Evaldo Augusto Torres Alves /editor 
Home | Contato  
Ciência e Ambiente

A PERFEITA CRIAÇÃO DE DEUS

... americano afirma que extraterrestres existem
Ex-astronauta americano afirma que extraterrestres existem


Portal Terra

LONDRES - O astronauta aposentado Edgar Mitchell - que fez parte da missão com destino à Lua Apollo 14, em 1971 -afirmou que existe vida extraterrestre e que o governo americano esconde informações sobre o assunto. Segundo o site do jornal britânico Telegraph, as afirmações foram feitas durante a quinta X-Conference - um encontro anual que reúne ufólogos e outras pessoas que acreditam na existência de discos voadores e formas de vida alienígena -que aconteceu do dia 17 ao dia 19 de abril.

De acordo com o jornal, o ex-astronauta, hoje com 78 anos, disse: "não estamos sozinhos. Nosso destino é tornar-nos parte de uma comunidade planetária. Nós devemos estar prontos para ir além do nosso planeta e além do nosso sistema solar para descobrir o que está realmente acontecendo lá fora".

Mitchell, que foi piloto do módulo lunar na Apollo 14, também disse que em 1947 tentou investigar o chamado "Incidente Roswell" - um suposto disco voador que teria caído na localidade de Roswell, no Novo México - , mas que foi dissuadido por autoridades militares. O astronauta, que cresceu na cidade de Roswell, afirmou que na época os moradores "foram silenciados pelas autoridades militares que ordenaram que não se falasse sobre essa experiência".

Ele alegou que tentou buscar as provas que foram colhidas com moradores locais pelo Pentágono. Segundo ele, um oficial do governo, cujo nome não foi citado, havia prometido que descobriria mais informações, mas seu acesso foi negado quando ele "tentou entrar no trabalho interno desse processo". Michell afirma que o oficial nega a história.

- Convido a todos aqueles que duvidam: leiam os livros, comecem a compreender o que realmente aconteceu. Porque realmente não há nenhuma dúvida de que estamos sendo visitados - disse Mitchell. - O universo em que vivemos é muito mais maravilhoso, emocionante, complexo e abrangente do que jamais fomos capazes de entender - acrescentou.

Em resposta às afirmações de Michell, pela rede americana CNN, um porta-voz da Nasa afirmou que "a Nasa não acompanha discos voadores e não está envolvida em qualquer tipo de encobrimento sobre vida extraterrestre neste planeta ou em qualquer outro lugar".

Stephen Bassett, chefe da Paradigm Research Group (PRG), que sediou a X-Conference este ano, disse à CNN que "há um terceiro trilho (na política americana), que é a questão dos extraterrestres".

Pálido de espanto
FERREIRA GULLAR
da FSP


Não dava para acreditar que a relação entre o nosso planeta e o Sol não se repetisse no universo

QUANDO, AOS 13 anos de idade, um professor me falou da teoria de Laplace acerca da origem do sistema solar, minha vida mudou. Mudou o mundo que eu conhecia, que se tornou fascinante e espantoso: uma gigantesca massa de fogo, rodopiando no espaço cósmico, soltara pedaços ígneos que ficaram girando em torno dela, esfriaram e se converteram em planetas, e um deles era este em que vivemos. Descobrira o cosmo e, a partir de então, minha curiosidade só cresceu com os anos.
Não é que tenha passado a ler sem parar sobre o assunto, que não é esse o meu feitio. O que mudou foi que, a partir de então, deixei de viver num mundo que parecia ter sido assim desde sempre, para encará-lo como algo em transformação, um conjunto de sol e planetas, que surgira talvez por acaso. E mais do que isso, deixei de ser apenas o habitante deste planeta para me sentir habitante do universo. Por enquanto, não sabia ainda das galáxias com seus bilhões de estrelas.
A verdade é que o universo se tornou uma preocupação minha. Ao tomar conhecimento de que só na Via Láctea havia tantos sóis, me perguntei se não poderia haver, girando em torno deles, algum planeta igual ao nosso, habitado como o nosso.
Já considerava estranho o fato de que, em nosso sistema solar, apenas a Terra parecia ter vida, já que os outros planetas mais próximos do Sol eram quentes demais e os mais distantes, frios demais. Então, a vida era o resultado de uma feliz coincidência e só existiria na Terra? Não dava para acreditar que essa relação que existe entre o nosso planeta e o nosso Sol não se repetisse em nenhum outro ponto do universo, possibilitando a existência de seres vivos. E como seriam os habitante desses outros planetas? Os filmes de ficção científica tentam responder a essa pergunta inventando "homens" parecidos conosco, terráqueos, com ideias semelhantes.
Com a teoria da relatividade, de Einstein, nossa visão mudou ainda mais, o tempo tornou-se material, como o espaço, relativo e curvo como ele, por efeito dos corpos que o ocupam. Depois descobriu-se que o universo está em expansão permanente, com galáxias voando em seus limites a bilhões de anos-luz de distância. E, se ele se expande, é que, no começo, era pequeno e concentrado, aliás, pequeníssimo, dizem que do tamanho de uma bola de tênis.
Bem, aí discrepo, como diria o nosso saudoso Antônio Houaiss. Se é verdade que existem bilhões de galáxias contendo trilhões de estrelas, num universo que tem a dimensão de, sei lá, 13 ou 18 bilhões de anos-luz, ou seja a distância que a luz percorreria à velocidade de 300 mil km por segundo, durante todos esses bilhões de anos, bem, não dá para acreditar que toda imensidão de matéria e espaço estaria contida numa bola de uns poucos centímetros de diâmetro. Pode até ser verdade mas, que me desculpem os físico-matemáticos, uma tal hipótese me parece tão implausível como a de que a Terra seria uma mesa sustentada por quatro elefantes brancos.
Mas teorias são teorias e eu sou mais chegado à hipótese de que o universo sempre existiu, já que, na minha desautorizada opinião não científica, a outra hipótese, de que um dia não havia nada, essa me parece absolutamente absurda. Não consigo pensá-la, sequer. Nem eu nem eles. Apoiam-se em hipóteses matemáticas.
Já deve o leitor ter percebido que o Universo é um problemão na minha cabeça. Evito pensar nele porque, quando o faço, caio na fossa. É que ele é grande demais e, então, sinto-me -eu e a humanidade inteira- insignificante, uma microscópica ocorrência eventual numa vastidão espacio-temporal impossível de conceber. E fora do Universo? Não, não pode haver fora, pois ainda seria ele. É o dentro sem fora! E há quem afirme que este é apenas um dos muitos universos que existem, constituídos talvez de anti-matéria, regida por outras leis físicas...
E, como se não bastasse, pense só: a estrela que se encontra mais perto de nós está a 25 anos-luz de distância, ou seja, viajando a 100 mil km por hora, uma nave levaria 8 milhões de anos, para alcançá-la. Quando se considera que o Homo sapiens terá surgido há cerca de 100 mil anos, a conclusão inevitável é que o Universo é, a um tempo, real e fora de alcance. Lembra-me aquela porta de uma história de Franz Kafka, que estava aberta para ninguém entrar por ela. Não obstante, caberia imaginar que ele nos criou apenas para ser visto e pensado? Ou é tudo por acaso?
Mas basta! Melhor é me entregar à alegria desta manhã de sol que invade minha sala.

Missão de nave que deixou Sistema Solar em ...
Missão de nave que deixou Sistema Solar em busca de ETs faz 25 anos

ORLANDO LIZAMA
da Efe, em Washington para Folha de São Paulo

Em 13 de junho de 1983, a nave Pioneer 10 abandonou o Sistema Solar em busca de seres de outros mundos para entregar a eles uma mensagem do homem que povoa o pequeno planeta Terra.

A nave partiu a esse encontro às cegas no dia 2 de março de 1972, montada em um foguete Atlas-Centaur de três módulos, que a colocou na órbita de Júpiter a mais de 51.850 km/h, a máquina mais veloz fabricada pelo homem até então.

Além dos instrumentos com os quais transmitiu informação sobre os planetas de nosso sistema, a Pioneer 10 levava uma placa de ouro que descrevia o homem, nossa aparência e a data do começo da missão. O último contato de rádio com o Centro Glenn de Pesquisa da Nasa (agência espacial norte-americana), que tinha o controle da missão, ocorreu em 23 de janeiro de 2003.

Na ocasião, o mensageiro espacial do homem se encontrava a 12,160 bilhões de quilômetros da Terra, além do cinturão de asteróides, de Júpiter e de Plutão. Segundo engenheiros da Nasa, as transmissões da Pioneer 10 morreram devido ao esgotamento da fonte radioisotópica de energia da nave.

"Para nós, a missão terminou quando foram interrompidas as comunicações. Não sabemos nada da Pioneer 10, mas supomos que continuou sua viagem pelo cosmos na busca de seu destino final", disse um porta-voz do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL, em inglês) da Nasa.

"Passou-se toda uma geração e quem tinha em mãos a missão, engenheiros e cientistas, já não estão conosco", acrescentou. Entretanto, suas façanhas científicas estão longe de ficar no esquecimento e a Pioneer 10 continua sendo considerada uma das grandes façanhas da exploração espacial dos Estados Unidos.

Caminho

Em 15 de julho de 1972, a sonda ingressou no cinturão de asteróides, uma zona de mais de 288 milhões de quilômetros de largura e mais de 80 milhões de quilômetros de espessura. O cinturão é povoado por milhões e milhões de corpos que vão desde partículas de pó estelar até massas de rochas de milhares de quilômetros de diâmetro.

Desta região a nave foi para Júpiter, planeta em frente do qual cruzou em 3 de dezembro de 1973.

A Pioneer 10 foi a primeira nave espacial que fez observações diretas e transmitiu imagens em primeiro plano de Júpiter. Também enviou informação sobre seus cinturões de radiação, localizou seus campos magnéticos e constatou que o planeta é gasoso.

Após seu encontro com Júpiter e passar além da órbita de Plutão, o "ex-planeta" mais distante do Sol, a Pioneer 10 explorou os extramuros do Sistema Solar e estudou o vento do Sol e os raios cósmicos que invadem a parte da Via Láctea onde se encontra a Terra.

Longo prazo

A nave continuou fornecendo informação sobre os extremos do Sistema Solar, até que deu oficialmente por concluída sua missão, em 31 de março de 1997. "A Pioneer 10 foi uma pioneira no mais rígido sentido da palavra. Após deixar Marte para trás em sua viagem rumo às profundezas do espaço, entrou em lugares onde nunca tinha chegado algo construído pelo homem", disse então Colleen Hartman, diretora da Divisão de Prospecção do Sistema Solar na Nasa.

"A Pioneer 10 figura entre as missões mais históricas e mais ricas em prospecção científica empreendidas", acrescentou.

Para Larry Lasher, que dirigiu o projeto, a Pioneer 10 cumpriu seus objetivos além do esperado. "Originalmente designada como uma missão de 21 meses, a Pioneer 10 durou mais de 30 anos. Poderíamos dizer que valeu cada centavo gasto", manifestou.

Os cientistas admitem que não sabem o que aconteceu com a Pioneer 10 nos últimos anos. Caso não tenha acontecido nada, o mensageiro do homem no espaço interestelar deveria estar agora se deslocando em direção à estrela vermelha Aldebarã, no centro da constelação de Touro.

Tempestades varrem Júpiter ...
28/01/2008 - 08h43 -Folha on-line-Ciência

Tempestades varrem Júpiter e mudam a face do planeta

IGOR ZOLNERKEVIC
Colaboração para a Folha de S.Paulo

Quando estiver preso em um engarrafamento causado pelas chuvas, relaxe. Olhe para o céu e pense: "Podia ser dez vezes pior, podia ser uma tempestade monstro de Júpiter".

Nasa


Tempestades mudaram a face de Júpiter; grupo de astrônomos, incluindo um brasileiro, observa astro tingido de vermelho
Ano passado, nuvens tempestuosas com mais de 100 km de altura varreram o planeta Júpiter, dando uma retocada em seu famoso visual de faixas coloridas.

Uma equipe internacional de 25 astrônomos profissionais e amadores, incluindo um brasileiro, observou duas dessas tempestades tingir de vermelho uma faixa branca no hemisfério norte do maior planeta do sistema solar.

Fotos tiradas no início de 2007 no quintal de casa por Fábio Carvalho, de São Carlos (SP), e por mais dois astrônomos amadores na Austrália, chamaram a atenção de pesquisadores que consultavam na internet os arquivos de associações internacionais de astrofotógrafos.

Eles notaram o que parecia o topo redondo de uma coluna de nuvens brancas tempestuosas crescendo e emergindo, como um cogumelo de bomba atômica, acima da eterna cobertura jupiteriana de nuvens em redemoinhos.

Em 25 de março de 2007, nove horas depois do telescópio espacial Hubble começar a monitorar a tempestade em Júpiter, outra coluna surgiu na mesma região do planeta. As duas se formaram na crista da corrente de ar mais veloz de Júpiter, situada no meio de seu hemisfério norte. Em pouco mais de um dia atingiram 2.000 km de extensão, e mais tarde cobriam uma área maior do que a da Lua. Elas circundaram Júpiter a uma velocidade de 600km/h, deixando um rastro rubro de turbulência que coloriu a faixa branca.

Durante mais de 45 dias, astrônomos amadores em vários países ajudaram a acompanhar o movimento das duas tempestades, complementando as observações pontuais do Hubble e do Telescópio Infravermelho da Nasa, no Havaí.

A análise dessas observações, publicada na revista científica "Nature" da semana passada, ajuda a entender melhor ventos fortes e estreitos chamados de correntes de jatos, que circulam tanto na alta atmosfera de Júpiter quanto na terrestre. "Em Júpiter, há 16 desses jatos que, ninguém sabe como, criam o padrão de faixas coloridas do planeta", explica Augustín Sánchez-Lavega, da Universidade do País Basco, Espanha, principal autor do estudo.

Planeta azul

Na Terra, há apenas dois jatos, um em cada hemisfério. Eles serpenteiam constantemente ao redor do globo a uma altura de mais ou menos 12 km. Suas freqüentes mudanças influenciam o tempo em todo o planeta. "Muitas entradas de frentes frias em São Paulo são causadas por variações nas correntes de jato", diz o meteorologista Amauri de Oliveira, da Universidade de São Paulo, que não participou da pesquisa.

Os jatos de Júpiter, pelo contrário, são quase retos e mudam pouco. Muito raramente --como foi observado em 1975, 1990 e agora em 2007--, duas tempestades brotam do pico dos jatos e perturbam os céus do planeta. "Parece um fenômeno periódico, algo surpreendente em uma atmosfera turbulenta e caótica como a de Júpiter", diz Sánchez-Lavega.

O estudo dele indica que as tempestades se formam quando uma coluna de 120 km de nuvens sobe 30 km acima do topo da cobertura normal de nuvens da atmosfera de Júpiter. Essas nuvens trazem à tona cristais de gelo de água, amônia e sulfidrato de amônio, que em contato com a luz do sol deixam o ar avermelhado.

Essas nuvens sobem movidas pelo calor produzido no interior de Júpiter, concluíram os pesquisadores. Ao contrário da Terra, onde a força de ventos e chuvas vem do calor do Sol, acredita-se que a principal fonte de energia da circulação atmosférica em Júpiter é o calor produzido quando o seu núcleo de hidrogênio líquido e metálico encolhe, comprimido pelo próprio peso. O planeta é essencialmente uma bola de gás 1.300 vezes maior que a Terra, mas que diminui de tamanho mais ou menos 3 cm todo ano.

"Nós examinamos só o creme por cima de um bolo de informações", diz Glenn Orton, do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, co-autor do estudo. A campanha de observações de 2007 coincidiu com a passagem por Júpiter da sonda New Horizons da Nasa, em sua jornada rumo a Plutão. A New Horizons fotografou de perto tempestades estranhas no hemisfério sul que os pesquisadores também estão analisando.

ANTIDEPRESSIVOS, ASPIRINAS E URUBUS
ANTIDEPRESSIVOS, ASPIRINAS E URUBUS
CONTARDO CALLIGARIS

Os antidepressivos são uma espécie de aspirina psíquica, capaz de aliviar qualquer tristeza?

Folha de São Paulo - Ilustrada 16.08.07

A FEBRE se manifesta numa longa lista de moléstias: gripe, infecções bacterianas, insolação e por aí vai. Em todos esses casos, a aspirina combate a febre, mas não cura a enfermidade em que ela se manifesta. Para isso, cada enfermidade tem remédios próprios (quando tem): antibióticos, sulfamídicos, cortisona etc.
Pergunta: segundo a psiquiatria, os antidepressivos atuais são um remédio específico para uma moléstia chamada "depressão"? Ou são uma espécie de aspirina psíquica, capaz de aliviar a tristeza e a morosidade que se manifestam numa variedade de situações de vida e de quadros clínicos? Ou será que podem ser as duas coisas?
Pois bem, graças a um amigo, Célio G. Marques de Godoy, que me indicou o artigo, li uma pesquisa publicada recentemente no "New England Journal of Medicine" (2007, vol. 356, 17). A pesquisa testa a "eficácia do tratamento auxiliar com antidepressivos na depressão de pacientes bipolares". Uma explicação: na clínica psiquiátrica, os transtornos bipolares são um quadro bem distinto da depressão. Neles, o sujeito alterna fases depressivas com fases de euforia maníaca; as fases depressivas são mais longas do que as maníacas, mas a alternância é crucial para o diagnóstico. Em suma, um bipolar em fase depressiva se parece com um deprimido, mas isso não significa que ele sofra da mesma "moléstia".
Na pesquisa, trata-se de saber se, num quadro diferente da depressão, os antidepressivos podem funcionar ou não como uma aspirina que aliviaria qualquer tristeza. A resposta, no caso dos transtornos bipolares, é negativa: os antidepressivos não funcionam como a aspirina com a febre. No entanto, eis o conselho paradoxal dos pesquisadores: se um paciente bipolar já estiver tomando antidepressivos, melhor que continue, embora a pesquisa mostre que eles não parecem aliviar sua fase depressiva. Por que a recomendação?
Pois é, literalmente, porque NUNCA SE SABE. Essa incerteza faz a felicidade dos urubus, que faturam com o uso dos antidepressivos como se fossem aspirina. Mas ela é também o retrato fiel do estado de nossa clínica e de nossa ciência. Vamos lá:
1) Os antidepressivos atuais foram descobertos quando alguém administrou um derivado da hydrazina a pacientes tuberculosos. O efeito inesperado (e único) foi que eles ficaram mais alegres.
2) Mais tarde, descobriu-se que a mesma substância aumentava (pouco importa como) a quantidade de um neurotransmissor no cérebro (a serotonina).
3) Supondo que essa alteração fosse responsável pelo bom humor dos pacientes tuberculosos, decidiu-se experimentar o uso de substâncias análogas em pacientes deprimidos.
4) Para isso, foi necessário construir um padrão de comportamentos e afetos que identificassem os deprimidos; nasceu assim "a depressão". De fato, entre 30 e 40% dos sujeitos que correspondem a esse padrão se beneficiam com o uso dessas substâncias.
5) Por que não todos? a) A definição padrão da depressão é comportamental, afetiva e discursiva, não química, pois é difícil verificar o nível de serotonina no cérebro das pessoas; b) portanto, é possível que muitas depressões sejam conformes ao padrão comportamental e afetivo estabelecido, mas que se expressem por alterações químicas diferentes da insuficiência de serotonina; c) conclusão: reagiriam positivamente a antidepressivos só aqueles deprimidos que expressam quimicamente sua depressão pela diminuição da serotonina no cérebro. Como identificá-los? Só experimentando.
6) Assim como haveria depressões que não se expressam pela insuficiência da serotonina, é também possível que haja, fora da depressão, tristezas e morosidades que se expressem por uma falta de serotonina. Nesses casos, os antidepressivos ajudariam. Como identificá-los? Só experimentando.
Em suma, o uso dos antidepressivos é empírico. Compara-se à administração de antibióticos específicos diante de um quadro no qual nenhuma cultura bacteriana pudesse nos dizer se o paciente é infectado ou não pela bactéria que o antibiótico está atacando.
É uma razão para condenar os antidepressivos? Não. Mas é bom saber que nossa ciência e nossa clínica os administram balbuciando. Correção da coluna passada: "Goldfinger" não é o primeiro James Bond com Sean Connery; é o segundo. Agradeço os leitores que me assinalaram o erro.

Mosca pode ajudar a decifrar sono dos humanos
Efe, Londres / Estadão

A mosca-da-fruta ou mosca-do-vinagre (tecnicamente, a Drosophila melanogaster) pode ajudar a decifrar a regulação do sono nos seres humanos, segundo um estudo publicado ontem pela revista científica britânica Nature Neuroscience.

A pesquisa, dirigida por Ralph Greenspan, do Neurosciences Institute de San Diego (Califórnia, EUA), sugere que a mosca-da-fruta pode se mostrar um “bom modelo” na identificação das “rotas moleculares” implicadas nos mecanismos do sono.

De acordo com os especialistas do instituto americano, o funcionamento do sono ainda consiste em um mistério e há pouca informação disponível sobre essas “rotas de sinalização”.

MODELO PROMISSOR

A mosca-da-fruta representa um modelo promissor, já que o inseto experimenta um processo de sono biologicamente similar ao dos mamíferos, asseguram os cientistas americanos.

No inseto, o estado de sonolência inclui consolidados períodos de inatividade, um acentuado umbral de despertar e um impulso homeostático para recuperar o sono perdido.

Essa regulação acontece em uma região do cérebro da mosca-da-fruta muito parecida com o hipotálamo dos mamíferos, a zona cerebral que os humanos usam para controlar não apenas o sono, mas também a temperatura do corpo e o apetite.

Além disso, os especialistas de San Diego comprovaram que a Drosophila melanogaster responde aos mesmos agentes farmacológicos que modulam a excitação nos mamíferos, enquanto os níveis de sono do inseto diminuem e se fragmentam com a idade.

“A utilização desse enfoque experimental pode tornar mais fácil e rápido para os cientistas o processo de identificação de moléculas adicionais necessárias para a indução ou a manutenção do sono”, concluem os autores do estudo.

“As companhias farmacêuticas poderiam usar essa informação para criar melhores produtos para ajudar a dormir”, acrescentam os especialistas.

Uma nova Terra
A descoberta de um planeta semelhante ao nosso representa um salto espetacular da ciência na busca pela vida extraterrestre


Rafael Corrêa da Revista VEJA

Há milhares de anos o homem olha para o céu na tentativa de entender melhor a si próprio e ao planeta que o abriga. Questões cruciais da cosmologia já foram respondidas, desde as que dizem respeito ao Sol e seus planetas até as que lidam com os grandes movimentos do universo. Uma pergunta, justamente a que mais atiça a curiosidade humana, permanece sem resposta: estamos sós no universo? E, se houver outras formas de vida em outros planetas, elas serão inteligentes? Em sendo inteligentes, serão capazes de se comunicar com outros mundos através de sinais eletromagnéticos? A descoberta de um planeta semelhante à Terra fora do sistema solar, o GL 581c, revelada na semana passada, é o maior passo já dado até hoje pela humanidade na busca de vida extraterrestre. Os chamados planetas extra-solares, aqueles encontrados fora da nossa vizinhança cósmica, o sistema solar, eram todos insatisfatórios, com ambientes inadequados para o surgimento e a reprodução da vida como a conhecemos. A maioria deles são imensas esferas de gases venenosos submetidas a forças gravitacionais colossais. Nada muito animador para quem procura um berço propício à vida. A descoberta da semana passada muda tudo. Na última década, mais de 200 planetas foram identificados fora do sistema solar – o GL 581c é o primeiro que pode ser considerado um irmão da Terra.

O novo planeta fica na constelação de Libra e reúne muitas das condições ideais que na Terra permitiram o nascimento de seres vivos e sua espetacular especiação, a criação de espécies diferentes, entre elas essa que procura planetas no universo. O grupo de cientistas europeus responsável pela descoberta sustenta que, pelo tamanho e pela massa do planeta, é grande a possibilidade de que ele abrigue água em estado líquido. As temperaturas em sua superfície devem variar entre 0 e 40 graus – nada muito drástico quando se sabe que na Terra elas variam de 88 graus negativos no inverno dos pólos a até 58 graus positivos nos desertos equatoriais. Em tamanho, o GL 581c é uma espécie de "Superterra", com uma cintura 50% maior que a do terceiro planeta do sistema solar, a frágil bola azul que habitamos. A Superterra da constelação de Libra é aquecida por uma fornalha estelar já bastante velha em termos cósmicos, uma estrela do tipo anã vermelha batizada de Gliese 581. O que Gliese tem de velha tem também de confiável e previsível. Ela emite a mesma quantidade de calor e luz há bilhões de anos e deve manter-se imutável pelo menos nos próximos 5 bilhões de anos. Em comparação com outros quadrantes convulsionados do universo onde também já foram encontrados planetas, pode-se dizer que o espaço onde está o GL 581c é uma aprazível vizinhança. Embora seja muito mais maciço, o novo planeta tem força de gravidade compatível com a estrutura óssea e muscular do ser humano. Se algum dia uma mulher ou um homem caminhar na superfície do GL 581c, ela ou ele vai se locomover com um pouco mais de dificuldade, como se carregasse uma mochila cheia de pedras, por exemplo.

O fato de o recém-descoberto planeta ser parecido com a Terra abre a possibilidade de ele um dia ser uma alternativa de abrigo para a espécie humana? Por enquanto, essa é uma possibilidade teórica. O GL 581c está situado a 20,5 anos-luz da Terra. Para se ter uma idéia mais precisa do que isso significa, é útil comparar com o nosso Sol. A luz solar leva apenas oito minutos para chegar à Terra. Para atingir o novo planeta e usá-lo como tábua de salvação, uma nave terrestre viajando na velocidade da luz levaria duas décadas até o destino. As naves terrestres conseguem atingir hoje apenas ínfimas frações da velocidade da luz. O veículo espacial mais rápido já construído, a New Horizons, da Nasa, que atualmente se dirige a Plutão, levaria 400.000 anos para alcançar o GL 581c. "O grande desafio do homem na conquista do espaço, hoje, é conseguir desenvolver equipamentos mais velozes", diz o astrofísico carioca Eduardo Janot Pacheco, representante brasileiro na missão do satélite de pesquisas francês Corot, lançado há quatro meses.

NASA

Colisão das galáxias Antennae, registrada pelo Hubble: o choque deve gerar bilhões de novas estrelas e, provavelmente, muitos planetas parecidos com a Terra


Os desbravadores sempre enfrentaram dificuldades técnicas, e nem por isso o homem deixou de conquistar o Novo Mundo, a Lua, e de mandar artefatos para todos os cantos do sistema solar. "Uma das razões pelas quais somos tão bem-sucedidos como espécie é essa inquietação para descobrir o que há além do que estamos habituados a ver", disse a VEJA o astrônomo Andy Cheng, do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, e um dos pesquisadores envolvidos no Projeto New Horizons. O certo é que já estão em estudo tecnologias capazes de impulsionar naves a velocidades próximas à da luz. São motores experimentais desenhados dentro de especificações que seguem as mais sólidas teorias científicas. Mesmo que não se descubra nenhuma outra forma de energia impulsora no futuro próximo, esses motores, sejam eles nucleares, sejam quânticos, serão fortes o bastante para levar a bandeira da humanidade a pontos nunca visitados da galáxia.

A energia confiável e estável fornecida por Gliese e a própria estrutura do novo planeta – em especial a possibilidade de ele abrigar reservatórios de água líquida – são compatíveis com as condições onde a vida surgiu e se propagou na Terra. Existiria vida no GL 581c? Nenhum astrofísico arrisca-se a responder a essa pergunta com segurança. O maior avanço trazido pela descoberta do novo planeta, no entanto, independe dessa resposta. Seu valor é estatístico. Pouco tempo atrás nenhum cientista sério acreditava que pudessem existir outros sistemas solares estáveis o suficiente para ter planetas sólidos a sua volta. Para confirmar essa teoria, registre-se que até meados dos anos 80 nenhum telescópio ou outro instrumento ou método de detecção conseguira confirmar sinais da existência de planetas fora do sistema solar. Com o refinamento das técnicas de detecção baseadas em medições de ligeiras variações das órbitas das estrelas, os sinais dos planetas foram surgindo. A conta já chega a 210 planetas. A família cresce a cada ano.

Uma pesquisa feita nos Estados Unidos mostra que três em cada dez cientistas acreditam que possa existir vida em outros planetas. No topo do panteão dos otimistas e incentivadores da busca por ETs figura Carl Sagan (1934-1996). Dizia ele: "A química que criou a vida na Terra é reproduzida facilmente por todo o cosmo. Parece improvável que sejamos os únicos seres inteligentes. É possível, mas improvável". Eis uma questão desafiadora. Embora se aceite que a vida na Terra tenha surgido espontaneamente da interação durante bilhões de anos de moléculas cada vez mais complexas, nenhum laboratório do mundo conseguiu até hoje criar vida reproduzindo as condições dessa "sopa primordial". Mas, fora da hipótese teológica, no campo limitado ao método científico, a "sopa primordial" é a melhor aposta racional para explicar o surgimento da vida. Pelo mesmo raciocínio, e dando-se crédito a Carl Sagan, não ofende a razão a hipótese de que o mesmo processo químico tenha resultado na criação de formas primitivas de vida em outros planetas.

Infelizmente, para a aventura intelectual humana e para a frustração do desejo inato de encontrar seres inteligentes em outros planetas, essa busca ainda não saiu do ponto zero. A complexidade de produzir vida inteligente é incomensuravelmente maior do que a de gerar bactérias e outras formas primitivas de vida. Quem melhor descreveu essa complexidade foi um dos maiores neodarwinistas de todos os tempos, o americano nascido na Alemanha Ernst Mayr, morto aos 100 anos, em 2005. Mayr mostrou que o crescimento em tamanho e complexidade do cérebro humano é um evento tão insólito – e misterioso – que dificilmente pode ser explicado pela evolução apenas. "O desenvolvimento do cérebro humano é uma mutação que não necessariamente trouxe vantagens evolutivas à espécie. Foi uma aposta que deu certo até agora, mas nada indica que continuará dando", dizia Mayr. O célebre cientista gostava de lembrar que o cérebro humano é muito frágil, protegido por um crânio não muito espesso, além de consumir um quinto de toda a energia disponível no organismo, proporção que nenhum outro ser vivo se deu ao luxo de gastar com apenas um órgão. Para enfatizar ainda mais a complexidade da trajetória evolutiva rumo à civilização, Mayr lembrava que de todos os 50 bilhões de espécies que existem ou já existiram no planeta apenas uma, a humana, desenvolveu um cérebro capaz de aprender. Conclui Ernst Mayr: "Quando se coloca na equação a variável de que os homens só desenvolvem cultura quando vivem em sociedades humanas e, antes, são cuidados por mães e pais até o fim da puberdade, a complexidade dos processos de produção de uma civilização tecnológica atinge um grau tal que talvez não possa ser repetido em nenhum outro lugar". Mais uma razão para olharmos para o cosmo com espanto e para a nossa única Terra com mais humildade e carinho.

Com reportagem de Rosana Zakabi, Leoleli Camargo e Daniel Salles

A VIDA LÁ FORA

Desde o início dos tempos, o homem olhou as estrelas
e especulou sobre a existência de vida em outros mundos


Lennox Mclendon/AP

"É hora de recolocar o pé na estrada e partir rumo aos planetas. A longo prazo, ou colonizamos os planetas, ou seremos uma espécie extinta."
Carl Sagan, astrônomo americano (1934-1996)

"Não cessaremos de explorar
E o fim de toda a nossa exploração
Será chegar aonde começamos
E conhecer esse lugar pela primeira vez."
T.S. Eliot, poeta americano, no livro Four Quartets (1888-1965) EXPRESS/Getty Images


"Há incontáveis terras, todas orbitando em volta de seus sóis da mesma maneira que os sete planetas do nosso sistema... Os incontáveis mundos no universo não são piores nem menos habitados que a nossa Terra."
Giordano Bruno, filósofo italiano, no livro De l'Infinito Universo e Mondi (1548-1600)

Descoberto planeta habitável fora do Sistema Solar
Cientistas da Organização Européia para a Pesquisa Astronômica no Hemisfério Austral (ESO) descobriram pela primeira vez um planeta habitável fora do Sistema solar, com temperaturas muito similares às da Terra. O estudo será divulgado nesta quinta-feira na revista Astronomy and Astrophysics.

O planeta tem um raio quase 1,5 vezes maior do que o da Terra, uma massa cinco vezes maior que a de nosso planeta e tem capacidade para armazenar água, informou nesta terça-feira a equipe da ESO, com sede na localidade alemã de Garching.

"Achamos que a temperatura dessa 'Super-Terra' oscila entre 0ºC e 40ºC, de modo que a água poderia ser líquida", assinalou Stéphane Udry, do Observatório de Genebra, por meio de um comunicado. O distante planeta fica na constelação de Libra e gira em torno da estrela Gliese 581.

O exoplaneta, como os astrônomos definem os planetas que não fazem parte de nosso Sistema Solar, é o menor já descoberto e, segundo os cientistas, realiza uma órbita completa em 13 dias. Além disso, sua distância em relação à Gliese 581 é 14 vezes menor do que a que separa a Terra do Sol, explicaram os cientistas da ESO, reforçando, no entanto, que ainda não foram encontrados indícios de água ou vida.

A estrela do planeta descoberto é menor, menos fria e luminosa do que o Sol. Por isso, o planeta se encontra em uma área habitável, ou seja, em uma região na qual a água poderia ser líquida e as temperaturas ambientais, agradáveis. Os prognósticos realizados pelos cientistas mediante o uso de diferentes modelos indicam que o planeta deve ser muito rochoso, como a Terra, ou estar coberto por oceanos, assinalou Udry.

"Tendo em vista sua temperatura e sua proximidade relativa (a Gliese 581 é uma das estrelas "próximas" à Terra), o planeta será, com grande probabilidade, um alvo muito importante das futuras missões espaciais que se dedicarem à busca por vida extraterrestre", disse Xavier Delfosse, da Universidade de Grenoble e membro da equipe de Udry.

A Gliese 581 é uma das 100 estrelas mais próximas à Terra, situada a apenas 20,5 anos-luz da constelação de Libra e com cerca de 30% da massa do Sol, explicaram os astrônomos.

Agência : EFE

Ácido graxo faz cérebro evoluir 3 anos, diz estudo
BBC Brasil (*)

Cientistas britânicos descobriram que quatro crianças que tomaram um suplemento de ácido graxo durante um experimento tiveram um desenvolvimento cerebral de três anos em apenas três meses.
Três meninos e uma menina, todos acima do peso ideal e com idades entre 8 e 13 anos, participaram do experimento do Imperial College, de Londres, em que os cientistas procuraram avaliar os efeitos da junk food em cérebros jovens.

Foi pedido às crianças para que fossem mais ativas e reduzissem o consumo de comidas pouco saudáveis e bebidas com gás. Ao mesmo tempo, elas receberam dois comprimidos diários do suplemento VegEPA, que contém ácido graxo ômega-3.

Testes realizados depois de três meses mostraram que as crianças tiveram um aumento na habilidade de leitura, sua caligrafia ficou mais clara e mais precisa e elas mostraram mais concentração nas aulas.

Embora as crianças tenham sido incentivadas a mudar sua dieta, não houve sinais de que elas tenham seguido a orientação à risca, sugerindo que a melhoria no seu desempenho escolar foi resultado do uso do suplemento alimentar de ômega-3.

Meninos

Segundo Basant Puri, pesquisador do Imperial College, exames de mapeamento do cérebro mostraram um aumento no cérebro das crianças de uma substância química conhecida como N-acetilaspartato (NAA), ligada ao desenvolvimento do órgão.

"Em três meses, você espera ver um pequeno crescimento (da concentração) do NAA", disse Puri, que liderou o estudo. "Mas nós vimos um crescimento que seria visto normalmente em três anos."

Foram os meninos que participaram do experimento que demonstraram mais as mudanças positivas. Os ácidos graxos ômega-3 são encontrados em peixes gordurosos, como o salmão, ou em sementes como a de abóbora e nozes.

Conclusão duvidosa
O professor Robert Grimble, que leciona nutrição na Universidade de Southampton (sul da Inglaterra), advertiu que as conclusões da pesquisa precisam ser vistas com cautela.

Segundo Grimble, estudos com uma maior amostragem precisam ser feitos sobre o assunto. "Minha opinião é que não podemos chegar a nenhuma conclusão clara até que um teste apropriado seja feito."

"Esses pedacinhos fracos de informação apenas confundem as pessoas", disse.

No ano passado, a agência reguladora de alimentos da Grã-Bretanha publicou uma análise dos efeitos dos suplementos extraídos de peixes gordurosos sobre crianças e disse que, à luz dos estudos disponíveis, não era possível chegar a qualquer conclusão.

*BBC BRASIL.com - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da BBC BRASIL.com.

ANTERIOR  1  2  PRÓXIMA