Política
Suspeitos de violar sigilo de tucanos são poupados
Suspeitos de violar sigilo de tucanos são poupados em sindicância da Receita
Relatório interno revela contradições entre declaração de servidores e documentos, além de omissões de autoridades nos interrogatórios
Leandro Colon
do Estadão
A análise das 450 páginas da sindicância da Receita Federal sobre a violação de sigilo do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, e de mais três pessoas ligadas ao comando do partido mostra que o órgão tem poupado os servidores suspeitos de envolvimento no caso.
O processo revela contradições entre o que disseram esses servidores e o que informam os documentos apresentados. Há também casos de omissões das autoridades nos interrogatórios sobre o acesso e a violação dos dados, ocorridos na delegacia da Receita Federal em Mauá, no ABC paulista. A Receita não contestou sequer a informação de que as senhas dos funcionários eram permutadas por causa "da grande demanda de requisições judiciais", apesar de os tucanos não terem base tributária em Mauá nem serem alvos, naquelas datas, de nenhuma ordem jurídica de quebra de sigilo.
Um dos fatos que sugerem displicência dos interrogadores é que os funcionários foram ouvidos antes que a corregedoria tivesse recebido a perícia nos computadores - que comprova o acesso às informações dos tucanos. Outro, que só foram questionados sobre Eduardo Jorge, ficando livres de perguntas sobre o acesso às declarações de renda de Luiz Carlos Mendonça de Barros, Ricardo Sérgio de Oliveira e Gregório Preciado, todos vinculados ao alto escalão do PSDB.
Presentes. Outra constatação diz respeito à folha de ponto dos servidores. Ela indica que eles estavam trabalhando no período de abertura e impressão dos sigilos fiscais. Embora seja preenchido por mera formalidade, à mão, e dentro de um mesmo padrão de horário, esse documento é assinado e rubricado por funcionários e pela chefia sob a frase "chefia e empregado confirmam e declaram ciência à frequência do mês". Não houve, da parte dos encarregados de investigar a invasão, nenhum questionamento quanto a isso.
Pelo conjunto de depoimentos colhidos até agora, ninguém sabe quem usou a senha nem o computador utilizado para abrir e imprimir, em sequência e no mesmo dia, os dados fiscais dos tucanos. Essa operação em cadeia, que enfraquece a versão de motivação funcional para os acessos, foi revelada pelo Estado na quarta-feira.
As senhas, segundo os funcionários, ficavam anotadas num "risque-rabisque" nas mesas de trabalho. Solicitados a ajudar na investigação, técnicos da Receita alegam à Corregedoria que é difícil saber se alguém desligou ou não o computador usado durante a operação de consulta aos dados fiscais.
Em depoimento no dia 27 de julho, a servidora Adeildda Ferreira Leão dos Santos afirmou que estava fora da Receita no período em que as declarações de renda dos tucanos foram consultadas, entre 12h27 e 12h43 do dia 8 de outubro de 2009. É dela o computador usado para abrir e imprimir os dados sigilosos. Adeildda contou que "por volta" de 11h50 daquele dia deixou o trabalho para almoçar com o marido, retornando às 13h05. Segundo afirmou, ia comemorar o aniversário de casamento. Documento oficial da Receita, a folha de frequência, assinada pela própria servidora, diz que ela saiu às 11h30 para o almoço e retornou às 12h30. Portanto, oficialmente, estaria presente na hora em que as declarações de renda estavam sendo abertas, inclusive a de Eduardo Jorge, ocorrida às 12h43.
Outra senha. Indagada sobre essa saída da colega fora de hora, a servidora Ana Maria Cano, também suspeita de ligação com o episódio, disse recordar-se do fato, mas não da data. Ana Maria e Adeildda foram as funcionárias que tiveram acesso à senha usada para abrir os dados fiscais dos tucanos. Elas receberam o código de outra colega, a servidora Antonia Aparecida Rodrigues dos Santos Neves Silva. Em depoimento no dia 27 de julho, Antonia também negou envolvimento no episódio. Sua folha de ponto informa que também ela cumpria expediente quando os dados foram abertos.
Antonia afirmou ter repassado a senha às colegas por causa da "grande demanda de requisições judiciais". Negou ter recebido qualquer pedido para abrir os dados de Eduardo Jorge, que nem tem seu domicílio tributário em Mauá, assim como os dos demais alvos das consultas.
Os dados de Eduardo Jorge foram parar num dossiê de campanha que passou pelas mãos de membros da campanha de Dilma Rousseff (PT) à Presidência. O episódio derrubou o jornalista Luiz Lanzetta, que deixou em junho a campanha da petista por ligação com o caso.
postado por Evaldo Torres * Fonte : Estadão em 27-08-2010
Comentários
(3)
O crime continuado do PT
NOTAS & INFORMAÇÕES
do Estadão
Foi preciso uma decisão judicial, tomada na terça-feira, para que o vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira, pudesse exercer o direito elementar de acesso ao inquérito instaurado na Corregedoria-Geral da Receita para apurar a devassa nas suas declarações de renda - cópias das quais foram parar em mãos de pessoas ligadas à campanha da candidata petista Dilma Rousseff. E só assim o País ficou sabendo, já tardiamente, que o sigilo fiscal de outros contribuintes também foi quebrado na mesma ocasião, com a mesma sórdida intenção de atingir o candidato tucano ao Planalto, José Serra.
Em 16 minutos, na hora do almoço do dia 8 de outubro de 2009, na delegacia do Fisco em Mauá, na Grande São Paulo, foram abertas e impressas as declarações do ministro das Comunicações no governo Fernando Henrique, Luiz Carlos Mendonça de Barros; do arrecadador informal da campanha de Serra ao Senado em 1994 e em seguida diretor da área internacional do Banco do Brasil, Ricardo Sérgio de Oliveira; e do empresário Gregorio Marin Preciado, casado com uma prima de Serra.
Os sistemas de controle da Receita identificaram como pertencendo à analista fiscal Antonia Aparecida Neves Silva a senha utilizada para a invasão no computador da servidora Adeilda Ferreira dos Santos. Antonia, contra quem foi aberto processo administrativo, admitiu ter passado a senha a Adeilda e a outra colega, Ana Maria Caroto Cano. Todas negam envolvimento no caso. O processo depende de uma perícia que não tem data para terminar. É incerto igualmente se aparecerão os nomes dos autores e mandantes do crime. Se aparecerem, não será antes da eleição.
O que parece fora de dúvida é que a devassa foi ordenada de dentro do apparat petista para a formação de um dossiê a ser eventualmente usado contra Serra, conforme revelado pela Folha de S.Paulo, que teve acesso ao material. Na campanha de 2006, quando ele concorria ao governo paulista, o coordenador da campanha do então candidato ao Senado pelo PT, Aloizio Mercadante, envolveu-se com a malograda tentativa de um grupo de companheiros de comprar uma papelada para atacar o tucano. Eles foram presos em flagrante com uma bolada de dinheiro. O presidente Lula limitou-se a chamá-los de aloprados.
Não se sabe se desta vez também há dinheiro envolvido na sujeira afinal desmascarada. Ainda que haja, deve ter prevalecido na montagem da operação o mais autêntico espírito partidário do vale-tudo para tomar e permanecer no poder, como, por palavras e atos, o próprio Lula ensina sem cessar à companheirada. Esse espírito está na origem do mensalão, do escândalo dos aloprados e das demais baixarias que vieram à tona nestes 8 anos. Do PT se pode dizer, parafraseando uma citação clássica, que nada esqueceu e nada deixou de aprender em matéria de vilania política.
Aprendeu, sobretudo, que os fins não apenas justificam os meios, mas dependem de meios eficazes para ser alcançados. O principal deles é o controle - no sentido mais raso do termo - da máquina pública. Dos muitos objetivos a que serve o aparelhamento do Estado, um dos mais importantes é criar um disseminado e leal "exército secreto", como já se escreveu nesta página, pronto para fazer os trabalhos sujos que dele se demandem. A ordem tanto pode partir dos mais altos escalões do governo ou do partido como resultar da iniciativa de indivíduos e grupos que conhecem as regras do jogo na casa e sabem a quem recorrer numa ou em outra circunstância.
No caso da violação do sigilo fiscal de pessoas ligadas ao PSDB e a Serra, é até possível que Dilma só viesse a saber dela quando já estava em curso ou depois de escancarada. O que teria sido possível graças a inconfidências de membros da campanha em conflito com o setor de onde parece ter partido a decisão de arrombar o cofre de informações da Receita. Mas, na ordem das coisas que contam, o essencial, o assustador, é que se constituiu no governo uma rede de agentes que a qualquer momento pode funcionar como uma organização criminosa.
Essa estrutura, que se nutre do próprio Estado em que se encastelou, só deverá se fortalecer com a provável vitória da candidata presidencial do PT.
postado por Evaldo Torres * Fonte : Estadão em 27-08-2010
Comentários
(2)
...acusação de Serra é prova de "desespero"
Dilma diz que acusação de Serra é prova de "desespero"
Petista defende, porém, investigação sobre as quebras de sigilo na Receita
PSDB tenta reeditar o que ocorreu em 2006, quando o escândalo dos aloprados garantiu o 2º turno presidencial
da FSP
A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, afirmou ontem que o rival José Serra (PSDB) cometeu "calúnia" ao atribuir a ela a responsabilidade sobre o vazamento dos dados fiscais de pessoas ligadas ao PSDB.
"É uma acusação sistemática que ele [Serra] tem feito e que somente prova o desespero [da campanha tucana]", afirmou a candidata em Salvador (BA).
Dilma disse, porém, que defende a investigação. Ela afirmou que o PT pediu à Polícia Federal que investigue os vazamentos na Receita.
"Pode vir crítica, pode vir mentira, pode vir falsidade, que a nossa força está no fato de que nós estamos com a verdade do povo", afirmou a petista à noite, durante comício comício do governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), candidato à reeleição, e ao lado do presidente Lula.
PSDB ATACA
Os tucanos consideram Dilma responsável pela quebra de sigilo do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira, e de outras três pessoas próximas a Serra e ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Em outubro do ano passado, foram impressas as declarações de Imposto de Renda de EJ, do ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, do ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio de Oliveira e de Gregorio Marin Preciado, casado com uma prima de Serra.
A quebra de sigilo de EJ foi revelada pela Folha em junho. As cópias das declarações do imposto dele (dos exercícios de 2005 a 2009) faziam parte de um dossiê organizado por um "grupo de inteligência" que atuou na pré-campanha de Dilma.
SERRA
Na tentativa de caracterizar a eleição da adversária como uma ameaça às instituições, Serra disse ontem que Dilma deve explicações sobre as violações de sigilo.
Segundo ele, a quebra "é um crime contra a Constituição, com finalidade eleitoral". "É uma transgressão gravíssima [...] É o peso do Estado, do governo entrando na vida privada das pessoas e utilizando informações para finalidades eleitorais, como instrumento de chantagem."
Com a intenção de reeditar 2006 -quando o escândalo dos aloprados foi o empurrão que garantiu o segundo turno presidencial-, a coordenação da campanha do PSDB levou ontem mesmo o caso ao programa de TV.
Candidata do PV à Presidência, Marina da Silva criticou ontem em Maringá o uso informações obtidas por meios ilícitos. "É preciso energia das autoridades, pois se estão bisbilhotando, entre aspas, com arapongagem, a vida das pessoas, tem que haver punição", disse.
*(MATHEUS MAGENTA, CATIA SEABRA e JOSÉ MASCHIO)
postado por Evaldo Torres * Fonte : Folha de São Paulo em 27-08-2010
Comentários
(2)
Nova quebra de sigilo abrem guerra judicial...
Nova quebra de sigilo abrem guerra judicial PSDB-PT
Tucanos vão ao TSE contra Dilma; PT aciona Serra por declaração de "espionagem"
Em nota, Receita afirma que tema "está sendo tratado como prioridade institucional" para "dar resposta à sociedade"
da FSP
As campanhas dos candidatos à Presidência Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) deflagraram ontem uma guerra judicial com trocas de acusações sobre a violação, dentro da Receita Federal, do sigilo fiscal de pessoas ligadas ao PSDB.
Os tucanos, aliados ao DEM e ao PPS, pediram à Procuradoria-Geral da República para identificar os responsáveis pelo acesso aos dados.
Os três partidos também vão ingressar com uma representação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) contra Dilma por abuso de poder político e uso da Receita para "fins eleitorais".
O PT vai responder à oposição com uma ação civil e outra criminal contra Serra. Segundo o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, os processos foram motivados pela declaração de Serra de que o "pessoal do PT faz espionagem". Os petistas querem que Serra responda judicialmente por injúria, difamação e danos morais.
Dutra voltou a negar ligação do partido com as quebras. "Não aceitamos a continuidade dessas ilações. Não encomendamos, não determinamos a quem quer que seja construir ou elaborar dossiês contra pessoas."
Os petistas ainda vão pedir que a Polícia Federal investigue o vazamento do resultado das investigações da Corregedoria da Receita que apontaram a violação de dados fiscais dos outros tucanos. "Se está em sigilo, como foi parar nos jornais?", questionou o secretário-geral do PT, José Eduardo Cardozo.
A oposição responsabiliza a campanha de Dilma pela quebra dos sigilos fiscais do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, do ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, do ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio de Oliveira e de Gregorio Marin Preciado, casado com uma prima de Serra.
As cópias das declarações do imposto de Eduardo Jorge (dos exercícios de 2005 a 2009) integravam um dossiê organizado por um "grupo de inteligência" que atuou na pré-campanha de Dilma.
A Corregedoria-Geral da Receita abriu investigação interna, que ainda não terminou, para apurar a quebra do sigilo de Eduardo Jorge, revelada pela Folha em junho.
No documento entregue ao subprocurador-geral da República, Eugênio Aragão, a oposição pede a abertura de um inquérito civil público para apurar o caso.
Caberá ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, dar continuidade ao processo. "Levamos a sério todos os crimes que dizem respeito aos direitos individuais. Uma acusação como essa, se for comprovada, é muito grave", disse o subprocurador Eugênio Aragão.
Em nota divulgada ontem, a Receita Federal afirmou que as investigações sobre a quebra do sigilo de EJ "seguem com celeridade e total convergência de esforços" com a Polícia Federal.
"O assunto está sendo tratado como prioridade institucional, de forma que se possam dar as devidas respostas à sociedade no menor prazo possível", afirma a nota da Receita.
*(GABRIELA GUERREIRO, NANCY DUTRA E MÁRCIO FALCÃO)
postado por Evaldo Torres * Fonte : Folha de São Paulo em 27-08-2010
Comentários
(2)
Continuísmo
Continuísmo
DORA KRAMER
do Estadão
O presidente Luiz Inácio da Silva não se aguenta: morre pela boca, mas nunca deixa passar uma excelente oportunidade de ficar calado.
Na quarta-feira teve duas chances e aproveitou as duas. Na primeira, contou em público uma versão mentirosa de um episódio ocorrido há oito anos, em que posou de vítima de preconceito por parte do diretor editorial do jornal Folha de S. Paulo. Isso apesar de as testemunhas estarem bem vivas para contestar.
Na segunda vez, discursava aos militares sobre a nova lei que reforça a estrutura do Ministério Defesa quando do coração lhe brotaram as palavras de lamento - sempre "em tom de brincadeira" - por não ter enviado uma "emendinha" propondo ao Congresso "mais alguns anos de mandato".
Note-se que não se referiu a disputa, mas a extensão.
O presidente Lula não se segura. De vez em quando externa o que lhe vai às profundas da alma, coisas que jamais esquece: a derrota da CPMF e a impossibilidade de ter aprovada a chance de alcançar um terceiro mandato sem traumas institucionais.
O problema com o imposto do cheque não é o dinheiro. Isso não faz falta ao governo. Lula não se conforma é com a derrota política que o fez perceber a impossibilidade de aprovar a emenda do terceiro mandato no Senado.
Assuntos sobre os quais nunca cogitamos não vêm à tona assim sem mais nem menos. Muito menos um tema como esse.
Ultimamente o presidente vem fazendo referências cruzadas a respeito. Lamenta o fim do segundo mandato, diz o quanto ficará saudoso do poder, insinua influência permanente no governo da "presidenta" que já considera eleita e ordena à tropa que empenhe todo esforço na eleição de uma bancada gigante de senadores.
De preferência derrotando todos aqueles que lhe fizeram oposição mais aguerrida. Não quer só maioria, quer vingança.
E para quê, se chega ao fim o seu tempo?
Aí é que está. Se realmente conseguir eleger Dilma a Lula parecerá que pode conseguir qualquer coisa. Maioria no Senado, voltar à Presidência em 2014, exercê-la de fato até lá com o beneplácito da "presidenta" de direito.
Por que tanta vontade de ter maioria no Senado, qual o projeto que indica essa necessidade?
No caso de Dilma não se aplica o preceito de que a criatura dá adeus ao criador tão logo assuma o poder. Ocorre quando o criador não tem o controle real das coisas, a começar pelo partido e pela figura que atua no imaginário popular.
Se ousar contra ele, a criatura sabe que a tempestade não lhe será leve.
Muito além. Não é (só) a liberdade dos humoristas que está sendo violada com as proibições impostas pela Lei Eleitoral. São as garantias de toda a sociedade, além da Constituição como fiadora da liberdade de expressão.
De onde é louvável a iniciativa da Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão de entrar com ação direta de inconstitucionalidade contra o veto ao exercício da crítica política nos 90 dias que antecedem as eleições.
Lamentável é terem se passado 13 anos de (quase) total insensibilidade com a violência da lei, a despeito dos isolados reclamos.
Meta comum. Os caminhos são diferentes, mas o objetivo dos governos da Venezuela, da Argentina e do Brasil é o mesmo: tutelar a sociedade e assegurar trânsito livre de críticas aos respectivos projetos de poder, por intermédio do controle da informação.
O governo Lula ensaia, recua e insiste em manietar a imprensa por meio de instâncias colegiadas e sugestões corporativas. Os Kirchner alteram as leis para prejudicar os grandes grupos de comunicação.
Chávez é explícito. Hoje prende e arrebenta, mas nem sempre foi assim, embora caminhe nesse sentido desde o início. Os fascinados por "governos do povo" - os bem-intencionados, não os vendidos - é que não percebem o andar da carruagem do autoritarismo.
Só se dão conta e protestam quando suas vozes já não podem mais ser ouvidas.
postado por Evaldo Torres * Fonte : Estadão em 27-08-2010
Comentários
(1)
Mistérios de Dilma
Editorial da Folha de São Paulo
Ao tornar inacessíveis os dados referentes à prisão da candidata Dilma Rousseff, o STM sonega informações de evidente interesse público
Encontram-se guardados a sete chaves, num cofre do Supremo Tribunal Militar, os autos do processo que levou à prisão, em 1970, a atual candidata do PT à Presidência da República.
É evidente a distância, temporal e ideológica, entre aquela Dilma Rousseff de 1970, integrante do grupo guerrilheiro Vanguarda Armada Revolucionária-Palmares, e a candidata de hoje.
A superação de extremismos e fantasmas ideológicos foi uma conquista, obtida não sem esforço e resistência, de toda a sociedade brasileira em seu processo de redemocratização.
Até mesmo em função dessa circunstância, não faz nenhum sentido manter em sigilo os documentos relativos ao processo movido contra Dilma Rousseff durante o regime autoritário.
É da essência republicana que a biografia de um candidato se exponha ao exame até mesmo impiedoso da opinião pública. Trata-se, afinal, de alguém que pretende assumir o comando do país.
Vale lembrar que as simples declarações de bens de cada candidato, exigidas pelos tribunais eleitorais, não eram divulgadas ao público -tendo sido necessário um mandado judicial para que a Folha pudesse publicá-las pela primeira vez, há mais de dez anos.
Sabe-se até que ponto, nos Estados Unidos, é levado à risca o princípio de que nenhum aspecto da vida privada de um candidato está, em tese, a salvo do interesse público. Do prontuário médico aos hábitos de consumo, do currículo escolar ao cotidiano doméstico, nada é irrelevante.
Ainda que, no Brasil, tenha-se o costume de resguardar um pouco mais a intimidade de governantes e políticos, é dever da imprensa escrutiná-la quando há motivos razoáveis para supor sua possível influência na condução dos negócios de Estado.
No caso do processo de Dilma Rousseff, o segredo se torna ainda mais aberrante quando se tem em conta que são públicos os arquivos aos quais, num ato discricionário, o Supremo Tribunal Militar negou acesso.
O presidente do STM, Carlos Alberto Soares, argumentou em entrevista que os autos foram guardados num cofre, para evitar-se "uso político" do material. Acrescentou que os papéis são de "difícil manuseio", dado seu estado de conservação.
Com os defeitos e virtudes que possa ter, com os erros e acertos que acumulou ao longo de sua biografia, em especial no que diz respeito a suas atitudes políticas, Dilma Rousseff abandona a esfera exclusiva da existência privada a partir do momento em que pretende ocupar o cargo de presidente da República.
Não é exagero dizer que, apesar de seus índices de popularidade, pouco ainda se conhece a seu respeito -exceto aquilo que, graças a uma operação intensiva de marketing, ao peso paquidérmico da máquina oficial e ao desmedido esforço cesarista do presidente Lula, vem sendo imposto artificialmente ao eleitorado.
Nenhum sigilo, ainda mais quando promovido por uma instância oficial, justifica-se nessa circunstância.
postado por Evaldo Torres * Fonte : Folha de São Paulo em 27-08-2010
Comentários
(1)
Avião da Embraer sai da pista na China
Avião da Embraer do mesmo modelo que o acidentado sai da pista na China
Segundo os responsáveis pelo aeroporto, o incidente interrompeu durante uma hora o tráfego aéreo, mas não causou vítimas
Um avião Embraer E-190, do mesmo modelo que o que está semana se acidentou no nordeste da China causando 42 mortes, saiu da pista de aterrissagem no aeroporto Wuxu, nesta sexta-feira, 27, na cidade de Nanning (sul), informou a agência oficial "Xinhua".
O avião, pertencente à companhia aérea Tianjin Airlines e que voava de Xian (centro da China) a Haikou (sul) com escala em Nanning, saiu da pista e percorreu parte de um campo de plantações na quarta-feira, dia 25. Entretanto, as autoridades aeroportuárias só divulgaram informações sobre o fato no final do dia na quinta.
A cidade de Nanning vem sofrendo, durante está semana, com os efeitos da tempestade tropical "Mindulle", e por isso a pista de aterrissagem estava molhada, o que pode ter contribuído para o incidente.
Na noite de 24 de agosto, outro Embraer E-190 se acidentou no aeroporto da cidade de Yichun, a cerca de 150 quilômetros da fronteira com a Rússia, causando a morte de 42 pessoas e deixando outras 54 feridas, algumas delas ainda em estado grave.
O avião que se acidentou também teve problemas durante a aterrissagem, saiu da pista e teve uma pequena explosão na cabine, provocando um incêndio no aparelho.
Após esse acidente, a agência oficial, "Xinhua", informou que a Aviação Civil da China tinha detectado erros técnicos há alguns meses em pelo menos um avião E-190 importado da Embraer.
Segundo a fonte estatal chinesa, tinham sido detectados problemas técnicos em um dos 30 aparelhos deste modelo que operam na China (cinco pertencentes Henan Airlines, à qual pertencia o avião acidentado, e 25 à Tianjin Airlines). Entretanto, as investigações ainda não determinaram se o acidente foi causado por falha técnica ou humana.
Segundo a imprensa, há suspeitas de que o aeroporto de Yichun se encontra em um lugar inseguro (rodeado de florestas) e não estava preparado para voos noturnos.
O acidente desta semana foi o primeiro com vítimas mortais sofrido por um avião da Embraer, segundo fontes da empresa.
A companhia é a terceira fabricante mundial de aviões comerciais, depois da americana Boeing e da europeia Airbus, e possui uma fábrica na cidade nordeste chinesa de Harbin, na mesma província onde aconteceu o acidente (Heilongjiang).
postado por Evaldo Torres * Fonte : Estadão em 27-08-2010
Comentários
(2)
'Minha casa flutuou pela rua
'Minha casa flutuou pela rua, como um barco', conta vítima do Katrina
Contador Robert Green Sr. perdeu a mãe e a neta no mesmo dia.
do Estadão
Os ônibus de turismo que fazem os chamados "Katrina Tours", passeios pelas áreas afetadas pelo furacão que devastou Nova Orleans em 2005, têm parada obrigatória em frente à nova casa do contador Robert Lynn Green Sr.
Diante da residência no Lower 9th Ward, uma das regiões mais destruídas pelo Katrina, os guias mostram aos turistas a coroa de flores que Green, 55 anos, depositou no local em homenagem a sua mãe e sua neta, mortas na tragédia.
Também chama a atenção um cartaz que diz: "Nós queremos que nosso país nos ame tanto quanto nós amamos nosso país" e, logo adiante, pede ao então presidente George W. Bush que reconstrua a casa destruída de Green, "e não o Iraque".
Há ainda um pedaço de uma escadaria, três degraus que são o que restou da antiga residência do contador, destruída pelas águas que inundaram a cidade após o rompimento dos diques em 30 de agosto de 2005, um dia após a chegada do furacão.
"Nossa casa flutuou pela rua, como um barco, até aquela esquina", diz Green, apontando para um cruzamento quarteirões adiante.
Mortes
Era madrugada quando o bairro, localizado às margens do rio Mississippi, foi invadido pelas águas.
"Meu irmão estava dormindo com a mão para fora da cama e sentiu a água", diz Green.
Além dele e do irmão, estavam na casa sua mãe, Joyce, 73 anos, três netas, de quatro, três e dois anos, e um primo.
"Tivemos cinco minutos para subir até o sótão. Outros cinco para subir no telhado."
Foi então que, segundo Green, a casa se desprendeu do solo e começou a flutuar na água.
"Minha neta Shanai, de três anos, foi arrastada do telhado e desapareceu na água. A casa ruiu embaixo dos nossos pés", conta.
Ele diz que a família ainda conseguiu se abrigar no telhado de uma casa vizinha, e lá permaneceu por pelo menos cinco horas.
"Minha mãe já havia se afogado, mas conseguimos salvá-la e a ressuscitamos. Mas ela não aguentou ficar tanto tempo no telhado, com toda aquela água, e acabou levada novamente. Minha neta morreu às 4h da manhã. Minha mãe, às 13h", diz.
Tentativa de fuga
Green diz que a família havia tentado fugir da cidade um dia antes da passagem do Katrina, quando já havia alertas de que o furacão iria atingir a cidade em cheio.
"Não foi nossa escolha ficar aqui. Tentamos ir para Nashville (no Estado do Tennessee), mas o tráfego nos impediu", diz.
"Voltamos e, na noite de domingo (28 de agosto, véspera da passagem do Katrina), pedimos abrigo no Superdome (estádio em que muitas das vítimas se refugiaram inicialmente e que acabou se transformando em símbolo da tragédia)", afirma.
"Eles nos mandaram embora, porque minha mãe tinha problemas de saúde, era cardíaca, e precisava de cuidados médicos. Tivemos de voltar para casa."
Resgate
Depois de passar horas no telhado, sem saber onde estavam a mãe e a neta, Green e os demais foram resgatados por três vizinhos. Foram então, levados ao Superdome.
"Cheguei lá só com as calças. Sem sapatos, sem camisa. Sem nada", diz.
O corpo da neta só foi encontrado dois meses depois, em outubro de 2005. O da mãe, ele mesmo resgatou, em dezembro daquele ano, no lugar onde ela havia se afogado.
Green viveu alguns meses fora de Nova Orleans mas, quando voltou à cidade para enterrar a mãe, resolveu ficar.
Morou em trailers durante três anos, até se mudar para a nova casa, em julho de 2009.
A construção foi feita pela fundação Make it Right, do ator Brad Pitt, que pretende erguer 150 casas no Lower 9th Ward.
"O governo não fez o que deveria", diz Green, referindo-se ao governo de Bush. "Minha mãe trabalhou 25 anos na Força Aérea. Seu caixão foi coberto com a bandeira dos Estados Unidos."
Sobre a recuperação do bairro, onde vive desde 1967, ele se diz satisfeito, mas afirma que ainda é preciso trazer de volta os que não conseguiram retornar.
"Quando o Katrina chegou, esperávamos voltar em algumas semanas e retomar nossas vidas. Ninguém imaginava que iria levar cinco anos." BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
postado por Evaldo Torres * Fonte : Estadão em 27-08-2010
Comentários
(1)
15 vítimas de chacina são identificadas...
15 vítimas de chacina são identificadas, diz embaixador do Brasil no México
Segundo fontes anônimas da Procuradoria de Tamaulipas, um dos cadáveres seria de brasileiro
do Estadão
CIDADE DO MÉXICO- O embaixador do Brasil no México, Sérgio Augusto de Abreu, confirmou nesta quinta-feira, 26, ao canal de televisão Milenio que foram identificados os corpos de 15 dos 72 imigrantes mortos em uma chacina no norte mexicano. Quatro corpos já foram apontados como de brasileiros ontem.
Segundo um porta-voz da Procuradoria do estado de Tamaulipas, onde ocorreu o massacre, entre os identificados de hoje, "quatro deles são salvadorenhos e um é brasileiro".
O chanceler de El Salvador, Hugo Martínez, confirmou mais cedo as informações sobre os corpos de quatro cidadãos de seu país.
De acordo com o embaixador brasileiro, cinco médicos legistas trabalham na cidade de San Fernando, local da chacina.
Uma fonte da Procuradoria do estado de Tamaulipas confirmou à Efe que 32 necropsias foram feitas e 15 vítimas foram identificadas, mas não deu detalhes sobre suas nacionalidades.
Segundo a fonte, a Procuradoria-Geral da República (PGR) será a responsável por divulgar os relatórios das investigações.
Nesta quinta-feira, oito diplomatas do Brasil, El Salvador, Honduras e Equador - países dos quais seriam os mortos - chegaram a Tamaulipas para acompanhar os trabalhos de identificação dos 72 imigrantes assassinados, informou hoje o governo mexicano.
O Brasil está representado pelo cônsul-geral brasileiro no México, Márcio Araújo Lage, e o vice-cônsul, João Batist Zaidan Fernandes.
A polícia acredita que os imigrantes foram mortos por traficantes do cartel Los Zetas após se negarem a trabalhar como matadores de aluguel para os criminosos. A única testemunha do crime é o equatoriano Luis Freddy Lala Pomavilla, que sobreviveu à chacina e entrou em contato com as autoridades.
Devido às informações da testemunha, que foi baleada na garganta e está internada, forças da Marinha do México seguiram na terça-feira para a comunidade de San Fernando, em Tamaulipas, onde um confronto armado terminou com as mortes de um militar e três suspeitos.
Depois do tiroteio, as autoridades encontraram em um rancho próximo os cadáveres de 72 pessoas, 58 homens e 14 mulheres.
Calcula-se que, a cada ano, quase 300 mil imigrantes ilegais cruzam a fronteira sul do México com a intenção de chegar aos EUA.Muitos deles são vítimas de extorsão, roubo, estupro e sequestro.
postado por Evaldo Torres * Fonte : Estadão em 27-08-2010
Comentários
(1)
Rapidinhas
Falta de espaço na propaganda abre crise com candidatos do PT
Postulantes a vaga de deputado defendem estratégia diferente
DANIELA LIMA
da FSP
A decisão de utilizar o espaço de candidatos a deputado federal e estadual na propaganda eleitoral para pedir votos na legenda abriu uma crise no PT de São Paulo.
A direção estadual do partido tem recebido uma série de reclamações de petistas que disputam cadeiras no parlamento, inconformados com a perda de espaço. Por isso, decide hoje se mantém ou modifica a estratégia no programa do partido.
No último dia 3 de agosto a Folha publicou que a Executiva da sigla no Estado havia decidido, por unanimidade, utilizar o tempo de propaganda dos candidatos a deputado para divulgar o número da legenda e de quebra ampliar a aparição de Aloizio Mercadante, candidato do partido ao governo do Estado, no horário eleitoral.
Mas, após o início da propaganda, os candidatos a deputado pelo PT começaram a reclamar. Segundo eles, a exposição de postulantes a vagas na Câmara e na Assembleia de outros partidos que fazem parte da coligação ameaça a eleição dos petistas, que perderam o espaço no horário eleitoral.
O fato de a Justiça Eleitoral ter punido Mercadante por considerar que ele invadiu o bloco destinado à propaganda de candidatos a deputado agravou a crise.
Edinho Silva, presidente do PT-SP e principal fiador da estratégia vigente, encomendou pesquisa qualitativa para avaliar o desempenho do modelo atual da propaganda eleitoral.
Os dados foram colhidos anteontem e devem ser apresentados hoje.
Edinho conta com o apoio de nomes tradicionais do partido. "Acho que vale mais pedir o voto na legenda do que ficar com 10 segundos para cada candidato. Melhor divulgar o partido", disse o líder do PT na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza, que disputa a reeleição.
O PT, no entanto, já recuperou as gravações feitas com os candidatos antes do início do horário eleitoral. Se decidir por modificar a estratégia, poderá começar a exibir já nesta sexta-feira os seus candidatos.
Aprovação a Lula chega a 79% e atinge novo recorde
Nota média do presidente continua 8,1; avaliação é melhor no Nordeste
O desempenho do petista também é mais bem avaliado entre aqueles que têm menos escolaridade
da FSP
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a bater um recorde de popularidade e agora seu governo é aprovado por 79% dos eleitores brasileiros, segundo pesquisa Datafolha realizada nos dias 23 e 24, com 10.948 entrevistas em todo o país.
A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Antes da atual pesquisa, o máximo de aprovação a Lula era de 78%, registrado em pesquisa dos dias 30 de junho e 1º de julho últimos.
No levantamento anterior, realizado nos dias 9 a 12 deste mês, o governo do petista teve 77% de aprovação.
Desde dezembro sua taxa de "bom/ótimo" está acima de 70%. Segundo o Datafolha, hoje 17% consideram a administração federal do PT "regular". Para outros 4% o governo é "ruim/péssimo".
Embora as variações da taxa de aprovação tenham sido dentro da margem de erro da pesquisa Datafolha, Lula é o primeiro presidente da República a alcançar esse percentual de popularidade nas pesquisas do instituto.
O Datafolha pesquisou a avaliação de todos os presidentes eleitos pelo voto direto depois da ditadura militar (1964-1985). Fernando Collor (1990-1992) teve uma popularidade máxima de 36%. Fernando Henrique Cardoso (1995-2001) chegou a 47%.
Apesar do recorde de popularidade, a nota média atribuída ao presidente não mudou. Era 8,1 no início do mês e ficou estável.
Para 81% dos eleitores brasileiros, Lula merece notas iguais ou superiores a 7, sendo que 33% citam a nota máxima, dez. Só 2% dos entrevistados dão zero.
Lula vai melhor entre eleitores de Dilma Rousseff (8,9), habitantes do Nordeste (8,7), os pernambucanos (8,9) e os que têm nível fundamental de escolaridade (8,6) e renda familiar de até dois salários mínimos (8,5). (FR)
Petista diz que poderia ter feito "emendinha" para esticar mandato
Presidente, no entanto, sempre negou a possibilidade de haver terceiro mandato
DE BRASÍLIA
O presidente Lula disse ontem, durante evento com militares, que poderia ter enviado "uma emendinha" para ganhar "mais uns anos" de mandato.
Em discurso, Lula disse, olhando para o ministro da Defesa, Nelson Jobim: "Você poderia, junto com essa emenda complementar [que cria cargos para a pasta, leia mais na pág. A13], ter mandado uma emendinha para mais uns anos de mandato".
Lula, porém, sempre negou essa possibilidade. "Embora esteja no final do mandato, eu sinceramente saio da Presidência mais gratificado", concluiu.
Em julho do ano passado, a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania) da Câmara seguiu o parecer do relator José Genoino (PT-SP) e rejeitou a admissibilidade constitucional da PEC, de autoria do deputado Jackson Barreto (PMDB-SE), que previa um terceiro mandato.
No parecer, Genoino sustentara que a PEC era "casuística" e "fulminada de inconstitucionalidade".
Na época, Lula comentou a proposta, dizendo que a alternância no poder é fundamental para a democracia. "Quando fui eleito pela segunda vez, não havia a possibilidade de terceiro mandato e eu não concordo em mudar as regras no meio do jogo. Seria puro casuísmo", afirmou Lula em julho de 2009.
Lula ainda disse que, apesar das criticas que sofreu quando decidiu comprar um avião para viajar pelo mundo, o Aerolula, se arrependeu de não ter comprado uma aeronave maior -ou então duas.
* (SIMONE IGLESIAS)
ELIANE CANTANHÊDE da FSP
Não sobra pedra sobre pedra
BRASÍLIA - Se bobear, a oposição pode perder a eleição presidencial em todos ou em quase todos os Estados e no Distrito Federal. Além de disparar no Nordeste e no Norte, como previsto, Dilma Rousseff cresce em todas as regiões e já surpreende no Paraná, em Santa Catarina e até mesmo em São Paulo, a principal base tucana no país.
Isso será devastador para a oposição, que se esfalfa para conter a força de Lula e da economia e manter os governos de São Paulo e do Paraná no primeiro turno, além de reverter o quadro em Minas.
Aécio Neves gosta de viver perigosamente. Apostou em candidatos inicialmente inexpressivos tanto para a Prefeitura de Belo Horizonte em 2008 como para o Palácio da Liberdade em 2010. Fez um e tem boas chances de repetir a façanha agora com o outro -Antônio Anastasia, homem-forte do seu governo.
Se eleger Anastasia contra o PMDB e o PT juntos, Aécio estará se qualificando como principal líder da oposição ao lado de Alckmin, já que Serra estará saindo da pior derrota do PSDB desde 1994 e Beto Richa é de um Estado fora do eixo político. E aí está a grande indagação: que oposição Aécio fará?
Analisando a escola, a biografia, o temperamento e até o Estado de Aécio, não convém apostar que ele fará oposição com letra maiúscula, aquela oposição que o PT soube fazer como nada e ninguém e que o DEM até tentou, mas não colou. O mais provável é que Aécio venha a se compor não apenas com o governo Dilma mas principalmente com o grande líder: Lula.
Ele tem meio caminho andado, pois conversa com naturalidade com Lula e já fez todo o ensaio de aproximação com o PT na aliança de 2008 com Fernando Pimentel -que hoje, ora, ora, está na coordenação da campanha de Dilma.
Confirmadas uma vitória acachapante de Dilma e a ascensão de Aécio no PSDB, teremos... um país praticamente sem oposição.
postado por em 26-08-2010
Comentários
(5)
ANTERIOR
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
33
34
35
36
37
38
39
40
41
42
43
44
45
46
47
48
49
50
51
52
53
54
55
56
57
58
59
60
61
62
63
64
65
66
67
68
69
70
71
72
73
74
75
76
77
78
79
80
81
82
83
84
85
86
87
88
89
90
91
92
93
94
95
96
97
98
99
100
101
102
103
104
105
106
107
108
109
110
111
112
113
114
115
116
117
118
119
120
121
122
123
124
125
126
127
128
129
130
131
132
133
134
135
136
137
138
139
140
141
142
143
144
145
146
147
148
149
150
151
152
153
154
155
156
157
158
159
160
161
162
163
164
165
166
167
168
169
170
171
172
173
174
175
176
177
178
179
180
181
182
183
184
185
186
187
188
189
190
191
192
193
194
195
196
197
198
199
200
201
202
203
204
205
206
207
208
209
210
211
212
213
214
215
216
217
218
219
220
221
222
223
224
225
226
227
228
229
230
231
232
233
234
235
236
237
238
239
240
241
242
243
244
245
246
247
248
249
250
251
252
253
254
255
256
257
258
259
260
261
262
263
264
265
266
267
268
269
270
271
272
273
274
275
276
277
278
279
280
281
282
283
284
285
286
287
288
289
290
291
292
293
294
295
296
297
298
299
300
301
302
303
304
305
306
307
308
309
310
311
312
313
314
315
316
317
318
319
320
321
322
323
324
325
326
327
328
329
330
331
332
333
334
335
336
337
338
339
340
341
342
343
344
345
346
347
348
349
350
351
352
353
354
355
356
357
358
359
360
361
362
363
364
365
366
367
368
369
370
371
372
373
374
375
376
377
378
379
380
381
382
383
384
385
386
387
388
389
390
391
392
393
394
395
396
397
398
399
400
401
402
403
404
405
406
407
408
409
410
411
412
413
414
415
416
417
418
419
420
421
422
423
424
425
426
427
428
429
430
431
432
433
434
435
436
437
438
439
440
441
442
443
444
445
446
447
448
449
450
451
452
453
454
455
456
457
458
459
460
461
462
463
464
465
466
467
468
469
470
471
472
473
474
475
476
477
478
479
480
481
482
483
484
485
486
487
488
489
490
491
492
493
494
495
496
497
498
499
500
501
502
503
504
505
506
507
508
509
510
511
512
513
514
515
516
517
518
519
520
521
522
523
524
525
526
527
528
529
530
531
532
533
534
535
536
537
538
539
540
541
542
543
544
545
546
547
548
549
550
551
552
553
554
555
556
557
558
559
560
561
562
563
564
565
566
567
568
569
570
571
572
573
574
575
576
577
578
579
580
581
582
583
584
585
586
587
588
589
590
591
592
593
594
595
596
597
598
599
600
601
602
603
604
605
606
607
608
609
610
611
612
613
614
615
616
617
618
619
620
621
622
623
624
625
626
627
628
629
630
631
632
633
634
635
636
637
638
639
640
641
642
643
644
645
646
647
648
649
650
651
652
653
654
655
656
657
658
659
660
661
662
663
664
665
666
667
668
669
670
671
672
673
674
675
676
677
678
679
680
681
682
683
684
685
686
687
688
689
690
691
692
693
694
695
696
697
698
699
700
701
702
703
704
705
706
707
708
709
710
711
712
713
714
715
716
717
718
719
720
721
722
723
724
725
726
727
728
729
730
731
732
733
734
735
736
737
738
739
740
741
742
743
744
745
746
747
748
749
750
751
752
753
754
755
756
757
758
759
760
761
762
763
764
765
766
767
768
769
770
771
772
773
774
775
776
777
778
779
780
781
782
783
784
785
786
787
788
789
790
791
792
793
794
795
796
797
798
799
800
801
802
803
804
805
806
807
808
809
810
811
812
813
814
815
816
817
818
819
820
821
822
823
824
825
826
827
828
829
830
831
832
833
834
835
836
837
838
839
840
841
842
843
844
845
846
847
848
849
850
851
852
853
854
855
856
857
858
859
860
861
862
863
864
865
866
867
868
869
870
871
872
873
874
875
876
877
878
879
880
881
882
883
884
885
886
887
888
889
890
891
892
893
894
895
896
897
898
899
900
901
902
903
904
905
906
907
908
909
910
911
912
913
914
915
916
917
918
919
920
921
922
923
924
925
926
927
928
929
930
931
932
933
934
935
936
937
938
939
940
941
942
943
944
945
946
947
948
949
950
951
952
953
954
955
956
957
958
959
960
961
962
963
964
965
966
967
968
969
970
971
972
973
974
975
976
977
978
979
980
981
982
983
984
985
986
987
988
989
990
991
992
993
994
995
996
997
998
999
1000
1001
1002
1003
1004
1005
1006
1007
1008
1009
1010
1011
1012
1013
1014
1015
1016
1017
1018
1019
1020
1021
1022
1023
1024
1025
1026
1027
1028
1029
1030
1031
1032
1033
1034
1035
1036
1037
1038
1039
1040
1041
1042
1043
1044
1045
1046
1047
1048
1049
1050
1051
1052
1053
1054
1055
1056
1057
1058
1059
1060
1061
1062
1063
1064
1065
1066
1067
1068
1069
1070
1071
1072
1073
1074
1075
1076
1077
1078
1079
1080
1081
1082
1083
1084
1085
1086
1087
1088
1089
1090
1091
1092
1093
1094
1095
1096
1097
1098
1099
1100
1101
1102
1103
1104
1105
1106
1107
1108
1109
1110
1111
1112
1113
1114
1115
1116
1117
1118
1119
1120
1121
1122
1123
1124
1125
1126
1127
1128
1129
1130
1131
1132
1133
1134
1135
1136
1137
1138
1139
1140
1141
1142
1143
1144
1145
1146
1147
1148
1149
1150
1151
1152
1153
1154
1155
1156
1157
1158
1159
1160
1161
1162
1163
1164
1165
1166
1167
1168
1169
1170
1171
1172
1173
1174
1175
1176
1177
1178
1179
1180
1181
1182
1183
1184
1185
1186
1187
1188
1189
1190
1191
1192
1193
1194
1195
1196
1197
1198
1199
1200
1201
1202
1203
1204
1205
1206
1207
1208
1209
1210
1211
1212
1213
1214
1215
1216
1217
1218
1219
1220
1221
1222
1223
1224
1225
1226
1227
1228
1229
1230
1231
1232
1233
1234
1235
1236
1237
1238
1239
1240
1241
1242
1243
1244
1245
1246
1247
1248
1249
1250
1251
1252
1253
1254
1255
1256
1257
1258
1259
1260
1261
1262
1263
1264
1265
1266
1267
1268
1269
1270
1271
1272
1273
1274
1275
1276
1277
1278
1279
1280
1281
1282
1283
1284
1285
1286
1287
1288
1289
1290
1291
1292
1293
1294
1295
1296
1297
1298
1299
1300
1301
1302
1303
1304
1305
1306
1307
1308
1309
1310
1311
1312
1313
1314
1315
1316
1317
1318
1319
1320
1321
1322
1323
1324
1325
1326
1327
1328
1329
1330
1331
1332
1333
1334
1335
1336
1337
1338
1339
1340
1341
1342
1343
1344
1345
1346
1347
1348
1349
1350
1351
1352
1353
1354
1355
1356
1357
1358
1359
1360
1361
1362
1363
1364
1365
1366
1367
1368
1369
1370
1371
1372
1373
1374
1375
1376
1377
1378
1379
1380
1381
1382
1383
1384
1385
1386
1387
1388
1389
1390
1391
1392
1393
1394
1395
1396
1397
1398
1399
1400
1401
1402
1403
1404
1405
1406
1407
1408
1409
1410
1411
1412
1413
1414
1415
1416
1417
1418
1419
1420
1421
1422
1423
1424
1425
1426
1427
1428
1429
1430
1431
1432
1433
1434
1435
1436
1437
1438
1439
1440
1441
1442
1443
1444
1445
1446
1447
1448
1449
1450
1451
1452
1453
1454
1455
1456
1457
1458
1459
1460
1461
1462
1463
1464
1465
1466
1467
1468
1469
1470
1471
1472
1473
1474
1475
1476
1477
1478
1479
1480
1481
1482
1483
1484
1485
1486
1487
1488
1489
1490
1491
1492
1493
1494
1495
1496
1497
1498
1499
1500
1501
1502
1503
1504
1505
1506
1507
1508
1509
1510
1511
1512
1513
1514
1515
1516
1517
1518
1519
1520
1521
1522
1523
1524
1525
1526
1527
1528
1529
1530
1531
1532
1533
1534
1535
1536
1537
1538
1539
1540
1541
1542
1543
1544
1545
1546
1547
1548
1549
1550
1551
1552
1553
1554
1555
1556
1557
1558
1559
1560
1561
1562
1563
1564
1565
1566
1567
1568
1569
1570
1571
1572
1573
1574
PRÓXIMA
|