, outro Embraer E-190 se acidentou no aeroporto da cidade de Yichun, a cerca de 150 quilômetros da fronteira com a Rússia, causando a morte de 42 pessoas e deixando outras 54 feridas, algumas delas ainda em estado grave.

O avião que se acidentou também teve problemas durante a aterrissagem, saiu da pista e teve uma pequena explosão na cabine, provocando um incêndio no aparelho.

Após esse acidente, a agência oficial, "Xinhua", informou que a Aviação Civil da China tinha detectado erros técnicos há alguns meses em pelo menos um avião E-190 importado da Embraer.

Segundo a fonte estatal chinesa, tinham sido detectados problemas técnicos em um dos 30 aparelhos deste modelo que operam na China (cinco pertencentes Henan Airlines, à qual pertencia o avião acidentado, e 25 à Tianjin Airlines). Entretanto, as investigações ainda não determinaram se o acidente foi causado por falha técnica ou humana.

Segundo a imprensa, há suspeitas de que o aeroporto de Yichun se encontra em um lugar inseguro (rodeado de florestas) e não estava preparado para voos noturnos.

O acidente desta semana foi o primeiro com vítimas mortais sofrido por um avião da Embraer, segundo fontes da empresa.

A companhia é a terceira fabricante mundial de aviões comerciais, depois da americana Boeing e da europeia Airbus, e possui uma fábrica na cidade nordeste chinesa de Harbin, na mesma província onde aconteceu o acidente (Heilongjiang).

'Minha casa flutuou pela rua
'Minha casa flutuou pela rua, como um barco', conta vítima do Katrina

Contador Robert Green Sr. perdeu a mãe e a neta no mesmo dia.

do Estadão

Os ônibus de turismo que fazem os chamados "Katrina Tours", passeios pelas áreas afetadas pelo furacão que devastou Nova Orleans em 2005, têm parada obrigatória em frente à nova casa do contador Robert Lynn Green Sr.

Diante da residência no Lower 9th Ward, uma das regiões mais destruídas pelo Katrina, os guias mostram aos turistas a coroa de flores que Green, 55 anos, depositou no local em homenagem a sua mãe e sua neta, mortas na tragédia.

Também chama a atenção um cartaz que diz: "Nós queremos que nosso país nos ame tanto quanto nós amamos nosso país" e, logo adiante, pede ao então presidente George W. Bush que reconstrua a casa destruída de Green, "e não o Iraque".

Há ainda um pedaço de uma escadaria, três degraus que são o que restou da antiga residência do contador, destruída pelas águas que inundaram a cidade após o rompimento dos diques em 30 de agosto de 2005, um dia após a chegada do furacão.

"Nossa casa flutuou pela rua, como um barco, até aquela esquina", diz Green, apontando para um cruzamento quarteirões adiante.

Mortes


Era madrugada quando o bairro, localizado às margens do rio Mississippi, foi invadido pelas águas.

"Meu irmão estava dormindo com a mão para fora da cama e sentiu a água", diz Green.

Além dele e do irmão, estavam na casa sua mãe, Joyce, 73 anos, três netas, de quatro, três e dois anos, e um primo.

"Tivemos cinco minutos para subir até o sótão. Outros cinco para subir no telhado."

Foi então que, segundo Green, a casa se desprendeu do solo e começou a flutuar na água.

"Minha neta Shanai, de três anos, foi arrastada do telhado e desapareceu na água. A casa ruiu embaixo dos nossos pés", conta.

Ele diz que a família ainda conseguiu se abrigar no telhado de uma casa vizinha, e lá permaneceu por pelo menos cinco horas.

"Minha mãe já havia se afogado, mas conseguimos salvá-la e a ressuscitamos. Mas ela não aguentou ficar tanto tempo no telhado, com toda aquela água, e acabou levada novamente. Minha neta morreu às 4h da manhã. Minha mãe, às 13h", diz.

Tentativa de fuga

Green diz que a família havia tentado fugir da cidade um dia antes da passagem do Katrina, quando já havia alertas de que o furacão iria atingir a cidade em cheio.

"Não foi nossa escolha ficar aqui. Tentamos ir para Nashville (no Estado do Tennessee), mas o tráfego nos impediu", diz.

"Voltamos e, na noite de domingo (28 de agosto, véspera da passagem do Katrina), pedimos abrigo no Superdome (estádio em que muitas das vítimas se refugiaram inicialmente e que acabou se transformando em símbolo da tragédia)", afirma.

"Eles nos mandaram embora, porque minha mãe tinha problemas de saúde, era cardíaca, e precisava de cuidados médicos. Tivemos de voltar para casa."

Resgate

Depois de passar horas no telhado, sem saber onde estavam a mãe e a neta, Green e os demais foram resgatados por três vizinhos. Foram então, levados ao Superdome.

"Cheguei lá só com as calças. Sem sapatos, sem camisa. Sem nada", diz.

O corpo da neta só foi encontrado dois meses depois, em outubro de 2005. O da mãe, ele mesmo resgatou, em dezembro daquele ano, no lugar onde ela havia se afogado.

Green viveu alguns meses fora de Nova Orleans mas, quando voltou à cidade para enterrar a mãe, resolveu ficar.

Morou em trailers durante três anos, até se mudar para a nova casa, em julho de 2009.

A construção foi feita pela fundação Make it Right, do ator Brad Pitt, que pretende erguer 150 casas no Lower 9th Ward.

"O governo não fez o que deveria", diz Green, referindo-se ao governo de Bush. "Minha mãe trabalhou 25 anos na Força Aérea. Seu caixão foi coberto com a bandeira dos Estados Unidos."

Sobre a recuperação do bairro, onde vive desde 1967, ele se diz satisfeito, mas afirma que ainda é preciso trazer de volta os que não conseguiram retornar.

"Quando o Katrina chegou, esperávamos voltar em algumas semanas e retomar nossas vidas. Ninguém imaginava que iria levar cinco anos." BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

15 vítimas de chacina são identificadas...


15 vítimas de chacina são identificadas, diz embaixador do Brasil no México

Segundo fontes anônimas da Procuradoria de Tamaulipas, um dos cadáveres seria de brasileiro

do Estadão

CIDADE DO MÉXICO- O embaixador do Brasil no México, Sérgio Augusto de Abreu, confirmou nesta quinta-feira, 26, ao canal de televisão Milenio que foram identificados os corpos de 15 dos 72 imigrantes mortos em uma chacina no norte mexicano. Quatro corpos já foram apontados como de brasileiros ontem.


Segundo um porta-voz da Procuradoria do estado de Tamaulipas, onde ocorreu o massacre, entre os identificados de hoje, "quatro deles são salvadorenhos e um é brasileiro".

O chanceler de El Salvador, Hugo Martínez, confirmou mais cedo as informações sobre os corpos de quatro cidadãos de seu país.

De acordo com o embaixador brasileiro, cinco médicos legistas trabalham na cidade de San Fernando, local da chacina.

Uma fonte da Procuradoria do estado de Tamaulipas confirmou à Efe que 32 necropsias foram feitas e 15 vítimas foram identificadas, mas não deu detalhes sobre suas nacionalidades.

Segundo a fonte, a Procuradoria-Geral da República (PGR) será a responsável por divulgar os relatórios das investigações.

Nesta quinta-feira, oito diplomatas do Brasil, El Salvador, Honduras e Equador - países dos quais seriam os mortos - chegaram a Tamaulipas para acompanhar os trabalhos de identificação dos 72 imigrantes assassinados, informou hoje o governo mexicano.

O Brasil está representado pelo cônsul-geral brasileiro no México, Márcio Araújo Lage, e o vice-cônsul, João Batist Zaidan Fernandes.

A polícia acredita que os imigrantes foram mortos por traficantes do cartel Los Zetas após se negarem a trabalhar como matadores de aluguel para os criminosos. A única testemunha do crime é o equatoriano Luis Freddy Lala Pomavilla, que sobreviveu à chacina e entrou em contato com as autoridades.

Devido às informações da testemunha, que foi baleada na garganta e está internada, forças da Marinha do México seguiram na terça-feira para a comunidade de San Fernando, em Tamaulipas, onde um confronto armado terminou com as mortes de um militar e três suspeitos.

Depois do tiroteio, as autoridades encontraram em um rancho próximo os cadáveres de 72 pessoas, 58 homens e 14 mulheres.

Calcula-se que, a cada ano, quase 300 mil imigrantes ilegais cruzam a fronteira sul do México com a intenção de chegar aos EUA.Muitos deles são vítimas de extorsão, roubo, estupro e sequestro.

Rapidinhas


Falta de espaço na propaganda abre crise com candidatos do PT

Postulantes a vaga de deputado defendem estratégia diferente

DANIELA LIMA
da FSP

A decisão de utilizar o espaço de candidatos a deputado federal e estadual na propaganda eleitoral para pedir votos na legenda abriu uma crise no PT de São Paulo.
A direção estadual do partido tem recebido uma série de reclamações de petistas que disputam cadeiras no parlamento, inconformados com a perda de espaço. Por isso, decide hoje se mantém ou modifica a estratégia no programa do partido.
No último dia 3 de agosto a Folha publicou que a Executiva da sigla no Estado havia decidido, por unanimidade, utilizar o tempo de propaganda dos candidatos a deputado para divulgar o número da legenda e de quebra ampliar a aparição de Aloizio Mercadante, candidato do partido ao governo do Estado, no horário eleitoral.
Mas, após o início da propaganda, os candidatos a deputado pelo PT começaram a reclamar. Segundo eles, a exposição de postulantes a vagas na Câmara e na Assembleia de outros partidos que fazem parte da coligação ameaça a eleição dos petistas, que perderam o espaço no horário eleitoral.
O fato de a Justiça Eleitoral ter punido Mercadante por considerar que ele invadiu o bloco destinado à propaganda de candidatos a deputado agravou a crise.
Edinho Silva, presidente do PT-SP e principal fiador da estratégia vigente, encomendou pesquisa qualitativa para avaliar o desempenho do modelo atual da propaganda eleitoral.
Os dados foram colhidos anteontem e devem ser apresentados hoje.
Edinho conta com o apoio de nomes tradicionais do partido. "Acho que vale mais pedir o voto na legenda do que ficar com 10 segundos para cada candidato. Melhor divulgar o partido", disse o líder do PT na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza, que disputa a reeleição.
O PT, no entanto, já recuperou as gravações feitas com os candidatos antes do início do horário eleitoral. Se decidir por modificar a estratégia, poderá começar a exibir já nesta sexta-feira os seus candidatos.



Aprovação a Lula chega a 79% e atinge novo recorde

Nota média do presidente continua 8,1; avaliação é melhor no Nordeste

O desempenho do petista também é mais bem avaliado entre aqueles que têm menos escolaridade

da FSP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a bater um recorde de popularidade e agora seu governo é aprovado por 79% dos eleitores brasileiros, segundo pesquisa Datafolha realizada nos dias 23 e 24, com 10.948 entrevistas em todo o país.
A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Antes da atual pesquisa, o máximo de aprovação a Lula era de 78%, registrado em pesquisa dos dias 30 de junho e 1º de julho últimos.
No levantamento anterior, realizado nos dias 9 a 12 deste mês, o governo do petista teve 77% de aprovação.
Desde dezembro sua taxa de "bom/ótimo" está acima de 70%. Segundo o Datafolha, hoje 17% consideram a administração federal do PT "regular". Para outros 4% o governo é "ruim/péssimo".
Embora as variações da taxa de aprovação tenham sido dentro da margem de erro da pesquisa Datafolha, Lula é o primeiro presidente da República a alcançar esse percentual de popularidade nas pesquisas do instituto.
O Datafolha pesquisou a avaliação de todos os presidentes eleitos pelo voto direto depois da ditadura militar (1964-1985). Fernando Collor (1990-1992) teve uma popularidade máxima de 36%. Fernando Henrique Cardoso (1995-2001) chegou a 47%.
Apesar do recorde de popularidade, a nota média atribuída ao presidente não mudou. Era 8,1 no início do mês e ficou estável.
Para 81% dos eleitores brasileiros, Lula merece notas iguais ou superiores a 7, sendo que 33% citam a nota máxima, dez. Só 2% dos entrevistados dão zero.
Lula vai melhor entre eleitores de Dilma Rousseff (8,9), habitantes do Nordeste (8,7), os pernambucanos (8,9) e os que têm nível fundamental de escolaridade (8,6) e renda familiar de até dois salários mínimos (8,5). (FR)



Petista diz que poderia ter feito "emendinha" para esticar mandato
Presidente, no entanto, sempre negou a possibilidade de haver terceiro mandato

DE BRASÍLIA

O presidente Lula disse ontem, durante evento com militares, que poderia ter enviado "uma emendinha" para ganhar "mais uns anos" de mandato.
Em discurso, Lula disse, olhando para o ministro da Defesa, Nelson Jobim: "Você poderia, junto com essa emenda complementar [que cria cargos para a pasta, leia mais na pág. A13], ter mandado uma emendinha para mais uns anos de mandato".
Lula, porém, sempre negou essa possibilidade. "Embora esteja no final do mandato, eu sinceramente saio da Presidência mais gratificado", concluiu.
Em julho do ano passado, a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania) da Câmara seguiu o parecer do relator José Genoino (PT-SP) e rejeitou a admissibilidade constitucional da PEC, de autoria do deputado Jackson Barreto (PMDB-SE), que previa um terceiro mandato.
No parecer, Genoino sustentara que a PEC era "casuística" e "fulminada de inconstitucionalidade".
Na época, Lula comentou a proposta, dizendo que a alternância no poder é fundamental para a democracia. "Quando fui eleito pela segunda vez, não havia a possibilidade de terceiro mandato e eu não concordo em mudar as regras no meio do jogo. Seria puro casuísmo", afirmou Lula em julho de 2009.
Lula ainda disse que, apesar das criticas que sofreu quando decidiu comprar um avião para viajar pelo mundo, o Aerolula, se arrependeu de não ter comprado uma aeronave maior -ou então duas.
* (SIMONE IGLESIAS)




ELIANE CANTANHÊDE da FSP

Não sobra pedra sobre pedra

BRASÍLIA - Se bobear, a oposição pode perder a eleição presidencial em todos ou em quase todos os Estados e no Distrito Federal. Além de disparar no Nordeste e no Norte, como previsto, Dilma Rousseff cresce em todas as regiões e já surpreende no Paraná, em Santa Catarina e até mesmo em São Paulo, a principal base tucana no país.
Isso será devastador para a oposição, que se esfalfa para conter a força de Lula e da economia e manter os governos de São Paulo e do Paraná no primeiro turno, além de reverter o quadro em Minas.
Aécio Neves gosta de viver perigosamente. Apostou em candidatos inicialmente inexpressivos tanto para a Prefeitura de Belo Horizonte em 2008 como para o Palácio da Liberdade em 2010. Fez um e tem boas chances de repetir a façanha agora com o outro -Antônio Anastasia, homem-forte do seu governo.
Se eleger Anastasia contra o PMDB e o PT juntos, Aécio estará se qualificando como principal líder da oposição ao lado de Alckmin, já que Serra estará saindo da pior derrota do PSDB desde 1994 e Beto Richa é de um Estado fora do eixo político. E aí está a grande indagação: que oposição Aécio fará?
Analisando a escola, a biografia, o temperamento e até o Estado de Aécio, não convém apostar que ele fará oposição com letra maiúscula, aquela oposição que o PT soube fazer como nada e ninguém e que o DEM até tentou, mas não colou. O mais provável é que Aécio venha a se compor não apenas com o governo Dilma mas principalmente com o grande líder: Lula.
Ele tem meio caminho andado, pois conversa com naturalidade com Lula e já fez todo o ensaio de aproximação com o PT na aliança de 2008 com Fernando Pimentel -que hoje, ora, ora, está na coordenação da campanha de Dilma.
Confirmadas uma vitória acachapante de Dilma e a ascensão de Aécio no PSDB, teremos... um país praticamente sem oposição.







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