Política
Rapidinhas
Serra diz que fuga de debates é 'física e de ideias'
CAROLINA FREITAS
do Estadão
O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, disse hoje ver uma "fuga do debate" na disputa eleitoral deste ano. Em uma referência indireta à sua adversária Dilma Rousseff, do PT, o tucano afirmou: "Há uma fuga do debate não apenas física, mas também de ideias." Dilma tem recusado convites para debates em veículos de comunicação.
Segundo Serra, está "difícil" debater temas de governo. "Não se debatem temas. Hoje tem um mecanismo que é uma central de boatos, que espalha coisas, e uma atitude de ofendido quando você diz alguma coisa que todo mundo sabe que é verdade", afirmou, após ser sabatinado na Rede Record, em São Paulo.
Serra voltou a classificar-se como um político de esquerda, em resposta a petistas que o chamaram de integrante da "direita troglodita". "Uma coisa é certa: quem se acha de esquerda tem de ser defensor irrestrito dos direitos humanos. Eu não teria confiado no Ahmadinejad", disse, em referência ao presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que recebeu apoio do governo brasileiro diante da comunidade internacional.
Apesar da polêmica em torno do rótulo de "direita", Serra disse não se incomodar com ele. "Não incomoda nem ''desincomoda''. É apenas gente que não tem o que dizer, é de direita e inventa factoides." O tucano lembrou ainda dos componentes do que tem chamado de "tripé maldito" da economia para distinguir a direita e a esquerda. "Defender o maior juro real do mundo não é ser de esquerda, defender a menor taxa de investimento governamental do mundo não é ser de esquerda, defender a maior carga tributária do mundo em desenvolvimento também não é ser de esquerda."
Sem-terra
Crítico do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Serra disse que em um eventual governo tucano faria novos assentamentos e atuaria para aumentar a produtividade dos que já existem. "Hoje você tem muitos assentamentos cujos proprietários vivem de cesta básica." Questionado sobre como trataria o MST caso se eleja presidente, o candidato respondeu: "Como um movimento político que tem toda a liberdade para expor suas ideias e para se organizar. Agora, eu não vou subsidiar com recurso dos contribuintes, como é feito hoje."
ELIANE CANTANHÊDE
da FSP
Força e desequilíbrio
BRASÍLIA - Álvaro Uribe passa o governo da Colômbia no próximo dia 7 para seu sucessor, Juan Manuel Santos, e esperou os últimos dias de mandato para dizer ao presidente Lula poucas e boas engasgadas na sua garganta contra a posição enviesada do Brasil no conflito entre Colômbia e Venezuela, entre Uribe e Hugo Chávez, entre direita e esquerda do continente.
Ao tentar minimizar a crise entre os dois países, Lula a reduziu a um "conflito verbal". Uribe reagiu "deplorando" essa posição, pois o que conta é "a ameaça que a presença de terroristas das Farc representa para a Colômbia e o continente".
Foi uma cacetada no Brasil, que toma partido no conflito, a ponto de Lula falar com Chávez e não com Uribe quando, de um lado, a Colômbia mostrou o que seriam provas documentais de que a Venezuela abriga narcoguerrilheiros colombianos e, de outro, a Venezuela rompeu relações com o vizinho.
Ok. A Colômbia é dependente dos EUA, botou tropas americanas dentro do continente e acobertou paramilitares criminosos. Mas a Venezuela não é uma maravilha nos quesitos democracia, economia e área social. O governo Lula deveria ter sido mais equilibrado e menos ideológico na relação com duas nações vizinhas e amigas do Brasil.
Venezuela e Colômbia têm uma fronteira de 2.200 quilômetros, e o comércio bilateral é decisivo para ambas. Exemplo: o segundo destino das exportações colombianas é a Venezuela, só atrás dos EUA. Com o bloqueio comercial, o total de vendas caiu de cerca de US$ 8 bilhões em 2008 para a expectativa de apenas US$ 2 bilhões no final deste ano. Assim, o desemprego na Colômbia bate em 14%.
Venezuela e Colômbia têm uma dependência mútua, como Santos, o presidente eleito, compreende bem. Basta empurrar um para o outro, o que o Brasil tem força de sobra para fazer. Ou teria, se não tivesse optado por um dos lados e desperdiçado toda essa força
FERNANDO DE BARROS E SILVA
da FSP
Educação e demagogia
SÃO PAULO - O candidato petista ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, precisa esclarecer melhor suas propostas para a educação: se eleito, pretende ou não acabar com o sistema de progressão continuada no ensino público?
Na sabatina realizada pela Folha, o senador foi enfático: "Vamos acabar imediatamente com a aprovação automática. Vai ter avaliação". Questionado se isso significava o fim da progressão continuada (que não reprova o aluno ano a ano, mas ao final de um ciclo), tergiversou: "Avaliar não é para reprovar. O que acontece na aprovação automática? Você finge que não reprovou, mas a vida vai reprovar". A frase de efeito é boa, mas a pergunta ficou sem resposta.
Quem implantou o sistema de progressão continuada em São Paulo foi o educador Paulo Freire, insuspeito de "tucanismo", quando secretário de Luiza Erundina. Mário Covas adotou o modelo no Estado em 1995. O desafio daquela época era, fundamentalmente, colocar (e manter) a criança na escola. As taxas de repetência e de evasão escolar eram alarmantes.
Hoje, ao menos no ensino fundamental, as crianças estão na escola. O que é um avanço. Mas a escola é ruim e as crianças aprendem pouco. O que é um problema sério. Os tucanos, há 16 anos no poder, têm óbvia responsabilidade sobre isso.
A "culpa", no entanto, não é da progressão continuada. Reprovar mais não é sinônimo de elevar o nível do ensino. Pode, dizem especialistas, significar o contrário. Estudos mostram que o aluno repetente aprende menos, e não mais que seus colegas; que a reprovação pode ser fator de "deseducação", além de estímulo à exclusão social.
Cerca de 85% dos alunos do ensino fundamental e médio do Estado (mais de 4 milhões de pessoas) estão na rede pública. A escola privada (o nosso mundinho de elite) forma 15% dos jovens. O desafio é imenso. Menos empáfia tucana e menos demagogia petista seriam um bom ponto de partida para SP.
Aécio e Anastasia escondem Serra em material de campanha
RODRIGO VIZEU
da FSP
O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, tem aparecido de forma tímida no material de campanha do ex-governador Aécio Neves e do governador Antonio Anastasia, seus aliados tucanos em Minas Gerais.
A reportagem pediu cartazes, adesivos e santinhos em quatro comitês da campanha de Anastasia em Belo Horizonte. Em três deles, nada existia com a foto de Serra.
No último deles, só após pedido específico de algo com o candidato presidencial, foram entregues adesivos com o rosto de Serra -acompanhado apenas dos nomes dos tucanos mineiros.
Além do "Serra solitário", único material obtido com a imagem do candidato, foram pegos outros dez modelos diferentes da campanha de Anastasia. Apenas cinco deles tinham Serra, mas só o nome dele nos cantos e em tamanho reduzido.
Os materiais mais populares nas ruas de BH são os adesivos só com Anastasia, candidato à reeleição, ou dele acompanhado apenas de Aécio e Itamar Franco (PPS), candidatos ao Senado.
DILMA
A situação contrasta com a farta exposição de Dilma Rousseff (PT) no material de campanha de Hélio Costa (PMDB) ao governo mineiro.
No comitê do peemedebista, a reportagem obteve seis tipos de impressos, todos com referências a Dilma -quatro deles com a imagem da petista acompanhada de seus aliados mineiros. Há ainda distribuição de material produzido pela campanha nacional do PT.
Anteontem, em visita a BH, Serra disse não considerar "grave" sua menor exposição. "É uma coisa que se corrige com enorme facilidade", disse. Ele disse ver "pleno empenho" de Aécio em sua campanha presidencial.
A campanha de Aécio e Anastasia informou que produz até 20% do material sem Serra para atender aos partidos da coligação que não apoiam o tucano para presidente, como PR, PDT e PSB.
postado por em 30-07-2010
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Troca nos Correios foi feita para tentar blindar D
Troca nos Correios foi feita para tentar blindar Dilma
Receio era que crise na estatal fosse explorada pela oposição na campanha
PMDB não participou do processo, coordenado pelos ministros Erenice Guerra, Paulo Bernardo e Alexandre Padilha
ANDREZA MATAIS/LEILA COIMBRA /LETÍCIA SANDER
da FSP
O governo decidiu trocar o comando dos Correios num esforço para evitar que a crise na estatal contamine a campanha eleitoral na reta final e seja usada pela oposição, principalmente na propaganda de TV, contra a candidata petista Dilma Rousseff.
A demissão de Carlos Henrique Custódio da presidência da empresa foi publicada ontem no "Diário Oficial da União". David José de Matos tomou posse no seu lugar. Pedro Magalhães, diretor de gestão de pessoas, deve ser exonerado hoje.
Custódio foi demitido anteontem momentos depois de ter participado de uma cerimônia com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O tucano José Serra já explorou os problemas da estatal na campanha. "Você coloca lá uma direção que não tem nada a ver e os Correios desandam", disse ele, em visita ao Tocantins, na terça.
Entre os problemas enfrentados pela empresa estão: atraso na entrega de correspondência, na realização de concurso público e nas licitações para franquias.
Em novembro acaba o prazo para que a estatal faça licitações -1.400 agências podem fechar. Franqueados estão descontentes com as condições que o governo colocou no edital para que continuem com as agências.
O site do PSDB tem destacado o tema com a informação de que os Correios fizeram cartilha com dicas para candidatos conquistarem votos, como mostrou a Folha.
A operação para "blindar" Dilma, que seria cobrada pela má gestão nos Correios por se apresentar como gerente do governo Lula, incluiu descartar o PMDB na decisão de demitir o chefe da estatal.
A cúpula do partido no Senado, que controla indicações na estatal, soube pela imprensa da demissão.
A condução do processo foi criticada pelo PMDB no Senado. Há a preocupação de que prejudique a campanha de Hélio Costa (PMDB) ao governo de MG -Custódio foi indicado por Costa.
A Folha apurou que o ministro das Comunicações, José Artur Filardi, foi avisado só no dia pela ministra Erenice Guerra (Casa Civil) que Custódio seria demitido.
Erenice, Paulo Bernardo (Planejamento) e Alexandre Padilha (Relações Institucionais) conduziram o processo. David Matos foi indicado por Erenice, que trabalhou com ele na Eletronorte.
postado por Evaldo Torres * Fonte : Folha de São Paulo em 30-07-2010
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SABATINA FOLHA GERALDO ALCKMIN
SABATINA FOLHA GERALDO ALCKMIN
Alckmin não se compromete a reduzir preço de pedágios
TUCANO DIVERGE DE SERRA E APOIA TREM-BALA
CANDIDATO PROMETE AUMENTO PARA POLICIAIS
ADMINISTRAÇÕES DO PSDB FORAM "UMA MELHOR DO QUE A OUTRA", AFIRMA EX-GOVERNADOR
Líder nas pesquisas de intenções de voto, com chance de vencer a disputa no primeiro turno, o candidato do PSDB ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, não quis se comprometer a reduzir a tarifa dos pedágios.
Em sabatina Folha/UOL realizada ontem, o tucano disse que os contratos serão "analisados", mas defendeu o modelo das concessões paulistas.
Em divergência com José Serra, candidato do partido à Presidência, afirmou ser favorável ao trem-bala. Mas fez coro com o presidenciável ao criticar o PT. "É claro que tem ligação com as Farc", disse.
da FSP
A sabatina com o ex-governador Geraldo Alckmin, realizada no Teatro Folha, foi comandada pelos jornalistas Fernando Canzian, repórter especial da Folha, Denise Chiarato, editora de Cotidiano, Mônica Bergamo, colunista do jornal, e Irineu Machado, editor-executivo do UOL Notícias.
Seu vice, Afif Domingos (DEM), e os candidatos ao Senado em sua chapa, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB) e Orestes Quércia (PMDB), estavam na plateia. O prefeito Gilberto Kassab (DEM), adversário de Alckmin na campanha à Prefeitura em 2008, também compareceu.
Pedágios
A concessão feita em São Paulo é bem-sucedida. Mas acho que a gente tem que ter humildade e ver que as coisas podem ser melhoradas. Se tiver praça de pedágio mal localizada, corrige, ou subsidia a população local. Nós vamos analisar contrato por contrato, verificando se tem margem, mas respeitando contratos. Nós temos algo em torno de R$ 1,3 bilhão para receber [das concessionárias]. Dependendo, você abre mão disso e reduz tarifa. Estamos estudando.
Metrô
O governo federal põe dinheiro no metrô de Porto Alegre, Belo Horizonte, Brasília, Recife, Salvador, financia até o da Venezuela. Aqui em São Paulo não tem um centavo do governo federal. O PT é ótimo para atacar e falar mal dos outros. Mas, na hora de fazer as coisas... O governo federal não tem um centavo, só empréstimo. A prefeitura deles não tem um centavo.
Trem-bala
Tudo que for trem eu sou favorável. Se ele se viabilizar no modelo de participação privada, eu acho ótimo. No que eu puder, como governador, eu vou ajudar.
Aprovação automática
A progressão continuada foi implantada pelo PT, com a prefeita Luiza Erundina. O PT voltou à prefeitura e não mudou. A pedagogia mostra que o fato de você simplesmente reprovar o aluno não vai melhorá-lo. Ele acaba abandonando a escola. O filho do rico, quando não vai bem, tem aula particular. O que adianta reprovar uma criança para criar nela a cultura do fracasso? Vamos dar a mão pra ela. Hoje todos os indicadores mostram que [a educação] está melhorando.
Continuidade
Os governos do PSDB sempre avançaram. Um foi melhor do que o outro, um superou o anterior. E nós vamos fazer mais ainda no futuro. Os princípios e os valores não mudam. Você tem secretários que estão desde o Mario Covas.
Padrinho
Serra fez um governo muito bem avaliado, tem uma aprovação altíssima, é o primeiríssimo colocado em São Paulo. Estamos confiantes na sua campanha. Padrinho ajuda, mas não é suficiente para uma eleição.
Criminalidade
Essa é uma guerra na qual todo dia se deve vencer batalhas. O fato é que reduzimos a criminalidade. Nós tínhamos 55 mil presos e hoje temos 165 mil presos. Nós enfrentamos o crime. Aquilo [ataque em 2006] foi uma reação. Reagiu, o governo enfrenta. Hoje é raro ter rebelião. Fizemos as penitenciárias mais seguras do Brasil.
Policiais
Vamos melhorar [os salários]. Nós vamos subir. O policial trabalha 12 horas por 36 de folga. Ele acaba fazendo bico. Estou estudando juridicamente a possibilidade de nós mesmo contratarmos, remunerá-los. Ele vai ganhar mais, dentro da lei. E nós vamos ter mais 6.000 PMs.
Sistema prisional
O problema não é penitenciária, é cadeia. São Paulo vai ser o primeiro Estado brasileiro a não ter um preso em cadeia. Todos ficarão em centros de detenção provisória, e o delegado vai fazer a sua tarefa de polícia investigativa e judiciária.
Educação
Nós vamos fortalecer a carreira. O que o governo do Estado está corretamente fazendo? Está incorporando as gratificações. Vou fortalecer muito rapidamente os concursos públicos. Eu fiz [quando governador] 70 mil vagas vagas por concurso público e vamos acelerar ao máximo os novos concursos. E [manter] o bônus.
Universidades
O que eu pretendo fazer no futuro é ampliar as engenharias. É hoje o que mais precisa, a parte de tecnologia e as engenharias. Além de expandir, vou criar a Fundação Univesp. Nós vamos ter uma fundação para a universidade virtual. Hoje muita gente pode avançar fazendo cursos de educação a distância.
Copa
São Paulo estará na Copa do Mundo. Vai sediar a Copa. É importante para São Paulo, é importante para a Fifa. A discussão é a abertura da Copa, porque você precisa ter um estádio com 65 mil lugares e nós ainda não temos. Sempre me pareceu mais lógico o Morumbi. É um estádio bom, que seria ampliado. A outra hipótese é o estádio novo. Agora, se eu for governador, não terá recurso público para fazer estádio.
Palmada
Eu tenho minhas dúvidas se isso deve ser matéria de lei. Agora, sou contra a palmada. Nunca levei nem dei uma palmada.
Derrota em 2008
Eleições não se ganham todas. Às vezes a gente aprende mais quando perde do que quando ganha. Quando você ganha, acha que fez tudo certo. Quando perde, você reflete. A população [na campanha de 2008] me via mais como candidato a governador do que como prefeito. Não foi um erro [a candidatura]. Aprendi muito.
Presidência
Meu pai me disse que o futuro trará a sua própria aflição. A gente deve fazer bem feito aquilo que está fazendo hoje. Eu aprendi muito na eleição presidencial. Foi um MBA. O Brasil é um país continental. Aprendi com relação a políticas públicas, diferenças sociais, para ser um governador melhor para SP.
Chuchu
Eu não sou histriônico, não fico sorrindo para aparecer. Aliás, estou sentindo falta... onde anda o Zé Simão [colunista da Folha que deu a Alckmin, em 2006, o apelido "Picolé de chuchu"]? Tá de férias? Férias longas, hein?
postado por Evaldo Torres * Fonte : Folha de São Paulo em 30-07-2010
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Serra rebate Garcia: ‘ele é de direita’
Serra rebate Garcia: ‘ele é de direita’
por André Mascarenhas
do Estadão
O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, voltou a se defender hoje das acusações de que teria abandonado o campo ideológico da esquerda. As declarações, feitas durante sabatina R7/Record News, vêm um dia após o assessor especial da Presidência da República Marco Aurélio Garcia comparar o tucano a um “troglodita de direita”. Para Serra, as acusações são feitas por “gente que é de direita, que não tem nada pra falar e que monta factóides”.
“Troglodita de direita é quem apoia o presidente do Irã, que manda apedrejar mulher adultera”, afirmou o candidato, numa referência às relações do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o mandatário iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. Ao ser questionado sobre as declarações de Garcia, que também é coordenador do programa de governo de Dilma Rousseff, Serra foi direto: “Ele é de direita.”
Em contrapartida, o tucano procurou definir o que é ser de esquerda. “Uma coisa é certa: quem se acha de esquerda tem de ser defensor de direitos humanos. Eu não teria confiado em Ahmadinejad”, afirmou.
Serra aproveitou o tema para criticar a política de juros do governo federal. “Defender o maior juro real do mundo é ser de esquerda?”, questionou, ironicamente.
O tucano também reiterou as críticas de seu vice, Índio da Costa (DEM), que acusou o PT de ligação com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). “O PT errou ao tratar (as Farc) como força política, sendo que é, na verdade, do narcotráfico”, criticou. Serra também negou que sua campanha esteja fazendo “terrorismo eleitoral”, como acusam os adversários. “É o oposto. Eu vivo o tempo inteiro querendo discutir teses”, afirmou. Em seguida, atacou. “Para eles, qualquer coisa que você contrarie é terrorismo.”
Debates
Embora os ataques de Marco Aurélio Garcia tenham permeado boa parte da sabatina, o tucano mostrou contrariedade em continuar no tema. “Eu acho essa discussão direita/esquerda uma bobagem”, disse.
Serra apelou para que o debate eleitoral seja pautado pela discussão de idéias. “Não se debatem temas. Hoje, tem um mecanismo que é uma central de boatos, que espalha coisas”, afirmou. “Há uma fuga do debate não apenas física, mas de ideais”, acrescentou, em referência indireta a Dilma.
O tucano também atacou a política externa do governo Lula, mas negou que suas críticas às relações do governo brasileiro com governos como o do venezuelano Hugo Chávez possam refletir, num eventual governo seu, numa deterioração da posição do País na região. “Você assumir um governo é ter uma política de Estado”, disse Serra ao ser questionado sobre que postura adotaria caso tivesse que sentar em uma mesa de negociações com desafetos da região. Mas não baixou o tom contra o líder venezuelano. “O Chávez é dilmista e o PT é chavista”, alfinetou.
Veja a seguir os principais momentos da sabatina:
18h - Em coletiva após a sabatina, Serra negou que se incomode com o rótulo de candidato de direita. Segundo o candidato, as acusações são feitas a “gente que é de direita e que não tem nada pra falar e que monta factóides”. Serra aproveitou o tema para dizer que a política de juros do governo é dedireita. “Defender o maior juro real do mundo é ser de esquerda?”, questionou, ironicamente.
17h46 – Serra encerra sua participação na sabatina.
17h44 – “Todo mundo quer presidídio. Sabe onde? No município vizinho”, diz Serra ao ser questionado sobre se irá construir mais presídios caso seja eleito. Segundo, ele não foi possível avançar na questão em São Paulo devido às resistências da sociedade e governos locais.
17h42 – Serra critica o programa de governo apresentado pelo PT à Justiça eleitoral, e diz que o seu está em fase de conclusão. “Vamos nos comprometer com metas. O resto é trololó”, afirma.
17h42 – Serra critica o programa de governo apresentado pelo PT à Justiça eleitoral, e diz que o seu está em fase de conclusão. “Vamos nos comprometer com metas. O resto é trololó”, afirma.
17h38 – Serra procura diferenciar as multas eleitorais tomadas pelo PSDB e das do PT. “Essas multas que tem chegado, têm sido multas de estados que expuseram a minha imagem num determinado momento”, diz. “Se foi transgressão, se a justiça determinar, o PSDB paga a multa. Agora, eu quero dizer que não houve uma política deliberada disso.” Para o tucano, há diferença em relação às multas tomadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “As grandes transgressões ocorreram no começo, pelo lado do PT”, afirmou. Após citar um advogado que afirma que “tudo vale a pena quando a multa é pequena”, o tucano concluiu: “Aquele que não segue (a lei) tem uma enorme vantagem, porque a multa é pequena.” Questionado se Luyla estaria transgredindo a lei deliberadamente, Serra foi evasivo: “Eu não sei, mas o fato é que aconteceu.”
17h35 – “Eu sempre disse que não colocaria dinheiro público para a contruir estádio aqui em São Paulo”, diz sobre as previsões de gastos com infraestrutura para a Copa de 2014. Serra defende o investimento em transporte público e na adequação dos entornos dos estádios.
17h31 – Serra critica a reforma da Previdência do governo Lula. Para ele, o aposentado ganha mal e é mal tratado pelo Estado brasileiro. “Tratar melhor é melhorar a aposentadoria”, diz. O candidato propõe a criação de um novo sistema voltado para quem ainda não entrou no mercado de trabalho, com a manutenção do atual para quem já contribui com o INSS.
17h26 – “O salário mínimo vai ser o maior possível”, responde ao ser perguntado sobre como tratará a questão. “Se Deus quiser, vai continuar aumentando no rítimo dos últimos anos”. “Acho que nos próximos anos pode aumentar 50%”.
17h23 – “O Lula também privatizou, sabia?”, provoca ao ser questionado se irá reestatizar alguma empresa privatizada durante o governo Fernando Henrique Cardoso. “Belo Monte é tudo dinheiro do governo, mas o dono é privado”, ataca. “Sabe o que vou fazer? Vou estatizar os Correios, que hoje é de um partido”, completa Serra.
17h21 – Serra rechaça a pecha de que seja um candidato das elites. “Eu não acho que alguém que ganha dez salários mínimos ou que fez universidade seja rico. Eu quero o voto de todos”, afirma. “Sempre dediquei minhas políticas aos desamparados.”
17h18 – “Tem que vincular mais à educação”, diz sobre os programas sociais do governo Lula, como o Bolsa Família.
17h16 – Para Serra, os mensalões do PSDB e do PT são de naturezas diferentes. “Eu conheço o (ex-governador Eduardo) Azeredo, e sei que ele nunca recebeu dinheiro para votar em ninguém”, diz.
17h13 – “Não sou à favor do controle da internet”, diz em resposta à pergunta de um internauta. O candidato defende, entretanto, algum tipo de remuneração para os direitos autorais de artistas que têm suas obras compartilhadas pela rede. “Acho saudabilíssimo”, diz sobre o compartilhamento de arquivos pela internet.
17h05 – “Se o MST fosse de fato à favor da reforma agrária, o Plínio de Arruda Sampaio estaria com eles”, diz Serra, que aproveita para elogiar a “integridade” de seu adversário na corrida à Presidência. “Eles são fisiológicos”, acrescenta, ao ser questionado o que é, para ele, o MST. Serra aproveita para esclarecer declaração feita no início da semana, quando reproduziu tese do dirigente do MST João Pedro Stedile, para quem haverá mais invasões caso Dilma seja eleita presidente. “Dinheiro de governo é para atender interesse público, não é para dar subsídios para movimentos políticos”, afirma.
17h00 – “Quando eu fui ministro da Saúde, expandi em 50 mil os agentes de saúde”, diz Serra ao ser questionado se irá tirar do serviço público servidores que trabalhem bem. “Você tem que empregar onde precisa”, diz. Ele argumenta ter colocado, no alto escalão do ministério da Saúde, dois médicos ligados ao PT. “Eu não faço a menor diferrenciação de procedência partidária se ele for bom para a função”, acrescenta. O tucano acrescenta ainda não ter decidido se irá acabar com algum ministério. “Sei que vou criar dois”, afirma.
16h53 – Os internautas perguntam por que viajar em São Paulo é tão caro e se serra pretende levar para o plano federal a política de concessões do Estado. “O governo federal arrecadou, de 2006 a 2009, R$ 600 bilhões pela Cide, para recuperar estradas. Não usou um terço”, diz sobre a situação das estradas federais. “O loteamento político faz com que não se sigam prioridades”, critica. Segundo o ex-governador paulista, as melhorias nas estradas dependem do estabelecimento de parcerias com a iniciativa privada, o que implica em pedágios. “Nós até mudamos o sistema de concorrência para o de concessões (em São Paulo). Na Ayrton Senna, o valor do pedágio caiu pela metade”.
16h47 – Serra nega que pretenda acabar com a reeleição no País, mas defende a reforma política. E propõe a criação do voto distrital no País. “Qual é a vantagem disso? O eleitor vai controlar aquele em quem ele votou”, disse.
16h44 – Questionado se nacionalizaria a legislação antitabagista do Estado de São Paulo, Serra diz que não vê necessidade, pois acredita tratar-se de uma responsabilidade dos Estados.
16h38 – “Ele é de direita”, diz Serra sobre o assessor da Presidência, Marco Aurélio Garcia. “Eu acho que essa discussão direita/esquerda é uma bobagem”, diz Serra.
16h34 - Serra reitera as críticas de seu vice, Índio da Costa (DEM), que acusou o PT de ligação com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc): “O PT errou ao tratar [as Farc] como força política, sendo que é, na verdade, do narcotráfico”, diz, depois de afirmar que “todo mundo sabe da ligação do PT com as Farc. As Farc são uma força do narcotráfico.” Serra também negou que sua campanha esteja fazendo “terrorismo eleitoral”, como acusam os adversários. “É o oposto. Eu vivo o tempo inteiro querendo discutir teses”, disse. Em seguida, atacou o PT. “Para eles, qualquer coisa que você contrarie é terrorismo.” Segundo o tucano, os adversários recorrem a essas acusações porque “não têm discurso”.
16h28 – Serra volta a criticar a política externa do governo Lula. Ele usa a questão dos presos políticos de Cuba para argumentar que o País não usa sua influência na região para influenciar em questões como a dos direitos humanos. “O Brasil não usou sua influência para resolver essa questão”, afirmou. “Você assumir um governo é ter uma política de Estado”, diz Serra ao ser questionado sobre que postura adotaria caso tivesse que sentar em uma mesa de negociações com desafetos da região, como o presidente venezuelano, Hugo Chávez. “O Chávez é dilmista e o PT é chavista”, acrescentou.
16h25 – Serra rebate as declarações do assessor da Presidência Marco Aurélio Garcia, para quem o tucano “abandonou a esquerda”. “Troglodita de direita é quem apoia o presidente do Irã, que manda apedrejar mulher adultera”, afirma o candidato, numa referência às relações do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o mandatário iraniano, Mahmud Ahmadinejad.
16h23 – Serra usa os dados do Ideb em São Paulo para defender sua gestão à frente do governo. “Educação não é um desafio de partido, não é de governo, é do Estado brasileiro.”
16h16 – “Eu trabalho, 15, 16 horas por dia. Quanto ao horário, eu não sei qual seria. Não tenho problema em virar madrugadas”, diz Serra ao ser perguntado sobre seus hábitos notívagos.
16h14 – Um dos entrevistadores pergunta se Serra se sentiria constrangido em dizer as qualidades de Dilma Rousseff. “Acho que ela é uma mulher que luta”, responde Serra. “Para por aí?”, questiona o jornalista. “O que você quer, que eu faça um tratado sobre a Dilma?”
16h11 – Questionado sobre o compromisso, firmado em 2004, de se manter na prefeitura, Serra brinca: “Agora ninguém precisa se preocupar porque, se eu ganhar, não vou deixar a Presidência para concorrer a secretário da ONU.”
16h09 – A sabatina começa com a apresentação de reportagem com o currículo
postado por Evaldo Torres * Fonte : Estadão em 30-07-2010
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Controle de qualidade
Controle de qualidade
Dora Kramer
do Estadão
Todo o mundo fala de ficha limpa, ficha suja, a vida pregressa dos candidatos a deputado e senador caiu na boca do público e no momento está nas mãos dos tribunais regionais eleitorais decidir sobre o destino de cerca de 3 mil pedidos de impugnação.
Em seguida será a vez de o Tribunal Superior Eleitoral examinar os recursos e logo o Supremo Tribunal Federal será chamado a se pronunciar sobre a constitucionalidade da lei de iniciativa popular aprovada pelo Congresso em maio, impondo como pré-requisito de elegibilidade a inexistência de sentenças condenatórias por tribunais.
Quem em algum momento renunciou a mandato eletivo para escapar das punições legais e, assim, preservar os direitos políticos também fica inelegível.
Uma mudança e tanto nos meios e nos modos da política.
Se a lei for considerada constitucional – e tudo leva a crer que será, pois dos 11 [ministros do STF] 4 já se pronunciaram a favor –, o Brasil terá dado início a uma reforma “de base” na política. Ou seja, de dentro para fora [do Congresso] e de baixo para cima.
Ainda que a Justiça venha a demorar, o presidente do TSE, Ricardo Lewandowski, já alertou para a possibilidade de alguns perderem tempo e dinheiro insistindo em concorrer, pois mesmo eleitos os irregulares poderiam ficar sem os mandatos.
Não se trata de algo trivial, bem como não é corriqueira a mobilização de organizações não governamentais e de entidades civis, como a Ordem dos Advogados e associações de magistrados na vigilância aos pretendentes a representantes populares no Poder Legislativo.
É o controle de qualidade possível.
A partir dele pode começar a acontecer uma transformação até de mentalidade. Firma-se o princípio de que gente suspeita não pode representar a população na Câmara e no Senado.
Há um consenso de que o eleitor deve fazer a sua parte na hora da escolha do candidato. É verdade, mas de qual eleitor falamos?
Por enquanto daquele bem informado, engajado e que acompanhou os lances da aprovação da lei.
O chamado “público em geral” é despertado para os temas que estão na pauta das candidaturas presidenciais, elas é que puxam o debate.
Só que os candidatos a presidente da República não parecem preocupados com isso.
Em tese deveriam ser eles os maiores interessados no assunto Congresso, já que um deles será eleito e terá como primeiro desafio firmar uma posição sobre a relação do Legislativo com o Executivo, há muito torta, promíscua, desarticulada, não republicana, pois há submissão e, portanto, subversão do princípio do equilíbrio entre os poderes.
Mas passam ao largo dessa agenda. É de se perguntar se para eles as coisas estão bem assim ou se não pensam que um Parlamento melhor é possível.
Obreiro
Ciro Gomes anunciou que vai apoiar Dilma Rousseff porque essa é a decisão do seu partido, o PSB. Quando desistiu da candidatura à Presidência da República o fez em atendimento a uma decisão do partido. Contra a vontade.
Em cena
É a quinta vez que o venezuelano Hugo Chávez ameaça cortar a venda de petróleo para os Estados Unidos. Agora – careca de saber que isso não acontecerá – diz que cortará se a Colômbia atacar a Venezuela por influência dos EUA.
Exige gestos amistosos por parte do novo presidente colombiano, Juan Manuel Santos, cansado de saber que é exatamente isso que ocorrerá em seguida à posse, em 7 de agosto.
Apostas
Palpita o meio diplomático: se Dilma Rousseff ganhar a eleição, o ministro das Relações Exteriores será o embaixador Antonio Patriota; se o presidente eleito for José Serra, o embaixador Sérgio Amaral comandará o Itamaraty
postado por Evaldo Torres * Fonte: Estadão em 30-07-2010
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Confundindo o público e o privado
Confundindo o público e o privado
NOTAS & INFORMAÇÕES
do Estadão
Senadores estão usando dinheiro do contribuinte para suas campanhas eleitorais. Cerca de 1.100 funcionários de gabinetes, pagos pelo Senado, estão em atividade nos Estados, nos escritórios políticos de candidatos. Dos 53 senadores em busca de votos, 33 ampliaram o quadro de servidores de confiança entre julho de 2009 e julho deste ano e a maior parte desse pessoal foi mandada para fora de Brasília, para trabalhar junto às bases. Quem não contratou mais pessoal também transferiu servidores. Assim, senadores e outros políticos já dispõem, na prática, de financiamento público de campanha, embora por vias tortas. Essa distorção é possível porque os parlamentares não observam uma clara distinção entre suas funções públicas e seus interesses particulares.
Como as normas deixam espaço para a confusão, recursos do Tesouro acabam sendo usados pelos políticos tanto para o trabalho institucional quanto para os objetivos estritamente pessoais e partidários. Só em julho, segundo reportagem publicada no Estado, 53 assessores foram realocados para os "escritórios de apoio" de vários senadores, incluídos os candidatos Marcelo Crivella (PRB-RJ), Renan Calheiros (PMDB-AL), Heráclito Fortes (DEM-PI), Marconi Perillo (PSDB-GO) e Paulo Paim (PT-RS). Desde fevereiro, 175 foram transferidos.
Dois senadores por São Paulo, Aloizio Mercadante (PT) e Romeu Tuma (PTB), estão usando o trabalho de servidores do Senado em seus escritórios na capital paulista. Mercadante alega usar somente o serviço de um motorista de confiança, com ele há 20 anos, mas o jornal tem recebido material de campanha enviado por sua assessora de imprensa paga pelo Senado. O argumento da acumulação de funções parlamentares e da atividade de campanha é geralmente usado pelos candidatos.
A separação entre os campos talvez seja difícil em algumas circunstâncias, mas a diferença entre a função institucional e o trabalho político-eleitoral, incluída a maior parte dos contatos com as bases, não envolve nenhum mistério. Parlamentares federais e estaduais misturam as duas atividades não só quando transferem servidores para ajudar em campanhas. A promiscuidade é parte do dia a dia, ao longo de todo o mandato.
Escritórios políticos são mantidos nas cidades de origem, com verbas pagas como compensação por despesas no exercício da atividade parlamentar. O contribuinte custeia, portanto, funcionários, imóveis e meios de transporte usados para o atendimento de interesses privados.
É preciso insistir neste ponto, nem sempre lembrado pelos cidadãos: o cidadão só é agente público no exercício de uma função institucional. Isso vale para o parlamentar. Quando um senador ou deputado vai ao Butão em missão oficial, cabe ao Senado, isto é, ao Tesouro, custear as despesas de sua viagem. Quando ele sai a passeio ou para visitar sua base eleitoral, sua atividade é particular. Essa distinção foi esquecida, ou desprezada, quando parlamentares gastaram passagens de avião para turismo ? até no exterior ? ou para beneficiar parentes e amigos. Houve escândalo quando alguns críticos decidiram discutir o assunto.
A imprensa divulgou histórias assustadoras, parlamentares apresentaram justificativas grotescas e houve no Congresso um ensaio de moralização. Mas uma confusão semelhante ocorre no dia a dia, quando o político usa recursos públicos para servir a seus interesses partidários e eleitorais. Por definição, partidos são entes privados de direito público. É preciso prestar atenção aos dois adjetivos ? privado e público ? presentes nessa caracterização. A mesma qualificação vale para os detentores de funções nos órgãos da República.
Quem disputa uma eleição age em nome pessoal ou de um grupo, mas, em qualquer caso, representa interesses particulares ? de um indivíduo, de um sindicato, de um movimento ideológico, de um setor de atividade e, naturalmente, de um partido. A disputa eleitoral ocorre no espaço público e segundo regras públicas, mas os concorrentes são privados. Ao desprezar essa distinção, senadores e outros políticos privatizam bens públicos, apropriando-se de recursos bancados pelo contribuinte para outras finalidades. O eleitor é espoliado antes da posse dos eleitos.
postado por Evaldo Torres * Fonte : Estadão em 30-07-2010
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Uma nova agenda de prioridades
LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS
da FSP
Uma nova agenda de prioridades
Lula intui que uma alta na inflação provocará uma revolta nas camadas mais populares da sociedade
EM NOSSO último encontro manifestei minhas preocupações com a agenda de prioridades de um novo governo do PT. O programa da candidata oficial vai certamente manter o rumo definido pelo presidente Lula nestes seus últimos anos de mandato. Embora o documento registrado na Justiça Eleitoral apresente sinais contraditórios, na questão econômica podemos visualizar as linhas principais de um eventual governo Dilma.
Devem ser mantidas as linhas básicas da política macroeconômica de Lula. Uma gestão monetária voltada para o controle da inflação dentro dos limites do sistema de metas, a geração de superavit fiscal primário que estabilize a relação dívida/PIB e uma flutuação suja da taxa de câmbio. Em relação a esse tripé, a candidata já manifestou várias vezes seu compromisso.
Nosso presidente, homem extremamente pragmático, sabe que o sucesso de seu governo está diretamente ligado à estabilidade de preços. Intui que uma alta na inflação provocará uma revolta nas camadas mais populares da sociedade. E certamente passou essa lição para Dilma Rousseff.
Mas, além desse tripé de prioridades macroeconômicas, o que temos hoje é uma política econômica baseada nos valores dos economistas que sempre representaram o núcleo duro do pensamento econômico do PT. Lula manteve essa divisão em seu governo e o sucesso dos últimos anos certamente reforçou a confiança de Dilma nesse modelo.
Mas esse raciocínio futebolístico tão a gosto de nosso presidente -não se mexe em time que está ganhando- traz sempre um grande perigo. Ele vale apenas se o contorno em que se realiza uma determinada estratégia não mudar de forma importante ao longo do tempo.
A simples manutenção da estabilidade econômica nos últimos anos foi suficiente para que nossa economia crescesse a taxas elevadas porque várias mudanças microeconômicas positivas, criadas pela estabilidade, empurraram-na para a frente. Vejamos alguns exemplos.
A confiança na moeda permitiu uma expansão vigorosa do crédito a empresas e a indivíduos. Antes do arranque da economia em 2005 o crédito total representava pouco mais de 20% do PIB; hoje representa 45%. No passado recente tínhamos uma economia fechada e uma política de aumento real dos salários levava sempre a um aumento da inflação e dos juros; hoje, com o aumento expressivo das importações, podemos esperar pelo aumento da capacidade produtiva e uma maior oferta de bens industriais sem que a inflação apareça.
A taxa de desemprego em 2005 superava 10%, o que permitiu um aumento expressivo do emprego sem a elevação do custo da mão de obra; agora, com uma taxa de desemprego de 7%, essa folga é muito menor e, em certos setores de mão de obra mais especializada, já ocorrem gargalos importantes.
Também nos primeiros anos da lua de mel de Lula nossa infraestrutura econômica não estava tão congestionada. Hoje os gargalos nos setores de transporte, portos e aeroportos provocam aumentos de custo e quedas de eficiência na logística de movimentação da nossa produção e que podem nos levar a uma situação crítica no próximo governo.
As indicações que temos hoje nas palavras e ações do governo Lula são todas no sentido de que a necessidade de uma mudança de agenda não foi ainda devidamente entendida. Um exemplo claro disso é essa questão do trem-bala que tratei em nosso último encontro. Mas outras manifestações de prioridades do governo e de sua candidata provam esse descompasso entre realidade da economia e ações do governo.
Em matéria recente a mídia trouxe a informação de que o BNDES já desembolsou mais de R$ 16 bilhões para apoiar dois frigoríficos nacionais em sua expansão no exterior. O objetivo desse programa é o de criar multinacionais brasileiras para competir em outros mercados. Mas, no setor de frigoríficos, em um mundo dominado pela tecnologia? Apenas uma leitura errada do mundo em que vivemos pode explicar tanto esforço por nada.
*LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS, 67, engenheiro e economista, é economista-chefe da Quest Investimentos. Foi presidente do BNDES e ministro das Comunicações (governo Fernando Henrique Cardoso).
postado por Evaldo Torres * Fonte : Folha de São Paulo em 30-07-2010
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Contradição entre ata e relatório irrita analistas
Contradição entre ata e relatório irrita analistas
Segundo especialistas, relatório do fim de junho apontava alto risco para inflação; ata mostrou preocupação menor
Leandro Modé
do Estadão
SÃO PAULO - A maior crítica de economistas de mercado à ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada quinta-deira é o tom contraditório em relação ao Relatório de Inflação publicado no fim de junho. Em conversas com analistas nos últimos dias, integrantes do Banco Central (BC) têm rebatido os ataques.
No relatório, cuja redação terminou no dia 18 de junho (a divulgação foi no dia 30), o BC escreveu, por exemplo, que "o balanço de riscos relacionados às perspectivas de inflação evoluiu desfavoravelmente desde a divulgação do último relatório (publicado em 31 de março)". Em outras palavras, o risco de aceleração da inflação era maior em junho do que em março.
Na ata de quinta-feira, a autoridade monetária faz afirmação totalmente distinta. "Desde a última reunião (do Copom, em 8 e 9 de junho), reduziram-se os riscos à concretização de um cenário inflacionário benigno, no qual a inflação seguiria consistente com a trajetória de metas". Ou seja, o risco de a inflação fugir da meta era menor no dia 20 de julho do que nos dias 8 e 9 de junho.
O que, afinal, teria mudado entre os dias 18 de junho (data em que o relatório terminou de ser escrito) e a realização do Copom – exatamente um mês depois – que justificasse a redução do ritmo de alta da taxa básica de juros (Selic)?
A visão da autoridade
O BC tem apresentado aos especialistas várias explicações. A principal delas diz respeito à forte desaceleração da atividade econômica, expressa pelos indicadores divulgados após a publicação do relatório de inflação.
O argumento da autoridade monetária é o de que, no segundo trimestre, a economia brasileira cresceu transitoriamente abaixo do potencial – um movimento exatamente contrário ao que ocorreu no primeiro trimestre, quando chegou a estar superaquecida, na visão do BC.
Essa acomodação entre abril e junho é explicada pela retirada dos estímulos fiscais concedidos pelo governo – sobretudo o IPI menor para a aquisição de veículos automotores – e pelos efeitos iniciais do aperto monetário implementado pelo BC a partir de fevereiro. No fim daquele mês, a autoridade aumentou os depósitos compulsórios dos bancos – o que, na prática, equivale a uma elevação do juro.
A isso se somam as incertezas em relação ao cenário externo, principalmente sobre a expansão da economia dos Estados Unidos – além das dúvidas que já existiam acerca da recuperação da atividade na Europa.
O BC também tem argumentado que o estouro da crise global provocou mudanças na forma de atuação das autoridades monetárias no mundo. A ideia é reagir rapidamente aos primeiros sinais de mudança de cenário.
Na visão da autoridade monetária, como a economia internacional ainda está bastante volátil, essas alterações súbitas devem ocorrer com frequência.
A explicação não convence a todos. Um analista que pede anonimato reclama. "Para entender o que o BC vai fazer com o juro, terei de ler jornais, em vez de acompanhar os relatórios de inflação e as atas do Copom."
postado por em 30-07-2010
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...Clinton deixa Obama de fora
Casamento da filha única dos Clinton deixa Obama de fora
da FSP
Filha única de um dos casais mais poderosos dos EUA, Chelsea Clinton, 30, se casará amanhã numa fazenda no Estado de Nova York.
Mas, quando ela for trocar as alianças com o noivo Marc Mesvinsky, 32, é possível que os convidados estejam mais atentos ao seu redor do que à cerimônia, checando quem foram os outros escolhidos para integrar a concorrida lista que deixou de fora até Barack Obama.
O presidente foi polido ao comentar a ausência, dizendo que os procedimentos de segurança que se fariam necessários com a sua presença arruinariam o evento. "Já será difícil ter um presidente [Bill] na festa, que dirá dois."
Mas outros preteridos reclamaram: "Sou bom para emprestar um avião, mas não bom para ser convidado?", disse ao "New York Times" um amigo de Bill que ficou de fora da lista -e que não quis ser identificado. Ele achou que, por já ter cedido o seu jato para que o ex-presidente voasse pelo país, teria lugar certo no evento.
Errou: a mãe da noiva (e secretária de Estado) Hillary avisara que a festa seria só para pessoas próximas do casal -umas 400, especula-se.
Para o consultor político Hank Sheinkopf, "qualquer um que conheça os Clinton saberá que fazer lobby [na festa] não surtirá efeito".
Os convidados assistirão à cerimônia numa fazenda histórica em Rhinebeck, cidade à margem do rio Hudson, a 160 km de Nova York.
Jornais locais anunciaram que a noiva usará um vestido de Oscar de la Renta.
Uma empresa nova-iorquina que organiza casamentos estima que a cerimônia custará US$ 2 milhões (R$ 3,5 milhão). "Será um casamento incrivelmente luxuoso", diz a dona, Claudia Hanlin.
postado por Evaldo Torres * Fonte : Folha de São Paulo em 30-07-2010
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Uribe critica comentários de Lula ...
Uribe critica comentários de Lula sobre crise com Venezuela
Deploramos que Lula, com quem temos as melhores relações, ignore a ameaça das Farc, diz nota
O gabinete do presidente colombiano, Alvaro Uribe, emitiu nota criticando os comentários do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a crise com a Venezuela.
" Deploramos que Lula, com quem temos as melhores relações, tenha se referido à crise como um caso pessoal e ignore a ameaça que representa a presença de guerrilheiros das Farc na Venezuela", diz a nota.
"É deplorável que Lula, com quem temos as melhores relações, tenha se referido à crise como um caso pessoal e ignore a ameaça que representa a presença de guerrilheiros das Farc na Venezuela", diz a nota.
"Ainda não vi conflito. Eu vi conflito verbal, que é o que nós ouvimos mais aqui nessa América Latina", afirmou Lula ontem após se reunir com o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega.
Lula se encontrou no começo da semana com o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Nicolás Maduro, com quem discutiu a crise. Ontem, o presidente indicou que pretende negociar uma distensão entre Colômbia e Venezuela com o presidente eleito da Colômbia, Juan Manuel Santos, que toma posse no próximo dia 7, e Chávez.
A Colômbia acusa a Venezuela de abrigar, com a anuência do governo do presidente Hugo Chávez, guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), incluindo vários líderes do grupo. Caracas nega que dê proteção à guerrilha.
postado por Evaldo Torres * Fonte : Estadão em 30-07-2010
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