Evaldo Augusto Torres Alves /editor
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Política

Confundindo o público e o privado
Confundindo o público e o privado

NOTAS & INFORMAÇÕES
do Estadão

Senadores estão usando dinheiro do contribuinte para suas campanhas eleitorais. Cerca de 1.100 funcionários de gabinetes, pagos pelo Senado, estão em atividade nos Estados, nos escritórios políticos de candidatos. Dos 53 senadores em busca de votos, 33 ampliaram o quadro de servidores de confiança entre julho de 2009 e julho deste ano e a maior parte desse pessoal foi mandada para fora de Brasília, para trabalhar junto às bases. Quem não contratou mais pessoal também transferiu servidores. Assim, senadores e outros políticos já dispõem, na prática, de financiamento público de campanha, embora por vias tortas. Essa distorção é possível porque os parlamentares não observam uma clara distinção entre suas funções públicas e seus interesses particulares.

Como as normas deixam espaço para a confusão, recursos do Tesouro acabam sendo usados pelos políticos tanto para o trabalho institucional quanto para os objetivos estritamente pessoais e partidários. Só em julho, segundo reportagem publicada no Estado, 53 assessores foram realocados para os "escritórios de apoio" de vários senadores, incluídos os candidatos Marcelo Crivella (PRB-RJ), Renan Calheiros (PMDB-AL), Heráclito Fortes (DEM-PI), Marconi Perillo (PSDB-GO) e Paulo Paim (PT-RS). Desde fevereiro, 175 foram transferidos.

Dois senadores por São Paulo, Aloizio Mercadante (PT) e Romeu Tuma (PTB), estão usando o trabalho de servidores do Senado em seus escritórios na capital paulista. Mercadante alega usar somente o serviço de um motorista de confiança, com ele há 20 anos, mas o jornal tem recebido material de campanha enviado por sua assessora de imprensa paga pelo Senado. O argumento da acumulação de funções parlamentares e da atividade de campanha é geralmente usado pelos candidatos.

A separação entre os campos talvez seja difícil em algumas circunstâncias, mas a diferença entre a função institucional e o trabalho político-eleitoral, incluída a maior parte dos contatos com as bases, não envolve nenhum mistério. Parlamentares federais e estaduais misturam as duas atividades não só quando transferem servidores para ajudar em campanhas. A promiscuidade é parte do dia a dia, ao longo de todo o mandato.

Escritórios políticos são mantidos nas cidades de origem, com verbas pagas como compensação por despesas no exercício da atividade parlamentar. O contribuinte custeia, portanto, funcionários, imóveis e meios de transporte usados para o atendimento de interesses privados.

É preciso insistir neste ponto, nem sempre lembrado pelos cidadãos: o cidadão só é agente público no exercício de uma função institucional. Isso vale para o parlamentar. Quando um senador ou deputado vai ao Butão em missão oficial, cabe ao Senado, isto é, ao Tesouro, custear as despesas de sua viagem. Quando ele sai a passeio ou para visitar sua base eleitoral, sua atividade é particular. Essa distinção foi esquecida, ou desprezada, quando parlamentares gastaram passagens de avião para turismo ? até no exterior ? ou para beneficiar parentes e amigos. Houve escândalo quando alguns críticos decidiram discutir o assunto.

A imprensa divulgou histórias assustadoras, parlamentares apresentaram justificativas grotescas e houve no Congresso um ensaio de moralização. Mas uma confusão semelhante ocorre no dia a dia, quando o político usa recursos públicos para servir a seus interesses partidários e eleitorais. Por definição, partidos são entes privados de direito público. É preciso prestar atenção aos dois adjetivos ? privado e público ? presentes nessa caracterização. A mesma qualificação vale para os detentores de funções nos órgãos da República.

Quem disputa uma eleição age em nome pessoal ou de um grupo, mas, em qualquer caso, representa interesses particulares ? de um indivíduo, de um sindicato, de um movimento ideológico, de um setor de atividade e, naturalmente, de um partido. A disputa eleitoral ocorre no espaço público e segundo regras públicas, mas os concorrentes são privados. Ao desprezar essa distinção, senadores e outros políticos privatizam bens públicos, apropriando-se de recursos bancados pelo contribuinte para outras finalidades. O eleitor é espoliado antes da posse dos eleitos.

Comentários:
por: Ex-Blog do Cesar Maia
VENEZUELA: ESTATIZAÇÃO DA IMPORTAÇÃO DE ALIMENTOS E PREJUÍZO DE US$ 9 BILHÕES!

1. Neste momento, o grande escândalo na Venezuela está no até agora misterioso desaparecimento de US$ 9 bilhões na compra de alimentos. Isso vem concorrendo para abalar ainda mais o prestigio popular de Chávez, já afetado pela inflação (mais de 30% de estimativa para este ano), pela escassez de energia elétrica e pela violação de direitos humanos fundamentais.

2. Tudo ocorreu porque o Estado resolveu substituir o empresário particular na aquisição de alimentos básicos, tanto internamente, quanto no exterior. Assim, ocorreram desvios por corrupção. Além disso, os alimentos comprados no estrangeiro estavam quase vencidos e, por isso, representaram uma "economia" para o Estado num primeiro tempo; mas esses alimentos não foram retirados dos portos em tempo e apodreceram.

3. A Venezuela vive a campanha para as eleições parlamentares de 26 de setembro e a oposição disseca mais esse escândalo.
por: helena
Painel da Folha

Versão paulista Tucanos andam torcendo o nariz para o "plus a mais" que seu candidato ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, tem repetido em entrevistas. A crítica não é nem tanto pelo erro na expressão, mas porque soa como paródia do "pode mais" de Serra.
por: PERCIVAL MARICATO
O Pensamento Nacional das Bases Empresariais (PNBE) vem a público manifestar-se terminantemente contra a construção de um novo estádio na cidade de São Paulo com recursos dos governos. Gastar dinheiro público com algo evidentemente supérfluo é um crime contra a sociedade e, especialmente, contra centenas de milhares de cidadãos que não têm moradia, saneamento básico, saúde e educação de qualidade, hospitais, etc. Mesmo um empreendimento privado seria um desperdício, pois temos estádios como o Morumbi, que serve para jogos de futebol e eventos perfeitamente bem. Estranho e temerário o tremendo poder que a entidade mundial do setor adquiriu, a ponto de impor aos países onde jogam seleções exigências tão rigorosas na construção de estádios, isenção de impostos para os jogos da Copa e atividades correlatas, alto preço para o uso de imagens dos jogos, até por simples botequins, entre outros absurdos. A Fifa apropriou-se - e o usa em seu benefício - de um esporte que quase to dos os povos do mundo contribuíram para tornar tão popular, privatizou a paixão pelo futebol. Tendo em vista que estamos num país ainda carente de serviços básicos para a população, posicionamo-nos contra um novo estádio, respaldando a posição do governador do Estado, pelo respeito ao erário e às prioridades sociais para uso dos recursos.
PERCIVAL MARICATO

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