Futebol: uma decisão na ressaca

Fernando Gabeira
blog gabeira.com.br

O futebol vive hoje um dia especial: os dois maiores rivais, Flamengo e Vasco, se enfrentam em jogada decisiva na quarta feira de cinzas.

A imprensa noticiou o movimento dos jogadores. Vagner Love foi o rei do Baile Vermelho e Preto e esteve no desfile da Sapucai, assim como muitos outros.

O Flamengo leva a fama mas todos gostam de um carnaval. O certo é que os jogadores hoje não estarão na sua melhor forma física.

Considerando a mediocridade atual do do futebol brasileiro, o perigo é de termos um jogo arrastado, lento e burocrático

Mas o futebol é imprevisível. Pode ser que o entusiasmo e entrega dos sambistas no desfile inspirem os jogadores e os levem a fazer uma partida emocionante.

A inspiração tem de vir do samba no pé. Não pode ser parecida com o que houve na premiação das escolas em São Paulo, senão acaba em briga.

Se tudo der certo, podermos marcar as grandes decisões do futebol para a quarta feira de cinzas

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Kassab diz a petistas que apoio a Serra atrasa projeto nacional do PSD

Prefeito de SP tenta convencer Planalto e líderes do PT de que eventual adesão à candidatura do ex-governador não deve alterar alianças feitas entre seu partido e as siglas de apoio a Dilma

Fernando Gallo
do Estadão

Nas mesmas conversas mantidas com dirigentes petistas semana passada, nas quais avisou-os de que estancaria o movimento de aproximação ao PT atendendo a um pedido de José Serra (PSDB), o prefeito Gilberto Kassab (PSD) afirmou que, embora não tenha como deixar de embarcar na possível candidatura do tucano na capital paulista, considera o eventual apoio ao ex-governador um atraso em seu projeto político nacional.

Paulo Giandalia/AE – 19.02.2012

Kassab vislumbra mais possibilidades políticas para 2014 com aliança petistaEm pleno carnaval, Kassab fez questão de ir até Recife elogiar o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), aliado do Planalto. Foi também com essa preocupação, diz um petista que conversou com o prefeito, que Kassab esteve em Brasília há uma semana para um encontro com a presidente Dilma Rousseff: queria convencê-la de que o suporte que poderá vir a dar a Serra na eleição deste ano não compromete os entendimentos já firmados por ele com o governo federal nem os acertos entre PT e PSD pelo País afora.

O encontro não estava previsto na agenda presidencial, que foi alterada no início da noite para a inclusão do compromisso. Naquele dia, a agenda de Dilma previa apenas despachos internos. A mudança de última hora foi interpretada por petistas como um sinal claro não apenas de que Serra está cada vez mais inclinado a disputar a eleição como também de que Kassab estava preocupado com os efeitos dessa mudança de cenário.

O prefeito de São Paulo, bem como boa parte dos que ingressaram no PSD, fazem um movimento de migração da oposição para a situação, tanto na esfera federal como nos Estados e municípios. Kassab vê na aproximação com o petismo um futuro político mais próspero do que na órbita tucana. O único entrave para uma mudança completa de lado é justamente a dívida de gratidão que tem com José Serra, de quem foi vice-prefeito e quem o projetou na cena política.

Os petistas que travaram contato com Kassab na última semana disseram ao Estado que o prefeito parecia abatido e afirmaram ter ficado com a impressão de que ele preferia o ex-governador fora da disputa, inclusive porque vislumbrava, com o PT, um horizonte mais límpido para 2014, no qual teria boas chances de assegurar a vaga de postulante ao Senado ou a vice-governador, algo mais incerto no PSDB, onde permanecem as rusgas entre serristas e alckmistas.

Com um pé na canoa petista e outro na canoa tucana, o prefeito tende a ser visto com desconfiança pelos dois lados porque não deixa claro em que campo pretende estar nas eleições de daqui a dois anos. A ambiguidade, porém, também pode aumentar o valor de seu futuro apoio.

Serra. A ao menos duas pessoas Kassab relatou uma mesma versão de um diálogo que afirmou ter mantido com Serra. Segundo o prefeito, o tucano se sente pressionado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) e vê uma tentativa de parte do partido de jogar em suas costas a responsabilidade de uma eventual derrota no pleito de outubro, caso opte por não concorrer.

De acordo com o relato dos que conversaram com Kassab, o prefeito disse que seus gestos de aproximação com o PT despertaram em Alckmin o medo de que uma eventual vitória petista nas eleições municipais não apenas comprometesse sua reeleição em 2014, mas também colocasse em xeque a própria existência do PSDB no Estado onde está sua maior trincheira de resistência.

Na avaliação de Kassab, foi o que deflagrou a operação de convencimento de Serra gestada no Palácio dos Bandeirantes em reunião entre Alckmin e aliados próximos. A partir de então, alckmistas e serristas passaram a pressionar diariamente Serra.

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O sentido de uma sentença

NOTAS & INFORMAÇÕES
do Estadão

Saiu há pouco a primeira sentença judicial que expõe a falsidade da principal – e quase única – alegação utilizada pelos cabeças do mensalão, para negar que tenha existido o esquema petista de suborno de parlamentares federais para servir ao governo do presidente Lula, então no primeiro mandato: tratava-se de uma “conspiração” para armar o impeachment de Lula. Revelada em 2005, a compra de votos na Câmara dos Deputados levou a Procuradoria-Geral da República a pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de processo contra 40 envolvidos no escândalo – o mais escabroso da história recente da política nacional. O STF, que acolheu a denúncia em 2007, poderá julgar este ano os 36 réus remanescentes.

Na semana passada, o juiz substituto da 11.ª Vara Federal de Belo Horizonte, Henrique Gouveia da Cunha, condenou o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, apontado como operador do mensalão, a 9 anos e 8 meses de prisão por crimes de sonegação fiscal e falsificação de documentos públicos. Ele e dois sócios haviam sido acusados de omitir receitas e passar informações falsas ao Fisco. A maioria dos vultosos valores sonegados foram justificados como empréstimos ao PT para serem distribuídos a integrantes da base aliada na Câmara. Segundo a acusação, os empréstimos é que nunca existiram: foram simulados para encobrir o desvio de recursos públicos, sob a forma de contratos publicitários firmados pela administração federal com a SMP&B, empresa de Marcos Valério, para a compra de políticos.

No processo do mensalão, ele responde por formação de quadrilha, falsidade ideológica, corrupção passiva e ativa, peculato, lavagem de dinheiro, delito de gestão fraudulenta de instituição financeira e evasão de divisas. Em valores atualizados até 2007, a sonegação montava a R$ 90 milhões. Quando o mensalão veio a público, o criativo publicitário tentou se antecipar à devassa que a Receita Federal inevitavelmente faria na sua empresa, retificando as declarações manipuladas. A manobra teve efeito bumerangue. “A retificação”, concluiu o juiz Gouveia da Cunha, “constitui confissão das fraudes anteriormente encetadas para se lograr a sonegação.” Dez ações contra Valério correm na Justiça Federal de Minas Gerais.

Em dezembro passado, ele passou 10 dias preso na Bahia, sob a acusação de falsificar matrículas de propriedades no município de São Desidério. O golpe tem ligação com uma suposta dívida do grupo de Valério com o Banco Rural, no valor de R$ 38,4 milhões. O débito, ao que tudo indica, é tão fictício quanto os empréstimos da SMP&B ao PT. Como esses, também foi fabricado para acobertar o repasse de dinheiro público a deputados federais, por intermédio do partido do presidente da República. Como se recorda, ao vir à tona o mensalão apanhou Lula desprevenido. Depois de alegar, apesar das evidências, que nunca teve conhecimento da baixaria, declarou-se “traído”, sem nomear os traidores, e chegou a pedir desculpas ao País.

Mais adiante, porém, afirmou que a dinheirama se destinava ao caixa 2 do partido. “O que o PT fez do ponto de vista eleitoral é o que é feito no Brasil sistematicamente por outros partidos”, disse, numa entrevista tristemente memorável. Por fim, brandiu a confortável teoria de que o escândalo tinha sido confeccionado numa “conspiração das elites” para removê-lo do poder. Essa fabulação é sustentada, entre outros, pelo principal de seus companheiros à espera de julgamento no STF, o ex-ministro e “capitão do time” do Planalto, deputado cassado José Dirceu, que figura nos autos como “chefe da quadrilha” do mensalão.

É bem verdade que o PT não inventou o mensalão – apenas aplicou no atacado o que Valério fizera no varejo em Minas, em 1998, para beneficiar o governador tucano (e fracassado candidato à reeleição) Eduardo Azeredo. No ano passado, a Justiça Estadual o condenou a 6 anos de prisão. Assim como no caso da decisão da alçada federal, ele tem assegurado o direito de recorrer em liberdade. O que não se entende é a demora do Supremo Tribunal em marcar a data do acerto de contas dos mensaleiros com os delitos de que são acusados. Daqui a pouco, no dia 7 de junho próximo, a revelação do escândalo completará sete anos.

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O pessimista entre a anarquia e o poder

Eliana Cardoso
do Estadão

No território da bandidagem e da violência, a discussão da origem do Estado não se assenta na República de Platão, mas na lenda hobbesiana da vida curta e brutal. E – lamenta-se o señor Juan, protagonista de Coetzee no Diário de um Ano Ruim – Hobbes nos esconde que a entrega do exercício da força ao Estado é irreversível e impede para sempre a volta ao estado natural. Entretanto, se o estado natural era a barbárie, porque haveríamos de querer voltar para lá? Você não quer. Nem eu. Mas ao señor Juan interessa demonstrar a solidez da opinião anarquista: o que está errado com a política é o poder em si.

Para ilustrar seu argumento o señor Juan comenta a “ingenuidade” do filme Os Sete Samurais, no qual Kurosawa oferece sua versão da origem do Estado. Uma aldeia japonesa, durante um período de desordem política – quando o Estado praticamente deixara de existir -, sofria invasões de uma tropa de bandidos, que roubava mantimentos, estuprava mulheres e matava quem resistisse. Aos poucos, os bandidos – mutantes de predadores em parasitas – sistematizaram as visitas, comparecendo à aldeia apenas uma vez por ano para cobrar tributo.

O filme começa com a decisão dos camponeses de contratar um bando de durões (sete samurais desempregados) para proteger a aldeia. Os samurais derrotam os bandidos e, tendo visto como o sistema de extorsão funciona, oferecem aos camponeses uma proposta: pagamento anual em troca de proteção permanente. Como Kurosawa é um sonhador romântico, quando os camponeses recusam a oferta, os samurais vão embora em paz.

Coetzee desacredita do final feliz do filme de Kurosawa, mas é exatamente um final feliz que desejamos na solução dos conflitos iniciados pela Polícia Militar que ocupou a Assembleia Legislativa da Bahia, durante a segunda semana de fevereiro. Por isso, vários analistas tentaram entender o que se passou e perguntar como evitar que o motim se repita no futuro.

Vale começar passando em revista o susto da população brasileira, quando o movimento articulado por grevistas espalhou o pânico para forçar a aprovação da PEC 300, que cria piso nacional para o salário de policiais e bombeiros. Os homens do Exército e da Força Nacional fecharam o cerco aos policiais militares acampados dentro do prédio da Assembleia Legislativa em Salvador, transformado em quartel-general dos grevistas. Fracassada a primeira tentativa de negociação, o Exército endureceu. O clima ficou tenso. Helicópteros deram rasantes sobre o prédio. De dentro da Assembleia, um dos líderes do movimento ordenou atos de vandalismo. A greve provocou uma onda de crimes. Houve relatos de mendigos assassinados e ônibus invadidos por supostos policiais. O Exército reforçou a tropa que cercava a Assembleia. Suspendeu a entrega de comida. Cortou a energia e a água. A ocupação terminou.

As greves policiais são comuns no Brasil, declarou um defensor dos grevistas, no suplemento Aliás de O Estado de S. Paulo, como se o clichê do “todo mundo faz” pudesse justificar a não justificável violação dos direitos humanos da população, sujeita a assassinatos e saques.

A maioria dos analistas concordou que a reivindicação salarial era justa. Mas a maioria também argumentou que uma reivindicação justa deixa de sê-lo quando vem vinculada a técnicas de intimidação e extorsão. A discussão então se voltou para a regulamentação do direito de greve do setor público e a omissão do Congresso Nacional na aprovação desse disciplinamento.

Mas a nossa Constituição inclui os policiais e os bombeiros na categoria de militares, porque a eles cabe preservar a ordem e garantir a segurança. Os profissionais que portam armas estão, segundo a Constituição, barrados da sindicalização e da greve. A esses servidores públicos, portanto, não se aplica a necessidade de regulamentação do direito de greve, pois a proibição já existe.

Nenhuma democracia conta com organizações simétricas para todos os seus grupos. Por exemplo: os desempregados, os consumidores e os contribuintes não se encontram organizados. A consequência é que grupos organizados e poderosos (como o dos trabalhadores sindicalizados ou o dos banqueiros) tendem a ignorar as perdas para os grupos não organizados. As forças do mercado não são suficientes para garantir comportamentos que beneficiem igualmente todos os grupos sociais. Entende-se, portanto, que os policiais precisam reivindicar ajustes, mas terão de fazê-lo por meio de atos de suas associações ou esperar que o Estado lhes dê cobertura legal para realizarem um movimento reivindicatório disciplinado e com mobilização parcial, sem ação violenta, sem ocupação de prédios e sem vandalismo.

Aqui entra a inação do Congresso Nacional e dos governos estaduais e federal. A sociedade pergunta-se por que a PEC 300, que tramita na Câmara desde 2008, ainda não foi discutida nem se votaram emendas para harmonizar salários levando em consideração as condições e o custo de vida nas diferentes regiões do País. Por onde andavam nossos representantes todos esses anos?

A explicação parece ser a de que os políticos acreditam que não têm mandato para se anteciparem aos problemas e o público não reage à inação de seus representantes. A consequência é que problemas que parecem pequenos acabam se transformando em tragédias. A Câmara só age sob pressão.

O señor Juan – personagem de Coetzee que abriu este artigo – declara-se anarquista-quietista-pessimista. Anarquista porque o que está errado com a política é o poder em si. Quietista porque a vontade de se pôr a mudar o mundo se encontra, ela também, infectada pelo desejo de poder. E pessimista porque não acredita que coisas possam mudar. A posição parece intelectualmente sofisticada. E, com certeza, é cômoda. Mas se todos pensarmos como ele, estaremos entregando o Brasil aos bandidos.

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Cinzas e a garrafa de Klein

Roberto DaMatta
do Estadão

Como máquinas de marcar, regular e inventar o tempo, determinando suas eventuais funções – tempo de colher e plantar, de rir e de chorar, de vadiar ou de trabalhar, de obedecer ou de enlouquecer, de discursar ou de cantar -, as festas e os rituais realizam cortes nas rotinas diárias. Fatiar o tempo é, como dizia Thomas Mann, como tentar cortar a água, mas se não podemos concretizar o tempo, podemos ao menos tentar enjaulá-lo ou enredá-lo por meio de convenções que contrariam ou repudiam a realidade do chamado aqui e agora.

Como? Promovendo descontinuidades naquilo que é vivido como uma experiência sem início ou fim. Por meio das baterias, da nudez das mulheres, da confusão entre fundo e forma e pela conjunção da entrada e da saída, tentamos separar de uma continuidade infinita algo discreto: um drama com início, meio e fim. Todo ritual tem um alvo e hoje, querido leitor, você deve estar exausto ou pensando que este carnaval de 2012 que acabou de acabar foi mais uma disciplinada e programada loucura. A menos que nele e por meio dele você tenha vivido alguma coisa extraordinária.

* * * *

Quando menino, eu ouvi de um dos meus tios maternos uma história de carnaval que se equipara a uma parábola e que poderia se transformar num conto.

A história era uma das poucas narrativas produzidas pelo meu avô Raul, desembargador aposentado pelo Estado do Amazonas e chamado por esses tios de “velho Raul”: um homem sisudo como esses magistrais magistrados do STF. Baiano de pouco falar, que não gostava muito de criança, ele se satisfazia mais em ver os filhos, enteados, noras e netos falando e discutindo do que tomando parte ativa nas intermináveis discussões e saraus narrativos praticados pela nossa família.

O caso do velho Raul contava o seguinte: num antigo carnaval baiano, um jovem conquistador apaixonou-se por uma linda morena e dançou com ela todo o carnaval. Em vez de tomar parte nos mil e um eventos que constituem a teia das festas carnavalescas, o jovem concentrou-se apenas naquela mulher misteriosa cujo enorme decote combinava com uma meia-máscara.

Todas as noites, eles rodopiavam pelos salões, enredados nas serpentinas e, entre taças de champanhe com pingos de confete, olhavam-se com aquela voracidade capaz de enxergar a alma que, afinal de contas, o carnaval tanto deita em risco. Ao fim do terceiro e último dia, vésperas das cinzas que são o símbolo da fragmentação ou do fracionamento de todos nós, a moça atende às propostas mais abusivas e decide acompanhar o rapaz para a casa de um amigo. Naquele tempo, vovô remarcava, não existiam hotéis e tudo tinha de ser feito com o maior cuidado.

Chegaram na casa combinada pelas 3 horas da manhã. Tecnicamente já estavam na Quarta-feira de Cinzas, mas os beijos apaixonados e os abraços atrevidos garantiam a licença carnavalesca levando para a alcova o clima do baile. Despiram-se e na hora da verdade que os corpos nus não podem esconder, o jovem descobriu que a mocinha linda e envergonhada era um homem.

Essa história sempre terminava com um sorriso dos meus tios. Não me passou pela cabeça perguntar a nenhum deles o que ocorreu em seguida. Hoje, eu compreendo o peso da pergunta e ela me diz que certamente nenhum dos ouvintes ousou perguntar o desfecho desse caso de carnaval para o nosso vetusto juiz de juízes.

* * * *

Penso que, neste nosso mundo globalizado, o grande sertão inventado pelo carnaval da parábola baiana de vovô Raul não promove mais suspense. Pois se entre homem e mulher existem distinções biológicas palpáveis, nada cobre o espaço entre o masculino e o feminino, exceto um conjunto de disposições ou disponibilidades de distinção (ou extinção) convencionais e arbitrárias, de tal modo que um lado pode muito bem ultrapassar o outro. O resultado desses encontros seria uma figura como um cachorro que sumiu comendo o próprio rabo; ou como uma garrafa de Klein – ou uma inversão transversa seja lá o que isso – viva o carnaval! – queira dizer.

* * * *

Descubro que as máscaras do travesti personagem do programa humorístico Zorra Total, Valéria, e de sua coadjuvante, Janete, foram as mais vendidas neste carnaval, ao lado das do palhaço político Tiririca e de Ronaldinho. No Halloween, o nosso americanizado Dia de Finados, a máscara de Michel Temer abafou. Mas nesses dias de folia e inversão do mundo, nada melhor que essas ambiguidades de ambiguidades que remetam ao próprio espírito do Rei da Desordem.

Todo carnaval tem temas. Nos últimos anos vimos os bailes que dividiam um carnaval fechado de um outro, mais aberto, realizado nas ruas, praias e praças, serem substituídos pelos desfiles de Escolas de Samba a ponto de uma “descarnavalização” – de um restabelecimento do fosso hierárquico entre atores e espectadores que, como sugeria Bakhtin, o grande estudioso dessa festa, o carnaval destrói porque ele conduz, como todos nós, brasileiros, sabemos bem, a uma dramática e quase sempre grotesca ou cômica troca de lugar.

Mas a despeito de tudo, eu espero que nesta Quarta-feira de Cinzas, que todo ano pauta minha escrita, você tenha se divertido num dos mil blocos que hoje parecem ser mais um centro de inspiração para “brincar” e “pular” do nosso velho e sempre recorrente carnaval.

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‘Havia acordo para não ter campeão’, dizem presos

Homens detidos na confusão afirmam em depoimento que 13 escolas fizeram um ‘acordo de cavalheiros’ para evitar anúncio do título

Diego Zanchetta
do Estadão

Tiago Ciro Tadeu Farias e Cauê Santos Ferreira, presos nesta terça-feira na confusão que interrompeu a apuração do título do carnaval de São Paulo, afirmaram em depoimento que havia “um acordo de cavalheiros” para que nenhuma escola saísse campeã hoje. Eles prestaram depoimento ao delegado Osvaldo Nico Gonçalves, da Delegacia de Turismo.

A troca de dois jurados, na quinta-feira, 16, um dia antes do início dos desfiles, motivou o combinado que envolveu 13 escolas –apenas a “campeã”, que seria beneficiada pela troca, não participou do acordo, na versão dos presos. Eles não disseram qual seria essa escola. A Mocidade Alegre estava na frente, muito próxima do título, quando a leitura dos votos foi interrompida.

Pouco antes da confusão tomar todo o sambódromo, com a invasão do palco e o roubo dos votos, Darci Silva, o Neguitão, presidente da Vai-Vai, começou a incitar membros da própria escola, da Casa Verde, da Gaviões e da Camisa Verde e Branca: “Tá tudo vendidinho, tá tudo vendidinho”, gritava, em alusão aos jurados.

Na sexta-feira, pouco antes do início da apresentação da escola que preside, Silva já havia levantado suspeita sobre a substituição: “Houve uma troca de jurados na calada da noite, mas já que a Liga (das Escolas de Samba de São Paulo) resolveu, nós vamos para o pau”, disse.

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Bônus para servidores paulistas

NOTAS & INFORMAÇÕES
do Estadão

O governador Geraldo Alckmin não só manteve um dos mais importantes programas formulados e aperfeiçoados nos governos Mario Covas e José Serra, como o vem estendendo a toda máquina governamental estadual. Trata-se do sistema de meritocracia, que concede prêmios mensais em dinheiro e vantagens funcionais aos servidores públicos por produtividade e progressão, com base num método de avaliação de desempenho.

Os políticos do PSDB fizeram dessa política a marca de suas gestões nos governos municipais, estaduais e federal. Em São Paulo, essa política foi adotada pelo governo Covas no setor de educação, premiando os professores com melhor desempenho em sala de aula e os diretores de escolas públicas mais eficientes.

Inspirada em programas adotados nos Estados Unidos e na Europa, a ideia era usar a concessão de bônus como instrumento de estímulo para a qualificação do magistério público. Em seguida, com base em testes e experiências conduzidas pelo governo Serra, o sistema de meritocracia foi aprimorado e estendido para o setor de saúde e, mais tarde, para a área fazendária.

Há pouco mais de uma semana, o Diário Oficial do Estado publicou três decretos assinados pelo governador Geraldo Alckmin, com base em lei aprovada pela Assembleia Legislativa no final do ano passado, estendendo o sistema de meritocracia para todos os servidores estaduais. A partir de agora, eles terão seu desempenho avaliado e receberão um bônus mensal atrelado aos resultados dessa avaliação. O valor do bônus varia de acordo com as carreiras do funcionalismo público. Para o oficial administrativo, por exemplo, que tem um salário médio de R$ 760, ele pode chegar a R$ 300 por mês. Já o executivo público, que tem diploma universitário e recebe um salário médio de R$ 2,9 mil mensais, pode receber bônus de até R$ 1 mil. O impacto inicial dessa iniciativa no orçamento estadual, segundo a Secretaria de Gestão Pública, está estimado em R$ 7 milhões mensais.

Quando o sistema de meritocracia foi adotado por Covas, as entidades sindicais do setor educacional resistiram fortemente à sua implementação, alegando que ele não passava de uma medida pontual destinada a compensar a falta de reajuste salarial do funcionalismo paulista. Quando o sistema foi aprimorado e expandido por Serra, as mesmas entidades deflagraram greves e acusaram o governador de utilizar a política de gratificações para punir servidores e dividir o funcionalismo, que sempre foi muito coeso na defesa de seus interesses corporativos.

Agora, as entidades sindicais do funcionalismo paulista alegam que o governo está ampliando o sistema de meritocracia com dois objetivos. O primeiro é congelar os salários da corporação. O segundo objetivo é aumentar o peso relativo dos bônus, em detrimento dos vencimentos, na composição dos salários – a exemplo do que vem ocorrendo há muito tempo em vários setores da iniciativa privada. “O governo inventa gratificações que, no fim, têm mais peso que o próprio salário. O que o funcionalismo quer, e não tem, é um salário digno”, diz Carlos Ramiro, ex-presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) e militante do PT.

As críticas não são procedentes. O que os líderes sindicais querem são reajustes salariais lineares para todos servidores, sem qualquer cobrança de desempenho e qualificação profissional, como contrapartida. “Não estamos pensando em punição para quem for mal avaliado, até porque a perda do bônus já deve servir de sanção. Queremos dar chances ao servidor de melhorar e procurar cursos de qualificação que o Estado vai fornecer nas áreas que considerar mais adequadas”, diz a secretária Estadual de Gestão Pública, Cibele Franzese.

A posição dos sindicalistas do serviço público estadual é anacrônica. Na área federal, até o PT – na gestão do presidente Lula – adotou política de metas e bônus no setor educacional, por entender que essa era a melhor estratégia para motivar o professorado.

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‘Serra é a resistência ao projeto de hegemonia do PT’, diz Sérgio Guerra

Presidente nacional do PSDB afirma haver ‘forte convicção’ de que ex-governador entrará na disputa em SP

Christiane Samarco
do Estadão

BRASÍLIA – O presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), acusa o PT de nacionalizar a disputa pela Prefeitura de São Paulo, na tentativa de derrotar os tucanos para levar adiante “o projeto Lula da democracia de partido único”. “O objetivo do Lula é e sempre foi transformar o Partido dos Trabalhadores em um partido único”, afirma, em entrevista ao Estado.

Nesse quadro de luta contra a hegemonia do PT, ele diz que a candidatura do ex-governador José Serra a prefeito de São Paulo, “se confirmada, representa a resistência da democracia ao projeto da hegemonia petista”. E completa: “Hoje há uma forte convicção de que ele poderá vir a ser candidato”.

Com a nacionalização da campanha paulista, ele entende que Serra passa a ser, “sem a menor dúvida, também um projeto nacional do PSDB”. Se o ingresso dele na corrida municipal dispensará ou não a realização de prévias para a escolha do candidato, é outra conversa. “Essa questão tem que ser conduzida por quem a conduziu até agora, que é o governador Geraldo Alckmin”. Leia abaixo a entrevista.

Estado: O ingresso do ex-presidente Lula na campanha municipal de São Paulo nacionalizou a disputa. Como o PSDB deve reagir?

Sérgio Guerra: O objetivo do Lula é e sempre foi transformar o Partido dos Trabalhadores em um partido único. Não é questão de maioria, é a busca da hegemonia. O PT nacionalizou a eleição em São Paulo na tentativa de derrotar o PSDB para levar adiante o projeto Lula da democracia de partido único.

Estado: Isto exige um novo comportamento da oposição em São Paulo?

Sérgio Guerra: A candidatura de Fernando Haddad (PT) é, claramente, parte estratégica desse esforço pela hegemonia completa do partido único. A participação do PT no Congresso, sua organização no governo e sua ação nos Estados é sempre nesta direção. Mas isto, de certa forma, cria um ambiente positivo para a oposição, porque muitos já estão vendo, e verão cada vez mais, que não são prioridade ou estão sendo excluídos. Taí a crise na base deste governo que só demite ministros que não são do PT e mantém esse governador de Brasília. Com tanta denúncia levantada, não fosse petista, este governador já teria ido embora há muito tempo.

Estado: Nesse quadro de luta contra o PT, a candidatura de Serra a prefeito de São Paulo pode ser útil à oposição?

Sérgio Guerra: A candidatura Serra, se confirmada, representa a resistência da democracia ao projeto da hegemonia petista. E hoje há uma forte convicção de que ele poderá vir a ser candidato.

Estado: Com a eleição municipal de São Paulo nacionalizada, o ex-governador Serra reforça também sua intenção de manter-se como opção nacional do PSDB?

Sérgio Guerra: Sem a menor dúvida. Pelo peso que tem e pelo que representa dentro e fora do partido, em qualquer lugar e em qualquer papel que desenvolva, Serra será sempre um político nacional. Seja candidato no Brasil, em São Paulo ou no Piauí, ele será sempre uma liderança nacional para os tucanos e para os adversários.

Estado: Serra é fundamental para impedir que o ex-presidente Lula consolide o projeto de derrotar o PSDB em São Paulo?

Sérgio Guerra: O Lula já tentou muitas vezes derrotar o PSDB em São Paulo. Ele próprio já foi candidato algumas vezes e perdeu. Então, o fato de ele estar mais uma vez decidido a nos enfrentar não é novidade. O Serra é, em São Paulo, fora do Estado ou em qualquer outro lugar, um candidato muito forte. Ele tem que ser visto como um candidato sênior, que é o que ele é.

Estado: O ingresso dele na disputa dispensa a realização de prévias para escolher o candidato?

Sérgio Guerra: Essa é uma questão que tem que ser conduzida por quem a conduziu até agora, que é o governador Geraldo Alckmin. Temos confiança em que esse tipo de dificuldade ele vai superar.

Estado: O prefeito Gilberto Kassab, do PSD, estava com um pé na candidatura de Fernando Haddad, mas a menção da entrada de Serra na disputa freou esse movimento. Segurar Kassab é fundamental para o projeto da oposição em 2014?

Sérgio Guerra: Kassab nunca deixou de falar a quem quisesse ouvir que Serra seria seu candidato, qualquer que fosse a eleição que ele quisesse disputar, até para presidente da República. Essa questão não é nova. Em segundo lugar, é evidente que a unidade de forças políticas historicamente ligadas, ou não, é fundamental na eleição de São Paulo, que nunca será uma eleição fácil. Será disputada e a capacidade de mobilização do prefeito é muito importante em uma campanha.

Estado: Dirigentes tucanos dizem que é preciso impedir a ida de Kassab para o PT porque seria uma viagem sem volta, que terminaria com o ingresso dele no ministério da presidente Dilma Rousseff. O senhor concorda com essa avaliação?

Sérgio Guerra: Quem pode concordar ou discordar desta avaliação é o prefeito. O que eu sei é o que ele me disse e tem dito a muitos: que será eleitor e apoiador de José Serra, se ele for candidato a prefeito, governador ou presidente.

Estado: No cenário sem Serra é possível trazer Kassab para a candidatura tucana?

Sérgio Guerra: Sou daqueles que entendem que a realização de prévias não nos remete a um quadro negativo. Ao contrário, fortalece os nomes colocados, que são bons e têm condições de desenvolver uma boa campanha. Com eles o PSDB tem toda a capacidade de fazer um discurso limpo, novo, com muita chance de vitória. Quanto ao prefeito, em uma eleição sem Serra ele deveria se posicionar levando em consideração quem apoia e quem bate no governo dele, e quem pode melhor governar a cidade. Para mim soaria muito estranho o PT, que combateu Kassab a vida inteira, estar junto dele em qualquer eleição. A população não entenderia.

Estado: O PSDB enfrenta o racha interno entre serristas e aecistas e a falta de bandeiras para tocar uma campanha eleitoral. Como chega aos palanques municipais?

Sérgio Guerra: Hoje não existe mais a divisão entre alas. Pode haver dificuldades pessoais entre um e outro tucano, mas isto não é significativo. E, do ponto de vista do enfrentamento do que separa o partido da sociedade, nós também avançamos.

Estado: Mas, até agora, o diálogo com os movimentos sociais tem sido quase que uma exclusividade do PT. Como reagir?

Sérgio Guerra: Isto já era… Hoje nós temos mais de 2 mil sindicalistas filiados ao PSDB, inclusive da CUT. No mês que vem criaremos a Secretaria de Assuntos Trabalhistas e Sindicais do PSDB, que será comandada pelo vice-presidente nacional da Força Sindical, Antonio Ramalho. E teremos também as secretarias que vão cuidar das questões do meio ambiente e dos portadores de necessidades especiais.

Estado: A última pesquisa interna mostrou que o PSDB perdeu suas principais bandeiras para o PT, com os medicamentos genéricos e a Lei de Responsabilidade Fiscal, ambos mais creditados a Lula do que a FHC. Essa virada do PT, ao privatizar aeroportos, facilita a recuperação dessas bandeiras por parte do PSDB?

Sérgio Guerra: Não valorizar o nosso legado foi um grave erro. Estamos pagando um preço alto, mas isto também já mudou. O PSDB se recompôs com o presidente Fernando Henrique, homenageando-o em cadeia nacional, no programa de televisão do partido, e isto significa recuperar o discurso. O PT também nos ajuda nisso, quando privatiza os aeroportos e reconhece que tínhamos razão nas privatizações.

Estado: O reconhecimento desse legado terá peso eleitoral forte em 2012 e 2014?

Sérgio Guerra: Já teve um peso enorme sobre nós mesmos. O PSDB está com a autoestima lá em cima, pelo que fez e pode fazer. A apropriação política desse sentimento se dará nas eleições. O fato de o PT reconhecer e adotar as privatizações prova, em primeiro lugar, que nosso legado é muito bom. Segundo, que o PT não falou a verdade e continua não falando. Diante de fatos mais do que óbvios, os petistas insistem em sutilezas do tipo não privatizamos assim, ou assado.

Estado: Falam que não é privatização, é concessão.

Sérgio Guerra: Isso é falta de coragem pública de reconhecer os fatos na sua intensidade e na sua integridade. O fato relevante é que o PSDB fez as privatizações e botou o Brasil nos trilhos. Trilhos que necessariamente o PT tem que percorrer, sob pena de não caminhar e de os aeroportos não funcionarem.

Estado: Nas últimas eleições, o partido fez 780 prefeitos. Qual é a meta para 2012?

Sérgio Guerra: A meta é eleger mil prefeitos. Mais prefeitos significam mais deputados, mais tempo de televisão, mais participação no Congresso e mais financiamento partidário.

Estado: DEM e PPS serão os parceiros preferenciais agora e em 2014?

Sérgio Guerra: Temos também uma parceria real com o PSB em vários Estados (PR, AL, MG, PE), que apontam para alianças futuras.

Estado: A popularidade recorde do governo Dilma preocupa o PSDB?

Sérgio Guerra: A popularidade deste governo é sutil e débil e será reduzida no tempo. A marca do governo Dilma foram as demissões que fez e a verdadeira marca desse governo é o fato de ele ter demitido aqueles que nomeou.

Estado: Este quadro pressupõe um modelo de candidato a presidente?

Sérgio Guerra: Esse quadro nos obriga a ampliar, a procurar entre os descontentes da base, possíveis aliados nossos depois. Isto é básico. O candidato do PSDB terá que ser amplo. Terá que ter capacidade de somar, para ter votos e para governar.

Estado: Por este raciocínio, Aécio Neves leva vantagem, a partir da ampla aliança que ele montou em Minas?

Sérgio Guerra: Não estamos criando padrões de comparação. Não faz sentido agora. Mas nós começamos a definir o modelo de candidato mais adequado ao momento brasileiro. Isto não envolve Aécio, Serra, nem ninguém. Significa que, para descrever o que deveria (fazer) um candidato da oposição daqui a três anos, nós já temos algumas certezas: uma é que este candidato terá que ser amplo, ter capacidade de atrair e buscar alianças do outro lado.

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O poético desfile da loucura

Fernando Gabeira
do blog gabeira.com.br

Os pacientes do Centro Pisquiátrico Nise da Silveira, em Engenho de Dentro, desfilaram ontem pelo bairro com seu bloco carnavalesco.

Loucuras Suburbanas é o nome do bloco e tem tudo a ver com o trabalho de Nise da Silveira, que no século passado combateu o choque elétrico e a lobotomia no tratamento da loucura.

Ela foi pioneira no trabalho de usar a arte como terapia e possibilidade de expressão do paciente. Grandes nomes de pintores surgiram dessa experiência. Cerca de 34 mil obras estão guardadas no Museu das Imagens do Inconsciente que funciona no Centro Psiquiátrico .

O carnaval com suas fantasias, com o samba e dança acaba sendo mais um momento em que os loucos abraçam a arte e fazem dela o caminho de encontrar o equilíbrio no mundo.

Meu trabalho era fazer um pequeno vídeo para um comentário que faço na Bandeirantes. Resolvi selecionar algumas fotos enquanto o trabalho não é editado.O objetivo principal era rodar o vídeo mas sempre sobra tempo para algo mais.

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SIMONE O AMANHÃ (abertura) Especial Delírios Delícias 1983

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